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07/04/2011 - 17:22

Quantos videogames existem no Brasil?

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Como vai?

Ando pensando sobre o tal do mercado de games brasileiro. Andam dizendo por aí que 2010 foi ótimo, e que 2011 será ainda melhor. Quem pensa isso? Somente os executivos das empresas que atuam nessa área no Brasil. Vários deles.

Diz-se muito sobre crescimento, progresso, evolução. O ano passado mostrou coisas palpáveis para o consumidor final (lançamento oficial do PS3, preços de games mais “justos”, eventos pipocando pelo Brasil), mas, será que há algo mais para ser percebido além da superfície?

Esses executivos com quem converso dizem que há um longo caminho a ser percorrido no país, mas que muitos problemas já ficaram pra trás. O próximo passo seria a famigerada redução do IPI (imposto sobre produtos industrializados) sobre os consoles de videogame, que hoje (e já faz tempo) está na absurda casa dos 50%. Acredita-se que a questão será resolvida em breve (papeladas sobre o assunto, inclusive, estariam circulando pelas mesas de ministros da presidenta Dilma Rousseff). Com a redução do IPI, o preço final do console cairia, o que levaria a um aumento natural da base instalada de máquinas de última geração no Brasil. Ou seja, na matemática da indústria: videogame mais barato = mais gente comprando e jogando.

Acredito que essa seja a necessidade principal do mercado brasileiro hoje. Mas convenhamos que não será uma redução de preços significativa que fará com que o consumidor deixe de tentar meios alternativos de conseguir seus videogames. Um deles é o tradicional “papai trouxe de Miami”. O outro é comprar o console estrangeiro em pontos comerciais “fora do eixo” – a procedência desses produtos certamente é o Paraguai. Seja qual for a escolha, é impossível dizer que o consumidor está fazendo algo errado ao querer pagar menos.

Falei tudo isso para jogar uma questão interessante em sua mão: você faz ideia da quantidade de consoles de última geração existentes no Brasil? Ou seja, qual é a base instalada de PlayStation 3, Xbox 360 e Wii em nosso país? Dos três, qual é o console número 1 atualmente? Ninguém sabe a resposta exata, mas a indústria especula (números oficiais inexistem, dada a situação peculiar em que vivemos). Cada empresa, aliás, tem seus próprios números. Pelo que notei, há convergências e coincidências entre esses valores. Mas não há senso comum.

Baseado em tudo o que tenho ouvido desses executivos, dá para dizer com alguma certeza o seguinte: no Brasil, há pouco mais de 2 milhões de consoles de última geração, entre PS3, X360 e Wii. A questão para você é: como esses números se dividem?

Vamos pensando nisso. Depois voltaremos a esse tema.

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09/03/2011 - 21:02

Entrevista da Semana: Bill Van Zyll (Nintendo of America)

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Salve, salve. É agora que começa o ano?

Não é marasmo exatamente, mas talvez uma falta de tempo misturada com muito assunto. Essa semana está agitada no mercado nacional (tem Troféu Gameworld na sexta), mas vou tocar em um tema diferente – mas que, no fundo, também tem a ver: o lançamento do Nintendo 3DS no Brasil.

Em janeiro passado, a Nintendo of America organizou um evento de lançamento do novo portátil em Nova York. Estive lá e aproveitei a oportunidade para falar com Bill Van Zyll, responsável pelo mercado latino-americano na Nintendo. A conversa não se limitou ao 3Ds – falamos sobre as recentes investidas da fabricante no Brasil, e, principalmente, das mudanças na organização estrutural do business da empresa (sai a Latamel, entra a Gaming do Brasil – leia mais abaixo e aqui).
Confira a entrevista a seguir e não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: O preço de lançamento do Nintendo 3DS é o mesmo do lançamento do Wii, há quatro anos. Mas se comparado a outras máquinas portáteis recentes, como o iPod Touch [da Apple] o preço é até razoável – isso se levarmos em consideração a quantidade de recursos no aparelho. Você diria que o preço do 3DS é alto por causa da possível concorrência com a Apple?
Bill Van Zyll: A Nintendo fez estudos no mercado norte-americano para compreender qual seria um preço aceitável, baseado no que é o 3DS, nos seus recursos, em tudo o que o produto pode oferecer. O feedback recebido foi que US$ 300 a 400 nos Estados Unidos seria uma faixa de preço razoável. Essa informação foi levada em consideração e, no final, foi decidido que ao invés de ir ao limite máximo, iríamos reduzir para chegar a US$ 250. Novamente, baseado no feedback que escutamos dos consumidores, achamos que é um valor bem razoável, se considerado tudo o que o produto tem a oferecer.

Você acha que o consumidor está ficando mais acostumado a gastar dinheiro com produtos portáteis, uma vez que os aparelhos que mais utilizamos hoje em dia podem ser colocados nos bolsos? Já que estamos mais dependentes desses gadgets, a Nintendo não deveria lançar um produto que não apenas serve para games, mas que também possui os recursos comuns a qualquer celular? A Nintendo está fazendo algo diferente para se manter conectada a esse mercado ou está apenas seguindo seu caminho natural?
BVZ:
Eu acho que é uma combinação das duas coisas. A Nintendo tem hoje uma longa história de jogos portáteis. Como você mencionou, podemos voltar no tempo e pensar no Game Boy, no Game Boy Color, Advance, DS, DS Light, DSi, e agora o 3DS. Sempre existirá uma evolução de nossos consoles portáteis, e ela sempre acontecerá com grande aceitação do público. Acho que é tudo uma combinação de avanços na tecnologia, inovação e criatividade dos desenvolvedores, que conduziram novas experiências dentro dessa evolução.
Agora, a respeito do crescimento, da expansão dessa investida portátil da Nintendo, acho que há diversos fatores que contribuíram para isso. Como você mesmo disse, está havendo uma aceitação muito maior a esses gadgets – as pessoas estão se tornando mais “espertas”, tecnologicamente falando. Se você pensar em tudo o que o 3DS oferece – as três dimensões, as três câmeras, todas as conexões, o giroscópio, o acelerômetro… Imagine como tudo isso seria enlouquecedor alguns anos atrás. Hoje, as pessoas compreendem melhor essas coisas. Por um lado é uma evolução, mas também acho que há um mercado mais amplo, porque a aceitação aos produtos portáteis é maior.
Mas se você avaliar a enorme quantidade de coisas que podem ser feitas, as experiências que você pode ter no 3DS… E é preciso pensar nos games: Nintendogs & Cats, FIFA, Winning Eleven, Resident Evil, Mario Kart… Há uma grande diversidade de títulos. Serão 30 jogos já no lançamento. Isso permite que pessoas diferentes, de diversas faixas etárias, curtam o portátil da mesma forma. Essa maior amplitude de experiências e possibilidades significa que temos uma oportunidade maior de capturar ainda mais pessoas. Então, sim, acho que é uma combinação de fatores.

