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28/09/2011 - 20:16

O que é o Brasil dos Games, Parte 12

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Hoje é quarta-feira. Ou seja, faltam dois dias para o encerramento das atividades do Gamer.br aqui no iG. Passou rápido esse mês.

Hoje, a homenagem vem do Renato Bueno, um dos jornalistas de games (e de todo o resto, por que não) mais criativos que conheço – e isso é elogio. Bueno, como todo mundo o chama, trabalhou comigo nas revistas EGM, passou pelo G1, escreveu pra meio mundo e agora está metido no projeto Kotaku Brasil. Nas horas vagas, ele produz conteúdo para o quase inexplicável Freeko (não conhece? Deveria). A seguir, você lê o relato do Renato a respeito de sua entrada no mercado de games brasileiro – pela porta da frente – e a evolução das coisas dos últimos seis anos para cá. É uma bela viagem, devo dizer. Confira, comente no final e divulgue por aí.

***

Brasil dos Games tem gráficos razoáveis e fator diversão a definir

Por Renato Bueno*

Enquanto o infalível Eduardo Trivella (longa história) explicava por telefone as conjunturas sociais da época e insistia para que eu considerasse a oferta, minha cabeça de frila level 1 só era capaz de enxergar ali uma missão irrecusável, e não uma peça-chave que mais tarde explicaria pelo menos metade do universo. Encostei a enxada, avaliei os fatores, calculei as possíveis consequências. Três segundos e meio depois, fechávamos o negócio. Eu cruzaria a divisa MG-SP de ônibus num bate-volta de 300 horas para resgatar na redação da Editora Conrad um RPG safado que não vinha sendo dos mais requisitados entres os colaboradores da revista EGM Brasil. Era adrenalina.

O RPG era terrível, mas por algum motivo continuei jogando mesmo depois de ter entregado o texto. Meses depois, vi essa viagem de ônibus até a redação de games mais legal da época se transformar em 10 minutos a pé. Tinha passado a morar num hotel em São Paulo (longa história 2) que, por acaso, ficava perto da Conrad. O prediozinho amarelo era o checkpoint em que o bauruense Théo Azevedo (tem futuro) distribuía trocadilhos e as missões da EGM PC.

Mais alguns meses depois, o destino ridículo fez com que eu me mudasse do hotel para um apartamento ainda desconhecido. Era numa região mais ou menos familiar. Ficava ali… numa rua perto de… ao lado de… uma certa editora… com aquele símbolo de Pac-Man. Ok. Mundo aberto? Escolhas para o protagonista? Eu tinha entendido o recado: era tudo uma grande palhaçada, bem como naquele RPG do inferno. E quando o indispensável Pablo Miyazawa (só tretas) insinuou que eu devia abdicar do cargo de colocador de tirinhas na penúltima página da Ilustrada em nome de uma quest maior, ele não precisou insistir muito mais que o Trivella no primeiro parágrafo.

Depois disso foram cinco anos em que, para agilizar, não aconteceu muita coisa – e nem mudei de casa. Abandonei umas quests, peguei algumas outras, estraguei minha saúde mais do que o recomendado por qualquer Ministério. Escrevi groselhas, desperdicei páginas do mano Nelson (só Xisboca), troquei de facções mas nunca traí minha convicção de só fazer aquilo em que boto fé, como o Freeko e o Kotaku. E ainda boto fé, sem Bíblia, nisso que é considerado o Brasil dos Games (demagogia +5).

Por mais que todas as evidências provem o contrário, por mais que eu tenha passado por vários meios de comunicação e me arrisque a generalizar que, editorialmente, os donos do sistema só vão entender de games daqui a 90 anos, e quem entende de games hoje ainda não tem o preparo (ou a disposição) de fazer barulho no mercado – ou quando tem o preparo, faltam as vírgulas. Por isso ficamos à deriva nesse boia-cross pantanoso, sem oxigênio para uma Edge e um Gamer.BR, mas com garganta de sobra para discutir serrilhado, falar que “deve agradar os fãs da série” ou que o jogador médio de Need for Speed precisa morrer com cinco estacas no peito.

A única saída é largar tudo e sair vendendo Yakult, como já previam os planos do astuto Ronaldo Testa (manja nada) nas turbulências de “antigamente”. Ou botar tudo na conta do Pablo e passar o testamento em nome de Pedro Santana, filho e verdadeiro ghostwriter do magnata Fabio Santana (só Final Fantasy) – atual culpado pela miséria no mundo e por não ter escrito seu texto aqui ainda.

Assim como naquele RPG tísico de 2005, o Brasil dos games é bizarro, produto de um game designer insolente que nem sonha com patchs de correção. Às vezes preso por conta própria num cercadinho de bebê, às vezes fazendo um hang-loose com pranchinha de isopor em Teahupoo. É bugado, desconexo, desesperador. Mas você continua jogando. Porque assim como o Trivas via alguma coisa no RPG cancerígeno que aparentemente ninguém queria, eu desconfio que exista uma dungeon do caralho em algum lugar, e penso em chegar nela nem que seja cultivando úlceras e batendo a cabeça em todos os cantos do cenário.

*Renato Bueno (@rbueno) é editor do site Kotaku Brasil.

Autor: - Categoria(s): Brasil dos Games, Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , ,
16/08/2011 - 16:04

PlayStation 3 mais barato no mundo todo – em breve, também no Brasil

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Você já deve ter ouvido falar: a Sony anunciou hoje, na Gamescon em Colônia (Alemanha), a redução global do preço de varejo do PlayStation 3.

Ficou assim: nos Estados Unidos, o modelo de 160 GB passará a custar US$ 249; na Europa, 249 euros; no Japão, 24980 ienes.

(Update: segundo a Sony, somente o modelo de 160 GB passará a custar US$ 249. O modelo de 320 GB ficará em US$ 299. Leia aqui).

E no Brasil, você me pergunta? Levei à questão aos representantes da Sony Brasil, mas eles estavam ocupados, blogando isso em nome do presidente e CEO da Sony Computer Entertainment America, o ilustre Jack Tretton:

“Fico feliz em revelar que os modelos de 160GB e 320GB do PS3 terão os preços reduzidos nas lojas da América Latina. Diferentes fatores, como impostos de importação, conformidade com requerimentos e outros, influenciam as diferenças de preços que os consumidores encontrarão nesta região. Os preços em cada país da América Latina serão anunciados posteriormente.”

