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18/08/2011 - 20:59

Entrevista da Semana: Guilherme Gamer (GameTV)

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A Entrevista da Semana é com o Guilherme Gamer.

Se você não o conhece, deveria. Atualmente, ele é um dos comunicadores da área de games mais prestigiados do Brasil (ele tem até fã-clube). Carioca (nasceu em São Paulo mas mora no Rio desde sempre), o jornalista de 27 anos se encarrega de atingir, sozinho, um público amplo e diversificado através dos vídeos caseiros que elabora. Produzindo por conta própria desde 2009, Guilherme Gamer (ou Guedes, oficialmente) acumula números absurdos para os padrões nacionais – são seis milhões de visualizações (alguns vídeos ultrapassam 100 mil views), 35 mil inscritos no canal de YouTube, mais de 20 mil seguidores no Twitter.

Ele próprio relata: “Eu comecei e ainda estou no Consoles e Jogos Brasil (CJBr). Atualmente o meu maior projeto é o Gamer Point, um programa semanal que reúne muitas notícias, analises dos games lançados na semana, curiosidades, e uma pitada de humor”. Recentemente, Guilherme ganhou um espaço no canal PlayTV – o GameTV, um drops diário de notícias. “Espero que isso possa abrir portas pra mim. Pretendo manter meu trabalho independente mas não quero me segregar da mídia especializada. Pelo contrário: quero trazer minha contribuição”, diz.

Na entrevista a seguir, Guilherme Gamer divagou sobre os diferentes tipos de público, deu dicas para iniciantes, discutiu polêmicas, distribuiu elogios (e alfinetadas) e opinou sobre o mercado nacional. Leia até o fim, passe para frente e comente no final.

***

Gamer.br: Vamos começar do começo. Como se iniciou sua carreira de jornalista de games?
Guilherme Gamer:
Eu, antes de tudo comecei como jornalista “basicão”. Daí pra chegar ao raciocínio lógico de unir a minha paixão pessoal com a paixão profissional foi meio óbvio. Os primeiros passos foram fazendo vídeos comentados contendo gameplays de jogos na internet, no blog Consoles e Jogos Brasil. A partir disso, veio uma aceitação razoável do público e esse foi um grande incentivo – e é até hoje. Eu digo que comecei de uma maneira diferente da maioria que eu conheço. Não tive um estágio em uma revista, por exemplo. Foi muita ralação e aprendi tudo “na marra”.

Você quer dizer, fazendo sozinho? Quais foram suas inspirações então?
GG:
Minha inspiração básica mesmo veio de mim mesmo. Dos meus gostos. Tudo que fiz no jornalismo gamer até hoje veio das coisas que eu assistia, lia, consumia. Claro que não descarto fazer algo rotineiro, como escrever análises para uma revista, por exemplo. Mas em tudo que faço procuro dar meu toque pessoal. Deixar a minha presença marcada ali. Não gosto de fazer mais do mesmo. Mesmo tendo inspirações também em sites e programas estrangeiros, procuro dar a minha cara em tudo que faço e não seguir um roteiro padrão.

Na prática, quando você teve certeza de que seu negócio seria falar de games? Houve esse “momento” definidor?
GG:
Eu tive a certeza que era isso que eu queria a partir do momento em que vi que as pessoas estavam gostando do meu trabalho. O feedback me fez pensar: “Ei! Que tal se eu fizesse disso não apenas meu hobby, mas também minha profissão?” O jornalismo em si eu sempre gostei, tanto que fiz faculdade. Eu costumo dizer que eu tinha mesmo que ser jornalista gamer, pois não escolhi isso apenas. Isso me escolheu, entende? Então esse momento especial foi ao longo dos primeiros meses, dos primeiros vídeos, do processo da minha aprendizagem, tentativas, erros e acertos.

Você nasceu nos anos 80 (tem 27 anos), cresceu em um momento em que os games começavam a alcançar popularidade e se acostumou com a internet desde cedo. Um diferencial de seu trabalho é a maneira de utilizar os novos recursos tecnológicos em seu favor – no caso, vídeos e fóruns de internet – para alcançar o público. Quão importante é compreender bem essas ferramentas na manutenção do trabalho? Você acha que é obrigatório hoje em dia saber lidar com as “novas” ferramentas, ou ainda haveria espaço para o jornalismo “antigo”, tradicional?
GG:
Eu acredito que há lugar para todos os bons jornalistas, mas os que não acompanham as tendências têm menos chances de se manter firme no mercado. Eu comecei com isso no meu DNA. Eu faço parte disso, eu respiro essas “novas” ferramentas. Coloco entre aspas, pois algumas já podem até serem consideradas velhas. Eu acredito que o ideal é o ponto de equilíbrio entre modernidade e tradicionalismo. Uma revista que eu acho bacana sabe se comunicar através das suas preciosas folhas de papel, mas também dialoga com seu público em outros meios.

Como você descobriu o formato ideal para atingir o seu público? E mais, o que você acha, por experiência, que mais atrai o público no seu trabalho?
GG:
Eu acredito que ainda não descobri. Acho isso fundamental: buscar sempre melhorar e evoluir. Nunca ficar 100% satisfeito. Tenho sempre essa inquietação em mim. Mas, ao longo deste tempo que tenho produzido conteúdo, descobri, claro, algumas coisas que funcionam. O que mais atrai a galera que curte meu trabalho são dinamismo, descontração, a proximidade com eles. Isso é fundamental. Essa comunicação com o público. Quem usa uma conta no Twitter para apenas divulgar seu trabalho, não se comunica. Pelo contrário: se utiliza de uma ferramenta nova de uma maneira antiga.

Falando de maneira prática – quando você notou que havia um público cativo e muito dedicado ao seu trabalho? Notar que a coisa “deu certo” mudou alguma coisa em sua maneira de fazer?
GG:
Eu notei que havia essa galera que curte meu trabalho mesmo quando chegou o dia que eu estava passando mais tempo respondendo mensagens que propriamente fazendo os vídeos. A partir disso, minha dedicação ao trabalho aumentou demais. Investi tempo, dinheiro, tudo. Deixei de lado outros trabalhos para investir 100% nisso.
Mas a mudança foi apenas mesmo na dedicação. Procuro não fazer um trabalho voltado especificamente pensando na aceitação do público. Se aceitarem, ótimo. Fico muito feliz. Mas acho fundamental continuar mantendo a essência da diversão no que eu faço, sabe? Acredito que, com isso se tornando cada vez mais profissional, acabe sendo mais difícil, mas vou sempre tentar manter.

Como todo mundo que está em evidência, você obviamente sofre críticas – seja de parte do público que não o segue, seja por colegas da imprensa. Como lida com elas?
GG:
Primeiramente, por parte do público: sou muito feliz e agradecido ao público que consome meu trabalho. Raramente recebo uma crítica puramente destrutiva, sabe? Em sua maioria as críticas são construtivas, tentando me ajudar a crescer e sou muito grato a elas, muito mesmo. Tanto quanto aos elogios. Já por parte de colegas de imprensa, eu não sei dizer exatamente como lido, pois nunca chegou a mim diretamente. Eu sei que existem conversas entre outros jornalistas falando de maneira negativa sobre o meu trabalho e, de coração, gostaria de saber exatamente o que falam. Acredito que seja um preconceito por eu vir de um meio onde pessoas sem talento algum podem e às vezes conseguem se destacar, mas gostaria de um voto de confiança.
Felizmente, alguns colegas estão dando este voto. O maior exemplo disso é o Luciano Amaral, da PlayTV. Ele acreditou no meu trabalho e potencial desde o início e foi fator fundamental para minha ida para a PlayTV. Outro é você que está me abrindo as portas aqui do seu blog com esta entrevista. Lucas Patrício é outro que me disse palavras muito bacanas, e outros, como o Pablo e Cláudio, do UOL. Mas a resistência comigo ainda acredito ser grande, mas vou tentar provar para eles que, pelo menos, vou continuar fazendo meu trabalho da melhor maneira possível e com ética e respeito.