Mas quais são os principais competidores da Nintendo com o 3DS? Existiria uma tentativa da empresa de capturar os usuários de iPhone e outros portáteis semelhantes? Ou é uma tentativa de atrair pessoas que não estão acostumadas a jogar games em plataformas móveis? Há um alvo específico?
BVZ:
Eu não acho que estamos necessariamente competindo com alguém. A questão é a seguinte: todo mundo é jogador de games em potencial. Afirmo isso baseado nas reações das pessoas quando pegam um 3DS e começam a jogar. Se você visse as caras delas! Nosso objetivo é criar esse tipo de reação, alcançar a maior quantidade de gente que for possível, colocar esse aparelho nas mãos das pessoas, para sentirem a mágica por elas mesmas. O objetivo da Nintendo é colocar sorrisos nas faces da maior quantidade de gente que for possível. E como eu disse antes, é um produto para qualquer idade. Ok, nós não recomendamos a tecnologia 3D para crianças abaixo de seis anos, mas, literalmente, o 3DS é para todo mundo.

E quanto aos efeitos 3D? Vocês estão se preparando de alguma forma com reclamações a respeito disso? Afinal, cada jogador possui sua maneira particular de enxergar os efeitos tridimensionais…
BVZ:
O que eu percebo é que, dependendo do game, é preciso aproximar ou afastar o console dos olhos, e daí ajustar o [botão] “depth finder” antes de cada jogo. O objetivo é encontrar a melhor posição e distância para seus olhos, afinal, cada jogador é diferente. Mas você tem o depth finder, que permite ajustar tudo para o 3D total, ou reduzir todo o efeito e voltar ao 2D. Além disso, a imagem em 2D é fantástica. Não dá nem para comparar com a qualidade que se via nos modelos anteriores. É só uma questão de ajustar o efeito de acordo com suas necessidades e preferências.

O 3DS será lançado no fim de março no resto do mundo. E no Brasil? Quais são os planos específicos sobre preço e chegada às lojas?
BVZ:
Sobre a data de lançamento no Brasil, digo que nosso objetivo é lançar o mais próximo o possível da data norte-americana. Aqui nos Estados Unidos, será em 27 de março. No Brasil, gostaríamos de lançar no mesmo dia. Só teremos que ver como será a logística da importação e o funcionamento das cadeias de distribuição. Mas o objetivo é lançar o mais próximo possível da data dos Estados Unidos.
A respeito do preço: isso tem sido estabelecido de mercado para mercado. Cada país é diferente, a natureza do comercio local é um fator, a quantidade de taxas de importação é outro fator… tudo isso pode afetar o preço no Brasil. E esse valor ainda está sendo determinado nesse momento [a entrevista ocorreu na segunda metade de janeiro].
Sobre a situação do Brasil e o que mais podemos esperar: certamente, esse [o lançamento do 3DS com menus em português] é um enorme passo. Demonstramos com isso o objetivo da Nintendo, que é alcançar e também agradar o consumidor brasileiro. Acho que é um grande avanço, e vamos continuar a procurar outras oportunidades para agradar a esse consumidor.

Os negócios da Nintendo of America agora serão conduzidos por uma empresa chamada Gaming do Brasil. Como isso se deu?
BVZ:
Como você sabe, temos uma relação de longa data com a Latamel, que é nossa distribuidora exclusiva para toda a America Latina. Temos trabalhado com eles há 10 anos. Agora, eles possuem uma subsidiária local chamada Gaming do Brasil. Está estabelecida, com funcionários, e já está fazendo todos os preparativos para realizar as importações do Nintendo 3DS ao Brasil. O que percebemos em outros mercados em que trabalhamos com a Latamel e montamos operações locais é que isso nos permite trabalhar melhor com o varejo e ser mais eficiente, de maneira mais efetiva. Então, pegamos um modelo que foi aplicado no México e Chile e testamos no Brasil. Temos observado que os resultados são muito positivos. Isso nos leva a concluir que é dessa maneira que queremos que aconteça no Brasil. O negócio está a pleno vapor, e esperamos que nossa habilidade de trabalhar mais próximo ao varejista irá resultar em uma melhor experiência de compra no ponto de venda. O objetivo é continuar a desenvolver o mercado de videogames entre nossos parceiros de varejo e é nisso que estaremos trabalhando em conjunto com a equipe da Gaming do Brasil.

Por que demorou tanto para estabelecer um modelo de negócios como esse no Brasil?
BVZ:
Eu diria que no Brasil são duas coisas: uma, estamos construindo nossas experiências. Tentamos esse modelo em outros mercados e aprendemos coisas. E esse aprendizado nos permitiu aplicar essa mudança no Brasil. A outra coisa é que não é que estivéssemos parados sem fazer nada. Nós tentamos diferentes modelos, coisas distintas. Dito isso, o Brasil tem a suas complexidades e desafios particulares, então tentamos coisas diferentes que não deram os resultados que desejamos. Agora, estamos optando por esse caminho alternativo, essa aproximação diferente. Estamos confiantes de que isso irá entregar resultados bem positivos e nos permitirá servir o consumidor brasileiro de uma maneira muito melhor.

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23/10/2010 - 18:33

O Vai-e-vem do mercado brasileiro de games

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Aloha!

Foi só eu sair de férias que as coisas começaram a acontecer no Brasil. Perdi um monte de notícias, mas vou aproveitar as horas livres aqui para retomar o tempo perdido.

***

Milton Beck não é mais o diretor da divisão Xbox da Microsoft Brasil. O executivo, um dos responsáveis pelo lançamento do Xbox 360 no país em 2006, deixou a empresa há algumas semanas e ainda não revelou quais serão seus próximos planos profissionais. Por meio de sua assessoria, a Microsoft Brasil, afirmou que não iria comentar a saída de Beck.

***

O que a Microsoft anunciou, por sua vez, foi a data de sua coletiva de imprensa para revelar suas novidades para o fim do ano. Em 4 de novembro, a fabricante irá falar sobre o lançamento do Kinect e a chegada tão aguardada da rede Xbox Live em território nacional – a qual deverá estar em funcionamento a partir de 10 de novembro. De 2010. Acredita? Só vendo mesmo.

***

A Latamel, responsável pelos movimentos da Nintendo of America por aqui, agora funciona sob outro nome: Gaming do Brasil. A operação também funciona sob o comando de um country manager, cujo nome ainda não foi divulgado oficialmente (mas muita gente já sabe quem é). Semana que vem conto mais sobre isso.

***

O site Kotaku Brasil está em fase de contratação. Até a semana passada, a equipe do portal já havia recebido mais de 200 currículos para apenas três vagas. Os nomes dos profissionais escolhidos serão revelados nos próximos dias.

