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30/09/2011 - 18:25

O que é o Brasil dos Games, Parte Final

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E vai acabar assim, com alguém fazendo comigo o que eu fiz durante cinco anos (sempre no bom sentido, claro): em uma Entrevista da Semana.

O escolhido para a tarefa foi o Gus Lanzetta, o onipresente faz-tudo do jornalismo gamer de guerrilha. Gus surgiu fazendo podcasts no falecido Audiogame, passou pelos principais portais do país, deixou sua marca no Freeko e atualmente é um dos comandantes do ambicioso Lektronik. Conheci o Gus na época em que comecei o blog, um pouco antes, um pouco depois, e ele sempre foi um dos meus grandes apoiadores/colaboradores aqui. Então, acho justo que ele participe desse desfecho. Talvez minhas palavras falem melhor por mim do que eu mesmo. Mas não seria a mesma coisa?

Possivelmente. Mas em uma entrevista exercemos um diferente tipo de faceta. Não saberei explicar melhor – as perguntas e as respostas resumem a história por mim.

A todos vocês, meu muito obrigado. E até logo! Volto em breve.

***

Entrevista da Semana: Pablo Miyazawa (Gamer.br)

Por Gus Lanzetta*

Entrevistar o Pablo para este blog parece algo lógico quando se considera o quão icônicas as entrevistas que ele conduziu através dos anos no Gamer.br foram. É uma forma de registrar quem aqui fez o registro, de homenagear o trabalho do japonês mais querido de toda a Vila Madalena… Ou não, sei lá. Eu só cheguei nessa ideia depois do Miyazawa me pedir pra escrever aqui neste derradeiro mês e eu não conseguir achar uma “pauta”.

Por mais desrespeitosa que seja a motivação, o que importa é o produto, agora fica aí: Pablo Miyazawa, o jornalista, o homem, em suas próprias palavras digitadas impecavelmente no MSN.

Gamer.br: Pablo, na última década você seguiu uma carreira que lhe rendeu a fama de ser um dos maiores entendidos de joguinho do país. Como começou essa trajetória no jornalismo sobre games e o que você buscava atingir profissionalmente quando começou a escrever na Nintendo World? Acha que alcançou esse objetivo?

Pablo Miyazawa: Quando comecei, não havia pretensão nenhuma. Não havia nada a ser almejado, porque não havia nada anteriormente. É até engraçado falar disso, já que nem faz assim tanto tempo – 1998, há 13 anos -, mas era tudo tão diferente que parece outra era. Começou por acidente, quando fui chamado para trabalhar na revista que nem existia ainda, e acabou se tornando minha vocação e minha carreira. Acho que hoje posso dizer que, seja lá qual objetivo alcancei, eu atingi bem mais do que poderia esperar. Sem nenhuma dúvida.

Gamer.br: E essa vida de escrever sobre games passou por cima de outra que você sonhava em ter? Você fez faculdade de jornalismo, não? O que você pensava que ia fazer da vida antes de cair, por acidente, no buraco – digo, mundo dos videogames?
PM: Eu imaginava que eu iria trabalhar com algo que gostasse – não pensava que não daria certo. Mas como disse, não tinha pretensões grandes. Se arrumasse emprego em um jornal, tudo bem. Naquele tempo, ninguém tinha tanta pressa como hoje em dia. As pessoas são ansiosas demais. Realmente, não há espaço para todo mundo, a concorrência é quase desleal. Mas naquele tempo, fim dos anos 1990, era como se houvesse chances a todos – era só descobrir a sua. Eu não imaginava que o segmento “jornalismo de games” se tornaria relevante (na real, nem imaginava que se tornaria um segmento considerável). Hoje, a história é outra e fico feliz de ter feito parte desse desenvolvimento. Mas, naquela época, não era algo que eu pudesse exatamente me orgulhar. Meus colegas de faculdade e seus empregos na grande imprensa não me levavam muito a sério por fazer revistas “para crianças”. Hoje, fico satisfeito de não ter dado ouvidos a esse tipo de crítica.

Gamer.br: Você acha que teve ou tem influência nos jornalistas de games do Brasil? Que influência seria essa?
PM: Olha, seria prepotência dizer que sim, mas muita gente me diz que tive. Então, prefiro fingir que não penso a respeito disso. É claro que penso, principalmente quando vejo o quão diferente era e como é hoje em dia. Só percebo certas coisas quando encontro pessoas que dizem que liam as revistas e que decidiram fazer jornalismo por causa disso. Não sei, é difícil dizer (e fácil parecer babaca falando sobre isso). Eu prefiro crer que todo mundo que trabalhou naquela época colaborou para preparar o terreno para o que temos hoje – e o que temos hoje é ótimo. Uma imprensa especializada atuante, antenada e relevante, que continua pautando a grande imprensa, mas não agindo como nicho, ou com complexo de vira-lata. Estamos fortes hoje, e mais relevantes. Evoluímos.

Gamer.br: Evoluímos como os Pokémons que se popularizaram muito na época em que você estava entrando nesse mundo de escrever sobre videogame, mas se a imprensa especializada foi de um Pichu para um Pikachu, qual você acha que é nosso Raichu?
PM: Não acho que, no caso, ser Raichu é uma coisa melhor. Veja bem, do ponto de vista pokemoniano, o Pikachu tem muito mais carisma a e qualidades do que um Raichu. Acho que, por bem, deveríamos nos manter pikachus. Não sei se todo mundo irá entender essas referências esquisitas, mas tudo bem.

Gamer.br: Tomara que não entendam, se todos entenderem, fica feio pra todo mundo. Mas agora que se faz Xbox e jogo de PS3 no Brasil, agora que a E3 tem mais brasileiro que mictório no banheiro, pra onde que você acha que tá caminhando tudo isso? E teriam nossos pisantes o poder de aguentar essa caminhada ou vamos cansar no caminho?
PM: Acho que vamos chegar naquele sonhado ponto em que os games são tão considerados e respeitados quanto o cinema e a música, talvez. Mas isso ainda vai demorar. Por enquanto, o estigma de nerdice/infantilidade/gueto continua enraizado nos videogames e essa ideia não vai se perder agora. Talvez quando nossos filhos estiverem se tornando formadores de opinião – daqui uns 15, 20 anos, talvez? Mas estamos pavimentando o caminho para isso, tornando os games mais acessíveis e relevantes, incitando as discussões, eliminando preconceitos. Tudo isso é um trabalho de longo prazo, lento, mas terá resultados lá na frente. Agora, será isso que estamos vendo: devagar e sempre.