Lembrando que atualmente o PlayStation 3 brasileiro – com HD de 160 GB – custa R$ 1399,00 (preço promocional até 30 de agosto). Até quanto mais poderá cair? Alguém chuta?

Autor: - Categoria(s): Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , ,
11/08/2011 - 18:04

Entrevista da Semana: Fabio Santana (PlayStation.Blog)

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E hoje, conforme o prometido, tem Entrevista da Semana.

Fabio Santana já foi entrevistado anteriormente aqui no Gamer.br, em 2006, mas isso era quando ele era um “simples” editor de revistas especializadas. Com experiência de mais de 15 anos a serviço do jornalismo de games – passou por publicações como Gamers (na Ed. Escala), EGM Brasil, Nintendo World, SuperDicas PlayStation (na Conrad e na Futuro), Xbox 360, Dicas e Truques para PlayStation, Old Gamer! e Edge (na Ed. Europa) -, Fabão é unanimidade entre colegas, leitores e a indústria. Talvez por isso, recebi com sentimentos agridoces a notícia, em primeira mão, de que ele estaria deixando as revistas para se tornar editor do blog oficial do PlayStation no Brasil.

Mas se por um lado a imprensa especializada perde, a indústria ganha: a Sony Brasil não poderia estar melhor representada nessa recente empreitada visando o contato mais próximo com o consumidor final. Fabio é o responsável pelo conteúdo do PlayStation.Blog, além de se comunicar diretamente com os leitores, capturando esse feedback e transformando em ações efetivas. No meu entendimento, ele é o homem certo para o negócio e tem tudo para se dar bem. Mas é óbvio que os leitores de revistas de games (eles existem ainda!) sentirão bastante a falta…

No papo a seguir, Fabão fala sobre suas novas funções, discute o jornalismo de games e faz previsões para o mercado nacional. Leia, divulgue e não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: Você sempre foi sinônimo de jornalismo de games no Brasil. Daí, de repente, se viu diante do desafio de mudar de lado, ou seja, pular para a trincheira do “adversário”. Metáforas a parte, como você enfrentou a questão desse novo desafio profissional?
Fabio Santana: A mudança não foi tão radical quanto pode parecer. Continua valendo o tino jornalístico para pautas relevantes, o cuidado de apurar o conteúdo e aquele preciosismo no trato do texto. O escopo é diferente, é verdade – é preciso pensar na abordagem a que se propõe o PlayStation.Blog, que é um veículo oficial de PlayStation e visa a apresentar a informação com esse caráter, oficial, direto da fonte. Mas não há intenção de embelezar ou mascarar fatos para vender mais. O jogador é um consumidor especialmente inteligente e crítico, e percebe quando há uma linguagem excessivamente marqueteira. Pelo contato que tenho com a equipe global do PlayStation.Blog, tenho tido a satisfação de perceber que os responsáveis pelo veículo são jogadores como eu, e também jornalistas, com essa preocupação de dar espaço ao que vale o tempo do leitor, e de tratar essa informação de uma maneira original, para que seja uma leitura agradável.

Na prática, qual é a diferença em trabalhar para uma grande corporação da indústria e para um veículo de comunicação tradicional? Como suas rotinas se diferenciam?
FS: Como eu disse, no que diz respeito ao conteúdo, à pensata de pautas e tal, pouco mudou. Tenho bastante liberdade para escolher o conteúdo estrangeiro que iremos localizar no PlayStation.Blog BR, e ainda não tive muito tempo para criar matérias próprias, mas já estou alinhando algumas.
Algo que mudou, e que está sendo empolgante, é o contato com os bastidores, com a preparação do conteúdo e das ações que os jogadores vão curtir. Não trabalho diretamente na Sony Brasil, mas na Router Beta, a agência BTL que desenvolve as ações de lançamento e eventos para a linha PlayStation no Brasil. Assim, tenho a oportunidade de participar do planejamento dessas ações e oferecer algum input, tanto como jogador quanto como jornalista.Também estou em contato direto e diário com a Sony Brasil e a Sony Computer Entertainment America para alinhar algumas comunicações. É o caso, por exemplo, das atualizações semanais da PlayStation Store brasileira.
Ainda administro o site oficial, e também estou sempre interagindo com os leitores do PlayStation.Blog, levando suas dúvidas para a Sony e dando a eles um retorno. Muito em breve teremos também perfis nas redes sociais. É gratificante poder agora fazer essa ponte entre os jogadores e a empresa que cria todo esse entretenimento.

E a parte complexa de trabalhar no “outro lado”? Agora, do ponto de vista do consumidor, seu papel supostamente mudou – você representa a empresa para quem eles reclamam quando se sentem prejudicados. Antigamente, você era o porta-voz desse consumidor perante a indústria. A transição é mais complexa, visto que você ainda permanece sendo um consumidor também?
FS: Vejo mais como uma oportunidade maior do que como uma mudança de lado. A Sony, como um todo, é hoje uma empresa centrada no consumidor, e a chegada dos canais oficiais de PlayStation no Brasil são uma amostra disso. Agora os jogadores brasileiros têm um contato muito mais próximo com a empresa, e podem fazer isso na sua língua nativa. Eu me encontro nesse ponto de contato interessante, em que entendo as necessidades do consumidor, como consumidor que sou dos produtos de que trato, e tenho esse compromisso de fazer valer essa voz do povo, como jornalista que continuo sendo, e posso levar esse feedback para a empresa da qual eles possam ter eventuais dúvidas ou reclamações, e então trazer algo de volta, na forma de uma solução ou posição oficial. Não foi uma transição complexa, mas talvez a oportunidade de fazer mais.


Fabio em sua primeira aparição como editor do blog PlayStation, em julho último

Sei que é difícil falar sobre isso nesse momento, mas… Os leitores órfãos de seu trabalho opinativo, será que poderão sonhar com você comandando algum veículo de informação independente novamente? Ou esta é uma página virada em sua carreira?

FS: Olha, não tenho o hábito de planejar muito a minha carreira. Meio que miro uma direção geral e me condiciono um pouco a arriscar uns passos para lá, mas sem forçar nada, sem ficar encanado com isso. Agora estou bem atarefado com tudo isso, estou bastante realizado e não pretendo fazer nada diferente tão cedo – meus projetos costumam ser de longo prazo. Está sendo legal a transição do impresso para o orgânico meio online. No futuro, talvez eu queira estar ainda mais próximo da indústria. Ou não. O fato é que continuo a escrever e não pretendo deixar de fazê-lo.

