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Arquivo da Categoria Gamer.br na EGW

20/06/2011 - 20:18

Aonde o Brasil dos Games quer Chegar?

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Ressaca de E3? Imagine…

Demorei mais do que o esperado para retornar ao batente por aqui. Está tudo uma confusão – na mesa, na sala, na vida -, então vou me organizar antes de qualquer coisa. Para compensar, faço um dos meus velhos truques de sempre aqui no blog: reciclo texto antigo com cara de inédito. Sempre funciona (até agora funcionou).

Esse artigo a seguir foi publicado na revista EGW do mês de abril (não sei a edição, alguém me ajuda?). Ele discute a questão do crescimento sempre constante da indústria nacional de games: afinal, estamos chegando ao ápice? Quantos degraus ainda precisamos superar?  Será que dá para melhorar mais ainda? O que nos impede de crescer?

É claro que nenhuma dessas perguntas possui resposta simples, mas é aí mesmo que está a graça. Leia, opine, comente. Aproveite que o assunto é infinito e polêmico.

***

Navegando por Altos e Baixos*
Talvez seja melhor que o mercado de games brasileiro jamais alcance o topo

Há alguns dias [o texto foi escrito em março] aconteceu o evento Gameworld 2011, em São Paulo. A festa durou três dias, de 11 a 13 de março, em um shopping center muito bem localizado, próximo ao coração financeiro da cidade. Na sexta, executei uma função nobre: apresentei a premiação Troféu Gameworld, ao lado do mito Carlos Eduardo Miranda. Devo dizer que foi divertido, descontando alguns percalços pelo caminho. Quem sabe faz ao vivo, bem dizia aquele poeta televisivo que continua no ar aos domingos desde o fim dos anos 80.

Não consegui passear pelo Gameworld naquele dia. Mas, no dia seguinte, lá estava eu circulando por aqueles corredores abarrotados de gente, desviando de empurrões, suando e encontrando velhos amigos. Confesso que gostei de estar lá, no meio da muvuca. A organização estimou em mais de 21 mil o público total do fim de semana. Fazia tempo que eu não comparecia a um evento especializado no Brasil (a E3 de Los Angeles, fechada ao público normal, não conta). A culpa em parte é de minha falta de tempo e desorganização crônicas, mas não é só por isso: festas para o público gamer são raras em nossa terra brasilis. Eles estão se espalhando aos poucos pelos grandes centros, mas ainda assim, dá para contar nos dedos das duas mãos os acontecimentos relevantes nesse sentido.

Mas será que quantidade é melhor que qualidade? Quero dizer, se houvesse um evento aos moldes do Gameworld em cada capital brasileira, será que isso significaria que estamos evoluindo em algum sentido? Mais eventos de games representariam um crescimento verdadeiro de nosso mercado?

Coloquei a questão e aproveito para eu mesmo discordar: acredito que não há relação entre uma coisa e outra. O fato é que há uma demanda muito reprimida por qualquer acontecimento ou fato relevante relacionado aos videogames no Brasil. O público gamer quer ter o que fazer além de jogar e gastar (muito) dinheiro. Estamos na crista da onda da tecnologia e somos considerados o porto seguro dos investimentos estrangeiros, mas ainda existe bastante lentidão em se tratando de uma evolução real. Há quase dez anos o Brasil engatinha para chegar lá – seja esse “lá” onde for. Há alguns anos, nossa referência de progresso era o México. Hoje, o mercado de lá anda saturado e estagnado – cresceu o que tinha que dar e não tem mais muito para onde ir. Sob esse ponto de vista, acredito que deveríamos almejar outra situação. Não é legal imaginar que iremos entrar em um processo de decadência após tantos anos lutando para que o “Brasil dos games” cresça e apareça.

Reflitamos juntos. Hoje, temos as três principais plataformas lançadas oficialmente por aqui. Os games chegam quase simultaneamente, muitas vezes traduzidos para o português. Os preços, aos poucos, se tornam mais adequados (se comparados aos preços de cinco anos atrás). Portáteis como smartphones, iPhones e iPads se popularizam, assim como seus games. O que exatamente falta para alcançarmos um topo? Melhorando a pergunta: será que precisamos chegar a esse topo? Porque você sabe bem: tudo o que sobe, um dia desce.

É aí que está: acredito que o Brasil jamais chegará ao ápice em se tratando do mercado de games. Estaremos sempre progredindo, evoluindo, mas jamais alcançaremos um estado em que nos daremos por satisfeitos. Tudo faz parte da tradição de ser brasileiro – essa insatisfação com as coisas, essa postura crítica e mordaz, esse jeitinho de ir empurrando com a barriga até tudo certo. É como muito bem proclama o belo estandarte nacional: (des) ordem e progresso (constante). E devagar vamos caminhando.

* Texto publicado na edição 113 da EGW, abril de 2011.

