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24/09/2011 - 19:59

O que é o Brasil dos Games, Parte 9

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Fim de semana, você aí, assistindo ao Rock in Rio pela TV, com preguiça de sair…

Enquanto isso, a despedida do Gamer.br continua. Neste sábado, presença ilustre com a temática BRASIL DOS GAMES. A vez é do Guilherme Gamer, jornalista multimídia, vlogger, responsável por inúmeros projetos de vídeo na internet (e agora na televisão, pela PlayTV). Como a especialidade do cara é essa, a contribuição não poderia vir de outra maneira. Confira o vídeo abaixo, produzido por ele gentilmente para figurar na semana de adeus do Gamer.br. E não deixe de passar para frente e de comentar no final.

***

O que é o Brasil dos Games?

Por Guilherme Gamer*

*Guilherme Gamer (@Guilherme_Gamer) é apresentador do programa GameTV (PlayTV) e do web-programa Gamer Point.

Autor: - Categoria(s): Brasil dos Games, Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , ,
13/09/2011 - 13:25

O que é o Brasil dos Games, Parte 3

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E estamos de volta.

Continuando o clima de homenagens e despedidas do Gamer.br, publico agora um artigo da Bruna Torres, jornalista de Brasília e uma das integrantes do coletivo Girls of War, um dos principais blogs femininos de games do Brasil. O tema não poderia ser outro: BRASIL DOS GAMES. Confira, leia, reflita e não deixe de comentar no final.

***

Brasil dos Games

Por Bruna Torres*

Lembro-me a primeira vez que escutei o termo Jornalismo de Games. Era 2006 e eu estava na faculdade de Jornalismo, faltando apenas um ano para a minha formação. Não entendia muito bem como era feito esse tal de Jornalismo de Games, pois ainda era um termo novo no Brasil e poucos conheciam. Após conversar com vários jornalistas da área, inclusive o Pablo Miyazawa, entendi bem como ele era feito, e como chegava ao público que o buscava. Foi aí que decidi que queria trabalhar com isso também.

Comecei a escrever em revistas especializadas no assunto de games, como a antiga EGM Brasil e a Nintendo World. Foi nesse período que criei com a Carla Rodrigues o Girls of War, blog que temos há três anos, escrito por cinco mulheres gamers. Desde essa época, sempre foi muito comum escrever matérias sobre o mercado de games no mundo, mostrando números de quanto cresceu nos EUA, entrevistando desenvolvedores de fora e franquias famosas que todos queriam jogar.

Mas e sobre o Brasil, o que falávamos? Os assuntos eram dos mais variados sobre o Brasil dos Games. Pirataria, problemas do mercado brasileiro de games, falta de incentivo, altos impostos, e por aí vai a quantidade de dificuldades que deixavam o País com um pé lá atrás neste meio, que seguia engatinhando.

Com o passar dos anos este cenário foi se modificando. Hoje encontramos grandes jogos desenvolvidos por empresas brasileiras, assim como diversos jogos chegando em nosso Brasil totalmente legendado para a nossa língua e até diversos eventos sendo realizados por aqui, muitos nacionais, não só os que vem de fora. Temos também diversas empresas com filiais em solo brasileiro, o que nos dá uma visibilidade maior para o mercado de jogos eletrônicos. E além de tudo isso, os preços dos consoles e jogos caíram bastante.

Nesses quatro anos que escrevo sobre games, percebo muita mudança em relação aos jogos eletrônicos no Brasil. E os jogadores brasileiros também percebem o que o Brasil dos Games alcançou, apesar de ser um curto período de tempo. Muitos dos leitores do blog em que escrevo com as outras garotas comentam sempre sobre isso, especialmente quando toco neste ponto. Quando houve uma recente polêmica sobre a dublagem em português de um jogo famoso, diversos leitores se mostraram indignados e criticaram a ação, mostrando que só porque somos o Brasil, não precisamos ter uma legenda mal feita. Deixaram claro que se é pra fazer, tem que ser bem elaborada, como assim é feita nas versões originais dos jogos. Isso mostra que o jogador brasileiro se preocupa com o mercado aqui e quer vê-lo crescer como uma criança saudável e virar um adulto de sucesso profissional.

Algumas pessoas até criticam, deixam o patriotismo de lado nesses momentos, mas sei que no fundo todos têm certa esperança com o crescimento desse chamado Brasil dos Games que o Pablitcho tanto gosta de levantar a bola. Eu também gosto, tanto que eventualmente escrevo algo no Girls of War sobre o mercado de games brasileiro. O Brasil dos Games ainda cresce e tem um caminho muito longo a percorrer até chegar a ser considerado um mercado que tem grande potencial para os jogos eletrônicos.

Ao que tudo indica, a viagem do País está em andamento. Não rápido, mas também não devagar. É aquele tipo de viagem que você faz parando nos lugares, visitando parentes, fazendo compras e conhecendo cada cantinho. Apesar de devagar, no final sempre chegamos em nosso destino final. E o Brasil dos Games um dia chegará.

*Bruna Torres (@BrunaTorres) é co-fundadora e editora do Girls of War.

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09/09/2011 - 16:59

O que é o Brasil dos Games, Parte 2

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Saudações. Já é sexta-feira.

Continuando a série “BRASIL DOS GAMES”, que celebra os cinco anos e o fim das atividades do Gamer.br, convidei o jornalista especializado Fabio Bracht para discorrer sobre o tema. Gaúcho, pensador e multitarefas, ele é o fundador do finado blog Continue.com.br, além de escrever para o site de tecnologia Gizmodo. Confira o texto dele, concorde ou discorde e comente no final.

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O Brasil dos Games está só esperando um headshot

Por Fabio Bracht*

O Pablo é meio obsessivo com esse assunto, diz aí. Em toda entrevista dele, essa é a pergunta que nunca falta. E não é sem razão. Não sei como ele enxerga a coisa, mas para mim a imagem mental é bem clara.

