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30/09/2011 - 16:42

O que é o Brasil dos Games, Parte 13

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É o úlitmo dia do Gamer.br.

Você está triste? Eu diria que estou “agridoce”. Feliz de ter encerrado um ciclo. Triste por ter que finalizar algo que ainda não estava pronto. Mas será que um dia estaria? Pois é. A gente nunca sabe.

Hoje publicarei as homenagens restantes. O conteúdo do blog ficará no ar por um tempo ainda (enquanto o iG assim desejar), então é bom aproveitar os próximos dias.

A amiga Flávia Gasi gentilmente produziu um vídeo especialmente para ser veiculado aqui hoje. Flávia é sem dúvida alguma uma das principais personalidades do mercado de games brasileiro e acabou de conquistar mais uma grande vitória: ela irá estrear, a partir de outubro, na televisão aberta – mais especificamente um quadro chamado “Planeta Game” no programa Leitura Dinâmica, da Rede TV, falando sobre games (obviamente). Sou suspeito para dizer que achei a homenagem que ela preparou das mais emocionantes, mas se você assistir irá sacar como me sinto. Eu só posso agradecer muito, além de garantir que sim, um novo projeto vem aí em breve. Só não posso ainda dizer quando e como.

É isso aí. Assista, comente e divulgue enquanto é possível.

***

Uma homenagem a Pablo Miyazawa

Por Flávia Gasi*

*Flávia Gasi (@flaviagasi) escreve no GameGasi.

Autor: - Categoria(s): Brasil dos Games, Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , ,
19/04/2011 - 20:51

Umas pílulas; umas novidades; e uma Entrevista da Semana quatro anos atrasada

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Salve, salve.

Por aqui, tudo certo. Apesar da lentidão dos processos (e da internet aqui).

Novidades? Algumas só. Perdi o bonde de algumas. Vejamos.

– Na semana que vem, irá rolar um evento em São Paulo para celebrar o futuro lançamento do game mais aguardado de 2011 (pelo menos para mim). Sabe de qual estou falando? Quem adivinha? Começa com “L”. Tá fácil, vá.

– Esqueci de comentar aqui sobre a nova empreitada da Flavia Gasi. Há algumas semanas ela passou a ocupar as funções de business development e PR manager na desenvolvedora de games Bigpoint. Traduzindo, ela é responsável por novos negócios e é a gerente de relações públicas da empresa de origem alemã sediada em Hamburgo. Boa sorte para ela.

– A E3 2011 já começou, pelo menos nas internas. As empresas começaram a marcar seus eventos e estão enviando os “save the dates” tradicionais para os jornalistas credenciados. A primeira delas, como sempre, foi a Microsoft. A coletiva deles pré-E3 já está marcada e com horário: segunda-feira, 6 de junho, 9 da manhã, no Galen Center, Los Angeles.

– Nenhum sinal de Sony e Nintendo ainda. Eles costumam decidir essas coisas em cima da hora. Mas ambos eventos devem ser em 7 de junho. O da Sony deve ser no mesmo dia 6 (segundo o fiel leitor ali embaixo, que é bem mais ligadão e esperto que eu). O da Nintendo sim, deve ser no dia 7.

– E teve essa polêmica toda do furto das cópias de Mortal Kombat da fábrica em Manaus etc, deu em alguma coisa? Descobriram como foi que o game “vazou”? Puniram os responsáveis? Afinal, dá ou não dá pra jogar com o Goro? De qualquer modo, o game foi lançado hoje lá fora. Aqui, a Warner confirma o 28 de abril como a data de lançamento brasileira. O Gamer.br (ou um colaborador dele) jogou o game ontem, e curtiu. E logo mais tem Entrevista da Semana com o produtor norte-americano Hector Sanchez, que praticamente já se tornou brasileiro.

***

Faz tempo que o site Freeko merece ser comentado e analisado com profundidade. Você já deve ter ouvido falar – e se não entendeu alguma piada que os caras publicaram, não vou te culpar.

O Freeko é um dos sopros de inteligência-infâme no jornalismo de games nacional. O conteúdo é praticamente organizado em torno (e dependente) de piadas internas e loucuras inexplicáveis, mas não é preciso conhecer os caras em pessoa para dar risada ou se chocar com tamanho surrealismo – ou ambas coisas ao mesmo tempo. Seja como for, eu ri (alguns dos meus textos recentes favoritos são este, este e este).

