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30/09/2011 - 18:25

O que é o Brasil dos Games, Parte Final

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E vai acabar assim, com alguém fazendo comigo o que eu fiz durante cinco anos (sempre no bom sentido, claro): em uma Entrevista da Semana.

O escolhido para a tarefa foi o Gus Lanzetta, o onipresente faz-tudo do jornalismo gamer de guerrilha. Gus surgiu fazendo podcasts no falecido Audiogame, passou pelos principais portais do país, deixou sua marca no Freeko e atualmente é um dos comandantes do ambicioso Lektronik. Conheci o Gus na época em que comecei o blog, um pouco antes, um pouco depois, e ele sempre foi um dos meus grandes apoiadores/colaboradores aqui. Então, acho justo que ele participe desse desfecho. Talvez minhas palavras falem melhor por mim do que eu mesmo. Mas não seria a mesma coisa?

Possivelmente. Mas em uma entrevista exercemos um diferente tipo de faceta. Não saberei explicar melhor – as perguntas e as respostas resumem a história por mim.

A todos vocês, meu muito obrigado. E até logo! Volto em breve.

***

Entrevista da Semana: Pablo Miyazawa (Gamer.br)

Por Gus Lanzetta*

Entrevistar o Pablo para este blog parece algo lógico quando se considera o quão icônicas as entrevistas que ele conduziu através dos anos no Gamer.br foram. É uma forma de registrar quem aqui fez o registro, de homenagear o trabalho do japonês mais querido de toda a Vila Madalena… Ou não, sei lá. Eu só cheguei nessa ideia depois do Miyazawa me pedir pra escrever aqui neste derradeiro mês e eu não conseguir achar uma “pauta”.

Por mais desrespeitosa que seja a motivação, o que importa é o produto, agora fica aí: Pablo Miyazawa, o jornalista, o homem, em suas próprias palavras digitadas impecavelmente no MSN.

Gamer.br: Pablo, na última década você seguiu uma carreira que lhe rendeu a fama de ser um dos maiores entendidos de joguinho do país. Como começou essa trajetória no jornalismo sobre games e o que você buscava atingir profissionalmente quando começou a escrever na Nintendo World? Acha que alcançou esse objetivo?

Pablo Miyazawa: Quando comecei, não havia pretensão nenhuma. Não havia nada a ser almejado, porque não havia nada anteriormente. É até engraçado falar disso, já que nem faz assim tanto tempo – 1998, há 13 anos -, mas era tudo tão diferente que parece outra era. Começou por acidente, quando fui chamado para trabalhar na revista que nem existia ainda, e acabou se tornando minha vocação e minha carreira. Acho que hoje posso dizer que, seja lá qual objetivo alcancei, eu atingi bem mais do que poderia esperar. Sem nenhuma dúvida.

Gamer.br: E essa vida de escrever sobre games passou por cima de outra que você sonhava em ter? Você fez faculdade de jornalismo, não? O que você pensava que ia fazer da vida antes de cair, por acidente, no buraco – digo, mundo dos videogames?
PM: Eu imaginava que eu iria trabalhar com algo que gostasse – não pensava que não daria certo. Mas como disse, não tinha pretensões grandes. Se arrumasse emprego em um jornal, tudo bem. Naquele tempo, ninguém tinha tanta pressa como hoje em dia. As pessoas são ansiosas demais. Realmente, não há espaço para todo mundo, a concorrência é quase desleal. Mas naquele tempo, fim dos anos 1990, era como se houvesse chances a todos – era só descobrir a sua. Eu não imaginava que o segmento “jornalismo de games” se tornaria relevante (na real, nem imaginava que se tornaria um segmento considerável). Hoje, a história é outra e fico feliz de ter feito parte desse desenvolvimento. Mas, naquela época, não era algo que eu pudesse exatamente me orgulhar. Meus colegas de faculdade e seus empregos na grande imprensa não me levavam muito a sério por fazer revistas “para crianças”. Hoje, fico satisfeito de não ter dado ouvidos a esse tipo de crítica.