***

Essa já é relativamente antiga: a Ubisoft não irá mais desenvolver games no Brasil. O escritório de São Paulo será mantido, mas com foco principal em marketing, ainda sob o comando do executivo francês Bertrand Chaverot.

***

E o vai-e-vem continua:

Gerson Sousa, ex-country manager da Sony, agora está na Oelli Brasil, empresa que organizou a feira EGS há alguns anos.

– Um dos mais conhecidos representantes da Level Up! Games no Brasil deixou o cargo recentemente.

– Uma das mais tradicionais revistas de games em atividade no país está com editor novo.

– O portal Arena Turbo está de redator novo: Douglas Pereira, que antigamente escrevia no Blogeek.

***

E na semana que vem a gente continua…

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31/08/2010 - 11:48

Entrevista da Semana: Mark Wentley (Nintendo of America)

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Vamos zerar o assunto e começar de novo? Então vamos.

A Entrevista da Semana do Gamer.br é com Mark Wentley, o gerente de marketing e vendas da Nintendo para a América Latina. A conversa com ele rolou em junho, durante a E3 2010, em Los Angeles, e só está vendo a luz do dia hoje porque o tema discutido não poderia estar mais em voga: a atual situação do mercado brasileiro de games.

Pressionei Wentley sobre as dúvidas que normalmente os leitores endereçam a mim a respeito da Nintendo e da presença da empresa no Brasil. De certa forma, eu já estava me preparando para a matéria que finalizei hoje sobre a indústria nacional, para a edição de setembro da Rolling Stone Brasil (nas bancas em 10/9). Por conta de ter sido feita em junho, não há perguntas a respeito do lançamento do PlayStation 3 no Brasil – mas tenho conhecimento de que a Nintendo raramente cita os concorrentes em suas entrevistas, portanto nem fez tanta diferença assim. Enfim.

A seguir, as palavras de Wentley, o executivo norte-americano que responde pelas ações da Nintendo em nosso país. Leia, comente e passe adiante.

***

Gamer.br: Todo ano eu lhe pergunto o seguinte: o que a Nintendo planeja para o mercado brasileiro nos próximos anos? E o que mudou de 2009 para agora?
Mark Wentley: O que posso lhe dizer: em termos de informações novas,  não tenho nada para dizer nesse momento. Mas o que posso dizer é que para nós, a importância só cresceu. A resposta do mercado só cresceu e nosso interesse pelo Brasil só se torna maior a cada dia. Mas como você bem sabe, e já falamos antes sobre isso, é uma situação das mais complexas dadas o regime político, as complexidades das importações, os impostos, a distribuição é uma situação bem complicada, o que interefere no tempo em que é gasto para se fazer as coisas do jeito correto – e isso demora. Então, nós queremos ter uma presença maior, e há diversas maneiras de fazer negócios no Brasil, mas leva tempo para se fazer as coisas certas. Vamos continuar a estudar e avaliar a situação e queremos estamos estar mais envolvidos com os consumidores e com o mercado no futuro.

Houve reclamações sobre a falta de produtos Nintendo nas lojas brasileiras. Parece que estava difícil encontrar o Wii e o Nintendo DS para vender, assim como os games. O que o consumidor deve fazer para evitar comprar produtos no mercado cinza, ou importar por conta própria? Ou seja, o que o consumidor tradicional precisa fazer para conseguir comprar o produto que deseja?
MW:
Bem, estou um pouco curioso para saber de onde você está tirando essa informação, porque nós estamos vendendo produtos. Enviamos produtos o tempo todo, há Wii disponíveis. Eu estive no Brasil há um tempo, fazendo um acompanhamento do mercado, e havia produtos. Então, não tenho certeza de onde você tirou isso.

Foi uma pesquisa pessoal que fiz – fui a diversas lojas e perguntei a alguns vendedores e consumidores a respeito dos produtos. E o que me disseram é que não está assim tão fácil encontrar Wiis, mas também há diversas lojas online vendendo o console em promoções. Mas por outro lado, você acha que poderia haver mais produtos Nintendo nas lojas? Ou mais material de merchandising, displays, essas coisas?
MW:
Certamente, há espaço para melhorarmos nossa distribuição localmente. Mas, dados o tamanho do país e a complexidade em se colocar os produtos lá dentro, a distribuição se torna é um dos grandes desafios no Brasil. Mas você vai acabar percebendo mais e mais o que estamos fazendo e verá que há sim, produtos disponíveis. É interessante você ter dito isso, porque estou interessado em obter mais informações específicas. Afinal, eu sei que há produtos disponíveis no Brasil.

E o que a Nintendo tem feito especificamente para melhorar sua participação no mercado brasileiro? Por exemplo, vocês checam relatórios mensais com números, essas coisas?
MW:
Como você bem sabe, nós trabalhamos com a Latamel e eles são os responsáveis pela região. Temos uma equipe exclusivamente dedicada ao mercado brasileiro, então certamente nos encontramos com eles e definimos as estratégias. Temos campanhas de marketing, você verá anúncios nas emissoras de TV a cabo, campanhas online, revistas… há bastante suporte nesse sentido. Então nos investimos muito em marketing para lançar os produtos no Brasil, e não faria sentido não ter produtos para vender. Essa parte é extremamente importante e com certeza estamos fazendo, investindo em distribuição, constantemente buscando maneiras de melhorar nesse sentido.

No que diz respeito ao mercado brasileiro, temos uma situação  interessante: os dois principais concorrentes atualmente realizam ações bastante especificas. Temos a Sony lançando o PS2 e talvez o PS3 [a entrevista foi realizada em junho, antes do lançamento do PS3 no Brasil]. Temos a Microsoft lançando games mensalmente e preparando a rede Xbox Live. Aos olhos do consumidor, talvez seja um pouco desapontador que a Nintendo não esteja “pessoalmente” mostrando seu poder em território nacional, uma vez que não há um escritório, como havia antes. O que você tem a dizer para o consumidor brasileiro, que vê a competição se mexendo e presencia a Nintendo “na mesma”?
MW:
Para começar, eu compreendo o que você quer dizer e agradeço por seus comentários. Entendo que os fãs gostariam que a marca estivesse o mais próximo o possível deles. E uma maneira de fazer isso é, conforme você mencionou, ter uma presença direta. Tudo é uma questão de como melhor servir o consumidor brasileiro. Seja ter atendimento especializado, entregar os produtos nas lojas, se comprometer com essas coisas. Então, seja lá qual for a maneira que essa presença ocorrer, com presença direta, ou através de um distribuidor, ou de qualquer outra maneira, o objetivo é sempre o mesmo: nós oferecermos um bom serviço, levarmos os produtos e mostrarmos o “amor”, por assim dizer, ao consumidor brasileiro. É isso que, no fim das contas , eles desejam. Essa é a mensagem que quero passar.  E também digo que estamos procurando por outras alternativas, porque, sabe, é uma situação que está em constante mudança. O Brasil não irá diminuir, não irá se tornar de repente um mercado menor – o país veio para ficar e não para de crescer.

