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09/09/2011 - 16:59

O que é o Brasil dos Games, Parte 2

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Saudações. Já é sexta-feira.

Continuando a série “BRASIL DOS GAMES”, que celebra os cinco anos e o fim das atividades do Gamer.br, convidei o jornalista especializado Fabio Bracht para discorrer sobre o tema. Gaúcho, pensador e multitarefas, ele é o fundador do finado blog Continue.com.br, além de escrever para o site de tecnologia Gizmodo. Confira o texto dele, concorde ou discorde e comente no final.

***

O Brasil dos Games está só esperando um headshot

Por Fabio Bracht*

O Pablo é meio obsessivo com esse assunto, diz aí. Em toda entrevista dele, essa é a pergunta que nunca falta. E não é sem razão. Não sei como ele enxerga a coisa, mas para mim a imagem mental é bem clara.

O Brasil dos games é aquele inimigo escroto no qual você já meteu um monte de bala e sabe que está na rapa do tacho, mas que resolveu buscar cobertura. Ele está lá, você sabe exatamente onde. Você move a retícula para o ponto exato onde sabe que a cabeça dele vai estar quando ele resolver levantar. Quando ele fizer isso, boom, headshot. Mas ele ainda não fez.

Desde que eu comecei o blog Continue, em 2008 (e na verdade desde bem antes), o Brasil é essa potência em potencial, só esperando para deslanchar. Olhamos para o México, enchemos a nossa barrinha de otimismo e, a cada mínima notícia boa, a frase “agora vai” é repetida. Agora vai, agora vai, agora vai. Mas nunca irá, meu amigo.

Nunca irá porque já foi. O mercado de games no Brasil não se teleportou de um estado ruim para o estado ideal — único contexto em que a afirmação “agora foi” poderia ser usada –, mas todas as peças estão no seu lugar, em movimento. O Brasil dos games é o gordinho que ainda pesa bem mais do que deveria, mas está indo na academia todos os dias, com acompanhamento e reeducação alimentar. Ele não está lá ainda, mas, segundo a filosofia da inevitabilidade, já pode se considerar magro. É questão de tempo.

A Microsoft está aqui, a Sony está aqui, a Nintendo está aqui meia boca mas uma hora vai ter que cair dentro, as traduções de jogos estão por aqui, as legendas, o World of Warcraft por quinze reais por mês, os lançamentos de Xbox 360 por menos de cem, o Nathan Drake falando português sem chamar a Elena de rapariga. Já temos estúdios, já temos talentos, e com certeza já existe um grande jogo independente em planejamento ou produção em algum canto do país, sobre o qual nenhum de nós sabe nada a respeito. Se o Jason Rohrer consegue no interior dos Estados Unidos com muito pouca grana, e se o Notch consegue lá no frio da Suécia, certamente há alguém no Brasil que consegue, e esse alguém aparecerá logo.

Perceba que nada disso está ideal. Nem a presença das empresas, nem as localizações, nem os preços, nem a presença dos estúdios, nem a comunidade independente. Mas tudo isso existe, e tudo isso existe ao mesmo tempo, uma coisa validando a outra. Já me chamaram de Polyanna pelo meu otimismo às vezes infundado, e eu não tiro a razão. O otimismo às vezes faz com que o trabalho cesse, e isso não é bom para ninguém. Mas o fato é que, levando tudo isso em consideração, eu não vejo outra direção que não seja para frente.

Boom, headshot. E você nem terá percebido.

*Fabio Bracht (fabiobracht@gmail.com) é editor do Continue e escreve no Gizmodo.

Autor: - Categoria(s): Brasil dos Games, Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , ,
27/06/2011 - 21:16

E3 2011: Ainda dá Tempo?

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Enquanto eu fecho a edição de julho da Rolling Stone daqui, você curte aí uma das matérias que escrevi sobre a E3 2011, lá de Los Angeles. Essa a seguir saiu no jornal O Estado de S. Paulo, no suplemento Link, em 12 de junho. Faz tempo, mas ainda dá tempo de falar sobre o tema (e nada mudou de lá para cá, convenhamos). Bem, cá está.

***

Rumo à oitava geração*
Como fez no lançamento do Wii, a Nintendo pode colocar a concorrência para correr atrás da grande novidade da E3 deste ano

Por Pablo Miyazawa
Especial para o ‘Estado’

LOS ANGELES – Maior evento da indústria dos videogames no mundo ocidental, a Electronic Entertainment Expo (E3) todo ano carrega a responsabilidade de ser o divisor de águas de um mercado efêmero e em contínua expansão. Na edição 2011, realizada entre os dias 7 e 9 de junho, em Los Angeles, a máxima se confirmou com o início oficial da disputa pelo domínio da próxima geração de consoles.

Mesmo com o crescimento de outras formas de entretenimento digital – games sociais e jogos para tablets e smartphones entraram de vez na rotina de “não-jogadores” –, ainda são os consoles que ditam as regras do jogo, com um mercado estimado em US$ 22 bilhões. A influência das tais novas mídias nas decisões das desenvolvedoras, porém, está mais do que escancarada. Durante a E3, a Electronic Arts anunciou The Sims Social, uma versão de seu tradicional Sims para o Facebook.

Parece um tablet
Outro sinal óbvio de que a conservadora indústria está atenta às tendências está na principal característica do novo videogame revelado pela Nintendo. Batizado de Wii U (trocadilho com a sonoridade de “nós” e “você” em inglês), a máquina vem com um joystick que tem uma tela de cristal líquido sensível ao toque, o que, de cara, gera comparações inevitáveis com um tablet.

A empresa, porém, é incisiva ao negar a “inspiração”. “Já estávamos bastante avançados no desenvolvimento do Wii U quando o mercado de tablets explodiu”, disse Reggie Fils-Aime, presidente da Nintendo of America. “O sucesso dos tablets é apenas mais um indicativo de que nossa ideia está certa.” Apesar da relação de semelhança com o espírito dos dispositivos portáteis, é certo que o Wii U funcionará essencialmente como um videogame tradicional: será conectado a uma televisão e rodará jogos em discos proprietários, além dos games para a versão atual do Wii.