O Brasil dos games é aquele inimigo escroto no qual você já meteu um monte de bala e sabe que está na rapa do tacho, mas que resolveu buscar cobertura. Ele está lá, você sabe exatamente onde. Você move a retícula para o ponto exato onde sabe que a cabeça dele vai estar quando ele resolver levantar. Quando ele fizer isso, boom, headshot. Mas ele ainda não fez.

Desde que eu comecei o blog Continue, em 2008 (e na verdade desde bem antes), o Brasil é essa potência em potencial, só esperando para deslanchar. Olhamos para o México, enchemos a nossa barrinha de otimismo e, a cada mínima notícia boa, a frase “agora vai” é repetida. Agora vai, agora vai, agora vai. Mas nunca irá, meu amigo.

Nunca irá porque já foi. O mercado de games no Brasil não se teleportou de um estado ruim para o estado ideal — único contexto em que a afirmação “agora foi” poderia ser usada –, mas todas as peças estão no seu lugar, em movimento. O Brasil dos games é o gordinho que ainda pesa bem mais do que deveria, mas está indo na academia todos os dias, com acompanhamento e reeducação alimentar. Ele não está lá ainda, mas, segundo a filosofia da inevitabilidade, já pode se considerar magro. É questão de tempo.

A Microsoft está aqui, a Sony está aqui, a Nintendo está aqui meia boca mas uma hora vai ter que cair dentro, as traduções de jogos estão por aqui, as legendas, o World of Warcraft por quinze reais por mês, os lançamentos de Xbox 360 por menos de cem, o Nathan Drake falando português sem chamar a Elena de rapariga. Já temos estúdios, já temos talentos, e com certeza já existe um grande jogo independente em planejamento ou produção em algum canto do país, sobre o qual nenhum de nós sabe nada a respeito. Se o Jason Rohrer consegue no interior dos Estados Unidos com muito pouca grana, e se o Notch consegue lá no frio da Suécia, certamente há alguém no Brasil que consegue, e esse alguém aparecerá logo.

Perceba que nada disso está ideal. Nem a presença das empresas, nem as localizações, nem os preços, nem a presença dos estúdios, nem a comunidade independente. Mas tudo isso existe, e tudo isso existe ao mesmo tempo, uma coisa validando a outra. Já me chamaram de Polyanna pelo meu otimismo às vezes infundado, e eu não tiro a razão. O otimismo às vezes faz com que o trabalho cesse, e isso não é bom para ninguém. Mas o fato é que, levando tudo isso em consideração, eu não vejo outra direção que não seja para frente.

Boom, headshot. E você nem terá percebido.

*Fabio Bracht (fabiobracht@gmail.com) é editor do Continue e escreve no Gizmodo.

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08/09/2011 - 15:26

O que é o Brasil dos Games, Parte 1

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Eu prometi surpresas nesse mês final de Gamer.br. Vou cumprir.

Convidei amigos e personalidades da indústria nacional para utilizar o espaço a seguir para discussões relevantes. Pedi a todos eles contribuições baseadas no tema “BRASIL DOS GAMES”. E recebi ótimos materiais, que postarei aqui, dia sim, dia não. Tem de tudo – ensaios analíticos, pensatas elaboradas, gente que fugiu do assunto totalmente (mas manteve o sentido)… quem viver, lerá. Prestigie a riqueza de opiniões e opine sempre que tiver algo interessante a acrescentar. Todos ganham com esse debate.

E começamos com o glorioso André Faure, atual senior producer da Aeria Games, com quem trabalhei na Conrad/Futuro (e que já passou por Microsoft e Tectoy).

***

O Brasil dos Games

Por André Faure*

O ano era 1998. Eu acabava de ser contratado pela Microsoft como assistente de uma área pequenina, que mal justificava seus próprios gastos, mas era considerada um dos maiores potenciais da empresa, especialmente no Brasil. O departamento? Games.

Meu primeiro lançamento foi Mechwarrior 4, para PC. Caixona de papelão, manual em inglês, com um folheto de instalação rápida em português. O jogo em inglês, claro. Quem, em sã consciência, localizaria um jogo para um mercado com 99,5% de pirataria? O Brasil dos Games, naquela época, era o Trono do Inferno do mercado de games mundial.


O Inferno de Dante, ou o Mercado Brasileiro de Games na década de 1990. Você escolhe (
Clique para ampliar – Fonte: Revista Mundo Estranho)

Mas, é importante deixar claro que para as pessoas que trabalhavam naquela época, existiria um momento de florescimento onde todo o potencial daquele país jovem que adorava tecnologia recompensaria aqueles que ali investiam.

Treze anos mais tarde, muita coisa aconteceu. Muita coisa mesmo. Graças a uma série de iniciativas ao longo dos anos, uma certa ajuda do cenário internacional, a solidificação do Brasil como uma economia estável e muito trabalho, hoje o Brasil dos Games é outro mundo, bem diferente daquele inferno lá de cima.

Conta aí comigo: as três grandes (Microsoft, Sony e Nintendo) possuem operações oficiais no Brasil; a pirataria recuou (ainda é um problema, mas 99,5%? Nunca mais, bate na madeira); a distribuição digital, com a penetração da banda larga, é uma realidade, assim como o florescimento de Social Games e MMOG (gratuitos ou não); vários publishers já abriram ou estão abrindo escritórios por aqui; jogos em português são uma banalidade; a imprensa de games cresceu e amadureceu, assim como o varejo e a distribuição; este ano vamos ter TRÊS feiras de games; e por aí vai.

Já percorremos um longo (e doloroso) caminho, e citar todos que colaboraram é praticamente impossível, mas vocês sabem quem são. Ainda estamos longe do momento ideal, e fico feliz de dizer que cada vez, mais e mais gente tem colaborado, nas mais diferentes esferas, para que nosso país torne-se um dos grandes mercados mundiais de games, e não somente um alfinete verde no mapa-múndi na entrada das grandes corporações do setor.

Recentemente a Microsoft anunciou games a partir de R$ 129. Vocês ouviram bem? Mais um pouco não vai valer a pena comprar games nos EUA. Parece um sonho, mas não é. Sony e Big N devem vir logo atrás, assim como Valve/Steam, Blizzard e demais pilares de mercado.

