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08/11/2010 - 19:32

Revistas Edge e Ngamer vão parar de circular

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A notícia já se espalhou como fogo: a editora Europa cancelou hoje duas de suas publicações especializadas em games no Brasil.

As revistas Edge (editada por Fabio Santana e Felipe Azevedo) e a NGamer (por Eduardo Trivella), ambas licenças da editora inglesa Future Publishing, deixam de ser publicadas a partir do próximo mês. Consultados pelo Gamer.br, os representantes da editora Europa preferiram ainda não se pronunciar oficialmente sobre o assunto.

Vale dizer que nenhum dos jornalistas envolvidos ficou sem trabalho: os integrantes das equipes das revistas canceladas já foram remanejados para as outras publicações da editora – no caso, a Dicas e Truques para PlayStation e a Revista Oficial do Xbox. Obviamente, o clima na redação ainda é de desnorteamento, uma vez que a notícia é recente chegou como surpresa.

No total, a Edge durou 18 edições, desde que chegou às bancas, em junho de 2009, em um processo que já havia substituido a revista Gamemaster. Já a NGamer, que foi lançada em julho de 2007 como uma “revista 100% Nintendo”, durou exatas 40 edições.

Na condição de jornalista que formou carreira em revistas de games, só tenho a lamentar. As bancas, os leitores e o mercado sentirão as ausências dessas duas publicações de nível internacional que serviam como palcos de atuação de alguns profissionais da mais alta competência (todos caras com quem já tive o prazer de trabalhar lado a lado). A notícia triste também dá margem a discussões insolúveis que pensei que ficariam afastadas de nossas rotinas pelo menos nos próximos anos: até quando as revistas vão resistir? Ou trata-se de um acontecimento atípico? O mercado editorial vai bem ou não? Alguém continua a comprar as revistas que consumia há cinco, dez anos? Ou apenas novos leitores compram revistas?

Todas essas perguntas são feitas diariamente nas editoras espalhadas pelo país – não apenas as que publicam revistas de games. E acredite, nenhuma delas possui fácil resposta. Enquanto nada muda efetivamente (enquanto houver árvores disponíveis e leitores interessados, pelo menos), vamos seguindo adiante, trabalhando no escuro, torcendo para acertar o alvo, mês após mês. Não é fácil. Mas a gente adora, senão não estaríamos fazendo.

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07/05/2010 - 13:44

Vai-e-vem – quem entra, quem sai, quem vai

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As notícias chegaram essa semana:

* O Gerson Souza, que ocupava o cargo de Country Manager da Sony Computer Entertainment America no Brasil, deixou o cargo há alguns dias. Não foram divulgados os motivos da saída.

* O Glauco Bueno, que estava como diretor de marketing da distribuidora Synergex na América Latina, também deixou o cargo recentemente. A assessoria de imprensa da empresa deve divulgar em breve mais informações.

* O jornalista Jocelyn Auricchio, que era o responsável pelas matérias sobre games no caderno Link do jornal O Estado de S. Paulo, deixou o cargo. Ele agora assina textos no blog de tecnologia Zumo, do Henrique Martin.

* O portal Arena Turbo, que gentilmente hospeda este blog que vos fala, está contratando novos integrantes para sua equipe. Os nomes dos contemplados com as vagas devem ser divulgados nas próximas semanas.

* O game Taikodom, da produtora catarinense Hoplon, deverá ser exibido em nova versão, turbinada e reformulada, durante a E3 2010, que acontece a partir de 15 de junho, em Los Angeles.

* A Proximo Games, rede de lojas que recentemente chegou ao Brasil (com um ponto de vendas em Curitiba), também estará na E3. Segundo Kevin Baqai, CEo da empresa, a Proximo irá oferecer no evento oportunidades de franquia a varejistas já atuantes na América Latina. Alguns funcionários brasileiros que trabalham na Proximo também farão parte da comitiva que vai para Los Angeles.

Mais detalhes devem surgir à medida que informações forem divulgadas.

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18/04/2010 - 16:07

E a Blizzard sopra no Brasil

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Agora sim, dá para dizer que a Blizzard está chegando.

A questão do investimento no Brasil da produtora de World of Warcraft é discutida há muitos anos – se não me engano, eu ainda editava revistas de games quando já se falava nisso. Durante um bom tempo, o discurso foi o mesmo – “O Brasil não é prioridade neste momento”. Ou “Temos que investir no potencial da China primeiro”, diriam veladamente os representantes da empresa lá fora. Parece que a coisa mudou de lá para cá. A fusão entre a Blizzard e Actvision contribuiu, talvez, para acelerar o processo. Desde janeiro de 2009, quando a Activision passou a mostrar a cara por aqui, começamos a ouvir notícias mais concretas sobre o tema. Ao que parece, agora vai (o que exatamente, ninguém sabe ainda). E não dá para esquecer esses três fatores recentes, que aumentaram significativamente a especulação dos fanáticos:

1. Há vagas para brasileiros
Há pouco mais de um mês, a Blizzard começou a oferecer vagas profissionais para brasileiros em seu site. Gerente de desenvolvimento, assessor de imprensa e editor de site foram algumas das oportunidades que surgiram.

Esta última – Web Content Editor – particularmente me pareceu mais interessante. Segundo a descrição da vaga, o candidato ideal é um redator versátil e talentoso que se sente à vontade escrevendo tanto textos técnicos como criativos em português, e que saiba traduzir esse tipo de texto do inglês para o português. Na prática, o contratado funcionará como uma espécie de editor/redator do segmento brasileiro do site da Blizzard. A descrição reitera que o candidato ideal precisa ter conhecimento aprofundado dos games da Blizzard e a habilidade de transformar esse conhecimento em conteúdo para a web.

Parece simples? Há algumas outras exigências, como a fluência nos dois idiomas, habilidades de escrita bilíngue, experiência prévia e conhecimento de ferramentas de web. E eles ainda pedem um texto-teste sobre um game da Blizzard, em inglês e em português. Vale ressaltar que a vaga é para trabalhar em Irvine, na Califórnia. Ou seja, o salário é em dólares. Uau, hein.

Para se inscrever, clique aqui

2. Boatos “oficiais” se espalhando
Se você fosse um cara com tempo livre e metido a engraçadinho, perderia tempo criando um perfil falso no Twitter só para sacanear as pessoas? Provavelmente não. É por isso que imagino que esse perfil Blizzard Brasil seja oficial. E é bastante provável que a partir de terça-feira ele passe a ser atualizado com mais frequência. Por que? Explico no próximo tópico.

3. Viagens para jornalistas brasileiros
A imprensa nacional não está acostumada a regalias, convites e luxos vindos de fora. Por isso, é digno de nota quando uma empresa estrangeira desembolsa dinheiro para transportar jornalistas brasileiros ao exterior. É mais surpreendente ainda quando ela não limita o convite a um único repórter, e decide convocar diversos deles de uma vez só.

Pois então, hoje, domingo, uma porção de profissionais está embarcando para a Califórnia, a convite da própria Blizzard. Ao que consta, eles irão acompanhar, na terça-feira, uma apresentação exclusiva do novíssimo Starcraft II, que deverá ser lançado por aqui inteiramente em português. Quando foi a última vez que uma produtora bancou a ida de tantos jornalistas brasileiros para um evento internacional? Pois então. Alguns dos sortudos são o Claudio Batistuzzo do GamesBrasil, o Théo Azevedo do UOL, o Bruno Vasone do IG, o Felipe Azevedo da Ed. Europa, o Jô Auricchio do Estadão, entre outros. Quer dizer, seja lá o que eles escutem ou vejam lá, você em breve ficará sabendo.