Gamer.br: Vou encerrar não com uma pergunta, mas com um pedido: Em todos esses anos de Gamer.br você quase nunca falou mal de nada, normalmente só fala bem ou não expressa muita opinião. Então eu peço, Pablo, dá pra falar mal de alguma coisa? Só essa vez, vai, pode até ser de mim, dessa entrevista, qualquer coisa.
PM: Ok, você pediu. Não é de meu feitio fazer isso, assim como também não quero ser conhecido por apenas falar “bem” das coisas. Mas se tem algo que eu gostaria de criticar é a maneira com que muita gente se leva a sério nessa vida. Nem estou falando apenas do jornalismo de games, ou da indústria de games, mas da vida de um modo geral. É muito fácil pra muita gente criar caso, reclamar, xingar ou entrar em conflito por besteira, amendoins. Fico chocado como tem gente que entra em brigas com pessoas que nem conhecem, simplesmente por divergirem em temas que não são relevantes (opinião – todo mundo tem uma, nenhuma é necessariamente melhor que a outra). Então, reclamo aqui de quem se leva muito a sério e quem se preocupa muito em impor opiniões e diminuir a importância do que outros pensam.
Não dá para querer que todos sejam amigos e vivam em harmonia, mas a vida seria menos conflituosa e estressante se cada um cuidasse de seu próprio trabalho e fizesse o melhor possível para fazer o seu sem necessariamente prejudicar ou punir o outro. É utópico, mas penso nisso sempre.

Gamer.br: Muito obrigado, Pablo, seu blog agradece.

**

Essa então foi minha contribuição para o funeral mais longo que um blog já teve nessa “blogosfera” de videogames. Fiquei muito contente todas as vezes que pude contribuir pra esse blog, incluindo hoje. Mas não vou ficar rasgando muita seda nem nada, porque afinal é só um blog, ninguém morreu e, acima de tudo, não quero levar isso a sério demais.

*Gus Lanzetta (@guslanzetta) faz parte das equipes dos sites Lektronik e Freeko.

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30/09/2011 - 16:42

O que é o Brasil dos Games, Parte 13

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É o úlitmo dia do Gamer.br.

Você está triste? Eu diria que estou “agridoce”. Feliz de ter encerrado um ciclo. Triste por ter que finalizar algo que ainda não estava pronto. Mas será que um dia estaria? Pois é. A gente nunca sabe.

Hoje publicarei as homenagens restantes. O conteúdo do blog ficará no ar por um tempo ainda (enquanto o iG assim desejar), então é bom aproveitar os próximos dias.

A amiga Flávia Gasi gentilmente produziu um vídeo especialmente para ser veiculado aqui hoje. Flávia é sem dúvida alguma uma das principais personalidades do mercado de games brasileiro e acabou de conquistar mais uma grande vitória: ela irá estrear, a partir de outubro, na televisão aberta – mais especificamente um quadro chamado “Planeta Game” no programa Leitura Dinâmica, da Rede TV, falando sobre games (obviamente). Sou suspeito para dizer que achei a homenagem que ela preparou das mais emocionantes, mas se você assistir irá sacar como me sinto. Eu só posso agradecer muito, além de garantir que sim, um novo projeto vem aí em breve. Só não posso ainda dizer quando e como.

É isso aí. Assista, comente e divulgue enquanto é possível.

***

Uma homenagem a Pablo Miyazawa

Por Flávia Gasi*

*Flávia Gasi (@flaviagasi) escreve no GameGasi.

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28/09/2011 - 20:16

O que é o Brasil dos Games, Parte 12

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Hoje é quarta-feira. Ou seja, faltam dois dias para o encerramento das atividades do Gamer.br aqui no iG. Passou rápido esse mês.

Hoje, a homenagem vem do Renato Bueno, um dos jornalistas de games (e de todo o resto, por que não) mais criativos que conheço – e isso é elogio. Bueno, como todo mundo o chama, trabalhou comigo nas revistas EGM, passou pelo G1, escreveu pra meio mundo e agora está metido no projeto Kotaku Brasil. Nas horas vagas, ele produz conteúdo para o quase inexplicável Freeko (não conhece? Deveria). A seguir, você lê o relato do Renato a respeito de sua entrada no mercado de games brasileiro – pela porta da frente – e a evolução das coisas dos últimos seis anos para cá. É uma bela viagem, devo dizer. Confira, comente no final e divulgue por aí.

***

Brasil dos Games tem gráficos razoáveis e fator diversão a definir

Por Renato Bueno*

Enquanto o infalível Eduardo Trivella (longa história) explicava por telefone as conjunturas sociais da época e insistia para que eu considerasse a oferta, minha cabeça de frila level 1 só era capaz de enxergar ali uma missão irrecusável, e não uma peça-chave que mais tarde explicaria pelo menos metade do universo. Encostei a enxada, avaliei os fatores, calculei as possíveis consequências. Três segundos e meio depois, fechávamos o negócio. Eu cruzaria a divisa MG-SP de ônibus num bate-volta de 300 horas para resgatar na redação da Editora Conrad um RPG safado que não vinha sendo dos mais requisitados entres os colaboradores da revista EGM Brasil. Era adrenalina.

O RPG era terrível, mas por algum motivo continuei jogando mesmo depois de ter entregado o texto. Meses depois, vi essa viagem de ônibus até a redação de games mais legal da época se transformar em 10 minutos a pé. Tinha passado a morar num hotel em São Paulo (longa história 2) que, por acaso, ficava perto da Conrad. O prediozinho amarelo era o checkpoint em que o bauruense Théo Azevedo (tem futuro) distribuía trocadilhos e as missões da EGM PC.

