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17/03/2011 - 13:24

Não Gaste seu Dinheiro em Qualquer Porcaria

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Como estão as coisas por aí? Aqui vão bem.

São muitos eventos rolando em São Paulo nesse momento. O GameWorld, que aconteceu no final de semana passado, foi um sucesso de público. Ontem, a Activision revelou suas novidades para 2011 em um encontro com a imprensa (não compareci).  E escutei bons boatos esses dias sobre um evento de games de proporções ainda maiores no segundo semestre (muitos de vocês já sabem do que estou falando). Mas logo volto a fofocar sobre isso.

Por enquanto, para ninguém dizer que não ligo mais para games, epublico agora um texto que fiz para a revista EGW de dezembro, sobre consumismo desenfreado. Acho que é um tema que continuará eternamente em voga, então sempre vale a pena discutir o assunto.

E logo mais volto por aqui.

***

Jogos Demais, Tempo de Menos
O mercado está entupido de novos jogos e acessórios, mas nem todos valem o seu suado dinheiro

Novembro foi um mês agitado para quem mexe com games no Brasil, seja profissionalmente, seja casualmente.

A Microsoft lançou a rede Xbox Live por aqui. E isso por si só já deveria ser o bastante para ocupar todo mundo. Havia quem não acreditasse que aconteceria. Mas deu certo (ou melhor, espero que tenha dado. Escrevo esta coluna no dia anterior à estreia do sistema, e rezo para que esteja funcionando direito no momento em que você estiver lendo isso. A Microsoft garantiu que funcionaria, então é melhor a gente crer). E, uma semana depois, o Kinect, também da Microsoft, chegaria às lojas brasileiras – dessa vez, com apenas duas semanas de atraso em relação aos Estados Unidos. Tudo ao mesmo tempo agora.

Enquanto isso, a Sony Brasil não fala muita coisa a respeito do seu lado da história – no caso, a rede PSN e o acessório PlayStation Move. Questão de timing e estratégia. Afinal, a Microsoft levou “apenas” quatro anos para anunciar a chegada da Live no Brasil (o Xbox 360 foi lançado aqui no final de 2006). A Sony, por sua vez, se mantém adequada ao seu cronograma, por assim dizer: o PS3 também chegou por aqui com quase quatro anos de atraso em relação ao lançamento oficial. Então, no fim das contas, está tudo de acordo com o esperado.

E é claro, precisamos nos lembrar de que este fim de ano é o período critico de lançamentos, o tal do “fall” norte-americano. É aquela louca proporção de um game por dia. Enxugando tudo e dispensando o que não presta, dá para dizer que o período oferece bem menos do que uma dezena de games imperdíveis. Em meio a tudo isso, eu fico aqui pensando quem é que tem dinheiro para consumir tanta coisa. Você tem? Porque eu não tenho.

Você pode dizer que não tenho do que reclamar porque recebo tudo de graça no conforto de meu lar. Isso é meia verdade. Recebo algumas coisas, outras tenho que comprar, como todo mundo costuma fazer. E se já acho complicado gastar tanta grana com um ou outro game, fico imaginando um cara honesto como você, que não tem nenhuma boiada e precisa comprar tudo “na raça”.

Na real, a indústria dos games não está nem um pouco preocupada com isso. Talvez eles nem enxerguem a situação como um problema de verdade. Eles devem dizer: “Ruim seria não haver game nenhum para escolher!” E para reforçar essa tese, as empresas lançam mais produtos do que conseguiríamos comprar e jogar. Melhor sobrar do que faltar? Eu acho que não é bem por aí.

É até difícil apontar um game ruim em meio a tantos jogos “mais ou menos”. Com esse excesso de novidades, se torna mais trabalhoso o processo de garimpagem, e é quando o bom senso do consumidor se faz mais do que necessário. Algumas perguntas, porém, são de difícil resposta: é possível apostar com absoluta certeza em um game criado por uma desenvolvedora consagrada? Uma continuação de um jogo incrível será necessariamente um jogo incrível? Devemos confiar em todos os reviews positivos publicados pela imprensa?

Penso que o consumidor deve ter essas questões em mente, mas relembro também algo mais importante (e que muita gente parece se esquecer): você não é obrigado a desperdiçar seu suado salário em qualquer porcaria. Não é porque a indústria abarrota as prateleiras que você precisa engolir qualquer sapo. Dê um basta no consumo desenfreado: 1. Jogos ruins e feitos às pressas não devem ser levados em consideração. 2. Continuações pouco criativas não precisam necessariamente ser consumidas, mesmo que você seja um fã ardoroso de determinada série. 3. Gênios também falham, então você não precisa comprar um game de gosto duvidoso apenas porque foi supervisionado por seu designer japonês favorito.

Investigue, teste, enlouqueça o cara da loja, mas tenha absoluta certeza antes de gastar um único centavo. Não entregue o seu dinheiro a quem não merece. E se estiver difícil de decidir, pergunte a quem você mais confia. Às vezes, a opinião de seu melhor amigo pode ser muito mais válida do que a de um jornalista…

* Texto originalmente publicado na edição 108 da EGW, dezembro de 2010.

Autor: - Categoria(s): Gamer.br na EGW, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , ,
09/02/2011 - 19:43

O Futuro dos Games… Não Será Tão Movimentado (Assim Espero)

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Olá, como vai.

Fevereiro está agitado, pelo menos para mim. Dei uma sumida esses dias porque está difícil. E como você já se acostumou, é nessa hora que dou o truque e relembro o que andei escrevendo por aí.

O texto a seguir foi publicado no mês passado, na revista EGW edição 109 (se não estou enganado). Talvez você não tenha visto ainda, então presto aqui aquele serviço básico de crossmedia. Confira e comente. E até o final da semana, novidades e as soluções de algumas questões que eu já deveria ter feito e deixei para trás.

***

Desvios Obrigatórios*
Controles de movimento, fim do joystick… Será que a indústria acertou em cheio dessa vez? Ou será que não?

Dei o braço a torcer e instalei o Kinect lá em casa.