Você acredita ainda haver algum tipo de segregação no jornalismo de games? Há mesmo separação de público e, consequentemente, disputas entre os diversos tipos de leitor? Cito isso retomando um caso recente que você se lembra, sobre a distinção entre os tipos de consumidores (“true gamers” ou não)…
GG:
Obrigado pela oportunidade de falar sobre isso. O termo criado “true gamer”, gerou uma imagem errada sobre sua utilização. Ele foi pensado para ser utilizado dentro de um projeto de web-programa que participei. Mais como uma brincadeira e menos como uma forma de segregar pessoas. Quem utiliza o termo de maneira séria apenas gosta de pensar que truegamer é um gamer que é ativo na comunidade, quer ver o mercado crescer, não utiliza pirataria, coisas assim. Mais uma vez eu imagino que a grande não-aceitação por parte de outros jornalistas em relação ao termo é pelo fato dele ter sido criado na internet e se alastrado rapidamente dentro da mesma. Ainda há muito preconceito com isso. Mas eu de forma alguma pretendo me focar apenas em um tipo de público. Quem eu acredito que contribuem para esta segregação são alguns jornalistas que insistem em falar para uma “elite”, para o mesmo grupo sempre. Eu quero e sempre busco fazer um trabalho de qualidade que possa ser facilmente identificável por todos que gostem e queiram saber alguma coisa a mais sobre a nossa fonte de trabalho: os games.

Você então se sente, de alguma forma, representando um público “oprimido” ou “negligenciado” anteriormente pela imprensa tradicional especializada?
GG:
Certamente. Digo isso não baseado em uma pesquisa acadêmica ou algo do tipo, mas sim no que sinto deste próprio público. Grande parte se refere a mim como o único “jornalista gamer” que eles conhecem. Claro que eles provavelmente sabem que existem revistas e sites que tratam sobre videogame, mas acabam não se identificando com nenhum deles. Acredito que isso se deva justamente a essa distância que grande parte dos jornalistas de games atualmente cria. Eu quero falar pra todo mundo: pra quem joga desde o Telejogo, quem começou no PS2, quem começou na geração atual e quem ainda sonha em ter um videogame. É isso que eu busco e sinto que tenho conquistado cada vez mais este objetivo. Não sonho em ser uma unanimidade, óbvio, mas sonho em fazer o melhor trabalho possível para a maior parte das pessoas que gostem de alguma forma de games.
Eu sinto que, de forma generalizada, a imprensa especializada tem preconceito deste grande público. E eu não falo para uma elite apenas de revistas de games, por exemplo, então este preconceito acabou “grudando” em mim também. Faço atualmente um jornalismo do meu jeito, sem seguir uma escola padronizada. Acredito que isso incomode, mas gostaria que pelo menos respeitassem este trabalho. Não sei se é pedir muito, é? [Risos]

Retomando a pergunta lá atrás: qual é o segredo para se comunicar e “tocar” esse público mais amplo, menos elitizado? Porque existe todo um método correto – nem todo mundo consegue. Tem a ver com a linguagem, temas abordados, estilo?
GG:
A linguagem conta muito, com certeza. Não precisamos também imaginar que só por não ser da elite que esta pessoa é burra ou ignorante. A elite a que eu me refiro não se baseia apenas na questão financeira, e sim cultural. Continuando: a linguagem que utilizo é como se eu realmente estivesse contando pra um amigo sobre um determinado jogo que vai ser lançado ou mesmo explicando pra ele, com minhas palavras, como passar de uma fase complicada, por exemplo. Outro ponto importantíssimo é o veículo de informação. É o que eu disse lá atrás: não adianta um jornalista de uma revista simplesmente criar uma conta no Twitter para divulgar suas matérias. Ele precisa estar em constante sintonia com esse público. Ver o que dá certo, adaptar o que não funciona. É um ecossistema vivo e em constante mudança. Quem fica parado no tempo, não evolui. Pode até manter seu emprego, mas não vai sair daquilo. Eu busco sempre evoluir. Tanto como uma busca pessoal mesmo por um processo evolutivo constante quanto por uma busca no aperfeiçoamento da minha comunicação com o público. Sem o público, não somos nada. No final das contas, o que importa é o público, e não o nosso próprio umbigo ou ego.

No caso de seus vídeos, você pretende investir em equipamento para profissionalizar ainda mais o negócio, ou o esquema é parecer mesmo “do it yourself”?
GG:
Estou sempre buscando evoluir a questão técnica para tentar me aproximar do resultado visual como sendo algo mais profissional, mas, claro, sem perder a essência do meu trabalho que falei um pouco antes. Me sinto muito feliz de ver os primeiros vídeos do Gamer Point e ver os mais recentes. Modéstia de lado, a evolução foi gigante. Tanto minha como apresentador quanto da questão visual. E me sinto mais realizado ainda quando o próprio público manifesta que tem percebido esta constante evolução. Mais uma vez: é tudo pro público.

Como você divide esse trabalho a serviço do gamer com seu trabalho “normal”, digamos assim? Compensa o tempo gasto? Está rendendo alguma grana?
GG:
Foram muitos meses de investimento sem retorno (obrigado a minha querida mãe, Vilma, que me deu todo o apoio). Claro que foi um tiro no escuro: podia ou não dar certo. Agora sim, está dando certo. O Gamer Point tem patrocínio e trabalho formalmente na PlayTV. Jornalista gamer é meu trabalho “normal” agora de verdade [risos]. Mas claro que ainda estou bem no começo de uma longa e infinita jornada. Quero crescer muito profissionalmente ainda. Principalmente aprender. Aprender com o público e com os jornalistas mais experientes.

Nesse último vídeo deu para perceber que você separa notícias gerais das notícias específicas do mercado brasileiro. Você acha que o seu público se interessa mesmo pelo que está rolando no país – reduções de preço, lançamentos oficiais, traduções – ou eles estão mais interessados em temas mais amplos? Ou seja, o “Brasil dos games” rende pauta o suficiente? O público se importa com isso ou quer mais é jogar e pronto?
GG:
Eu acredito que seja bem dividido. Tem a galera que quer ver o mercado crescer, é entusiasta e tem os que só querem ver o trailer daquele game que vai ser lançado. Por isso eu procuro atender a todos. Mas estou sempre batalhando pra tentar passar a minha mensagem de jornalista opinativo e propagando o que eu acredito ser importante. Quando mais entusiastas tivermos, melhor para o país crescer. E tenho notado um aumento no interesse da galera que acompanha meu trabalho por este tipo de tema. Então sinto que estou cumprindo meu papel de jornalista gamer e também de cidadão gamer brasileiro.

