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28/09/2011 - 20:16

O que é o Brasil dos Games, Parte 12

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Hoje é quarta-feira. Ou seja, faltam dois dias para o encerramento das atividades do Gamer.br aqui no iG. Passou rápido esse mês.

Hoje, a homenagem vem do Renato Bueno, um dos jornalistas de games (e de todo o resto, por que não) mais criativos que conheço – e isso é elogio. Bueno, como todo mundo o chama, trabalhou comigo nas revistas EGM, passou pelo G1, escreveu pra meio mundo e agora está metido no projeto Kotaku Brasil. Nas horas vagas, ele produz conteúdo para o quase inexplicável Freeko (não conhece? Deveria). A seguir, você lê o relato do Renato a respeito de sua entrada no mercado de games brasileiro – pela porta da frente – e a evolução das coisas dos últimos seis anos para cá. É uma bela viagem, devo dizer. Confira, comente no final e divulgue por aí.

***

Brasil dos Games tem gráficos razoáveis e fator diversão a definir

Por Renato Bueno*

Enquanto o infalível Eduardo Trivella (longa história) explicava por telefone as conjunturas sociais da época e insistia para que eu considerasse a oferta, minha cabeça de frila level 1 só era capaz de enxergar ali uma missão irrecusável, e não uma peça-chave que mais tarde explicaria pelo menos metade do universo. Encostei a enxada, avaliei os fatores, calculei as possíveis consequências. Três segundos e meio depois, fechávamos o negócio. Eu cruzaria a divisa MG-SP de ônibus num bate-volta de 300 horas para resgatar na redação da Editora Conrad um RPG safado que não vinha sendo dos mais requisitados entres os colaboradores da revista EGM Brasil. Era adrenalina.

O RPG era terrível, mas por algum motivo continuei jogando mesmo depois de ter entregado o texto. Meses depois, vi essa viagem de ônibus até a redação de games mais legal da época se transformar em 10 minutos a pé. Tinha passado a morar num hotel em São Paulo (longa história 2) que, por acaso, ficava perto da Conrad. O prediozinho amarelo era o checkpoint em que o bauruense Théo Azevedo (tem futuro) distribuía trocadilhos e as missões da EGM PC.

Mais alguns meses depois, o destino ridículo fez com que eu me mudasse do hotel para um apartamento ainda desconhecido. Era numa região mais ou menos familiar. Ficava ali… numa rua perto de… ao lado de… uma certa editora… com aquele símbolo de Pac-Man. Ok. Mundo aberto? Escolhas para o protagonista? Eu tinha entendido o recado: era tudo uma grande palhaçada, bem como naquele RPG do inferno. E quando o indispensável Pablo Miyazawa (só tretas) insinuou que eu devia abdicar do cargo de colocador de tirinhas na penúltima página da Ilustrada em nome de uma quest maior, ele não precisou insistir muito mais que o Trivella no primeiro parágrafo.

Depois disso foram cinco anos em que, para agilizar, não aconteceu muita coisa – e nem mudei de casa. Abandonei umas quests, peguei algumas outras, estraguei minha saúde mais do que o recomendado por qualquer Ministério. Escrevi groselhas, desperdicei páginas do mano Nelson (só Xisboca), troquei de facções mas nunca traí minha convicção de só fazer aquilo em que boto fé, como o Freeko e o Kotaku. E ainda boto fé, sem Bíblia, nisso que é considerado o Brasil dos Games (demagogia +5).

Por mais que todas as evidências provem o contrário, por mais que eu tenha passado por vários meios de comunicação e me arrisque a generalizar que, editorialmente, os donos do sistema só vão entender de games daqui a 90 anos, e quem entende de games hoje ainda não tem o preparo (ou a disposição) de fazer barulho no mercado – ou quando tem o preparo, faltam as vírgulas. Por isso ficamos à deriva nesse boia-cross pantanoso, sem oxigênio para uma Edge e um Gamer.BR, mas com garganta de sobra para discutir serrilhado, falar que “deve agradar os fãs da série” ou que o jogador médio de Need for Speed precisa morrer com cinco estacas no peito.

A única saída é largar tudo e sair vendendo Yakult, como já previam os planos do astuto Ronaldo Testa (manja nada) nas turbulências de “antigamente”. Ou botar tudo na conta do Pablo e passar o testamento em nome de Pedro Santana, filho e verdadeiro ghostwriter do magnata Fabio Santana (só Final Fantasy) – atual culpado pela miséria no mundo e por não ter escrito seu texto aqui ainda.

Assim como naquele RPG tísico de 2005, o Brasil dos games é bizarro, produto de um game designer insolente que nem sonha com patchs de correção. Às vezes preso por conta própria num cercadinho de bebê, às vezes fazendo um hang-loose com pranchinha de isopor em Teahupoo. É bugado, desconexo, desesperador. Mas você continua jogando. Porque assim como o Trivas via alguma coisa no RPG cancerígeno que aparentemente ninguém queria, eu desconfio que exista uma dungeon do caralho em algum lugar, e penso em chegar nela nem que seja cultivando úlceras e batendo a cabeça em todos os cantos do cenário.

*Renato Bueno (@rbueno) é editor do site Kotaku Brasil.

Autor: - Categoria(s): Brasil dos Games, Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , ,
26/09/2011 - 17:52

O que é o Brasil dos Games, Parte 10

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Começou a derradeira semana do Gamer.br.