A embalagem do novo acessório do Xbox 360 ficou dias largada no canto da sala, até finalmente eu ter coragem de me arriscar. Não fossem por uns amigos, acho que ela permaneceria intocada por mais tempo. “Não acredito que você tem o Kinect e não estamos jogando”, disse um deles, direto no ponto. Fui obrigado a concordar. O Pablo Miyazawa de cinco anos atrás certamente não perderia um único minuto dessa oportunidade. E o Pablo da atualidade, que tem 32 anos nas costas e já não se impressiona muito com quase nada?

Esse ficou cansado após uma mísera horinha de partida. Sério.

Não quero ir contra a maré da evolução tecnológica. Realmente respeito as grandes fabricantes e as seguidas tentativas de trazer o “futuro” para nossas salas de estar. Mas, simplesmente, essas inovações não são para mim. Pelo menos não para esta versão envelhecida de mim.

As longas sessões de Guitar Hero e Rock Band já são suficientes para lesionar meus braços, pernas e cordas vocais. As partidas cooperativas de Modern Warfare 2 já deixam os olhos lacrimejando e os tendões doloridos. Os torneios de FIFA e Pro Evolution Soccer já são prejudiciais o bastante para o meu sono. Mas tenho sobrevivido para contar. Agora, foi preciso uma única rodada de Kinect Sports e Dance Central para eu ficar completamente suado. E olha que nem o inofensivo Kinectimals ajudou a aliviar a barra. Fiquei feliz de o sofá estar logo atrás de mim, o que me permitia sentar entre uma partida e outra. Não gostei de a maioria dos games me obrigar a ficar de pé para jogar. Fiquei aliviado de cada partida ser tão rápida que me permitiu ficar mais sentado do que em pé.

Sim, sou um reclamão, e estou fora de forma. E os videogames não estão nem aí para isso. Querem vencer meu sedentarismo à força. Será que é assim que eles vão conseguir?

Não estou aqui para julgar a qualidade desses jogos “físicos”. Bons eles devem ser, pelo menos uma parcela deles. Como toda tecnologia nova, há problemas para se resolver. Normal. Não me lembro de algum novo console cujos primeiros games acertaram na mosca. O Game Boy da Nintendo foi lançado com o inigualável Tetris, mas muita porcaria saiu ao mesmo tempo. A mesma coisa rolou no NES, no Super NES, no PlayStation, e por aí vai. E falando mais especificamente sobre acessórios, também tenho dificuldade em lembrar algum que tenha feito muito sucesso a ponto de alavancar as vendas de um console (me perdoe se eu estiver equivocado, a memória já não funciona tão bem). Pistolas, óculos 3D e tapetes de exercícios fizeram nossa cabeça no passado. Mais recentemente, guitarras, baterias, microfones e câmeras nos fizeram gastar mais dinheiro ainda. E a onda persiste nesse “final” de geração de videogames: veja só a Sony e a Microsoft fazendo você gastar mais dinheiro com novos brinquedinhos, só para estender um pouco a longevidade de seus consoles.

Eu, particularmente, não gostaria que a próxima geração de videogames seja baseada em uma evolução desses joysticks com sensores de movimentos (no caso do Wii e do Move), ou mesmo na completa ausência de um controle (no caso do Kinect). Sempre imaginei o futuro dos games com uma pegada mais “realidade virtual”, aos moldes do filme Tron, ou mesmo ao estilo de The Matrix. Nessas obras, porém, não se levava em consideração o fato de o jogador se cansar ao longo de uma partida. Os desenvolvedores da Nintendo, Sony e Microsoft, na certa, também não pensaram muito nisso. Outro detalhe que foi ignorado: os espaços físicos estão cada vez menores, e quem sofre para pagar o aluguel da quitinete sabe o que isso significa. Dá para dizer que apenas os privilegiados possuem espaço suficiente em suas salas para jogar Kinect, Move ou Wii com a desenvoltura necessária (traduzindo, sem quebrar objetos, derrubar móveis ou esbarrar no ventilador de teto).

Digo e repito: não estou aqui para malhar a “nova onda” dos games. Só acho que ela, assim como diversas outras tentativas anteriores da indústria, não irá durar muito tempo. Talvez este seja apenas um caminho alternativo, ou um desvio necessário, antes de presenciarmos avanços ainda mais interessantes. E, assim eu espero, bem menos cansativos.

* Texto publicado na edição 109 da EGW, janeiro de 2011.

Autor: - Categoria(s): Gamer.br na EGW, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , ,
13/01/2011 - 16:28

Revistas de games: o que o futuro reserva?

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Continuando a retrospectiva 2010 (acabou de acabar, mas ainda dá tempo), resolvi matutar a respeito de um tema que sempre dá pano para a manga: revistas de games.

Não foi exatamente o melhor ano do mundo para as publicações segmentadas de papel no Brasil. Revistas foram descontinuadas, equipes foram desfeitas e o veículo propriamente dito perdeu em status e relevância entre consumidores que se diziam fiéis. Tendência ou coincidência? Seja como for, não há melhor hora para se discutir o papel (literal) e a função atual da revista de videogame.

No final do ano passado, fui atrás dos três responsáveis pelas principais revistas disponíveis nas bancas brasileiras: André Forastieri, diretor editorial da Tambor, que publica a EGW e a Nintendo World; Luiz Siqueira, diretor na editora Europa, responsável pela Dicas e Truques para Playstation e a Revista Oficial do Xbox; e Allan André, editor-chefe na Digerati, que faz a X360 e a PS3W. Cada um, a sua maneira, respondeu à questão simples e capciosa:

“Revistas de games (aqui e lá fora) – como foi 2010, e o que o futuro próximo reserva?”

A seguir, as opiniões dos especialistas. É para pensar e discutir.

***
Por André Forastieri, diretor da Tambor

O que é uma revista? É um ponto de vista sobre um tema; um conjunto de soluções para um segmento econômico; uma comunidade onde você se sente bem; uma marca com a qual você tem uma relação emocional.
Isso é o passado, presente e futuro da revista. Mas daqui para frente, entendo que a revista deve tentar oferecer o mais amplo leque de serviços, nas duas pontas – para o consumidor e para o anunciante, buscando o justo (e difícil) equilíbrio. Por isso não acredito que simplesmente transferir uma revista em papel (mais alguns links) para o iPad é a solução de tudo. Embora a experiência da EGM – revista em papel mensal, na web semanal, e agora para tablet – eu venha acompanhando atentamente.