Como você enxerga a situação atual do mercado de games – como jornalista e como consumidor? A situação está mesmo tão melhor como grande parte da imprensa propaga?
GG:
Falando de Brasil, acredito que sim. Grandes lojas estão começando a diminuir preços que, no final das contas, é o que mais importa para o consumidor final neste momento. Outro grande ponto é o interesse de empresas grandes criando estratégias para o Brasil. Temos as três grandes Nintendo, Sony e Microsoft atuando de alguma maneira aqui. Há toda uma movimentação para aumentar o volume de jogos adaptados para nosso idioma, lançamentos ocorrendo aqui junto com o lançamento mundial. Acho isso ótimo. Faz os gamers brasileiros se sentirem inseridos cada vez mais no mercado mundial, e não segregados. Mas ainda falta muito para dizer que as coisas estão boas. Sinto que qualquer melhora que tenhamos sentido nos últimos meses tem a ver mais com atitudes individuais e de empresas do que com o apoio do governo. Falta o governo se mexer, diminuir os impostos, aumentar os incentivos. É um mercado gigante no mundo que ainda engatinha por aqui. Então não está bom, mas certamente está melhorando. É hora de ficar feliz e comemorarmos as vitórias, mas com a consciência de que a batalha está apenas começando.

Então o “Brasil gamer” tem jeito? O que precisa acontecer para chegarmos ao topo – se é que ele existe?
GG:
Não acho nem quero acreditar que exista um topo. Até porque quando uma coisa chega ao topo, a tendência é começar a cair, né? O caminho para o Brasil gamer melhorar e evoluir passa por dois aspectos fundamentais: governo e conscientização dos gamers. O governo não vai estar sendo bonzinho incentivando nosso mercado a crescer. Eles vão lucrar mais. No final das contas, basta sermos todos um pouco egoístas: o governo tem que querer lucrar, nós temos que querer jogos baratos, localizados e ações efetivas no nosso mercado e as empresas tem que lutar para faturar cada vez mais por aqui, investindo no Brasil. Desse jeito, todos saem ganhando. Já passei por momentos de tristeza e desilusão, pensando: poxa, não tem jeito de mudar essa bagaça não. Melhor mudar pros Estados Unidos. Mas o momento de lutar e tentar fazer a diferença é agora. Então não vamos desistir. Considero meu papel (e de outros jornalistas) fundamental para esta mudança por sermos, de certa forma, formadores de opinião. ainda. Principalmente aprender. Aprender com o público e com os jornalistas mais experientes.

Para quem se inspirou pela sua história e gostaria de arriscar também, o que você recomenda? Há espaço para outros Guilhermes Gamers no Brasil?
GG:
Nossa, pra muitos. A internet agora, e cada vez mais, proporciona um ambiente democrático para exposição de opiniões, material, texto, vídeo, áudio. Não sou ninguém ainda pra dar recomendações, mas sugiro que busquem fazer um trabalho ético, investir e buscar sempre evoluir. Não tem problema se inspirar no trabalho de outra pessoa que a gente curta, mas temos que dar nosso toque pessoal. Aproveitando: fico muito honrado quando vem um garoto dizer pra mim que está começando uma faculdade de jornalismo inspirado em mim. Nossa, isso não tem preço e faz valer a pena cada momento investido neste trabalho.

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11/08/2011 - 18:04

Entrevista da Semana: Fabio Santana (PlayStation.Blog)

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E hoje, conforme o prometido, tem Entrevista da Semana.

Fabio Santana já foi entrevistado anteriormente aqui no Gamer.br, em 2006, mas isso era quando ele era um “simples” editor de revistas especializadas. Com experiência de mais de 15 anos a serviço do jornalismo de games – passou por publicações como Gamers (na Ed. Escala), EGM Brasil, Nintendo World, SuperDicas PlayStation (na Conrad e na Futuro), Xbox 360, Dicas e Truques para PlayStation, Old Gamer! e Edge (na Ed. Europa) -, Fabão é unanimidade entre colegas, leitores e a indústria. Talvez por isso, recebi com sentimentos agridoces a notícia, em primeira mão, de que ele estaria deixando as revistas para se tornar editor do blog oficial do PlayStation no Brasil.

Mas se por um lado a imprensa especializada perde, a indústria ganha: a Sony Brasil não poderia estar melhor representada nessa recente empreitada visando o contato mais próximo com o consumidor final. Fabio é o responsável pelo conteúdo do PlayStation.Blog, além de se comunicar diretamente com os leitores, capturando esse feedback e transformando em ações efetivas. No meu entendimento, ele é o homem certo para o negócio e tem tudo para se dar bem. Mas é óbvio que os leitores de revistas de games (eles existem ainda!) sentirão bastante a falta…

No papo a seguir, Fabão fala sobre suas novas funções, discute o jornalismo de games e faz previsões para o mercado nacional. Leia, divulgue e não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: Você sempre foi sinônimo de jornalismo de games no Brasil. Daí, de repente, se viu diante do desafio de mudar de lado, ou seja, pular para a trincheira do “adversário”. Metáforas a parte, como você enfrentou a questão desse novo desafio profissional?
Fabio Santana: A mudança não foi tão radical quanto pode parecer. Continua valendo o tino jornalístico para pautas relevantes, o cuidado de apurar o conteúdo e aquele preciosismo no trato do texto. O escopo é diferente, é verdade – é preciso pensar na abordagem a que se propõe o PlayStation.Blog, que é um veículo oficial de PlayStation e visa a apresentar a informação com esse caráter, oficial, direto da fonte. Mas não há intenção de embelezar ou mascarar fatos para vender mais. O jogador é um consumidor especialmente inteligente e crítico, e percebe quando há uma linguagem excessivamente marqueteira. Pelo contato que tenho com a equipe global do PlayStation.Blog, tenho tido a satisfação de perceber que os responsáveis pelo veículo são jogadores como eu, e também jornalistas, com essa preocupação de dar espaço ao que vale o tempo do leitor, e de tratar essa informação de uma maneira original, para que seja uma leitura agradável.

Na prática, qual é a diferença em trabalhar para uma grande corporação da indústria e para um veículo de comunicação tradicional? Como suas rotinas se diferenciam?
FS: Como eu disse, no que diz respeito ao conteúdo, à pensata de pautas e tal, pouco mudou. Tenho bastante liberdade para escolher o conteúdo estrangeiro que iremos localizar no PlayStation.Blog BR, e ainda não tive muito tempo para criar matérias próprias, mas já estou alinhando algumas.
Algo que mudou, e que está sendo empolgante, é o contato com os bastidores, com a preparação do conteúdo e das ações que os jogadores vão curtir. Não trabalho diretamente na Sony Brasil, mas na Router Beta, a agência BTL que desenvolve as ações de lançamento e eventos para a linha PlayStation no Brasil. Assim, tenho a oportunidade de participar do planejamento dessas ações e oferecer algum input, tanto como jogador quanto como jornalista.Também estou em contato direto e diário com a Sony Brasil e a Sony Computer Entertainment America para alinhar algumas comunicações. É o caso, por exemplo, das atualizações semanais da PlayStation Store brasileira.
Ainda administro o site oficial, e também estou sempre interagindo com os leitores do PlayStation.Blog, levando suas dúvidas para a Sony e dando a eles um retorno. Muito em breve teremos também perfis nas redes sociais. É gratificante poder agora fazer essa ponte entre os jogadores e a empresa que cria todo esse entretenimento.

E a parte complexa de trabalhar no “outro lado”? Agora, do ponto de vista do consumidor, seu papel supostamente mudou – você representa a empresa para quem eles reclamam quando se sentem prejudicados. Antigamente, você era o porta-voz desse consumidor perante a indústria. A transição é mais complexa, visto que você ainda permanece sendo um consumidor também?
FS: Vejo mais como uma oportunidade maior do que como uma mudança de lado. A Sony, como um todo, é hoje uma empresa centrada no consumidor, e a chegada dos canais oficiais de PlayStation no Brasil são uma amostra disso. Agora os jogadores brasileiros têm um contato muito mais próximo com a empresa, e podem fazer isso na sua língua nativa. Eu me encontro nesse ponto de contato interessante, em que entendo as necessidades do consumidor, como consumidor que sou dos produtos de que trato, e tenho esse compromisso de fazer valer essa voz do povo, como jornalista que continuo sendo, e posso levar esse feedback para a empresa da qual eles possam ter eventuais dúvidas ou reclamações, e então trazer algo de volta, na forma de uma solução ou posição oficial. Não foi uma transição complexa, mas talvez a oportunidade de fazer mais.