Mais alguns meses depois, o destino ridículo fez com que eu me mudasse do hotel para um apartamento ainda desconhecido. Era numa região mais ou menos familiar. Ficava ali… numa rua perto de… ao lado de… uma certa editora… com aquele símbolo de Pac-Man. Ok. Mundo aberto? Escolhas para o protagonista? Eu tinha entendido o recado: era tudo uma grande palhaçada, bem como naquele RPG do inferno. E quando o indispensável Pablo Miyazawa (só tretas) insinuou que eu devia abdicar do cargo de colocador de tirinhas na penúltima página da Ilustrada em nome de uma quest maior, ele não precisou insistir muito mais que o Trivella no primeiro parágrafo.

Depois disso foram cinco anos em que, para agilizar, não aconteceu muita coisa – e nem mudei de casa. Abandonei umas quests, peguei algumas outras, estraguei minha saúde mais do que o recomendado por qualquer Ministério. Escrevi groselhas, desperdicei páginas do mano Nelson (só Xisboca), troquei de facções mas nunca traí minha convicção de só fazer aquilo em que boto fé, como o Freeko e o Kotaku. E ainda boto fé, sem Bíblia, nisso que é considerado o Brasil dos Games (demagogia +5).

Por mais que todas as evidências provem o contrário, por mais que eu tenha passado por vários meios de comunicação e me arrisque a generalizar que, editorialmente, os donos do sistema só vão entender de games daqui a 90 anos, e quem entende de games hoje ainda não tem o preparo (ou a disposição) de fazer barulho no mercado – ou quando tem o preparo, faltam as vírgulas. Por isso ficamos à deriva nesse boia-cross pantanoso, sem oxigênio para uma Edge e um Gamer.BR, mas com garganta de sobra para discutir serrilhado, falar que “deve agradar os fãs da série” ou que o jogador médio de Need for Speed precisa morrer com cinco estacas no peito.

A única saída é largar tudo e sair vendendo Yakult, como já previam os planos do astuto Ronaldo Testa (manja nada) nas turbulências de “antigamente”. Ou botar tudo na conta do Pablo e passar o testamento em nome de Pedro Santana, filho e verdadeiro ghostwriter do magnata Fabio Santana (só Final Fantasy) – atual culpado pela miséria no mundo e por não ter escrito seu texto aqui ainda.

Assim como naquele RPG tísico de 2005, o Brasil dos games é bizarro, produto de um game designer insolente que nem sonha com patchs de correção. Às vezes preso por conta própria num cercadinho de bebê, às vezes fazendo um hang-loose com pranchinha de isopor em Teahupoo. É bugado, desconexo, desesperador. Mas você continua jogando. Porque assim como o Trivas via alguma coisa no RPG cancerígeno que aparentemente ninguém queria, eu desconfio que exista uma dungeon do caralho em algum lugar, e penso em chegar nela nem que seja cultivando úlceras e batendo a cabeça em todos os cantos do cenário.

*Renato Bueno (@rbueno) é editor do site Kotaku Brasil.

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27/09/2011 - 21:06

O que é o Brasil dos Games, Parte 11

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Vamos a mais BRASIL DOS GAMES?

O texto-homenagem hoje é da Rosa Arrais. Quem trabalha com jornalismo de games no Brasil a conhece (e se não a conhece, é porque não trabalha direito). Rosinha, como ela é chamada, comanda uma empresa especializada em assessoria de imprensa, a Rosa Arrais Comunicação, cuja história meio que se mistura com a trajetória dos videogames no País.

Ela mesma relembra: “Escrevi meu primeiro release de games – sobre o Dynavision – em 1990. Nunca mais sai do mundo dos games. Tive a sorte de fazer parte de acontecimentos importantes, como o lançamento do primeiro jogo dublado, o primeiro jogo legendado, os primeiros jogos em português, o primeiro jogo censurado (Carmagedon). Já fiz assessoria de imprensa para feiras de games, eventos, campeonatos. Lancei jogos, acessórios, sites e empresas de games. Já divulguei jogo casual, jogo para criança, jogo educativo, jogo que foi proibido, jogo para PC, para celular, para console… 21 anos deu tempo de fazer muita coisa, ter muitas lembranças e muitos amigos”.

Isso diz tudo sobre o que virá do texto abaixo. Só posso agradecer a Rosinha pela participação na semana de despedidas do Gamer.br. Leia tudo, reflita e não deixe de escrever seu recado lá no final.

***

O Brasil dos games de ontem – e de hoje

Por Rosa Arrais*

Recentemente, num fórum de um grande portal, um leitor disse ter a impressão de que os veículos midiáticos estão mais preocupados com suas passagens para feiras de jogos e com reviews repletos de jabá do que em praticar o jornalismo, investigar e denunciar. Também um dia desses, li que o presidente do Redner Group, agência de relações públicas responsável pela divulgação do Duke Nuker Forever, postou em seu Twitter que embargaria o envio de informações e cópias para teste para todos os veículos que publicassem noticias depreciativas ao jogo. A ação, dizia a matéria, foi condenada pela 2k Games, que cancelou o contrato e disse aceitar todo tipo de crítica.

Quando o assunto é games, parece que não há dúvida de que a imprensa é o quarto poder, principalmente quando se inclui no bolo a massa de blogueiros e de anônimos que atuam como instituições democráticas de comunicação. Apesar de toda essa força, a mídia de games no Brasil não tem o devido reconhecimento. Agora, por exemplo, quase todos remetem o crescimento do mercado brasileiro de games ao fato de as grandes empresas estarem no País ou em vias de se instalarem ou fabricarem aqui, ao recuo da pirataria, à realização de grandes feiras, ao lançamento de jogos legendados etc. O Brasil se tornou a bola da vez também para os games e até o Governo já olha para o segmento com outros olhos, e não mais apenas para classificar os jogos por faixa etárias.