Eu acho que uma revista de games deve informar, criticar, provocar, refletir. E deve oferecer venda de games e acessórios e downloads digitais. E deve oferecer games free to play. E deve ter fóruns. E deve ter programa em vídeo, e podcast, e eventos. E pode oferecer cursos online. E deve promover eventos fantásticos. E deve oferecer aos desenvolvedores, publishers, varejistas, escolas de games todas as oportunidades de engajar o apaixonado por games, seja ele amador ou profissional.

É muita coisa. É difícil. Por isso é difícil a sobrevivência da maioria das revistas de games do nosso mercado. As editoras enfrentam muitos desafios. A maioria das editoras que publica revistas de games publica revistas de muitas outras coisas. Como ter o foco necessário, do ponto de vista conceitual e comercial, e ao mesmo tempo investir num portfolio de serviços ambicioso?

A Tambor atua cada vez mais como agência de publicidade – tanto atuando na criação, como no planejamento para empresas de games – e isso é uma demanda do mercado que não vai diminuir, só aumentar. Vantagem? Por estarmos há tanto tempo neste mercado, dominamos muito mais a linguagem que funciona para se comunicar com o gamer (ou o varejista de games) do que uma grande agência de publicidade tradicional, por mais prêmios que ela tenha ganho em Cannes.
No caso da Tambor, a união entre esta expertise na comunicação, o prestígio da revista impressa e a força instantânea e massiva dos nossos sites – impactamos mais de 3 milhões de gamers todos os meses – tem dado resultado. Fechamos o ano melhor que começamos. Para mim, esta é a medida de sucesso que importa.

Acredito que chegaremos a 2012 com o leitor bem servido de revistas impressas de games – a Tambor tem as duas principais de multiplataforma e Nintendo; a Europa, de Playstation e Xbox (deixamos de concorrer, alguém reparou?). Outras editoras têm produtos viáveis e interessantes. E hoje temos dezenas de bons blogs e sites sobre games. O que é o UOL Jogos, se não uma revista? O Arena Turbo? Now Loading? Nintendo Blast? Adrenaline? Cada qual com sua voz e sua pegada.

A Tambor terá novidades na web, sim; e temos o grande desafio de fazer um evento GameWorld 2011 melhor que o de 2010. Agora: nós editores old-school não podemos nos esquecer de fazer revistas impressas melhores. Nossa qualidade está longe da desejada. Foi assim sempre e sempre será. Em 2011 a Nintendo World comemora 13 anos de idade e a EGW, juntando suas encarnações, oito anos. E embora frequentemente eu tenha me orgulhado delas, nunca achei que chegamos lá.

Em 2011, prometo me manter insatisfeito…

***

Por Luiz Siqueira, diretor da Editora Europa

A sensação é de que continuamos no olho do furacão da revolução das mídias. Algumas revistas de games sentem menos essa revolução, outras sentem mais. O fato é que na maioria dos casos as publicações mantém leitores cativos e fiéis. A revista, seja qual for, tem uma função clara de “revisitar os fatos, notícias, informações do período”, e no futuro, essa missão não irá sumir. Os leitores ainda precisarão dela, seja no papel, seja na internet, seja no iPad, ou seja em qualquer outra invenção hipnotizante que surgir.

***

Por Allan André, editor-chefe da Digerati

2010 foi um ano dificil para as revistas de games quando o assunto é vendas. Três das melhores revistas deixaram de circular aqui no Brasil: NGamer, Edge e a recém-nascida Powerstation. Não sei ao certo os motivos para as duas da Editora Europa acabarem por aqui. Minha querida Powerstation encerrou na Inglaterra e tivermos que tirar de circulação também. Eu adorava editar essa revista.

O número de leitores que procura conteúdo nas bancas está cada vez menor, não apenas quando o assunto é videogame. Mais revistas podem acabar em 2011, principalmente no exterior, mas acredito que nem todas estão com os dias contados. O que precisa haver é uma reformulação na pauta e edição destas mídias. É desleal competir com a internet, então as revistas devem começar a oferecer conteúdo com melhor qualidade e, se possível, diferente do encontrado na web. Eis um desafio para nós editores em 2011.

***

Isso é o que eles acham. E para você, o que vai acontecer com as revistas de games em 2011 e além?

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
22/09/2010 - 12:40

O que falta para o Brasil dos games?

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Calma, que o Brasil é nosso.

Desculpe a ausência. Resolvendo coisas da vida. Principalmente relacionadas à saúde. Não estou 100%, mas estou trabalhando nisso. Pensamento positivo de todo mundo ajuda nessa hora. Obrigado.

E por favor, não se  sinta lesado, mas vou apelar: republico agora um texto meu publicado na revista EGW de agosto de 2010 (ed. 104). O tema não poderia ser mais pertinente: o que falta para o mercado de games brasileiro dar certo? Acho que a(s) resposta(s) não é assim tão simples. Mas se pensarmos a respeito, talvez cheguemos a algum lugar. Para você, qual a solução? Se tiver uma (ou várias), divida conosco nos comentários lá embaixo.

***

As Engrenagens se Movem*
Empresas se mexem, consumidores também. Só falta o governo

Minha obsessão mais recente é investigar o mercado de games brasileiro, isso você já deve saber. Enquanto a maioria de meus colegas jornalistas cobre os lançamentos de novos jogos, eu fico preocupado em descobrir as pequenas nuances que fazem do Brasil o melhor lugar do mundo para se investir em videogames.

E não sou eu quem esta dizendo isso. Sao as próprias empresas, as gigantes que fabricam os consoles, quem dizem que o Brasil é o pais do futuro em se tratando de entretenimento eletrônico. Pais do futuro é um eufemismo: somos muito mais o presente em se tratando de mercado promissor e garantia de sucesso.

Nos últimos meses, tenho ido atrás das empresas para ouvir o que elas realmente pensam sobre o atual potencial do Brasil. E foi entrevistando esses executivos – brasileiros e estrangeiros – que escutei frases como “nenhum país é tão bem cotado hoje como o Brasil”, ou “nem começamos a enxergar do que esse país é capaz”. E essas são só as afirmações que recordo de cabeça. E já lhe adianto que minha memória não anda assim tão boa como costumava ser.

