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07/06/2011 - 18:18

E3 2011: Compreendendo esse tal de Wii U

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Vamos lá então, entender esse negócio.

O Wii U é sim, um novo videogame, apesar de muita gente ter ficado em dúvida. Uma hora após a coletiva da Nintendo, na sala de imprensa do Convention Center, ainda havia gente se perguntando (alguns ME perguntaram): “Mas é um portátil novo ou um console?”.

Na hora, não ficou tão claro assim. Mas quem reassistir a apresentação de Satoru Iwata e Reggie Fils-Aime, comprova que eles até disseram: é um console sim, claro. É que a Nintendo nesse instante quer que todo o mundo preste atenção ao controller, e não ao console em si.

É interessante notar que é quase uma situação aposta a o que ocorreu em 2005: na ocasião, a Nintendo exibiu o que na época ainda se chamava “ Revolution”, um console que parecia uma caixinha de charutos em pé. Nada de games e, mais importante, nem sinal do joystick, o tão revolucionário Wiimote. Miyamoto, dois dias depois daquela apresentação, me falou a respeito (relembre aqui a entrevista de 2005). Foi mais ou menos assim:

Gamer.br: E o controller do Revolution? Vocês não mostraram nada e estamos curiosos.
Shigeru Miyamoto: Nós exibimos o hardware e é claro que gostaríamos de ter mostrado o controller, mas o problema é que se fizéssemos isso, revelaríamos muito dos aspectos novos e exclusivos do nosso sistema. Não seria um bom negócio se divulgássemos isso agora. No passado, revelamos coisas que as outras empresas não demoraram para copiar e tirar vantagem. Para ser bastante sincero e modesto, queremos evitar o que aconteceu com a alavanca analógica, o Rumble Pak, o Wavebird… a Nintendo criou todas essas novidades, e as outras empresas rapidamente seguiram atrás. Se revelássemos as coisas agora, um ano antes, seria dar muito tempo para as empresas pegarem nossas idéias e saírem correndo. O que queremos é revelar todas as funcionalidades do sistema já com o software rolando, em um pacote completo, na hora que for mais vantajosa.

Que curioso, não? Aconteceu o oposto nesse momento. O importante para a Nintendo é fazer você (e a concorrência, por que não?) se interessar pelo joystick revolucionário deles. O console, no caso, ou detalhes mais específicos, são mesmo meros detalhes.

As informações técnicas estão quase todas no http://e3.nintendo.com, no link System Details: é um console de ligar na TV, cheio de especificações técnicas, mas a maioria ainda permanece envolta em mistério. É porque a Nintendo só faz questão que você saiba que os jogos serão tão bonitos e avançados quanto esses que podem ser jogados hoje no PlayStation 3 e no Xbox 360. Aquela demo técnica que mostra o passarinho voando, o rio e o peixe, serviu exatamente para isso. O Wii U é um Wii turbinado e em alta definição, mas com um joystick invocado e cheio de onda. Preço? Tipo de processador? Tecnicagens? Nada disso. Pelo menos ainda não.

As especificações técnicas disponíveis são apenas essas (no original, veja tudo no site):

Launches: 2012

Size: Approximately 1.8 inches tall, 6.8 inches wide and 10.5 inches long.

New Controller: The new controller incorporates a 6.2-inch, 16:9 touch screen and traditional button controls, including two analog Circle Pads. This combination removes the traditional barriers between games, players and the TV by creating a second window into the video game world. The rechargeable controller includes a Power button, Home button, +Control Pad, A/B/X/Y buttons, L/R buttons and ZL/ZR buttons. It includes a built-in accelerometer and gyroscope, rumble feature, camera, a microphone, stereo speakers, a sensor strip and a stylus.

Other Controls: Up to four Wii Remote™ (or Wii Remote Plus) controllers can be connected at once. The new console supports all Wii™ controllers and input devices, including the Nunchuk™ controller, Classic ControllerTM, Classic Controller ProTM and Wii Balance Board™.

Media: A single self-loading media bay will play 12-centimeter proprietary high-density optical discs for the new console, as well as 12-centimeter Wii optical discs.

Video Output: Supports 1080p, 1080i, 720p, 480p and 480i. Compatible cables include HDMI, component, S-video and composite.

Audio Output: Uses AV Multi Out connector. Six-channel PCM linear output through HDMI.

Storage: The console will have internal flash memory, as well as the option to expand its memory using either an SD memory card or an external USB hard disk drive.

CPU: IBM Power®-based multi-core microprocessor.

Other: Four USB 2.0 connector slots are included. The new console is backward compatible with Wii games and Wii accessories.

***

Se a Nintendo não quis mostrar detalhes sobre o console na conferência, é porque não precisa fazer isso agora. Porque o interessante em um evento como a E3, em se tratando de tanta concorrência pesada, é mostrar o que o adversário NÃO tem. E quem tem joystick com sensor de movimentos, ou mesmo um sistema de captura de movimentos? Nesse momento, todos os três consoles existentes – Wii, PlayStation 3 e Xbox 360.

Agora, quem tem um joystick que é um verdadeiro tablet, que na verdade é uma segunda tela, mas que também é um portátil independente, com praticamente todos os recursos de um console de bolso, mais os recursos básicos de um joystick atual (rumble, acelerômetro, giroscópio, duas alavancas digitais, um direcional analógico, câmera, microfone, quase uma dezena de botões etc) e etc? Pois é. Só a Nintendo tem. E agora, Sony e Microsoft terão que correr atrás novamente, como já fizeram com o Wii.

Será que dá?

Claro que dá. Ou alguém duvida que os joysticks do PlayStation 4 e do próximo Xbox trarão telas touch screen embutidas (além de mais alguns recursos novos)? Afinal, essa é a graça da corrida da tecnologia. Sempre dá para ir mais longe. E, muitas vezes (ou na maioria das vezes, em se tratando de um gadget ou produto), não importa quem faz primeiro – e sim, quem faz melhor.

O que logo iremos descobrir é que a ideia do Wii U veio de uma premissa muito simples (tão simples que certamente saiu da cabeça de Shigeru Miyamoto): “e se fizermos um videogame que junte console e portátil em uma coisa só? Já sabemos fazer as duas coisas mesmo, né?”. A popularização cada vez mais crescente dos tablets só fez a coisa ter ainda mais sentido. O resultado disso será o Wii U.

Eu não tenho a menor dúvida de que será um sucesso, tanto ou maior do que o Wii. Duvido que os usuários de PlayStation 3 e Xbox 360 não ficaram no mínimo curiosos para ver o negócio funcionando. A Nintendo fez nessa E3 o mais difícil, que foi recuperar a confiança do público hardcore.

E, de repente, o final de 2012 ficou distante demais para todo mundo.

Autor: - Categoria(s): Clique Comigo, Cobertura E3 2011, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , ,
17/03/2011 - 13:24

Não Gaste seu Dinheiro em Qualquer Porcaria

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Como estão as coisas por aí? Aqui vão bem.

São muitos eventos rolando em São Paulo nesse momento. O GameWorld, que aconteceu no final de semana passado, foi um sucesso de público. Ontem, a Activision revelou suas novidades para 2011 em um encontro com a imprensa (não compareci).  E escutei bons boatos esses dias sobre um evento de games de proporções ainda maiores no segundo semestre (muitos de vocês já sabem do que estou falando). Mas logo volto a fofocar sobre isso.

Por enquanto, para ninguém dizer que não ligo mais para games, epublico agora um texto que fiz para a revista EGW de dezembro, sobre consumismo desenfreado. Acho que é um tema que continuará eternamente em voga, então sempre vale a pena discutir o assunto.

E logo mais volto por aqui.

***

Jogos Demais, Tempo de Menos
O mercado está entupido de novos jogos e acessórios, mas nem todos valem o seu suado dinheiro

Novembro foi um mês agitado para quem mexe com games no Brasil, seja profissionalmente, seja casualmente.

A Microsoft lançou a rede Xbox Live por aqui. E isso por si só já deveria ser o bastante para ocupar todo mundo. Havia quem não acreditasse que aconteceria. Mas deu certo (ou melhor, espero que tenha dado. Escrevo esta coluna no dia anterior à estreia do sistema, e rezo para que esteja funcionando direito no momento em que você estiver lendo isso. A Microsoft garantiu que funcionaria, então é melhor a gente crer). E, uma semana depois, o Kinect, também da Microsoft, chegaria às lojas brasileiras – dessa vez, com apenas duas semanas de atraso em relação aos Estados Unidos. Tudo ao mesmo tempo agora.