E as homenagens e despedidas não param. Garanto um texto novo por dia até sexta-feira. E para começar, tenho a presença do amigo Caio Teixeira, um dos editores do portal Arena Turbo, do iG, que hospedou este blog nos últimos cinco anos. Ao invés do formato convencional de artigo, o Caio – que quem conhece sabe que tem opiniões fortes – resolveu escrever uma carta aberta endereçada… a mim. Acho que não há muito o que se explicar antecipadamente, mas interprete-a como um bem escrito desabafo a respeito do chamado “Brasil dos Games” em que vivemos. Leia, reflita e não deixe de comentar no final.

***

Carta aberta ao Pablo

Por Caio Teixeira*

Pablo,

É sempre “curioso” quando encontro contigo nos eventos “dus game”: pode ser uma leitura totalmente errada minha, mas sempre pareceu que você estava dando um “adeus” enquanto falava um “olá”.

Em algum momento, o Renato Bueno (agora editor do Kotaku Brasil, na época era da EGM PC) achou uma boa ideia me chamar para escrever sobre The Sims 2 (acho que era o dois… Não lembro, já bebia muito na época). Desde então acompanhei o “Brasil dos games” mais perto do que simplesmente através das banquinhas do Promocenter. Sabe o que notei? O “Brasil dos games” cresceu e, assim como aquelas tchutchuquinhas bonitinhas, ficou mais chato.

Não entenda-me mal, essa jovem cheia de não-me-toques hoje paga meu salário – e de mais uma galera maluca aê. Ela era muito mais jovial, cheia de ginga, carinha de ordinária, mas pelo menos andava com a galera e tacava o terror nos bailinhos da escola. Hoje é uma coisa politicamente correta que dá nojo, todas as passadelas de mão pelas quais ela praticamente implorava, hoje rejeita e nega como se nunca houvesse bolinado os amiguinhos atrás da sala do diretor.

E isso tudo eu digo apontando o dedo para nós mesmos, Pablo. Onde foi que eu, você e todos os outros jornalistas ficamos tão velhos (como dizem por aí)? Tão chatos? Tão orgulhosos do próprio mercado que nem conseguimos enxergar mais a “banalidade” do que falamos? “Videogame é coisa séria, mano! Expressão cultural tensa!”, é isso daí… Perdemos o gosto de jogar e de falar sobre isso.

Sou paternalista pra cacete, um problema que se reflete em todas as áreas da minha vida, gera conflitos e por aí vai. Mas será que isso é um problema só meu ou, realmente, tudo anda mais cinzento? Os problemas parecem sambar na cara de todo mundo, enquanto as pessoas ficam olhando para o lado oposto, onde uns tantos aí fazem malabares para descontrair o ambiente.

Ou sou só eu, mesmo? Pode ser, pode ser… Ou melhor, espero que seja.

Hoje, para mim, jogar videogame se tornou algo se não chato, pelo menos burocrático. Cheio de gente que manja muito mais do que você, só que das coisas que não são videogame – especialistas em produtoras, em nomes obscuros que fazem jogos apenas para eles mesmos. Tudo o que não é divertido, não é lúdico e não importa de verdade a galera sabe. Agora, vai perguntar para essa galera quando foi a última vez que enfiaram o pé-na-jaca só pela graça (e tristeza) de ser jornalista. Quando foi a última vez que conseguiram relacionar uma experiência totalmente pessoal (um livro, um causo, uma música) ao review de um jogo, que, é sim, o ápice da opinião/vivencia pessoal do maldito repórter/editor.

O mercado está melhor. Hoje a classe média pode esfregar com orgulho na cara da galera que ainda pirateia as centenas de matérias que saem falando sobre os grandes investimentos no País. Não ter dinheiro para comprar joguinho não está mais na moda, agora é a hora de pagar 1/4 de salario mínimo em um game, falar que tá caro, mas condenar o bróder que destravou o Xbox 360. Pirataria é o caminho? Não (mas realmente não sei se sou tão enfático nessa negativa quanto era uns anos atrás), mas eu não sei qual é também. Sei lá, eu, como jornalista, nunca tive o papel de dar caminhos, só mostrar os fatos (acertos e erros). Mas, aparentemente, atualmente não se pode apontar o erro sem dar solução, e não podemos apontar solução se não conseguimos coloca-la em prática. Somos escravos da assertividade e do discurso pró-ativo.

De qualquer forma, acho que nem eu daria muita atenção a tudo isso que eu falei, sou um cético-hiperbólico-sarcástico por natureza. Posso só estar sendo chato.

Ou não.

Queria lembrar de quando jogar videogame era um bagulho cru feito com os amigos, tipo isso:

Pablo, você é o cara mais diplomático que conheço. Por um tempo achei que isso era um defeito seu, hoje enxergo mais como uma excentricidade digna de uma boa pessoa. Foi uma honra poder falar, durante todos estes anos, que o Gamer.br fazia parte do guarda-chuvas de games no iG. Acho que poderíamos ter trabalhado ainda mais perto. Mas também acho que nossa distância sempre foi produtiva para a sua liberdade aqui. Sua partida nunca será esquecida, mas a sua estadia será ainda mais lembrada.

Boa sorte, japa. Tu merece.

Abraços,

Caio Teixeira

Caio Teixeira (@caio_o_teixeira) é um dos editores do Arena Turbo.

Autor: - Categoria(s): Brasil dos Games, Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , ,
06/05/2011 - 20:05

Entrevista da Semana: Erik Gustavo, Gus Lanzetta e Heitor de Paola (Lektronik)

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It’s friday, friday…

Passou rápida a semana. Também, após o sábado/domingo mais agitado de todos os tempos, até que os últimos dias foram calmos. Ainda bem. Sou velho, não aguento tanta emoção assim.