Hoje mesmo, no dia em que escrevo esta coluna, fiz uma visita ao prédio da Sony Brasil. Em uma entrevista de mais de uma hora de duração, escutei tantas palavras positivas que não pude evitar sair de lá mais confiante de que de costume. É claro que muito do discurso do Anderson Gracias (o gerente geral da operação PlayStation por aqui) é baseado em boas intenções, mas assim mesmo, ele me soou muito mais otimista do que eu poderia esperar.

Os problemas que os executivos das publishers costumam relatar são basicamente os mesmos: o que atrasa o crescimento do mercado no Brasil são os impostos, tanto aqueles que afetam os consoles como os que encarecem os jogos. Videogames no país são taxados como jogos de azar, e isso resulta em impostos muito maiores do que o que seria adequado. Algo semelhante ocorre com os jogos, mas neste caso, isso poderia ser amenizado se os discos fossem prensados em solo brasileiro. A redução não seria sentida imediatamente, mas, em médio prazo, os preços dos games cairiam drasticamente. Imagine uns 30% a menos do que é cobrado atualmente e dá para se ter uma boa ideia do que viria por aí.

Os outros entraves também são burocráticos: por que demora tanto para o Brasil ter redes online de consoles funcionais e operantes, como a Xbox Live e a PSN? Porque questões operacionais dificultam o processo: como pagar pelo conteúdo baixado, como pagar devidamente os fornecedores de conteúdo, e por ai vai. É tudo difícil, muito porque o país não esta acostumado a esse tipo de operação. Ou seja, os problemas existem de verdade. As empresas não estão apenas nos enrolando, nem estão de má vontade. Pelo menos é o que elas nos dizem. Só nos resta acreditar nessas boas intenções e pensar que, não apenas os jogadores querem que as coisas funcionem, mas as fabricantes também. Afinal, elas querem ganhar dinheiro. Não teriam porque fazer corpo mole com tantas oportunidades à disposição.

Meu papel é o de advogado do diabo, mas também de transmissor positivo de informações. Garanto a você que as produtoras de games possuem as melhores intenções para com nosso Brasil dos games. Eles me disseram com todas as letras, e eu estou dando meu voto de confiança, ainda que com um pouquinho de pé atrás. É nosso papel investigar se as coisas estão se desenrolando, ainda que lentamente. Às vezes, é preciso uma forcinha a mais, ou uma iniciativa independente, como é o caso do Jogo Justo, criado e fomentado por gamers que simplesmente se cansaram de esperar sentados pela resolução dos problemas citados.

As empresas, aparentemente, estão fazendo o que podem. Os consumidores se movimentam com as ferramentas que possuem. Qual peça está faltando funcionar? O governo, é claro. Mas não é um único “salvador da pátria” que irá mudar tudo de uma vez só. Estou falando de mudanças de posturas de todos aqueles que cuidam das leis que regem a nação. É preciso que a nossa mensagem seja transmitida a eles, e que seja compreendida e bem interpretada. E que não pensem que somos um bando de moleques crescidos querendo perder tempo com joguinhos. E sim que almejamos o estabelecimento de uma indústria sólida e lucrativa que só tem a trazer benefícios a todos os envolvidos e a todas as camadas subsequentes.

E você aí, já escolheu os candidatos em que irá votar em outubro? Suas escolhas podem fazer uma bela diferença.

* Texto publicado na edição 104 da EGW, agosto de 2010.

Autor: - Categoria(s): Gamer.br na EGW, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , ,
03/08/2010 - 18:55

Alguns Pensamentos Otimistas Sobre os Games no Brasil

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Dia corrido esse. E frio.

Hoje tem evento especial da Warner Games. Eles finalmente vão anunciar coisas importantes para o mercado brasileiro, entre elas a parceria (que já é uma realidade) com a Electronic Arts. E tem outras coisas bacanas que eles deverão revelar (espero!), relacionadas diretamente com preços cobrados pelos games no país. Estou indo para lá neste momento. Amanhã eu conto como foi.

Enquanto isso, você fica com o texto que publiquei na revista EGW, edição 101 (maio de 2010). Acho que tem tudo a ver com o momento que o mercado nacional está passando. Ou talvez eu esteja exageradamente otimista… vejamos. Leia e comente.

***

Otimismo Nunca é Demais*

A Blizzard está chegando ao Brasil. A Sony chegou, de uma vez por todas, com PlayStation 3 e tudo. Os eventos especializados voltaram a ganhar força. Os games – a maioria com embalagem e manual em português – estão recebendo lançamentos pomposos, com festas, bebida e strippers (o pior é que é verdade). Há tempos não víamos tantas publicações, blogs, programas de TV e jornalistas especializados atuando de verdade. O mercado brasileiro de games parece estar se movendo adiante. Mas será que está mesmo? Tem muita gente que não acredita.

É um comportamento padrão ser cético no país da piada pronta. Ninguém acredita em nada, mesmo que a coisa apareça bem na nossa frente, brilhando de novo, exalando autenticidade e boas intenções. Dizem que somos otimistas, mas a real é que temos o pé eternamente atrás. Às vezes, os dois pés ao mesmo tempo, se é que isso é possível.

Digo isso porque admito que sou o maior dos otimistas, mas também um grande e assumido cético. O São Tomé, aquele que só acredita vendo, se adequa perfeitamente à minha visão dos fatos. Como jornalista, fui ensinado que a verdade é dura, mas necessária. Na real, nem aprendi isso na faculdade, muito menos em uma redação de revista. Aprendi observando. A gente gosta de ser iludido, mas a informação verdadeira é sempre necessária e bem-vinda, por pior que ela seja.

No caso do mercado de games, todas as informações que mencionei no primeiro parágrafo ajudam a acreditarmos que existe um verdadeiro grau de evolução se desenrolando. Pode ser que sejam fatos unidos que, juntos, representam algo positivo. É uma maneira de ver a situação. Ou pode ser o contrário: os fatos aparentam um avanço coletivo, mas são apenas fatos puramente isolados. Assim, cada empresa estaria garantindo o seu lado de maneira individual, se preocupando apenas com seus lucros e tentando garantir sua fatia do bolo.

No meu papel de observador (em meu blog) e porta-voz (nesta coluna), tenho a obrigação de separar os ingredientes e dizer a você se a mistura vai ou não resultar em um prato nutritivo. Nem sempre a gente acerta, mas acredito que a minha função primordial seja apresentar o melhor quadro possível. Sem me importar se pareço ufanista demais, mas também dosando no otimismo e distribuindo patadas a quem merece. Nem sempre é fácil.