Bati um papo com o Renato Bueno, mentor intelectual do negócio todo (que ainda é formado por Doda Vilhena, Marcelo “Pirajuí” Daniel e Gus Lanzetta – aquele) e consegui com que ele respondesse a algumas perguntas mais sérias sobre essa coisa de fazer jornalismo e tentar ser engraçado (e ainda colocar os games no meio do processo). Não que ele tenha falado sério o tempo todo…

***

Gamer.br: Por que você mantém mais um site de games? Os que existem não te agradam?
Renato Bueno: Não foi bem uma criação, foi a transformação de algo que começou como um blog pessoal e estava se transformando em um blog menos pessoal, mas sempre relacionado com games, tecnologia e vidaloka. O Freeko teve três fases: começou como um blog de games quando eu fazia parte da EGM Brasil/Futuro Comunicação; passou a abordar piadas internas e a vidaloka no tempo em que trabalhei no G1; e acabou virando um blog com uma equipe de camaradas em 2010, quando eu já começava nessa vida de frilas, trampar em casa etc. E sim, os que existiam não me agradavam porque sempre foram muito sérios, sem graça. Não que eu tenha “oficializado” o Freeko pra resolver esse problema, foi só pra dar vazão às piadas internas mesmo.

Então diga qual é – ou são – o diferencial do Freeko em relação aos sites que estão por aí.
RB: O diferencial é a falta. Falta de compromisso, de responsabilidade, de agenda, de periodicidade, até falta de graça muitas vezes. É a autosabotagem em nome de exorcizar as coisas que nos incomodam, de criticar alguma coisa sem fazer muita questão de convencer alguém. Tudo “on the fly”, feito na hora, sem planos.

Qual é a resposta que os leitores dão a essa falta de compromisso? Eles compreendem? Há casos em que leitores caem de paraquedas no site e não entendem a piada?
RB: Existem os que caem de paraquedas e xingam, porque não encontraram o que o Google disse que eles encontrariam. Exemplo clássico é o nosso detonado de Dante’s Inferno. E existem os que compartilham dessa vibe moleque. Desses, poucos comentam no blog, a maioria comenta na vida real. É quando você tromba alguém e o cara “pow, aquele post, sensacional”, e isso é demais. Os que mais comentam no blog acabam sendo os próprios manolos da equipe ou os personagens do nosso habitat natural que acabam virando matéria. Entre esses personagens estão o deputado Fernandinho Mucioli e Erik Gustavo, nosso Caetano Veloso.


Equipe de sucesso (da esq. para a dir.): Pirajuí, Gus, Doda (logo abaixo), Bueno

Qual é o limite entre humor e jornalismo? Dá para fazer uma coisa envolvendo a outra? Games permitem esse tipo de cobertura?
RB: O limite depende da linha editorial. Você pode encarar com humor e informar sem desrespeitar ninguém. Da mesma maneira que pode não existir limite, em alguns casos, ou esse limite pode ser muito restrito, em outros. Acho que esse tabu do “limite” não faz muito sentido. É mais uma questão de honestidade, eu acho. Você pode encarar com humor e informar sem desrespeitar ninguém. Da mesma maneira que pode usar o humor de uma forma idiota e apelativa (como o CQC fez aqui), mesmo que, teoricamente, não esteja “ultrapassando limites”. Games permitem essa cobertura, é claro, e ainda podem ser muito explorados nesse sentido. Você pode fazer uma piada com as tragédias no Japão, com o massacre na escola do Realengo? Pode, não precisam existir limites. Não fizemos nada disso no Freeko porque, sei lá, não calhou, não foi algo que nos mobilizou a ponto de nos incomodar e precisarmos falar alguma coisa. Talvez isso não seja objeto do humor, por melhor que vá ser a sua piada. Num exemplo prático, talvez não falemos do Realengo no Freeko. Mas talvez falemos dos especialistas em porte de arma e dos jornalistas que manjam muito da putaria – por mais que não tenha graça para o resto dos irmãos.

Em curto prazo, médio prazo e longo prazo – quais os objetivos do Freeko?
RB: Curto prazo: renovar os destaques da home, que estão ali faz uns cinco anos, e reforçar nossa parceria de conteúdo com o Gamevicio; Médio: conseguir mais tempo pra trabalhar mais com vídeo, desovando umas ideias que não saem do papel; Longo: consolidar a fama de ser um reduto de meia dúzia de malucos perdedores que tentou fazer desse trecho do nosso mundo um lugar menos babaca e com mais fotos da Paola Oliveira.