Como a Nintendo enxerga o Brasil nesse momento? Temos eleições presidenciais, o país continua a se destacar como uma força econômica mundial…
MW:
Honestamente, do ponto de vista do business, da economia, eu estou muito impressionado. Porque havia muita incerteza, muita infidelidade no mercado nesse momento, mas no Brasil, as coisas estão correndo incrivelmente bem. Se você olhar do ponto de vista econômico, o país não está apenas gerenciando bem, mas tem ótimas perspectivas para o futuro, no que diz respeito à força de trabalho e os recursos disponíveis. E o potencial que existe nessa força de trabalho, o nível de educação, é realmente impressionante. É por isso que este mercado é muito importante e estamos olhando com muita atenção para o Brasil. É um foco não apenas para a Nintendo, mas para diversas outras indústrias, por conta de seu potencial e seu papel no mundo atualmente.

Há uns anos surgiu a expressão “BRIC”, para designar os países com maior potencial para crescer – Brasil, Rússia, Índia e China. Você acha que essa designação já estaria defasada? Esses países se encontram no mesmo nível atualmente?
MW:
Eu não sou um economista e não estou muito por dentro do R, do I e do C, mas conheço um pouco do B. E o B é um “B” maiúsculo. Vamos definir assim. [risos]

Sei que a Nintendo não fala sobre números, mas você poderia tentar mensurar o tamanho do mercado ocupado pelo Wii e pelo Nintendo DS no Brasil? Quantas pessoas estão jogando seus consoles agora no país?
MW:
É uma ótima pergunta. Honestamente, eu não tenho muita ideia. Um dos desafios que enfrentamos também é a importação paralela. A Nintendo foi uma player dessa indústria e tentou por muito tempo lutar contra a pirataria e a importação paralela e ilegal. Certamente, entender a quantidade de produtos que entra por essas vias é algo impossível. O que eu posso dizer é que o potencial do Brasil é enorme. Neste momento, o México é o nosso maior mercado. Mas, em termos de potencial geral, o Brasil certamente representa o maior potencial que nós temos nesse momento. Mas em termos de quantidade de consoles, nós não temos essa informação.

E em termos de potencial, quão grande é o nosso mercado?
MW:
No meu entendimento, tenho sempre uma conta na cabeça: há hoje por volta de 100 milhões de brasileiros com 18 anos de idade ou menos. Nós sabemos que a juventude é mundialmente focada em tecnologia, especialmente em videogames.  Nós procuramos maneiras de integrar os videogames mais e mais nas vidas dessas pessoas, uma vez que eles já utilizam a tecnologia para se divertir, se informar, se comunicar entre si, ou, simplesmente, fazer isso uma parte integrante da vida. Com 100 milhões de pessoas abaixo de 18 anos, isso nos representa um mercado gigantesco.

Há diferenças entre o consumidor brasileiro e o de outros mercados grandes? O que faz o consumidor brasileiro ser diferente do norte-americano, por exemplo?
MW:
Eu diria a juventude. Eu provavelmente não tenho acesso a todos os dados, mas um que com certeza chama a atenção é a juventude. Mas se você olhar para os demográficos, verá que o fato de o Brasil ser um país jovem é algo muito relevante. Eu não tenho os números aqui de cabeça, mas, por exemplo: se você comparar com outros países da América Latina, verá que a penetração da internet é muito alta. A utilização de computadores domésticos é muito forte e a penetração de computadores com internet também é muito alta. Então, nesse sentido, eu estou bastante empolgado com esse potencial.  Comparado aos outros mercados da América Latina, isso é algo que nos causa grande interesse.

Falando sobre o lançamento de outros produtos Nintendo, como o Nintendo 3DS, quais são os planos para o Brasil?
MW:
Lançaremos o 3DS nos mesmos meses que nos outros países da região. Estamos nos comprometendo a lançar na América Latina – incluindo no Brasil – no mesmo momento em que pretendemos lançar nos Estados Unidos.  Ou seja, a data que definirmos para o lançamento aqui [Estados Unidos] será a mesma que honraremos na América Latina, então você pode esperar ver o produto no Brasil ao mesmo tempo em que o tivermos aqui nos Estados Unidos. E é interessante dizer, especificamente sobre o console: o investimento e o compromisso das empresas desenvolvedoras de jogos têm sido muito alto. Temos literalmente dúzias de empresas conosco, e os games que iremos lançar – FIFA, Pro Evolution Soccer, Resident Evil, The Sims, DJ Hero, Kingdom Hearts… É simplesmente um conjunto incrível de franquias que subiram à bordo e darão suporte ao novo Nintendo 3DS. Estamos muito empolgados com isso. E antes do lançamento, teremos também um período excelente no fim do ano, com Zelda, Donkey Kong, Mario, Metroid, GoldenEye, Golden Sun, Nintendogs, Paper Mario… Uma variedade incrível de títulos, e estamos muito felizes de poder oferecer isso aos consumidores e fãs.

Quando você olha para suas duas concorrentes, você acha que a Nintendo ainda está seguindo um caminho independente em se tratando de tendências e tecnologia? Em 2006, vocês lançaram o Wii, e agora Microsoft e Sony estão tentando basicamente fazer a mesma coisa, mas com tecnologia mais avançada. A Nintendo sempre esteve em seu próprio caminho, mas o que ocorre agora? Eles estão tentando fazer a mesma coisa que a Nintendo, ou seria algo diferente? Ainda há outro caminho a ser seguido ou vocês estão competindo pelo mesmo mercado e consumidores?
MW:
Nós, definitivamente, queremos estar em nosso próprio caminho, para usar a sua analogia. Acho que uma grande prova disso é o lançamento do Nintendo 3DS. Porque pela primeira vez estamos oferecendo um console em que você não precisa de óculos para experimentar o 3D. Você não precisa de um aparelho de televisão caro, e você ainda pode carregar essa experiência com você para todo lugar. Então, nós fundamentalmente acreditamos que este é um divisor de águas.
E em se tratando do Wii, sentimos que este também é um exemplo de como estamos mudando os rumos da conversa, levando a indústria para um caminho totalmente diferente e nunca visto antes. Você mencionou que há diversos controles com sensores de movimentos, que há diversas empresas agora envolvidas com esse tipo de tecnologia: bem, falando sobre o que viemos falar aqui [aponta para o 3DS]: esta é uma nova era pra nós,  e estamos levando tudo para o próximo nível. E as empresas reconhecem isso e estão do nosso lado. Enquanto estivermos pensando no próximo passo, enquanto não estivermos necessariamente preocupados com quantos pixels o game vai ter, ou especificações técnicas, mas, ao invés disso, como podemos criar uma experiência mais interessante. Ou, em como podemos criar a próxima experiência incrível para o consumidor. Aí sim, estaremos bem. É exatamente isso que estamos tentando fazer com o anúncio de hoje sobre o Nintendo 3DS.