***

E você aí, observador do mercado, sabe de mais alguma coisa que deixei passar? Talvez seja essa a hora de abrir a boca… aproveite o anonimato proporcionado pela internet e divida conosco.

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03/07/2009 - 19:31

Clique Comigo

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Sexta, dia de links. Deu preguiça de escrever eu mesmo as coisas.

O trailer de Gamer, com o Gerard “300” Butler. Para Hollywood, videogame no futuro vai ser assim. Ok.

E a EGM, vai voltar mesmo? Aqui, o Steve Harris, fundador da marca EGM, explica os motivos para ressuscitar a revista nos Estados Unidos.

Flávia Gasi entrevistou o Bispo Silas, da Igreja Internacional – um dos melhores sites de humor da atualidade. Ah, você não achou engraçado? Pois deveria.

O Jô Auricchio, do Estadão, fez uma resenha em vídeo sobre o Z**bo
. Ficou bacana. Pelo menos ele conseguiu testar o negócio.

E tem evento rolando em São Paulo: o Itaú Cultural está abrigando o GamePlay até o fim de agosto, uma exposição sobre interatividade nos jogos eletrônicos. Quem foi, adorou.

E bom final de semana para você.

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04/02/2009 - 18:11

(Não) há vagas

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A seguinte mensagem  está no blog do André Forastieri, diretor editorial da Tambor (editora da EGM Brasil, Nintendo World, entre outras). Reproduzo ela aqui, porque pode lhe ser útil. Quem sabe não é para você?

Quer um emprego?

Procuro jornalista louco por games e tecnologia, que escreva bem, saiba fazer uma pauta, saiba editar, tenha paciência com leitores e internautas, seja fuçador, com fome de bola, que queira conhecer toda a indústria de games, viajar pelo mundo afora etc.

Jornalista é jornalista, fã é fã, lembre.

Não precisa ser jovem nem jornalista profissional, que diploma o quê, fuck that shit. Dentistas desempregados ou seringueiros, quem se importa.

Aliás, se não for homem, estudante de jornalismo, branco e blogueiro, ganha ponto. Tem muitos por aí. O jornalismo nacional de games precisa de um mulher negra. Alguma aí fora?

Quero ver o CV, um texto seu que ficou legal, umas idéias de pauta, e por favor mande uns exemplos de sites de games / tech sensacionais na sua opinião.

Pra trabalhar muito, em São Paulo, na Tambor, e ganhar pouco. Mas se nosso novo projetinho for bem, o potencial, baby, é infinito. Você tem que querer conquistar o universo, naturalmente. 

Mande para o email: andre.forastieri@tambordigital.com.br.

Último prazo: essa sexta!***

 

E por falar nisso…

A Conrad, editora que tinha o Forasta como sócio – e que hoje é do Rogério de Campos – agora faz parte do grupo IBEP/Companhia Editora Nacional. Pelo que consta, a linha editorial e a equipe serão quase todas mantidas (mas algumas demissões rolaram por lá durante o dia de hoje). Atualmente, a editora era especializada em quadrinhos adultos, mangás e literatura política/cultural/subversiva. Até 2005, eles editavam as revistas de games que hoje são da Tambor, entre outras publicações.

A Conrad negociava desde o ano passado com a IBEP, mas também manteve conversas com a Ediouro. O Rogério de Campos continua como diretor editorial nessa nova empresa. Ele também promete voltar a bombar o mercado de mangás e retomar presença nas bancas.

O que essa mudança significa? É esperar o anúncio oficial para ver onde vai dar.

***

E por falar em revistas…

A próxima EGM Brasil (sim, ela continua) chega nas bancas na semana que vem, com duas capas e os últimos vestígios da extinta edição norte-americana – inclusive uma belíssima matéria sobre os 20 anos da publicação lá fora:

    
Halo Wars…                                           … e Street IV

Já a Gamemaster da Editora Europa, que também chega nas bancas na segunda-feira da outra semana (16/2), conseguiu uma bela exclusividade para sua capa:


Killzone 2, do PlayStation 3

E as revistas de games continuam a existir e a fazer sentido em nosso mercado. Será? Até quando? Eis a questão de um milhão.

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04/06/2008 - 17:54

Entrevista da Semana: Bruno Abreu (OuterSpace)

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(Quase) toda semana tem Entrevista da Semana no Gamer.br, e você sabe disso tanto quanto eu (mas só pelo folclore, vou continuar repetindo assim mesmo!) O entrevistado desta vez é o Bruno Abreu, que há quase dez anos é um dos principais caras por trás do portal especializado OuterSpace. Mineiro, econômico nas palavras e cheio de fortes opiniões, Bruno discorreu sobre o mercado nacional e estrangeiro, o futuro do jornalismo de games, pirataria e a guerra dos consoles. Confira o papo e, como você sempre faz, não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: Já faz um bom tempo que você toca o OuterSpace praticamente sozinho. Fale sobre o começo: como você se meteu nessa de jornalismo de games? Seu negócio foi sempre a internet
Bruno Abreu: Na verdade, não estou tocando sozinho. Hoje temos cinco pessoas trabalhando em OuterSpace. Só apareço mais que os outros. Me meti nisso por acidente, pensando em fazer um site com meu sócio, Reinaldo Normand, bem no começo dela, lá pelo final dos anos 90. Game foi a escolha natural, por ser um assunto que sempre gostamos e que, na época, era interessante de ser explorado no Brasil pela falta de sites relacionados ao tema por aqui.
Estávamos empolgados com a internet e queríamos fazer um site. Ele foi feito sem pretensões, mas teve audiência desde o principio e logo atraiu a atenção do UOL, com o qual fechamos nossa primeira parceria. Foi uma oportunidade bem aproveitada e que nos segurou nesse meio até hoje.

E o game surgiu como gosto pessoal, ou seu negócio era com o jornalismo mesmo, não importava o segmento?
Me formei em publicidade e, ironicamente, a época da criação do site foi uma em que pessoalmente eu não estava tão empolgado com games. Foi exatamente na época do lançamento do primeiro PlayStation, que representou um divisor de águas e uma fase pujante do negócio de games. Tanto a internet quanto os games se tornaram negócios mais interessantes a partir desta época.

Foi difícil fazer jornalismo tendo formação publicitária? Ou, na prática, isso não faz diferença pro jornalismo de games?
Não foi. Acredito que grande parte dos bons jornalistas de games do mundo se dispuseram a escrever sobre eles por conta de paixão, e não por ser uma opção viável após se formarem. Antes de tudo, o jornalista de games é um geek, alguém curioso e bem informado sobre o assunto, que consiga não fazer feio diante do escrutínio dos fãs apaixonados de games. Aliás, são esses fãs que postam notícias em fórums e vasculham o mundo atrás de notícias os jornalistas de games mais eficientes dos nossos tempos. Para falar com esse público, portanto, você tem que ter igualmente apaixonado em primeiro lugar, para daí ter uma boa redação, bom senso e todas as outras coisas que se espera de um jornalista.