O segmento da diversão portátil, aliás, já é dominado pela Nintendo, que traz no currículo máquinas de bolso consagradas como o Game & Watch, o Game Boy e o DS, há mais de 30 anos. Em março, ela lançou o 3DS, com duas telas capaz de gerar gráficos 3D sem a necessidade de óculos especiais. Previsto para ser lançado em julho no Brasil, o 3DS também ganhou destaque na E3 com uma linha de jogos que enfatiza franquias clássicas, como uma versão inédita de Super Mario, além de releituras de Star Fox e Mario Kart.

Vita e desculpas
Sua arquirrival Sony também mostrou uma nova investida nesse segmento: o PS Vita é um portátil que tem como missão suceder o já ancião PSP, com recursos gráficos avançados, tela sensível ao toque, duas câmeras, acesso à web (Wi-Fi e 3G) e interatividade com o PlayStation 3. Previsto para o final do ano, com preços de US$ 250 a US$ 300, foi a única novidade de peso exibida pela Sony. Líder absoluta da geração anterior de consoles com o PlayStation 2, a Sony está mal na fita após a recente ataque à PlayStation Network, que causou o vazamento de informações confidenciais de milhões de jogadores.

A coletiva para imprensa na E3 foi iniciada com um pedido de desculpas, seguida da divulgação de títulos exclusivos para o PS3, como a aventura cinematográfica Uncharted 3: Drake’s Deception e o combate futurista 3D Resistance 3. Também ganharam destaque jogos compatíveis com o acessório Move, controle com sensores de movimentos, mas a vedete é o 3D: no segundo semestre, a Sony lançará uma tela de 24 polegadas que permite que duas pessoas joguem em 3D simultaneamente, e cada uma delas enxergue o efeito de maneira individualizada.

Família
Líder do mercado norte-americano com o Xbox 360, a Microsoft preferiu assumir um foco no aspecto agregador dos games. Não foram poucos os jogos anunciados na E3 que procuram promover a integração entre a família e o mundo virtual por meio do Kinect, a câmera com sensor de movimentos que foi o grande trunfo da empresa no ano passado.

Grifes como Vila Sésamo, Disneyland e Guerra nas Estrelas são títulos que agradam o público infantil e são reconhecidos pelos adultos. A Microsoft também mira esforços em serviços que levem a experiência com o videogame para além do jogo em si.

Nos próximos meses, o console ganhará parcerias com emissoras de TV e fornecedoras de conteúdo, além de integrar-se ao YouTube e ao sistema de procura por comando de voz de seu buscador, o Bing.

Direções
Os movimentos das três empresas gigantes do entretenimento levam a crer que cada empresa busca uma fatia distinta do mercado. “Nosso concorrentes estão presos, indo para uma direção. Enquanto isso, nós estamos indo para o outro lado”, teoriza Fils-Aime, da Nintendo.

Entretanto, não será de se espantar se a próxima geração de consoles de Sony e Microsoft apresentar elementos que, ainda que na superfície, remetam aos recursos apresentados pelo Wii U da Nintendo.

No universo do entretenimento digital, cria-se e copia-se na mesma velocidade e proporção. A história já mostrou que o pioneiro e o original não necessariamente é quem domina o mercado. Vence aquele que cometer menos erros e melhor se adaptar às rápidas mudanças. No caso do mercado de games – sempre mutante –, nem o tempo determinará as regras.

* Reportagem publicada na edição de 12 de junho do Link.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2011, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , ,
08/06/2011 - 21:24

E3 2011: Entrevista Exclusiva – Reggie Fils-Aime, Presidente da Nintendo, explica o Wii U (e promete novidades para o Brasil)

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No meio da correria da E3 2011, entrevistei Reggie Fils-Aime, o presidente da Nintendo of America. Na conversa franca e direta (como lhe é de praxe), o carismático executivo despejou frases de efeito e conceitos sobre o Wii U, console a ser lançado em 2012, além de dar dicas sobre as próximas ações efetivas da Nintendo no mercado brasileiro – além de confessar que provavelmente fará uma primeira visita ao país no segundo semestre. Confira a seguir a conversa exclusiva e bastante reveladora, realizada há poucos minutos, no estande da Nintendo na E3:

Gamer.br: Quando conversamos pela primeira vez, há cinco anos, a situação era muito diferente para a Nintendo. Vocês revelaram o Revolution, que viria a se tornar o Wii, mas naquele ano não mostraram nada sobre ele além do visual do console. Nenhum sinal de games, muito menos do joystick. Naquela ocasião, quando entrevistei Shigeru Miyamoto, ele disse que a ideia era não dar informações que inspirassem a concorrência. Agora, nessa E3, vocês fizeram justamente o contrário: revelaram o joystick e meio que não falaram muito sobre o console em si.
Reggie Fils-Aime: É incrível que você tenha relembrado de 2005. Porque aquela situação, em que revelamos ao mundo sobre o Wii, é bastante semelhante em relação ao que estamos mostrando agora sobre o Wii U. Ele será lançado em algum momento após 1º de abril de 2012, então temos mais ou menos um ano até colocá-lo no mercado. Nessa E3, achamos que seria importante que a imprensa e os consumidores compreendessem nossa visão. E nossa visão é: jogar games em casa com duas telas – em uma tela grande, na sala, e em uma menor, nas suas mãos. Acreditamos que as opções de jogo que estamos criando serão empolgantes para os consumidores. Conversamos com desenvolvedores, e eles estão bastante empolgados também.
Voltando a sua pergunta sobre o porquê de divulgarmos essas informações tão antecipadamente: é porque achamos que nossos concorrentes estão presos em uma direção. Além disso, eles acabaram de lançar novos acessórios – seja uma câmera, no caso de um, seja um controle com sensores de movimento, no caso do outro. Eles estão presos, indo para um lado, enquanto nós estamos indo para o outro. Sentimos que, nesse momento, é importante dividir o que estamos fazendo. Precisamos trazer mais desenvolvedores de jogos para o nosso barco, e estamos confiantes que conseguiremos levar essa tecnologia ao mercado antes de qualquer um de nossos concorrentes.


Reggie Fils-Aime posa com o Wii U: console será lançado “entre abril e dezembro de 2012”

Gamer.br: E por que não revelar muitas informações sobre o hardware?
RFA: Bem, nós dissemos tudo o que é preciso sobre o hardware. Divulgamos que será 1080p; que o hardware irá gerar energia ao controller, o que quer dizer que ele não é um produto separado, que poderá ser levado por aí como um dispositivo móvel. Ele foi feito para ser conectado ao console; divulgamos que ele será retrocompatível; que terá diversas entradas USB para adicionar memórias. No nosso ponto de vista, divulgamos o que precisávamos divulgar. Será um sistema poderoso, capaz de gráficos incríveis, capaz de explorar bastante a capacidade de processamento. E isso é tudo o que as pessoas precisam saber. O resto está na experiência.