Vocês não mencionaram data de lançamento ou o preço do 3DS…
MW:
Não temos essa informação ainda, nem data ou preços, pelo menos por enquanto. O que posso dizer é que estamos comprometidos a lançá-lo pelo menos em uma região, antes do final do ano fiscal, o que significa até março de 2011. Mas só o que podemos falar é que o lançamento será em 2011.

Você acha que o preço dos produtos Nintendo são compatíveis com a atual situação do brasileiro médio? Quer dizer, continua sendo caro comprar um novo videogame no país. Quando Nintendo possuía uma presença “física” no Brasil, me lembro de que os produtos da empresa sempre foram os mais caros do que os outros, muito porque a empresa estava lá oficialmente, fazendo todos os processos legais. Agora, Microsoft e Sony estão vendendo seus produtos oficialmente por lá, e obviamente eles são bastante caros. E o Wii, sob essa perspectiva, se encontra numa outra situação – o bundle do Wii pode ser encontrado por um preço até razoável nas lojas. Como você vê isso?
MW:
Sabe, o preço e todas suas complexidades são um tema completamente diferente. Certamente, os componentes que interferem em um preço são diversos e, mesmo olhando tudo, é difícil dizer qual o preço que um produto terá – como você sabe, há muita flutuação no preço do Wii no Brasil. Parte disso vem do fato de nós mesmos termos baixado o preço do console. Mas temos que lembrar que existe um fator multiplicador no Brasil, por causa de todos os impostos, taxas de importação e esses gastos todos. Respondendo a sua pergunta inicial – o preço. Nós entendemos a situação e queremos oferecer valor, mas é certo que um objetivo nosso é reduzir o preço, para assim oferecermos mais valor por um preço melhor. E esse é um foco que jamais deixaremos de ter. Como eu disse, há partes da cadeia do preço que conseguimos controlar, e em longo prazo a gente consegue fazer algo a respeito disso. Mas há outros componentes que não dá para fazer nada, é simplesmente impossível. A gente não controla as taxas de importação, as regras da Anatel e como eles gerenciam as coisas, então temos que manter foco naquilo que podemos controlar. E esperar pelo melhor e ter fé de que poderemos fazer o melhor possível. É sim, algo que desejamos – diminuir preços e continuar oferecendo produtos de valor. É algo que estamos focados em dar ao consumidor brasileiro.

Você diria que este é o maior desafio que a Nintendo enfrenta hoje no Brasil, ou há outros “inimigos”?
MW:
Bem, há muitas coisas, sabe? Há a instabilidade do mercado. Há a instabilidade nas taxas de câmbio. Mas no fim das contas, é uma questão de focar no que você pode controlar, e não no que você não tem controle nenhum. E nos enlouquece ficar pensando muito nas coisas em que você não pode controlar. Então, a gente não pode controlar as taxas de câmbio. Isso afetaria de alguma forma o preço final do produto? Com certeza. Mas nós não podemos controlar isso. O ideal, portanto, é colocar seu maior esforço em coisas efetivas. Nós poderíamos mexer em como fazemos negócios, ou na distribuição, ou projetar qual seria o efeito imediato se baixássemos os preços, por exemplo. São nessas coisas em que nos mantemos focados.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2010, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , ,
23/08/2010 - 15:06

Videogame é caro no Brasil… mas porque a indústria assim o quer

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E cá estamos de volta. Como foi sua semana?

Quem diria que esse tipo de assunto inflamaria tanto os ânimos?

Confesso que não esperava tamanha resposta – e tantas negativas. Não pensei que estivesse falando alguma inverdade em meu post anterior. Qual foi o problema, na real? As diferentes leituras que as palavras podem ter.

Fique claro, não sou “a favor” de qualquer empresa fabricante de videogames, muito menos sigo as agendas políticas de tais empresas. Também não sou partidário nem favorável aos preços aplicados no Brasil por essas mesmas empresas. Também os acho errados, injustos e inadequados à nossa realidade. E também tenho a impressão de que essas empresas não nos revelam toda a verdade quando se trata de explicar o porquê desses preços cobrados. Será que um dia já o fizeram?

Qual é a novidade nisso tudo? Provavelmente a total maioria das pessoas que passa por aqui pensa da mesma forma. E em meio a tantas opiniões semelhantes, qualquer desvio de discurso acaba sendo considerado uma facada nas costas, ou ainda, uma traição.

Então, reafirmo – não estou assinando embaixo das decisões da Sony, da Microsoft ou da Nintendo. Eu as questiono tanto quanto você. O fato é que minha aproximação com o assunto é a do jornalista que procura compreender sobre o que está falando. Para isso, é preciso apurar, investigar, questionar, entender. E esse tem sido o meu enfoque para com o assunto, assim como o de outros colegas de profissão. Cada profissional trabalha da maneira que lhe parece adequada, e é isso que venho fazendo.

O que pode ter sido mal-interpretado foi a maneira com que eu quis reforçar a única verdade absoluta nessa história toda: o PlayStation 3 custa R$ 1999,00 e nem toda reclamação do mundo fará isso ser diferente nesse momento. Quem for lá na loja da Sony Style em qualquer shopping irá encontrar esse preço. E conforme já mencionei, o valor não vai cair agora, e muito menos tão cedo. E não sou eu quem está falando, mas a própria Sony Brasil. Na entrevista coletiva em que a empresa divulgou o preço, questionei o seguinte a Anderson Gracias, gerente geral da Divisão PlayStation:

Pergunta: “Esse aí é o preço que vocês estão cobrando agora. Mas existe alguma chance do preço do PlayStation 3 cair em breve?”
Resposta: “Então, a intenção obviamente existe. Mas, em um curto prazo, a gente não vê uma possível queda de preço no console. Assim como, por exemplo, no software: a gente lançou [games] e logo conseguimos reduzir os preços. E tem mais por vir. No console – até porque, como falei inicialmente, o preço seria muito maior do que esse -, a gente não vê possibilidade de redução agora. Médio prazo, sim. A gente pode ganhar em logística, em operação, de alguma outra forma, estamos buscando todas as alternativas. Hoje, de R$ 1999 para 1949 já é uma vitória. Para R$ 1899 então, nem se fala. E assim gradativamente a gente vai buscando relações e melhorias nessa relação.”