Um tema light para encerrar a semana: conversei com a equipe do site Lektronik, recém-inaugurado e já cheio de repercussão entre os (de)formadores de opinião. É um site de games com viés humorístico, mas talvez seja mais do que isso. É bem possível que eles tenham conteúdo por trás de tanta gracinha. Ou talvez seja uma questão de achar ou não engraçado o jeito com que eles tratam o videogame e todo o mercado ao seu redor. É conferir e tirar sua própria opinião (se quiser ir direto ao ponto, vá aqui, aqui ou aqui. E aqui também).

Vale dizer que o Lektronik é uma investida pesada de três caras já conhecidos da nova safra de produtores de conteúdo/faz-tudo dessa geração Y: Gus Lanzetta (que faz de tudo um pouco por aí), Erik Gustavo (conhecido por ser um dos cérebros do programa Badalhoca, com o Ronald Rios) e Heitor de Paola (que dispensa apresentações). Confira o bate-papo (descontraído) e não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: Por que criar mais um site de games? Os que existem não te agradavam?
Gus Lanzetta:
Bom, a decisão de criar um site de games não veio de uma insatisfação como leitor. Veio de uma vontade de ter um lugar para criar conteúdo sobre games sem ter que passar por comitês. Poder criar um conteúdo que me satisfizesse como criador mesmo.
Pra isso, me juntei ao Erik [Gustavo] e ao Heitor [de Paola], que eram caras que tinham expressado vontade de criar um site de games e cujas ideias batiam com as minhas. Acho que nós três formamos um grupo estável: cada um contribui e não há muita redundância. Já sobre os outros sites que tem por aí… Basicamente os outros não tinham a equipe presente no Lektronik, então não agradavam 100%

Quais os diferenciais do Lektronik em relação aos sites que estão por aí?
GL:
Acho que uma coisa importante da nossa atitude que repercute com o público é que a gente sabe que “joguinho é joguinho”. A gente vai falar mais de mercado e das grandes empresas, mas sempre mantendo em foco que o videogame é só mais uma forma de entretenimento. Tanto pra nós quanto pro público.

Erik Gustavo: E a gente é meio engraçado também. Quer dizer, o Heitor é tão sério que dá a volta e fica engraçado.

Por falar nisso, qual é o limite entre humor e jornalismo? Dá para fazer uma coisa envolvendo a outra? Games permitem esse tipo de cobertura?
GL:
A primeira intersecção que eu vejo é na crítica, na hora que é preciso dar opinião. É muito fácil tirar sarro de um jogo ruim, de um evento chato… E só porque é fácil não quer dizer que a gente não vá fazer isso – é claro que a gente vai fazer e, inclusive, já faz (vide a nossa “Diesel Hour”). Se você sabe expor as razões pelas quais algo não te agradou, fazer piada com isso só adiciona ao conjunto, não tira credibilidade. E não é difícil de ver que todo mundo faz piada com esse mercado o tempo inteiro, mesmo nos grandes portais como o iG, o “Games On The Rocks” é pura comédia, mas tem conteúdo jornalístico e um não atrapalha o outro. “Infotenimento”, já dizia o ex-ministro e pai da Preta, Gilberto Gil.

EG: E acima de qualquer coisa, games são pra divertir. Não é isso que dizem, “Videogame é a maior diversão”. Na verdade acho que é “cinema”, mas funcionaria bem.

Os membros do Lektronik (a partir do alto, à esq.): Erik, Gus, Chris e Heitor

Falta algo à cobertura jornalística “séria” do mercado de videogames? O que vocês aconselhariam aos veículos tradicionais, se lhes fosse perguntado?
GL:
A primeira coisa que diria a eles é o quanto cobro pela consultoria. A segunda seria o número da minha conta bancária. Se precisarem, o Erik tem um contato pra fazer nota fiscal e tudo mais. Mas voltando ao assunto, cobertura séria? Não sei a qual você se refere, não conheço. Não sei se minha opinião sobre a cobertura que é feita pra ser chamada de séria tem mudado muito, mas acho que ela sempre estará tentando crescer e o mercado não dá espaço pra isso. Se você quer fazer uma cobertura séria do mercado de games trabalhando no Brasil, vai passar o dia traduzindo sites gringos, fazer umas três entrevistas boas por ano e só vai ter “exclusiva” e “furo” sobre coisas que não importam, tipo o Zeebo. Os profissionais que trabalham nessa imprensa no Brasil são muito melhores do que o trabalho que conseguem realizar.

O Lektronik já está no ar há algumas semanas. Qual é a resposta que os leitores estão dando? Eles compreendem essa linha fina entre notícia e bom humor?
EG:
Acho que é cedo pra dizer, o site está começando agora. Mas é promissor, a gente quer fazer um site com que a pessoa se identifique, porque mais do que gostar do assunto, gosta de quem tá falando sobre ele e como ele tá sendo tratado. E para quem não entender, é aquela velha máxima: piada não se explica.

GL: Pablo, acho que você está falando do Freeko e meus advogados não me deixam falar disso enquanto o processo não estiver terminado. Tenho certeza de que o Renato Bueno não entendeu a piada que eu fiz sobre ele no Freeko e por isso está movendo essa ação. Tudo será esclarecido.

Em curto prazo, médio prazo e longo prazo – quais os objetivos do Lektronik?
EG:
Sucesso, drogas, disco acústico, respectivamente.

GL:
Acho que o Erik disse tudo o que precisava ser dito sobre isso tudo aí. E eu queria terminar agradecendo à revista pela exposição dada ao website. Quando você me ligou pra conseguir essa entrevista eu fiquei hesitante, achei que ficar dando entrevistas só em blogzinhos poderia nos atrapalhar, mas quando você me disse, “não Gus, não se preocupe, vou botar vocês na capa da revista rs” eu me animei… Porque “RS” significa Rolling Stone. Obrigado mesmo, Pablo.