Sua trajetória é uma das mais impressionantes desse mercado, levado em conta que você fugiu do caminho tradicional “faculdade-estágio- emprego etc”. Chegar à posição que está hoje me parece a cereja do bolo. Olhando para trás, como conseguiu essa trilha vitoriosa? Como foi chegar daquele tempo antigo, quando você nem pensava em trabalhar com a Gamers, até aqui, um executivo engravatado?
FS: [Risos] “Executivo engravatado” passou longe aqui. Ainda tenho muito do garoto com o brilho no olhar por poder escrever sobre games – inclusive o jeans e a camiseta do jogo favorito. Mas, de fato, o alcance e as responsabilidades aumentaram muito ao longo desses anos todos. A que atribuo isso? Às pessoas. Não fossem pelas pessoas que deram oportunidades, por aquelas que tanto ensinaram, por tantos que estiveram lado a lado construindo, eu com certeza não teria conseguido fazer as coisas bacanas que pude fazer. A disposição das pessoas sempre supriu minhas faltas – de conhecimento, de experiência, de formação etc. Eu meramente procurei absorver o que tinha a aprender de profissionais como você, Eduardo Trivella, André Forastieri, Théo Azevedo, Felipe Azevedo, Humberto Martinez, Nelson Alves Jr., Gustavo Petró, Roberto Araújo e tantos mais. Tive a grata oportunidade de conhecer tanta gente boa no que faz.

Falando sobre jornalismo propriamente dito: atualmente, com o imediatismo das redes sociais e a democracia dos blogs opinativos, qual é o papel do jornalista tradicional? Para que vamos servir? O que o futuro reserva para o jornalismo profissional diante do quadro atual em que todo mundo possui opinião própria e produz conteúdo?
FS: Espero que preservemos o bom senso numa realidade em que as pessoas, inclusive jornalistas, muitas vezes usam a boca (ou os dedos) antes do cérebro, geralmente seduzidos pela audiência. O jornalista deve ser preciso sem se precipitar, deve analisar fatos, ouvir pessoas, vislumbrar a dimensão real das coisas, e isso demanda tempo. Quero acreditar que o profissional que atente a esses valores do ofício será sempre apreciado e necessário.

Como você enxerga hoje a situação do jornalismo de games no Brasil, o dos grandes veículos e o independente? Você deve ter uma visão diferenciada sobre isso, já que agora está “do outro lado”…
FS: Não diria uma visão diferenciada, já que venho recentemente de um veículo independente e, mesmo agora, como representante de canais oficiais, continuo, na prática, sendo parte desse rico ecossistema, né? E minha visão é justamente essa, a de que temos hoje um segmento multifacetado, com meios e abordagens para todos os públicos. O impresso se reinventa com as interações sociais e disponibilidade em formatos digitais, o online avança com a velocidade típica de seu meio, o segmento cresce na TV e as iniciativas independentes se multiplicam pelos blogs e revistas digitais. É verdade que, muitas vezes, ainda é um grande desafio viabilizar os veículos comerciais, mas o amplo crescimento do mercado nacional de jogos tem colaborado para a saúde do segmento editorial especializado. A indústria nacional em maturação é um campo muito mais explorado pela mídia: profissionais brasileiros se destacam lá fora, estudantes e pesquisadores têm projetos premiados, estúdios nacionais diversificam suas operações. As produtoras também dão cada vez atenção ao nosso país, investindo mais em localização ou ações de lançamento e dando melhor suporte ao profissional da imprensa. É um momento fantástico para ser um jornalista de games no Brasil.

Há uns anos te perguntei isso, mas tanto tempo se passou e você passou por tanta coisa que talvez sua opinião tenha mudado: quais são as dicas e toques que você dá para quem quer começar nessa profissão, e se manter bem nela depois?
FS: Não me lembro bem do que falei da outra vez, mas deve ter sido algo do tipo “faça um blog, publique seu trabalho, procure estabelecer e manter contato com gente da área”. Isso continua válido, mas são cada vez mais frequentes os casos em que as empresas buscam estudantes de Jornalismos nas universidades mais conceituadas, para atuarem como estagiários. Muitos não tinham sequer textos publicados, mas se candidatam pelo amor ao hobby e acabam pegando gosto pela profissão e crescendo nela. Agora, para se manter bem, o segredo é ser do… bem. Além do talento e disposição, tem que ter caráter e ser parceiro. São dicas básicas para se obter o sucesso em qualquer carreira, mas sempre é bom ressaltar. Afora isso, é buscar sempre se manter relevante.

E o Brasil dos games tem jeito? Já chegamos no auge, ou estamos longe de chegar no topo?
FS: Jeito ele tinha há uns três, cinco anos. Agora ele já dá são frutos. Com o balanço da economia mundial afetado, países emergentes como o Brasil ganharam posições na fila de prioridades das grandes multinacionais. No segmento de games, vimos a chegada de novas produtoras, que estão investindo em divulgação e no relacionamento com o consumidor brasileiro – sem puxar sardinha, a Sony Brasil já mostrava isso com diversas ações legais de lançamento, e agora se aproxima ainda mais dos jogadores com a presença forte nos canais online. Olhando para trás, estávamos carentes de eventos, agora temos quase um circuito deles. Temos cada vez mais jogos localizados em português, cada vez mais soluções oficiais para problemas antigos, cada vez mais empresas mostrando interesse no nosso país. Então estamos numa situação muito mais interessante que há poucos anos, mas é claro que há espaço (e potencial) para crescermos muito mais. Uma parte importante desse potencial passa pela questão dos impostos, que, reduzidos, tornariam nosso mercado mais competitivo e atraente. Então o mercado já me parece bem encaminhado.
Agora o que eu, pessoalmente gostaria de ver melhorar ainda é a indústria nacional, a criação de jogos em território brasileiro. Gente interessada e talentosa não falta por aqui, então é questão de se criarem as oportunidades. Países como Canadá e França oferecem benefícios fiscais para o setor e geram milhares de empregos. Gostaria muito de ver isso no Brasil um dia.

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , ,
22/07/2011 - 18:48

Sony lança PlayStation Network no Brasil

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A Sony fez seu barulho hoje em um evento para a imprensa brasileira. O tema? O aguardado lançamento da PlayStation Network no Brasil.