Fabio em sua primeira aparição como editor do blog PlayStation, em julho último

Sei que é difícil falar sobre isso nesse momento, mas… Os leitores órfãos de seu trabalho opinativo, será que poderão sonhar com você comandando algum veículo de informação independente novamente? Ou esta é uma página virada em sua carreira?

FS: Olha, não tenho o hábito de planejar muito a minha carreira. Meio que miro uma direção geral e me condiciono um pouco a arriscar uns passos para lá, mas sem forçar nada, sem ficar encanado com isso. Agora estou bem atarefado com tudo isso, estou bastante realizado e não pretendo fazer nada diferente tão cedo – meus projetos costumam ser de longo prazo. Está sendo legal a transição do impresso para o orgânico meio online. No futuro, talvez eu queira estar ainda mais próximo da indústria. Ou não. O fato é que continuo a escrever e não pretendo deixar de fazê-lo.

Sua trajetória é uma das mais impressionantes desse mercado, levado em conta que você fugiu do caminho tradicional “faculdade-estágio- emprego etc”. Chegar à posição que está hoje me parece a cereja do bolo. Olhando para trás, como conseguiu essa trilha vitoriosa? Como foi chegar daquele tempo antigo, quando você nem pensava em trabalhar com a Gamers, até aqui, um executivo engravatado?
FS: [Risos] “Executivo engravatado” passou longe aqui. Ainda tenho muito do garoto com o brilho no olhar por poder escrever sobre games – inclusive o jeans e a camiseta do jogo favorito. Mas, de fato, o alcance e as responsabilidades aumentaram muito ao longo desses anos todos. A que atribuo isso? Às pessoas. Não fossem pelas pessoas que deram oportunidades, por aquelas que tanto ensinaram, por tantos que estiveram lado a lado construindo, eu com certeza não teria conseguido fazer as coisas bacanas que pude fazer. A disposição das pessoas sempre supriu minhas faltas – de conhecimento, de experiência, de formação etc. Eu meramente procurei absorver o que tinha a aprender de profissionais como você, Eduardo Trivella, André Forastieri, Théo Azevedo, Felipe Azevedo, Humberto Martinez, Nelson Alves Jr., Gustavo Petró, Roberto Araújo e tantos mais. Tive a grata oportunidade de conhecer tanta gente boa no que faz.

Falando sobre jornalismo propriamente dito: atualmente, com o imediatismo das redes sociais e a democracia dos blogs opinativos, qual é o papel do jornalista tradicional? Para que vamos servir? O que o futuro reserva para o jornalismo profissional diante do quadro atual em que todo mundo possui opinião própria e produz conteúdo?
FS: Espero que preservemos o bom senso numa realidade em que as pessoas, inclusive jornalistas, muitas vezes usam a boca (ou os dedos) antes do cérebro, geralmente seduzidos pela audiência. O jornalista deve ser preciso sem se precipitar, deve analisar fatos, ouvir pessoas, vislumbrar a dimensão real das coisas, e isso demanda tempo. Quero acreditar que o profissional que atente a esses valores do ofício será sempre apreciado e necessário.

Como você enxerga hoje a situação do jornalismo de games no Brasil, o dos grandes veículos e o independente? Você deve ter uma visão diferenciada sobre isso, já que agora está “do outro lado”…
FS: Não diria uma visão diferenciada, já que venho recentemente de um veículo independente e, mesmo agora, como representante de canais oficiais, continuo, na prática, sendo parte desse rico ecossistema, né? E minha visão é justamente essa, a de que temos hoje um segmento multifacetado, com meios e abordagens para todos os públicos. O impresso se reinventa com as interações sociais e disponibilidade em formatos digitais, o online avança com a velocidade típica de seu meio, o segmento cresce na TV e as iniciativas independentes se multiplicam pelos blogs e revistas digitais. É verdade que, muitas vezes, ainda é um grande desafio viabilizar os veículos comerciais, mas o amplo crescimento do mercado nacional de jogos tem colaborado para a saúde do segmento editorial especializado. A indústria nacional em maturação é um campo muito mais explorado pela mídia: profissionais brasileiros se destacam lá fora, estudantes e pesquisadores têm projetos premiados, estúdios nacionais diversificam suas operações. As produtoras também dão cada vez atenção ao nosso país, investindo mais em localização ou ações de lançamento e dando melhor suporte ao profissional da imprensa. É um momento fantástico para ser um jornalista de games no Brasil.

Há uns anos te perguntei isso, mas tanto tempo se passou e você passou por tanta coisa que talvez sua opinião tenha mudado: quais são as dicas e toques que você dá para quem quer começar nessa profissão, e se manter bem nela depois?
FS: Não me lembro bem do que falei da outra vez, mas deve ter sido algo do tipo “faça um blog, publique seu trabalho, procure estabelecer e manter contato com gente da área”. Isso continua válido, mas são cada vez mais frequentes os casos em que as empresas buscam estudantes de Jornalismos nas universidades mais conceituadas, para atuarem como estagiários. Muitos não tinham sequer textos publicados, mas se candidatam pelo amor ao hobby e acabam pegando gosto pela profissão e crescendo nela. Agora, para se manter bem, o segredo é ser do… bem. Além do talento e disposição, tem que ter caráter e ser parceiro. São dicas básicas para se obter o sucesso em qualquer carreira, mas sempre é bom ressaltar. Afora isso, é buscar sempre se manter relevante.

E o Brasil dos games tem jeito? Já chegamos no auge, ou estamos longe de chegar no topo?
FS: Jeito ele tinha há uns três, cinco anos. Agora ele já dá são frutos. Com o balanço da economia mundial afetado, países emergentes como o Brasil ganharam posições na fila de prioridades das grandes multinacionais. No segmento de games, vimos a chegada de novas produtoras, que estão investindo em divulgação e no relacionamento com o consumidor brasileiro – sem puxar sardinha, a Sony Brasil já mostrava isso com diversas ações legais de lançamento, e agora se aproxima ainda mais dos jogadores com a presença forte nos canais online. Olhando para trás, estávamos carentes de eventos, agora temos quase um circuito deles. Temos cada vez mais jogos localizados em português, cada vez mais soluções oficiais para problemas antigos, cada vez mais empresas mostrando interesse no nosso país. Então estamos numa situação muito mais interessante que há poucos anos, mas é claro que há espaço (e potencial) para crescermos muito mais. Uma parte importante desse potencial passa pela questão dos impostos, que, reduzidos, tornariam nosso mercado mais competitivo e atraente. Então o mercado já me parece bem encaminhado.
Agora o que eu, pessoalmente gostaria de ver melhorar ainda é a indústria nacional, a criação de jogos em território brasileiro. Gente interessada e talentosa não falta por aqui, então é questão de se criarem as oportunidades. Países como Canadá e França oferecem benefícios fiscais para o setor e geram milhares de empregos. Gostaria muito de ver isso no Brasil um dia.

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , ,
20/06/2011 - 20:18

Aonde o Brasil dos Games quer Chegar?