Gamer.br: Você acha que teve ou tem influência nos jornalistas de games do Brasil? Que influência seria essa?
PM: Olha, seria prepotência dizer que sim, mas muita gente me diz que tive. Então, prefiro fingir que não penso a respeito disso. É claro que penso, principalmente quando vejo o quão diferente era e como é hoje em dia. Só percebo certas coisas quando encontro pessoas que dizem que liam as revistas e que decidiram fazer jornalismo por causa disso. Não sei, é difícil dizer (e fácil parecer babaca falando sobre isso). Eu prefiro crer que todo mundo que trabalhou naquela época colaborou para preparar o terreno para o que temos hoje – e o que temos hoje é ótimo. Uma imprensa especializada atuante, antenada e relevante, que continua pautando a grande imprensa, mas não agindo como nicho, ou com complexo de vira-lata. Estamos fortes hoje, e mais relevantes. Evoluímos.

Gamer.br: Evoluímos como os Pokémons que se popularizaram muito na época em que você estava entrando nesse mundo de escrever sobre videogame, mas se a imprensa especializada foi de um Pichu para um Pikachu, qual você acha que é nosso Raichu?
PM: Não acho que, no caso, ser Raichu é uma coisa melhor. Veja bem, do ponto de vista pokemoniano, o Pikachu tem muito mais carisma a e qualidades do que um Raichu. Acho que, por bem, deveríamos nos manter pikachus. Não sei se todo mundo irá entender essas referências esquisitas, mas tudo bem.

Gamer.br: Tomara que não entendam, se todos entenderem, fica feio pra todo mundo. Mas agora que se faz Xbox e jogo de PS3 no Brasil, agora que a E3 tem mais brasileiro que mictório no banheiro, pra onde que você acha que tá caminhando tudo isso? E teriam nossos pisantes o poder de aguentar essa caminhada ou vamos cansar no caminho?
PM: Acho que vamos chegar naquele sonhado ponto em que os games são tão considerados e respeitados quanto o cinema e a música, talvez. Mas isso ainda vai demorar. Por enquanto, o estigma de nerdice/infantilidade/gueto continua enraizado nos videogames e essa ideia não vai se perder agora. Talvez quando nossos filhos estiverem se tornando formadores de opinião – daqui uns 15, 20 anos, talvez? Mas estamos pavimentando o caminho para isso, tornando os games mais acessíveis e relevantes, incitando as discussões, eliminando preconceitos. Tudo isso é um trabalho de longo prazo, lento, mas terá resultados lá na frente. Agora, será isso que estamos vendo: devagar e sempre.

Gamer.br: Vou encerrar não com uma pergunta, mas com um pedido: Em todos esses anos de Gamer.br você quase nunca falou mal de nada, normalmente só fala bem ou não expressa muita opinião. Então eu peço, Pablo, dá pra falar mal de alguma coisa? Só essa vez, vai, pode até ser de mim, dessa entrevista, qualquer coisa.
PM: Ok, você pediu. Não é de meu feitio fazer isso, assim como também não quero ser conhecido por apenas falar “bem” das coisas. Mas se tem algo que eu gostaria de criticar é a maneira com que muita gente se leva a sério nessa vida. Nem estou falando apenas do jornalismo de games, ou da indústria de games, mas da vida de um modo geral. É muito fácil pra muita gente criar caso, reclamar, xingar ou entrar em conflito por besteira, amendoins. Fico chocado como tem gente que entra em brigas com pessoas que nem conhecem, simplesmente por divergirem em temas que não são relevantes (opinião – todo mundo tem uma, nenhuma é necessariamente melhor que a outra). Então, reclamo aqui de quem se leva muito a sério e quem se preocupa muito em impor opiniões e diminuir a importância do que outros pensam.
Não dá para querer que todos sejam amigos e vivam em harmonia, mas a vida seria menos conflituosa e estressante se cada um cuidasse de seu próprio trabalho e fizesse o melhor possível para fazer o seu sem necessariamente prejudicar ou punir o outro. É utópico, mas penso nisso sempre.

Gamer.br: Muito obrigado, Pablo, seu blog agradece.

**

Essa então foi minha contribuição para o funeral mais longo que um blog já teve nessa “blogosfera” de videogames. Fiquei muito contente todas as vezes que pude contribuir pra esse blog, incluindo hoje. Mas não vou ficar rasgando muita seda nem nada, porque afinal é só um blog, ninguém morreu e, acima de tudo, não quero levar isso a sério demais.

*Gus Lanzetta (@guslanzetta) faz parte das equipes dos sites Lektronik e Freeko.