Não que houvesse muita novidade para se revelar. Afinal, desde ontem a notícia já havia sido distribuida por canais oficiais, estragando um pouco a surpresa da festinha de hoje. No mais, ficamos sabendo que a loja online da família PlayStation já está em funcionamento no Brasil, com games disponíveis em reais, além de outros tipos de conteúdos para download. Tudo pode ser pago com cartão de crédito internacional emitido por aqui. Em breve, a Sony colocará no mercado cartões pré-pagos também (não se sabe quando, mas será ainda em 2012 2011).

A ocasião ainda serviu para lançar oficialmente o site PlayStation no Brasil, além do blog oficial, que será comandado pelo amigo jornalista Fabio Santana, muito provavelmente um dos maiores pensadores teóricos da indústria mundial de games no país. Muita sorte e sucesso para ele.

Veja abaixo o comunicado completo emitido hoje pela Sony:

SONY LANÇA PLAYSTATION NETWORK BRASIL, SITE E BLOG
Brasileiros também ganharão páginas nas principais redes sociais

A partir de hoje, os gamers brasileiros podem comemorar a chegada da rede PlayStation Network específica para o mercado brasileiro. Os usuários já podem criar suas contas, acessar conteúdos exclusivos em Português, comprar na PlayStation Store, entre outros serviços. A ação faz parte dos planos de expansão da marca PlayStation na América Latina.

“Hoje damos início a uma nova fase. Com a Playstation Network Brasil, o consumidor brasileiro terá acesso a um mundo de entretenimento singular. Poderá baixar jogos, demos, add-ons, wallpapers e ter acesso a inúmeros conteúdos exclusivos, que estarão disponíveis a todos os usuários do console PS3. Para isso, basta ter uma conexão de internet e criar uma conta na PSN Brasil. A criação de contas é grátis e todos as transações de compra serão feitas em moeda nacional, trazendo muitos benefícios e diversão ao nosso público”, afirma Glauco Rozner, novo Gerente Geral de PlayStation e VAIO da Sony Brasil.

O Brasil será o segundo país da América Latina a receber a plataforma digital. Nesta primeira fase, os consumidores poderão fazer download de jogos para PS3, todos com a devida classificação etária do Governo brasileiro. Em breve, a Sony proporcionará o acesso a games de outros consoles. Também será possível criar sua galeria de troféus, entre outros recursos. A PlayStation Store disponibilizará os principais lançamentos aos brasileiros. A loja virtual vai operar com moeda nacional e os consumidores poderão usar cartões de crédito internacionais, mas emitidos por bancos brasileiros. A PlayStation Home e a PlayStation Plus serão lançadas em fases posteriores.

A PS Store no Brasil contará com aproximadamente 200 opções de conteúdo da Sony Computer Entertainment para PS3, além de várias escolhas de outros desenvolvedores como Ubisoft e Capcom. Serão feitas atualizações semanais a partir de 02 de agosto, permitindo que o consumidor faça ainda mais downloads de games.

“A nossa seleção de jogos foi feita com o jogador brasileiro em mente”, afirma Mark Stanley, Gerente Geral da América Latina. “Quando os brasileiros entrarem na PlayStation Store, eles irão encontrar os melhores e mais populares títulos, como God of War™: Collection, inFAMOUS™ e Assassin’s Creed II: Deluxe Edition. Clássicos do PlayStation 1™, como Metal Gear Solid e Street Fighter Alpha. Os consumidores brasileiros também poderão testar lançamentos, como Heavy Rain, Killzone™3, God of WarTM3 e LittleBigPlanet™, além de demos de futuros títulos. Continuaremos a desenvolver e atualizar mais e mais conteúdos regionais à medida que a PlayStation Network for expandida no Brasil.”

(…)

A Sony prevê que mais de um milhão de pessoas devam integrar a PSN Brasil até o fim de 2011.

Também como parte desses lançamentos, a Sony anuncia o programa Welcome Back para os brasileiros. Os usuários que tiveram sua conta interrompida durante a paralisação da PSN poderão fazer o download gratuito de alguns jogos.

Serão dois jogos de PS3 da lista abaixo:
Dead Nation
inFAMOUS
LittleBigPlanet
Super Stardust HD
WipEout HD + Fury

E dois jogos para PSP da lista abaixo:
LittleBigPlanet (PSP)
ModNation Racers
Pursuit Force
Killzone™ Liberation

A Sony também vai oferecer um tema intitulado Pixel Wonderland como bônus a todos que se cadastrarem na PlayStation Store. Esse bônus estará disponível até meia noite do dia 21 de agosto, proporcionando aos usuários 30 dias para uso desse benefício a partir da data de cadastro.

***

A parte negativa do evento: a notícia de que o Anderson Gracias não é mais o responsável pelo setor PlayStation no Brasil. Desde 2009 no cargo de gerente geral de PlayStation, que exerceu com relativa facilidade, Gracias ganhou um upgrade dentro da empresa: é o novo gerente geral de vendas e direct business da Sony Brasil. O Gamer.br também dá parabéns e deseja sorte ao executivo em sua nova empreitada.

O cargo de gerente geral de PlayStation passa a ser ocupado por Glauco Rozner, que já tem anos de Sony e passa a acumular também o cargo de gerente da linha de notebooks Vaio.

***

E agora que World of Warcraft foi anunciado, que a PSN estreou… o que mais falta acontecer no mercado nacional? Será que sobrou ainda alguma notícia quente para 2011?

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08/11/2010 - 19:32

Revistas Edge e Ngamer vão parar de circular

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A notícia já se espalhou como fogo: a editora Europa cancelou hoje duas de suas publicações especializadas em games no Brasil.

As revistas Edge (editada por Fabio Santana e Felipe Azevedo) e a NGamer (por Eduardo Trivella), ambas licenças da editora inglesa Future Publishing, deixam de ser publicadas a partir do próximo mês. Consultados pelo Gamer.br, os representantes da editora Europa preferiram ainda não se pronunciar oficialmente sobre o assunto.

Vale dizer que nenhum dos jornalistas envolvidos ficou sem trabalho: os integrantes das equipes das revistas canceladas já foram remanejados para as outras publicações da editora – no caso, a Dicas e Truques para PlayStation e a Revista Oficial do Xbox. Obviamente, o clima na redação ainda é de desnorteamento, uma vez que a notícia é recente chegou como surpresa.

No total, a Edge durou 18 edições, desde que chegou às bancas, em junho de 2009, em um processo que já havia substituido a revista Gamemaster. Já a NGamer, que foi lançada em julho de 2007 como uma “revista 100% Nintendo”, durou exatas 40 edições.