Gamer.br: No meu ponto de vista, me parece que a idéia por trás do Wii U é a seguinte: a Nintendo já possui uma posição vantajosa no mercado de consoles portáteis. Além disso, vocês sabem como atrair a atenção dos mais variados tipos de consumidores no mercado de consoles caseiros. Então, seria algo mais do que natural misturar as duas coisas. É isso mesmo?
RFA: De novo, eu enxergo isso como duas novas oportunidades. Acabamos de lançar um novo console portátil, o Nintendo 3DS. E acabamos de anunciar seis games para ele, que serão lançados um atrás do outro. É uma plataforma independente que tem um caminho próprio a seguir. Agora, divulgamos o Wii U. E revelamos também que Mr. [Masahiro] Sakurai está trabalhando em um game [Smash Bros.] que irá unir essas duas plataformas. A questão não é que precisávamos criar um novo portátil: nós já temos um, novinho em folha. O que sentimos é que, para o ambiente caseiro, o conceito de ter duas telas seria uma boa idéia. E é isso o que pretendemos oferecer.

Gamer.br: Os tablets hoje são maiores do que nunca. O sucesso de produtos como o iPad contribuíram, de alguma forma, com a criação do conceito do Wii U?
RFA: Nós já estávamos bastante avançados no desenvolvimento do Wii U quando o mercado de tablets explodiu globalmente. Então, o que aconteceu nesse caso é certamente relevante. Mas digo uma coisa: de diversas maneiras, o que está ocorrendo com os tablets só prova o quanto a nossa ideia é mesmo a correta. Veja por esse lado: em muitas casas, você tem pessoas assistindo a TV, enquanto a outra está usando algum tablet. Estão todas no mesmo ambiente, mas não estão conectadas, uma vez que o tablet não está interagindo com o que acontece na televisão. Com o nosso sistema, não apenas os amigos e família dividem a experiência (como mostramos na demo de Chase Mii), mas também as telas não estão conectadas. Esse é outro indicativo de que nossa idéia é muito poderosa.

Gamer.br: Com o Wii U, a Nintendo parece querer trazer os jogadores hardcore de volta, ao mesmo tempo em que pretende manter o público casual ainda interessado. Quão difícil é balancear essas duas intenções?
RFA: Não é difícil. E isso ocorre porque temos experiências de que os novos consumidores irão gostar, como aquela simulação de golfe que todos aplaudiram em nossa coletiva. Mas também acreditamos que com grandes games third party, como Assassin’s Creed e Madden, os hardcore ficaram ansiosos também. Acho que, pela primeira vez, temos um sistema o qual todos os tipos de consumidores estão empolgados para jogar.

Gamer.br:…O que não foi o que aconteceu em primeiro momento com o Wii.
RFA: [Mexe a cabeça] …Mas sejamos justos: vendendo 86 milhões de cópias no mundo todo, dá para dizer que temos uma boa quantidade de consumidores casuais e uma boa quantidade de hardcore entre nossos compradores de Wii.

Gamer.br: Em 2005, a indústria era bem diferente, assim como a situação da Nintendo na guerra dos consoles. Agora, vocês estão em outro patamar, onde podem liderar as tendências e, talvez, definir o que seus competidores farão daqui pra frente. Parece óbvio que Sony e Microsoft irão seguir as direções da Nintendo, queiram vocês ou não. Você disse que eles estão indo para uma direção oposta, mas parece que as ações da Nintendo fatalmente serão de alguma forma copiadas por eles. Como é ter esse poder de definir as regras do jogo?
RFA: É maravilhoso. E o que é interessante é que, em todo esse tempo que trabalho na Nintendo, sempre estivemos seguindo nosso próprio caminho. Quando entrei na empresa, estávamos nos preparando para lançar o NIntendo DS. Naquele momento, nosso rival anunciou que iria lançar um console portátil mais potente. Nós criamos um produto que vendeu quase duas vezes mais e proporcionou experiências muito mais amplas. Quando lançamos o Wii, deixamos bem claro que estávamos indo em uma direção diferente. Naquele tempo, gráficos bonitos não eram, na nossa visão, necessários ou obrigatórios para se ter uma grande experiência. 86 milhões de unidades vendidas depois, temos um quadro em que o competidor mais próximo possui, talvez, uns dois terços dessa quantidade. Visto isso, pretendemos continuar a inovar e a seguir nas direções que achamos que são as melhores para o consumidor.

Gamer.br: Sei que ainda não há o que ser dito sobre o preço e a data de lançamento, mas você disse que pretende lançar o Wii U após 1º de abril , que é quando se iniciará o ano novo fiscal. Dá para dizer que será um preço de alguma maneira parecido com o que vocês cobraram inicialmente pelo Wii, uma vez que as máquinas, de certa forma, se parecem?
RFA: Não estamos falando sobre preços ainda, mas as máquinas são diferentes, muito por causa desse controller tão único [aponta]. Mas o que posso dizer é que a Nintendo acredita em oferecer valor a quem compra os seus produtos. Então, qualquer que seja o preço, eu garanto que será um produto de valor para o consumidor.

Gamer.br: Eu ouvi rumores de que você irá visitar o Brasil ainda esse ano. Confirma?
RFA: [Hesita] Eu certamente… espero visitar o Brasil. Ainda não tive a oportunidade de experienciar o mercado brasileiro. Estive no México, no Panamá, e sei que preciso ver o Brasil de perto. É um mercado muito importante para nós, ainda mais nesse momento, em que nos preparamos para lançar oficialmente o Nintendo 3DS lá. Então, sim, provavelmente nesse outono [primavera no Brasil, período entre setembro e dezembro], eu gostaria muito de visitar esse mercado e ver como podemos ser mais efetivos na região.