Você se considera ainda um apaixonado, mesmo após todos esses anos no mercado? Como você compara a indústria hoje com aquela de quando você começou?
Continuo sendo um geek, com a diferença que hoje me interesso mais pelo dinamismo do mercado de games, sobre a performance das empresas, os rumos que elas seguem etc. São assuntos que rendem conversas com os amigos e que gosto muito de acompanhar nos mínimos detalhes. Mas, realmente, já não tenho a mesma disposição para jogar, e nessas horas prefiro um Picross DS a algo como Call of Duty 4.
A indústria de hoje está bem mais profissional, obviamente, embora ainda existam companhias, incluindo alguns nomes grandes, que seguem a mesma filosofia de dez anos atrás. É bom ver GTA IV batendo os recordes entre todas as formas de entretenimento e coisas como o Wii atingindo o “mass market”, mas ainda sinto uma frustração entre as empresas de games por não estarem no mesmo estágio de, por exemplo, a indústria do cinema. Ainda assim, os últimos 10 anos foram os de progresso mais significativo para esse mercado do ponto de vista dos negócios, na minha opinião.

E fazer jornalismo de internet: você acha que o destino das publicações de papel será migrar de uma vez para a rede, e pronto? Revistas estão mesmo com os dias contados?
As revistas podem existir se conseguirem achar um formato editorial que lhes favoreçam mais, como matérias mais profundas. É o que já fazem, de certa forma, mas nem todas conseguiram mudar. Talvez sejam viáveis apenas revistas como a Edge e a Game Informer, uma por ser um caso único de revista que conseguiu atingir um público mais sofisticado, e a outra pelo simples fato de ser ultra popular em um mercado gigante como o americano.

Você trocaria a internet por revista hoje, ou em algum momento passado? Como você diferencia um tipo de jornalismo do outro?
Não trocaria porque me acostumei com a velocidade da internet e também porque é a mídia do momento, ainda mais quando se fala em games. Nunca trabalhei em revistas, embora já tenha colaborado com textos para algumas, mas o jornalismo da internet tende a ser mais descompromissado e mais abrangente – coisas que me agradam também. É interessante ver até que ponto isso vai chegar, ainda mais agora que os próprios leitores podem virar jornalistas, como os exemplos das seções nos portais do Brasil onde eles escrevem notícias e os fóruns de games, de onde vêm as notícias mais frescas. Bom, pra resumir, sou net desde criancinha.

Você acha que o Brasil hoje tem um papel mais importante hoje em dia no cenário mundial, ou está tudo na mesma? Por exemplo, hoje em dia, é mais fácil ou não conseguir alguma coisa com as produtoras estrangeiras, sendo jornalista de um portal especializado brasileiro?
Está a mesma coisa, ou até pior, já que ainda estamos muito restritos ao mercado de PC e este está definhando. Conseguir algo lá fora é difícil, mas não podemos nos queixar. Este é um negócio e o Brasil não é prioridade para eles. Mas, por sorte, temos empresas sérias no Brasil representando os grandes estúdios e há um esforço mútuo de melhorar as coisas por aqui.

A imprensa de games nacional é “chapa-branca”?
Não creio nisso. Já tivemos casos de um publisher se queixar de uma nota baixa em um jogo, mas tudo dentro da normalidade. Não há pressão nem grandes interesses em jogo, talvez por conta do mercado ainda ser pequeno. Muitos temem os fãs entretanto, e há preocupação excessiva em não desapontá-los. Então não é chapa-branca, apenas meio bunda-mole.

Falando sobre mercado brasileiro: a pirataria é o problema ou a solução?
É um problema, e não apenas no Brasil. A democratização dos games não pode depender de pirataria. O preço dos jogos originais no Brasil já está melhor e acredito que sem pirataria, e com mais escala, poderíamos ter preços melhores e lançamentos mais regulares por aqui.

Pelo que você acompanha do mercado, estamos indo bem, estamos lentos ou estamos aquém do que poderíamos?
O Brasil está melhor, mas ainda aquém do potencial que tem. A economia cresceu na última década bem mais que o nosso mercado de games. Temos uma classe média de mais de 80 milhões de pessoas com poder de compra e que já é capaz de adquirir videogames, entre outros bens, portanto só falta tornar o mercado mais atraente para as produtoras de jogos e fabricantes de consoles reduzindo impostos. Há conversas mais consistentes sobre a possibilidade do Playstation 3 vir oficialmente para cá, um passarinho me contou. Caso isso se confirme, ter os três consoles representados oficialmente, ainda que com preços proibitivos, seria algo simbólico, para dar esperança.

O que você ainda não viu acontecer no Brasil e gostaria de ver?
Além dos três principais consoles? Jogos originais fáceis de encontrar e com lançamento simultâneo, mais interesse e seriedade por parte da mídia “mainstream”, Xbox Live, World of Warcraft, jogos localizados e com preços mais realistas, entre outras coisas.

Qual dos três consoles vai ganhar a guerra da nova geração?
O Wii já ganhou. O que resta é saber se Playstation 3 se recupera (2008 tem sido muito bom para a Sony, diferente dos últimos dois anos) e se o Xbox 360 não perde gás prematuramente como aconteceu com seu antecessor.

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: ,
09/05/2008 - 17:55

Entrevista da Semana: Gustavo Petró (Revista GameMaster)

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Eu disse que voltaria, e aqui está: chegou a hora de mais uma Entrevista da Semana no Gamer.br. O escolhido da vez é o Gustavo Petró, o atual editor da GameMaster, publicada pela Editora Europa. Petró, um dos mais conhecidos prodígios do jornalismo especializado nacional, falou sobre o início de sua carreira, os desafios da profissão, a concorrência com a EGM Brasil e tantos outros assuntos (o cara fala muito!). Leia e, como sempre, não deixe de comentar ali no final.

***

Gamer.br: Como você classificaria seu início no mercado de games? Você era um leitor de revistas, bateu na porta de uma editora com a cara e a coragem, pediu oportunidade, e hoje, três anos depois, é editor. Fale um pouco sobre essa trajetória.
Gustavo Petró: É uma longa história. Bom, como todos que estão nessa área, eu gosto muito de videogame. Sempre gostei e acho que sempre vou gostar muito. Gastava todo meu dinheiro em jogos e consoles, levava portáteis para as competições de natação, comprava e lia muitas revistas (esse hábito cultivo até hoje).
Como respirava videogame, virei uma espécie de consultor para os meus amigos lá em Porto Alegre, que me perguntavam que console ou jogo comprar. Cheguei até a ganhar uma graninha por fora fazendo parceria com umas lojinhas. Eu “vendia” para eles e ganhava uma pequena comissão. Então, trabalhar com videogame é um sonho antigo.
Comecei a estudar jornalismo na PUC-RS, mas sem intenção de trabalhar em uma revista ou site especializados. Por isso, metade do meu curso foi voltado ao jornalismo esportivo, tanto que trabalhei na assessoria de imprensa do time do Grêmio. A mudança de foco aconteceu quando eu precisei encontrar um tema para o meu trabalho de conclusão.
Desesperado, comecei a pedir sugestões para todo o mundo. Foi daí que uma guria que trabalhava comigo disse: “Bah, Gustavo. Tu gosta tanto de videogame. Faz um TC sobre isso!”. Foi então que a ficha caiu e fiz um trabalho cujo tema foi “O Papel do Jornalista na Produção de Jogos de Videogame”, tentando “criar” mais um local de trabalho para o jornalista. Após me formar, decidi que eu trabalharia escrevendo sobre videogames, que faria isso da minha vida. Como em Porto Alegre não existe um mercado editorial forte (ou você trabalha para a RBS que é a Globo de lá ou você trabalha em assessoria de imprensa), tive que vir enfrentar São Paulo.