Fica aqui a minha conclusão: para se trabalhar no Brasil dos Games de 1998 era necessário excesso de otimismo. Conseguimos, em 2011, que este otimismo se transformasse em ações concretas e maduras. Dá para comemorar? Claro. O trabalho terminou? Estamos longe. Desistir? Jamais.

Para encerrar, fica aqui o meu agradecimento pelo lisonjeiro convite feito para contribuir nessa série de despedida do Gamer.br. Este sempre foi um canal aberto, democrático, feito com amor exatamente para quem ama games. O Pablo é dos amigos que fiz neste mercado, e que acompanhei crescer e acontecer. Se há alguém que tem muito a ensinar a quem está começando agora, é Pablo Miyazawa. Se ao mesmo tempo que fico triste pela partida deste blog essencial ao mercado, tenho certeza que muitos outros virão, porque finalmente chegamos naquele momento onde ignorar o mercado brasileiro de games é mais do que omissão, é simplesmente burrice.

*André Faure (afaure@aeriagames.com) é senior producer da Aeria Games.

Autor: - Categoria(s): Brasil dos Games, Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , ,
05/09/2011 - 18:15

Os Cinco Anos do Gamer.br… e o Fim

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Para começar a semana, uma notícia. Ou melhor, uma comemoração.

O dia 4 de setembro – mais conhecido como ontem – marcou o aniversário de cinco anos de atividades deste Gamer.br.

Parece que foi ontem, mas foi em 2006. Eu havia acabado de me desligar das publicações especializadas, após oito anos na Conrad/Futuro (hoje Tambor) e iniciado um novo desafio, na Rolling Stone brasileira. Quando pensava que os games seriam parte de meu passado remoto (ou apenas de meus horários de lazer), surgiu a oportunidade de escrever sobre o tema na internet. Graças ao convite do IG (e da editora na época, a Renata Honorato), pude abrir uma nova frente de trabalho e continuar atuante no segmento sobre o qual construí toda minha carreira de jornalista. E assim, continuei. Aos trancos e barrancos, nem sempre fazendo justiça à frequência proposta, mas sempre por aqui, tentando manter as antenas ligadas e a relevância. Por incrível que pareça, consegui me aproximar ainda mais desse mercado – mais até do que quando editava revistas de games e convivia diariamente com essas pautas.

Comemorem comigo. Cinco anos não é pouca coisa, e desse período me orgulho demais. Criei uma relação ainda mais sólida com esse segmento, recuperei leitores perdidos, ganhei outros novos, estabeleci certa reputação e acumulei mais acertos do que erros. Não tenho do que reclamar.

E, é claro: tudo o que começa, termina um dia.

Este mês de setembro marca o último de minha parceria com o portal IG. A partir de 1 de outubro, o Gamer.br deixará de existir como você o conhece. Caso eu continue com o blog, será em outro local virtual, sob outra orientação e, possivelmente, com outro nome. O futuro é incerto e está sendo escrito nesse exato momento. Talvez ainda nas próximas semanas eu tenha novidades nesse sentido (conversas acontecem o tempo todo). Mas, para todos os efeitos, setembro de 2011 será o último mês de existência do Gamer.br.

Não tenho nem condições de agradecer a todos que fizeram deste um dos espaços jornalísticos mais pertinentes do mercado nacional de games – amigos, leitores, colegas jornalistas, profissionais das empresas especializadas, integrantes de assessorias de imprensa, pessoas que entrevistei, pessoas que comentaram, pessoas que visitavam, pessoas que continuam visitando, o IG, minha família e todo mundo que divulgou o blog de alguma forma nos últimos cinco anos. Foram experiências gratificantes e especiais, as quais jamais irei desvalorizar. Se você se encaixa em algum dos grupos acima, deixo meu sincero muito obrigado.

Nos próximos dias, o Gamer.br continuará em atividade – e com surpresas. Propus umas ideias a alguns amigos e parceiros, que toparam ajudar. E você verá os frutos dessas conversas aqui nesse endereço, ao longo de setembro. Depois disso, só o tempo irá dizer. Espero ter boas notícias logo.

Por enquanto, é isso. Deixo um abraço e um até logo, não um adeus. E a certeza de que nos veremos muito em breve.

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06/05/2011 - 20:05

Entrevista da Semana: Erik Gustavo, Gus Lanzetta e Heitor de Paola (Lektronik)

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It’s friday, friday…

Passou rápida a semana. Também, após o sábado/domingo mais agitado de todos os tempos, até que os últimos dias foram calmos. Ainda bem. Sou velho, não aguento tanta emoção assim.

Um tema light para encerrar a semana: conversei com a equipe do site Lektronik, recém-inaugurado e já cheio de repercussão entre os (de)formadores de opinião. É um site de games com viés humorístico, mas talvez seja mais do que isso. É bem possível que eles tenham conteúdo por trás de tanta gracinha. Ou talvez seja uma questão de achar ou não engraçado o jeito com que eles tratam o videogame e todo o mercado ao seu redor. É conferir e tirar sua própria opinião (se quiser ir direto ao ponto, vá aqui, aqui ou aqui. E aqui também).