Será que estaríamos nesse estágio se, anos atrás, a mídia já não tivesse apoiado as primeiras iniciativas? Nem falo da mídia especializada, que essa nem existia. Em dezembro de 1990, por exemplo, na coletiva realizada pela BraSoft para anunciar que, além de softwares como o processador de textos WordStar, ela passaria a distribuir jogos para computador, comparecerem quatro ou cinco ornalistas, daqueles que escreviam sobre mainframes e reserva de mercado mas que, rapidamente e sem preconceito, começaram a escrever sobre o Sim City, simulador de cidades da Maxis e um dos 30 títulos para PC que estavam sendo lançados no Brasil. Os jogos eram para DOS, e só quem usou esse sistema operacional sabe o que isso significa. Nem adiantava ceder uma cópia do jogo para o jornalista. Dificilmente ele conseguiria ou poderia mexer em toda a configuração do – muitas vezes – único PC da redação para instalar e resenhar. Para dar a notícia, o jeito era ir até a BraSoft , ver o V. Schultz jogar, ler o manual e botar a imaginação para funcionar. Sem dúvida, cada matéria era um aval para o surgimento do mercado de games. Jornais de todo o país passaram a ter uma seção ou coluna de games. E revistas como Ação Games, Computer Games, SuperGamePower, Revista do CD-ROM e CD-ROM Today, que muitos jogadores de hoje nem chegaram a conhecer, foram alicerces para muito do que se lê hoje.

Jornalistas, entusiastas, fãs e, recentemente, blogueiros. O que esse povo já fez pela paixão pelos games e por acreditar nesse mercado vale entrar para a história. Lembro-me do Reinaldo Normand, um dos fundadores do Outerspace, lutar contra a censura nos jogos e ser ameaçado de processo por um deputado mineiro. Lembro-me do Theo Azevedo, ainda menino, batalhar para conseguir entrar no mailing das empresas de jogos e botar o TheoGames no ar. O mesmo esforço do Gabriel Morato, do Batz (ai, que saudade!!!)…

Enfim, o Brasil dos Games de hoje deve muito à imprensa que fez o Brasil dos Games de ontem. Alguns continuam no jogo, outros deixaram o jornalismo mas continuam na área, como é o caso do André Ruas e do Ivan Cordon, e outros continuam na mídia mas deixaram o joystick, como a Silvia Bassi, Monica Pina e Mario Fittipaldi, entre tantos outros. Mas todos merecem ser reverenciados pelo importante papel que tiveram para o mercado ser o que é hoje.

Como o mercado brasileiro, a imprensa de games se profissionalizou, amadureceu e, principalmente, cresceu. De um mailing feito à unha, com cerca de 80 nomes de profissionais de todo o Brasil e de todas as mídias (jornais, revistas e sites), passamos para uma base de quase 400 nomes de jornalistas e blogueiros interessados no assunto. Isso sem contar os que não cobrem sistematicamente o setor, mas que, dependendo da pauta, estão na roda. No começo desse ano, o Gamer.br foi testemunha desse número crescente. A votação para eleger os melhores jogos de 2010 contou com 88 profissionais, 49 a mais do que em 2007. Além do maior número de jornalistas e blogueiros de games, cresceu também o interesse de outras editorias. Em 1996/97, fui elogiada por ter conseguido a capa da Ilustrada para a Lara Croft. Era um feito inédito. Hoje, ainda é difícil expandir as fronteiras e conquistar uma notícia fora da mídia especializada, mas a receptividade é maior, principalmente por parte da mídia de negócios que não mais ignora a participação do entretenimento eletrônico na economia mundial.

Como o mercado brasileiro, a mídia especializada também tem um longo caminho pela frente. Tento ser a ponte entre as empresas de games e a imprensa, enxergar os dois lados, pensar como jornalista e agir como assessora, mas sei que ainda é preciso batalhar muito para mostrar a relevância da imprensa brasileira para a indústria estrangeira. Não sei de nenhum caso como o do responsável pela divulgação do Duke Nuker Forever, mas mesmo no Brasil dos Games de hoje ainda há quem tenha uma visão equivocada do papel do jornalista. Assim como há, por outro lado, jornalistas tão ácidos e negativos que a impressão que se tem é que não querem o Brasil dos Games.

Mas isso é outra história. Hoje, a ideia é bater continência para a mídia de games e reconhecer todo seu esforço para ajudar a construir, retratar e promover o Brasil dos Games. Ao Pablo, um dos generais mais respeitados, um agradecimento especial pelo que fez e por tudo o que, esperamos, fará em uma próxima versão.

*Rosa Arrais (@RosaArrais) é fundadora da Rosa Arrais Comunicação.

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26/09/2011 - 17:52

O que é o Brasil dos Games, Parte 10

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Começou a derradeira semana do Gamer.br.

E as homenagens e despedidas não param. Garanto um texto novo por dia até sexta-feira. E para começar, tenho a presença do amigo Caio Teixeira, um dos editores do portal Arena Turbo, do iG, que hospedou este blog nos últimos cinco anos. Ao invés do formato convencional de artigo, o Caio – que quem conhece sabe que tem opiniões fortes – resolveu escrever uma carta aberta endereçada… a mim. Acho que não há muito o que se explicar antecipadamente, mas interprete-a como um bem escrito desabafo a respeito do chamado “Brasil dos Games” em que vivemos. Leia, reflita e não deixe de comentar no final.

***

Carta aberta ao Pablo

Por Caio Teixeira*

Pablo,

É sempre “curioso” quando encontro contigo nos eventos “dus game”: pode ser uma leitura totalmente errada minha, mas sempre pareceu que você estava dando um “adeus” enquanto falava um “olá”.

Em algum momento, o Renato Bueno (agora editor do Kotaku Brasil, na época era da EGM PC) achou uma boa ideia me chamar para escrever sobre The Sims 2 (acho que era o dois… Não lembro, já bebia muito na época). Desde então acompanhei o “Brasil dos games” mais perto do que simplesmente através das banquinhas do Promocenter. Sabe o que notei? O “Brasil dos games” cresceu e, assim como aquelas tchutchuquinhas bonitinhas, ficou mais chato.