***

Antes de encerrar, só para constar: eu gostei dessa Lara Croft. E você?

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , ,
19/04/2011 - 20:51

Umas pílulas; umas novidades; e uma Entrevista da Semana quatro anos atrasada

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Salve, salve.

Por aqui, tudo certo. Apesar da lentidão dos processos (e da internet aqui).

Novidades? Algumas só. Perdi o bonde de algumas. Vejamos.

– Na semana que vem, irá rolar um evento em São Paulo para celebrar o futuro lançamento do game mais aguardado de 2011 (pelo menos para mim). Sabe de qual estou falando? Quem adivinha? Começa com “L”. Tá fácil, vá.

– Esqueci de comentar aqui sobre a nova empreitada da Flavia Gasi. Há algumas semanas ela passou a ocupar as funções de business development e PR manager na desenvolvedora de games Bigpoint. Traduzindo, ela é responsável por novos negócios e é a gerente de relações públicas da empresa de origem alemã sediada em Hamburgo. Boa sorte para ela.

– A E3 2011 já começou, pelo menos nas internas. As empresas começaram a marcar seus eventos e estão enviando os “save the dates” tradicionais para os jornalistas credenciados. A primeira delas, como sempre, foi a Microsoft. A coletiva deles pré-E3 já está marcada e com horário: segunda-feira, 6 de junho, 9 da manhã, no Galen Center, Los Angeles.

– Nenhum sinal de Sony e Nintendo ainda. Eles costumam decidir essas coisas em cima da hora. Mas ambos eventos devem ser em 7 de junho. O da Sony deve ser no mesmo dia 6 (segundo o fiel leitor ali embaixo, que é bem mais ligadão e esperto que eu). O da Nintendo sim, deve ser no dia 7.

– E teve essa polêmica toda do furto das cópias de Mortal Kombat da fábrica em Manaus etc, deu em alguma coisa? Descobriram como foi que o game “vazou”? Puniram os responsáveis? Afinal, dá ou não dá pra jogar com o Goro? De qualquer modo, o game foi lançado hoje lá fora. Aqui, a Warner confirma o 28 de abril como a data de lançamento brasileira. O Gamer.br (ou um colaborador dele) jogou o game ontem, e curtiu. E logo mais tem Entrevista da Semana com o produtor norte-americano Hector Sanchez, que praticamente já se tornou brasileiro.

***

Faz tempo que o site Freeko merece ser comentado e analisado com profundidade. Você já deve ter ouvido falar – e se não entendeu alguma piada que os caras publicaram, não vou te culpar.

O Freeko é um dos sopros de inteligência-infâme no jornalismo de games nacional. O conteúdo é praticamente organizado em torno (e dependente) de piadas internas e loucuras inexplicáveis, mas não é preciso conhecer os caras em pessoa para dar risada ou se chocar com tamanho surrealismo – ou ambas coisas ao mesmo tempo. Seja como for, eu ri (alguns dos meus textos recentes favoritos são este, este e este).

Bati um papo com o Renato Bueno, mentor intelectual do negócio todo (que ainda é formado por Doda Vilhena, Marcelo “Pirajuí” Daniel e Gus Lanzetta – aquele) e consegui com que ele respondesse a algumas perguntas mais sérias sobre essa coisa de fazer jornalismo e tentar ser engraçado (e ainda colocar os games no meio do processo). Não que ele tenha falado sério o tempo todo…

***

Gamer.br: Por que você mantém mais um site de games? Os que existem não te agradam?
Renato Bueno: Não foi bem uma criação, foi a transformação de algo que começou como um blog pessoal e estava se transformando em um blog menos pessoal, mas sempre relacionado com games, tecnologia e vidaloka. O Freeko teve três fases: começou como um blog de games quando eu fazia parte da EGM Brasil/Futuro Comunicação; passou a abordar piadas internas e a vidaloka no tempo em que trabalhei no G1; e acabou virando um blog com uma equipe de camaradas em 2010, quando eu já começava nessa vida de frilas, trampar em casa etc. E sim, os que existiam não me agradavam porque sempre foram muito sérios, sem graça. Não que eu tenha “oficializado” o Freeko pra resolver esse problema, foi só pra dar vazão às piadas internas mesmo.

Então diga qual é – ou são – o diferencial do Freeko em relação aos sites que estão por aí.
RB: O diferencial é a falta. Falta de compromisso, de responsabilidade, de agenda, de periodicidade, até falta de graça muitas vezes. É a autosabotagem em nome de exorcizar as coisas que nos incomodam, de criticar alguma coisa sem fazer muita questão de convencer alguém. Tudo “on the fly”, feito na hora, sem planos.

Qual é a resposta que os leitores dão a essa falta de compromisso? Eles compreendem? Há casos em que leitores caem de paraquedas no site e não entendem a piada?
RB: Existem os que caem de paraquedas e xingam, porque não encontraram o que o Google disse que eles encontrariam. Exemplo clássico é o nosso detonado de Dante’s Inferno. E existem os que compartilham dessa vibe moleque. Desses, poucos comentam no blog, a maioria comenta na vida real. É quando você tromba alguém e o cara “pow, aquele post, sensacional”, e isso é demais. Os que mais comentam no blog acabam sendo os próprios manolos da equipe ou os personagens do nosso habitat natural que acabam virando matéria. Entre esses personagens estão o deputado Fernandinho Mucioli e Erik Gustavo, nosso Caetano Veloso.