Autor: - Categoria(s): Brasil dos Games, Clique Comigo, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , ,
19/09/2011 - 20:45

O que é o Brasil dos Games, Parte 5

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Continua a contagem regressiva para o adeus do Gamer.br. Você está triste? Eu estou. Mas vamos que atrás vem gente.

Hoje, publico a contribuição de Erik Gustavo. Para desavisados, relembro o currículo do rapaz: uma das mentes por trás do site “de joguinhos” Lektronik, produtor-idealizador do programa Badalhoca, da MTV (aquele com o Ronald Rios), publicitário, pensador online, videomaker e mais uma infinidade de coisas legais (veja o currículo completo aqui).

A palavra “irreverente” talvez o descreva muito bem, mas quem sabe seja mais do que apenas isso? O fato é que pedi ao Erik para discorrer sobre o tema BRASIL DOS GAMES, mas ele ignorou e preferiu escrever sobre outra coisa (quase) totalmente diferente. Mas o que vale é a intenção. No fim, acho até que ele se saiu muito bem. E você, o que acha?

***

(Nada sobre o) Brasil dos Games

Por Erik Gustavo*

Quando eu recebi de Pablo Miyazawa o prêmio de Artista do Milênio (juntamente com a possibilidade de atualizar esse site com um post de temática livre) fiquei literalmente sem palavras.

Dois dias depois recuperei minhas palavras e respondi que seria uma honra pra mim e para toda minha família. Até porque eu fui o primeiro membro da família a entrar pra uma faculdade (de artes), o que significa que qualquer vitória é motivo de orgulho.

Vou aproveitar a oportunidade e sugerir ao leitor a audição do disco “Nostalgia, Ultra”, de Frank Ocean. E tenho dois motivos pra sugerir isso aqui no Gamer.BR. Vou explicar os dois logo depois da capa do disco e de um clipe tirado do disco.

Há uns meses eu dividi com o Pablo o mesmo hotel em Los Angeles (além do mesmo telefone de serviço de acompanhantes). Sabendo da minha apreciação por essa indústria fundamental que é a musical, me convidou para dar uma volta na Amoeba.

Entre um disco e outros milhares, acabei lembrando de uma vez que Pablo me deixou claro que não considerava rap como música [Nota do Pablo: Eu nunca disse isso, Erik]. Daí na minha cabeça a melhor forma de eu deixar claro que acho que ele tá errado é recomendando um álbum de rap no blog dele.

O outro motivo é o fato de Ocean (o cara mais R&B do Odd Future) ser mais um daqueles rappers que foram influenciados pelos joguinhos e deixam isso claro de alguma forma nos seus discos, mixtapes e clipes. Não como Charles Hamilton, que baseia praticamente toda sua obra no seu vício por Sonic e abusa de samples sonoros e imagens relacionadas ao jogo, além de só utilizar camisetas com o personagem estampado. Eu tô falando disso:

Três interlúdios musicais (“Street Fighter”, “GoldenEye” e “Soul Calibur”) de mais ou menos 20 segundos, inteiramente com sons de alguém trocando uma fita K7 de lado. Muito “artístico” pra sua cabeça? Então se liga nessa mochila irada.

***

Atualização: Agora que reparei que o Pablo havia pedido pra eu falar sobre os games no Brasil. Fiz melhor: falei sobre outra coisa. Mas pra não ficar feio cedi a ele os direitos de uma ideia antiga minha.

*Erik Gustavo (@erikgustavo) é um dos editores do site Lektronik.

Autor: - Categoria(s): Brasil dos Games, Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , ,
06/05/2011 - 20:05

Entrevista da Semana: Erik Gustavo, Gus Lanzetta e Heitor de Paola (Lektronik)

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It’s friday, friday…

Passou rápida a semana. Também, após o sábado/domingo mais agitado de todos os tempos, até que os últimos dias foram calmos. Ainda bem. Sou velho, não aguento tanta emoção assim.

Um tema light para encerrar a semana: conversei com a equipe do site Lektronik, recém-inaugurado e já cheio de repercussão entre os (de)formadores de opinião. É um site de games com viés humorístico, mas talvez seja mais do que isso. É bem possível que eles tenham conteúdo por trás de tanta gracinha. Ou talvez seja uma questão de achar ou não engraçado o jeito com que eles tratam o videogame e todo o mercado ao seu redor. É conferir e tirar sua própria opinião (se quiser ir direto ao ponto, vá aqui, aqui ou aqui. E aqui também).