Chegando em São Paulo, o que você fez?
Cheguei aqui em maio de 2005 e logo fui correndo atrás de trabalho. Afinal, eu tinha dinheiro para sobreviver um mês aqui. Em exatos um mês consegui visitar a Conrad que na época publicava a EGM Brasil. Na época, fui lá apenas para visitar e mostrar currículo, essas coisas, mas você me deu um review para fazer para a revista. Não me lembro se ficou bom ou ruim (imagino que não tenha sido dos melhores), mas foi ali que agarrei essa oportunidade e não larguei mais.
Lembro que na Conrad tinha um computador que ninguém usava. E como eu não tinha nada no apê que eu estava. Eu ia para lá todos os dias trabalhar nesse PC. Tentaram me expulsar, mas não conseguiram. Aos poucos, fui ganhando mais textos para fazer para a EGM e nas outras revistas da casa.
O Juneca (Odair Braz Junior) cuidava do Gameworld na época e me passou bastante coisa para fazer. Quando vi, eu já era da casa e estava trabalhando com os caras que eu lia tempos atrás, o que era a conquista de um sonho.
Em março de 2006, eu estava como freela na já Futuro. Mas recebi um convite para trabalhar no caderno de informática da Folha de S. Paulo. Lá, eu escrevi pouco sobre games – mas mesmo meio contra o Rodolfo Lucena, o editor do caderno, eu sempre conseguia escrever alguma notinha -, mas continuei “freelando” para a EGM Brasil, SDP, NW e EGM PC. Foi então que a Editora Europa me fez um convite e eu aceitei. Estou aqui desde novembro de 2006. Comecei como repórter da GameMaster ao lado do Felipe Azevedo e depois com o Humberto Martinez
Aí, surgiu o desafio de ser editor da revista. Como tudo aconteceu rápido demais a meu ver, sei que ainda tenho que comer muito feijão para chegar ao nível dos editores das revistas da casa e da concorrência que está há anos no mercado. Mas estou lutando e estudando para chegar lá.

Você acha que esse “mergulho” corajoso daria certo para todo mundo que tentasse? Onde você acha que acertou?
Acho que o que me ajudou nessa minha caminhada foi a sorte. Sorte de ter chegado na hora e no momento certo. Sempre que alguém vem falar comigo e diz que quer tentar seguir o mesmo caminho que eu, digo que é bom pensar muito bem, pois pode não dar certo. É bom pensar muito bem antes de jogar tudo para o alto, largar família e amigos para tentar a vida em outra cidade. Comigo, tinha tudo para não dar certo. Por isso, acredito que foi a sorte que me colocou onde estou hoje. Mas para conseguir um espaço nesse mercado, não basta só ter a sorte do seu lado. E é aí que acho que acertei. Quando as oportunidades aparecem na sua porta, agarre com todas as forças e sempre faça o melhor trabalho possível.
Além disso, sempre busquei aprender com os mais experientes como você, o Fabão, o Trivas, o Testa, o Mega, o Nelsão, o Humberto, o Sombra, o Bueno, o Guerra, o Théo e muitos outros com quem trabalhei e/ou trabalho hoje.
Outro acerto meu é saber aprender com os erros. Quem está começando nessa área, e até mesmo quem já está calejado nela, está sujeito a errar. Quando isso acontece, é uma oportunidade de aprender e de se tornar um profissional melhor. Por isso, sempre que se recebe um puxão de orelha de um editor, não é para você ficar chateado ou ficar com o ego ferido: use a crítica como aprendizado para continuar para continuar tentando melhorar sempre. Isso é uma regra na minha vida.

Você começou como freela em revista, mais tarde se tornou repórter de jornal, agora está fixo como editor de outra revista. Qual o melhor dos mundos pra trabalhar com games na imprensa nacional?
Bom, daí depende da situação. Para um jornalista recém-formado, é bom ser freela: a grana pode não ser das melhores e a quantidade de trabalho depende do editor, mas é sua vitrine para o mercado. Se você conseguir fazer um bom trabalho, possivelmente se tornará um repórter da revista em si. É bom também porque você aprende faz de tudo da publicação como detonados, notícias, notinhas, tabelas, reviews e previews – e tem que ser assim, todos devem passar por isso.

Mas e a experiência de trabalhar em jornal, você recomenda?
A diferença de ser repórter de revista e de jornal está nos prazos e no estilo da escrita. No caso do caderno de informática da Folha, que é semanal, você tem uma semana para fazer as matérias que devem ser mais diretas. Na revista, as matérias são mais complexas, mas existe mais tempo para se fazer. O editor também escreve bastante, mas ele pega aquela parte mais burocrática de cuidar dos detalhes da revista, de assinar papéis, de pagar colaboradores, de cuidar da capa, dos textos dos outros e etc. Acho que cada tipo de função tem suas vantagens e desvantagens, assim como cada lugar (jornal ou revista). Mas para trabalhar com games, o melhor ainda são as revistas especializadas. No jornal, você tem que escrever para um público que não domina games. Daí, se você fizer um texto do jogo do Mario, por mais conhecido que ele seja, você tem que explicar que ele é o mascote da Nintendo, que já estrelou em X jogos e que foi criado pelo Miyamoto. Na revista você pula essa parte e pode entrar em detalhes mais bacanas que para um público de jornal não seria entendido. Eu gostei de trabalhar nas duas áreas e gosto de fazer reportagens. Gosto de ir atrás, fuçar, pesquisar. Foi assim que fiz matérias que considero bacanas e que acabaram sendo exclusivas como a “Crime nos Games”, que entrevistei o jogador de GunBound que foi seqüestrado na vida real, descobri quem foi o responsável por ter banido Counter-Strike e EverQuest do Brasil entre muitas outras. Eu não gosto do que escrevo, mas acho que essa matéria ficou bem bacana e a busca por documentos e provas foi digna de um César Tralli (o repórter da Globo). Com essa minha gana de sempre tentar descobrir algo novo e exclusivo foi que consegui jogar Street Fighter IV na GDC 08.

Quando você estudava jornalismo, queria se especializar em games. Hoje, você conseguiu. O mercado é o que esperava?
É até mais do que eu esperava. Trabalhar com games e ao lado dos seus ídolos é o sonho de todo o piá. Pelo menos era para mim. Tenho acesso aos jogos antes de serem lançados e respiro videogame o dia todo. É ótimo trabalhar com uma das coisas que mais gosto na vida, até mesmo quando a quantidade de trabalho é insana. Mesmo assim, dá gosto vir todos os dias para a editora ou ficar noites sem dormir fechando revista e tentando fazer o melhor para agradar ao leitor. Eu acho bacana.

E quais são as principais virtudes que um jornalista de games precisa ter no Brasil?
Acho que um jornalista de games tem que saber que ele é igual a qualquer outro jornalista do mercado como da Folha, Estadão ou Globo. Então, como tal, ele deve ir atrás das informações, pesquisar, checar fontes etc. Muitas vezes, ao tentar conseguir uma entrevista eu me sentia inferior à esses caras. Mas não, somos todos iguais. Se você está com uma bomba em mãos, fala o melhor possível para publicá-la com credibilidade, mas nunca deixe de ser humilde. O trabalho do jornalista de games ainda é taxado como brincadeira pelas pessoas. Pode fazer o teste e diga para alguém que você escreve sobre games. A resposta será: “Ah, então tu joga joguinho o tempo todo”. E não é bem assim. Trabalhamos muito e fazemos coisas sérias. Ou alguém viu a imprensa de massa ir atrás de quem entrou com processo no Ministério Público para banir o Counter? Não, pois esse é o nosso trabalho, o trabalho dos jornalistas de games!