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Ressaca de E3? Imagine…

Demorei mais do que o esperado para retornar ao batente por aqui. Está tudo uma confusão – na mesa, na sala, na vida -, então vou me organizar antes de qualquer coisa. Para compensar, faço um dos meus velhos truques de sempre aqui no blog: reciclo texto antigo com cara de inédito. Sempre funciona (até agora funcionou).

Esse artigo a seguir foi publicado na revista EGW do mês de abril (não sei a edição, alguém me ajuda?). Ele discute a questão do crescimento sempre constante da indústria nacional de games: afinal, estamos chegando ao ápice? Quantos degraus ainda precisamos superar?  Será que dá para melhorar mais ainda? O que nos impede de crescer?

É claro que nenhuma dessas perguntas possui resposta simples, mas é aí mesmo que está a graça. Leia, opine, comente. Aproveite que o assunto é infinito e polêmico.

***

Navegando por Altos e Baixos*
Talvez seja melhor que o mercado de games brasileiro jamais alcance o topo

Há alguns dias [o texto foi escrito em março] aconteceu o evento Gameworld 2011, em São Paulo. A festa durou três dias, de 11 a 13 de março, em um shopping center muito bem localizado, próximo ao coração financeiro da cidade. Na sexta, executei uma função nobre: apresentei a premiação Troféu Gameworld, ao lado do mito Carlos Eduardo Miranda. Devo dizer que foi divertido, descontando alguns percalços pelo caminho. Quem sabe faz ao vivo, bem dizia aquele poeta televisivo que continua no ar aos domingos desde o fim dos anos 80.

Não consegui passear pelo Gameworld naquele dia. Mas, no dia seguinte, lá estava eu circulando por aqueles corredores abarrotados de gente, desviando de empurrões, suando e encontrando velhos amigos. Confesso que gostei de estar lá, no meio da muvuca. A organização estimou em mais de 21 mil o público total do fim de semana. Fazia tempo que eu não comparecia a um evento especializado no Brasil (a E3 de Los Angeles, fechada ao público normal, não conta). A culpa em parte é de minha falta de tempo e desorganização crônicas, mas não é só por isso: festas para o público gamer são raras em nossa terra brasilis. Eles estão se espalhando aos poucos pelos grandes centros, mas ainda assim, dá para contar nos dedos das duas mãos os acontecimentos relevantes nesse sentido.

Mas será que quantidade é melhor que qualidade? Quero dizer, se houvesse um evento aos moldes do Gameworld em cada capital brasileira, será que isso significaria que estamos evoluindo em algum sentido? Mais eventos de games representariam um crescimento verdadeiro de nosso mercado?

Coloquei a questão e aproveito para eu mesmo discordar: acredito que não há relação entre uma coisa e outra. O fato é que há uma demanda muito reprimida por qualquer acontecimento ou fato relevante relacionado aos videogames no Brasil. O público gamer quer ter o que fazer além de jogar e gastar (muito) dinheiro. Estamos na crista da onda da tecnologia e somos considerados o porto seguro dos investimentos estrangeiros, mas ainda existe bastante lentidão em se tratando de uma evolução real. Há quase dez anos o Brasil engatinha para chegar lá – seja esse “lá” onde for. Há alguns anos, nossa referência de progresso era o México. Hoje, o mercado de lá anda saturado e estagnado – cresceu o que tinha que dar e não tem mais muito para onde ir. Sob esse ponto de vista, acredito que deveríamos almejar outra situação. Não é legal imaginar que iremos entrar em um processo de decadência após tantos anos lutando para que o “Brasil dos games” cresça e apareça.

Reflitamos juntos. Hoje, temos as três principais plataformas lançadas oficialmente por aqui. Os games chegam quase simultaneamente, muitas vezes traduzidos para o português. Os preços, aos poucos, se tornam mais adequados (se comparados aos preços de cinco anos atrás). Portáteis como smartphones, iPhones e iPads se popularizam, assim como seus games. O que exatamente falta para alcançarmos um topo? Melhorando a pergunta: será que precisamos chegar a esse topo? Porque você sabe bem: tudo o que sobe, um dia desce.

É aí que está: acredito que o Brasil jamais chegará ao ápice em se tratando do mercado de games. Estaremos sempre progredindo, evoluindo, mas jamais alcançaremos um estado em que nos daremos por satisfeitos. Tudo faz parte da tradição de ser brasileiro – essa insatisfação com as coisas, essa postura crítica e mordaz, esse jeitinho de ir empurrando com a barriga até tudo certo. É como muito bem proclama o belo estandarte nacional: (des) ordem e progresso (constante). E devagar vamos caminhando.

* Texto publicado na edição 113 da EGW, abril de 2011.

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Você notou que comentei sobre a possibilidade de novos eventos de games no país. Acabou atraindo boas notícias: durante a E3 2011, recebi a confirmação de que está tudo certo para o retorno do Electronic Game Show, ou EGS, à cidade de São Paulo. Melhor ainda, as negociações estão bem adiantadas com a maioria das publishers atuantes no Brasil. Quando esse evento vai acontecer? No segundo semestre de 2011. Se a informação é de fonte quente? Não poderia ser mais quente. Agora é torcer para se tornar realidade, porque já ouvimos essa história antes…

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2011, Gamer.br na EGW, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , ,
19/04/2011 - 20:51

Umas pílulas; umas novidades; e uma Entrevista da Semana quatro anos atrasada

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Salve, salve.

Por aqui, tudo certo. Apesar da lentidão dos processos (e da internet aqui).

Novidades? Algumas só. Perdi o bonde de algumas. Vejamos.

– Na semana que vem, irá rolar um evento em São Paulo para celebrar o futuro lançamento do game mais aguardado de 2011 (pelo menos para mim). Sabe de qual estou falando? Quem adivinha? Começa com “L”. Tá fácil, vá.

– Esqueci de comentar aqui sobre a nova empreitada da Flavia Gasi. Há algumas semanas ela passou a ocupar as funções de business development e PR manager na desenvolvedora de games Bigpoint. Traduzindo, ela é responsável por novos negócios e é a gerente de relações públicas da empresa de origem alemã sediada em Hamburgo. Boa sorte para ela.

– A E3 2011 já começou, pelo menos nas internas. As empresas começaram a marcar seus eventos e estão enviando os “save the dates” tradicionais para os jornalistas credenciados. A primeira delas, como sempre, foi a Microsoft. A coletiva deles pré-E3 já está marcada e com horário: segunda-feira, 6 de junho, 9 da manhã, no Galen Center, Los Angeles.

– Nenhum sinal de Sony e Nintendo ainda. Eles costumam decidir essas coisas em cima da hora. Mas ambos eventos devem ser em 7 de junho. O da Sony deve ser no mesmo dia 6 (segundo o fiel leitor ali embaixo, que é bem mais ligadão e esperto que eu). O da Nintendo sim, deve ser no dia 7.

– E teve essa polêmica toda do furto das cópias de Mortal Kombat da fábrica em Manaus etc, deu em alguma coisa? Descobriram como foi que o game “vazou”? Puniram os responsáveis? Afinal, dá ou não dá pra jogar com o Goro? De qualquer modo, o game foi lançado hoje lá fora. Aqui, a Warner confirma o 28 de abril como a data de lançamento brasileira. O Gamer.br (ou um colaborador dele) jogou o game ontem, e curtiu. E logo mais tem Entrevista da Semana com o produtor norte-americano Hector Sanchez, que praticamente já se tornou brasileiro.

***

Faz tempo que o site Freeko merece ser comentado e analisado com profundidade. Você já deve ter ouvido falar – e se não entendeu alguma piada que os caras publicaram, não vou te culpar.