***

Então, o objetivo de meu texto jamais foi induzir o leitor à conformidade diante da situação. Foi apenas a tentativa de reportar um fato verídico e consumado. Em outras palavras, mais jornalísticas, se me permite, é isso: “Sony Brasil afirma que não irá reduzir preço do PlayStation 3 no curto prazo”. Diante de uma declaração dessas, qualquer protesto me parece inútil – pelo menos, parafraseando a empresa, em curto prazo. Se o preço irá cair, seja esse ano ainda, no início do ano que vem, ou mesmo em novembro, isso só depende da vontade da Sony – seja lá quais razões os motivem para tanto.

***

Agora o outro ponto polêmico da discussão: Videogame não é produto de massa.

Acho que também me faltou tato e detalhamento à colocação. Onde você leu “videogame”, leia “videogames de última geração”. Vejamos.

Por que no Brasil videogame não é produto para as massas? Porque a indústria assim posiciona esse produto no mercado . Não é uma opinião minha simplesmente – me baseio no fato de que nenhum videogame “de ponta” jamais foi lançado no Brasil por um preço acessível. Foi assim com o Atari da Polyvox, com o Master System e o Mega Drive da Tectoy, o Phantom System e os derivados do Nintendinho de diversas empresas; com o Super NES e o N64 da Playtronic (assim como o Game Boy e seus primos); e com o GameCube da Gradiente Entertainment. Nenhum desses consoles, na época de seus lançamentos, apresentou um custo que pudesse ser adquirido sem crises ou reclamações pela classe média (levando em conta as flutuações de câmbio, a situação econômica em cada época, como é definido o conceito de “classe média” etc – você entendeu o ponto). E nem é preciso citar o Xbox 360, lançado em dezembro de 2006 a meros R$ 2999,00.

Quer dizer, é a própria indústria nacional de games – ou as empresas que a formam – que decide que tipo de consumidor terá acesso ao videogame de ponta. E influenciada pelos fatores que todo mundo conhece – a dizer, carga tributária, pirataria, o diabo a quatro etc -, a indústria cobra o que cobra: preços exageradamente altos, fora dos padrões, insanos e impossíveis para a maioria. Porque assim é o jeito que funciona por aqui.

Muita gente veio me confrontar – “você é maluco dizendo que videogame não é produto de massa”. No Brasil, não é mesmo! Mas ey estava me referindo aos novíssimos videogames, e não ao Dynavision, ao Mega Drive ou a PlayStation 2 chipado da Santa Ifigênia. Porque o brasileiro, de modo geral, dá um jeito de ter acesso aos videogames, mesmo que toda uma indústria diga (por linhas tortas) que aquele produto não é indicado para ele. Se o console de nova geração é impossível de ser comprado, não é por isso que ele vai ficar sem jogar. E hoje, você sabe como é fácil conseguir um PS2 contrabandeado e modificado por um preço razoável em qualquer lojinha de esquina.

Realmente, “há um PlayStation 2 em cada canto do Brasil”, confome me disseram mais de uma vez nos comentários do post anterior. Segundo a Sony Brasil, há mais de 4 milhões de PlayStation 2 no País nesse momento (há quem diga que é muito mais do que isso). Imagino que esse número poderia ser muito maior se a “indústria” assim o permitisse. A culpa não é do consumidor brasileiro, que faz o que pode (e o que não deve) para não ficar sem a diversão que lhe é de direito. Querer é poder. Mas isso não quer dizer que os videogames sejam destinados para a massa no Brasil. Não são, mas as pessoas correm atrás. E é por essas e outras que somos um dos países com maior potencial “para dar certo” – nas palavras das próprias empresas que formam a indústria de games.

Será que ficou claro? Se não, a gente pode ir mais fundo. Mas acho que a graça desse tema é não ter solução definitiva. Não há nem um lado muito certo, nem muito errado. É uma discussão sempre válida, pontual, apaixonada e – felizmente (para quem curte uma discussão) -, infindável. E depois ainda há quem discuta a relevância dos videogames…

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17/03/2010 - 18:48

Sony, Nintendo e Microsoft, pela primeira vez em um evento de games brasileiro

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Opa, voltamos.

Estou em Austin, Texas. Sabe onde é?

Aqui está rolando o festival South by Southwest (SXSW para os íntimos). É o evento cultural mais bacana e abrangente dos Estados Unidos na atualidade. Não só porque é super democrático e amigável, mas porque ele não se limita a música. Rola também cinema e, acredite, games.

Na verdade, eles chamam o segmento de “interactive”. Quer dizer, internet e midias sociais entram na jogada. Mas rola games também. Principalmente os casuais – ou alguém diria “independentes”. Muita coisa interessante foi mostrada, como você pode ver aqui. Como bem disse o fulano entrevistado, “South by Southwest is like springbreak for nerds”. Acho que deu para entender. Dê uma olhada no site oficial do evento, que eles explicam melhor o que rolou por aqui.

Pra variar, cheguei atrasado à cidade. A parte interativa terminou ontem. Hoje começa a musical. Ossos do ofício. E a cidade já está tomada por gente tatuada e carregando cases de guitarra por aí.

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Não foi o único evento em que cheguei atrasado. Estava em San Francisco, Calif’ornia, até ontem. E lá, como você bem sabe, rolou a Game Developers Conference (GDC para os íntimos). Terminou na sexta, e foi o dia em que cheguei. Passei raspando e perdi a chance de ver de perto o PlayStation Move, controle sensível ao movimento para o PS3. Quem sabe na E3, em junho…

Mas o fato é que estou em Austin, e se algo interessante se desenrolar, vou tentar reportar aqui.

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Enquanto isso, no Brasil…

A Tambor, editora que publica a revista EGW (ex-EGM) e a Nintendo World, stá anunciando com alarde o conteúdo de seu grande evento de games brasileiro, o Troféu Gameworld.

Você já deve estar sabendo, mas lá vai: é a premiação dos melhores games de 2009, com direito à presença de algumas das principais empresas do segmento. Será no dia 31 de março, no Shopping Frei Caneca, em São Paulo. E o que era para ser apenas uma entrega de troféus se tornou uma feira de games por si só, com entrada aberta e gr’atis ao público a partir de 30/3 (só mesmo a entrega dos prêmios, no dia 31, é exclusiva para convidados). Visite o site oficial e confira as outras atrações, entre elas, a presença física de Nintendo, Microsoft e Sony.

Segundo o André Forastieri, diretor editorial da Tambor e idealizador do Troféu Gameworld, esta é a primeira vez que as três principais fabricantes de consoles irão marcar presença em um evento brasileiro. Com a palavra, o Forasta:

“A participação das três gigantes dos games, juntas pela primeira vez em um evento no Brasil, demonstra a importância do Gameworld 2010, a capacidade de articulação da Tambor e o potencial que o mercado nacional de games representa neste momento. Com a crise internacional, todos os grandes players de internet, tecnologia e games estão vindo para o Brasil com tudo. Ainda bem que a Tambor já passou dos três milhões de usuários mensais, todos fãs de tecnologia e entretenimento. Estávamos aguardando seis mil pessoas nos dois dias, agora esperamos 8 mil…”

Em resumo, Nintendo, Microsoft e Sony mostrarão seus games novos (no caso da ultima, God of War III e Heavy Rain). Todas distribuirão brindes e farão sorteios com o público. E do lado da Nintendo, o evento promete  a presença de Charles Martinet, o dublador do Mario nos games desde 1996. Conheci o cara em uma E3 qualquer, e garanto: ele é um sarro. nem parece de verdade, se é que você me entende.