Equipe de sucesso (da esq. para a dir.): Pirajuí, Gus, Doda (logo abaixo), Bueno

Qual é o limite entre humor e jornalismo? Dá para fazer uma coisa envolvendo a outra? Games permitem esse tipo de cobertura?
RB: O limite depende da linha editorial. Você pode encarar com humor e informar sem desrespeitar ninguém. Da mesma maneira que pode não existir limite, em alguns casos, ou esse limite pode ser muito restrito, em outros. Acho que esse tabu do “limite” não faz muito sentido. É mais uma questão de honestidade, eu acho. Você pode encarar com humor e informar sem desrespeitar ninguém. Da mesma maneira que pode usar o humor de uma forma idiota e apelativa (como o CQC fez aqui), mesmo que, teoricamente, não esteja “ultrapassando limites”. Games permitem essa cobertura, é claro, e ainda podem ser muito explorados nesse sentido. Você pode fazer uma piada com as tragédias no Japão, com o massacre na escola do Realengo? Pode, não precisam existir limites. Não fizemos nada disso no Freeko porque, sei lá, não calhou, não foi algo que nos mobilizou a ponto de nos incomodar e precisarmos falar alguma coisa. Talvez isso não seja objeto do humor, por melhor que vá ser a sua piada. Num exemplo prático, talvez não falemos do Realengo no Freeko. Mas talvez falemos dos especialistas em porte de arma e dos jornalistas que manjam muito da putaria – por mais que não tenha graça para o resto dos irmãos.

Em curto prazo, médio prazo e longo prazo – quais os objetivos do Freeko?
RB: Curto prazo: renovar os destaques da home, que estão ali faz uns cinco anos, e reforçar nossa parceria de conteúdo com o Gamevicio; Médio: conseguir mais tempo pra trabalhar mais com vídeo, desovando umas ideias que não saem do papel; Longo: consolidar a fama de ser um reduto de meia dúzia de malucos perdedores que tentou fazer desse trecho do nosso mundo um lugar menos babaca e com mais fotos da Paola Oliveira.

***

Nos próximos dias, mais uma Entrevista da Semana com o pessoal de um site novo que também não se leva (muito) a sério: o Lektronik.

Autor: - Categoria(s): Clique Comigo, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
01/10/2010 - 13:01

Entrevista da Semana: Renato Bueno (Kotaku Brasil)

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Voltamos. Sentiu falta? Eu também!

E a Entrevista da Semana da vez é para falar sobre novidades. Há um bom tempo (mais de um ano já), comentei sobre a chegada de um grande site internacional de games no Brasil. Após muita especulação, descobriu-se que seria o famoso Kotaku. Só que o assunto morreu e ninguém mais falou sobre. Até que as conversas sobre o tema ressurgiram. E, finalmente, foi anunciado quem será o cara a cuidar desse projeto por aqui.

O nome dele é Renato Bueno. E você já deve conhecê-lo de muitas andanças no mercado brasileiro nos últimos cinco anos. Ele passou pela EGM Brasil, foi editor da EGM PC, ambas na Futuro Comunicação. Trabalhou um bom tempo no G1 e também na Folha de S. Paulo. Recentemente, escreveu para o Arena Turbo. E há o Freeko, provavelmente o melhor blog de (mentiras sobre) videogames do país. Mas isso sou eu quem está dizendo. E agora, o Bueno vai levar toda essa sagacidade para o Kotaku brasileiro. E para conversar sobre isso e muito mais que eu liguei para o cara e exigi uma entrevista exclusiva. Preocupado com as consequências de uma negativa, ele topou na hora. E o papo, você confere a seguir.

***

Gamer. BR: Como surgiu o convite para editar o Kotaku?
Renato Bueno:
Por e-mail. Adriano Silva, da Spicy Media, que já publica aqui o Gizmodo e o Jalopnik, entrou em contato comigo e começamos a conversar. Aí foram reuniões, conversas e expectativas até a decisão.

Você foi contratado para a vaga de editor. Por que acha que foi você o escolhido? Quais de suas experiências prévias você acha que foram essenciais para ser escolhido?
RB:
A resposta óbvia é “experiência anterior em internet”, mas não é só isso. Acho que foi o conjunto de experiências, dos lugares por onde passei, das coisas que aprendi, da XP acumulada (falou o veterano). O fato de gostar muito de games e ao mesmo tempo manter a atenção para outros temas que me atraem, além de não abrir mão de uma formação jornalística, também são fatores importantes.

E o que o Kotaku difere de outros sites de games no Brasil atualmente? Já dá para dizer?
RB:
Difere no volume de notícias, na velocidade das informações, no perfil de quem escreve e de quem comenta. É um “ecossistema” diferente, mas que tem muitos leitores fiéis no Brasil. Sem contar que muito do que se publica no Brasil ainda é o famoso “via [Kotaku, Joystiq, Destructoid]”, porque, além de outras questões, ainda estamos muito longe de onde as coisas realmente acontecem nesse mundo de joguinhos eletrônicos. O Kotaku Brasil não vai ser uma tradução do americano. Vamos adaptar para o português as notícias mais relevantes e, claro, vamos produzir conteúdo local. Contexto, informação, linguagem… as preocupações vão muito além de publicar telinhas e falar quem vendeu mais videogame no Natal.

E os conflitos de interesses? Todo mundo sabe que você edita o blog Freeko, que tem uma pegada mais descontraída também… O Freeko vai coexistir com seu papel no Kotaku?
RB:
O único conflito que eu vejo é o de senhas, no caso de eu confundir os logins na hora de postar. “Pegada descontraída” é uma coisa. O que o Freeko faz é a anti-notícia, a auto-sabotagem, a piada interna como desabafo pessoal. O Kotaku tem missão a cumprir, tem compromisso com o leitor – o que não o impede de ser descontraído a seu modo. O Freeko vai ser o futevôlei na praia, como sempre foi.