O Freeko é um dos sopros de inteligência-infâme no jornalismo de games nacional. O conteúdo é praticamente organizado em torno (e dependente) de piadas internas e loucuras inexplicáveis, mas não é preciso conhecer os caras em pessoa para dar risada ou se chocar com tamanho surrealismo – ou ambas coisas ao mesmo tempo. Seja como for, eu ri (alguns dos meus textos recentes favoritos são este, este e este).

Bati um papo com o Renato Bueno, mentor intelectual do negócio todo (que ainda é formado por Doda Vilhena, Marcelo “Pirajuí” Daniel e Gus Lanzetta – aquele) e consegui com que ele respondesse a algumas perguntas mais sérias sobre essa coisa de fazer jornalismo e tentar ser engraçado (e ainda colocar os games no meio do processo). Não que ele tenha falado sério o tempo todo…

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Gamer.br: Por que você mantém mais um site de games? Os que existem não te agradam?
Renato Bueno: Não foi bem uma criação, foi a transformação de algo que começou como um blog pessoal e estava se transformando em um blog menos pessoal, mas sempre relacionado com games, tecnologia e vidaloka. O Freeko teve três fases: começou como um blog de games quando eu fazia parte da EGM Brasil/Futuro Comunicação; passou a abordar piadas internas e a vidaloka no tempo em que trabalhei no G1; e acabou virando um blog com uma equipe de camaradas em 2010, quando eu já começava nessa vida de frilas, trampar em casa etc. E sim, os que existiam não me agradavam porque sempre foram muito sérios, sem graça. Não que eu tenha “oficializado” o Freeko pra resolver esse problema, foi só pra dar vazão às piadas internas mesmo.

Então diga qual é – ou são – o diferencial do Freeko em relação aos sites que estão por aí.
RB: O diferencial é a falta. Falta de compromisso, de responsabilidade, de agenda, de periodicidade, até falta de graça muitas vezes. É a autosabotagem em nome de exorcizar as coisas que nos incomodam, de criticar alguma coisa sem fazer muita questão de convencer alguém. Tudo “on the fly”, feito na hora, sem planos.

Qual é a resposta que os leitores dão a essa falta de compromisso? Eles compreendem? Há casos em que leitores caem de paraquedas no site e não entendem a piada?
RB: Existem os que caem de paraquedas e xingam, porque não encontraram o que o Google disse que eles encontrariam. Exemplo clássico é o nosso detonado de Dante’s Inferno. E existem os que compartilham dessa vibe moleque. Desses, poucos comentam no blog, a maioria comenta na vida real. É quando você tromba alguém e o cara “pow, aquele post, sensacional”, e isso é demais. Os que mais comentam no blog acabam sendo os próprios manolos da equipe ou os personagens do nosso habitat natural que acabam virando matéria. Entre esses personagens estão o deputado Fernandinho Mucioli e Erik Gustavo, nosso Caetano Veloso.


Equipe de sucesso (da esq. para a dir.): Pirajuí, Gus, Doda (logo abaixo), Bueno

Qual é o limite entre humor e jornalismo? Dá para fazer uma coisa envolvendo a outra? Games permitem esse tipo de cobertura?
RB: O limite depende da linha editorial. Você pode encarar com humor e informar sem desrespeitar ninguém. Da mesma maneira que pode não existir limite, em alguns casos, ou esse limite pode ser muito restrito, em outros. Acho que esse tabu do “limite” não faz muito sentido. É mais uma questão de honestidade, eu acho. Você pode encarar com humor e informar sem desrespeitar ninguém. Da mesma maneira que pode usar o humor de uma forma idiota e apelativa (como o CQC fez aqui), mesmo que, teoricamente, não esteja “ultrapassando limites”. Games permitem essa cobertura, é claro, e ainda podem ser muito explorados nesse sentido. Você pode fazer uma piada com as tragédias no Japão, com o massacre na escola do Realengo? Pode, não precisam existir limites. Não fizemos nada disso no Freeko porque, sei lá, não calhou, não foi algo que nos mobilizou a ponto de nos incomodar e precisarmos falar alguma coisa. Talvez isso não seja objeto do humor, por melhor que vá ser a sua piada. Num exemplo prático, talvez não falemos do Realengo no Freeko. Mas talvez falemos dos especialistas em porte de arma e dos jornalistas que manjam muito da putaria – por mais que não tenha graça para o resto dos irmãos.

Em curto prazo, médio prazo e longo prazo – quais os objetivos do Freeko?
RB: Curto prazo: renovar os destaques da home, que estão ali faz uns cinco anos, e reforçar nossa parceria de conteúdo com o Gamevicio; Médio: conseguir mais tempo pra trabalhar mais com vídeo, desovando umas ideias que não saem do papel; Longo: consolidar a fama de ser um reduto de meia dúzia de malucos perdedores que tentou fazer desse trecho do nosso mundo um lugar menos babaca e com mais fotos da Paola Oliveira.

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Nos próximos dias, mais uma Entrevista da Semana com o pessoal de um site novo que também não se leva (muito) a sério: o Lektronik.

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21/03/2011 - 13:14

A Mecânica do Jogo – como funciona?

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Tarda mas não falha.

Aqui está a primeira parte do documentário A Mecânica do Jogo, elaborado pelos jornalistas Bruno Araújo e Carlos Oliveira ao longo de 2010. É um material bastante interessante para quem quer se aprofundar no tema e escutar opiniões diferentes. Eles descrevem o projeto assim: “O que é o videogame e sua relação com o jogador? Qual é seu papel cultural? A pirataria é causa ou consequência? E como funciona isso tudo no Brasil? Por que o gamer brasileiro é como é?” Deu pra sacar?

Eu fiz minha contribuição com algumas palavrinhas e bastante enrolação. O trailer é esse aí embaixo…

…E quem quiser acessar todos os capítulos do documentário, é só acessar o vídeo a seguir e clicar no segmento desejado.

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31/01/2011 - 17:04

Melhores de 2010 – Escolha do Leitor

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E veja só, até que não demorou muito. Vamos agora aos melhores games de 2010 de acordo com a escolha do leitor. Ou seja, você mesmo.

Contabilizei os votos recebidos nos comentários do site entre o finalzinho de dezembro e o início de janeiro, usando a seguinte metodologia: 5 pontos para cada vez que o game é citado em primeiro lugar; 3 pontos para o segundo; 1 ponto para o terceiro. Em caso de empate em pontos, ficou na frente o game com mais citações. Somando tudo, deu o resultado que você vê a seguir. Se for comparado ao resultado da critica, publicado ontem, você talvez se espante com as discrepâncias (e são várias) O que isso diz sobre os hábitos dos jogadores normais e como isso pode ser analisado diante das escolhas dos jornalistas? Gostaria de levantar essas questões. Mas, por enquanto, vamos à lista. E não poderia de deixar de agradecer a quem votou. Sua ajuda foi inestimável.

E aqui estão, finalmente, os 21 melhores games de 2010, segundo você:

1. Red Dead Redemption

X360, PS3 / Rockstar – 32 citações

Na crítica, deu Red Dead Redemption. E o leitor concordou com isso. Foi a única unanimidade de posições nas duas listas, o que leva a crer que: 1. o game é bom mesmo e todo mundo o jogou; e 2. por falta de grandes opções, não foi um ano assim tão difícil de escolher o game que mais se destacou. Em todo caso, é o game de 2010, agora sem dúvida alguma. Quem discorda?