Na condição de jornalista que formou carreira em revistas de games, só tenho a lamentar. As bancas, os leitores e o mercado sentirão as ausências dessas duas publicações de nível internacional que serviam como palcos de atuação de alguns profissionais da mais alta competência (todos caras com quem já tive o prazer de trabalhar lado a lado). A notícia triste também dá margem a discussões insolúveis que pensei que ficariam afastadas de nossas rotinas pelo menos nos próximos anos: até quando as revistas vão resistir? Ou trata-se de um acontecimento atípico? O mercado editorial vai bem ou não? Alguém continua a comprar as revistas que consumia há cinco, dez anos? Ou apenas novos leitores compram revistas?

Todas essas perguntas são feitas diariamente nas editoras espalhadas pelo país – não apenas as que publicam revistas de games. E acredite, nenhuma delas possui fácil resposta. Enquanto nada muda efetivamente (enquanto houver árvores disponíveis e leitores interessados, pelo menos), vamos seguindo adiante, trabalhando no escuro, torcendo para acertar o alvo, mês após mês. Não é fácil. Mas a gente adora, senão não estaríamos fazendo.

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21/04/2010 - 20:59

Festa de GTA IV: o que quase ninguém viu

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Você soube que rolou um festão para promover o lançamento de Grand Theft Auto IV: Episodes from Liberty City (versão PS3)? Foi na sexta passada, no modernoso Vegas, na famigerada Rua Augusta, em São Paulo. O evento foi organizado pela Synergex em parceria com a Take Two e reuniu gente de toda espécie – umas 300, segundo a organização -, que beberam de graça até a meia-noite, dançaram no poste, babaram com strippers e até mesmo  – veja só – prestigiaram o novo game.

Eu estive lá. Quase fui barrado, mas entrei em tempo de ver os primeiros vexames e abraçar gente que eu não via há um tempão. A sensação é que estava todo mundo lá, ou quase (pelo menos entre os jornalistas especializados de São Paulo, a presença foi quase 80%). Os executivos das empresas também marcaram presença, assim como lojistas e profissionais ligados à área comercial e marketing. Abaixo, você confere alguns instantâneos eternizados naquela noite (as fotos são do Alexandre Brandão, cortesia da Fernanda Domingues, da FD Comunicação).


Brilho, luxo, glamour – e essa é apenas a porta de entrada da festa


Eu queria saber para quem o Gustavo Petró está acenando – ou ele está chamando outra cerveja?


A essa hora, já estava todo mundo alegre e inconveniente


Dupla dinâmica: Glauco Bueno, da Synergex, e Gerson Souza, da Sony


Fabio Santana, jornalista, editor, gênio da raça (à frente, com a sacola)


Ah, é, o povo até joga videogame em festa. É raro, mas acontece

***

E segundo bem apurou o amigo Bruno “Bagaço” Vasone, aquele perfil de Twitter @Blizzard_br é fake – ou seja, não foi criado nem é administrado pela Blizzard. Pois sim. Então, continuamos no aguardo de novidades e notícias dos jornalistas que foram cobrir o lançamento de StarCraft II nos Estados Unidos. Neste momento, o pessoal deve estar voando de volta ao Brasil. Amanhã devemos ter novidades.

***

E só para dar uma atiçadinha de leve…

…sobre o abaixo-assinado sobre Impostos Justos para Videogames: você acreditaria se alguém lhe dissesse que, após meras três semanas, o esforço já fez um considerável efeito?

Pois então. Depois a gente fala sobre isso.

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13/08/2009 - 16:22

Clique Comigo

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Como vai, tudo bem? Aqui vou bem.

Sexta-feira é tradicionalmente o dia do Clique Comigo, porque assim eu defini. Mas como amanhã pretendo publicar o resultado de minha pesquisa sobre a satisfação do jornalista de games, resolvi adiantar as coisas. Ainda mais que há muita coisa boa a ser clicada esta semana.

***

Sim, e ela vai sair:



A capa original era outra, mas está valendo

A editora Europa fechou a primeira edição da revista Old Gamer, dedicada aos nostálgicos. Conversei com os dois editores da publicação, Fábio Santana e Humberto Martinez, que se declararam aliviados de a revista enfim ter chegado aos finalmentes. “Logo mais já está pipocando por aí”, brincou Fabão. “Você não tem noção do peso que saiu dos ombros”, confessou Humberto.

A pré-venda da número 1, com entrega prevista para o dia 17 de agosto, já começou e garante desconto.

***

Pelas minhas contas, daqui 27 dias é o DIA BEATLES. Ou você não sabia?

Em 9 do 9 do 9, os Beatles serão o assunto único e primordial – isso porque a indústria do entretenimento assim o escolheu. É a data de relançamento de todos os discos da banda, remasterizados e em versões incrementadas. É também o dia que chega às lojas The Beatles: Rock Band, simulador musical multiplataforma que recria virtualmente a experiência musical da maior banda de rock de todos os tempos.

Está todo mundo falando sobre isso. Eu mesmo estou trabalhando em uma matéria neste exato momento (que a Harmonix continue a colaborar comigo…). Mas enquanto isso, um jornalzinho chamado New York Times saiu na frente com uma belíssima reportagem sobre o game. Quando tiver um tempinho, leia e se esbalde. E entre você também no hype.

***

A Level Up! mandou avisar:

Amanhã, sexta, Domingo, 16 de agosto, às 18h, a empresa promove com a MTV um encontro online das VJs do canal dentro do ambiente do game MapleStory.

O evento será transmitido ao vivo no blog de games da MTV. Está marcado para ser um bate-papo, mas já ouvi falar que alguns eventos ligados ao jogo – monstros e distribuição de brindes – devem rolar para incrementar a brincadeira. As presenças (virtuais) de Penelope Nova, Kika Martinez, Marimoon, Luisa Micheletti e Flávia Gasi estão garantidas.

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E o Mendigogame?

Ou Pennergame, se você conseguir jogar em alemão.

É isso mesmo que o nome dá a entender: é um simulador online de mendicância e indigência. É claro que é para ser engraçado. E é óbvio que há quem leve a piada a sério e saia criticando e achando um absurdo.

Que preguiça desses nossos tempos politicamente corretos…

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E para fechar, o vídeo mais cretino da semana. Talvez do mês. Dispensa qualquer comentário.


Eu só espero que você NÃO seja a pessoa acima…

Autor: - Categoria(s): Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , ,
28/04/2009 - 19:11

E a nova revista brasileira é…

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E acabou o mistério. Pelo menos um deles.