Como você analisa o jornalismo de games brasileiro neste exato momento? É um bom momento para a chegada do Kotaku?
RB:
É uma fase “curiosa”. Alguns veículos investindo mais e fazendo um bom trabalho, outros ainda com medo e pateticamente lentos nessa “descoberta dos games”. Fico feliz de ver gente que, anos atrás, queria escrever sobre games e agora está fazendo isso, e bem. Mas acho que ainda confundimos muito os papéis de profissional e fã. Ou ainda não vemos com clareza o que queremos escrever e o que o e o que o público quer ler. De modo geral, acho tudo muito conservador, covarde.

Como vai ser a configuração do Kotaku? Quem mais fará parte da equipe? Estão contratando? Para onde mando o currículo?
RB:
Vamos seguir a estrutura que já funciona a todo vapor com o Gizmodo e o Jalopnik: um editor e uma equipe TRU de colaboradores. Algo como convocar a tropa de choque em Mass Effect 2, com a diferença de que será uma equipe menor, e ninguém deve sofrer danos físicos no processo – mas ainda com achievements e recompensas. A equipe não está definida, mas o processo já começou, devemos ter novidades em breve. Se você quer fazer parte, veja no Gizmodo como se candidatar. Mais do que gostar e entender de games, é fundamental saber ler, escrever, dominar inglês e, claro, saber o que é jornalismo. Além de viver na internet, ter habilidades diversas e fazer a diferença, não ser apenas mais um.

O mercado brasileiro tem jeito? Como o Kotaku vai cobrir as performances das fabricantes estrangeiras no Brasil?
RB:
O mercado brasileiro tem jeito. Não encontrou o caminho definitivo para crescer, se é que existe um, mas a chegada da Blizzard e a aproximação recente da Sony são exemplos de como a indústria está na direção certa. O Kotaku vai acompanhar de perto as grandes, e esse vai ser um dos focos principais na identidade da versão BR.

Alguma mensagem positiva para seus futuros (e velhos) leitores?
RB: A recepção que tivemos e as mensagens recebidas foram sensacionais, em tão curto espaço de tempo. Contamos com o apoio da comunidade para fazer o melhor Kotaku BR possível. Críticas, dicas, sugestões e comentários diários são fundamentais para criarmos o grande site que planejamos. Não deixem também de nos acompanhar pelo Twitter e pelo Facebook, além de visitar o Kotaku a partir de segunda-feira.

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , ,
13/04/2010 - 01:26

A Nintendo no Brasil, a Sony em 3D, as idas e vindas do mercado

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E aí, quanto tempo? Ainda lembra que isso aqui existe?

Pois é, parece até que sou eu que anda esquecendo. Mas a ausência tem uns motivos. O mais grave deles é o fato de não acontecer muita coisa digna de nota nesse mercado de games nacional. Ou será que estou exagerando?

De certa forma, estou sim. As coisas poderiam estar melhores, mas não significa que não estejam melhorando.

Pegue por exemplo o abaixo-assinado pelos impostos justos sobre os videogames. Você já assinou? Passou para os amigos? Colocou no Twitter?

Há quem pense que esse tipo de iniciativa não funcione no Brasil (e talvez em lugar algum do mundo). Eu não os culpo. Mas que tal dar um voto de confiança e tentar? No máximo, poderemos colocar mais esse item na lista dos movimentos populares que não deram em nada no País. Mas acho que nem será o caso – a coisa parece estar andando bem. As fontes não-oficiais já falam em milhares de assinaturas. O caso repercutiu na mídia especializada e também na grande imprensa: até a versão online da Folha de S. Paulo publicou histórias relacionadas ao tema (e veja que também respingou lá fora).

Pois sim. Será que a esperada audiência com o deputado Antônio Palloci (relator do projeto na Câmara dos Deputados)  finalmente vai sair do papel?

É ano de eleições, então tudo é possível.

***

Ainda repercutindo o evento Gameworld que rolou há uns dias: foi especialmente bacana ver a Nintendo marcando presença com um estande bonitão, com o Nintendo DS novo para ser experimentado e com a simpatia do Charles Martinet, a voz do Mario em pessoa. Mas também estava ali, misturado a tantos fanboys e se divertindo, o Mark Wentley, gerente de marketing da Nintendo of America para a América Latina.

Mark estava bem acessível e conversava com quem chegasse junto. A mim, ele repetiu diversas vezes o prazer de estar no Brasil e de que 2010 seria um grande ano para a presença da Nintendo por aqui. Talvez ele estivesse apenas empolgado por causa da incrível recepção do público a Martinet, ou talvez ele só quisesse ser simpático mesmo. O fato é que faz tempo que a NOA não possui um executivo tão acessível e tranquilo cuidando da América Latina. Sinal dos tempos? Ou sou eu que estou amolecido e só enxergo o lado bom das pessoas?

De qualquer modo, a Nintendo existe de certa forma no Brasil. Assim como a Microsoft. E a Sony

***

…E a Sony Brasil está pondo suas manguinhas de fora, enfim.

O release que recebi hoje no e-mail nada tem a ver com a linha PlayStation, pelo menos não aparentemente:

A Sony Brasil convida você para uma coletiva de imprensa, na próxima quarta-feira, dia 14 de abril, na qual irá apresentar toda a sua linha de produtos 3D, que inclui lançamentos em televisores Bravia, Playstation, projetores, Blu-ray, entre outros.