O leitor/consumidor normalmente se deixa enganar, porque quer/precisa receber notícias boas sempre. Faz parte de nosso espírito brasileiro, esse lado positivo e incansável de sempre querer ver o lado bom das coisas. Nesse sentido, me sinto mais parte do time dos torcedores do que do grupo dos críticos. Se um gringo me perguntasse hoje “e esse mercado brasileiro de games, como anda?”, eu responderia, na hora: “Nunca esteve tão bem”. Você até pode ser pessimista, mas não poderá dizer que estou mentindo, e sim que estou interpretando os fatos. Você pode acreditar e levar meu discurso em consideração, ou me xingar e dizer que sou um iludido. Não me importo. Todo mundo tem o direito a ter uma opinião. Não é porque este texto está impresso e papel colorido e com minha foto ao lado que o que eu digo tem mais validade do que o você acha, certo? Ou será que tem?

Tudo isso foi só para confirmar que, sim, contrariando os céticos, pessimistas e mal-humorados, o mercado brasileiro de games vai bem sim, obrigado. Claro que sempre poderia ser melhor, mas há bastante gente boa trabalhando de verdade para isso. E da próxima vez que perguntarem a você sobre isso, diga a real, mas seja otimista. No fim das contas, os bons fluídos sempre ajudam – e para melhor.

* Texto publicado na edição 101 da EGW, maio de 2010.

Autor: - Categoria(s): Gamer.br na EGW, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , ,
21/05/2010 - 19:44

Alguns Pensamentos sobre a História dos Videogames no Brasil

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Saudações!

Antes de entrar no fim de semana, publico minha coluna Gamer.br, que foi publicada na edição mais recente da revista EGW – o texto tem um quê de comemorativo porque apareceu na edição 100 da revista (é um marco histórico para qualquer publicação hoje em dia).

O tema da coluna é dos mais atuais – pelo menos para mim: a absoluta falta de registro sobre a história dos videogames no Brasil e como a imprensa de hoje está trabalhando para mudar essa situação. Você já parou para pensar nisso? Então pense comigo. O texto rendeu uma repercussão legal entre os leitores da revista, então acredito que por aqui será a mesma coisa. Se tiver algo a acrescentar, é só comentar ali no final.

***

Velhos Tempos que Não Voltam Mais

Desde que virei jornalista “de verdade”, tenho constantemente recebido solicitações de estudantes de jornalismo. Explico: de uns anos para cá, virou praxe nas faculdades fazer trabalhos de conclusão de curso (os chamados “TCC”) sobre o assunto videogame. Tem gente que direciona bem o trabalho: alguns ex-estudantes, hoje bem sucedidos colegas de profissão, tiveram a ideia de criar uma revista independente sobre games. O projeto, eles me contaram, os ajudou a ganhar experiência que seria utilizada ao longo da carreira e estreitou os laços com profissionais que já se encontravam consolidados no mercado. Nesse caso, foi uma ideia que deu muito certo.

Mas há tantos outros estudantes – bem mais ambiciosos – que não se contentam em fazer um trabalho “simples”. Não são poucos os que me abordam pedindo uma força em tarefas árduas, como, por exemplo… em trabalhos de pesquisa sobre a história completa dos videogames no Brasil.

Esses dias, desencorajei um estudante dos mais dedicados. A proposta dele para o trabalho final do curso de jornalismo era uma reportagem investigativa, na forma de livro, sobre a trajetória da indústria de games brasileira dos os anos 70 até hoje. Em nossa primeira conversa, joguei a real: “Você simplesmente não terá de onde tirar informações sobre isso”. Emendei dizendo que a maioria das pessoas que participou desses acontecimentos ou não está mais viva, ou não se lembra de detalhes porque mudou de área. E não ajuda em nada o fato de não haver bibliografia decente publicada sobre o assunto. As revistas de games surgiram no Brasil no início dos anos 90, mas não passavam de páginas coloridas cheias de dicas e telinhas. Só se tornaram realmente informativas e interessantes em meados do século XXI.

(A publicação que você tem em mãos, aliás, faz parte deste processo de profissionalização da cobertura jornalística nacional dos games. A EGM Brasil surgiu em 2002 com uma proposta diferenciada, visando entregar informações competentes e reflexões aprofundadas a um consumidor cada vez mais interessado e de alto nível. Hoje a revista se chama EGW, mas dá uma grande satisfação vê-la alcançando a centésima edição firme e forte, após vencer tantos percalços e contrariar expectativas.)

Fechando o parêntese, voltemos ao tema. Existe um problema grave para qualquer um que se arrisque a investigar a saga do mercado de games no Brasil: simplesmente não existe registro confiável sobre o início e o desenvolvimento dessa história toda. Muito porque a imprensa “séria” sempre ignorou os games. Não havia especialistas assumidos sobre o tema. E muito menos se discutia o potencial positivo dos jogos em debates intelectualizados. Toda essa movimentação que você vê hoje é muito recente.

E talvez seja justamente este fato que me faça adiar a ideia de escrever um livro aprofundado sobre o assunto. Vou entrevistar quem? Pesquisar aonde? Onde andam os executivos responsáveis pelo lançamento do Telejogo nos anos 70? E o pessoal que trabalhou na Polyvox, que lançou o Atari, o que anda fazendo? Percebe o tamanho do problema?

Tocando especificamente na questão da imprensa, me parece óbvio o porquê de os veículos sérios não estarem interessados em videogames antigamente. O assunto realmente parecia banal e assustador para leigos. E isso demorou a mudar. Há até uns dez anos, os jogos só apareciam nos grandes veículos em matérias depreciativas ou não tanto lisonjeiras. Felizmente, a percepção geral mudou, e para melhor. Hoje, os games não são mais considerados os causadores de surtos psicóticos ou responsáveis pela má atuação dos jovens na escola. Mas isso você está cansado de saber, não é mesmo?

Apesar dos pesares, temos mais é que comemorar essa enorme aceitação dos videogames na sociedade. Se o passado permanece uma incógnita, pelo menos podemos ter certeza de que o período atual está sendo muito bem documentado. E que assim continue.