Qual é o papel de uma revista de games em um mercado como o brasileiro? A revista ainda é tão relevante quanto no tempo em que você era apenas um leitor?
A revista ainda é importante, como antigamente (e ainda sou leitor). A diferença é que estamos na fase do “tudo de graça” pela internet. Ninguém compra mais nada: jogo, CD, DVD, livro, revista, jornal. Tudo você pega na rede. A diferença que poucos se deram conta é que na internet ficam as notícias, aqueles esquemas que saem num dia e no outro morrem. Esse é o papel dos sites e blogs. Matérias completas, reportagens exclusivas, tudo com um texto bacana e bem trabalhado, são o papel da revista. Ainda, é nas revistas que são anunciados os grandes games, com previews cheios de detalhes. Nisso, a internet só acompanha.
Com isso, acredito que a revista ainda é importante para o mercado brasileiro pois é nela que os jogadores poderão conhecer melhor seus jogos favoritos e se aprofundar nos assuntos que achar relevante. Só não vale escanear as revistas e distribuir de graça, como acontece. Lembro de um editorial da Playboy na qual o editor disse exatamente isso. Você sabe, as fotos das mulheres tão na internet antes da revista chegar às bancas.
Não é assim que o mercado funciona. E para quem diz que as revistas estão no fim, traço um paralelo com a revista Veja: todo o mundo lê notícias na internet a semana toda, mas ninguém deixa de comprar a Veja no sábado. Tanto que ela é uma das revistas mais vendidas do Brasil há anos.

Você edita a GameMaster, uma revista multiplataforma, que concorre com uma revista de marca internacional, que é a EGM (para a qual você já trabalhou). Como funciona para você a concorrência entre as publicações? Como você se prepara?
Eu, o Rômulo Máthei (que trabalha comigo na revista) e toda a redação de games da Editora Europa lutamos todos os meses para tentar fazer sempre o melhor a cada edição. Se você me perguntar qual a melhor edição da GameMaster até hoje, eu respondo que é a próxima. Sempre é e será a próxima edição que você vai fazer.
A concorrência, como todos dizem, é saudável. Claro que eu quero colocar uma jogo exclusivo na capa ou fazer matérias que atraiam os leitores da GameMaster e que pegue os da EGM, mas é um trabalho difícil. Mas estamos no caminho certo. Sou muito amigo do Shaaman [o editor Ricardo Farah] e gosto do trabalho dele na EGM, mas, assim como ele, queremos sempre sair na frente. Vale lembrar que a concorrência é com as revistas e não com os editores.
A preparação vem do que conseguimos com nossos contatos gringos e no Brasil para colocar um jogo na capa, do que lemos nos jornais e nas revistas estrangeiras (ou você acha que eu não leio a EGM americana para tentar descobrir o que sairá na EGM daqui?) e muitas outras coisas.
Para conseguir ter algo bacana em cada edição, é preciso estar antenado em tudo o que acontece no mercado mundial dos videogames. Além do que, não temos o auxilio do conteúdo de uma revista gringa. Aqui fazemos a revista do zero. E o bacana é que já conseguimos muitas coisas legais para colocar na capa, coisas que a GameMaster foi a primeira a publicar.

A pergunta de sempre: quem vai ganhar a guerra da atual geração?
[Risos] Por que todo o mundo quer saber disso, hein? Acho que ao invés de ficar se preocupando com essa guerra, por que a gente não aproveita um monte de jogos bons que apareceram nesses últimos tempos e os que vão sair para se divertir? Vejo nos fóruns um monte de brigas sobre isso e acho que é uma perda de tempo. Vamos jogar games, gente!
O X360 é o favorito dos desenvolvedores. Todos preferem começar a desenvolver seus jogos no console da Microsoft e depois o portam para o PS3 ou Wii. Acho que é aí que o bicho vai pegar. Com o 360 como o queridinho das produtoras, ele tem tudo para ser o campeão ao lado do Wii, que segue por outro caminho. A Sony parece que ainda não sabe o que fazer com o PS3, tanto que na GDC, os desenvolvedores aproveitaram para dar uma zoada no console em cada palestra. Mas eu acho que a Sony não é burra e vai tentar dar uma volta por cima. Mas eles precisam de mais jogos bons, só MGS 4 e GT5 não vão segurar a bronca. Também torço pelo PS3.

Para terminar, diga algo bonito e inspirador aos leitores do Gamer.br.
Acho que se você tem um sonho, não importa no que seja, lute até o final por ele e acredite no seu potencial. É só lutar e ir atrás, pois nada é fácil nessa vida. Quando eu estava começando a treinar natação, um técnico me perguntou qual era o meu maior sonho no esporte. Eu respondi que era ir para as Olimpíadas. Ele me disse que eu jamais iria conseguir isso. Acho que esse evento me desmotivou no esporte, pois não consegui participar de uma competição de alto nível, mas cheguei a ter resultados expressivos a nível nacional. O fato é que para eu conseguir chegar onde eu cheguei, eu ouvi a mesma coisa muitas vezes e de muita gente. A diferença é que eu acreditei, mantive o foco no objetivo e fui à luta. É assim que se deve fazer para conseguir tudo na vida. Lute e acredite!

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18/12/2007 - 16:12

Entrevista da Semana: Ronaldo Testa (Nintendo World)

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Para animar a penúltima semana de 2007, vamos de mais uma Entrevista da Semana. O escolhido desta vez é o Ronaldo Testa, o atual editor da Nintendo World, uma das revistas especializadas mais antigas do mercado brasileiro. Testa, com a franqueza que lhe é peculiar, falou sobre a concorrência que sua revista enfrenta atualmente (com a NGamer), imprensa nacional, pirataria do Wii e outros temas um tanto polêmicos. Leia, e não deixe de comentar no final.

***

Gamer.Br: Você trabalha há muitos anos no mercado editorial de games. Passou pela maioria das editoras de destaque nesse mercado (Abril, Digerati, Conrad/Futuro) e participou de muitas revistas que tem relevância. Resuma o que aconteceu desde que você entrou nessa até hoje. Se o mercado evoluiu, quanto foi?
Ronaldo Testa: O meu começo no mundo editorial de games foi um pouco inusitado. Chegou uma época da minha vida em que eu precisava trabalhar sério, então, eu o Humberto (Martinez, Editora Europa) começamos a ligar para as editoras que faziam revistas de games para entender como funcionava o lance de escrever sobre o assunto. Ele deu mais sorte do que eu, e depois de um tempo começou a colaborar na Ação Games, da Editora Azul. Eu comecei a visita-lo e um dia tomei coragem de pedir para colaborar. O Ivan Cordon e o Ronny Marinoto me ajudaram muito nessa, devo a chance a eles. Isso foi perto do final de 1998, gostei tanto que estou até hoje, e pretendo continuar. Se o mercado evoluiu? Acredito que sim. Hoje as coisas são mais fáceis, se comparadas ao tempo do fotolito e fotos de jogos tiradas direto da televisão. Hoje é mais fácil pegar o telefone e ligar para uma grande produtora/desenvolvedora e tentar uma entrevista exclusiva. O mercado está mais exigente, e… ah… evoluiu sim!

Como o mercado editorial “de papel” pode superar a concorrência quase desleal com a internet? Dá para dizer que as revistas como conhecemos vão acabar logo?
Não acho que as revistas irão acabar logo, mas isso depende, e muito, do modo como são feitas. Na Nintendo World, por exemplo, eu exploro o conteúdo oficial e exclusivo que raramente vai para a internet, como as entrevistas com Miyamoto, Koji Kondo, Eiji Aonuma e com Koji Igarashi agora na edição 108. Além disso, procuro inovar criando seções como a “Comunidade N”, que mostra coisas feitas pelos fãs, musica e mais um monte de coisas que acabam ficando bem diferentes da internet. Algumas pessoas colocam internet e revista no mesmo balde, mas elas são bem diferentes, e a revista, na minha opinião marca mais – vai dizer que você não guarda uma revista aí com uma matéria que você achou fantástica? É diferente de adicionar um site ao favoritos…

Mas há algo a ser dito aos críticos que acham que as revistas de games estão com os dias contados?
Claro que há! Continuem visitando seus sites e sejam felizes. Há mercado para todo mundo, e os sites, que teoricamente destroem as revistas, raramente apresentam uma matéria bem trabalhada visualmente. Sem falar na repetição de notícias e artigos. Continuo apostando nas revistas.