2. Super Mario Galaxy 2

Wii / Nintendo – 23 citações

O carisma de Mario (e a popularidade do Wii) deram a vice-liderança para Super Mario Galaxy 2 entre os leitores. Entre a crítica, o game ficou em quarto, atrás de games de temáticas mais "adultas" como God of War III e Mass Effect. Seria um indício de que a crítica brasileira (na casa dos 30 anos, em média) estaria enxergando o console da Nintendo com olhos menos positivos?

3. God of War III

PlayStation 3 / Sony – 22 citações

Kratos menos cotado que o Super Mario? Faz sentido, se levarmos em conta que o PS3 demorou a engrenar no Brasil. Mas a diferença de citações foi pequena, o que leva a crer que a disputa poderia ter sido ainda mais acirrada se o PlayStation 3 fosse um pouco mais acessível no país

4. Mass Effect 2

X360, PC / BioWare – 15 citações

Eis que o leitor do Gamer.br mostra que não gosta só de "joguinho". Ou você pensa que Mass Effect 2 é para qualquer tipo de jogador? Quem encarou, disse que valeu a pena - e continuou jogando

5. Donkey Kong Country Returns

Wii / Nintendo – 11 citações

Mas havia espaço para a nostalgia no coração dos jogadores em 2010. Crítica e público concordam: Donkey Kong é importante demais para ser coadjuvante. Sem dúvidas, foi o retorno do ano

6. StarCraft 2: Wings of Liberty

PC / Blizzard – 7 citações

Um dos grandes lançamentos do ano a R$ 50 foi um apelo irresistível demais até para quem jamais se arriscou em games de estratégia. No fim das contas, a maioria curtiu. Ponto para a Blizzard

7. Halo Reach

Xbox 360 / Microsoft – 5 citações

E quem disse que brasileiro não gosta de Halo? Depois de tanto marketing, a Microsoft conseguiu convencer de que valia a pena se arriscar na franquia. E o jogador brasileiro se acostumou à ideia

8. Heavy Rain

PlayStation 3 / Sony – 6 citações

A primeira grande discrepância entre público e da crítica. Por que os jornalistas se esqueceram do perturbador Heavy Rain? Será que faltou divulgação? Pelo jeito não, porque o leitor se lembrou

9. Alan Wake

Xbox 360 / Microsoft – 5 citações

Outro que foi esquecido pela crítica ganhou boa posição com o público: a aparição de Alan Wake é outro sinal de que o marketing da Microsoft Brasil deve estar funcionando bem com o consumidor

10. Bioshock 2

X360, PS3, PC – 3 citações

A imprensa colocou o primeiro Bioshock no céu. Já o segundo, foi devidamente ignorado (vai entender). O leitor não se importou com isso se lembrou do game mesmo assim

Menções honrosas (games também citados):

11. Battlefield: Bad Company 2 – X360, PS3, PC / Electronic Arts

12. Super Meat Boy – X360, PC / Team Meat

13. Bayonetta – X360, PS3 / Sega

14. Limbo – Xbox 360 / PlayDead

15. Call of Duty: Black Ops – X360, PS3, PC / Activision

16. Gran Turismo 5 – PlayStation 3 / Sony

17. Fallout: New Vegas – X360, PS3, PC / Bethesda

18. Super Street Fighter 4 – PS3, X360 / Capcom

19. Fable 3
– Xbox 360 / Microsoft

20. Pokémon Heart Gold/Soul Silver – Nintendo DS / Nintendo

21. Kirby Epic Yarn
– Wii / Nintendo

***

Outros fatos dignos de nota, se compararmos a lista da crítica e a do público:

Call of Duty: Black Ops ganhou o quarto lugar entre a imprensa; entre o público, quase ficou de fora do top 20. Para mim, é fácil entender: os jornalistas citaram não apenas os melhores, mas também os games mais comentados do ano, e isso, Black Ops o foi (por diversas razões que pouco se relacionam à qualidade do game em si). O leitor, por sua vez, não jogou. Ou se jogou, não gostou. O mesmo talvez tenha acontecido com Assassin’s Creed: Brotherhood, bem lembrado pelos críticos e ignorado pelo público.

– A lista do leitor trouxe dois games indies em seu top 20, Super Meat Boy e Limbo. A dos jornalistas só trouxe Limbo. Por outro lado, o leitor ignorou o hype sobre Scott Pilgrim e só mencionou o game uma única vez.

– Jornalistas são mais nostálgicos do que os próprios leitores? Talvez, o que explicaria a presença de games como Dragon Quest IX, Castlevania, Pro Evolution Soccer e Need for Speed somente no top 20 da imprensa. Já a dos leitores mostram que a Nintendo ainda encanta, com os destaques a Kirby Epic Yarn e os mais recentes Pokémon.

No total, 13 games foram citados em ambas listas. Catorze são diferentes (obviamente, sete para cada lado). Já os quatro primeiros colocados, curiosamente, são os mesmos nas duas eleições. Talvez isso se dê por causa da limitação de cada eleitor só poder escolher três jogos, o que restringe ainda mais a variedade de títulos. Ou talvez porque esses quatro games sejam mesmo os melhores lançados em 2010 e ponto final. Não vi as listas estrangeiras, mas acredito que não fugiram muito do que foi apresentado por aqui. E agora, você me diz: qual das duas listas merece mais a sua aprovação, a dos jornalistas ou a dos leitores?

Já podemos pensar em 2011? Ainda não: tem a lista dos melhores e piores fatos de 2010. Mas isso eu devo publicar até o final dessa semana. Por enquanto, vá discutindo essas.

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22/11/2010 - 11:32

Brasil Game Show: Um pouco do primeiro dia

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O final de semana foi pesado (compromissos, shows de rock, um Beatle tocando umas músicas em um estádio de futebol). Por isso, não pude comparecer ao Brasil Game Show no Rio de Janeiro. Mas o Gamer.BR tinha um correspondente por lá, o repórter Gus Lanzetta, que enviou seu relato do primeiro dia de evento, no sábado. Confira:

***

Primeiro dia de Brasil Game Show
Por Gus Lanzetta, enviado especial Gamer.BR

Olá leitores do Gamer.BR!

Estou no Rio de Janeiro, em missão especial: cobrir o Brasil Game Show.

Como o Pablo está ocupadíssimo aí em São Paulo, tendo de ficar de olho no Phoenix, Girl Talk e Sir Paul McCartney, coube a mim trazer um pouco de informações sobre o que está rolando aqui.

Nos últimos meses, a expectativa por parte do público quanto ao Brasil Game Show – sucessor do Rio Game Show – variava, mas muita gente estava animada com os dois dias dedicados aos videogames, principalmente os que estarão na Cidade Maravilhosa e poderão jogar lançamentos e novidades que só chegam às lojas no ano que vem.

Por isso mesmo, uma fila imensa se formava no ensolarado calor do Rio de Janeiro, jovens e não-tão-jovens aguardavam a abertura das portas do Centro de Convenções SulAmérica, às 11h deste sábado, 20/11. Com o passar do dia, ainda mais gente encheu o show floor e ficou quase impossível se locomover entre os estandes, especialmente pelas aglomeração criada pela competição de Starcraft II, que contava com narrador e telão.

Hector arriscou o português pra responder algumas perguntas. Já ficou expert em falar "Talvez"

Como em quase todo evento brasileiro, a presença mais esperada e comentada é a de um estrangeiro. O gringo da vez? Hector Sanchez, produtor do novo Mortal Kombat, que veio falar sobre a renovação da franquia, detalhes da experiência de jogo e dar a chance do público brasileiro experimentar um grande lançamento de console meses antes de seu lançamento, experiência raríssima para os gamers do país.