Enquanto isso, a Sony Brasil não fala muita coisa a respeito do seu lado da história – no caso, a rede PSN e o acessório PlayStation Move. Questão de timing e estratégia. Afinal, a Microsoft levou “apenas” quatro anos para anunciar a chegada da Live no Brasil (o Xbox 360 foi lançado aqui no final de 2006). A Sony, por sua vez, se mantém adequada ao seu cronograma, por assim dizer: o PS3 também chegou por aqui com quase quatro anos de atraso em relação ao lançamento oficial. Então, no fim das contas, está tudo de acordo com o esperado.

E é claro, precisamos nos lembrar de que este fim de ano é o período critico de lançamentos, o tal do “fall” norte-americano. É aquela louca proporção de um game por dia. Enxugando tudo e dispensando o que não presta, dá para dizer que o período oferece bem menos do que uma dezena de games imperdíveis. Em meio a tudo isso, eu fico aqui pensando quem é que tem dinheiro para consumir tanta coisa. Você tem? Porque eu não tenho.

Você pode dizer que não tenho do que reclamar porque recebo tudo de graça no conforto de meu lar. Isso é meia verdade. Recebo algumas coisas, outras tenho que comprar, como todo mundo costuma fazer. E se já acho complicado gastar tanta grana com um ou outro game, fico imaginando um cara honesto como você, que não tem nenhuma boiada e precisa comprar tudo “na raça”.

Na real, a indústria dos games não está nem um pouco preocupada com isso. Talvez eles nem enxerguem a situação como um problema de verdade. Eles devem dizer: “Ruim seria não haver game nenhum para escolher!” E para reforçar essa tese, as empresas lançam mais produtos do que conseguiríamos comprar e jogar. Melhor sobrar do que faltar? Eu acho que não é bem por aí.

É até difícil apontar um game ruim em meio a tantos jogos “mais ou menos”. Com esse excesso de novidades, se torna mais trabalhoso o processo de garimpagem, e é quando o bom senso do consumidor se faz mais do que necessário. Algumas perguntas, porém, são de difícil resposta: é possível apostar com absoluta certeza em um game criado por uma desenvolvedora consagrada? Uma continuação de um jogo incrível será necessariamente um jogo incrível? Devemos confiar em todos os reviews positivos publicados pela imprensa?

Penso que o consumidor deve ter essas questões em mente, mas relembro também algo mais importante (e que muita gente parece se esquecer): você não é obrigado a desperdiçar seu suado salário em qualquer porcaria. Não é porque a indústria abarrota as prateleiras que você precisa engolir qualquer sapo. Dê um basta no consumo desenfreado: 1. Jogos ruins e feitos às pressas não devem ser levados em consideração. 2. Continuações pouco criativas não precisam necessariamente ser consumidas, mesmo que você seja um fã ardoroso de determinada série. 3. Gênios também falham, então você não precisa comprar um game de gosto duvidoso apenas porque foi supervisionado por seu designer japonês favorito.

Investigue, teste, enlouqueça o cara da loja, mas tenha absoluta certeza antes de gastar um único centavo. Não entregue o seu dinheiro a quem não merece. E se estiver difícil de decidir, pergunte a quem você mais confia. Às vezes, a opinião de seu melhor amigo pode ser muito mais válida do que a de um jornalista…

* Texto originalmente publicado na edição 108 da EGW, dezembro de 2010.

Autor: - Categoria(s): Gamer.br na EGW, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , ,
24/02/2011 - 18:48

Wii para Casais

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Fala sério que isso é de verdade?

Sim, é mesmo um game “adulto” para Wii, We Dare, da Ubisoft

O melhor são os finais alternativos do vídeo, acessíveis por códigos clicáveis (um mais apelativo do que o outro). Experimente.

O que nos leva a crer que sim, os desenvolvedores de games também imaginam bobagens de duplo sentido quando pensam em joysticks…

Autor: - Categoria(s): Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , ,
31/08/2010 - 11:48

Entrevista da Semana: Mark Wentley (Nintendo of America)

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Vamos zerar o assunto e começar de novo? Então vamos.

A Entrevista da Semana do Gamer.br é com Mark Wentley, o gerente de marketing e vendas da Nintendo para a América Latina. A conversa com ele rolou em junho, durante a E3 2010, em Los Angeles, e só está vendo a luz do dia hoje porque o tema discutido não poderia estar mais em voga: a atual situação do mercado brasileiro de games.

Pressionei Wentley sobre as dúvidas que normalmente os leitores endereçam a mim a respeito da Nintendo e da presença da empresa no Brasil. De certa forma, eu já estava me preparando para a matéria que finalizei hoje sobre a indústria nacional, para a edição de setembro da Rolling Stone Brasil (nas bancas em 10/9). Por conta de ter sido feita em junho, não há perguntas a respeito do lançamento do PlayStation 3 no Brasil – mas tenho conhecimento de que a Nintendo raramente cita os concorrentes em suas entrevistas, portanto nem fez tanta diferença assim. Enfim.

A seguir, as palavras de Wentley, o executivo norte-americano que responde pelas ações da Nintendo em nosso país. Leia, comente e passe adiante.

***

Gamer.br: Todo ano eu lhe pergunto o seguinte: o que a Nintendo planeja para o mercado brasileiro nos próximos anos? E o que mudou de 2009 para agora?
Mark Wentley: O que posso lhe dizer: em termos de informações novas,  não tenho nada para dizer nesse momento. Mas o que posso dizer é que para nós, a importância só cresceu. A resposta do mercado só cresceu e nosso interesse pelo Brasil só se torna maior a cada dia. Mas como você bem sabe, e já falamos antes sobre isso, é uma situação das mais complexas dadas o regime político, as complexidades das importações, os impostos, a distribuição é uma situação bem complicada, o que interefere no tempo em que é gasto para se fazer as coisas do jeito correto – e isso demora. Então, nós queremos ter uma presença maior, e há diversas maneiras de fazer negócios no Brasil, mas leva tempo para se fazer as coisas certas. Vamos continuar a estudar e avaliar a situação e queremos estamos estar mais envolvidos com os consumidores e com o mercado no futuro.

Houve reclamações sobre a falta de produtos Nintendo nas lojas brasileiras. Parece que estava difícil encontrar o Wii e o Nintendo DS para vender, assim como os games. O que o consumidor deve fazer para evitar comprar produtos no mercado cinza, ou importar por conta própria? Ou seja, o que o consumidor tradicional precisa fazer para conseguir comprar o produto que deseja?
MW:
Bem, estou um pouco curioso para saber de onde você está tirando essa informação, porque nós estamos vendendo produtos. Enviamos produtos o tempo todo, há Wii disponíveis. Eu estive no Brasil há um tempo, fazendo um acompanhamento do mercado, e havia produtos. Então, não tenho certeza de onde você tirou isso.

Foi uma pesquisa pessoal que fiz – fui a diversas lojas e perguntei a alguns vendedores e consumidores a respeito dos produtos. E o que me disseram é que não está assim tão fácil encontrar Wiis, mas também há diversas lojas online vendendo o console em promoções. Mas por outro lado, você acha que poderia haver mais produtos Nintendo nas lojas? Ou mais material de merchandising, displays, essas coisas?
MW:
Certamente, há espaço para melhorarmos nossa distribuição localmente. Mas, dados o tamanho do país e a complexidade em se colocar os produtos lá dentro, a distribuição se torna é um dos grandes desafios no Brasil. Mas você vai acabar percebendo mais e mais o que estamos fazendo e verá que há sim, produtos disponíveis. É interessante você ter dito isso, porque estou interessado em obter mais informações específicas. Afinal, eu sei que há produtos disponíveis no Brasil.

E o que a Nintendo tem feito especificamente para melhorar sua participação no mercado brasileiro? Por exemplo, vocês checam relatórios mensais com números, essas coisas?
MW:
Como você bem sabe, nós trabalhamos com a Latamel e eles são os responsáveis pela região. Temos uma equipe exclusivamente dedicada ao mercado brasileiro, então certamente nos encontramos com eles e definimos as estratégias. Temos campanhas de marketing, você verá anúncios nas emissoras de TV a cabo, campanhas online, revistas… há bastante suporte nesse sentido. Então nos investimos muito em marketing para lançar os produtos no Brasil, e não faria sentido não ter produtos para vender. Essa parte é extremamente importante e com certeza estamos fazendo, investindo em distribuição, constantemente buscando maneiras de melhorar nesse sentido.