O Gamer.br revela agora, com exclusividade, qual é o próximo lançamento do mercado editorial brasileiro.

A revista é a britânica Edge e será publicada pela Editora Europa.

Muita gente já havia acertado só na base da investigação. E a informação já rola em fóruns há alguns dias (segredo nunca se mantém secreto por muito tempo). Mas agora é oficial, com as declarações de quem está produzindo a revista.

Conversei com o Gustavo Petró, atual editor da Gamemaster e futuro editor da Edge (ao lado do glorioso Fabio Santana), que respondeu a algumas questões cruciais sobre o projeto. Vamos a elas:

Gamer.br: Quando sai a edição 1 da Edge? De quanto em quanto tempo? E o preço, a quantidade de páginas, o tipo de papel?
Gustavo Petró: A Edge chegará às bancas na segunda quinzena de maio. Será mensal, terá 100 páginas e terá lombada quadrada, por R$ 14,90. A capa terá o mesmo material da revista gringa, que é com um papel um pouco mais “durinho”. O papel interno será o mesmo das outras revistas de games licenciadas pela Editora Europa.


Esta capa ainda é provisória, eles avisam. Clique para ampliar

E a GameMaster, continua com a chegada da Edge?
Não, a GameMaster se tornará Edge. Os assinantes da revista passarão automaticamente a receber Edge a partir de maio. A GameMaster edição 50 (que já está nas bancas) é a última edição da revista com esse nome. A equipe continua na Edge.
E antes de responder a próxima, queria avisar que tem uma promoção de lançamento para assinatura anual da revista, com desconto de 65% na assinatura.

Como é a divisão de conteúdo? Metade traduzido e metade nacional, como é normalmente feito em revistas licenciadas?
Em princípio, majoritariamente o conteúdo é localizado. Temos seções e artigos produzidos no Brasil, a exemplo da matéria que tem chamada nessa primeira capa sobre os estúdios que desenvolvem games para Nintendo DS. A tendência é esse conteúdo feito aqui aumentar no futuro.

Vocês pretendem usar toda equipe da editora Europa na revista?
Assim como as revistas já publicadas pela Editora Europa, que têm seus respectivos responsáveis, todos os membros da redação de games estarão de alguma forma envolvidos em Edge.

Apresente a EDGE pra quem nunca ouviu falar. Por que lança-la agora?
Edge é uma revista de games britãnica publicada desde 1993. É uma das mais conceituadas no mundo. Tem estilo sofisticado e incisivo, com conteúdo direcionado a formadores de opinião: profissionais da indústria e jogadores adultos. Edge tem acesso irrestrito aos estúdios espalhados pelo mundo, trazendo o que há de mais novo em termo de jogos. A negociação do licenciamento estava em tramite há bastante tempo, muito mesmo, que vem agora fortalecer o portfolio de revistas da Editora Europa. O lançamento acontece no momento em que o mercado nacional de jogos amadurece rapidamente, com mais players no varejo e produtoras nacionais desenvolvendo jogos para as plataformas do momento. Isso exigiu uma publicação nova a altura desse novo cenário.

E os leitores da GameMaster, não vão estranhar a diferença?
Os leitores da GameMaster não estranharão a nova revista, uma vez que tanto Edge quanto a GameMaster sempre trataram videogames como algo sério. Edge tem acesso irrestrito às grandes produtoras espalhadas pelo mundo, o que garante matérias exclusivas e com muita qualidade. Não tem como alguém estranhar isso, tem?

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Agora que eu me adiantei na revelação, comente. E divulgue por aí.

 

Autor: - Categoria(s): Cobertura X06, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , ,
18/12/2006 - 19:38

Entrevista da Semana: Fabio Santana (EGM Brasil)

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Segunda, você sabe, é o dia de lamentar o final do final de semana. E também de ler uma caprichada Entrevista da Semana. O eleito da vez é o Fabio Santana, editor da revista EGM Brasil e um dos mais conceituados jornalistas de games do país. Fabão fala (e muito!) sobre tudo e mais um pouco, e você confere esta longa e instigante conversa a seguir:

Gamer.Br: Você trabalha há dez anos no mercado editorial de games. Resuma o que aconteceu de lá para cá nesse sentido. Se evoluímos, quanto foi?
Fabio Santana: Muito. Digo isso como leitor e como profissional também. O mercado amadureceu e, em vez de pilotos e revistas de detonados, temos jornalistas e publicações voltadas para um público mais velho. Dá gosto de ler. No lado da criação, melhorou o acesso às informações. Hoje, é muito mais fácil estabelecer uma relação com produtoras internacionais. Em vez de acompanharmos tudo de longe, estamos muito mais integrados com o cenário mundial de games.
Ao mesmo tempo, a indústria de games brasileira se desenvolveu bastante, gerando a necessidade de voltarmos nossas atenções ao “próprio umbigo”. Esse avanço tem melhorado a exposição do Brasil lá fora, o que deve abrir cada vez mais portas para os brasileiros jornalistas de games.

Como o mercado editorial “de papel” pode superar a concorrência quase desleal com a internet? As revistas vão acabar?
Não concorrendo. Seria inútil tentar bater de frente com a internet naquilo que ela é infinitamente melhor: conteúdo quente, ou seja, notícias. Muita gente não sabe, mas depois de finalizar uma revista na redação, ela fica aproximadamente uma semana na gráfica e, depois, mais uma semana na distribuidora para chegar às bancas do país inteiro. Então, do momento em que escrevemos o último parágrafo da edição até o momento em que a revista chega às mãos do leitor, lá se foi metade de um mês. E muita coisa acontece nesse ínterim.
A solução é apostar em coisas nas quais a internet, geralmente, é deficitária. Reportagens especiais, algumas feitas ao longo de meses de pesquisas, entrevistas com gente da indústria, curiosidades… O lance é diversificar o conteúdo frio, aquele que não tem hora pra ser publicado, e também enriquecer o conteúdo morno (porque quente mesmo, só na internet) com um trabalho de pesquisa e aprofundada verificação de informações.
É preciso explorar as características únicas de periódico impresso. Como temos um mês para fazer cada edição, é preciso confeccionar, apurar e lapidar o conteúdo, coisa que é rara na internet, onde as atualizações requerem a máxima urgência.
Outra boa maneira de garantir a relevância da publicação impressa é integrá-la a um web site. Você pode oferecer conteúdo adicional online, ou oferecer extras, como podcasts, videocasts, videoanálises… Dessa maneira, você une o melhor dos dois mundos e faz um bom trabalho de marca que atinge usuários on e offline.