Vale dizer que o Lektronik é uma investida pesada de três caras já conhecidos da nova safra de produtores de conteúdo/faz-tudo dessa geração Y: Gus Lanzetta (que faz de tudo um pouco por aí), Erik Gustavo (conhecido por ser um dos cérebros do programa Badalhoca, com o Ronald Rios) e Heitor de Paola (que dispensa apresentações). Confira o bate-papo (descontraído) e não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: Por que criar mais um site de games? Os que existem não te agradavam?
Gus Lanzetta:
Bom, a decisão de criar um site de games não veio de uma insatisfação como leitor. Veio de uma vontade de ter um lugar para criar conteúdo sobre games sem ter que passar por comitês. Poder criar um conteúdo que me satisfizesse como criador mesmo.
Pra isso, me juntei ao Erik [Gustavo] e ao Heitor [de Paola], que eram caras que tinham expressado vontade de criar um site de games e cujas ideias batiam com as minhas. Acho que nós três formamos um grupo estável: cada um contribui e não há muita redundância. Já sobre os outros sites que tem por aí… Basicamente os outros não tinham a equipe presente no Lektronik, então não agradavam 100%

Quais os diferenciais do Lektronik em relação aos sites que estão por aí?
GL:
Acho que uma coisa importante da nossa atitude que repercute com o público é que a gente sabe que “joguinho é joguinho”. A gente vai falar mais de mercado e das grandes empresas, mas sempre mantendo em foco que o videogame é só mais uma forma de entretenimento. Tanto pra nós quanto pro público.

Erik Gustavo: E a gente é meio engraçado também. Quer dizer, o Heitor é tão sério que dá a volta e fica engraçado.

Por falar nisso, qual é o limite entre humor e jornalismo? Dá para fazer uma coisa envolvendo a outra? Games permitem esse tipo de cobertura?
GL:
A primeira intersecção que eu vejo é na crítica, na hora que é preciso dar opinião. É muito fácil tirar sarro de um jogo ruim, de um evento chato… E só porque é fácil não quer dizer que a gente não vá fazer isso – é claro que a gente vai fazer e, inclusive, já faz (vide a nossa “Diesel Hour”). Se você sabe expor as razões pelas quais algo não te agradou, fazer piada com isso só adiciona ao conjunto, não tira credibilidade. E não é difícil de ver que todo mundo faz piada com esse mercado o tempo inteiro, mesmo nos grandes portais como o iG, o “Games On The Rocks” é pura comédia, mas tem conteúdo jornalístico e um não atrapalha o outro. “Infotenimento”, já dizia o ex-ministro e pai da Preta, Gilberto Gil.

EG: E acima de qualquer coisa, games são pra divertir. Não é isso que dizem, “Videogame é a maior diversão”. Na verdade acho que é “cinema”, mas funcionaria bem.

Os membros do Lektronik (a partir do alto, à esq.): Erik, Gus, Chris e Heitor

Falta algo à cobertura jornalística “séria” do mercado de videogames? O que vocês aconselhariam aos veículos tradicionais, se lhes fosse perguntado?
GL:
A primeira coisa que diria a eles é o quanto cobro pela consultoria. A segunda seria o número da minha conta bancária. Se precisarem, o Erik tem um contato pra fazer nota fiscal e tudo mais. Mas voltando ao assunto, cobertura séria? Não sei a qual você se refere, não conheço. Não sei se minha opinião sobre a cobertura que é feita pra ser chamada de séria tem mudado muito, mas acho que ela sempre estará tentando crescer e o mercado não dá espaço pra isso. Se você quer fazer uma cobertura séria do mercado de games trabalhando no Brasil, vai passar o dia traduzindo sites gringos, fazer umas três entrevistas boas por ano e só vai ter “exclusiva” e “furo” sobre coisas que não importam, tipo o Zeebo. Os profissionais que trabalham nessa imprensa no Brasil são muito melhores do que o trabalho que conseguem realizar.

O Lektronik já está no ar há algumas semanas. Qual é a resposta que os leitores estão dando? Eles compreendem essa linha fina entre notícia e bom humor?
EG:
Acho que é cedo pra dizer, o site está começando agora. Mas é promissor, a gente quer fazer um site com que a pessoa se identifique, porque mais do que gostar do assunto, gosta de quem tá falando sobre ele e como ele tá sendo tratado. E para quem não entender, é aquela velha máxima: piada não se explica.

GL: Pablo, acho que você está falando do Freeko e meus advogados não me deixam falar disso enquanto o processo não estiver terminado. Tenho certeza de que o Renato Bueno não entendeu a piada que eu fiz sobre ele no Freeko e por isso está movendo essa ação. Tudo será esclarecido.

Em curto prazo, médio prazo e longo prazo – quais os objetivos do Lektronik?
EG:
Sucesso, drogas, disco acústico, respectivamente.

GL:
Acho que o Erik disse tudo o que precisava ser dito sobre isso tudo aí. E eu queria terminar agradecendo à revista pela exposição dada ao website. Quando você me ligou pra conseguir essa entrevista eu fiquei hesitante, achei que ficar dando entrevistas só em blogzinhos poderia nos atrapalhar, mas quando você me disse, “não Gus, não se preocupe, vou botar vocês na capa da revista rs” eu me animei… Porque “RS” significa Rolling Stone. Obrigado mesmo, Pablo.

***

Antes de encerrar, só para constar: eu gostei dessa Lara Croft. E você?

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , ,
30/01/2011 - 22:49

Melhores de 2010 – Escolha da Crítica

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E finalmente, cá estão. Antes de janeiro acabar e o ano de 2011 começar de vez…

…concluo a primeira parte da eleição de Melhores de 2010 do Gamer.br.

Publico agora o resultado da escolha da crítica especializada – ou seja, os jornalistas e formadores de opinião desse Brasil. Tenho o orgulho de afirmar que esta votação bate um recorde: foram 88 profissionais consultados (lembro que no ano passado recebi votos de 77 pessoas; em 2008, foram 55; em 2007, 39. Quantos serão em 2011?). São pessoas de todo o país, ligadas a todas as áreas de atuação: revistas, jornais, sites, blogs, além de gente da área do varejo e publishers, teóricos, especialistas e freelancers. Continuo a não ter dúvidas de que é a maior eleição do gênero realizada no Brasil (mesmo com ainda bastante gente se recusando a votar… :)) E os votantes são eles:

ELEITORES GAMER.BR
Akira Suzuki (UOL Jogos)
Andre “Cardoso” Czarnobai (Qualquer)
André Forte (UOL Jogos)
André Gordirro (Preview)
Alberto Alerigi Jr. (Reuters)
Alexei Barros (Hadouken)
Allan André (Ed. Digerati)
Artur Palma (GameTV)
Bruna Torres (Girls of War)
Bruno Abreu (OuterSpace)
Bruno Vasone (Arena Turbo)
Caio Corraini (Arena Turbo)
Caio Teixeira (Arena Turbo)
Carla Rodrigues (Game TV/Girls of War)
Carlos Eduardo Freitas (ex-Trivela e Revista da Semana)
Cido Coelho (NoReset)
Clarice dos Santos (Girls of War)
Cláudio Batistuzzo (Games Brasil)
Cláudio Prandoni (UOL Jogos/Hadouken)
Daniel Galera (Rancho Carne)
Daniel Mello (GameTV)
Darius Roos (TRP 420)
Diego Assis (G1)
Diego Guichard (Zero Hora)
Douglas Pereira (Arena Turbo)
Douglas Vieira (UOL Jogos)
Edson Kimura (Games Brasil)
Emerson Facunte (Saraiva)
Eric Araki (Level Up! Games)
Erico Borgo (Omelete)
Erik Gustavo (Badalhoca)
Ewandro Schenkel (Gazeta do Povo)
Fabio Bracht (Continue)
Fabio Santana (Ed. Europa)
Fabio Yabu (Princesas do Mar)
Felipe Vinha (Final Boss)
Fernando Mucioli (Kotaku Brasil)
Fernando Souza Filho (EGW)
Flávia Gasi (GGBR)
Flavio Croffi (Games Brasil)
Gabriel Morato (Pixaleted Life Bitmaps)
Gilsomar Livramento (Ed. Europa)
Gustavo Hitzschky (Kotaku Brasil, Hadouken)
Gustavo Petró (G1)
Gustavo Lanzetta (WebGus/Freeko)
Heitor de Paola (Gamerview)
Henrique Minatogawa (Ed. Digerati)
Henrique Sampaio (Arena Turbo)
Humberto Martinez (Ed. Europa)
Jefferson Kayo (GameTV)
Jocelyn Auricchio (Zumo)
Jones Rossi (Veja.com)
José Mauro Trevisan (Laboratório do Dr. Careca)
Juliano Barreto (INFO Exame)
Leandro “Sombra” Rodrigues (Ed. Europa)
Leopoldo Godoy (G1)
Lucas Patrício (EGW)
Luis Andion (EGW/Nintendo World)
Luiz Siqueira (Ed. Europa)
Marcus Oliveira (Kotaku Brasil)
Marcel R. Goto (DigiArts)
Marcelo Daniel (Freeko)
Nelson Alves Jr. (Ed. Europa)
Odir Brandão (SKY7)
Orlando Ortiz (SKY7)
Pablo Miyazawa (Rolling Stone/Gamer.br)
Pablo Raphael (UOL Jogos)
Paula Romano (EGW/MSN)
Paulo Terron (Rolling Stone/With Lasers!)
Pedro Giglio (Arena Turbo)
Renato Siqueira (Games Brasil)
Renata Honorato (The Game Girl)
Renato Bueno (Kotaku Brasil/Freeko)
Renato Viliegas (Destak/Diário de São Paulo)
Ricardo Farah (SKY7)
Rodrigo Guerra (UOL Jogos)
Rodrigo Salem (Shuffle Pop/GQ)
Rodolfo Braz (Vírgula)
Ronaldo Testa (Vírgula/HardGamer)
Spencer Stacchi (EGW)
Suzana Bueno (Zeebo Interactive Studios)
Théo Azevedo (UOL Jogos/Folha de S. Paulo)
Thiago Borbolla (Judão/MTV)
Thiago Simões (Jovem Pan)
Vinicios Duarte (GamerView)
Vinicius Lima (GameTV)
Vivi Werneck (Girls of War)
Wanderley Scarpignato (Banana Games)

(Eleitores, se errei alguma informação, me desculpem, me avisem e eu corrijo. Valeu!)

Funcionou assim: contabilizei os votos recebidos usando a seguinte metodologia: 5 pontos para cada vez que o game é citado em primeiro lugar; 3 pontos para o segundo; 1 ponto para o terceiro. Fazendo as contas, cheguei ao resultado a seguir.

A metodologia, para você não chiar, foi inventada por mim: algumas vezes um game com menos citações ficou à frente na classificação de outro mais lembrado. Isso aconteceu por causa da pontuação. Há também casos em que houve empate na pontuação e na quantidade de citações. Retomo também o argumento de que a lista não possui pretensões científicas, logo não cabem reclamações posteriores.

Aqui estão, mais do que nunca, os 21 melhores games de 2010, segundo a nata da imprensa especializada brasileira:

1. Red Dead Redemption

X360, PS3 / Rockstar – 55 citações

O "GTA no Faroeste" se mostrou muito mais do que um mero GTA no Faroeste e conquistou o primeiro lugar por seus próprios méritos. Claro, a jogabilidade perfeita e o roteiro instigante também ajudaram bastante, mas isso parece inevitável em se tratando de Rockstar. E que venha L.A. Noire, que já demorou muito para o meu gosto


2. God of War III

PlayStation 3 / Sony – 27 citações

Kratos é um dos personagens mais interessantes dos games, em um momento de transição em que heróis carismáticos são substituídos por protagonistas genéricos e sem muito carisma. God of War é o que é muito por causa do apelo de Kratos. Não que o game não tenha merecido tantos aplausos: GOW III foi o game indispensável do PS3 em 2010


3. Mass Effect 2

X360, PC / Bioware – 18 citações

A já mítica Bioware fez mágica e conquistou fãs eternos com o primeiro Mass Effect. Em Mass Effect 2, superaram tudo e melhoraram o que já parecia perfeito. É provável que quem deu chance a esse game não teve tempo de jogar outra coisa em 2010


4. Super Mario Galaxy 2

Wii / Nintendo – 16 citações

O Wii ficou para trás na guerra dos consoles adultos, mas velhos fanáticos não se esquecem facilmente dos velhos amigos. É difícil imaginar um mercado de games sem a presença do Mario - a Nintendo não irá abrir mão disso, muito menos seus fãs devotos


5. Call of Duty: Black Ops

PS3, X360, PC / Activision – 11 citações

Black Ops não fez o mesmo barulho que seu antecessor, Modern Warfare 2, mas não foi esquecido. Mas o game serviu para confirmar a onipresença da franquia Call of Duty, que parece não ter concorrência atualmente. E qual será a polêmica desse ano?