Fils-Aime: planos de visitar o Brasil pela primeira vez no segundo semestre

Gamer.br: Você obviamente está a par das dificuldades históricas de se fazer negócios no Brasil. Como somos parte do chamado “BRIC” [grupo de países emergentes formado por Brasil, China, Índia e Rússia], há hoje muitas possibilidades abertas no país. Como presidente da Nintendo, como você enxerga o país nesse momento?
RFA: Nós sempre enxergamos o Brasil como uma tremenda oportunidade. Nós precisávamos que nossa equipe interna estivesse preparada para um projeto dessa magnitude – já temos isso agora. Precisávamos de um parceiro de negocio para nos ajudar a atacar esse mercado – e temos isso agora. Precisávamos compreender como as coisas funcionam no Brasil – nós estudamos o país bem de perto e temos essas respostas agora. Foi necessária uma grande quantidade de trabalho para entender profundamente esse mercado, mas acredito que enfim conseguimos alcançar isso. Agora, espero que consigamos grandes resultados no Brasil.

Gamer.br: Na prática, quais são esses planos? Vocês pretendem fabricar consoles no país?
RFA: Nesse momento, não estaremos fabricando no Brasil. Estaremos importando os produtos, e pretendemos fazer isso da maneira mais eficiente o possível.

Gamer.br: E traduções de games e produtos para o português?
RFA: Nesse momento, temos o hardware [do 3DS] que será traduzido para o português, e isso inclui algumas de suas aplicações. O software ainda não será traduzido para o português, mas certamente esse é o próximo passo. É aquela história do ovo e a galinha: precisamos ver bons resultados de vendas, para isso nos dar a motivação para fazer esse tipo de ação.

Gamer.br: Para finalizar, se você tivesse de explicar rapidamente a um consumidor desavisado sobre o Wii U, como o faria?
RFA: Vou começar pelo conceito: criar uma experiência de duas telas. Porque no nosso ponto de vista, duas telas são melhores do que uma. E o modo como isso será feito é através de um console poderoso, equipado com um controller realmente único.
Sobre o nome, Wii U: ele foi criado para dizer que este é um videogame para você – seja você um gamer ativo, seja você um novato. Ele é para todo mundo.

Autor: - Categoria(s): Clique Comigo, Cobertura E3 2011, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , ,
07/06/2011 - 18:18

E3 2011: Compreendendo esse tal de Wii U

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Vamos lá então, entender esse negócio.

O Wii U é sim, um novo videogame, apesar de muita gente ter ficado em dúvida. Uma hora após a coletiva da Nintendo, na sala de imprensa do Convention Center, ainda havia gente se perguntando (alguns ME perguntaram): “Mas é um portátil novo ou um console?”.

Na hora, não ficou tão claro assim. Mas quem reassistir a apresentação de Satoru Iwata e Reggie Fils-Aime, comprova que eles até disseram: é um console sim, claro. É que a Nintendo nesse instante quer que todo o mundo preste atenção ao controller, e não ao console em si.

É interessante notar que é quase uma situação aposta a o que ocorreu em 2005: na ocasião, a Nintendo exibiu o que na época ainda se chamava “ Revolution”, um console que parecia uma caixinha de charutos em pé. Nada de games e, mais importante, nem sinal do joystick, o tão revolucionário Wiimote. Miyamoto, dois dias depois daquela apresentação, me falou a respeito (relembre aqui a entrevista de 2005). Foi mais ou menos assim:

Gamer.br: E o controller do Revolution? Vocês não mostraram nada e estamos curiosos.
Shigeru Miyamoto: Nós exibimos o hardware e é claro que gostaríamos de ter mostrado o controller, mas o problema é que se fizéssemos isso, revelaríamos muito dos aspectos novos e exclusivos do nosso sistema. Não seria um bom negócio se divulgássemos isso agora. No passado, revelamos coisas que as outras empresas não demoraram para copiar e tirar vantagem. Para ser bastante sincero e modesto, queremos evitar o que aconteceu com a alavanca analógica, o Rumble Pak, o Wavebird… a Nintendo criou todas essas novidades, e as outras empresas rapidamente seguiram atrás. Se revelássemos as coisas agora, um ano antes, seria dar muito tempo para as empresas pegarem nossas idéias e saírem correndo. O que queremos é revelar todas as funcionalidades do sistema já com o software rolando, em um pacote completo, na hora que for mais vantajosa.

Que curioso, não? Aconteceu o oposto nesse momento. O importante para a Nintendo é fazer você (e a concorrência, por que não?) se interessar pelo joystick revolucionário deles. O console, no caso, ou detalhes mais específicos, são mesmo meros detalhes.

As informações técnicas estão quase todas no http://e3.nintendo.com, no link System Details: é um console de ligar na TV, cheio de especificações técnicas, mas a maioria ainda permanece envolta em mistério. É porque a Nintendo só faz questão que você saiba que os jogos serão tão bonitos e avançados quanto esses que podem ser jogados hoje no PlayStation 3 e no Xbox 360. Aquela demo técnica que mostra o passarinho voando, o rio e o peixe, serviu exatamente para isso. O Wii U é um Wii turbinado e em alta definição, mas com um joystick invocado e cheio de onda. Preço? Tipo de processador? Tecnicagens? Nada disso. Pelo menos ainda não.

As especificações técnicas disponíveis são apenas essas (no original, veja tudo no site):

Launches: 2012

Size: Approximately 1.8 inches tall, 6.8 inches wide and 10.5 inches long.

New Controller: The new controller incorporates a 6.2-inch, 16:9 touch screen and traditional button controls, including two analog Circle Pads. This combination removes the traditional barriers between games, players and the TV by creating a second window into the video game world. The rechargeable controller includes a Power button, Home button, +Control Pad, A/B/X/Y buttons, L/R buttons and ZL/ZR buttons. It includes a built-in accelerometer and gyroscope, rumble feature, camera, a microphone, stereo speakers, a sensor strip and a stylus.

Other Controls: Up to four Wii Remote™ (or Wii Remote Plus) controllers can be connected at once. The new console supports all Wii™ controllers and input devices, including the Nunchuk™ controller, Classic ControllerTM, Classic Controller ProTM and Wii Balance Board™.

Media: A single self-loading media bay will play 12-centimeter proprietary high-density optical discs for the new console, as well as 12-centimeter Wii optical discs.

Video Output: Supports 1080p, 1080i, 720p, 480p and 480i. Compatible cables include HDMI, component, S-video and composite.

Audio Output: Uses AV Multi Out connector. Six-channel PCM linear output through HDMI.

Storage: The console will have internal flash memory, as well as the option to expand its memory using either an SD memory card or an external USB hard disk drive.