Você trabalha em uma revista exclusiva de uma marca. Quais são as principais diferenças de trabalhar nesse tipo de publicação e em uma revista multiplataforma?
As principais diferenças são também as que mais atrapalham. Acredite você leitor desse blog que há mais desvantagens do que vantagens. Houve uma época em que não podíamos nem citar o nome de um console concorrente nas páginas da revista – não muito na minha época, você deve ter passado por coisas parecidas e conhece bem o rigoroso controle de qualidade da Nintendo. Ainda bem que agora é diferente, dá para falar de “quase tudo”. Na Ação Games, a revista multiplataforma que eu tinha mais liberdade, era mais fácil, dava para falar de qualquer coisa, sem se importar com o que as grandes produtoras e desenvolvedoras iriam falar depois. Mas deve ser por que eu não editava a revista, as buchas sempre sobram para o editor, você sabe, né?

Você dirige uma revista que está há quase 9 anos no mercado e possui seguidores fiéis – no caso, a Nintendo World. Como é lidar com a concorrência da NGamer, que chegou recentemente mostrando qualidade editorial e a participação de diversos profissionais que já passaram pela Nintendo World?
Uma coisa é certa, os caras que fazem a revista são bons! Mega, Trivas e todo o staff que eu conheço, e também os que não tive o prazer de conhecer, estão de parabéns. A grande realidade é que essa é a primeira vez que a Nintendo World tem uma concorrente de peso, mas minha intenção foi sempre jogar limpo e praticar da maneira mais saudável essa concorrência. É bom concorrer com a NGamer, ela me faz querer melhorar cada vez mais a Nintendo World, e tem dado resultado. Quem mais ganha nessa são os jogadores, que podem analisar os dois produtos e comprar o que mais interessar. Eu cuido da minha parte, para que escolham a NW. Já faz uns cinco anos que conheço o Mega (Felipe Azevedo) e uns dois ou mais que conheço o Trivas, e nesse tempo em que eles estão fazendo a NGamer eu dificilmente falo com eles. Mesmo assim já aconteceu de batermos muitas matérias e capas. Isso mostra que queremos o melhor para os leitores – Mega e Trivas, já aviso que não vou facilitar para vocês!

Houve algum tipo de reação natural da Nintendo World diante da concorrência? Existe algo em mente para combater de igual para igual, visto que a NGamer tem mais páginas e uma freqúência maior [é mensal enquanto a NW é bimestral]?
O que eu procuro fazer é aproveitar o máximo possível de material exclusivo da Nintendo Power – mas só aqueles que sei que fazem sentido publicar no Brasil, e também criar matérias diferentes que envolvam a equipe. Outra coisa que faço é ficar bem próximo dos membros do fórum da Nintendo World e da comunidade de Orkut da revista, para ter uma idéia melhor do que os leitores estão esperando.

E por falar na imprensa de games nacional, ela é “chapa-branca” ou pode, em sua maioria, ser celebrada por sua seriedade e integridade?
Tem muita gente na imprensa de games nacional que não vale o que come. Toda vez que esse assunto vem a tona eu fico de cabeça quente, e olha que sou o cara mais calmo do mundo. Quando eu comecei, sempre prestei atençao nos que estão a mais tempo no ramo e tento segui-los sem faltar com o respeito a ninguém. Infelizmente eu conheço pessoas que se acham um Deus, e que aproveitam cada oportunidade que tem para pisar nas pessoas sem se importar com as consequências. Pessoas que falam uma coisa para uns, e distorcem informações para outros só para aparecer na mídia. Para todos vocês (eles sabem quem são): vocês estão se autodestruindo sem perceber, cresçam, sejam mais humildes, e comecem a praticar jornalismo de forma saudável.

E você acha que as empresas de games – seja as locais, seja as só localizadas lá fora – ajudam os jornalistas o suficiente? O suporte que a NOA dá é o bastante?
Não acho, de maneira alguma. A NOA e outras empresas de fora resolvem o básico. Mesmo com o bom relacionamento com o pessoal de lá, é difícil conseguir algo mais eleborado. Não seria bacana levar um leitor para conhecer a Nintendo? Não seria legal se o Myiamoto respondesse meu e-mail em que eu pedia para ele desejar bons games e feliz aniversário aos leitores da NW? A Nintendo é a segunda casa do cara, teoricamente, seria muito fácil de ele ser contactado, mas não acontece. Aqui no Brasil é mais fácil conseguir as coisas, mas mesmo assim, eu cansei de procurar consoles e jogos para testes e receber a resposta: “ainda não temos”. Mas basta umas ligações para descobrir que o produto já está sendo testado em outra editora. As coisas poderiam ser melhores, é verdade, mas é assim, umas vezes conseguimos, outras não.

Pelo que você acompanha do mercado nacional, estamos indo bem, estamos lentos ou estamos aquém do que poderíamos?
Na minha opinião estamos indo bem, e as coisas tem tudo para melhorar. Os jogadores (conheço principalmente os que jogam Nintendo) estão comprando mais jogos originais, e eu acredito que esse foi um dos pontos que fizeram com que caras como Glauco Bueno (Synergex) e Luiz Paredes (Gamers) apostassem no país. É bom saber que teremos uma distribuidora e uma rede de lojas especializadas no que gostamos: games. Acho que o Brasil irá crescer muito nos próximos anos, mas para isso a galera precisa colaborar, e dar preferência para o original.

Diga algo que você ainda não viu acontecer no Brasil e gostaria de ver.
Gostaria de ver consoles e jogos mais baratos, e uma política de importação com taxas adequadas. Não aguento mais ir nas Casas Bahia e ver Nintendo 64 por R$ 500, ou outros consoles de geração anterior por R$ 300 e cacetada. Ah, queria ver todo mundo comprando revista! [Risos]

Já que você tocou no assunto, não dá para deixar de perguntar: a pirataria é o problema ou a solução? Cá entre nós, foi um alívio quando o Wii foi enfim destravado – no ponto de vista de quem faz uma revista da Nintendo?
É um problema que se disfarça de solução. A primeira coisa que se pensa é que o número de pessoas que comprariam o Wii aumentaria bastante, mas esse é um pensamento cego. Só quem sabe o mal que a pirataria faz ao mercado (e não estou falando dos mitos de estragar canhão e essas coisas) é capaz de entender. A conta é simples, muitas empresas grande não olham para o Brasil por conta da pirataria. As coisas seriam mais fáceis para nós sem os pirateiros, que defendem colocando a culpa nos preços absurdos (reflexo da pirataria?) patricados pelas lojas. Não é um problema, é um PROBLEMÃO.