Na ocasião, a empresa também explicará as estratégias para o mercado brasileiro nestes segmentos, projetos para a Copa do Mundo e perspectivas de negócios.

O que o PlayStation tem a ver com o lançamento da linha 3D da Sony? Aparentemente, tem alguma coisa. Senão eles não o divulgariam. Bem, melhor do que especular, é esperar para ver na coletiva desta quarta-feira.

Ou será que… Não pode ser. Bem, na verdade, pode ser. Ou não.

***

E encontrei no Gameworld o Ricardo Farah e o Orlando Ortiz, ex-editores da EGW e Nintendo World, que agora comandam a inciativa SKY7. Uma das novidades que eles cochicharam foi a estréia do novo site Pop e da toda reformulada área de games do portal. Um dos caras da equipe é o Odir Brandão, mas parece que o Rodolfo Braz (que era do site Herói) também está ali trabalhando com eles. Mas, disseram eles, há uma outra novidade que eles ainda não poderiam divulgar…

E por falar em mudança, sabe quem saiu da equipe do site do PlayTV? O Renato Bueno. Agora, além de cuidar do absurdo e sensacional site Freeko, ele também escreve no blog do UOL Tecnologia. E só para quem não sabe, o onipresente Gus Lanzetta, aquele, também virou colaborador fixo do Freeko.

Aliás, não sei se você sabia, mas a Renata Honorato, do The Game Girl, está na Veja Online. Mas ela eventualmente até escreve sobre games lá. E o blog continua ativo, em um novo endereço.

E tem mais umas três ou quatro novidades boas que não estou autorizado a falar. Ainda.

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E como assim, Farmville causa dependência? Que novidade!

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E pra terminar por hoje, olha só que notícia feliz:

Dear PABLO MIYAZAWA,
Welcome to E3 Expo 2010, North America’s premier computer and video game trade show! This message confirms that your registration for an E3 Expo media badge has been approved.  Please bring your valid identification to the Media Center at the LACC to pick up your badge.

See you at the show!

Regards, The E3 Media Team

Perfeito. Agora, só falta arrumar o patrocínio para ir pegar essa credencial pessoalmente…

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04/12/2006 - 20:53

Entrevista da Semana: Renato Bueno (EGM PC)

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Dia de “Entrevista da Semana” é assim: eu pergunto, alguém responde. Desta vez, o escolhido foi o jornalista Renato Bueno, editor da revista EGM PC. Além de jogar, escrever, meditar e ponderar sobre o mercado de games, o cara escreve de vez em quando no genial Freeko, um dos melhoes blogs de games deste país. Apesar de ser normalmente quieto, ele se inspirou para falar (muito) sobre o que pensa neste blog. Confira e comente, como sempre:

Gamer.Br: Qual é o papel de uma revista de games em um mercado como o brasileiro? A revista ainda é tão relevante quanto era há 5 anos?
Renato Bueno: Nosso papel (ha!) é fazer o que a internet não pode, ou não está preocupada, ou não nasceu para fazer. Matérias especiais, conteúdos exclusivos, priorizando a análise e o aprofundamento dos temas – deixando de lado a simples idéia de “notícias” e “análises”.
As revistas ainda são tão relevantes quanto há 5 anos, e talvez ainda mais, já que agora o jornalismo de games começa a se profissionalizar pra valer – é só o começo, camarada. A relevância do nosso trabalho varia de acordo com o público. Para o leitor que só quer ver a nota de um jogo (ou conferir se ela cumpriu suas sagradas expectativas), a revista é dispensável. Ele pode até comprar todo mês e se orgulhar de falar “Eu leio a revista do Pablo”, mesmo que, efetivamente, ele não leia, ou não a leia como o Pablo gostaria.
As miras começam a se voltar ao “leitor-jogador-adulto”, que leva uma vida cada vez mais corrida e quer ter uma revista de confiança falando “desse assunto muito louco”.

O quanto a internet mudou a maneira de se tratar a notícia do mercado de games?
Falando em Brasil, certo? No campo online, ela contribuiu com a democracia: todos os sites têm exatamente as mesmas notícias. Se o portal do Pablo não tem a notícia que saiu no portal do Fabio Santana, o Pablo vai lá e “mandraca” a nota que o Fabio Santana publicou – que, por sua vez, foi adaptada de alguma nota de site gringo. Não existe apuração, não existe jornalismo (exceções, poucas) – mesmo quando os (raros) fatos acontecem ali na esquina.
No aspecto impresso, Ela (E maiúsculo) engarrafou nossos leitores de “risos” (os RSS readers), facilitou nosso acesso à informação e o contato com o mundo onde os games realmente acontecem, que é bem longe daqui. Além de ter obrigado as revistas a se reformarem, encontrando seu novo lugar. Estamos quase lá.

O mercado de consoles está caminhando no Brasil, com a chegada do Xbox 360. Você acha que alguma coisa também vai melhorar no mercado de games para PC?
O otimista é um mal-informado, e me orgulho de ser um cego representante dessa classe indisciplinada. 2007 vai ser um ano incrível para os jogos de PC no mundo, principalmente pelos grandes nomes (Crysis, Bioshock, talvez Spore…), mas também pela cruzada da Microsoft com o selo Games for Windows.
Tendo na retaguarda o poder de fogo do XNA, da Xbox Live Anywhere e do Windows Vista + DirectX 10, o Games for Windows é uma espécie de ISO dos games. Diz respeito a exposição/experimentação em grandes lojas, padronização de caixas de jogo, modos de instalação e uma série de outros elementos que pretendem fazer o quê? Facilitar a vida, deixar tudo mais prático e atraente. Isso mostra que o PC é também uma plataforma de jogo – constatação que enfrenta obstáculos ainda nebulosos, principalmente no Brasil, em que o jogador ainda fica um pouco perdido nesse meio.
Aliás, o selo Games for Windows vai funcionar nos EUA. Estou esperando resposta da Microsoft para saber como vai ser aqui. Mas, em resumo: jogos mais bonitos, mais legais, mais fáceis de instalar e jogar. E que exigirão uma supermáquina em casa.