CPU: IBM Power®-based multi-core microprocessor.

Other: Four USB 2.0 connector slots are included. The new console is backward compatible with Wii games and Wii accessories.

***

Se a Nintendo não quis mostrar detalhes sobre o console na conferência, é porque não precisa fazer isso agora. Porque o interessante em um evento como a E3, em se tratando de tanta concorrência pesada, é mostrar o que o adversário NÃO tem. E quem tem joystick com sensor de movimentos, ou mesmo um sistema de captura de movimentos? Nesse momento, todos os três consoles existentes – Wii, PlayStation 3 e Xbox 360.

Agora, quem tem um joystick que é um verdadeiro tablet, que na verdade é uma segunda tela, mas que também é um portátil independente, com praticamente todos os recursos de um console de bolso, mais os recursos básicos de um joystick atual (rumble, acelerômetro, giroscópio, duas alavancas digitais, um direcional analógico, câmera, microfone, quase uma dezena de botões etc) e etc? Pois é. Só a Nintendo tem. E agora, Sony e Microsoft terão que correr atrás novamente, como já fizeram com o Wii.

Será que dá?

Claro que dá. Ou alguém duvida que os joysticks do PlayStation 4 e do próximo Xbox trarão telas touch screen embutidas (além de mais alguns recursos novos)? Afinal, essa é a graça da corrida da tecnologia. Sempre dá para ir mais longe. E, muitas vezes (ou na maioria das vezes, em se tratando de um gadget ou produto), não importa quem faz primeiro – e sim, quem faz melhor.

O que logo iremos descobrir é que a ideia do Wii U veio de uma premissa muito simples (tão simples que certamente saiu da cabeça de Shigeru Miyamoto): “e se fizermos um videogame que junte console e portátil em uma coisa só? Já sabemos fazer as duas coisas mesmo, né?”. A popularização cada vez mais crescente dos tablets só fez a coisa ter ainda mais sentido. O resultado disso será o Wii U.

Eu não tenho a menor dúvida de que será um sucesso, tanto ou maior do que o Wii. Duvido que os usuários de PlayStation 3 e Xbox 360 não ficaram no mínimo curiosos para ver o negócio funcionando. A Nintendo fez nessa E3 o mais difícil, que foi recuperar a confiança do público hardcore.

E, de repente, o final de 2012 ficou distante demais para todo mundo.

Autor: - Categoria(s): Clique Comigo, Cobertura E3 2011, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , ,
07/06/2011 - 17:22

E3 2011: A Orquestra toca o tema de Zelda

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Para você que perdeu:

Não dá para não dizer que é bonito, concorda?

Autor: - Categoria(s): Clique Comigo, Cobertura E3 2011, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , ,
07/06/2011 - 14:01

E3 2011: Por Dentro da Coletiva da Nintendo (AO VIVO)

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Cá estamos na coletiva da Nintendo. E é óbvio que a conexão wi-fi não é nada confiável. E vamos tentar fazer um live-blogging não tão live assim… para depois postar tudo de uma vez. A esperteza é inimiga da tecnologia deficiente.

8h53 – As cadeiras do Nokia Theater já estão em sua maioria ocupadas. É aquele burburinho generalizado a que estamos acostumados. A coletiva da Nintendo é sempre diferenciada: é mais iluminada, animada e também mais oriental (são muitos japoneses engravatados, muito mais do que nos eventos da Sony e da Microsoft).

A trilha sonora é modernosa. O DJ já soltou Julian Casablancas, Nicku Minaj e Muse. Já passam das 9h, ou seja, está atrasado.

9h03 – Estou procurando o fanboy de todos os anos que sempre grita nas horas certas. Uhuuu. Cadê ele?

9h05 – Começou. E uma orquestra com coral toca o tema de Zelda. Bem bolado. Deve ter gente chorando por aí. Aqui ao meu lado tem um cara emocionado.

9h10 – Shigeru Miyamoto está no palco, de terno e gravata, elegante e mais sorridente do que de costume. Ele realmente é o maior criador de games do planeta, e ninguém ali duvida disso (nem ele mesmo). E o tema da apresentação é Zelda – o vigésimo-quinto aniversário da franquia. Ele fala em inglês, mas logo chama seu fiel tradutor para ajudá-lo. Como de praxe. Um fanfarrão carismático.

Miyamoto fala sobre a música de Zelda e a importância disso para o game. E pede para a orquestra diante de si para tocar os efeitos sonoros mais emblemáticos da série. É um efeito interessante para conquistar o público (que já está conquistado desde o princípio). Está todo mundo ali para isso mesmo.

Segundo Miyamoto, sairá um game Zelda novo para cada plataforma existente:

A Nintendo eShop terá uma versão do clássico The Legend of Zelda: Link’s Awakening.

Semana que vem sai o The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D para Nintendo 3DS. Com um modo Master Quest, com efeito espelho, mais um modo só para enfrentar os chefes.

Zelda: Four Swords estará disponível para DSi Ware, gratuitamente, para qualquer um baixar.

Zelda: Skyward Sword estará disponível para o Wii até o final do ano. Eles colocarão um Wii Remote dourado à venda também. Há quem compre.

(Aliás, isso é praticamente tudo de Wii que eles falaram na E3).

E a Nintendo planeja apresentar espetáculos orquestrados em regiões selecionadas do planeta (Europa, Estados Unidos e Japão) para promover o aniversário de Zelda. Brasil? Imagine.

A Nintendo é a única empresa que realmente prepara surpresas em suas coletivas. E o ambiente parece em suspensão, aguardando qualquer dica que revele algo inédito (olhar para atrás e vislumbrar o teleprompter antes ajuda um pouco nesse processo, confesso).

Todos os profissionais que trabalharam em algum game Zelda sobem ao palco e agradecem o apoio (e dinheiro) do público ao longo dos últimos 25 anos. Um movimento interessante. O público aplaude. Mas ninguém fica de pé.



9h21
– Satoru Iwata, presidente global da Nintendo, entra no palco com seu discurso de sempre (o sotaque japonês está intacto, ainda bem).

As frases são slogans prontos:

“Uma plataforma que é igualmente satisfatória para todos os consumidores, de maneira idêntica.”

“Experiências de games mais profundas. E amplas, para todos os jogadores.”

“Todos poderão enxergar os games de maneira diferente.”