E a guerra da nova geração? O Wii caiu nas graças do mundo. Ele passa o 360 e supera o PS3?
É suspeito eu falar a respeito, mas para mim, sempre esteve na frente. O Wii ofereceu inovação e uma tremenda curiosidade, ao ponto que os seus concorrentes por um bom tempo só apresentaram jogos bonitos cheios de efeitos de luz, som e outras melhorias. Mas eram melhorias.
Agora sim, a guerra está boa. A Nintendo passa por uma fase louvável de grandes lançamentos, o 360 tem jogos magníficos, e o PS3, bem, ainda não senti vontade de comprá-lo. A ordem de compra para mim seria assim: Wii, Xbox 360, e talvez o PS3. Para mim o Wii ganhou, o 360 ganhou em segundo, e o PS3 está perdendo.

Você entrou nesse mercado por seus próprios méritos. Há algum conselho para alguém que quer chegar lá, visto que hoje o mercado esta bem diferente?
Eu sempre procurei entender porque escrever de um jeito, e não de outro, porque agir de um jeito, e não de outro, sempre pensando em não fazer mal a ninguém. Acho que é uma boa idéia tentar aprender com quem já está no ramo a muito tempo e é respeitado por seus trabalhos. Sem falar que um pouco de humildade não faz mal a ninguém. Façam a coisa certa, sem passar por cima de ninguém para atingir seu objetivo. Ah, participe das revistas, jornais ou sites que você gosta. mande sua opinião, crítica e faça de tudo para melhorar. É um jeito mais fácil de se aproximar da equipe e pode render até uma vaga.

E onde você se enxerga no mercado de games nacional daqui uns cinco anos?
Daqui a cinco anos? É difícil dizer, mas se eu não estiver fazendo a Nintendo World #168, vou estar cuidando do meu site, o HardGamer (pode jabá?)… acho que é uma boa. Só quero fazer parte do mercado de games nacional de alguma forma!

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04/12/2007 - 23:53

Entrevista da Semana: Marcel R. Goto (DigiArts)

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Acabou o mistério.

Após muitas semanas atiçando a curiosidade de todo mundo, o Gamer.br revela, com exclusividade, o que há por trás da enigmática frase “uma certa plataforma de jogos, até agora abandonada, irá tremer”.
O responsável pela declaração sabe bem do que está falando. Foi o Marcel R. Goto, figura bastante conhecida – porém discreta – do mercado de games nacional. Ex- editor e colaborador de publicações especializadas, ele saltou “para o outro lado” e trabalhou durante um ano e meio como produtor na Diverbrás, empresa nacional especializada em máquinas de fliperama. Após deixar o cargo, Marcel montou seu próprio estúdio, o DigiArts, com um grande projeto em mente: criar um game musical aos moldes dos sucessos Guitar Hero e Rock Band, com um muito bem-vindo toque nacional e destinado exclusivamente para os tão esquecidos fliperamas. Saiba mais detalhes sobre essa empreitada ambiciosa e sem precedentes na indústria nacional lendo a entrevista a seguir. E não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: Vamos começar pela iniciativa. Você trabalhou na Diverbrás como produtor. Agora, está como produtor independente em um game. Em linhas gerais, como você descreveria seu projeto para alguém que ficou fora de órbita nos últimos dois anos?
Marcel R. Goto: Bom, tem várias maneiras de encarar a situação. Imagino que neste primeiro momento o destaque seja para o jogo musical, mas eu prefiro pensar em termos mais gerais. Estou criando uma produtora que também vai atuar como publisher, distribuidora, pelo menos no segmento de fliperamas. Pretendo lançar pelo menos dois jogos em 2008, um musical, de ritmo, estrelando bandas nacionais, e outro de luta, que na verdade é um projeto favorito que está na minha cabeça desde 2004.

Mas falando sério: mercado de fliperamas tem futuro?
Eu dei uma entrevista para a [revista] Gamemaster na semana passada, e não tenho frase melhor do que a que usei ali: o mercado de fliperamas no Brasil foi abandonado há mais de cinco anos por qualquer vestígio de inteligência e racionalidade. A grande “novidade” são gabinetes com consoles dentro, PS2 e Xbox, ou PCs rodando MAME, ou jogos de dez anos de idade relançados com gabinetes diferentes. Não é preciso ser um gênio pra notar que essa atitude de reciclagem e falta de investimento só deprecia um ramo que já vinha sofrendo com vários baques. Dito isso, a base instalada de estabelecimentos ainda é mais do que suficiente pra acomodar iniciativas de qualidade que as valorizem e tragam o jogador de volta. Meu intuito é atuar nesse nicho. Pelo menos num primeiro momento.

O que causou a decadência do fliperama para o ponto de vista do consumidor? Não escuto mais falar de alguém que seja viciado em um fliperamas e freqüente com regularidade uma loja…
Alguns fatores são óbvios: os consoles alcançaram e ultrapassaram o glamour gráfico dos fliperamas. Depois tivemos a emergência da internet, jogos online, LAN Houses, e, especificamente no Brasil, a flutuação do dólar, que complicam a importação. Nos EUA a situação é parecida, até pior. Mas estive no Japão este ano, para conhecer o mercado lá, e o que vi foi algo bem diferente. Ainda existe o hábito de jogar fliperama, e jogos como Virtua Fighter 5, que nem chegaram perto do Brasil, são um grande sucesso. Os tempos de bonança e lucro fácil se foram há tempos, é um mercado que, hoje, tem que ser cultivado com inteligência e criatividade.

Esboço de personagem do game da DigiArts
Sobre esse novo game musical. Obviamente, a idéia dele surgiu por causa do sucesso de Guitar Hero. Ou a inspiração são os games de dança? Ou os karaokês?
Eu sou fascinado por jogos de ritmo, desde Pump It Up e Guitar Freaks, que veio ainda nos anos 90. Sobre a inspiração… certos jogos acertam de primeira um formato ideal, e os competidores nunca conseguem se desvencilhar totalmente da sombra desse formato. Vide Tetris e Doom, Super Mario Bros..
Meu intuito é me diferenciar pelo conteúdo inédito, músicas de bandas brasileiras, consagradas ou indies, por reinventar certos aspectos da jogabilidade, e por outros detalhes que só posso revelar no começo do ano que vem. Esta entrevista aqui e a da Gamemaster são só pra dar um primeiro recado aos jogadores hardcore, que acompanham de perto a “imprensa especializada”.

Fale mais sobre as músicas. Como está o contato com as bandas para participar do jogo
Muito bons. As bandas estão sendo bastante receptivas, e isso, sim, acho que devo ao sucesso do Guitar Hero. Já as gravadoras, como era de se esperar, são outra história. Tenho anedotas ótimas sobre as negociações que, bem, não posso contar. Mas ainda assim, nada impossível de resolver.

Esboço de personagem do game da DigiArts
O foco de seu jogo está mais nas músicas das paradas, ou nos nomes ainda desconhecidos? Aliás, qual você acha que é a receita ideal, em termos de repertório, para um game deste naipe vingar?
O meu foco está em músicas legais de tocar com os amigos. Acontece que, na maioria das vezes, só conhecemos as músicas legais que estão nas paradas. Mas ando frequentando os barzinhos de São Paulo pra conhecer novas bandas, porque tenho esse lado indie, independente, muito forte. Criei muitas coisas do zero, convenções de anime e mangá, publicações, o próprio estúdio na Diverbrás, então me identifico com essa atitude. E também porque tenho uma veia subversiva meio incontrolável.
A receita ideal… acho que não existe, ou que varia de região pra região, país pra país, e mídia pra mídia. Mas certamente oferecer variedade faz parte dela.

Ah, você está sendo vago demais. Vamos às informações que todos querem saber. Nome do game, data de lançamento estimada, features legais e bandas que devem estar lá!
[Risos] Mas eu só tô dando entrevistas por insistência sua e do [Gustavo] Petró na Gamemaster, não pretendia divulgar nada a esta altura. A propósito, quero que saibam que você tem ajudado um bocado, dando dicas e discutindo idéias no MSN comigo.
A data estimada de lançamento é o primeiro trimestre de 2008, não posso revelar muito mais agora. Mas prometo que, a partir de janeiro, não calo mais a boca.