No que diz respeito ao mercado brasileiro, temos uma situação  interessante: os dois principais concorrentes atualmente realizam ações bastante especificas. Temos a Sony lançando o PS2 e talvez o PS3 [a entrevista foi realizada em junho, antes do lançamento do PS3 no Brasil]. Temos a Microsoft lançando games mensalmente e preparando a rede Xbox Live. Aos olhos do consumidor, talvez seja um pouco desapontador que a Nintendo não esteja “pessoalmente” mostrando seu poder em território nacional, uma vez que não há um escritório, como havia antes. O que você tem a dizer para o consumidor brasileiro, que vê a competição se mexendo e presencia a Nintendo “na mesma”?
MW:
Para começar, eu compreendo o que você quer dizer e agradeço por seus comentários. Entendo que os fãs gostariam que a marca estivesse o mais próximo o possível deles. E uma maneira de fazer isso é, conforme você mencionou, ter uma presença direta. Tudo é uma questão de como melhor servir o consumidor brasileiro. Seja ter atendimento especializado, entregar os produtos nas lojas, se comprometer com essas coisas. Então, seja lá qual for a maneira que essa presença ocorrer, com presença direta, ou através de um distribuidor, ou de qualquer outra maneira, o objetivo é sempre o mesmo: nós oferecermos um bom serviço, levarmos os produtos e mostrarmos o “amor”, por assim dizer, ao consumidor brasileiro. É isso que, no fim das contas , eles desejam. Essa é a mensagem que quero passar.  E também digo que estamos procurando por outras alternativas, porque, sabe, é uma situação que está em constante mudança. O Brasil não irá diminuir, não irá se tornar de repente um mercado menor – o país veio para ficar e não para de crescer.

Como a Nintendo enxerga o Brasil nesse momento? Temos eleições presidenciais, o país continua a se destacar como uma força econômica mundial…
MW:
Honestamente, do ponto de vista do business, da economia, eu estou muito impressionado. Porque havia muita incerteza, muita infidelidade no mercado nesse momento, mas no Brasil, as coisas estão correndo incrivelmente bem. Se você olhar do ponto de vista econômico, o país não está apenas gerenciando bem, mas tem ótimas perspectivas para o futuro, no que diz respeito à força de trabalho e os recursos disponíveis. E o potencial que existe nessa força de trabalho, o nível de educação, é realmente impressionante. É por isso que este mercado é muito importante e estamos olhando com muita atenção para o Brasil. É um foco não apenas para a Nintendo, mas para diversas outras indústrias, por conta de seu potencial e seu papel no mundo atualmente.

Há uns anos surgiu a expressão “BRIC”, para designar os países com maior potencial para crescer – Brasil, Rússia, Índia e China. Você acha que essa designação já estaria defasada? Esses países se encontram no mesmo nível atualmente?
MW:
Eu não sou um economista e não estou muito por dentro do R, do I e do C, mas conheço um pouco do B. E o B é um “B” maiúsculo. Vamos definir assim. [risos]

Sei que a Nintendo não fala sobre números, mas você poderia tentar mensurar o tamanho do mercado ocupado pelo Wii e pelo Nintendo DS no Brasil? Quantas pessoas estão jogando seus consoles agora no país?
MW:
É uma ótima pergunta. Honestamente, eu não tenho muita ideia. Um dos desafios que enfrentamos também é a importação paralela. A Nintendo foi uma player dessa indústria e tentou por muito tempo lutar contra a pirataria e a importação paralela e ilegal. Certamente, entender a quantidade de produtos que entra por essas vias é algo impossível. O que eu posso dizer é que o potencial do Brasil é enorme. Neste momento, o México é o nosso maior mercado. Mas, em termos de potencial geral, o Brasil certamente representa o maior potencial que nós temos nesse momento. Mas em termos de quantidade de consoles, nós não temos essa informação.

E em termos de potencial, quão grande é o nosso mercado?
MW:
No meu entendimento, tenho sempre uma conta na cabeça: há hoje por volta de 100 milhões de brasileiros com 18 anos de idade ou menos. Nós sabemos que a juventude é mundialmente focada em tecnologia, especialmente em videogames.  Nós procuramos maneiras de integrar os videogames mais e mais nas vidas dessas pessoas, uma vez que eles já utilizam a tecnologia para se divertir, se informar, se comunicar entre si, ou, simplesmente, fazer isso uma parte integrante da vida. Com 100 milhões de pessoas abaixo de 18 anos, isso nos representa um mercado gigantesco.

Há diferenças entre o consumidor brasileiro e o de outros mercados grandes? O que faz o consumidor brasileiro ser diferente do norte-americano, por exemplo?
MW:
Eu diria a juventude. Eu provavelmente não tenho acesso a todos os dados, mas um que com certeza chama a atenção é a juventude. Mas se você olhar para os demográficos, verá que o fato de o Brasil ser um país jovem é algo muito relevante. Eu não tenho os números aqui de cabeça, mas, por exemplo: se você comparar com outros países da América Latina, verá que a penetração da internet é muito alta. A utilização de computadores domésticos é muito forte e a penetração de computadores com internet também é muito alta. Então, nesse sentido, eu estou bastante empolgado com esse potencial.  Comparado aos outros mercados da América Latina, isso é algo que nos causa grande interesse.

Falando sobre o lançamento de outros produtos Nintendo, como o Nintendo 3DS, quais são os planos para o Brasil?
MW:
Lançaremos o 3DS nos mesmos meses que nos outros países da região. Estamos nos comprometendo a lançar na América Latina – incluindo no Brasil – no mesmo momento em que pretendemos lançar nos Estados Unidos.  Ou seja, a data que definirmos para o lançamento aqui [Estados Unidos] será a mesma que honraremos na América Latina, então você pode esperar ver o produto no Brasil ao mesmo tempo em que o tivermos aqui nos Estados Unidos. E é interessante dizer, especificamente sobre o console: o investimento e o compromisso das empresas desenvolvedoras de jogos têm sido muito alto. Temos literalmente dúzias de empresas conosco, e os games que iremos lançar – FIFA, Pro Evolution Soccer, Resident Evil, The Sims, DJ Hero, Kingdom Hearts… É simplesmente um conjunto incrível de franquias que subiram à bordo e darão suporte ao novo Nintendo 3DS. Estamos muito empolgados com isso. E antes do lançamento, teremos também um período excelente no fim do ano, com Zelda, Donkey Kong, Mario, Metroid, GoldenEye, Golden Sun, Nintendogs, Paper Mario… Uma variedade incrível de títulos, e estamos muito felizes de poder oferecer isso aos consumidores e fãs.

Quando você olha para suas duas concorrentes, você acha que a Nintendo ainda está seguindo um caminho independente em se tratando de tendências e tecnologia? Em 2006, vocês lançaram o Wii, e agora Microsoft e Sony estão tentando basicamente fazer a mesma coisa, mas com tecnologia mais avançada. A Nintendo sempre esteve em seu próprio caminho, mas o que ocorre agora? Eles estão tentando fazer a mesma coisa que a Nintendo, ou seria algo diferente? Ainda há outro caminho a ser seguido ou vocês estão competindo pelo mesmo mercado e consumidores?
MW:
Nós, definitivamente, queremos estar em nosso próprio caminho, para usar a sua analogia. Acho que uma grande prova disso é o lançamento do Nintendo 3DS. Porque pela primeira vez estamos oferecendo um console em que você não precisa de óculos para experimentar o 3D. Você não precisa de um aparelho de televisão caro, e você ainda pode carregar essa experiência com você para todo lugar. Então, nós fundamentalmente acreditamos que este é um divisor de águas.
E em se tratando do Wii, sentimos que este também é um exemplo de como estamos mudando os rumos da conversa, levando a indústria para um caminho totalmente diferente e nunca visto antes. Você mencionou que há diversos controles com sensores de movimentos, que há diversas empresas agora envolvidas com esse tipo de tecnologia: bem, falando sobre o que viemos falar aqui [aponta para o 3DS]: esta é uma nova era pra nós,  e estamos levando tudo para o próximo nível. E as empresas reconhecem isso e estão do nosso lado. Enquanto estivermos pensando no próximo passo, enquanto não estivermos necessariamente preocupados com quantos pixels o game vai ter, ou especificações técnicas, mas, ao invés disso, como podemos criar uma experiência mais interessante. Ou, em como podemos criar a próxima experiência incrível para o consumidor. Aí sim, estaremos bem. É exatamente isso que estamos tentando fazer com o anúncio de hoje sobre o Nintendo 3DS.