6. StarCraft II: Wings of Liberty

PC / Blizzard – 14 citações

Games para PC resistem bravamente, mesmo diante do domínio dos consoles. StarCraft 2 garantiu lugar na mídia graças ao lançamento que ganhou no Brasil, com preço justo e novo modelo de negócio. Resta saber se irá durar tanto quanto o primeiro StarCraft


7. Donkey Kong Country Returns

Wii / Nintendo – 9 citações

Outro belo retorno de personagem esquecido - Donkey Kong ficou tempo demais longe dos papéis principais, e os fãs chiaram. Resta saber se continuará a ganhar papéis de destaque nos próximos consoles da Nintendo ou se retornará ao segundo escalão


8. Assassin’s Creed: Brotherhood

X360, PS3 / Ubisoft – 8 citações

Outra franquia recente que deu certo. Aliás, duvido que a Ubisoft irá parar de explorar Assassin's Creed tão cedo (e não ouço ninguém chiando). Pelo menos, são nesses games que a empresa evidencia a habilidade de criar universos belos e instigantes


9. Gran Turismo 5

PlayStation 3 / Sony – 7 citações

O que parecia impossível de acontecer, aconteceu: saiu o novo Gran Turismo. Apesar de as altas expectativas, nem todo mundo se sentiu bem atendido, mas fica evidente que é outra franquia eterna que jamais ficará de fora de nenhum console da Sony


10. Halo Reach

Xbox 360 / Microsoft – 8 citações

Já falei como 2010 foi o ano das franquias? Pois é. E aos poucos, os brasileiros passam a compreender porque Halo é tão amado nos Estados Unidos. Será que ainda sai mais suco dessa história? Só se for um filme, o qual aliás já demorou tempo demais para sair

Menções honrosas (games também citados):

11. Need for Speed: Hot Pursuit – PC, X36o, PS3, Wii / Electronic Arts

12. Limbo – Xbox 360 /  PlayDead

13. Heavy Rain – PlayStation 3 / Sony

14. Castlevania: Lords of Shadow – PS3, X360 / Konami

15. Bayonetta – PS3, X360 / Sega

16. Dragon Quest IX: Sentinels of the Starry Skies – Nintendo DS /Nintendo/SquareEnix

17. Scott Pilgrim vs. The World: The Game – X360, PS3 / Ubisoft

18. Pro Evolution Soccer 2011 – X360, PS3, Wii, PC / Konami

18. Fallout: New Vegas – X360, PS3, PC / Bethesda

20. Super Street Fighter IV – X360, PS3 / Capcom

21. Bioshock 2 – X360, PS3, PC / 2K Games

***

Considerações? Faça abaixo. E amanhã, o resultado da eleição do público. Será que os resultados bateram? Eu acredito que foi parecido. Mas vou contabilizar para ter certeza. Até lá.

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13/01/2011 - 16:28

Revistas de games: o que o futuro reserva?

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Continuando a retrospectiva 2010 (acabou de acabar, mas ainda dá tempo), resolvi matutar a respeito de um tema que sempre dá pano para a manga: revistas de games.

Não foi exatamente o melhor ano do mundo para as publicações segmentadas de papel no Brasil. Revistas foram descontinuadas, equipes foram desfeitas e o veículo propriamente dito perdeu em status e relevância entre consumidores que se diziam fiéis. Tendência ou coincidência? Seja como for, não há melhor hora para se discutir o papel (literal) e a função atual da revista de videogame.

No final do ano passado, fui atrás dos três responsáveis pelas principais revistas disponíveis nas bancas brasileiras: André Forastieri, diretor editorial da Tambor, que publica a EGW e a Nintendo World; Luiz Siqueira, diretor na editora Europa, responsável pela Dicas e Truques para Playstation e a Revista Oficial do Xbox; e Allan André, editor-chefe na Digerati, que faz a X360 e a PS3W. Cada um, a sua maneira, respondeu à questão simples e capciosa:

“Revistas de games (aqui e lá fora) – como foi 2010, e o que o futuro próximo reserva?”

A seguir, as opiniões dos especialistas. É para pensar e discutir.

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Por André Forastieri, diretor da Tambor

O que é uma revista? É um ponto de vista sobre um tema; um conjunto de soluções para um segmento econômico; uma comunidade onde você se sente bem; uma marca com a qual você tem uma relação emocional.
Isso é o passado, presente e futuro da revista. Mas daqui para frente, entendo que a revista deve tentar oferecer o mais amplo leque de serviços, nas duas pontas – para o consumidor e para o anunciante, buscando o justo (e difícil) equilíbrio. Por isso não acredito que simplesmente transferir uma revista em papel (mais alguns links) para o iPad é a solução de tudo. Embora a experiência da EGM – revista em papel mensal, na web semanal, e agora para tablet – eu venha acompanhando atentamente.

Eu acho que uma revista de games deve informar, criticar, provocar, refletir. E deve oferecer venda de games e acessórios e downloads digitais. E deve oferecer games free to play. E deve ter fóruns. E deve ter programa em vídeo, e podcast, e eventos. E pode oferecer cursos online. E deve promover eventos fantásticos. E deve oferecer aos desenvolvedores, publishers, varejistas, escolas de games todas as oportunidades de engajar o apaixonado por games, seja ele amador ou profissional.

É muita coisa. É difícil. Por isso é difícil a sobrevivência da maioria das revistas de games do nosso mercado. As editoras enfrentam muitos desafios. A maioria das editoras que publica revistas de games publica revistas de muitas outras coisas. Como ter o foco necessário, do ponto de vista conceitual e comercial, e ao mesmo tempo investir num portfolio de serviços ambicioso?