* Texto publicado na edição 100 da EGW, maio de 2010.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , ,
17/03/2010 - 18:48

Sony, Nintendo e Microsoft, pela primeira vez em um evento de games brasileiro

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Opa, voltamos.

Estou em Austin, Texas. Sabe onde é?

Aqui está rolando o festival South by Southwest (SXSW para os íntimos). É o evento cultural mais bacana e abrangente dos Estados Unidos na atualidade. Não só porque é super democrático e amigável, mas porque ele não se limita a música. Rola também cinema e, acredite, games.

Na verdade, eles chamam o segmento de “interactive”. Quer dizer, internet e midias sociais entram na jogada. Mas rola games também. Principalmente os casuais – ou alguém diria “independentes”. Muita coisa interessante foi mostrada, como você pode ver aqui. Como bem disse o fulano entrevistado, “South by Southwest is like springbreak for nerds”. Acho que deu para entender. Dê uma olhada no site oficial do evento, que eles explicam melhor o que rolou por aqui.

Pra variar, cheguei atrasado à cidade. A parte interativa terminou ontem. Hoje começa a musical. Ossos do ofício. E a cidade já está tomada por gente tatuada e carregando cases de guitarra por aí.

***

Não foi o único evento em que cheguei atrasado. Estava em San Francisco, Calif’ornia, até ontem. E lá, como você bem sabe, rolou a Game Developers Conference (GDC para os íntimos). Terminou na sexta, e foi o dia em que cheguei. Passei raspando e perdi a chance de ver de perto o PlayStation Move, controle sensível ao movimento para o PS3. Quem sabe na E3, em junho…

Mas o fato é que estou em Austin, e se algo interessante se desenrolar, vou tentar reportar aqui.

***

Enquanto isso, no Brasil…

A Tambor, editora que publica a revista EGW (ex-EGM) e a Nintendo World, stá anunciando com alarde o conteúdo de seu grande evento de games brasileiro, o Troféu Gameworld.

Você já deve estar sabendo, mas lá vai: é a premiação dos melhores games de 2009, com direito à presença de algumas das principais empresas do segmento. Será no dia 31 de março, no Shopping Frei Caneca, em São Paulo. E o que era para ser apenas uma entrega de troféus se tornou uma feira de games por si só, com entrada aberta e gr’atis ao público a partir de 30/3 (só mesmo a entrega dos prêmios, no dia 31, é exclusiva para convidados). Visite o site oficial e confira as outras atrações, entre elas, a presença física de Nintendo, Microsoft e Sony.

Segundo o André Forastieri, diretor editorial da Tambor e idealizador do Troféu Gameworld, esta é a primeira vez que as três principais fabricantes de consoles irão marcar presença em um evento brasileiro. Com a palavra, o Forasta:

“A participação das três gigantes dos games, juntas pela primeira vez em um evento no Brasil, demonstra a importância do Gameworld 2010, a capacidade de articulação da Tambor e o potencial que o mercado nacional de games representa neste momento. Com a crise internacional, todos os grandes players de internet, tecnologia e games estão vindo para o Brasil com tudo. Ainda bem que a Tambor já passou dos três milhões de usuários mensais, todos fãs de tecnologia e entretenimento. Estávamos aguardando seis mil pessoas nos dois dias, agora esperamos 8 mil…”

Em resumo, Nintendo, Microsoft e Sony mostrarão seus games novos (no caso da ultima, God of War III e Heavy Rain). Todas distribuirão brindes e farão sorteios com o público. E do lado da Nintendo, o evento promete  a presença de Charles Martinet, o dublador do Mario nos games desde 1996. Conheci o cara em uma E3 qualquer, e garanto: ele é um sarro. nem parece de verdade, se é que você me entende.

André Martins, comandante da Tambor, acrescentou: “O evento deste ano é um grande passo para o mercado de games no Brasil, mas que ainda falta muita coisa. As empresas precisam se dedicar mais aos negócios, o mercado anunciante tem que prestar mais atenção neste segmento e a Tambor continuará batalhando por isso. Vamos iniciar uma campanha massiva para redução de impostos, dando mais atenção para o tema na revista, descobrindo com quem devemos reclamar e como, inclusive no próprio evento vamos começar um abaixo assinado por essa redução”.

Recado dado. Estaremos lá. Nos vemos?

E deixa eu correr por aqui que estou atrasado para o rock & roll.

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21/10/2009 - 02:08

Alguns Pensamentos Sobre a Sony e o Brasil

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Bom dia, tarde, noite.

A semana está complicada. Quem acompanha meu Twitter sabe – pelo menos, consigo atualizar ali muito de leve. Aqui, está mais difícil. É aquele período complexo do mês em que eu comemoro se consigo almoçar. Fechamento, essas coisas rotineiras.

Mas como você não tem nada com isso, não vou deixá-lo na mão. Mesmo porque, já tem gente reclamando de minhas ausências. Eu também reclamaria, então nisso nós concordamos.

Aproveito o momento para publicar minha coluna Gamer.br que saiu no número de setembro da revista EGW. A edição já saiu da banca, então me permito fazer essa leve “reciclagem”. Quem já leu no papel, pode comentar agora. Quem não viu, aproveite – é como um post/pensata mais longo, que ainda não perdeu a validade.

Vale lembrar que o texto foi escrito antes da revelação do nome do “homem da Sony no Brasil” e no calor de um período de muitos boatos e sem informações oficiais a respeito da atuação da fabricante do PlayStation 3 no País. Não que a situação tenha mudado muito de lá para cá, mas é válido explicar o contexto. Você irá notar que até cheguei a mencionar o Dia das Crianças como uma provável data de alguma revelação importante, mas como é possível conferir em qualquer calendário, nada se concretizou. Infelizmente, nem sempre nossas fontes de informação são infalíveis. E não, não ganhei nenhum presente de Dia das Crianças (aceito doações).

E cá está. Enjoy.

***

O “Sono da Sony”
*

Na feira alemã Gamescom, a empresa japonesa Sony anunciou a redução do preço do PlayStation 3 nos Estados Unidos, Europa e Ásia.