Vocês não mencionaram data de lançamento ou o preço do 3DS…
MW:
Não temos essa informação ainda, nem data ou preços, pelo menos por enquanto. O que posso dizer é que estamos comprometidos a lançá-lo pelo menos em uma região, antes do final do ano fiscal, o que significa até março de 2011. Mas só o que podemos falar é que o lançamento será em 2011.

Você acha que o preço dos produtos Nintendo são compatíveis com a atual situação do brasileiro médio? Quer dizer, continua sendo caro comprar um novo videogame no país. Quando Nintendo possuía uma presença “física” no Brasil, me lembro de que os produtos da empresa sempre foram os mais caros do que os outros, muito porque a empresa estava lá oficialmente, fazendo todos os processos legais. Agora, Microsoft e Sony estão vendendo seus produtos oficialmente por lá, e obviamente eles são bastante caros. E o Wii, sob essa perspectiva, se encontra numa outra situação – o bundle do Wii pode ser encontrado por um preço até razoável nas lojas. Como você vê isso?
MW:
Sabe, o preço e todas suas complexidades são um tema completamente diferente. Certamente, os componentes que interferem em um preço são diversos e, mesmo olhando tudo, é difícil dizer qual o preço que um produto terá – como você sabe, há muita flutuação no preço do Wii no Brasil. Parte disso vem do fato de nós mesmos termos baixado o preço do console. Mas temos que lembrar que existe um fator multiplicador no Brasil, por causa de todos os impostos, taxas de importação e esses gastos todos. Respondendo a sua pergunta inicial – o preço. Nós entendemos a situação e queremos oferecer valor, mas é certo que um objetivo nosso é reduzir o preço, para assim oferecermos mais valor por um preço melhor. E esse é um foco que jamais deixaremos de ter. Como eu disse, há partes da cadeia do preço que conseguimos controlar, e em longo prazo a gente consegue fazer algo a respeito disso. Mas há outros componentes que não dá para fazer nada, é simplesmente impossível. A gente não controla as taxas de importação, as regras da Anatel e como eles gerenciam as coisas, então temos que manter foco naquilo que podemos controlar. E esperar pelo melhor e ter fé de que poderemos fazer o melhor possível. É sim, algo que desejamos – diminuir preços e continuar oferecendo produtos de valor. É algo que estamos focados em dar ao consumidor brasileiro.

Você diria que este é o maior desafio que a Nintendo enfrenta hoje no Brasil, ou há outros “inimigos”?
MW:
Bem, há muitas coisas, sabe? Há a instabilidade do mercado. Há a instabilidade nas taxas de câmbio. Mas no fim das contas, é uma questão de focar no que você pode controlar, e não no que você não tem controle nenhum. E nos enlouquece ficar pensando muito nas coisas em que você não pode controlar. Então, a gente não pode controlar as taxas de câmbio. Isso afetaria de alguma forma o preço final do produto? Com certeza. Mas nós não podemos controlar isso. O ideal, portanto, é colocar seu maior esforço em coisas efetivas. Nós poderíamos mexer em como fazemos negócios, ou na distribuição, ou projetar qual seria o efeito imediato se baixássemos os preços, por exemplo. São nessas coisas em que nos mantemos focados.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2010, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , ,
16/08/2010 - 18:16

Videogame no Brasil é caro mesmo. E aí?

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A semana passada foi a mais complexa do ano para os games no Brasil.

E olhe só a contradição. Foi justamente a semana em que a Sony Brasil anunciou o lançamento do PlayStation 3 em nosso território. Quase quatro anos depois do lançamento oficial no mercado internacional, o console ganha uma versão quase brasileira, com embalagem e manual em português, garantia e em conformidade com as normas técnicas do País.

A questão que pouca gente comemorou foi apenas uma: o precinho desse lançamento. R$ 1999,00.

R$ 1999,00, vamos admitir, é um eufemismo: é R$ 2000 mesmo. Afinal, R$ 1 hoje em dia não paga nem um cafezinho no boteco. E este é o console de videogame que, lá fora, pode ser comprado hoje em dia por US$ 330 dólares (somando impostos). Se convertido no dólar de hoje, daria para dizer que o PlayStation 3 brasileiro está saindo por… US$ 1110,00. Ops.

Convenhamos, é uma conta injusta de se fazer. Mesmo com a cotação do dólar em nível relativamente razoável (por volta de R$ 1,80 – US$ 1), é um exercício de sofrimento fazer essa conversão e constatar que somos cobrados quase três vezes mais do que os norte-americanos pelo mesmíssimo produto. Enfim, a vida é difícil, games são caros, a gente não ganha o que merece…

Ninguém passou batido pela notícia divulgada pela Sony. Este blog há muito tempo não recebia tantas visitas e comentários. E eu diria que 90% dos visitantes não gostaram nada dessa história. Alguns foram mais cuidadosos com as críticas. Outros se valeram da relativa blindagem que a internet proporciona para chutar o pau da barraca e xingar com afinco e força. Seja qual for o tipo de comentário, todos foram lidos. E certamente não só por mim, mas também pelas partes interessadas – a dizer, a própria Sony Brasil.

Temos – eu e meus colegas de profissão – discutido muito esse tema polêmico, seja nas mesas de bar, nos fóruns de internet, pelo MSN e Twitter: será que a imprensa deve se posicionar em se tratando desse tipo de situação? Vejamos.

Não há dúvidas, o PlayStation 3 brasileiro é caro mesmo. Mas o que nós da imprensa devemos fazer nesse caso? Apenas transmitir a informação e deixar o consumidor opinar por conta própria? Ou escancarar nossas opiniões, mesmo que não sejam baseadas em números e fatos, mas em gostos pessoais, achismos e prévias experiências? O que você, leitor, gostaria de ler? Um ataque raivoso, uma defesa fervorosa, ou simplesmente fatos, ou as verdades que os envolvem?

Minha posição aqui no Gamer.br sempre foi equilibrada. Alguns podem chamar de “moderada”, ou “em cima do muro”. Há quem diga que eu prefiro não me comprometer. Pode haver um pouco de verdade nisso. Mas é a maneira que prefiro trabalhar – perguntando o que todo mundo quer saber, escutando todas as as partes envolvidas e apresentando as informações captadas de bandeja para o leitor, da maneira mais descomplicada o possível. As informações estão aí, boas ou ruins, concordando eu ou não. Cabe a você decidir se o preço cobrado pela Sony é ou não abusivo. Cabe a você analisar as palavras apresentadas e concluir se são encheção de linguica, enrolação ou mentira pura, ou se são realmente baseadas na verdade absoluta. É isso o que vou continuar a fazer por aqui. Acho mais justo e mais interessante.

Mas duas coisas eu penso e não escondo:

1. Realmente, gostaria que o PlayStation 3 brasileiro custasse menos, assim como gostaria que o Xbox 360 brasileiro estivesse mais em conta. Não apenas isso, adoraria que o brasileiro, de um modo geral, tivesse condições melhores de adquirir os produtos de consumo que tanto deseja.

2. Tenho certeza que tem gente que gosta de reclamar simplesmente por reclamar. E que mesmo que o PS3 fosse anunciado a R$ 800, muitos iriam chiar sem constrangimento. É interessante o fato de muita gente se tornar doutor em economia nessas horas, mostrando que sabe fazer matemática muito melhor do que os executivos da Sony, Microsoft e Nintendo.

É claro que a gente deseja que mais e mais pessoas tenham acesso aos consoles de ponta. Certamente, é esse também o desejo das fabricantes de videogames. Ao mesmo tempo, essas empresas não estão nessa por filantropia. O negócio desses caras é ganhar dinheiro, única e simplesmente. Se não fosse isso, não compensaria em nada o esforço de desenvolver uma nova máquina de videogame a cada sete anos. Logo, esses fabricantes podem colocar seus produtos à venda pelos preços que lhes der na telha. Ninguém, em lugar nenhum do mundo, é obrigado a comprar qualquer coisa. Eles vendem o que e como quiserem; nós compramos se assim for o nosso desejo. É assim com qualquer relação comercial normal, e é assim que sempre o será.