***

Você notou que comentei sobre a possibilidade de novos eventos de games no país. Acabou atraindo boas notícias: durante a E3 2011, recebi a confirmação de que está tudo certo para o retorno do Electronic Game Show, ou EGS, à cidade de São Paulo. Melhor ainda, as negociações estão bem adiantadas com a maioria das publishers atuantes no Brasil. Quando esse evento vai acontecer? No segundo semestre de 2011. Se a informação é de fonte quente? Não poderia ser mais quente. Agora é torcer para se tornar realidade, porque já ouvimos essa história antes…

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2011, Gamer.br na EGW, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , ,
12/05/2011 - 19:53

Games Musicais? Não Vão Fazer Falta

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Texto mais ou menos antigo, tema um pouco batido? Não tem problema, a internet serve para isso mesmo. Principalmente quando as polêmicas do mundo real monopolizam as manchetes. Aliás, já encontrou uma polêmica para chamar de sua hoje?

Então vamos a uma velha polêmica: o fracasso e a decadência dos games musicais, conforme escrevi na revista EGW de março. Aproveite. E comente se tiver algo a acrescentar (ou a discordar, afinal isso está tão na moda…)

***

Canto do Cisne
A morte de Guitar Hero decreta o fim dos games musicais como salvação de qualquer coisa

Videogames musicais já foram a salvação da indústria. Hoje em dia, viraram uma piada sem graça.

Mas será que não poderia ter sido evitado? Afinal, foi um desfecho melancólico e relativamente breve, mesmo em se tratando da sempre efêmera indústria da tecnologia. O primeiro jogo Guitar Hero surgiu em 2005. Em 2007, com a chegada de Rock Band, os simuladores musicais foram proclamados os salvadores da indústria fonográfica. Em 2009, acreditava-se que seria o auge desses jogos, graças à participação dos Beatles em um desses títulos. E aí, em 2010, que poderia ser um ano definitivo para o gênero, não houve a repercussão esperada. O assunto, na verdade, praticamente se extinguiu da mídia. Em 2011, aparentemente, ninguém mais se preocupa com os videogames musicais – tanto que a Activision colocou o rabinho entre as pernas e encerrou, de uma só vez, duas de suas franquias: Guitar Hero e DJ Hero.

Muita gente tentou, em vão, compreender as razões da decadência desses jogos. Há quem diga que as pessoas simplesmente enjoaram de brincar de roqueiros, ano após ano. Há também quem afirme que a culpa é da Activision e da Harmonix, que inundaram o mercado com tantas continuações que ficava difícil distinguir uma da outra. Outro problema está nos instrumentos plásticos que substituem os joysticks nesses games. Fabricados com material de péssima qualidade, eles não duram muito tempo e são tudo, menos definitivos: a cada novo jogo lançado, novos modelos de guitarras plásticas surgem, corrigindo defeitos dos anteriores. Haja dinheiro para comprar um game novo por ano só por causa das músicas, imagine ter que adquirir uma guitarra nova a cada nova aquisição? Haja espaço para guardar tanta tralha em casa.

Eu já acho que o problema é mais básico: os games musicais vendem progressivamente menos porque já cumpriram seus papéis para com a humanidade. Rock Band e Guitar Hero não surgiram com o intuito de fazer o jogador experimentar como é tocar em uma banda de verdade? Pois então, eles realizaram suas missões. Já faz tempo que o mundo tem brincado de guitarrista, vocalista ou baterista na frente da televisão. Não houve um único jogador de videogame que não testou pelo menos uma vez um desses games musicais nos últimos cinco anos. Guitar Hero e Rock Band se tornaram marcas valiosas e reconhecidas até por quem só acompanha os games de longe – assim como Tetris é o quebra-cabeças por excelência e Winning Eleven virou símbolo de futebol virtual (não que houvesse concorrentes à altura de GH e RB, mas tudo bem). Agora, quem disse que essas franquias teriam que existir para sempre? Esse privilégio é de obras primas como Mario, Zelda, Metal Gear e Grand Theft Auto. E algum jornalista aí já ousou definir algum dos Guitar Hero como “obra-prima”? Se fez isso, é um corajoso.

Games musicais tinham um propósito, e o cumpriram muito bem. Pessoas que sempre sonharam em segurar uma guitarra puderam sentir na ponta dos dedos o que significa fazer música. Quem toca de verdade sabe a maravilha que é a sensação de criar melodias com um instrumento musical. Os jogos oferecem apenas uma pequena e limita representação dessa sensação, mas para muitos, é algo irresistível. Eu não tenho números para provar minha tese, mas, como jogador e músico nas horas vagas, acredito que uma boa parcela dos jogadores deve ter ficado interessado em tocar um instrumento de verdade. E uma pequena porcentagem dessa “boa parcela” deve ter levado adiante essa curiosidade e encarou a música para valer – seja comprando uma guitarra, seja montando uma banda por diversão, seja se interessando por novas bandas e artistas e passando a frequentar shows. Seja lá como for, é impossível comparar a experiência de verdade com a simulação. Jogar é divertido, mas curtir música de verdade é muito mais. E cada vez mais gente está se dando conta disso – e, consequentemente, estão deixando esses games de lado.