Nem venha colocar a culpa em mim… só dei uns palpites. Bem, voltando ao assunto: você acha que as pessoas terão chance de jogar o game, uma vez que os espaços destinados aos Arcades andam bem decadentes no Brasil?
Os shoppings ainda são espaços privilegiados nesse sentido, e é claro que as cidades grandes possuem mais estabelecimentos do que as menores. De resto, não há muito o que ser feito neste momento, infelizmente. Vou testar algumas idéias que tive nos últimos meses para a distribuição, espero que dêem resultado.

Que tipo de idéia?
Não quero dar idéias para a concorrência. Mas tem a ver com o que eu falei no começo, investigar o mercado e agir com inteligência.

Você acha que esta sua “saída do armário”, no bom sentido, é um estímulo para outros produtores independentes?
Espero que sim. O aquecimento do mercado favorece toda a comunidade GLS… gamers, lojistas e softhouses, bem-entendido.

Mas e os players já estabelecidos no mercado, como a sua ex-empresa, a Diverbrás: como eles vão reagir a uma iniciativa ousada como a sua?
O mercado anda letárgico, e muito mal aproveitado. Quando foi a última vez que viu algo sobre fliperamas numa revista de games? Espero mostrar caminhos, não bater na tecla da concorrência. Até porque a logística envolvida em criar uma estrutura que concorra com a de outras empresas de grande porte está além do meu alcance e do meu interesse, que é criar jogos.
No caso dos fliperamas, estou cuidando de todo o processo de fabricação, mas não me recusaria a terceirizar isso para alguém que cumprisse as minhas especificações e mantivesse a qualidade.

Esboço de personagem do game da DigiArts
Vamos falar de infraestrutura. Você saiu de uma empresa já estabelecida e resolveu abrir sua empresa, do zero. A maioria dos empreendedores independentes dessa área ou 1. tenta criar um game para PC ou celular; ou 2. tenta entrar de volta no mercado, seja em uma produtora de games para celular, seja em uma distribuidora de MMOGs. ou 3. se torna jornalista especializado. Por que seguir nessa contramão tão difícil? Qual o caminho das pedras? E claro, a pergunta de um milhão: de onde vem o dinheiro?
Eu me considero um sujeito terrivelmente sortudo por ter adquirido naturalmente conhecimentos técnicos e de mercado que me possibilitaram dar esse passo agora. Quando criança, criava meus próprios joguinhos em BASIC, então apesar de não programar mais, posso discutir detalhes técnicos com programadores.
Trabalhei como produtor de eventos e editor, então sei lidar com estrutura, planejar investimentos e gerenciar uma equipe para produzir conteúdo e arte. Acompanho o mercado de games, seja como jogador, colaborador da EGM ou do Estadão, desde a primeira edição da Ação Games, em… 1989?
Finalmente, tive essa experiência profissional de montar um estúdio para criação de jogos, e atuar como produtor e diretor de um projeto. Acho que o salto para criar um estúdio independente é apenas natural. Não acho elegante falar de dinheiro aqui.

Elegante não é. Mas ninguém trabalha só pelo prazer de trabalhar, certo? Ou a máxima não se aplica ao apaixonado mercado de games?
É claro que uma empresa existe para gerar lucro, senão eu faria jogos freeware em DarkBasic. Ok, tirando a parte do DarkBasic, não me oponho a fazer jogos freeware, e, de fato, um dos meus objetivos é eventualmente abrir o código de todos os jogos que produzir. Principalmente os que usarem engines criados aqui mesmo, como é o caso do jogo de luta. Mas o lance é que com um estúdio próprio, e independente, você ganha mais desenvoltura e abre mais possibilidades.
E, de resto, empreendedorismo é o que falta ao país.

Em quanto tempo você espera ver retorno – de qualquer tipo – após finalizar o game?
Uma outra vantagem de ser independente é que o termo tem a ver também com agilidade na tomada de decisões, operação eficiente e enxuta.Espero um retorno relativamente rápido para o investimento.

Opa, chegamos onde eu queria… qual é o investimento para um jogo deste porte? Grana, pessoal, tempo, material de escritório, computadores, cérebros?
O maior capital numa indústria em que os produtos dependem da qualidade da propriedade intelectual é o cérebro. Conhecimento e inteligência. Sem dar valor a isso, e a quem possui isso, o dinheiro e os relógios de ponto são irrelevantes.

Quantos cérebros o acompanham no projeto, além do seu?
Sete. Programador, programador assistente, artista, modelador e animador 3D, produtor musical, produtor executivo, e engenheiro. Esta é a parte da produção interna. A fabricação e distribuição vão envolver outros profissionais, é claro. Ah, e é claro, como em toda start-up, as funções são maleáveis e eu às vezes também sirvo o cafezinho.

Certo, tudo muito bom. Quando você terá algo real para mostrar além dessas imagens conceituais? Telinhas? Os instrumentos? Ou será apenas guitarras e voz? Ou uma enorme máquina com diversos instrumentos interligados?
Janeiro, no site oficial e em beta-testes fechados para a imprensa ou abertos para o público jogar e palpitar. Instrumentos: guitarra, baixo e bateria. Máquina maior que uma bola de basquete, mas menor do que três bois empilhados.

Estamos falando de bois jovens, novilhos? Ou aqueles que ficam à frente dos carros (de boi)?
Aquele boi prototípico que aparece quando você junta de volta todos os cortes, picanha, alcatra, maminha…

Vamos terminar… O que você recomenda a quem quer trabalhar nessa área e não tem conhecimento técnico, como é o seu caso?
Eu tenho conhecimento técnico!

Você me entendeu.
A menos que por isso você entenda só a programação.

Você nao é engenheiro de computação. Você tem conhecimento de jogos, produção e design.
A primeira coisa que me veio à cabeça foi um livro do Will Eisner, Quadrinhos e Arte Sequencial. Foi escrito, se não me engano, nos anos 80, e ele começa dizendo algo como “não existe uma teoria dos quadrinhos ainda”. Fiquei surpreso, porque, a essa altura, já era uma arte e uma indústria quase centenária.
Bom, o mesmo se aplica aos games, neste momento. O importante é fazer, seja como freeware, seja como jogo de web, celular. Depois disso, porque se os jogos são uma forma de arte, o mais importante neles é expressar algo, só depois disso é que vem procurar um modelo econômico que funcione, se a idéia é atuar como profissional, não “apenas” como hobbista.
Respondi a mesma pergunta para a Época, exatamente um ano atrás, e digo de novo: entrar no mercado de games no Brasil significa ser empreendedor, não se fazer de engrenagem para entrar numa máquina já em funcionamento.
Aliás, é claro: falta de conhecimentos técnicos não impede ninguém de fazer jogos. Hoje em dia existem ferramentas tão poderosas que cria-se praticamente qualquer coisa com a mesma dificuldade de se programar um site em HTML.

Daqui um ano, como você acha que estará sua empresa, o mercado, e o seu game?
Espero que o mercado de arcades volte a chamar a atenção e atraia de volta jogadores e investimentos. O game, se tudo der certo, vai ser atualizado com novas músicas e modos de jogo, uma maneira de mantê-lo importante. E com a DigiArts, espero diversificar, tanto dentro do mercado de fliperamas, com novos jogos, quanto atuando em outras plataformas.

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