Vale dizer que o Lektronik é uma investida pesada de três caras já conhecidos da nova safra de produtores de conteúdo/faz-tudo dessa geração Y: Gus Lanzetta (que faz de tudo um pouco por aí), Erik Gustavo (conhecido por ser um dos cérebros do programa Badalhoca, com o Ronald Rios) e Heitor de Paola (que dispensa apresentações). Confira o bate-papo (descontraído) e não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: Por que criar mais um site de games? Os que existem não te agradavam?
Gus Lanzetta:
Bom, a decisão de criar um site de games não veio de uma insatisfação como leitor. Veio de uma vontade de ter um lugar para criar conteúdo sobre games sem ter que passar por comitês. Poder criar um conteúdo que me satisfizesse como criador mesmo.
Pra isso, me juntei ao Erik [Gustavo] e ao Heitor [de Paola], que eram caras que tinham expressado vontade de criar um site de games e cujas ideias batiam com as minhas. Acho que nós três formamos um grupo estável: cada um contribui e não há muita redundância. Já sobre os outros sites que tem por aí… Basicamente os outros não tinham a equipe presente no Lektronik, então não agradavam 100%

Quais os diferenciais do Lektronik em relação aos sites que estão por aí?
GL:
Acho que uma coisa importante da nossa atitude que repercute com o público é que a gente sabe que “joguinho é joguinho”. A gente vai falar mais de mercado e das grandes empresas, mas sempre mantendo em foco que o videogame é só mais uma forma de entretenimento. Tanto pra nós quanto pro público.

Erik Gustavo: E a gente é meio engraçado também. Quer dizer, o Heitor é tão sério que dá a volta e fica engraçado.

Por falar nisso, qual é o limite entre humor e jornalismo? Dá para fazer uma coisa envolvendo a outra? Games permitem esse tipo de cobertura?
GL:
A primeira intersecção que eu vejo é na crítica, na hora que é preciso dar opinião. É muito fácil tirar sarro de um jogo ruim, de um evento chato… E só porque é fácil não quer dizer que a gente não vá fazer isso – é claro que a gente vai fazer e, inclusive, já faz (vide a nossa “Diesel Hour”). Se você sabe expor as razões pelas quais algo não te agradou, fazer piada com isso só adiciona ao conjunto, não tira credibilidade. E não é difícil de ver que todo mundo faz piada com esse mercado o tempo inteiro, mesmo nos grandes portais como o iG, o “Games On The Rocks” é pura comédia, mas tem conteúdo jornalístico e um não atrapalha o outro. “Infotenimento”, já dizia o ex-ministro e pai da Preta, Gilberto Gil.

EG: E acima de qualquer coisa, games são pra divertir. Não é isso que dizem, “Videogame é a maior diversão”. Na verdade acho que é “cinema”, mas funcionaria bem.

Os membros do Lektronik (a partir do alto, à esq.): Erik, Gus, Chris e Heitor

Falta algo à cobertura jornalística “séria” do mercado de videogames? O que vocês aconselhariam aos veículos tradicionais, se lhes fosse perguntado?
GL:
A primeira coisa que diria a eles é o quanto cobro pela consultoria. A segunda seria o número da minha conta bancária. Se precisarem, o Erik tem um contato pra fazer nota fiscal e tudo mais. Mas voltando ao assunto, cobertura séria? Não sei a qual você se refere, não conheço. Não sei se minha opinião sobre a cobertura que é feita pra ser chamada de séria tem mudado muito, mas acho que ela sempre estará tentando crescer e o mercado não dá espaço pra isso. Se você quer fazer uma cobertura séria do mercado de games trabalhando no Brasil, vai passar o dia traduzindo sites gringos, fazer umas três entrevistas boas por ano e só vai ter “exclusiva” e “furo” sobre coisas que não importam, tipo o Zeebo. Os profissionais que trabalham nessa imprensa no Brasil são muito melhores do que o trabalho que conseguem realizar.

O Lektronik já está no ar há algumas semanas. Qual é a resposta que os leitores estão dando? Eles compreendem essa linha fina entre notícia e bom humor?
EG:
Acho que é cedo pra dizer, o site está começando agora. Mas é promissor, a gente quer fazer um site com que a pessoa se identifique, porque mais do que gostar do assunto, gosta de quem tá falando sobre ele e como ele tá sendo tratado. E para quem não entender, é aquela velha máxima: piada não se explica.