“Servir a todos os jogadores. E este será um enorme passo para isso.”

O fato é que o novo console só será lançado no ano que vem. Esse ano é o ano do 3D. Ou seja, Nintendo 3DS.

Praxe da Nintendo: vídeos que fazerm a plateia sorrir (com um interessante apelo 3D): Mario Kart, Star Fox, Super Mario (com roupa de Tanooki), Kid, Icarus, Luigi’s Mansion. Aplausos.

9h27 – Reggie Fils-Aime, presidente da Nintendo of America, subiu ao palco já chutando bundas, com seu estilo peculiar. Ele mantém o discurso de Iwata, insistindo que a Nintendo faz games para todos. Ele diz que são cinco games a exibir nos próximos dias. Mas, no telão, apenas versões 2D. No showfloor da E3, serão versões 3D (óbvio).

Mario Kart: os veículos também voam e mergulham. Sai no fim do ano.

Star Fox 64 3D sai em setembro, com opção de game multiplayer.

Super Mario é o primeiro game para portátil feito do zero. E é uma mistura do Mario 3 da era 8-bit com Mario 64. Vai fazer muita gente comprar o Nintendo 3DS (eu também). E sai antes do fim do ano.

Kid Icarus para 3DS: esse não é novidade.

Luigi’s Mansion 2: pouca gente comemorou, mas parece bom.

Fils-Aime apresenta mais novidades sobre o 3DS, com destaque para Pokémon. Outros games para 3DS, como Metal Gear Solid 3: Snake Eater, ganham apenas trechos em um vídeo.

É agora que ele vai revelar o nome do novo console. Wii U.

O controle parece um tablet que permite conexão total com a TV. São tantas que nem é possível descrever aqui. Mas logo mais falo sobre isso.

ATUALIZAÇÃO: Vou publicar outro post com impressões e opiniões sobre o Wii U. Aguarde.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2011, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , ,
06/06/2011 - 06:12

E3 2011: Começou de novo

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Cá estou ao vivo, direto de Los Angeles.

A E3 2011 vai começar amanhã. Estamos cansados, exaustos, mas vamos nessa. Tudo pode acontecer. E as tradições, de certa forma, vão se repetindo.

Nessa segunda-feira logo cedo, 9h daqui (13h no horário de Brasília), a Microsoft vai começar a brincadeira, mostrando suas armas em sua coletiva de imprensa no suntuoso Galen Center. E isso não significa exibir mais um console em seu repertório iniciado há não muito tempo com o Xbox. Vale lembrar que, em 2009, o grande momento da coletiva da Microsoft foi a aparição de dois quartos dos Beatles – Paul e Ringo; no ano passado, foi a vez do Kinect (os jornalistas e convidados foram utilizados como cobaias do brinquedo). E esse ano?

Mais tarde, a Sony tentará se redimir de seus pecados com o maior e mais longo evento para a imprensa da história da E3. Deve começar às 17h e terminar bem tarde. Tudo pode acontecer – literalmente: há quem diga que até o Brasil terá novidades (PS Store nacional?). Mas e se hackers decidirem atacar para estragar a festa?

E no dia seguinte, a Nintendo finalmente, e pela primeira vez na história, vai mostrar seu novo videogame antes da concorrência. O tal do Project Cafe estará disponível e em detalhes – poderemos até encostar no dito cujo. Quem sabe jogá-lo? Revelar tanto e com tamanha antecedência não faz parte da tradição da Nintendo. Ou será que é pegadinha para pegar os adversários de jeito?

E3 é isso aí: emoções, decepções, especulações, noites sem dormir. Mas não estou ouvindo ninguém reclamar.

Até logo mais, aqui mesmo e em tempo real no Gamer.br e por aqui.

Autor: - Categoria(s): Clique Comigo, Cobertura E3 2011, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , ,
19/04/2011 - 20:51

Umas pílulas; umas novidades; e uma Entrevista da Semana quatro anos atrasada

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Salve, salve.

Por aqui, tudo certo. Apesar da lentidão dos processos (e da internet aqui).

Novidades? Algumas só. Perdi o bonde de algumas. Vejamos.

– Na semana que vem, irá rolar um evento em São Paulo para celebrar o futuro lançamento do game mais aguardado de 2011 (pelo menos para mim). Sabe de qual estou falando? Quem adivinha? Começa com “L”. Tá fácil, vá.

– Esqueci de comentar aqui sobre a nova empreitada da Flavia Gasi. Há algumas semanas ela passou a ocupar as funções de business development e PR manager na desenvolvedora de games Bigpoint. Traduzindo, ela é responsável por novos negócios e é a gerente de relações públicas da empresa de origem alemã sediada em Hamburgo. Boa sorte para ela.

– A E3 2011 já começou, pelo menos nas internas. As empresas começaram a marcar seus eventos e estão enviando os “save the dates” tradicionais para os jornalistas credenciados. A primeira delas, como sempre, foi a Microsoft. A coletiva deles pré-E3 já está marcada e com horário: segunda-feira, 6 de junho, 9 da manhã, no Galen Center, Los Angeles.

– Nenhum sinal de Sony e Nintendo ainda. Eles costumam decidir essas coisas em cima da hora. Mas ambos eventos devem ser em 7 de junho. O da Sony deve ser no mesmo dia 6 (segundo o fiel leitor ali embaixo, que é bem mais ligadão e esperto que eu). O da Nintendo sim, deve ser no dia 7.

– E teve essa polêmica toda do furto das cópias de Mortal Kombat da fábrica em Manaus etc, deu em alguma coisa? Descobriram como foi que o game “vazou”? Puniram os responsáveis? Afinal, dá ou não dá pra jogar com o Goro? De qualquer modo, o game foi lançado hoje lá fora. Aqui, a Warner confirma o 28 de abril como a data de lançamento brasileira. O Gamer.br (ou um colaborador dele) jogou o game ontem, e curtiu. E logo mais tem Entrevista da Semana com o produtor norte-americano Hector Sanchez, que praticamente já se tornou brasileiro.

***

Faz tempo que o site Freeko merece ser comentado e analisado com profundidade. Você já deve ter ouvido falar – e se não entendeu alguma piada que os caras publicaram, não vou te culpar.