O que dizer aos críticos que acham que as revistas de games estão com os dias contados?
Eu não vejo dessa maneira. É bem verdade que as revistas impressas em geral têm apresentado uma queda constante, em todos os segmentos – a não ser em títulos de oportunidade, mas me nego a fazer uma EGM Brasil com o Rebeldes na capa só pra vender mais [risos]. É verdade, também, que o brasileiro tem fugido da leitura de qualidade para passar mais horas na internet, onde, como disse, nem sempre é possível fazer uma correção ortográfica ou verificar a veracidade das informações.
Porém, eu acho que sempre haverá consumidores para publicações impressas. E dizer isso não equivale a afirmar que ainda existe gente comprando discos de vinil. Não é só uma opção pelo amor à tradição ou pela comodidade de levar sua leitura a qualquer lugar (o que, fatalmente, acontecerá com as publicações digitais; basta ver as tendências de portabilidade). É apenas pela simples constatação de que revistas impressas trazem conteúdo diferenciado, que complementam sua experiência online. É a percepção de que você não precisa visitar cinco ou seis sites para saber tudo sobre um assunto, apenas uma matéria especial bem escrita. Além disso, confio no progresso do nosso país. Sei que não temos o melhor ensino do mundo (ok, na verdade, estamos muito longe disso), mas, quando não apenas as escolas, mas também as famílias incentivarem a leitura, teremos uma revitalização do mercado de publicações impressas (e uma nação com mais opinião).

Você jogou os 3 consoles. Qual é o preferido por enquanto?
Acho que o ano de vantagem em relação aos concorrentes da nova geração tem mostrado bons resultados para o Xbox 360. Tem o serviço online mais estável e cheio de recursos (enquanto o PlayStation 3 e o Wii mal têm jogos online) e tem recebido jogos mais avançados, como Gears of War. Como os desenvolvedores tiveram mais tempo para se acostumar com a máquina, descobrir seus segredos e aperfeiçoar técnicas, é natural que os jogos de 360 sejam mais “polidos” que os de PS3. Infelizmente, não tive condições de adquirir um ainda, mas tenho me divertido bastante com o console da redação.
A máquina da Sony é a que menos me atrai por enquanto. Ainda custa muito caro e oferece pouca coisa. Metal Gear Solid 4, com sorte, só no final de 2007, e Final Fantasy XIII, em 2008. Acho que ele estará muito mais interessante quando estiver no mesmo ponto de seu ciclo em que o Xbox 360 se encontra agora.
O Wii, por sua vez, também sofre da “síndrome de lançamento”: jogos marginalmente mais bonitos que os da geração anterior e que mal aproveitam os recursos únicos da máquina. Claro, julgar o console da Nintendo pelos gráficos seria desvirtuar a discussão, por isso, nem levo isso em consideração. Estou dizendo é que tem poucos jogos que realmente façam diferença. Mas um deles é Zelda. Comprei um Nintendo 64 por causa de Zelda. Comprei um GameCube por causa de Zelda. E agora não foi diferente.

Falando sobre mercado brasileiro: a pirataria é o problema ou a solução?
Depende da ótica pela qual se vê e o intervalo de tempo pelo qual se considera o assunto. Para publicações que falam sobre jogos, impressas ou digitais, a pirataria pode parecer algo bom. Afinal, o consumidor compra mais e mais jogos, então, ele vai querer se informar sobre todos os títulos que adquirir. O comprador de produtos ilegais, por sua vez, parece estar bem satisfeito com a situação atual do mercado, assim como o trabalhador informal que faz da copiadora o seu ganha pão.
Porém, creio que esses são pontos de vista bem limitados. Se analisarmos os aspectos comerciais, com vistas ao futuro, constataremos que a pirataria causa mais danos que benefícios ao país e, conseqüentemente, ao consumidor. A situação atual do Brasil com relação à pirataria não é segredo para ninguém, muito menos para as grandes empresas estrangeiras de games, como Sony, Nintendo, Microsoft e produtoras third party. Responda às pergunta: “Se você fosse um alto executivo de uma dessas empresas, colocaria seu emprego em risco recomendando a instalação de uma filial no Brasil? As vendas justificariam os investimentos? Ou seria uma aventura arriscada?”. Se nada mudar por aqui, acho que você ficaria numa situação bem delicada.
É preciso que as ações ostensivas sejam mais eficientes. É preciso um trabalho de inteligência mais eficiente. É preciso fazer campanhas de conscientização (e não apenas inibição) mais eficientes.
Se a pirataria acabar, acaba um grande entrave para a formalização de uma indústria de games nacional. Aí, só vai restar o outro grande problema…

Pelo que você acompanha do mercado, estamos indo bem, estamos lentos ou estamos aquém do que poderíamos?
Temos caminhado corajosamente, mas num ritmo incompatível com o potencial desse mercado. A pirataria tem impedido um avanço mais rápido, junto com o outro problema que mencionei: impostos. Eles são numerosos, altos e ineficientes. Inibem a entrada de empresas estrangeiras e incentivam o consumo de produtos ilegais. É uma situação constrangedora: os impostos são altos, mas o governo não arrecada, pois não se vendem produtos originais. Se houvesse uma taxação mais justa, entre outros incentivos à indústria, mais empresas poderiam seguir o exemplo da Microsoft, que está apostando no Brasil com seu Xbox 360. Mais empregos seriam gerados, jogos e consoles seriam mais baratos e, com a formalização do mercado, impostos seriam arrecadados e então repassados ao povo. Todos ganhariam.
Há outros problemas a resolver também, de âmbito governamental, que representam barreiras à entrada de empresas estrangeiras, como a burocracia e o custo da mão de obra. Problemas que outros países em desenvolvimento têm sido mais eficientes na resolução, como Argentina, México, Coréia do Sul, China… São medidas com uma vasta amplitude, mas que acabam refletindo na indústria de games a partir do momento em que o país se torna um território viável para grandes investimentos.
Como disse, estamos ainda aquém daquilo que o potencial do gamer brasileiro permite, mas o cenário tem se modificado de forma a acelerar o avanço.