GL: Pablo, acho que você está falando do Freeko e meus advogados não me deixam falar disso enquanto o processo não estiver terminado. Tenho certeza de que o Renato Bueno não entendeu a piada que eu fiz sobre ele no Freeko e por isso está movendo essa ação. Tudo será esclarecido.

Em curto prazo, médio prazo e longo prazo – quais os objetivos do Lektronik?
EG:
Sucesso, drogas, disco acústico, respectivamente.

GL:
Acho que o Erik disse tudo o que precisava ser dito sobre isso tudo aí. E eu queria terminar agradecendo à revista pela exposição dada ao website. Quando você me ligou pra conseguir essa entrevista eu fiquei hesitante, achei que ficar dando entrevistas só em blogzinhos poderia nos atrapalhar, mas quando você me disse, “não Gus, não se preocupe, vou botar vocês na capa da revista rs” eu me animei… Porque “RS” significa Rolling Stone. Obrigado mesmo, Pablo.

***

Antes de encerrar, só para constar: eu gostei dessa Lara Croft. E você?

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , ,
19/04/2011 - 20:51

Umas pílulas; umas novidades; e uma Entrevista da Semana quatro anos atrasada

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Salve, salve.

Por aqui, tudo certo. Apesar da lentidão dos processos (e da internet aqui).

Novidades? Algumas só. Perdi o bonde de algumas. Vejamos.

– Na semana que vem, irá rolar um evento em São Paulo para celebrar o futuro lançamento do game mais aguardado de 2011 (pelo menos para mim). Sabe de qual estou falando? Quem adivinha? Começa com “L”. Tá fácil, vá.

– Esqueci de comentar aqui sobre a nova empreitada da Flavia Gasi. Há algumas semanas ela passou a ocupar as funções de business development e PR manager na desenvolvedora de games Bigpoint. Traduzindo, ela é responsável por novos negócios e é a gerente de relações públicas da empresa de origem alemã sediada em Hamburgo. Boa sorte para ela.

– A E3 2011 já começou, pelo menos nas internas. As empresas começaram a marcar seus eventos e estão enviando os “save the dates” tradicionais para os jornalistas credenciados. A primeira delas, como sempre, foi a Microsoft. A coletiva deles pré-E3 já está marcada e com horário: segunda-feira, 6 de junho, 9 da manhã, no Galen Center, Los Angeles.

– Nenhum sinal de Sony e Nintendo ainda. Eles costumam decidir essas coisas em cima da hora. Mas ambos eventos devem ser em 7 de junho. O da Sony deve ser no mesmo dia 6 (segundo o fiel leitor ali embaixo, que é bem mais ligadão e esperto que eu). O da Nintendo sim, deve ser no dia 7.

– E teve essa polêmica toda do furto das cópias de Mortal Kombat da fábrica em Manaus etc, deu em alguma coisa? Descobriram como foi que o game “vazou”? Puniram os responsáveis? Afinal, dá ou não dá pra jogar com o Goro? De qualquer modo, o game foi lançado hoje lá fora. Aqui, a Warner confirma o 28 de abril como a data de lançamento brasileira. O Gamer.br (ou um colaborador dele) jogou o game ontem, e curtiu. E logo mais tem Entrevista da Semana com o produtor norte-americano Hector Sanchez, que praticamente já se tornou brasileiro.

***

Faz tempo que o site Freeko merece ser comentado e analisado com profundidade. Você já deve ter ouvido falar – e se não entendeu alguma piada que os caras publicaram, não vou te culpar.

O Freeko é um dos sopros de inteligência-infâme no jornalismo de games nacional. O conteúdo é praticamente organizado em torno (e dependente) de piadas internas e loucuras inexplicáveis, mas não é preciso conhecer os caras em pessoa para dar risada ou se chocar com tamanho surrealismo – ou ambas coisas ao mesmo tempo. Seja como for, eu ri (alguns dos meus textos recentes favoritos são este, este e este).