***

Nos próximos dias, mais uma Entrevista da Semana com o pessoal de um site novo que também não se leva (muito) a sério: o Lektronik.

Autor: - Categoria(s): Clique Comigo, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
01/04/2010 - 16:13

Troféu Gameworld 2010 – Como foi

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“www.impostojustoparavideogames.com.br”

Sob aplausos e gritaria, André Martins, diretor geral da editora Tambor, anunciou ontem, 31 de março, a iniciativa online que se propõe a reunir assinaturas e gerar discussão em torno da questão que mais incomoda o consumidor de games brasileiro.

“Queremos levar esse abaixo-assinado para o Congresso”, disse Martins, sobre o material que será gerado pelo site, que entrou oficialmente no ar há algumas horas. “Vamos fazer muita pressão para que o imposto seja diminuído e, consequentemente, que os preços de jogos, consoles e acessórios caiam drasticamente nos pontos de venda.”

Foi o momento mais barulhento da sexta edição do Troféu Gameworld, que misturou entrega de prêmios com o tradicional esquema de feira de games, em São Paulo. Organizado pela Tambor (que hoje publica as revistas Nintendo World e EGW, entre outras), o Gameworld ganhou força no mercado brasileiro muito por conta de sua singularidade – foi o único evento que sobreviveu em meio a tantas tentativas passadas (e frustradas) de se organizar e reunir os principais players da indústria em um só movimento. Hoje, é o único evento do setor que pode ser considerado parte do “calendário” nacional. E a edição 2010 teve porte e pompa para garantir que a iniciativa poderá perdurar.


Gente bonita, selecionada e comportada na torcida

O diretor editorial André Forastieri abriu o evento que aconteceu ontem, pontualmente às 20h30 no Teatro Frei Caneca: “Os personagens dessa noite são todos aqueles que jogam esse grande e desafiador jogo, que é fazer o negócio de games crescer no Brasil: vocês”, declarou. A apresentação dos prêmios ficou por conta da jornalista Flávia Gasi, que com habilidade e bom humor anunciava e convocava os vencedores em categorias variadas, de “Melhor Campanha de Marketing para games” a “Melhor game do ano” (leia sobre o evento aqui e sobre os vencedores aqui).


Flávia Gasi ao lado do vencedor do sorteio de uma viagem para a E3 2010

Além da presença dos executivos, varejistas e produtores brasileiros de sempre – e diversos estrangeiros, como o pessoal da Hudson e o Mark Wentley, homem forte da Nintendo of America para o mercado latino-americano -, o Gameworld ganhou em carisma com a presença do Charles Martinet, o norte-americano responsável pelas vozes dos personagens da família Mario nos games Nintendo. Bem-humorado, solícito e incansável, o ator (que mora em San Francisco, na Califórnia) de 54 anos distribuiu autógrafos, fotos e sorrisos como se não houvesse amanhã, e não hesitou em subir ao palco para receber o prêmio destinado a New Super Mario Bros. Wii como se fosse um autêntico representante da famiglia. Ganhou o troféu simpatia para a eternidade e deve se tornar figurinha fácil dos eventos brasileiros (a entrevista com ele, publico na semana que vem).


Mark Wentley (NOA) e Charles Martinet, durante a premiação

A parte “feira” do Gameworld aconteceu em 30 e 31 de março e tinha entrada gratuita. O visitante tinha boas opções nos vários estandes montados no quinto andar do Shopping Frei Caneca, desde testar games inéditos (Copa do Mundo 2010, por exemplo) a conferir de perto jogos recém-lançados, como God of War III para PS3.


Thiago Borbolla (MTV) entrevista cosplayer de Samus (Metroid)

E claro, havia o ilustre Charles Martinet distribuindo assinaturas e posando para fotos no estande da Nintendo (o novo Nintendo DSi XL também podia ser testado por ali), além de diversos torneios com distribuição de brindes, garotas sorridentes uniformizadas, campeonato de cosplay e uma boa cobertura da mídia não-especializada. Eu me diverti, mesmo ficando pouco por ali – e tive a chance de encontrar um monte de leitores das antigas. Me senti um pouco mais velho, aliás.