Não entenda-me mal, essa jovem cheia de não-me-toques hoje paga meu salário – e de mais uma galera maluca aê. Ela era muito mais jovial, cheia de ginga, carinha de ordinária, mas pelo menos andava com a galera e tacava o terror nos bailinhos da escola. Hoje é uma coisa politicamente correta que dá nojo, todas as passadelas de mão pelas quais ela praticamente implorava, hoje rejeita e nega como se nunca houvesse bolinado os amiguinhos atrás da sala do diretor.

E isso tudo eu digo apontando o dedo para nós mesmos, Pablo. Onde foi que eu, você e todos os outros jornalistas ficamos tão velhos (como dizem por aí)? Tão chatos? Tão orgulhosos do próprio mercado que nem conseguimos enxergar mais a “banalidade” do que falamos? “Videogame é coisa séria, mano! Expressão cultural tensa!”, é isso daí… Perdemos o gosto de jogar e de falar sobre isso.

Sou paternalista pra cacete, um problema que se reflete em todas as áreas da minha vida, gera conflitos e por aí vai. Mas será que isso é um problema só meu ou, realmente, tudo anda mais cinzento? Os problemas parecem sambar na cara de todo mundo, enquanto as pessoas ficam olhando para o lado oposto, onde uns tantos aí fazem malabares para descontrair o ambiente.

Ou sou só eu, mesmo? Pode ser, pode ser… Ou melhor, espero que seja.

Hoje, para mim, jogar videogame se tornou algo se não chato, pelo menos burocrático. Cheio de gente que manja muito mais do que você, só que das coisas que não são videogame – especialistas em produtoras, em nomes obscuros que fazem jogos apenas para eles mesmos. Tudo o que não é divertido, não é lúdico e não importa de verdade a galera sabe. Agora, vai perguntar para essa galera quando foi a última vez que enfiaram o pé-na-jaca só pela graça (e tristeza) de ser jornalista. Quando foi a última vez que conseguiram relacionar uma experiência totalmente pessoal (um livro, um causo, uma música) ao review de um jogo, que, é sim, o ápice da opinião/vivencia pessoal do maldito repórter/editor.

O mercado está melhor. Hoje a classe média pode esfregar com orgulho na cara da galera que ainda pirateia as centenas de matérias que saem falando sobre os grandes investimentos no País. Não ter dinheiro para comprar joguinho não está mais na moda, agora é a hora de pagar 1/4 de salario mínimo em um game, falar que tá caro, mas condenar o bróder que destravou o Xbox 360. Pirataria é o caminho? Não (mas realmente não sei se sou tão enfático nessa negativa quanto era uns anos atrás), mas eu não sei qual é também. Sei lá, eu, como jornalista, nunca tive o papel de dar caminhos, só mostrar os fatos (acertos e erros). Mas, aparentemente, atualmente não se pode apontar o erro sem dar solução, e não podemos apontar solução se não conseguimos coloca-la em prática. Somos escravos da assertividade e do discurso pró-ativo.

De qualquer forma, acho que nem eu daria muita atenção a tudo isso que eu falei, sou um cético-hiperbólico-sarcástico por natureza. Posso só estar sendo chato.

Ou não.

Queria lembrar de quando jogar videogame era um bagulho cru feito com os amigos, tipo isso:

Pablo, você é o cara mais diplomático que conheço. Por um tempo achei que isso era um defeito seu, hoje enxergo mais como uma excentricidade digna de uma boa pessoa. Foi uma honra poder falar, durante todos estes anos, que o Gamer.br fazia parte do guarda-chuvas de games no iG. Acho que poderíamos ter trabalhado ainda mais perto. Mas também acho que nossa distância sempre foi produtiva para a sua liberdade aqui. Sua partida nunca será esquecida, mas a sua estadia será ainda mais lembrada.

Boa sorte, japa. Tu merece.

Abraços,

Caio Teixeira

Caio Teixeira (@caio_o_teixeira) é um dos editores do Arena Turbo.

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21/09/2011 - 19:45

O que é o Brasil dos Games, Parte 7

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E o BRASIL DOS GAMES? Está firme?

Segundo meus amigos do mercado nacional, está melhor do que nunca. É o que se compreende pelas contribuições que estou recebendo nesse período de despedidas do Gamer.br no IG.

A colaboração de hoje veio do amigo Ricardo Farah, jornalista, ex-editor da revista EGM Brasil e atual sócio da SKY7, empresa especializada em conteúdo e consultoria digital no ramo de videogames. Farah deu sua visão positiva do mercado brasileiro, mas sem deixar de apontar defeitos clássicos que ainda estamos enfrentando até hoje. Leia, prestigie e comente lá embaixo.

***

No Brasil dos Games, a união faz a força

Por Ricardo Farah*

No Brasil dos Games existem dois perfis claros de habitantes ligados diretamente ao mercado: aqueles que querem a ilha só para si; e aqueles que não vêem a hora de trazer o maior número de gente possível para a ilha. No primeiro nicho estão pessoas que simplesmente estão aproveitando que videogame é a bola da vez em nosso país para fazer autopromoção ou para garantir a maior fatia do bolo. Ao outro grupo, que por sinal é bem maior que o primeiro para a nossa sorte, estão os profissionais realmente engajados em fazer a diferença, em levar os principais dados do nosso mercado para o mundo exterior, abrindo espaço para que novas empresas apostem em nosso potencial.

Não fosse pelos habitantes do segundo grupo, dificilmente você veria empresas como a Blizzard investir tanto em nosso país. Não fosse pelos habitantes do primeiro grupo, talvez videogame teria deixado de ser mainstream pela mídia em massa há muito mais tempo do que gostaríamos.

É amigo, o Brasil dos Games está prosperando como sempre sonhamos, mas ainda precisamos aparar as arestas, enxugar a gordura e limpar o mercado de quem realmente não está nessa por amor a profissão e ao mercado. Honestamente, ao menos é nisso que eu, o Pablo e uma boa trupe de jornalistas, empresários, investidores e pensadores acreditamos.