O Freeko é um dos sopros de inteligência-infâme no jornalismo de games nacional. O conteúdo é praticamente organizado em torno (e dependente) de piadas internas e loucuras inexplicáveis, mas não é preciso conhecer os caras em pessoa para dar risada ou se chocar com tamanho surrealismo – ou ambas coisas ao mesmo tempo. Seja como for, eu ri (alguns dos meus textos recentes favoritos são este, este e este).

Bati um papo com o Renato Bueno, mentor intelectual do negócio todo (que ainda é formado por Doda Vilhena, Marcelo “Pirajuí” Daniel e Gus Lanzetta – aquele) e consegui com que ele respondesse a algumas perguntas mais sérias sobre essa coisa de fazer jornalismo e tentar ser engraçado (e ainda colocar os games no meio do processo). Não que ele tenha falado sério o tempo todo…

***

Gamer.br: Por que você mantém mais um site de games? Os que existem não te agradam?
Renato Bueno: Não foi bem uma criação, foi a transformação de algo que começou como um blog pessoal e estava se transformando em um blog menos pessoal, mas sempre relacionado com games, tecnologia e vidaloka. O Freeko teve três fases: começou como um blog de games quando eu fazia parte da EGM Brasil/Futuro Comunicação; passou a abordar piadas internas e a vidaloka no tempo em que trabalhei no G1; e acabou virando um blog com uma equipe de camaradas em 2010, quando eu já começava nessa vida de frilas, trampar em casa etc. E sim, os que existiam não me agradavam porque sempre foram muito sérios, sem graça. Não que eu tenha “oficializado” o Freeko pra resolver esse problema, foi só pra dar vazão às piadas internas mesmo.

Então diga qual é – ou são – o diferencial do Freeko em relação aos sites que estão por aí.
RB: O diferencial é a falta. Falta de compromisso, de responsabilidade, de agenda, de periodicidade, até falta de graça muitas vezes. É a autosabotagem em nome de exorcizar as coisas que nos incomodam, de criticar alguma coisa sem fazer muita questão de convencer alguém. Tudo “on the fly”, feito na hora, sem planos.

Qual é a resposta que os leitores dão a essa falta de compromisso? Eles compreendem? Há casos em que leitores caem de paraquedas no site e não entendem a piada?
RB: Existem os que caem de paraquedas e xingam, porque não encontraram o que o Google disse que eles encontrariam. Exemplo clássico é o nosso detonado de Dante’s Inferno. E existem os que compartilham dessa vibe moleque. Desses, poucos comentam no blog, a maioria comenta na vida real. É quando você tromba alguém e o cara “pow, aquele post, sensacional”, e isso é demais. Os que mais comentam no blog acabam sendo os próprios manolos da equipe ou os personagens do nosso habitat natural que acabam virando matéria. Entre esses personagens estão o deputado Fernandinho Mucioli e Erik Gustavo, nosso Caetano Veloso.


Equipe de sucesso (da esq. para a dir.): Pirajuí, Gus, Doda (logo abaixo), Bueno

Qual é o limite entre humor e jornalismo? Dá para fazer uma coisa envolvendo a outra? Games permitem esse tipo de cobertura?
RB: O limite depende da linha editorial. Você pode encarar com humor e informar sem desrespeitar ninguém. Da mesma maneira que pode não existir limite, em alguns casos, ou esse limite pode ser muito restrito, em outros. Acho que esse tabu do “limite” não faz muito sentido. É mais uma questão de honestidade, eu acho. Você pode encarar com humor e informar sem desrespeitar ninguém. Da mesma maneira que pode usar o humor de uma forma idiota e apelativa (como o CQC fez aqui), mesmo que, teoricamente, não esteja “ultrapassando limites”. Games permitem essa cobertura, é claro, e ainda podem ser muito explorados nesse sentido. Você pode fazer uma piada com as tragédias no Japão, com o massacre na escola do Realengo? Pode, não precisam existir limites. Não fizemos nada disso no Freeko porque, sei lá, não calhou, não foi algo que nos mobilizou a ponto de nos incomodar e precisarmos falar alguma coisa. Talvez isso não seja objeto do humor, por melhor que vá ser a sua piada. Num exemplo prático, talvez não falemos do Realengo no Freeko. Mas talvez falemos dos especialistas em porte de arma e dos jornalistas que manjam muito da putaria – por mais que não tenha graça para o resto dos irmãos.

Em curto prazo, médio prazo e longo prazo – quais os objetivos do Freeko?
RB: Curto prazo: renovar os destaques da home, que estão ali faz uns cinco anos, e reforçar nossa parceria de conteúdo com o Gamevicio; Médio: conseguir mais tempo pra trabalhar mais com vídeo, desovando umas ideias que não saem do papel; Longo: consolidar a fama de ser um reduto de meia dúzia de malucos perdedores que tentou fazer desse trecho do nosso mundo um lugar menos babaca e com mais fotos da Paola Oliveira.

***

Nos próximos dias, mais uma Entrevista da Semana com o pessoal de um site novo que também não se leva (muito) a sério: o Lektronik.

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28/03/2011 - 12:25

O melhor filme do Super Mario a que você jamais irá assistir

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Isso é tão semana passada, mas… assista e chore.

Esse trailer, idealizado e dirigido pelo cineasta Joe Nicolosi, foi exibido recentemente no festival interativo South by Southwest, que acontece em Austin, Texas. Infelizmente, é só isso e pronto – não há um filme completo. Mas imagine se houvesse? A Nintendo jamais permitiria, provavelmente. E é aí que você se lembra dos filmes baseados em games dirigidos pelo alemão Uwe Boll… Deixa pra lá.

Roubei do Trabalho Sujo do Alexandre Matias.

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31/01/2011 - 17:04

Melhores de 2010 – Escolha do Leitor

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E veja só, até que não demorou muito. Vamos agora aos melhores games de 2010 de acordo com a escolha do leitor. Ou seja, você mesmo.

Contabilizei os votos recebidos nos comentários do site entre o finalzinho de dezembro e o início de janeiro, usando a seguinte metodologia: 5 pontos para cada vez que o game é citado em primeiro lugar; 3 pontos para o segundo; 1 ponto para o terceiro. Em caso de empate em pontos, ficou na frente o game com mais citações. Somando tudo, deu o resultado que você vê a seguir. Se for comparado ao resultado da critica, publicado ontem, você talvez se espante com as discrepâncias (e são várias) O que isso diz sobre os hábitos dos jogadores normais e como isso pode ser analisado diante das escolhas dos jornalistas? Gostaria de levantar essas questões. Mas, por enquanto, vamos à lista. E não poderia de deixar de agradecer a quem votou. Sua ajuda foi inestimável.