A Tambor atua cada vez mais como agência de publicidade – tanto atuando na criação, como no planejamento para empresas de games – e isso é uma demanda do mercado que não vai diminuir, só aumentar. Vantagem? Por estarmos há tanto tempo neste mercado, dominamos muito mais a linguagem que funciona para se comunicar com o gamer (ou o varejista de games) do que uma grande agência de publicidade tradicional, por mais prêmios que ela tenha ganho em Cannes.
No caso da Tambor, a união entre esta expertise na comunicação, o prestígio da revista impressa e a força instantânea e massiva dos nossos sites – impactamos mais de 3 milhões de gamers todos os meses – tem dado resultado. Fechamos o ano melhor que começamos. Para mim, esta é a medida de sucesso que importa.

Acredito que chegaremos a 2012 com o leitor bem servido de revistas impressas de games – a Tambor tem as duas principais de multiplataforma e Nintendo; a Europa, de Playstation e Xbox (deixamos de concorrer, alguém reparou?). Outras editoras têm produtos viáveis e interessantes. E hoje temos dezenas de bons blogs e sites sobre games. O que é o UOL Jogos, se não uma revista? O Arena Turbo? Now Loading? Nintendo Blast? Adrenaline? Cada qual com sua voz e sua pegada.

A Tambor terá novidades na web, sim; e temos o grande desafio de fazer um evento GameWorld 2011 melhor que o de 2010. Agora: nós editores old-school não podemos nos esquecer de fazer revistas impressas melhores. Nossa qualidade está longe da desejada. Foi assim sempre e sempre será. Em 2011 a Nintendo World comemora 13 anos de idade e a EGW, juntando suas encarnações, oito anos. E embora frequentemente eu tenha me orgulhado delas, nunca achei que chegamos lá.

Em 2011, prometo me manter insatisfeito…

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Por Luiz Siqueira, diretor da Editora Europa

A sensação é de que continuamos no olho do furacão da revolução das mídias. Algumas revistas de games sentem menos essa revolução, outras sentem mais. O fato é que na maioria dos casos as publicações mantém leitores cativos e fiéis. A revista, seja qual for, tem uma função clara de “revisitar os fatos, notícias, informações do período”, e no futuro, essa missão não irá sumir. Os leitores ainda precisarão dela, seja no papel, seja na internet, seja no iPad, ou seja em qualquer outra invenção hipnotizante que surgir.

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Por Allan André, editor-chefe da Digerati

2010 foi um ano dificil para as revistas de games quando o assunto é vendas. Três das melhores revistas deixaram de circular aqui no Brasil: NGamer, Edge e a recém-nascida Powerstation. Não sei ao certo os motivos para as duas da Editora Europa acabarem por aqui. Minha querida Powerstation encerrou na Inglaterra e tivermos que tirar de circulação também. Eu adorava editar essa revista.

O número de leitores que procura conteúdo nas bancas está cada vez menor, não apenas quando o assunto é videogame. Mais revistas podem acabar em 2011, principalmente no exterior, mas acredito que nem todas estão com os dias contados. O que precisa haver é uma reformulação na pauta e edição destas mídias. É desleal competir com a internet, então as revistas devem começar a oferecer conteúdo com melhor qualidade e, se possível, diferente do encontrado na web. Eis um desafio para nós editores em 2011.

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Isso é o que eles acham. E para você, o que vai acontecer com as revistas de games em 2011 e além?

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08/12/2010 - 13:23

Retrospectiva 2010: E o Jogo Justo?

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E está acabando.

Vamos começar a retrospectiva 2010 desde já, retomando alguns dos temas mais importantes que cercaram o mercado de games nacional esse ano.

Um deles, como não poderia deixar de ser, é o bastante difundido, polêmico, controverso e aclamado… Jogo Justo.

Moacyr Alves, idealizador do projeto que visa reduzir os impostos sobre videogames e jogos, conversou com o Gamer.br sobre uma das primeiras ações realizadas pela  iniciativa – a recente venda do game Bioshock 2 com desconto em lojas Walmart e UZ Games (leia mais aqui) – e os planos para o chamado “Dia do Jogo Justo”, que acontece em janeiro próximo. “No total, foram 600 peças de Bioshock 2 – 500 de Play 3 e 100 de Xbox 360”, ele conta. “No Walmart, foram quatro jogos por minuto. Esgotou em 46 minutos. Nas lojas físicas, o estoque acabou em 10 minutos.”

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Gamer.br: Como o projeto Jogo Justo evoluiu desde a última vez que conversamos? Quais foram os progressos obtidos?
Moacyr Alves:
Agora posso dizer que o projeto encontra-se bem maior. Nossa equipe aumentou e agora temos também mais pessoas na esfera política nos auxiliando. Eu diria que é apenas uma questão de tempo para o projeto já fazer efeito, lembrando que nossa meta agora não é apenas redução de impostos, mais sim uma revolução na área dos games no Brasil. Vamos pegar todas as esferas, desde produção á área acadêmica.

Como se deu aquela promoção do Bioshock 2?
MA:
Na verdade, foi com o Walmart e a UZ Games. Começamos a planejar uma prévia, para termos ideia do que realmente iríamos precisar para o tão esperado dia. Queremos algo muito maior do que apenas “vender jogos baratos” – queremos também que seja um dia de evento, com palestras sobre o mercado nacional e sobre o que podemos fazer com nosso mercado se tivéssemos preços mais acessíveis. Para isso, fizemos uma prévia tanto em lojas físicas quanto em lojas virtuais. Sendo assim, a UZ Games disponibilizou 400 peças para as lojas físicas, e o Walmart, 200 peças para a loja virtual.

Mas quem bancou esse desconto todo? As próprias lojas?
MA:
Sim, foi uma ação conjunta. Tanto a UZ Games como o Walmart bancaram uma parte disso – e também a empresa que pediu para não revelar o nome. Então, digamos que esse valor foi dividido entre essas empresas.