Aos poucos, as próprias condições que a indústria impõe já estão fazendo a faxina necessária em nosso país. E para a nossa alegria isso inclui o próprio mercado cinza, que perde espaço a cada dia graças exclusivamente a própria comunidade de jogadores que está criando consciência do valor que um jogo original agrega à experiência se comparado ao mar dos alternativos.

Se a aposta do consumidor em viver no lado Verde da Força está diretamente atrelada com o acesso as redes online ou as demonstrações gratuitas de jogos que os fabricantes disponibilizam para os consoles ninguém pode garantir. O fato é que o consumidor brasileiro está cada vez mais sagaz nas suas escolhas e consciente no seu papel em todo ecossistema.

Definitivamente a fabricação local de jogos e consoles ou a chegada de grandes franquias online e produtoras japonesas são acontecimentos que denotam este crescimento a passos ligeiros de nosso mercado, mas nada disso estaria acontecendo se a própria comunidade não apostasse nessas e em outras empresas já instaladas no Brasil. Mesmo assim, todos estes lampejos do mercado nacional só beneficiam a própria cadeia internacional e a nossa realidade gamer em curto prazo.

Eu diria que há uma lacuna que precisa ser preenchida no menor tempo possível caso esperemos figurar entre os países que realmente fazem a diferença na indústria de games. Falo do desenvolvimento local de jogos, explorado de forma prematura pelas gigantes internacionais em nosso país, mas encarado de forma séria por muita gente de talento que está apostando todas as suas fichas em algo completamente inédito. É louvável ver grupos de estudantes e jovens profissionais abrindo sua própria desenvolvedora para lançar o seu game, mas o que temos hoje é algo semelhante ao futebol brasileiro, com os melhores talentos sendo exportados para os principais pólos industriais do mundo. E isso infelizmente não ajuda em nada a pavimentar nossa indústria local. Por isso eu acredito que enquanto o próprio governo não criar projetos que incentivem o desenvolvimento de jogos local, não haverá imposto justo que justifique o crescimento de nosso país em longo prazo.

O mercado está aí, caminhando e prosperando como pode. Cabe a cada um de nós, envolvidos na indústria de jogos ou apenas entusiastas fazermos a nossa parte. Pois por menor que ela possa ser, lá na frente o resultado será excepcionalmente brilhante. É nisso em que eu confio.

*Ricardo Farah (@rifarah) é Sócio-Diretor da SKY7 e colunista de games do TechTudo.

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20/09/2011 - 19:38

O que é o Brasil dos Games, Parte 6

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Tá chegando a hora. Contagem regressiva, a gente se vê por aqui.

O Gamer.br se prepara para dar adeus a este endereço. Enquanto isso não acontece, continuo a série de homenagens com a ajudinha dos amigos. Hoje, publico a contribuição do Leo De Biase. Quem é do mercado de games há um bom tempo sabe muito bem quem ele é. Nos últimos 13 anos, Leo fez de tudo um pouco: passou pela Monkey, pela Evolute e pela Level Up!, organizou torneios de esporte eletrônico como a CPL e a ESWC e hoje encara o cargo de gerente de marketing do braço nacional da publisher alemã Bigpoint. No texto a seguir, ele relembra fatos dessa longa carreira e contextualiza com os altos e baixos atravessados pelo nosso “Brasil dos Games” nos últimos anos. É aquela velha história: leia, prestigie e comente no final.

***

Meu Brasil dos Games

Por Leo de Biase*

O “Brasil dos Games” foi duro e sem misericórdia para quem não estava preparado ou que sonhava simplesmente em unir seu hobby/diversão à sua carreira profissional. Um mercado já tão forte e maduro em outros países, mas que no Brasil demorou demais para realmente deslanchar. Como eu não tinha aptidões de programação e também não possuía um canudo de jornalismo (sim, naquela época precisava), me restavam duas opções para me aventurar no mercado de games: virar um empreendedor ou ser um executivo.

Estamos falando de final da década de 90, onde pouquíssimas empresas de games estavam no país e as que estavam digladiavam-se diariamente com o fantasma da pirataria e outros obstáculos. Então era bem certo dizer que não havia vagas “sobrando” por aí. O jeito foi mesmo partir para novos negócios.

Uma loja de computadores em rede, que um dia se tornaria a maior rede do Brasil, já havia sido inaugurada e como um “comércio” ela ia muito bem, quase sempre lotada, oferecendo computadores de “alta performance” (nem placa gráfica tinha) com a ainda inacessível BANDA LARGA, tudo em um ambiente onde os fanáticos por games tinham seu primeiro contato com o sensacional universo dos games MULTIPLAYER. Como tinha uma formação em negócios, percebi ali a oportunidade e, após apresentar um business plan para o proprietário, me juntei ao time e o resto virou história.

Não foi a melhor decisão… e isso não contribuiu muito para meu desenvolvimento profissional. Mas os anos me trouxeram um grande conhecimento de vida e mais do que isso uma rede de amigos, colegas, conhecidos e até mesmo desafetos que no fringir dos ovos me preparou, e muito, para a “nova era” que realmente atingiu sua maturidade ao final da primeira década do século 21, ou seja, HOJE!

Meu primeiro contato com o Pablito foi em tempos de EGM Brasil, em minhas aventuras trazendo os primeiros eventos internacionais de e-sport para o país. Não sei como saí vivo dessa época sem estrutura e ainda muito amadora (e eu não saí rico como alguns acham). Mas, enfim, com o fim da bolha das lan houses e a constatação de que e-sport continuaria mesmo (pelo menos por enquanto) como uma atração de nicho, a transição para o mundo executivo (que poderia ter vindo bem antes) veio naturalmente, mas não menos traumática.

Acredito ser de grande valor para as empresas o profissional possuir não somente MBAs e pós-graduações, mas também ter literalmente colocado a cara no chão, a mão na massa e comido lama (não necessariamente nessa ordem) para poder realmente contribuir com pleno conhecimento de causa seja a área que for. Tenho muito orgulho de ter participado de todos os perrengues e alegrias deste mercado que ainda tem muito mais a crescer e oferecer. O esforço não foi em vão e hoje posso me considerar um felizardo membro desse seleto time de profissionais que vivem e respiram games em nosso país.