Charles, o melhor amigo do Mario. Aquele lá

Dadas as devidas proporções, o Gameworld até lembrou um pouco o finado Electronic Game Show que rolou entre 2004 e 2006 e deixou saudades. A organização divulgou que, em dois dias, mais de 10 mil pessoas circularam pelo Gameworld (mais de duas mil simultâneas). Se vai durar ou não, se vai crescer mais no ano que vem, se a iniciativa do “impostos justos para videogames” vai dar em alguma coisa, é impossível prever. Porém, se levarmos em conta a máxima de que “o futuro é importante, mas o presente é muito mais”, há bastante coisa a ser comemorada. É torcer para que tanta bola dentro resulte logo em gols e mais vitórias, e não apenas em oba-oba.

Otimista e engajado, o consumidor de games brasileiro agradece.

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17/08/2009 - 20:12

Entrevista da Semana: Flávia Gasi (MTV)

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A Entrevista da Semana continua insistindo no jornalismo de games (por que será?).

O papo desta vez é com a Flávia Gasi, repórter do programa Scrap, da MTV.

A história dela nesta área não é recente: Flávia começou no jornalismo de games trabalhando em revistas (da Conrad e mais tarde da Editora Europa) e passou por sites (o antigo Eurogames, atual Limão); hoje em dia, ela fala semanalmente sobre games na MTV, além de cuidar da área de blogs de games do site da emissora. Flávia falou (muito) sobre mercado, preconceito, o poder da televisão e até comentou sobre os indicados da categoria “Games” da premiação VMB. Como dá para ver, a conversa rendeu.

Confira tudo e, como sempre, não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: Sua trajetória no jornalismo de games é um tanto inusitada. Como tudo começou?
Flávia Gasi:
Bom, eu estava lá na Conrad (quando ela ainda tinha livros, mangás e revistas), para dar uma entrevista sobre o novo filme de Final Fantasy. O pessoal da Herói (e, com isso, leia-se a Arianne Brogini) queria uma opinião feminina sobre as expectativas para a adaptação e tal. Ela queria uma menina gamer. Foi aí que eu entrei em contato com gente mega bacana como você, o [Odair Braz] Junior, o Trivas [Eduardo Trivella], o Eric [Araki] etc. Afinal, eu era uma menina gamer, apaixonada por Final Fantasy, mitologia, filosofia… essa coisa que estavam “atrás dos games”. Mas poxa, eu não acho inusitada. Acho que sou bem sortuda na verdade. Só lembro que eu não gostei que saiu na Herói. Eu tinha vergonha de usar aparelho de dentes.

 

Como foi que aconteceu a transição de “pessoa interessada” no assunto para trabalhar diretamente com o tema? Quais os degraus que você teve que enfrentar quando viu que levava jeito?
FG:
A primeira coisa foi que eu tive que encher o saco de muita gente, e isso realmente é chato, ao menos pra mim, detesto encher os outros. Mas não tinha muito o que fazer. Eu queria escrever uma matéria sobre a mitologia por trás de Final Fantasy. Então, eu disse: “sabe, eu sempre quis escrever sobre isso. Que tal eu tentar?” Não sei se me levaram a sério ou se só acharam bonitinho aquela menina de aparelho querer falar de games, mas deixaram que eu entregasse o texto. Me disseram que era a primeira vez que ia ter uma matéria de mitologia na Nintendo World, e fiquei bem feliz. Mas, claro, a primeira coisa que acontece quando você entrega o primeiro texto é exatamente o que você tem que aprender a lidar no “segundo degrau”: aprender a ouvir crítica, calar a boca e estudar. Eu sempre fui bem nerd, então estudar não era o problema. Mas falar sobre game é muito mais do que saber jogar e ter um texto passável, você tem que estar conectado com todo um universo cultural, por um lado, e de programação e física, por outro.
Depois disso, você começa a escrever mesmo e aprende mais uma coisa: você não vai fazer o que quer. Isto é, você vai escrever muito detonado, muita dica e recusar muita análise do jogo da Barbie (pô, jogo da Barbie era onde eu traçava minha linha invisível, do tipo: sou menina, mas não tão cor-de-rosa) para começar a falar sobre aquilo que você realmente quer. Eu cheguei a me afastar do mercado um pouco, porque achei que ninguém nunca ia entender que uma mulher não é um bicho estranho quando se trata de games. Sempre imaginava que quando havia uma vaga e tinha um menino disputando comigo, o menino ganharia, simplesmente porque eu não nasci de bigodes. O lance é que eu não conseguia ficar longe, daí tive que voltar e tentar de novo. E estudar muito, porque eu tinha que provar que eu podia ser tão boa quanto qualquer menino.