E aqui estão, finalmente, os 21 melhores games de 2010, segundo você:

1. Red Dead Redemption

X360, PS3 / Rockstar – 32 citações

Na crítica, deu Red Dead Redemption. E o leitor concordou com isso. Foi a única unanimidade de posições nas duas listas, o que leva a crer que: 1. o game é bom mesmo e todo mundo o jogou; e 2. por falta de grandes opções, não foi um ano assim tão difícil de escolher o game que mais se destacou. Em todo caso, é o game de 2010, agora sem dúvida alguma. Quem discorda?

2. Super Mario Galaxy 2

Wii / Nintendo – 23 citações

O carisma de Mario (e a popularidade do Wii) deram a vice-liderança para Super Mario Galaxy 2 entre os leitores. Entre a crítica, o game ficou em quarto, atrás de games de temáticas mais "adultas" como God of War III e Mass Effect. Seria um indício de que a crítica brasileira (na casa dos 30 anos, em média) estaria enxergando o console da Nintendo com olhos menos positivos?

3. God of War III

PlayStation 3 / Sony – 22 citações

Kratos menos cotado que o Super Mario? Faz sentido, se levarmos em conta que o PS3 demorou a engrenar no Brasil. Mas a diferença de citações foi pequena, o que leva a crer que a disputa poderia ter sido ainda mais acirrada se o PlayStation 3 fosse um pouco mais acessível no país

4. Mass Effect 2

X360, PC / BioWare – 15 citações

Eis que o leitor do Gamer.br mostra que não gosta só de "joguinho". Ou você pensa que Mass Effect 2 é para qualquer tipo de jogador? Quem encarou, disse que valeu a pena - e continuou jogando

5. Donkey Kong Country Returns

Wii / Nintendo – 11 citações

Mas havia espaço para a nostalgia no coração dos jogadores em 2010. Crítica e público concordam: Donkey Kong é importante demais para ser coadjuvante. Sem dúvidas, foi o retorno do ano

6. StarCraft 2: Wings of Liberty

PC / Blizzard – 7 citações

Um dos grandes lançamentos do ano a R$ 50 foi um apelo irresistível demais até para quem jamais se arriscou em games de estratégia. No fim das contas, a maioria curtiu. Ponto para a Blizzard

7. Halo Reach

Xbox 360 / Microsoft – 5 citações

E quem disse que brasileiro não gosta de Halo? Depois de tanto marketing, a Microsoft conseguiu convencer de que valia a pena se arriscar na franquia. E o jogador brasileiro se acostumou à ideia

8. Heavy Rain

PlayStation 3 / Sony – 6 citações

A primeira grande discrepância entre público e da crítica. Por que os jornalistas se esqueceram do perturbador Heavy Rain? Será que faltou divulgação? Pelo jeito não, porque o leitor se lembrou

9. Alan Wake

Xbox 360 / Microsoft – 5 citações

Outro que foi esquecido pela crítica ganhou boa posição com o público: a aparição de Alan Wake é outro sinal de que o marketing da Microsoft Brasil deve estar funcionando bem com o consumidor

10. Bioshock 2

X360, PS3, PC – 3 citações

A imprensa colocou o primeiro Bioshock no céu. Já o segundo, foi devidamente ignorado (vai entender). O leitor não se importou com isso se lembrou do game mesmo assim

Menções honrosas (games também citados):

11. Battlefield: Bad Company 2 – X360, PS3, PC / Electronic Arts

12. Super Meat Boy – X360, PC / Team Meat

13. Bayonetta – X360, PS3 / Sega

14. Limbo – Xbox 360 / PlayDead

15. Call of Duty: Black Ops – X360, PS3, PC / Activision

16. Gran Turismo 5 – PlayStation 3 / Sony

17. Fallout: New Vegas – X360, PS3, PC / Bethesda

18. Super Street Fighter 4 – PS3, X360 / Capcom

19. Fable 3
– Xbox 360 / Microsoft

20. Pokémon Heart Gold/Soul Silver – Nintendo DS / Nintendo

21. Kirby Epic Yarn
– Wii / Nintendo

***

Outros fatos dignos de nota, se compararmos a lista da crítica e a do público:

Call of Duty: Black Ops ganhou o quarto lugar entre a imprensa; entre o público, quase ficou de fora do top 20. Para mim, é fácil entender: os jornalistas citaram não apenas os melhores, mas também os games mais comentados do ano, e isso, Black Ops o foi (por diversas razões que pouco se relacionam à qualidade do game em si). O leitor, por sua vez, não jogou. Ou se jogou, não gostou. O mesmo talvez tenha acontecido com Assassin’s Creed: Brotherhood, bem lembrado pelos críticos e ignorado pelo público.

– A lista do leitor trouxe dois games indies em seu top 20, Super Meat Boy e Limbo. A dos jornalistas só trouxe Limbo. Por outro lado, o leitor ignorou o hype sobre Scott Pilgrim e só mencionou o game uma única vez.

– Jornalistas são mais nostálgicos do que os próprios leitores? Talvez, o que explicaria a presença de games como Dragon Quest IX, Castlevania, Pro Evolution Soccer e Need for Speed somente no top 20 da imprensa. Já a dos leitores mostram que a Nintendo ainda encanta, com os destaques a Kirby Epic Yarn e os mais recentes Pokémon.

No total, 13 games foram citados em ambas listas. Catorze são diferentes (obviamente, sete para cada lado). Já os quatro primeiros colocados, curiosamente, são os mesmos nas duas eleições. Talvez isso se dê por causa da limitação de cada eleitor só poder escolher três jogos, o que restringe ainda mais a variedade de títulos. Ou talvez porque esses quatro games sejam mesmo os melhores lançados em 2010 e ponto final. Não vi as listas estrangeiras, mas acredito que não fugiram muito do que foi apresentado por aqui. E agora, você me diz: qual das duas listas merece mais a sua aprovação, a dos jornalistas ou a dos leitores?

Já podemos pensar em 2011? Ainda não: tem a lista dos melhores e piores fatos de 2010. Mas isso eu devo publicar até o final dessa semana. Por enquanto, vá discutindo essas.

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