Ao Pablo, fica aqui um abraço de um amigo e claro um super leitor deste blog, que vai segui-lo para onde for.

Leo de Biase (@leodebiase) é gerente de marketing da Bigpoint Brasil.

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19/09/2011 - 20:45

O que é o Brasil dos Games, Parte 5

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Continua a contagem regressiva para o adeus do Gamer.br. Você está triste? Eu estou. Mas vamos que atrás vem gente.

Hoje, publico a contribuição de Erik Gustavo. Para desavisados, relembro o currículo do rapaz: uma das mentes por trás do site “de joguinhos” Lektronik, produtor-idealizador do programa Badalhoca, da MTV (aquele com o Ronald Rios), publicitário, pensador online, videomaker e mais uma infinidade de coisas legais (veja o currículo completo aqui).

A palavra “irreverente” talvez o descreva muito bem, mas quem sabe seja mais do que apenas isso? O fato é que pedi ao Erik para discorrer sobre o tema BRASIL DOS GAMES, mas ele ignorou e preferiu escrever sobre outra coisa (quase) totalmente diferente. Mas o que vale é a intenção. No fim, acho até que ele se saiu muito bem. E você, o que acha?

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(Nada sobre o) Brasil dos Games

Por Erik Gustavo*

Quando eu recebi de Pablo Miyazawa o prêmio de Artista do Milênio (juntamente com a possibilidade de atualizar esse site com um post de temática livre) fiquei literalmente sem palavras.

Dois dias depois recuperei minhas palavras e respondi que seria uma honra pra mim e para toda minha família. Até porque eu fui o primeiro membro da família a entrar pra uma faculdade (de artes), o que significa que qualquer vitória é motivo de orgulho.

Vou aproveitar a oportunidade e sugerir ao leitor a audição do disco “Nostalgia, Ultra”, de Frank Ocean. E tenho dois motivos pra sugerir isso aqui no Gamer.BR. Vou explicar os dois logo depois da capa do disco e de um clipe tirado do disco.

Há uns meses eu dividi com o Pablo o mesmo hotel em Los Angeles (além do mesmo telefone de serviço de acompanhantes). Sabendo da minha apreciação por essa indústria fundamental que é a musical, me convidou para dar uma volta na Amoeba.

Entre um disco e outros milhares, acabei lembrando de uma vez que Pablo me deixou claro que não considerava rap como música [Nota do Pablo: Eu nunca disse isso, Erik]. Daí na minha cabeça a melhor forma de eu deixar claro que acho que ele tá errado é recomendando um álbum de rap no blog dele.

O outro motivo é o fato de Ocean (o cara mais R&B do Odd Future) ser mais um daqueles rappers que foram influenciados pelos joguinhos e deixam isso claro de alguma forma nos seus discos, mixtapes e clipes. Não como Charles Hamilton, que baseia praticamente toda sua obra no seu vício por Sonic e abusa de samples sonoros e imagens relacionadas ao jogo, além de só utilizar camisetas com o personagem estampado. Eu tô falando disso:

Três interlúdios musicais (“Street Fighter”, “GoldenEye” e “Soul Calibur”) de mais ou menos 20 segundos, inteiramente com sons de alguém trocando uma fita K7 de lado. Muito “artístico” pra sua cabeça? Então se liga nessa mochila irada.

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Atualização: Agora que reparei que o Pablo havia pedido pra eu falar sobre os games no Brasil. Fiz melhor: falei sobre outra coisa. Mas pra não ficar feio cedi a ele os direitos de uma ideia antiga minha.

*Erik Gustavo (@erikgustavo) é um dos editores do site Lektronik.

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16/09/2011 - 02:55

O que é o Brasil dos Games, Parte 4

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A vida continua, a despedida do Gamer.br também.

Nesta quarta parte da série BRASIL DOS GAMES, tenho a honra de apresentar um artigo de Pedro Giglio, velho conhecido do jornalismo brasileiro de games. Carioca, Giglio participou do time do site Final Boss, fez parte da equipe do Arena Turbo e escreve atualmente no blog Jigu. Inspirado pelo tema proposto, ele escreveu o texto a seguir, com toques de autobiografia, que convido você a apreciar. Leia tudo, prestigie e deixe seu comentário no final.

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O Brasil dos Gamers

Por Pedro Giglio*

Um dos lances frequentemente mencionados por pessoas que estiveram à beira da morte é a da sensação de ver suas vidas inteiras passando em frente aos olhos como um flash, um filme, e por aí vai. Enquanto não faço a menor questão de descobrir se isso é verdade ou não, me pego imaginando como seria isso se eu pudesse meter um filtro de categoria sobre os momentos ligados ao videogame. E sendo eu brasileiro, talvez isso sirva como reflexão de como as coisas desta indústria mudaram por aqui desde que me entendo por gente.

Naquela época em que não era muito trivial comprar cartuchos por aqui (acredite, ter aquele amigo ou amiga da família que trabalhasse na VARIG era um ás na manga), lembro que uma das alternativas a ser deixado pra trás no bonde das novidades era trocar seus jogos na locadora. Enquanto eu e meu amigo achávamos que o dono da loja iria pirar e soltar fogos ao receber o infame Street Fighter 2010 do NES e ofereceria um jogaço em troca, sua apatia – que nos rendeu risadas mais tarde – foi convertido em boas sessões de Shadow of the Ninja.

Com o acesso às revistas importadas (mesmo que a preços pouco amigáveis, até onde minha memória permite lembrar) e a chegada das nacionais, veio a vontade de conhecer mais jogos. Claro, todos conheciam Street Fighter II (fiz um amigo atravessar a porta de vidro da casa dele, furioso com meu Dhalsim apelão) e Final Fantasy II, mas e aquela pilha para comprar jogos nas importadoras locais na era 16-bits? 