Isso aconteceu há quanto tempo, uns sete anos? Você acha que se fosse hoje em dia, seria desse jeito? Ou você teria que tentar maneiras diferentes de se colocar no mercado?
FG:
Olha, eu acho que sempre existe as mesmas duas reações quando uma mulher fala com propriedade com games. A primeira é: “Que maneiro! ela manja de games e é menina”. E a segunda é quando o cara vira pro amigo e fala: “Ah, ela é (bonitinha, feinha, algo do tipo), mas não entende nada”. Até hoje, quando eu escrevo algo que um cara não concorda, eu chego a escutar: “Putz, menina não entende nada mesmo!”.
Por outro lado, há muito mais mulheres no mercado hoje em dia. E acho que, aos poucos, acaba essa noção boba que menina não gosta de games. Inclusive, pelos dados dos EUA, o mercado de jogos já é 40% feminino. Ah, aproveito o espaço para deixar felicitações para as Girls of War, que fazem um trabalho bem bacana. De qualquer maneira, eu iria ser tão teimosa agora como fui antes… Isso com toda a certeza.

Você já frilou em revista, editou e fez site. Agora encontrou a linguagem da televisão. Onde acha que se adaptou melhor? E onde há ainda espaço para se desenvolver?
FG:
Hmmm, essa é difícil. Tem vários aspectos nada a ver com games, mas não jornalismo, que eu gosto muito. Quando estava na [produtora e agência] Hive, tinha toda uma questão de criar projeto, apresentar, fazer reunião, que eu comecei a gostar. É a mesma coisa quando você edita uma revista, não tem só a ver com texto, mas com organização.
Por conta disso, a web é uma das coisas mais geniais do mundo: você pode criar um projeto e levá-lo até o fim, sozinho se você quiser. Eu acho que a web apresenta desafios que eu curto mais. Tem essa diferença… Eu acho que revista é uma obra de arte. E acho que a web é uma obra de arte sempre inacabada. Gosto mais do inacabado, tem coisas novas a fazer. A televisão foi algo que caiu no meu colo. Eu tinha feito alguma coisa de TV na RedePUC e me apaixonado. Para mim, a câmera (de TV, não de foto) é uma coisa natural. É uma maneira de eu falar para você, sem que você esteja presente no mesmo ambiente. E pode atingir muita gente. Eu adoro essa coisa de falar a verdade, sem rebuscamento demais. É comunicar, sem confundir. E acho que a TV permite isso, como a web, porque há um quê de intimismo.
Acho que minha trajetória como editora de revista vai ficar em um hiato… ao menos, por enquanto. Tem, também, outras paixões que eu exerço, mas que ainda não tem divulgação
.

Falando sobre o aspecto prático de estar na TV: como funciona? Existe aquela coisa de “virar pessoa pública”? As pessoas apontam na rua? Ganha-se uma legitimidade maior por estar na TV, ou é justamente o contrário – as pessoas não valorizariam tanto, porque justamente acham que “na TV só é preciso sair bem na foto e falar direito”?
FG:
Pô, Pablito, eu não sou famosa. Acho que não senti nenhum efeito de “ser pessoa pública” ainda não. Sou só repórter, não estou na tela todo o dia. Ninguém me aponta na rua, nem me reconhece no mercado. Me reconhecem em eventos e coisas do tipo, e eu fico muito grata, porque sei que meu trabalho está atingindo o público certo. O que significa que alguma coisa certa eu devo fazer [risos].
Posso só especular pra você que devem acontecer as coisas: deve-se ganhar legitimidade para muitos projetos e para pessoas que não necessariamente entendem desse nosso mercado de games. Por outro lado, tem um tipo de pessoa que acha que sabe tudo sobre a sua vida, só porque te viu na TV. No começo do trabalho da MTV, eu recebia muitos comentários que diziam: “A MTV é burra mesmo, quer falar de games e escolhe uma menina que não manja nada, só porque é menina”. Mas, estou vacinada.