O que você ainda não viu acontecer no Brasil e gostaria de ver?
Um evento de game de relevância internacional, cheio de atrações, como são E3, Games Convention e Tokyo Game Show. Onde fossem mostrados jogos de várias produtoras, muito antes do lançamento, com a presença de game designers famosos e com shows de game music inesquecíveis. Acho que estamos caminhando para isso.
Também gostaria de ver uma cobertura mais consciente e responsável pela mídia não especializada. Ouvir o termo “joguinhos” e a associação estereotipada de videogames a crianças ainda hoje é lamentável. Mas acho que é mais fácil continuar sonhando com uma E3 brasileira…

A imprensa de games nacional é “chapa-branca”?
Questão complexa. Qualquer veículo e qualquer jornalista que se preze deve ter compromisso com o seu leitor, pois ele é pagador de grande parte, senão da totalidade do seu salário. É preciso ser imparcial, sem favorecer ou desmerecer empresa x ou y. Isenção é a característica vital para se ter credibilidade. Afinal, o leitor é inteligente e, muito provavelmente, joga muito mais tempo do que o analista pôde jogar para escrever uma crítica, portanto, saberá julgar se houve favorecimento ou condescendência na análise. O mesmo funciona com uma reportagem, ou preview, ou qualquer outro artigo. O leitor domina o assunto e não se deixa enganar.
Porém, porque o nosso segmento é relativamente novo, acho que falta percepção mais precisa do nosso papel. Não por parte dos jornalistas de games, que são apaixonados conscientes, ou dos leitores, que recorrem a nós como referência, mas por parte dos executivos e diretores de empresas. Por um lado, há as empresas de mídia. Seus produtos, sejam impressos ou online, têm que dar lucro. É preciso vender mais revistas, conquistar mais assinantes para o site e vender mais anúncios para ambos. O jornalista é um funcionário de uma dessas empresas, e tem a difícil tarefa de conciliar a sua posição neutra com as demandas dos demais departamentos, todos pensando em lucro: agradar o anunciante, fazer média com o parceiro comercial etc.

E por outro lado?
Por outro, existem as produtoras/importadoras/mantenedoras de jogos. Algumas delas, e isso não é um problema exclusivo do Brasil, reclamam quando você dá uma nota baixa para um jogo, e há casos de ameaças de cancelamento de suporte (ou seja, nada mais de jogos para preview/review ou entrevistas com produtores) ou de remoção de anúncios.
Uma vez, o amigo Dan “Shoe” Hsu, editor da EGM americana, fez um editorial contando um caso do tipo. Uma produtora (que ele não quis identificar) ligou para ele pedindo para mudar a nota de um jogo, ou eles tirariam a programação de um ano de anúncios que haviam fechado. O Shoe, claro, se negou a elevar a nota, e disse que poderiam fazer o que quisessem, pois nada poderia prevalecer sobre a isenção jornalística.
Claro que lá a realidade é outra, e a Ziff Davis Media, editora da revista, tem condições de secundá-lo nessa posição. Aqui, qualquer dinheiro faz falta, então é mais difícil, como disse, fazer perceber o nosso papel. As empresas têm que entender que escrevemos para os leitores, e não para elas. Falta a consciência de que, se sustentarmos a credibilidade, isso será bom para todos. Os leitores serão fidelizados, a revista vai vender mais e o bom produto avaliado vai vender mais. De que adianta o veículo falar bem de algo que não é bom, para então perder sua base de leitores em conseqüência da atitude irresponsável e depois não ter moral nem para falar do produto bom, nem do ruim?

De que lado deve ficar o jornalista?
Essa é uma questão filosófica. Acho que a classe faz um excelente e imparcial trabalho, mas a pulso. Ainda leva um tempo para educar os detentores do poder financeiro sobre nosso papel, mas acredito no progresso, e acho que um dia todos trabalharão para prestar um bom serviço: as produtoras para as editoras, essas para as produtoras, e ambas para o consumidor.

Ufa. Depois dessa. diga quem vai ganhar a guerra da nova geração.
Eu, particularmente, me baseio no exemplo da guerra de portáteis PSP vs. DS. Nesse meio, a Sony apostou em tecnologia e em multifuncionalidades; a Nintendo preferiu privilegiar novas formas de interação, sem tanto foco em qualidade gráfica ou recursos adicionais. O DS está à frente em venda de hardware no mundo todo, e muito, mas muito mais à frente em venda de software.
No segmento de consoles domésticos, está acontecendo a mesma coisa. O Wii chegou aos principais territórios do mundo sob grande expectativa, e vem esgotando todos os novos estoques que chegam ao mercado – elogios ainda à eficiência da Nintendo em abastecer devidamente seus consumidores. Fatores como baixo custo (relativo) de desenvolvimento, ciclos mais breves de criação e facilidade de programação (por ser basicamente um GameCube “overclockado”) estão atraindo third parties.
O PlayStation 3, por sua vez, aposta em tecnologia de ponto, à prova de futuro, a um alto custo. Mas, até agora, a Sony tem enfrentado uma série de problemas, desde dificuldades em atingir suas metas de produção e imperfeições técnicas até campanhas de marketing frustradas. Mesmo assim, a força do nome PlayStation tem sustentado o interesse dos consumidores. E ainda tem franquias de peso pela frente, como Metal Gear Solid 4 e Final Fantasy XIII. Acho que o PS3 se recupera com o tempo, principalmente quando mais pessoas tiverem acesso a aparelhos de alta definição e o console baixar de preço, mas duvido que chegue perto das mais de 100 milhões de unidades vendidas que seus dois predecessores ultrapassaram.
Já a Microsoft não está naquela guerra de portáteis que mencionei, mas é fácil perceber como a empresa amadureceu com o primeiro Xbox. O 360 foi lançado com um ano de antecedência e é o mais eficiente em atingir territórios fora do eixo EUA-Japão-Europa. O console se beneficia agora de títulos mais avançados, mais bonitos até que os de PlayStation 3 (Gears of War que o diga), e tenho certeza de que vai vender mais que a incursão anterior.
Fico feliz em ver uma geração tão equilibrada e tão empolgante, por isso é difícil prever qual empresa realmente vai se sagrar vitoriosa ao final de mais esse ciclo. Nesse momento, nem mesmo as produtoras estão se dedicando inteiramente a uma plataforma específica. Veja o exemplo da Square Enix: o próximo episódio numerado de Dragon Quest, sua franquia co-principal, veja só, será lançada exclusivamente para Nintendo DS!
Por todos os lados, vemos implícita a mensagem “espere para ver”, então, não vou fazer mais que dar esse panorama para o curto/médio prazo.

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