André Martins, comandante da Tambor, acrescentou: “O evento deste ano é um grande passo para o mercado de games no Brasil, mas que ainda falta muita coisa. As empresas precisam se dedicar mais aos negócios, o mercado anunciante tem que prestar mais atenção neste segmento e a Tambor continuará batalhando por isso. Vamos iniciar uma campanha massiva para redução de impostos, dando mais atenção para o tema na revista, descobrindo com quem devemos reclamar e como, inclusive no próprio evento vamos começar um abaixo assinado por essa redução”.

Recado dado. Estaremos lá. Nos vemos?

E deixa eu correr por aqui que estou atrasado para o rock & roll.

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16/11/2009 - 23:36

Yes, nós temos medalha de ouro. E Zeebo para todos

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E aí, seu fim de semana foi tão agitado quanto o meu? Espero que sim.

Foi tão agitado que nem pude comparecer ao evento promovido pela Nintendo (Latamel) em São Paulo neste domingo de feriado. Falhei, e até tomei um puxão de orelha dos próprios organizadores por não ter comparecido. Quem foi, disse que foi bacana. Para quem quiser saber mais sobre o evento em si e o jogo lá exibido (a saber, o New Super Mario Bros. Wii), leia a resenha escrita pelo hiperativo Gus Lanzetta, que esteve lá e viu tudo com os próprios olhos.

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E você viu essa? O Brasil é campeão mundial de Guitar Hero.

Isso se você considerar o World Cyber Games como o verdadeiro e único campeonato de videogames do planeta. Como não há outro com tanto peso e nome, então podemos dizer que sim, o Brasil tem o melhor jogador do mundo em Guitar Hero: World Tour.

O paulistano Fábio Jardim, codinome caiomenudo13, foi o campeão da modalidade no World Cyber Games 2009, que rolou neste final de semana em Chengdu, China. Após ter passado invicto para a fase eliminatória, Fábio eliminou um inglês e dois norte-americanos para merecer a medalha de ouro. É digno de parabéns o feito, visto que Fábio tem apenas 14 anos e enfrentou caras mais velhos e, teoricamente, mais preparados – se é que, com a globalização, faz alguma diferença o fato de um game ter sido desenvolvido nos Estados Unidos. Não faz, mas digamos que faça.

O Brasil teria ficado em segundo lugar na classificação geral se tivesse ganho mais uma medalha de ouro no game de snooker Carom 3DJean Michel dos Reis Monico, o jeantek, de Vitória (ES), fez valer a tradição brasileira nesse game (o Brasil levou o bronze em 2008, e ouro e bronze em 2007) e alcançou a final. O rapaz de 20 anos acabou perdendo para o representante sul-coreano e ficou com a prata. No total, a delegação brasileira somou duas medalhas e ficou em quarto lugar no geral, atrás de Coréia do Sul. Suécia e Alemanha.

wcg2009
Jean (à esq.) e Fábio, medalhistas no WCG 2009

Vale também ressaltar que os rapazes campeões não trouxeram apenas medalhas da China, mas também grana: Fábio levou um cheque de US$ 7 mil pelo título. Jean, pelo segundo lugar, ganhou US$ 3 mil. Nada mal para um campeonato de joguinhos, não?

Levada em conta a campanha, o saldo da delegação brasileira foi bem positivo: viajaram nove cyberatletas, que competiram em cinco modalidades e trouxeram um ouro e uma prata. É infinitamente melhor do que no ano passado, quando os 17 jogadores brasileiros enviados para Köln (Alemanha) trouxeram apenas uma medalha de bronze.

Imagino que alguém lá na Samsung Brasil deva estar bastante satisfeito neste momento…

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E claro, tem o Zeebo.

O console fabricado pela Tectoy (em parceria com a Qualcomm) finalmente será lançado no restante do Brasil – anteriormente, havia sido colocado à venda apenas no Rio de Janeiro. E a novidade é o novo preço de sugestão ao consumidor: R$ 299 pelo console, com um joystick e dois games já na memória. Jogos exclusivos e com nomes sugestivos como Zeebo Extreme Bóia Cross e Boomerang Sports Queimada poderão ser comprados em breve, diretamente pela rede 3G do Zeebo, por preços a partir de R$ 9,90.

A Tectoy alega que a queda no preço foi garantida graças às vendas do Zeebo também no México: “os componentes passam a ser produzidos em maior escala e por custo menor, o que torna possível a redução do preço do videogame em todo o mundo”, diz o release divulgado para a imprensa. Outra explicação é, ainda conforme o release, “o câmbio estável e o volume de downloads de jogos também permitiram o lançamento em nível nacional por um preço bem menor do que o inicialmente previsto”.

Acredito que algumas reações de veículos da grande imprensa ao preço inicial do console e ao visual dos primeiros games também tenha colaborado para essa significativa redução. Mas isso é só um comentário, quem sou eu para ter certeza de alguma coisa. Vejamos como a máquina se sai no teste das lojas no período de fim de ano. Afinal, o Natal está aí e todo mundo gosta de ganhar presente.

Eu gosto, você gosta?

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E você adorou Modern Warfare 2? Não? Então espero (mesmo) que sua reação não tenha sido semelhante a esta:


Nem vale a pena traduzir ou buscar legendas…

De vez em quando, só de vez em quando, tenho um pouco de medo desse mundo dos games. Mas logo passa e tudo fica bem.

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23/09/2009 - 23:57

Wii fica mais barato. Por enquanto, não no Brasil

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E a Nintendo não se aguentou.

O preço do Wii caiu, enfim. Após quase três anos com o mesmo preço – US$ 249 nos Estados Unidos -, a partir de domingo o console passa a custar US$ 199. A redução é de, faça a conta comigo, 20%. É uma bela queda, ainda que proporcionalmente menor que as reduções executadas recentemente por Sony e Microsoft com suas máquinas, PS3 e Xbox 360 (25%).

O Wii continua, assim, a ser o console de última geração mais “barato” do mercado. E tudo leva a crer que será o console que permanecerá no topo das vendas enquanto esta geração for a vigente. Alguém duvida? A imprensa norte-americana não tem dúvidas.

E a questão que este blog voltado ao mercado brasileiro faz, endereçada não apenas à Nintendo of America, mas também à distribuidora Latamel, é: esses cinquentinha a menos vão ser abatidos do precinho do Wii nas lojas brasileiras?