Então, ainda existe preconceito com mulheres nessa profissão? Você já sofreu algo digno de nota?
FG:
Poxa, existe um pouquinho sim, mas bem melhorado. Como eu disse, volte e meia alguém acha que eu não posso saber de games porque eu sou menina. Tem um pessoal que fica tentando explicar a minha pauta pra mim, do tipo: “Ah, você vai falar sobre isso no quadro, quer que eu te ensine?” Mas, poxa, sou em quem pauta, quem escolhe, e quem faz o texto da reportagem.

Falando sobre a MTV: você participou da seleção de games concorrentes ao VMB? Como funcionou a escolha? E porque os games agora são categoria da premiação?
FG:
Vamos lá, sim, eu participei da escolha dos games juntamente com um grupo de pessoas. Os games são categoria porque a MTV aposta no mercado faz algum tempo. Por exemplo, no Portal (mtv.com.br), além da categoria “Música” e “TV”, que obviamente tem que estar lá, também temos “Avalanche” e “Games”. Quer dizer, os games estão em destaque, afinal qualquer coisa de quadrinhos, ou esportes, fica em Avalanche. O fato de o Portal ter uma editoria exclusiva de games é um dos indicativos da postura da MTV. Desde o começo do ano passado, este conteúdo tem crescido, e muito: temos diversos blogs, um ambiente somente para games, e dois quadros de games na TV. Pode acreditar que teremos muito mais coisas. Já estamos criando ações especiais e eventos, por exemplo. Infelizmente, não posso contar os projetos, mas eu estou bem animada por estar na MTV agora. É uma empresa muito bacana, que dá a abertura e a legitimidade necessárias para se criar…
Quanto à escolha dos games, é preciso entender que o VMB é um evento musical. Temos outras novas categorias tecnológicas, mas sem perder o foco da música. Por isso, não podemos ter 50 categorias só de games… Não que eu não quisesse [risos]. E mais: a MTV tem um público vasto e todo o tipo de gamer precisa estar representado na lista: desde o mais casual, até os que buscam jogos artísticos, inovadores ou hardcore. E, claro, tem que existir um game musical. Afinal, estamos falando de uma categoria dentro do VMB. É a primeira vez que os games são contemplados em um evento deste porte [no Brasil]. Para nós isso é uma conquista, e queremos deixar as coisas ainda mais divertidas para o ano que vem.

Você era leitora e consumidora e virou jornalista. O que acha que mudou no jornalismo de games brasileiro de lá pra cá?
FG:
Acho que o jornalismo de games sempre foi muito cultural, mas também é muito jovem. Agora podemos ver reportagens realmente aprofundadas, muita ligação com livros, filmes, quadrinhos. Sem contar uma discussão mais variada sobre a epistemologia do próprio jogo, dos seus gêneros. Também acho que isto é só o começo. Mesmo porque, apesar da vontade imensa dos profissionais, nós ainda estamos aprendendo a fazer o melhor jornalismo de games. Também acredito que, no começo, havia uma demanda muito maior por serviço (dicas e detonados). Hoje, com a internet e o amadurecimento da indústria e dos jogadores, podemos abordar assuntos mais interessantes e bem mais profundos. Eu nunca gostei de fazer hardnews. Dar a nota, fazer o furo… Gosto mesmo é de discutir depois que tudo isso passou e acho que o jornalismo de games permite esta abertura: tanto a uma pegada mais literária em texto quanto a uma análise de paradigma mais abrangente.

O que a televisão pode fazer e contribuir para a melhoria da qualidade do jornalismo de games?
FG:
Bom, todo mundo sabe que ainda é preciso ter variedade de games na TV. Quer dizer, não sei se o primeiro passo será, necessariamente, nobre ou que vá ajudar o jornalismo de games como um todo. O que eu tenho certeza é que quanto mais falamos de games em veículos de comunicação de massa (mas sem massificar demais), mais colocamos os games onde eles deveriam estar no Brasil, em termos de mercado ou status, por exemplo. A TV tem um poder que outros veículos não têm: a possibilidade de atingir 99% da população brasileira. Acho que o fato de falar para todos vai ajudar a democratizar o debate sobre os games, e isso é bem bacana!