Sim, uma notícia tão globalizada como essas repercutiu no Brasil também. Mesmo que, aparentemente, a gente não tenha nada a ver com isso. É óbvio que a informação da queda do preço do console mais desejado do momento é relevante. Afinal, intimamente, torcemos para que essa redução respingue no mercado brasileiro. Ficamos tradicionalmente animados com esse tipo de coisa, mesmo que, no fim das contas, não faça diferença nenhuma.

Bem, é com esse humor amargo que defino o clima em relação à chegada oficial da Sony Computer Entertainment em nosso território. Essa conversa já está rolando há um bom tempo e, como você sabe, parece não evoluir nunca. Às vezes, parece até mentira. Não que eu não tenha esperança ainda de ver o nosso mercado evoluindo e funcionando de maneira “oficial”. É que eu pensava que as coisas poderiam andar um pouco mais rápido, só para variar.

Acho que até você mesmo, o mais esperançoso dos consumidores brasileiros, já não aguenta mais ler tanta notícia. É sempre a mesma coisa: as grandes multinacionais soltam promessas e mais promessas a respeito do país, falam sobre nosso potencial de desenvolvimento e sobre como fazemos parte dos planos de dominação deles. E aí, despejam um monte de datas, prognósticos e estimativas… E nada mais acontece durante meses. Nem uma palavrinha que seja. Ficamos todos no vácuo, esperando a grande e poderosa empresa fazer alguma coisa na prática.

É o que está acontecendo no caso da Sony.

A última vez que ouvimos algo sólido – ainda que de maneira vaga, é verdade – foi durante a última E3, no início de junho. Se é que ainda sei fazer contas, se passaram três meses desde a última notícia. Hoje, ninguém sabe ao certo o que a Sony irá realizar de verdade em território brasileiro: se irá apenas lançar o PlayStation 2, se irá se arriscar com o PSP e o PS3 logo de cara, se trará a versão Slim para cá junto com o resto do mundo… E é melhor nem mencionarmos Manaus, porque provavelmente nem os habitantes da cidade, nem os trabalhadores da Zona Franca, sabem bem o que vai acontecer por ali.

Eu custo a acreditar que seja tão difícil para uma empresa do porte da Sony organizar seu funcionamento em um país como o nosso. Certamente não pode ser apens uma questão de dificuldades burocráticas ou estratégia mercadológica. Chame de estratégia, se quiser. Também não consigo acreditar que seja mais lucrativo fazer negócio no Equador ou na Venezuela – países em que a Sony já atua com sua área de games – do que no Brasil. Nada contra os hermanos equatorianos e venezuelanos, que fique claro. E aquela história de fazermos parte do BRIC, o grupo de países economicamente mais promissores do planeta? Não deveríamos estar no topo da lista de prioridades? Ou era conversa fiada?

Agora, é hora de soltar uma boa notícia. Exatamente no dia em que foi anunciada a redução de preço do PlayStation 3, uma de minhas fontes internacionais revelou ter participado de um evento organizado pela Sony, voltado aos varejistas latino-americanos. No local, foram divulgadas datas de uma possível estreia da multinacional no Brasil. A estimativa mais otimista fala sobre uma chegada maciça às lojas, ou pelo menos algum anúncio oficial, antes do Dia das Crianças. Na pior das hipóteses, até o Natal teremos consoles Sony oficialmente em nossas lojas. Ah, sim: as datas são em 2009. Pelo menos, é o que dizem. E você aí, ainda acredita?

Eu quero acreditar. Mas, por enquanto, está difícil. Espero que a Sony queime a minha língua.

* Texto publicado na edição 93 da EGW, setembro de 2009.

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15/10/2009 - 18:07

Coisas que talvez você (ainda) não saiba

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O Capitão Lou Albano morreu ontem, aos 76 anos.

Quem tem mais de 21 anos nas costas deve se lembrar quem ele é: é simplesmente o cara que fazia o papel do Mario (aquele!) em um seriado televisivo exibido antes do “The Super Mario Bros. Super Show!”, aquele desenho animado pirado bancado pela Nintendo – no Brasil, ele ficou no ar por um bom tempo graças ao glorioso programa da Xuxa.

lou.jpgPara nós, ele era apenas a encarnação humana daquele encanador de bigode. Nos Estados Unidos, Albano era muito cult. Foi um dos mais famosos e odiados lutadores da liga World Wrestling Enterprise (WWE)  durante muito tempo. Também participou de um monte de clipes da Cindy Lauper (inclusive aquele famoso dos Goonies) e fez participações em seriados e vários filmes. Mas ficou eternizado como o Super Mario mais realista da história da ficção. Nem a interpretação do Bob Hoskins (que fez o papel do herói naquele filme ridículo para os cinemas) chegava perto do Mario “Jumpman” Mario eternizado por Captain Lou.

É o tipo de notícia que só serve para nos lembrar da falta que aquela época ainda faz.

***

E lembra da Luiza Gottschalk?

luiza.jpgO público do Play TV sabe muito bem quem é – Luiza foi VJ e apresentadora do canal durante alguns bons anos. Fez o “Combo Fala+Joga”, entre outros programas, alguns ao lado do Luciano Amaral. Daí houve um monte de reformulações na emissora, ela partiu para outros projetos e há muito não se ouvia falar dela.

O release que recebi esses dias (com a foto ao lado, bem recente) dá pistas do que a Luiza anda fazendo:

“Após figurar na telinha como apresentadora da Play TV, Luiza Gottschalk retoma à montagem de espetáculos teatrais e assina a produção da peça O Arquiteto e o Imperador da Assíria, protagonizada por Paulo Vilhena e Beto Bellini. O espetáculo entrou em cartaz no último dia 08 de outubro, no Teatro Leblon, no Rio de Janeiro e fica até 20 de dezembro, de quinta à sábado, às 21h e aos domingos, às 20h.
Luiza acaba de voltar da Europa, viagem realizada com o objetivo de estudar e buscar novos formatos e ideias para o teatro e a televisão. “

E há quem ainda chore pela possibilidade de a Luiza retomar sua carreira dedicada aos games na televisão. Será que um dia ela volta?

***

E sobre os novos comandantes das revistas EGW e a Nintendo World? Alguém aí já sabe de alguma novidade?

Eu sei e agora divido com vocês. Com a palavra, o publisher da Tambor, André Forastieri:

“O editor-chefe do núcleo de Tecnologia e Games da Tambor, Fernando Souza Filho, é o responsável por todo o conteúdo destes segmentos. Fernando é editor do site www.pcmag.com.br e ex-editor da revista PC Magazine.