Isso tudo é óbvio, mas serve para você se lembrar de não gastar tanta energia reclamando que o videogame é absurdo de caro ou que a empresa X ou o executivo Y são mentirosos e inescrupulosos. Nada irá mudar o fato de que o produto custa mais do que a maioria dos brasileiros pode pagar. Mas você tem alternativas, se assim o desejar. Na lei da oferta e da procura, deveria vencer o consumidor. Então, se achou caro o PS3 da Sony Brasil e ainda assim precisa ter um videogame em casa, corra atrás de outro preço. Certamente, irá encontrar algo que se adapte melhor ao seu bolso. A internet é um mundo vasto e amigável.

E por favor, não me compreenda mal. Não falei que você não deva reclamar do que acha errado. Só acho que menos energia negativa poderia ser dispensada com esse tema, porque neste caso específico, estamos falando de uma causa perdida. O que está feito, está feito, pelo menos neste momento. Eventualmente (e assim como rolou com o Xbox 360 e o Wii), o preço do PS3 deverá cair – mas provavelmente, será uma redução insuficiente para fazer o nosso PlayStation 3 ser considerado barato. O preço pode cair cinco vezes em um mesmo ano e nunca será considerado acessível.

Porque, afinal (e muita gente se esquece disso),  game NÃO é entretenimento de massa. Reitero, ainda em negrito – videogame jamais será considerado um produto barato – seja aqui, seja nos Estados Unidos, seja no Japão. Felizardo é aquele que hoje tem pleno acesso a eles. Talvez um dia seja algo acessível à maioria. Eu, de minha parte, torço para que aconteça logo. Enquanto isso seguimos por aqui, questionando, analisando e reportando os fatos.

E amanhã voltaremos à programação normal.

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30/07/2010 - 20:10

Entrevista da Semana: Tiago Leifert (Globo)

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O Brasil apanhou feio na Copa do Mundo da África do Sul. Mas houve ao menos um brasileiro que pôde comemorar uma bela atuação ao longo do campeonato: Tiago Leifert. O jornalista paulistano, que ao longo do torneio comandou o programa noticioso Central da Copa (na Globo), ganhou aplausos por sua maneira despojada e sem frescuras de falar sobre futebol na televisão. Para o público de São Paulo, Leifert não é novidade – desde 2009, ele já caprichava em seu estilo todo pessoal no programa diário Globo Esporte. Durante a Copa, o Brasil inteiro ficou sabendo do que o rapaz é capaz.

E talvez muita gente ainda não saiba que Tiago é um grande fanático por videogames – não só pelo ato de jogar, mas também por toda a cultura que envolve os games. E ele não tem problema nenhum em admitir que, não fosse por isso, ele talvez não estivesse na posição que se encontra hoje na Globo. Tudo começou no início da carreira de repórter esportivo na emissora, lá pelos idos de 2007: “Nesse tempo, eu tentei muito produzir matérias sobre videogame, mas era só porta na cara, ninguém deixava eu fazer”, ele relembra sobre a reportagem marcante que emplacou no Esporte Espetacular (assista a ela aqui – obrigado ao Rodrigo Budrush pela dica).

“Um dia, cheguei e falei: ‘Olha, vou fazer uma matéria sobre videogame. Me tira da cobertura dsse Santo André e CRB. Vou fazer isso aqui’. Era o primeiro campeonato grande de Winning Eleven no Ginásio do Ibirapuera. ‘Se não der certo, se não der audiência, eu nunca mais encho o saco de vocês’. E deu certo. No outro domingo, o Esporte Espetacular passou outra matéria sobre videogame. E aí começaram a sacar: ‘Hum, isso é legal’. Só que ninguém tinha o know-how de videogame, ninguém jogava ali, só eu. Atualmente, tem uma molecada legal, produtor, editor, deu uma rejuvenescida geral na redação e os caras agora conhecem o assunto”.

A seguir, você lê mais perguntas (minhas) e respostas (de Tiago) sobre um único tema – videogames. Fiz a entrevista no mês de abril, para produzir uma matéria sobre ele para a Rolling Stone Brasil. A matéria saiu, a Copa do Mundo acabou, e Tiago voltou ao Globo Esporte. Mas acho que ainda faz todo o sentido publicar essa conversa. Confira, aprecie e comente no final.

***

Gamer.br: O seu discurso na televisão é cheio de tiradas, sacadas rápidas, duplo sentido. Você sente às vezes a necessidade de nivelar seu discurso para baixo, para ser melhor compreendido?
Tiago Leifert: Não. Engraçado, não. Isso é um mito da televisão, sabia? As pessoas são mil vezes mais inteligentes do que a gente achava que eram no começo. Elas são muito espertas.

E você descobriu como isso, na prática?
TL:
Porque eu tentei nivelar por cima, e funcionou. Então se eu nivelei por cima e funcionou, é porque elas são inteligentes.

As pessoas andam sacando melhor o que você quer dizer?…
TL:
É… Por exemplo, eu falei das matérias sobre videogame. No canal, as pessoas perguntavam: “Ah, mas quantas pessoas têm videogame?” A pergunta deveria ser: “Quantas pessoas NÃO tem videogame”. Eu falo que tem dois tipos de pessoa: a que tem videogame e a que quer ter. Só. Todo mundo sabe o que é. Cara, eu vou a restaurantes, e sem brincadeira, todos os garçons chegam e dizem: “Pô, temos que jogar um Play! Qual é o seu login no PSN?” E o cara anota o dele no guardanapo e pede “me adiciona aí!”

E estamos falando de videogames que custam R$ 2 mil…
TL:
Estamos falando de videogames que custam R$ 2 mil. Eu fui cobrir a Fórmula 1, e no paddock, dois garçons vieram falar comigo. Hoje eu jogo com eles pela internet. E esse é o tipo de cara que algumas pessoas da emissora acham que não teria grana pra comprar. Velho, ele tem, e ele joga videogame. E graças ao pirata, que tem a narração do Galvão Bueno, os caras jogam mais ainda. É melhor que o original, muito bom [risos]. Eu falo, “vocês precisam monetizar esse troço, ganhar dinheiro com isso aí.” Se o pirata com o Galvão dá grana, liga na Konami lá no Japão e faz uma versão brasileira. Vende, sei lá, por R$ 50!

E como surgem as pautas sobre games no Globo Esporte? De onde você tira as ideias?
TL:
Vez ou outras, nessas pesquisas que faço à tarde pela internet. Um dia, em fevereiro, vi “PS3” nos Trending Topics do Twitter. Cliquei e vi: “bug do PS3”. Pô, essa matéria é nossa. Liguei rápido na redação e falei: “Meu, vamos arrumar três personagens que estão com esse bug do PS3 e vamos fazer uma matéria pra amanhã. Urgente”. Essa matéria é nossa, e é esse tipo de matéria que o jovem que joga game diz “esses caras são legais”. E a gente tem que dar esse serviço pro cara, é nossa obrigação. Aí cheguei no Twitter e escrevi: “Quem tá com o bug do PS3?” Um monte de gente respondeu, selecionei três, mandei pra redação, fizemos a matéria. Eu me salvo muito nessas pesquisas à tarde.

Como foi seu primeiro contato com games? Lembra como tudo começou?
TL:
Eu lembro do dia em que joguei Mario pela primeira vez. Foi na casa de um brother meu que morava perto do colégio. Todo mundo falava “Mario, Mario”. E eu, “que é essa porcaria desse Mario?” E o pai dele trouxe um Nintendo dos Estados Unidos, conseguiu desbloquear para ficar converter de NTSC pra PAL-M. E na primeira vez em que joguei Mario 1, pensei, “isso é muito legal”. Fiquei maluco, cara! Daí, joguei Duck Shot. “Caramba isso é demais.” Eu tinha Atari, tinha jogado muito. Mas foi na primeira vez em que joguei Mario que falei: “É isso!” Eu jogava muito console, tive Atari, Nintendo… aí tive um Phantom System, que era compatível com o Nintendo e funcionava com os games brasileiros. Tive Mega Drive, que eu achava fantástico. Tive o Super Nintendo e o Nintendo 64. Na época do N64 eu tinha um computador forte, aí comecei a jogar muito PC, games de estratégia e tal. Tive também um MSX, lembra do MSX? De cartuchinho, jogava muito nele também. Só que computador dava muito pau. Eu fui comprando computadores melhores, jogava muito adventure, RPG, aqueles point-and-click da LucasArts. Terminei o Day of the Tentacle, Maniac Mansion, Sam & Max, adorava todos aqueles jogos. Monkey Island é animal, relançaram até agora.
Quando fui morar nos Estados Unidos, eu meio que parei. Antes, quando tinha entrado na faculdade, comecei a diminuir. E lá fora, como a faculdade que fiz era muito cara, fiquei sem graça de comprar um PlayStation novo. Mas aí reduziram o preço do Play 2, comprei de novo e voltei a gostar. Foi aí que tive o primeiro contato com Winning Eleven também.
Quando voltei ao Brasil e fui trabalhar na TV Vanguarda, fiquei uns anos lá e praticamente não joguei, fiquei só trabalhando. Houve uma hora em que levei o Playstation pra lá [São José dos Campos, onde ele morava] e voltei a jogar.
A minha namorada gosta muito. E aí, acho que isso foi incentivando. E o game que me jogou de volta, de cabeça, foi o Grand Theft Auto: San Andreas, que era bom demais. Esse negócio de fazer musculação, ficar grande, baixinho, gordo, comendo no fast food… era animal. Eu adorei San Andreas, adorei, adorei. Aí, voltei.