A imprensa de games no Brasil, como você a avalia? É chapa-branca? Mal paga? Desinformada?
FG:
Acho que a imprensa no Brasil é bem menos chapa-branca que a imprensa mundial. É só pegar o caso do GameSpot, em que o editor foi demitido por falar mal de um game que estava pagando publicidade no site. Nunca vi isso acontecendo por aqui. Inclusive, quando eu editava a Revista Oficial do Xbox com o Nelson [Alves Jr.], a Microsoft vivia tirando sarro das nossas notas baixas para os games deles. Tudo sem problema nenhum. Agora, a questão do dinheiro é um tanto complicada. Primeiro porque muito pouca gente realmente ganha bem no Brasil, ainda mais jornalistas, e ainda mais de games [risos]. Principalmente porque, no Brasil, ainda não se entendeu de verdade o potencial do mercado, a realidade dos números. Esta é uma briga diária: pela legitimidade dos games como produto cultural no Brasil. Não sei se quando a briga for vencida vamos ganhar mais, mas será bem mais fácil de trabalhar! Vamos à ultima parte: a imprensa de games no Brasil não é nem um pouco desinformada, só não é um mercado enorme. Somos poucos, mas orgulhosos do que fazemos.

Pelo que você acompanha do mercado, o Brasil está indo bem, está lentos ou está aquém do que poderíamos?
FG:
Estamos absolutamente aquém. A maioria das pessoas que lê seu blog deve saber que games, no Brasil, são taxados como artigo de luxo. Um país que não reconhece a maior forma de cultura popular e arte contemporânea só pode estar por baixo mesmo. Um dia, dizem as empresas de games, seremos o novo México. Por enquanto, ainda estamos engatinhando. Porém, empresas como a Microsoft, a Ubisoft, a EA, a Ubisoft nos dão aquele fio de esperança. Afinal, eles têm os meios (leia-se poder) para pressionar o governo de maneira efetiva. Nós fazemos barulho, mas um “zumzumzum” que não é suficiente para alterar a ordem os fatores.

Falando sobre mercado brasileiro: a pirataria é o problema ou a solução?
FG:
Ai, ai, ai, que pergunta mais capciosa hein? Bom, a verdade absoluta é que o mercado de games no Brasil se criou por conta de pirataria, e essa é a mais pura verdade. De qualquer maneira, a pirataria deve desaparecer acompanhando o crescimento interno do mercado. Ou seja, assim que os games não forem mais vistos como artigo de luxo ou brinquedinho, tanto os preços cairão, como muita gente vai comprar o jogo para ter a caixinha, o manual… Não tem como parar o download de forma alguma, e os games terão que se adaptar a isso também. Mas isso é outro assunto, global.

Existe alguma solução, ou soluções plausíveis para melhorar a situação? O que precisa ser melhorado?
FG:
Posso pensar em vários planos maléficos de dominação mundial [risos], mas eles não vem ao caso. O que precisa ser feito é simplesmente ser profissional. Um mercado tão extenso, como o de games, demanda que sejamos profissionais. Não adianta querer mudar o mundo sem olhar para o seu jardim. Ainda acho que os primeiros passos são os mais simples mesmo: informar, entender, aprender. Mostrar para as pessoas e para as empresas o que vemos de tão maravilhoso em games. Ao menos, aos jornalistas. Os políticos, ou os publicitários ou os donos de empresa têm outras funções. E isso cabe a eles também. É muito bacana ajudar a criar um projeto de lei, fazer passeatas, invadir a Av. Paulista. Esse tipo de manifestação coletiva sempre funciona, nem que seja para conhecer pessoas que pensam como você. Mas, de qualquer maneira, o que importa mesmo é fazer o seu trabalho bem-feito.

Finalizando, o que você ainda não viu acontecer no Brasil e gostaria de ver?
FG:
Bom, você quer uma lista em ordem alfabética dividida em três volumes de mil páginas cada? Em termos de mercado, tem a lei de taxas que é estúpida, para dizer o mínino, as dificuldades de trazer um produto para cá, mesmo que você seja o fabricante de tal produto. Gostaria de ver o e-sport nacional em todo o tipo de mídia, já que temos times incríveis que raramente aparacem para o grande público. Queria ver mais livros especializados, mais arte gamer sendo criada por aqui. Também gostaria de ver projetos que independessem de times estrangeiros. Porque não criar nossa própria Video Games Live, por exemplo? Acharia demais se tivéssemos mais eventos voltados ao público e não às empresas, onde as pessoas pudessem se divertir. Queria ver mais produções nacionais de games e ainda mais mulheres envolvidas. Tem mais coisa… mas acho que ficou legal, né? O resto é mais papo de bar.

 

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