O Fernando e eu [Forastieri] estamos envolvidos em uma atualização do projeto do EGW. Não se trata de mudar tudo, mas naturalmente estes momentos de mudança na equipe são momentos de reflexão. Fazemos a revista faz sete anos, e na mudança de EGM para EGW evitamos ao máximo mudar a revista, queríamos que a continuidade fosse clara. Agora vamos dar alguns passos no sentido de a revista ser mais reflexiva, com mais espaço para opinião, dando mais voz a players de todos os segmentos do mercado.

O plano de transição é nos envolvermos muito para a EGW, revista e site, ficarem exatamente com a cara que queremos. Quando este update no projeto editorial, as novas seções e os ajustes no design do EGW estiverem bem definidos e solidificados, nos afastaremos e traremos um gestor para a EGW. Vamos ver se conseguimos no prazo que nos propusemos, três meses.

(…)

Falando em velhos amigos, o novo editor da Nintendo World é o Renato Siqueira. A revista vai ficar com mais cara de Nintendo. Até porque o Renato foi da Pokémon Club, colaborador da Nintendo World de outros carnavais, e conhecidíssimo no mundo do anime e mangá.”

O Gamer. br dá boa sorte para os envolvidos na empreitada. E você, o que achou disso tudo?

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08/10/2009 - 11:54

O mercado e os eventos daqui – e de lá

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Algum de vocês esteve no Video Games Live ontem?

Foi bom. Divertido. Não sei dizer se foi o melhor que já vi. Pensando bem, nem foi. O de 2006 foi sem dúvidas o melhor. Este ano não havia tanto fator supresa, fora umas músicas diferentes (o bis com Mega Man e Chrono Trigger/Cross, por exemplo). Achei que o volume estava relativamente baixo – o fato de o público ali da geral conversar muito durante a apresentação e gritar a cada dez segundos não ajudava muito.

Aliás, é preciso dizer que o HSBC Brasil não é o melhor lugar do mundo para um evento como esse. Acho estranho o povo ter que ver um espetáculo desses de pé, “ensardinhado” lá no fundo. É a maldita lógica segregadora que se aplica no universo do entretenimento musical como um todo: quem tem grana é “VIP” e assiste lá da frente, sentadinho e confortável. Os menos abastados sofrem quase três horas plantados e sem lugares definidos. Nos anos anteriores, quando o VGL tocou no Via Funchal, todo mundo estava sentado diante de mesas – algumas eram distantes do palco, mas pelo menos o público parecia bem acomodado e conseguia assistir/escutar decentemente.

Penso que o Tommy Tallarico não deveria ficar tocando guitarra e se exibindo em certas músicas. Ficou over e não combinou com a sonoridade que se espera de uma orquestra. Também achei exagerado o uso de bases pré-gravadas (não havia notado isso de forma tão evidente nos anos anteriores). Me esforcei para distinguir quais sons estavam mesmo sendo tocados por instrumentos acústicos da sinfônica e quais vinham das bases eletrônicas. Será que não dava mesmo para ser no velho esquema “quem sabe faz ao vivo”? Mas foi um show interessante. Pelo menos, não escutei quase ninguém reclamando por ali. Não é coincidência o fato de Tallarico ter eleito o Brasil “o melhor lugar do mundo para se apresentar”. O público, ali no caso, foi a alma do espetáculo. Sem a empolgação do povo, não tem Video Games Live. E Tallarico sabe bem disso.

***

E você já descobriu qual é o primeiro grande projeto do SKY7, empresa recém-formada pelo Ricardo Farah e Orlando Ortiz, ex-editores das revistas EGW e Nintendo World?

Eles me contaram ontem: são os responsáveis pelo conteúdo da área de games do POP. Para quem não conhece, o POP é um portal de conteúdo gerido pelo grupo paranaense GVT.  “A SKY7 presta serviços de design e gestão de conteúdo para o POP”, explicou o Orlando. “Temos liberdade editorial para gerir o site, atendendo às expectativas da empresa e adequando o conteúdo para o público-alvo, que envolve até mesmo uma grande parcela de usuários que hoje acessam através da conexão discada. É um desafio muito interessante.”

A necessidade da reformulação da área de games do portal surgiu no mesmo momento em que Ricardo e Orlando planejavam a nova empreitada. “Foi coincidência total”, complementou Farah. “O que, eu diria, que resultou em um belo casamento, pois poder trabalhar em parceria com a GVT e, principalmente, cuidar de um dos principais canais do POP, é uma responsabilidade enorme e um grande desafio para qualquer um.”

O responsável pelo projeto junto com a dupla será o Odir Brandão, que há até pouco tempo participava da equipe das revistas da Tambor. “Na EGW e Nintendo World, eu era editor de reviews e coordenava todo o processo. Agora no POP poderei também acompanhar todos os passos deste novo projeto e firmar um conteúdo forte e completo sobre games”, definiu o novo editor.

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E por falar em revistas, o novo editor da Nintendo World, ao que consta, já foi escolhido. Logo mais ele deverá ser revelado oficialmente ao mundo. Duvido que você descubra quem é.

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Mudanças também no mercado editorial lá de fora. John Davidson, eterno guru da Ziff Davis, ex-editor da EGM, que fazia um site bem interessante (What They Play), retornou ao mundo das revistas e se tornou o novo manda-chuva da polêmica e eterna GamerPro.

Enquanto isso, o mercado norte-americano – e o mundial, por que não? – aguarda ansiosamente o retorno da EGM, nas mãos do editor-fundador Steve Harris. Ele cita “December 1” como possível data de lançamento da primeira edição. Você conta com isso?

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O Rio de Janeiro não sediará apenas as Olimpíadas e a final da Copa do Mundo. Começa hoje e vai até sábado o SBGames 2009, evento que acontece no campus da PUC e agrega especialistas, interessados, produtores, criadores e pensadores na área do entretenimento digital. Um amigo descreveu o SBGames como “o melhor evento do Brasil” (ele, aliás, está lá). Eu, se pudesse, compareceria. Se você pode, compareça e me represente.

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E vamos trabalhar que a semana, infelizmente, ainda não acabou.

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