Seu negócio com games é mais jogo “sério”, né? Não chegou a jogar esses games para molecada, tipo Pokémon…
TL:
Não, Pokémon não. Eu até tenho o Nintendo DS com o joguinho do Pokémon e joguei. Mas não é um negócio que me deixa louco.

Tem todos os consoles?
TL:
Eu tenho os três. Cinco na verdade. O DS, o PSP, Xbox, PS3 e Wii. E tenho um [computador para jogos] Alienware. Devo ser um dos únicos por aqui a ter um.

Hoje, você é um dos porta-vozes de uma mensagem qu venho tentando emplacar há anos, que é a de colocar o videogame no mainstream de um modo natural, não forçado. E está acontecendo isso; você tem concedido aos games um certido de autenticidade. Quão longe o mundo, e o Brasil, estão de aceitar o game como algo natural?
TL:
Eu não sei o mundo inteiro. Nos Estados Unidos isso está super consolidado, já é algo tranqüilo. Aqui é mais difícil. Eu não se já te falei isso, mas [enfático]… eu não compro nada pirata, meu. Não compro pirata de birra, porque eu vivo de conteúdo e respeito quem fez o jogo. Não compro. Mas o preço… o preço é o problema. É muito caro. Duzentos paus um jogo? Não é pra qualquer um. Se a indústria inteira entendesse que para implantar o videogame será necessário baixar um pouco do preço… Tudo bem, você não vai ter lucro aqui, mas em compensação vai criar a cultura do videogame. E daí, quem sabe, daqui dez anos você vai poder cobrar o dobro, que a pessoa vai comprar. Mas pra isso, você precisa convencê-la de que vale a pena. Eu acho que a indústria inteira precisa entender que em um país como o nosso, que é pobre, eles precisam entrar aqui “pianinho”, esquecer um pouco a margem de lucro. Para primeiro criar a cultura do videogame, para só depois, lá na frente, pensar em lucrar. Eles não tem esse pensamento em longo prazo.

As empresas no Brasil costumam reclamar muito dos impostos…
TL:
A taxa tributária é um absurdo, isso eles têm razão. Eu brigo muito com amigos que são advogados, porque quando você vai para os Estados Unidos, pode gastar US$ 500. Acho isso um absurdo, uma afronta a minha liberdade. Acho que tenho que comprar o que eu quiser. Se eu estiver trazendo 10 PlayStations na mala, eles têm todo direito de me parar e dizer: “Pera lá. Isso é contrabando e você vai vender”. Agora, se eu estiver trazendo um Playstation e cinco jogos pro meu uso pessoal, o que o governo tem a ver com isso? Por que eles querem tributar em cima disso? E por que tem que ter 150, 100 por cento de imposto? Eles tem razão, a taxa é um absurdo, mas eles precisam entender que precisam pegar mais leve no preço também. Às vezes, o preço aqui é cinco vezes maior. Você tem o preço do videogame… e 100% em cima. E esses três outros pedaços aqui, estão indo pra onde? Um é pra loja, mas e esses dois aqui? Tira esses dois um pouquinho.
Outra coisa é o método de distribuição. Para quem joga no computador, por exemplo. Se vou tentar comprar um game online, tem muita restrição de território, né? Esse negócio de barreira de fronteira atrapalha pra cacete.

O pessoal deve achar que você só joga FIFA 10.
TL:
Hoje eu ando jogando muito mais FIFA 10. O meu objetivo é ficar bom no FIFA agora.

E você apanha muito?
TL:
Aí que tá, eu ganho, cara. No FIFA eu ganho muito, muito mais do que perco. O problema é que o cara desliga o videogame antes de te dar os seus pontos, né? Sem brincadeira. Eu jogo com o Sevilla, que não é um Real Madrid, um Inter de Milão. Eu estava ganhando de um cara por 11 a 0 e ele desligou. Eu ia ganhar ponto pra caramba.

Você acha que houve mesmo essa diferença gritante nas versões atuais de FIFA e Pro Evolution Soccer? O jogo da Konami ficou mesmo pra trás?
TL:
Ficou, totalmente pra trás. Eu sou uma pessoa desprendida nesse aspecto. Eu jogo os dois e vejo qual é o melhor. Sempre gostei mais do Winning Eleven e Pro Evolution, sempre. Esse ano, perdão, mas eles ficaram muito pra trás. Eu acho o Winning Eleven 2010 horroroso. Horroroso. Ah, mas as pessoas ainda fazem birra, “Não, Pro Evolution é melhor…”. Cara, não é. A gente até fez uma matéria comparando o FIFA e o Winning Eleven. E a nossa conclusão foi assim: se você gosta de videogame, arcade, você vai jogar Pro Evolution. Porque é fácil de fazer gol, aperta o botão R1 com o Messi, atravessa o campo todo, é golaço. Agora, se você gosta de futebol, vai jogar FIFA.

E a versão World Cup do FIFA, curtiu?
TL:
O Copa do Mundo eu gostei. Achei mais rápido, mais fácil de tocar a bola. Não perdi nenhum jogo. Fui jogar lá na Globo, ganhei todas, de todo mundo.

Qual dos três consoles você diria que curte mais?
TL:
Xbox. Cara, eu gostei mais do Xbox desde o começo. Teve aquele acordo da Microsoft de o console ter os jogos antes, e o primeiro grande jogo que peguei nos consoles novos foi o Elder Scrolls: Oblivion.

Você conseguiu ir longe? Tem que ter muito tempo livre para avançar nesse game…
TL:
Até que eu fui bem longe. Mas, aí é que tá, eu não sou aquele paranóico que fica tentando terminar o jogo logo. Eu fico fazendo as side missions, comprando as coisas. Eu era um ladrão, e minha diversão era esperar chegar de noite, quando as pessoas iam dormir, e eu roubava tudo. Minha maior diversão era roubar jóia e vender. Eu achava sensacional. Foi o primeiro grande jogo que joguei, então acabei mais no Xbox. E o Mass Effect, eu acho es-pe-tá-cu-lar. Já jogou? É animal, muito legal. Adorei. E esse Mass Effect 2 é bem legal também. E o Fallout 3, eu gostei muito. Minha namorada terminou! Olha que humilhação pra mim. Eu não terminei ainda. Ah, o Bioshock também gosto de jogar. Minha namorada terminou o 1 e já está na metade do 2. Eu não terminei ainda e estou começando o 2. É que comprei o Bioshock junto com o Mass Effect. Aliás, você jogou aquele Demon’s Souls?

Joguei. O que você achou?
TL:
Puta jogo difícil, cara! Mas não consigo passar de nada, dou três passos, morro, perde tudo e tem que começar do zero! Assim, eu gosto de desafio, mas pô, puta jogo difícil. Não consigo fazer nada! Eu chegava no finalzinho da fase… e morria. Perdia tudo, tinha começar tudo de novo.

Você costuma comprar jogos nas redes online?
TL:
Às vezes eu compro. É raro, mas compro, mais na Xbox Live. Já comprei muita música do Rock Band. Todo mês eu entro pra ver se tem novidade e compro muita música. Adoro tocar, eu sou o guitarrista. Minha namorada é a baterista. Ela sempre joga comigo, tem um PlayStation, que eu dei pra ela. A melhor coisa que eu fiz, porque ocupa. “Amanda, vai lá jogar Playstation, que eu tenho que fazer não sei o que lá.” [risos]

E você tem costume de chamar a galera em casa para jogar?
TL:
Ah, eu prefiro ir na casa dos outros. Em casa faz muita bagunça. [risos]

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15/06/2010 - 05:52

A Microsoft quer ser a Nintendo?