(Numa dessas, o carma me deu uma rasteira: o tal amigo da porta de vidro comprou Hook, jogão; eu, animado, comprei o Final Fantasy: Mystic Quest. Um jogo que tem como melhor aspecto – e possivelmente única virtude – a música de batalha dispensa mais comentários…)

Enquanto jogar videogame com um dicionário ao lado ajudou muito na hora de aprender Inglês, sempre era interessante ver um jogo ou outro pintando em no bom e velho “pt-br”. Ainda era uma coisa meio desajeitada, como o infame Prisoner of Ice (onde “Go To” virou “Vai dar em”), um coadjuvante meio esquisito em A Maldição da Ilha dos Macacos (“Ei! Não bata no seu amigo Piro Cão!”) e as vozes hilárias de Starcraft, Max Payne – e até mesmo Mad Dog McCree nos arcades! Nessa época, receber os jogos em português valia mais pelas risadas do que pela conveniência.

(Nota inútil: perdido nas brumas da era das BBSs, fiz uma tradução tosca do primeiro Mortal Kombat para PC. Digamos que era o equivalente ao Sessão Ressaca ou Tela Class de sua época)

Para evitar me alongar demais no assunto, pulemos para os tempos atuais. Tanta coisa mudou, né? Por mais que esteja longe de chegar a um fim, vejo cada vez mais gente achando que é bacana comprar jogos originais – considerando a mentalidade dos que não acham isso, acho uma grande vitória. As produtoras e distribuidoras de jogos têm voltado seus olhos para o público fã de games do Brasil, realizando eventos cada vez maiores, batalhando para trazer produtos a preços mais em conta.

Se eu voltasse no tempo e encontrasse o chibi-Jigu, acho que não o convenceria de que estaria tão envolvido neste ramo quanto estou – afinal de contas, o hobby virou profissão. 

Independente disso, posso dizer que vivemos em uma época incrível para ser fã de videogame no Brasil. Mal posso esperar para saber quais serão minhas próximas memórias.

*Pedro Giglio (@jiguryo) escreve no blog Jigu.

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13/09/2011 - 13:25

O que é o Brasil dos Games, Parte 3

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E estamos de volta.

Continuando o clima de homenagens e despedidas do Gamer.br, publico agora um artigo da Bruna Torres, jornalista de Brasília e uma das integrantes do coletivo Girls of War, um dos principais blogs femininos de games do Brasil. O tema não poderia ser outro: BRASIL DOS GAMES. Confira, leia, reflita e não deixe de comentar no final.

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Brasil dos Games

Por Bruna Torres*

Lembro-me a primeira vez que escutei o termo Jornalismo de Games. Era 2006 e eu estava na faculdade de Jornalismo, faltando apenas um ano para a minha formação. Não entendia muito bem como era feito esse tal de Jornalismo de Games, pois ainda era um termo novo no Brasil e poucos conheciam. Após conversar com vários jornalistas da área, inclusive o Pablo Miyazawa, entendi bem como ele era feito, e como chegava ao público que o buscava. Foi aí que decidi que queria trabalhar com isso também.

Comecei a escrever em revistas especializadas no assunto de games, como a antiga EGM Brasil e a Nintendo World. Foi nesse período que criei com a Carla Rodrigues o Girls of War, blog que temos há três anos, escrito por cinco mulheres gamers. Desde essa época, sempre foi muito comum escrever matérias sobre o mercado de games no mundo, mostrando números de quanto cresceu nos EUA, entrevistando desenvolvedores de fora e franquias famosas que todos queriam jogar.

Mas e sobre o Brasil, o que falávamos? Os assuntos eram dos mais variados sobre o Brasil dos Games. Pirataria, problemas do mercado brasileiro de games, falta de incentivo, altos impostos, e por aí vai a quantidade de dificuldades que deixavam o País com um pé lá atrás neste meio, que seguia engatinhando.

Com o passar dos anos este cenário foi se modificando. Hoje encontramos grandes jogos desenvolvidos por empresas brasileiras, assim como diversos jogos chegando em nosso Brasil totalmente legendado para a nossa língua e até diversos eventos sendo realizados por aqui, muitos nacionais, não só os que vem de fora. Temos também diversas empresas com filiais em solo brasileiro, o que nos dá uma visibilidade maior para o mercado de jogos eletrônicos. E além de tudo isso, os preços dos consoles e jogos caíram bastante.

Nesses quatro anos que escrevo sobre games, percebo muita mudança em relação aos jogos eletrônicos no Brasil. E os jogadores brasileiros também percebem o que o Brasil dos Games alcançou, apesar de ser um curto período de tempo. Muitos dos leitores do blog em que escrevo com as outras garotas comentam sempre sobre isso, especialmente quando toco neste ponto. Quando houve uma recente polêmica sobre a dublagem em português de um jogo famoso, diversos leitores se mostraram indignados e criticaram a ação, mostrando que só porque somos o Brasil, não precisamos ter uma legenda mal feita. Deixaram claro que se é pra fazer, tem que ser bem elaborada, como assim é feita nas versões originais dos jogos. Isso mostra que o jogador brasileiro se preocupa com o mercado aqui e quer vê-lo crescer como uma criança saudável e virar um adulto de sucesso profissional.

Algumas pessoas até criticam, deixam o patriotismo de lado nesses momentos, mas sei que no fundo todos têm certa esperança com o crescimento desse chamado Brasil dos Games que o Pablitcho tanto gosta de levantar a bola. Eu também gosto, tanto que eventualmente escrevo algo no Girls of War sobre o mercado de games brasileiro. O Brasil dos Games ainda cresce e tem um caminho muito longo a percorrer até chegar a ser considerado um mercado que tem grande potencial para os jogos eletrônicos.

Ao que tudo indica, a viagem do País está em andamento. Não rápido, mas também não devagar. É aquele tipo de viagem que você faz parando nos lugares, visitando parentes, fazendo compras e conhecendo cada cantinho. Apesar de devagar, no final sempre chegamos em nosso destino final. E o Brasil dos Games um dia chegará.

*Bruna Torres (@BrunaTorres) é co-fundadora e editora do Girls of War.

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