A apresentação foi a mesma dada aos visitantes da Penny Arcade Expo (PAX), nos EUA e na Electronic Game Show (EGS), no México. Mas juntou dezenas de frequentadores que bateram palma pra fatalities, fizeram perguntas e até puderam enfrentar Sanchez em Mortal Kombat.

A foto é da E3, mas Bertrand continua o mesmo. Mas os seus cabelos...

A foto é da E3, mas Bertrand continua o mesmo. Mas os seus cabelos...

Também rolaram palestras de grandes nomes, como o ícone das histórias em quadrinhos Maurício de Sousa e Bertrand Chaverot, o diretor da Ubisoft no Brasil. Não pude estar nessas duas apresentações porque tem tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que não dá pra ver tudo mesmo. Mas assim que o BGS terminar, prometo que conto mais detalhes do que os caras aí falaram.

Agora vou correr para aproveitar o último dia, que promete ser tão interessante quanto o primeiro.

Ah, antes de ir, acabei de receber das mãos de uma das assessoras do evento, um release que informa as datas da edição 2011 do BGS: 5 a 9 de outubro. Pois é, o pessoal percebeu a fome do público brasileiro por eventos de videogame e dobrou a duração da farra.

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16/11/2010 - 14:05

As principais notícias – da semana passada

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Esse feriado durou pouco, não?

Foi curto e nem deu tempo de colocar os games em dia – Rock Band 3, Guitar Hero 6, Call of Duty: Black Ops, F1 2010 e mais um monte deles. Assim fica difícil ser feliz. Todo mês de novembro é a mesma coisa. Quem possuir a fórmula para conciliar tempo livre e tantos jogos, me avise. Eu não dou conta. Alguém quer jogar para mim e me contar depois?

Prometi que não faria promessas, mas dessa vez é sério: amanhã publicarei finalmente os nomes dos vencedores da promoção de 4 anos do Gamer.br. E além dos nomes aqui, vem aí uma nova promoção. Porque não dá para ficar parado.

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Entrou no ar mais um podcast da equipe do Arena Turbo, o Games on the Rocks. Acredite, é o que o nome dá a entender: caras discutem games enquanto bebem. Eu participei dessa vez (ao lado de Caio Teixeira, Caio Corraini, Henrique Sampaio, Douglas Pereira e Gus Lanzetta), mas garanto que não bebi uma gota.

Clique e baixe aqui (tem mais de uma hora de duração, então é melhor pegar algo para comer).

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E acabou o mistério. O Kotaku Brasil enfim anunciou a sua equipe fixa – e o fizeram com toda pompa e circunstância de costume.

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Conversei esses dias com o amigo Luiz Siqueira, da editora Europa, que me repassou a declaração oficial da empresa a respeito do fim das revistas NGamer e Edge:

“A Editora Europa descontinuou a NGamer e a EDGE. Motivo, vamos concentrar esforços nas outras duas publicações de games para aumentar ainda mais a circulação. EDGE e NGamer sofriam para emplacar a circulação, e temos de focar no resultado. Ninguém será dispensado, e todos continuarão aqui na Editora e agora para fazer XBOX e PlayStation ainda mais fortes e líderes do segmento, como são atualmente pelo IVC. Todos os assinantes serão indenizados.”

***

Sobre o Gran Turismo 5 no Brasil, você me pergunta.

Não sei de nada, e ninguém mais sabe. Por enquanto, a Sony Brasil não se pronunciou oficialmente a respeito. Lá fora, sai mesmo em 24 de novembro, após diversos adiamentos. Por aqui, é possível que também saia em uma data próxima. O que se sabe é que uma versão do jogo estará disponível para testes no evento Brasil Game Show, que ocorre no Rio no próximo final de semana.

Sobre isso, aliás, falo depois.

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Totalmente off-topic – ou nem tanto. Finalmente, músicas dos Beatles podem ser compradas no iTunes da Apple. Apesar de esse negócio de comprar música digital não ser muito difundido por aqui, lá fora ainda é big business. E isso me deixa curioso sobre o que você pensa: se o iTunes vendesse músicas no Brasil, você compraria? E qual seria o preço ideal por faixa? Para se ter uma ideia, cada música dos Beatles sai por US$ 1,29 (por volta de R$ 2,20). Você pagaria quanto sem reclamar?

Só por curiosidade mesmo.

Boa semana a todos.

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08/11/2010 - 19:32

Revistas Edge e Ngamer vão parar de circular

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A notícia já se espalhou como fogo: a editora Europa cancelou hoje duas de suas publicações especializadas em games no Brasil.

As revistas Edge (editada por Fabio Santana e Felipe Azevedo) e a NGamer (por Eduardo Trivella), ambas licenças da editora inglesa Future Publishing, deixam de ser publicadas a partir do próximo mês. Consultados pelo Gamer.br, os representantes da editora Europa preferiram ainda não se pronunciar oficialmente sobre o assunto.

Vale dizer que nenhum dos jornalistas envolvidos ficou sem trabalho: os integrantes das equipes das revistas canceladas já foram remanejados para as outras publicações da editora – no caso, a Dicas e Truques para PlayStation e a Revista Oficial do Xbox. Obviamente, o clima na redação ainda é de desnorteamento, uma vez que a notícia é recente chegou como surpresa.

No total, a Edge durou 18 edições, desde que chegou às bancas, em junho de 2009, em um processo que já havia substituido a revista Gamemaster. Já a NGamer, que foi lançada em julho de 2007 como uma “revista 100% Nintendo”, durou exatas 40 edições.

Na condição de jornalista que formou carreira em revistas de games, só tenho a lamentar. As bancas, os leitores e o mercado sentirão as ausências dessas duas publicações de nível internacional que serviam como palcos de atuação de alguns profissionais da mais alta competência (todos caras com quem já tive o prazer de trabalhar lado a lado). A notícia triste também dá margem a discussões insolúveis que pensei que ficariam afastadas de nossas rotinas pelo menos nos próximos anos: até quando as revistas vão resistir? Ou trata-se de um acontecimento atípico? O mercado editorial vai bem ou não? Alguém continua a comprar as revistas que consumia há cinco, dez anos? Ou apenas novos leitores compram revistas?

Todas essas perguntas são feitas diariamente nas editoras espalhadas pelo país – não apenas as que publicam revistas de games. E acredite, nenhuma delas possui fácil resposta. Enquanto nada muda efetivamente (enquanto houver árvores disponíveis e leitores interessados, pelo menos), vamos seguindo adiante, trabalhando no escuro, torcendo para acertar o alvo, mês após mês. Não é fácil. Mas a gente adora, senão não estaríamos fazendo.

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21/10/2010 - 04:48

Blizzcon – Vai começar

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E aqui estamos, no aeroporto.

Embarco em instantes para os Estados Unidos, onde irei cobrir o evento Blizzcon ao lado de meus colegas da imprensa brasileira.

Além de mim, estarão lá os jornalistas do IG, UOL, Edge, Globo, PlayTV, G1 e mais outros veículos. O evento começa oficialmente na sexta e vai até o final do sábado. Para quem não sabe, a Blizzcon é o evento oficial da Blizzard, fabricante de World of Warcraft, StarCraft e outros clássicos, e é uma bela mistura de feira, torneios e debates. Tem até música na jogada: está previsto também um show do duo Tenacious D, mais conhecido como “aquele projeto estranho do Jack Black”.

Vou transmitir de lá minhas impressões sobre o evento. A reportagem completa será publicada na Rolling Stone de novembro. E além disso, irei publicar aqui umas novidades do mercado nacional que estão rolando esses dias. E não foi pouca coisa.

Vou lá então, que o embarque já começou. Até a volta.

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