Bati um papo com o Renato Bueno, mentor intelectual do negócio todo (que ainda é formado por Doda Vilhena, Marcelo “Pirajuí” Daniel e Gus Lanzetta – aquele) e consegui com que ele respondesse a algumas perguntas mais sérias sobre essa coisa de fazer jornalismo e tentar ser engraçado (e ainda colocar os games no meio do processo). Não que ele tenha falado sério o tempo todo…

***

Gamer.br: Por que você mantém mais um site de games? Os que existem não te agradam?
Renato Bueno: Não foi bem uma criação, foi a transformação de algo que começou como um blog pessoal e estava se transformando em um blog menos pessoal, mas sempre relacionado com games, tecnologia e vidaloka. O Freeko teve três fases: começou como um blog de games quando eu fazia parte da EGM Brasil/Futuro Comunicação; passou a abordar piadas internas e a vidaloka no tempo em que trabalhei no G1; e acabou virando um blog com uma equipe de camaradas em 2010, quando eu já começava nessa vida de frilas, trampar em casa etc. E sim, os que existiam não me agradavam porque sempre foram muito sérios, sem graça. Não que eu tenha “oficializado” o Freeko pra resolver esse problema, foi só pra dar vazão às piadas internas mesmo.

Então diga qual é – ou são – o diferencial do Freeko em relação aos sites que estão por aí.
RB: O diferencial é a falta. Falta de compromisso, de responsabilidade, de agenda, de periodicidade, até falta de graça muitas vezes. É a autosabotagem em nome de exorcizar as coisas que nos incomodam, de criticar alguma coisa sem fazer muita questão de convencer alguém. Tudo “on the fly”, feito na hora, sem planos.

Qual é a resposta que os leitores dão a essa falta de compromisso? Eles compreendem? Há casos em que leitores caem de paraquedas no site e não entendem a piada?
RB: Existem os que caem de paraquedas e xingam, porque não encontraram o que o Google disse que eles encontrariam. Exemplo clássico é o nosso detonado de Dante’s Inferno. E existem os que compartilham dessa vibe moleque. Desses, poucos comentam no blog, a maioria comenta na vida real. É quando você tromba alguém e o cara “pow, aquele post, sensacional”, e isso é demais. Os que mais comentam no blog acabam sendo os próprios manolos da equipe ou os personagens do nosso habitat natural que acabam virando matéria. Entre esses personagens estão o deputado Fernandinho Mucioli e Erik Gustavo, nosso Caetano Veloso.


Equipe de sucesso (da esq. para a dir.): Pirajuí, Gus, Doda (logo abaixo), Bueno

Qual é o limite entre humor e jornalismo? Dá para fazer uma coisa envolvendo a outra? Games permitem esse tipo de cobertura?
RB: O limite depende da linha editorial. Você pode encarar com humor e informar sem desrespeitar ninguém. Da mesma maneira que pode não existir limite, em alguns casos, ou esse limite pode ser muito restrito, em outros. Acho que esse tabu do “limite” não faz muito sentido. É mais uma questão de honestidade, eu acho. Você pode encarar com humor e informar sem desrespeitar ninguém. Da mesma maneira que pode usar o humor de uma forma idiota e apelativa (como o CQC fez aqui), mesmo que, teoricamente, não esteja “ultrapassando limites”. Games permitem essa cobertura, é claro, e ainda podem ser muito explorados nesse sentido. Você pode fazer uma piada com as tragédias no Japão, com o massacre na escola do Realengo? Pode, não precisam existir limites. Não fizemos nada disso no Freeko porque, sei lá, não calhou, não foi algo que nos mobilizou a ponto de nos incomodar e precisarmos falar alguma coisa. Talvez isso não seja objeto do humor, por melhor que vá ser a sua piada. Num exemplo prático, talvez não falemos do Realengo no Freeko. Mas talvez falemos dos especialistas em porte de arma e dos jornalistas que manjam muito da putaria – por mais que não tenha graça para o resto dos irmãos.

Em curto prazo, médio prazo e longo prazo – quais os objetivos do Freeko?
RB: Curto prazo: renovar os destaques da home, que estão ali faz uns cinco anos, e reforçar nossa parceria de conteúdo com o Gamevicio; Médio: conseguir mais tempo pra trabalhar mais com vídeo, desovando umas ideias que não saem do papel; Longo: consolidar a fama de ser um reduto de meia dúzia de malucos perdedores que tentou fazer desse trecho do nosso mundo um lugar menos babaca e com mais fotos da Paola Oliveira.

***

Nos próximos dias, mais uma Entrevista da Semana com o pessoal de um site novo que também não se leva (muito) a sério: o Lektronik.

Autor: - Categoria(s): Clique Comigo, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
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