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Hoje foi um dia que não acabou.

De manhã, a Microsoft provou que quer o espaço ocupado pela Nintendo.

Os jogos exibidos para o Kinect (leia-se “cãnéquiti”) mostraram a tendência da empresa ir atrás do jogador casual a qualquer custo. Claro, não faltaram os games para o público hardcore (Call of Duty: Black Ops, Metal Gear Rising, Gears of War 3, Fable III, Codename Gladiators, Halo Reach, só para citar alguns), mas o grande destaque do material apresentado pela Microsoft foi destinado ao novo acessório que elimina o joystick e traz a interação física para o primeiro plano. Só faltou divulgar o preço que o Kinect irá carregar quando for lançado, em novembro.

E deve chegar ao Brasil, porque a Microsoft aproveitou a ocasião para revelar que a rede Xbox Live finalmente irá ser instalada em nosso País (leia o post anterior). Será no final do ano, ainda sem preço definido. Amanhã deveremos saber mais detalhes. É esperar para ver o impacto que a (aguardada) ação terá em nosso mercado.

E apesar do que foi dito no final da coletiva, nós não ganhamos de presente o novo modelo do Xbox 360 – menorzinho, com 250 GB de espaço na memória e Wi-Fi embutido. Pelo menos ninguém me entregou o pacote na saída. Quem sabe quando chegarmos ao Brasil?

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14/06/2010 - 06:55

O Project Natal virou… o KINECT do Xbox 360

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E é isso e você já deve estar sabendo:

KINECT é o nome oficial do Project Natal. Apesar de que o nome não foi falado em nenhum momento no evento da Microsoft que rolou na noite de hoje, no Galen Center, em Los Angeles.

O nome do novo acessório/aparelho/tecnologia para o Xbox 360 apareceu escrito em letras garrafais nos painéis e telões, mas o narrador ainda assim insistiu no final que nós acabávamos de presenciar a “experiência do Project Natal”.

Pois então, a Microsoft gastou quilos de dinheiro e de ideias de marketing para alardear sua mais nova invenção. E aqueles que tiveram o priviégio de acompanhar a experiência ao vivo também serviram de cobaias vivas para o sucesso da apresentação.

Mas será que dá para falar que foi um sucesso? Porque as opiniões ao final do evento eram diversas, mas não ouvi nada de muito positivo. Não exatamente criticando o aparelho, e sim a maneira maluca que a Microsoft inventou para divulgá-lo.

Eu vi gente dormindo – sem figura de linguagem, roncando mesmo – durante a apresentação. E mais uma meia dúzia de pessoas sentadas no chão, exaustas, torcendo para tudo acabar logo. Porque a Microsoft fez mais da metade de seus convidados – 90% dos jornalistas brasileiros presentes inclusive – permanecer em pé durante todo o evento de quase três horas de duração. Pode isso, Arnaldo?

Foi assim – e foi inacreditável, por isso que faço questão de descrever tudo.

***

A fila diante do Galen Center atravessava o quarteirão (dê uma olhada nessa foto publicada pelo site GamesRadar e veja se encontra alguém conhecido nela). Não percebi, mas os convidados que se posicionavam para entrar no enorme pavilhão (o mesmo local da coletiva da Microsoft em 2009) portavam pulseirinhas de cores diferentes. Alguns tinham as verdes; outros, as laranjas. E as pessoas foram divididas por cores logo diante da entrada. Quem possuia a laranja ia para o lado direito (eu saberia depois, para a plateia). Os de pulseira verde iam para a esquerda. Imaginei que fosse só uma questão de dividir o público em setores diferentes, mas era mais do que isso. Não sei qual foi o critério usado, mas o fato é que eu, com meu pedaço de plástico verde enrolado no punho direito, fui conduzido para um balcão onde me foi oferecido… uma túnica branca!

Sim, a Microsoft nos pediu gentilmente que usássemos um traje por cima de nossas roupas. Os gentis profissionais que conduziam todo o processo pediam paciência, e que ao final seríamos recompensados pelo mico. E alertaram que deveríamos devolver a túnica ao final do evento. Colocada pela cabeça e presa com dois botões próximos ao colarinho, ela se assemelhava a uma camiseta de futebol americano, daquelas com ombreiras, soltinha embaixo. Não houve quem não ficasse ridículo usando aquilo. Tudo pelo show, imaginei. Aliás, pensei de tudo na hora: será que o traje estaria equipado com sensores invisíveis que nos fariam “sentir” o Natal funcionando direto em nossas peles? Não era bem isso, vim saber depois. Infelizmente, não nos foi permitido fotografar ou filmar aquele momento bizarro. Mas já deve ter foto rolando por aí, procure para ver.

Bem, todos lindamente trajados, fomos conduzidos a uns corredores escuros decorados com plantas e luzes negras que unidos aos efeitos sonoros, contribuiam para criar um clima instigante. Imagine o planeta onírico de Avatar, ou um parque temático que tentava reproduzir a sensação do filme. Não havia quem não ficasse curioso com tudo aquilo. Lá fora, na entrada do Galen Center, já dava para sentir algo vindo nesse sentido: diversos dançarinos do Cirque du Soleil faziam coreografias, rufavam tambores e emitiam sons guturais bem ensaiados. O traje era típico, algo entre o selvagem e o carnavalesco a la Joãosinho Trinta. Seria a experiência do Project Natal um retorno aos nossos insitintos mais primais? Uma forma de se conectar à natureza e aos nossos antepassados? Eram os deuses astronautas? Para onde vamos, de onde viemos? Nenhuma dessas questões cruciais para a humanidade me foi respondida nesse evento.

A surpresa maior eu tive ao atravessar os tais corredores mal-iluminados. Primeiro, passei por um buraco na parede, que depois percebi ser uma alegoria para ideia de “o virtual entra em contato com o real”: o buraco em questão era uma “TV”, e assim que passei por ele, fui saudado por uma família sentada em um sofá – ou, atores fingindo que estavam diante da TV. Mas só fui entender isso depois. Mais um corredor atravessado, e cheguei ao local de onde eu veria a exibição…

…Era o próprio palco do Galen Center. Ou o espaço onde havia um palco (no ano passado, foi onde se apresentaram os Beatles, o Spielberg e o Tony Hawk). Só que não havia palco, e sim um grande espaço aberto onde se amontoavam os convidados vestidos com as túnicas brancas. Tudo estava decorado com os motivos tribais já citados, por onde circulavam também mais dançarinos vestidos de selvagens. Eles interpretavam seus papéis à risca, se arrastando pelo chão, dando cambalhotas, interagindo com ruídos e fazendo acrobacias em meio à massa vestida de branco. Em uma ponta, uma espécie de altar chamava a atenção. Passado o primeiro susto de estar no meio da arena, fui percebendo os detalhes. Havia uma plateia posicionada ao redor de onde estávamos, e todos também vestiam as túnicas brancas. Só que eles estavam confortavelmente sentadinhos (eram os felizardos da pulseira laranja). No alto, um sofá dependurado a dezenas de metros de altura, com mais atores simulando uma outra família. Telões widescreen exibiam avatares da Xbox Live interagindo em um cenário de selva. No topo, um telão acima de nossas cabeças apresentava efeitos psicodélicos. Aqui embaixo, os selvagens faziam micagens e convidavam alguns para fotos que eram exibidas depois no telão. Em meio a todo mundo, seguranças impediam que qualquer um registrasse o momento com celulares. Foi ali que encontrei os brasileiros – éramos quase 20 ali, anônimos, perdidos entre jornalistas de todo o planeta e muitos outros curiosos (havia até crianças por lá, uma novidade em se tratando de E3).

A situação desconfortável era um convite para as piadas. Só se ouvia as nossas risadas. Os gringos deviam estar achando tudo muito exótico, mas para nós, brasileiros nascidos na selva e acostumados a pular em cipós, toda aquela alegoria estava mais para desfile de carnaval do grupo de acesso do que para evento de altíssima tecnologia. E demorou tanto para enfim começar, que as piadas e trocadilhos foram insuficientes para definir aquele momento único. Estávamos fazendo história, provavelmente. Mas também pagando o maior mico em rede mundial.