Quando você estudava jornalismo, queria se especializar em games. Hoje, você conseguiu. É o que esperava?
Eu não esperava nada, não faço planos – uma semana é longo prazo. Quando saquei uma vaga possibilidade de escrever coisas legais sobre o assunto – então começando o último ano de faculdade -, imaginava apenas “escrever reviews melhores do que os que eu via publicados”.
Escrever uma reportagem sobre indústria brasileira de games ou entrevistar um diretor de marketing de uma publisher que começa a descobrir a América Latina eram tarefas intangíveis, eu teria que nascer de novo e ter todos os consoles do mundo.Tarefas tão intangíveis quanto a idéia de “escrever sobre games” quando eu assinava a Super Gamepower.

Quais são as principais virtudes que um jornalista de games precisa ter no Brasil?
O cara tem que ser curioso, gostar do que faz e perceber que a influência dos games se assemelha (falemos sobre proporções em outro dia) à influência do punk, 25 anos atrás. Uma revolução cultural que exige observadores e críticos à altura. Estamos perto do olho do furacão, e não podemos deixar passar.
Num pensamento mesquinho: tempo e dinheiro. Tempo para jogar tudo que for possível, da maneira mais profunda possível. Tempo para ler todas as revistas, nacionais e importadas, além dos sites. E tempo para sair da redação e ver o que acontece no mundo real. O dinheiro é para financiar esse hobby, e essa profissão, caros por natureza.
Num pensamento humanista: uma formação cultural sólida, que vai além do “eu joguei todos os jogos do mundo desde 1931”. Que livros você leu? Quem são os jornalistas que significam alguma coisa para você? Por que Grim Fandango é um jogo e O Código da Vinci não é um jogo?

Quem vence a guerra da nova geração de consoles?
O São Paulo. O vice-campeão serão os jogadores. Parece política de partido pelego, eu sei, mas é fato: eu não me preocupo. Na redação a gente vive de piadas assim (pega essa, Sony! Pega essa, Nintendo! Pega essa, PC!) mas, na verdade, eu me afasto naturalmente de especulações e estudos desse calibre. Simplesmente não me preocupo.
O que importa são os jogos, são as possibilidades que se abrem ao jogador. Como jornalista da área, talvez eu devesse ter “uma posição oficial, carimbada em três vias”. Mas não sou formador de opinião, quero que essas empresas todas se matem.
Vai ser a Nintendo.

Você jogou os três consoles. Qual gostou mais?
Joguei nada – falta o PS3, o nosso ainda não chegou, e prefiro falar só depois de jogar. Eu compraria o Xbox 360. A proximidade dele com o PC, a estrutura online, bons jogos e a “marca” do brinquedo me conquistaram, sem falar na presença oficial em terras brasileiras.
O Wii é incrível, jogo todo dia na redação, mas não é compatível com a linha editorial do que eu gostaria de ter em casa para jogar. Quem sabe daqui a 1 ano, com jogos novos…

E a pirataria, tem jeito? Ela é o problema ou já é a solução?
Gostaria que houvesse uma solução para que o problema não existisse. Mas a pirataria existe, e ainda considero isso um grande problema, mesmo sabendo que, sem ela, umas vinte pessoas teriam games no Brasil. Falta ler o dossiê final da CPI da Pirataria para saber qual é a real – deve ter coisa boa ali, não?
Enquanto isso, me limito aos impulsos passionais: fico puto com os peixes grandes, que gerenciam as estruturas que levam o CD até a barraquinha do centro; lamento a insaciável “necessidade de esperteza” que impregna a cultura do brasileiro (pagar o mais barato possível no que quer que seja); tento não pensar nas taxas e impostos desumanos impostos aos games no Brasil.
Também existe o dilema da revolução digital: pirataria e distribuição digital não são, necessariamente, sinônimos. Isso é outra história.

Até quando videogame será considerado coisa de criança?
Até o dia em que o último adulto que não entende do riscado for atropelado pela perspicácia de uma geração de gamers dominando o mundo. Até o dia em que a última namorada perceber que existe algo mais ali, além de tiros, explosões e um “Save Game” sagrado. Até o dia em que o último jornalista de telejornal-de-dona-de-casa tiver esmerilhado um God of War. Vai demorar, mas a gente chega lá – eu sou otimista.

O que falta para o Brasil “chegar lá” no mercado de games? E o que significa “chegar lá”?
Talvez o “chegar lá” supremo seja obtido pela união do “chegar lá” econômico + “chegar lá” cultural + “chegar lá” profissional. No econômico, falta Nintendo e Sony virem pra cá, abrirem o mercado, o governo entender a parada etc. No cultural, falta informação, conhecimento da sociedade “que não joga”. No profissional, faltam profissionais-referência, revistas definitivas e até, quem sabe, um panorama acadêmico sólido sobre os games. Ainda dá para cavar um “chegar lá tecnológico” e outros mais, mas, basicamente, o que falta é encarar os jogos como mais um produto cultural, como a música, os filmes, os livros, os episódios de Hermes e Renato.

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , ,
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