Poderia, não? Por que mesmo R$ 800, que é o preço mais barato que já encontrei por aí, é salgado. Vamos ver se encontraremos alguma forma de resposta nos próximos dias.

Pelo menos, o jogador de videogame brasileiro é… brasileiro. E não desiste nunca.

Enquanto isso, a Tokyo Game Show vai rolando em Chiba. Mais tarde, falo mais sobre isso.

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03/06/2009 - 13:29

E3 2009: Dia 2 – Encontros e Desencontros

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Saindo para o dia 2 de E3 2009.

A noite de ontem foi da festa da Nintendo of America. Foi boa, mas calminha. Teve show da Natasha Bedingfield uma cantora inglesa cheia de charme e alguma tradição. O Bill Van Zyll da Nintendo me levou ao backstage para conhecer a moça em pessoa – imaginando que, por ser da Rolling Stone, eu iria ficar especialmente lisonjeado. Acho. Foi um “meet and greet” engraçado.

De resto, estava bem calma a celebração. Pelo menos, foi a única das três fabricantes que gastou dinheiro com evento – Sony e Microsoft apertaram bem o cinto esse ano. Já a Activision gastou os tubos em sua festa na segunda-feira, mas até aí, eles estão podendo. É só ver o tamanho do estande deles na E3 para sentir – é do tamanho do estande da Nintendo, praticamente.

Mas o evento da NOA foi mansinho mesmo. Quase não vi gente conhecida – só Alexei Pajinov, criador de Tetris, enchendo a lata com os amigos russos. Já a festa da Nintendo Latin America foi muito mais animada – havia até fila de gente tentando entrar. E foi um lugar bom para confraternizar com os hermanos mexicanos, com o povo da Latamel, os varejistas brasileiros (o pessoal da UZ Games estava lá), os distribuidores (NC Games, idem) e até os futuros investidores (o pessoal da Proximo Games).

No meio da festa, chegou um jornalista mexicano que conheci de E3 passadas:
“Você vai na coletiva da Konami amanhã?”
“Não”, respondi. “Não vou poder.”
“Deveria”, ele disse, com expressão espantada, virando a garrafa de cerveja. “Eles vão mostrar o novo Castlevania! Só que esse não será feito pelo Koji Igarashi”, afirmou, apontando para a própria camiseta, onde se lia algo relacionado a Metal Gear (não lembro, estava escuro). “Me garantiram que o próximo Castlevania é projeto do Kojima!”
“Legal!”, respondi, bebendo um gole de cerveja mexicana Modelo.

Isso é E3. Até quando enchem a cara, as pessoas falam sobre games.

Vou indo, que o dia será longo. Tem até o Miyamoto no meu caminho. E quem sabe o Kojima. Vai saber.

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14/05/2009 - 21:20

Adiamentos, promessas e gameboys

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O anúncio bombástico prometido no início da semana foi adiado.

Peço desculpas por isso. Será na segunda que vem que publicarei a entrevista e a revelação do novo produto a adentrar o mercado brasileiro. Alguns visitantes aqui já sacaram o que é: um novo portal de games, acompanhado de uma revista multiplataforma. Ambos carregam semelhanças em seus nomes e suas equipes. E é o máximo que posso falar hoje. Aguarde a notícia oficial, aqui no Gamer.br.

Mais uma vez, peço desculpas pelo alarme falso.

***

E essa história que o Bill Van Zyll, o cabeça da Nintendo of America para a América Latina, irá visitar solo brasileiro nos próximos dias?

Alguém me disse, mas ninguém me confirmou. Fui tentar apurar com minhas fontes e descobri outra coisa: até ontem, uma porção de executivos estrangeiros da Latamel (a distribuidora oficial da Nintendo no brasil) estavam por aqui, para encontros estratégicos. Um dos temas básicos destas reuniões: a futura atuação da Sony em nosso mercado, e como isso deverá impulsionar a indústria brasileira e até mesmo afetar de alguma forma os negócios da Nintendo por essas bandas.

Seria bom que acontecesse mesmo, não? A Sony fazendo medidas efetivas para movimentar o mercado, que sonho bonito. Há atualmente um imenso contingente a ser explorado no país – milhares de pessoas que não fazem parte do chamado “mercado”, e que adorariam adquirir um PlayStation 2 em dez prestações nas Casas Bahia (se bem que a Sony também tinha a obrigação de aproveitar a enorme janela de oportunidade aberta para o PlayStation 3 neste momento… afinal, a transição do DVD para o BluRay já começou faz tempo).

E é por conta desses milhares de pessoas fora do mercado que o Zeebo da Tectoy também faz todo sentido do mundo. Há espaço. Sobrando aliás, para todo mundo. Só é preciso saber aproveitar. Mas, enquanto isso…

***

… videogame no Brasil permanece sendo assunto de elite.

O apetitoso Nintendo DSi está disponível no mercado brasileiro desde segunda-feira (através da NC Games, em parceria com a Latamel). Até que foi rápido – o aparelho está no mercado norte-americano desde 5 de abril. O preço é outra história: adianta reclamar ainda? R$ 1299. Lá fora, fica a dica, é US$ 170. E agora, como fazer?

É caro, mas eu quero um. Acho que você também

***

E por falar em portátil da Nintendo…

Sexta passada, vacilei (até fui alertado): esqueci de falar sobre o show da banda Gameboys. Meu amigo e colaborador Marcel R. Goto compareceu, assistiu e foi gentil o bastante para escrever um review exclusivo para o Gamer.br:

Eu fui no Game Boys, na sexta. Cara, muito bom!! Se eles encurtassem cada música pra menos de 15 minutos e arranjassem alguém pra escrever o script do que eles falam durante o show, seria melhor que o VGL.

Ah, e os caras do GameBoys tocam muito bem. Chega a ter um certo virtuosismo técnico, até. Mas é que eles cursam música na FASM, talvez fosse de se esperar.

E puseram a ‘One Winged Angel’ no final, arroz de festa total. Ok, é obrigatório tocar Mario e tal, mas FF7 pro ‘grand finale’ já deu, né.

Donkey Kong Country 2 e Toe Jam & Earl foram as melhores partes. Teve improviso e tudo mais.

Mas reforço… deviam encurtar cada música, parecia que não acabava mais depois de um ponto, e tudo bem que são inexperientes nesse ponto de lidar com o público, mas forçaram a barra tentando ser engraçadinhos e descolados.

Acho que é isso. Fiquei realmente impressionado.”

Eu não conseguiria descrever melhor. Valeu, Marcel. O GamerView também fez uma resenha legal, com vídeo e tudo. Deu vontade de ter ido.

E Gameboys, quando fizerem outro show, não esqueçam de nos avisar.

E até amanhã.

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