E daí começou. Foi tanta coisa que não me lembro mais a ordem, me perdoe. Só sei que os selvagens enlouqueceram e começaram a correr e formaram um totem humano. A criança ruiva que estava no sofá flutuante desceu e foi carregada para o altar. Um elefante (!) mecânico em tamanho real adentrou a arena, montado por uma outra criança de cabelo moicano. Ela foi conduzida até o topo do tal altar, que acabou se revelando uma enorme bola – o logotipo do Xbox. Música alta, firulas, trucagens de Hollywood. Os telões começaram a exibir cenas, e foi aí que a tal palavra KINECT apareceu diante de nossos olhos (mas antes, eu juro que as letras formaram “NEIKCT” – essa, só os brasileiros perceberam. E para bom entendedor, uma sigla idiota basta). E aí, começou a exibição propriamente dita.

Não jogamos o KINECT, só vimos. Ou melhor, vimos uma simulação comandada por atores muito bem ensaiados. O tal menino de moicano logo ganhou uma família empolgada que o acompanhou em sua jornada de entretenimento lá no alto, para todo mundo ver. Diante de uma TV, eles começaram a “jogar” um game atrás do outro. E tome trucagens de Hollywood (Los Angeles é assim mesmo): o cenário onde estavam virou de ponta-cabeça diversas vezes, mas não escutei nenhum “ohhh”, nem um único “ahhh”. Parece que ninguém ficou muito impressionado. Jornalista é um povo muito chato mesmo. Mas, sendo bem sincero, toda aquela exibição cheirava muito mais a uma grande peça de marketing do que uma demonstração realista de um novo produto de tecnologia. 

Vimos eles “jogarem” um game de corrida em um bote dependurado por um helicóptero; uma corrida de carrinhos; um game esportivo com diversas modalidades, de atletismo a futebol, passando por boliche (já viu isso antes?); um game de Star Wars, com direito a luta de sabre de luz e stormtroopers a dar com pau; um game de interação com animais selvagens; um jogo de ioga, ou tai chi chuan, que me lembrou o Flower do PS3; um simulador de dança; e mais alguns que agora não me lembro (era muita informação para se assimilar em pé e olhando para cima). Os atores interpretavam direitinho o script: mexiam os braços e pernas diante da TV de maneira empolgada, com direito a caras e bocas absurdas, comandando seus personagens virtuais nas várias missões seguidas que nos pareciam infinitas. Nada de joystick, nada de bastão: todos os games são jogados só com mímicas e movimentos corporais. Me parece estranho fingir que se joga futebol chutando o vazio. Mais bizarro ainda é manejar uma espada sem segurar nada nas mãos (depois do air guitar, começou a era do air Light Saber, o air football e por aí vai). E não foi porque sabíamos que os atores fingiam estar jogando, mesmo porque, repito, tudo era muito bem ensaiado. A questão é que muitos dos games mostrados não pareciam assim tão revolucionários. Não foram poucos os que desdenharam, dizendo que muita coisa ali já foi vista no Wii da Nintendo. A diferença é que dessa vez não havia um wiimote em mãos para comandar as ações. O que deu para sentir foi a guinada total da Microsoft para o tão alardeado jogo em família. Aqueles não eram produtos para o gamer hardcore, mesmo aquele de Star Wars: pareciam games para brincar, não para jogar. Jogos para reunir o pai, a mãe, o moleque e a irmãzinha em uma atividade familiar saudável. Tanto que, após cada tarefa cumprida, a família se abraçava e comemorava junta as missões cumpridas.

Faltou mencionar um aspecto bacana do KINECT: o chat online em vídeo, com cada participante interagindo com o outro de sua própria casa. Para mim, ficou claro que se abriu a porta do último limite ainda não superado pelos videogames: o sexo. É um tabu que talvez comece a ser vencido com as novas tecnologias (principalmente nesses tempos loucos de Chat Roulette). Mas quero ver se alguma empresa terá culhões de desenvolver um game cujo objetivo é proporcionar prazer (ou algo parecido) ao seu parceiro de jogo. Talvez a Rockstar Games já esteja pensando nisso. Se não está, talvez devesse.

Ah, sim. É preciso dizer o que nós estávamos fazendo vestindo aquelas roupinhas: em dado momento, holofotes de luz negra foram apontados para o público. E aí, as ombreiras das túnicas brilhavam e cores diferentes. Um efeito visual interessante, que deve ficar bem bonito se assistido pela TV (o evento será transmitido aqui nos EUA pela MTV e pela Nickelodeon na terça-feira – ou seja, fizemos papéis de figurantes para um belo show televisivo). Ali na hora, era mais engraçado do que emocionante. Mas demorou muito, e ficamos cansados. Alguns exaustos, sentaram no chão durante os momentos mais “empolgantes”. E houve o figura que dormiu sentado, com a cabeça baixa, sem se importar com a barulheira. Para esse, o futuro do entretenimento é algo de dar sono. Mas eu nem o culpo muito pela grosseria: era tudo muito legal, mas também era excessivo demais. Pelo menos, rolaram uns brindes no final: bichinhos de pelúcia de animais selvagens com plaquinhas penduradas no pescoço, que trazem códigos de barra que poderão ser escaneados pelo KINECT – assim, será possível destravar o tal bichinho para interagir com ele no game.

Pensando bem, a Microsoft fez a coisa certa ao separar a demonstração da experiência do KINECT em um evento a parte. Não seria possível transmitir o recado com tanta pompa e circunstância durante a tradicional coletiva para imprensa, normalmente ditada por números de mercado, datas de lançamento e participações especiais de figurões. A Microsoft quer uma fatia do público casual que a Nintendo roubou para si com o Wii, e fará isso com um produto que visa aprimorar a experiência consagrada pelo console da concorrente japonesa. Não quer dizer que o jogador hardcore – aquele que foi o responsável por fazer do Xbox 360 um sucesso – foi esquecido. Na coletiva que começará em algumas horas, é óbvio que muitos games tradicionais serão revelados. Mas há um cheirinho de mudança de direção e estratégia se desenrolando nesse exato momento. Dá para sentir daí?

Preço, data de lançamento, nomes dos games, estratégia de marketing… tudo será confirmado pela Microsoft na coletiva que irá rolar hoje, a partir das 10h (14h aí no Brasil). Estaremos lá para entender, anotar, aplaudir e, quem sabe, vaiar. Faz parte.

E você, a partir do que eu descrevi – o que achou?

Eu ainda estou digerindo.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2010, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , ,
23/09/2009 - 23:57

Wii fica mais barato. Por enquanto, não no Brasil

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E a Nintendo não se aguentou.

O preço do Wii caiu, enfim. Após quase três anos com o mesmo preço – US$ 249 nos Estados Unidos -, a partir de domingo o console passa a custar US$ 199. A redução é de, faça a conta comigo, 20%. É uma bela queda, ainda que proporcionalmente menor que as reduções executadas recentemente por Sony e Microsoft com suas máquinas, PS3 e Xbox 360 (25%).

O Wii continua, assim, a ser o console de última geração mais “barato” do mercado. E tudo leva a crer que será o console que permanecerá no topo das vendas enquanto esta geração for a vigente. Alguém duvida? A imprensa norte-americana não tem dúvidas.

E a questão que este blog voltado ao mercado brasileiro faz, endereçada não apenas à Nintendo of America, mas também à distribuidora Latamel, é: esses cinquentinha a menos vão ser abatidos do precinho do Wii nas lojas brasileiras?

Poderia, não? Por que mesmo R$ 800, que é o preço mais barato que já encontrei por aí, é salgado. Vamos ver se encontraremos alguma forma de resposta nos próximos dias.

Pelo menos, o jogador de videogame brasileiro é… brasileiro. E não desiste nunca.

Enquanto isso, a Tokyo Game Show vai rolando em Chiba. Mais tarde, falo mais sobre isso.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , ,
19/09/2009 - 12:47

Esporte não é game, pratique

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Então, é verdade que tem campeonato de Wii Sports na Virada Esportiva, em São Paulo? Onde? Quando me contaram, achei que fosse pegadinha… Alguém sabe onde é?

E para complementar o final de semana “esportivo”, tem as etapas finais do World Cyber Games no Shopping Morumbi.

Acho que minha contribuição à causa será não ligar o Xbox e ir andar de bicicleta no parque. Ou não.

Aliás, tenho que ver se esses sintomas de tendinite são causados pelo teclado do computador ou o excesso de Guitar Hero e Rock Band. E olha que nem jogo tanto assim…

Poderia ser pior. Eu poderia ter um Wii.

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