Então o que houve na verdade foi um desconto no preço normal bancado pelos varejistas. Não tem exatamente a ver com redução de impostos, e sim com diminuição de lucros dos lojistas. Isso não poderia levar o consumidor a pensar: “mas se as lojas conseguem reduzir tanto o preço, porque não fazem isso sempre para vender mais?”
MA:
Sim, foi um desconto de praticamente 54% na venda final do jogo. Quanto ao consumidor, sim, ele poderia pensar dessa forma, porém esse dia servirá muito mais para o governo do que qualquer para outra pessoa. Esse é um dado concreto para levar ao governo, [indicando] que se reduzir o valor dos impostos, venderíamos muitos jogos originais.

O que o bom resultado de vendas desses games mais baratos ajuda a provar exatamente? Quem precisa desse tipo de “prova”?
MA:
Ajuda a provar que o Brasil só não vende mais justamente por causa do valor desses impostos, que essa tributação trava um país inteiro que poderia estar entre os mais lucrativos no mundo – e não é justamente pela política tributária. E quem precisa dessa prova é o governo. Agora nós já temos uma prévia, e vamos ter muito mais informação até lá.

Qual a próxima ação semelhante do projeto Jogo Justo? Você pode dar mais detalhes sobre quando e como irá acontecer?
MA:
Estamos pensando em uma segunda prévia antes do tão esperado dia. Porém, com algumas novidades que não posso revelar ainda. A data – mesmo do dia do Jogo Justo – será 29/01/2011. Para esse dia, estamos preparando muito mais do que apenas um dia para se vender jogos baratos. Estamos planejando várias palestras sobre o assunto na data, ou seja, queremos um evento e não simples dia de protesto, é isso ai amigos espero que a prévia tenha agradado a todos, ainda temos muito mais cartas nas mangas e vamos utilizá-las com certeza.

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01/12/2010 - 12:57

Brasil Game Show: As Conclusões Tardias

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Salve, salve. Dezembro chegou. Animado?

Este blog volta do limbo já em ritmo de fim de ano. E para coroar o mês cheio de posts, começo com um texto que deveria ter entrado há uma semana, e só entrou agora. Sabe como é, esse negócio de “ineditismo da internet” está mais do que ultrapassado.

É brincadeira. Mas cá está, a pensata do correspondente Gus Lanzetta sobre o Brasil Game Show, evento que ocorreu no Rio de Janeiro no final de semana retrasado. Não espere por grandes notícias: trata-se de uma análise da festa como um todo, sob o ponto de vista de um jornalista que foi ao evento atrás de notícias… e não encontrou muitas, além do próprio evento em si.

Com a palavra, o Gus:

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O segundo dia do Brasil Game Show 2010 serviu para ver o evento com mais clareza. Isso não só porque havia menos gente lotando os corredores durante a tarde e assim era possível se locomover pelo showfloor e ver mais do que estava disponível; mas também porque foi o dia em que minhas suspeitas se confirmaram: esse evento não é pra mim.

Eu não estou dizendo que o evento não era para mim como um indivíduo que “curte games”, um “gamer”, mas sim que todo o conteúdo disposto por lá tinha o objetivo de atrair a atenção de uma juventude fã dos inúmeros produtos demonstrados, não havia um foco de suprir a vontade da imprensa em achar novidades nos eventos da indústria.

Essa visão foi algo que aproveitei para discutir com alguns colegas presentes no domingo, e parecia haver um consenso: “Aqui o que tem pra gente é o Mortal Kombat“, como bem disse Claudio Prandoni, do UOL Jogos. Creio que ele dizia isso porque era o único jogo não lançado, que podia gerar um texto de impressões e porque Hector Sanchez, produtor do jogo, era um game developer americano disponível para entrevistas. Talvez Prandoni estivesse falando só das nossas conversas nerds sobre a vida e obra de Sub-Zero.

Gamers foram ao Brasil Game Show 2010 para testar produtos que ainda não sabem se querem comprar

É fácil ver isso refletido no material que os grandes veículos publicaram sobre o evento: entrevistas com Sanchez e notas que se resumem em “tá rolando um evento lá no Rio”. Também deu pra ver que essa falta de “conteúdo noticiável” deixou uns dois ou três leitores desse blog bem insatisfeitos.

Porém, acho que fazer um post aqui listando que jogos cada empresa mostrou, quantas máquinas de fliperama de jogos semi-velhos a Diverbras teve a coragem de deixar serem abusadas pelo público e quem ganhou a competição de Starcraft 2 não iria fazer muito sentido. Não acho que essas são as informações que os leitores esperam do Gamer.BR.

O que eu acho válido comentar é que, para quem foi como jogador, o evento pareceu muito competente em suprir a vontade do público em se sentir valorizado. Quem foi pra jogar novidades que ainda não pode comprar, conhecer outras pessoas que partilham de seu hobby e ver apresentações sobre um mundo que parece extremamente atrativo como possibilidade de carreira para as jovens mentes nerds do Brasil se divertiu e saiu satisfeito. Nisso eu acredito.

O evento foi para jogadores como ele.

Foi muito interessante para mim ver um evento que me lembrou tanto as EGS de 2004 e 2005 por uma perspectiva nova. Na época eu nem blog sobre videogames tinha, era só mais um gordinho nerd animadaço em ver os caras que escreviam sobre um dos meus hobbies, jogar consoles que não tinha e falar com gente que fazia jogos, algo que na época eu achava que eu queria fazer.

Odeio soar como um velho hippie falando sobre Woodstock, mas “you had to be there, man“. Leitores procurando alguma grande notícia no BGS 2010 se decepcionaram, mas quem pode estar no centro de convenções provavelmente entendeu a importância de eventos como esse.

Games E pipoca é o tipo de experiência que não se traduz em um texto.

No ano que vem a organização espera um aumento de 30 mil para 40 mil pessoas no público. E tem boatos de EGS Brasil 2011 rolando por aí. Tomara que assim mais gente possa ir e ver com os próprios olhos, porque é pra isso que esses eventos existem. E3 é E3, e BGS é BGS.

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