Isso significaria o fim definitivo dos games musicais? Eu espero que não. Mas as produtoras de games terão que se esforçar um pouquinho mais para recuperar a atenção de todo mundo. Eles realizaram suas tarefas bem até demais. Agora, é tentar superar outras barreiras.

* Texto publicado na edição 112 da EGW, março de 2011.

Autor: - Categoria(s): Gamer.br na EGW, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , ,
17/03/2011 - 13:24

Não Gaste seu Dinheiro em Qualquer Porcaria

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Como estão as coisas por aí? Aqui vão bem.

São muitos eventos rolando em São Paulo nesse momento. O GameWorld, que aconteceu no final de semana passado, foi um sucesso de público. Ontem, a Activision revelou suas novidades para 2011 em um encontro com a imprensa (não compareci).  E escutei bons boatos esses dias sobre um evento de games de proporções ainda maiores no segundo semestre (muitos de vocês já sabem do que estou falando). Mas logo volto a fofocar sobre isso.

Por enquanto, para ninguém dizer que não ligo mais para games, epublico agora um texto que fiz para a revista EGW de dezembro, sobre consumismo desenfreado. Acho que é um tema que continuará eternamente em voga, então sempre vale a pena discutir o assunto.

E logo mais volto por aqui.

***

Jogos Demais, Tempo de Menos
O mercado está entupido de novos jogos e acessórios, mas nem todos valem o seu suado dinheiro

Novembro foi um mês agitado para quem mexe com games no Brasil, seja profissionalmente, seja casualmente.

A Microsoft lançou a rede Xbox Live por aqui. E isso por si só já deveria ser o bastante para ocupar todo mundo. Havia quem não acreditasse que aconteceria. Mas deu certo (ou melhor, espero que tenha dado. Escrevo esta coluna no dia anterior à estreia do sistema, e rezo para que esteja funcionando direito no momento em que você estiver lendo isso. A Microsoft garantiu que funcionaria, então é melhor a gente crer). E, uma semana depois, o Kinect, também da Microsoft, chegaria às lojas brasileiras – dessa vez, com apenas duas semanas de atraso em relação aos Estados Unidos. Tudo ao mesmo tempo agora.

Enquanto isso, a Sony Brasil não fala muita coisa a respeito do seu lado da história – no caso, a rede PSN e o acessório PlayStation Move. Questão de timing e estratégia. Afinal, a Microsoft levou “apenas” quatro anos para anunciar a chegada da Live no Brasil (o Xbox 360 foi lançado aqui no final de 2006). A Sony, por sua vez, se mantém adequada ao seu cronograma, por assim dizer: o PS3 também chegou por aqui com quase quatro anos de atraso em relação ao lançamento oficial. Então, no fim das contas, está tudo de acordo com o esperado.

E é claro, precisamos nos lembrar de que este fim de ano é o período critico de lançamentos, o tal do “fall” norte-americano. É aquela louca proporção de um game por dia. Enxugando tudo e dispensando o que não presta, dá para dizer que o período oferece bem menos do que uma dezena de games imperdíveis. Em meio a tudo isso, eu fico aqui pensando quem é que tem dinheiro para consumir tanta coisa. Você tem? Porque eu não tenho.

Você pode dizer que não tenho do que reclamar porque recebo tudo de graça no conforto de meu lar. Isso é meia verdade. Recebo algumas coisas, outras tenho que comprar, como todo mundo costuma fazer. E se já acho complicado gastar tanta grana com um ou outro game, fico imaginando um cara honesto como você, que não tem nenhuma boiada e precisa comprar tudo “na raça”.

Na real, a indústria dos games não está nem um pouco preocupada com isso. Talvez eles nem enxerguem a situação como um problema de verdade. Eles devem dizer: “Ruim seria não haver game nenhum para escolher!” E para reforçar essa tese, as empresas lançam mais produtos do que conseguiríamos comprar e jogar. Melhor sobrar do que faltar? Eu acho que não é bem por aí.

É até difícil apontar um game ruim em meio a tantos jogos “mais ou menos”. Com esse excesso de novidades, se torna mais trabalhoso o processo de garimpagem, e é quando o bom senso do consumidor se faz mais do que necessário. Algumas perguntas, porém, são de difícil resposta: é possível apostar com absoluta certeza em um game criado por uma desenvolvedora consagrada? Uma continuação de um jogo incrível será necessariamente um jogo incrível? Devemos confiar em todos os reviews positivos publicados pela imprensa?

Penso que o consumidor deve ter essas questões em mente, mas relembro também algo mais importante (e que muita gente parece se esquecer): você não é obrigado a desperdiçar seu suado salário em qualquer porcaria. Não é porque a indústria abarrota as prateleiras que você precisa engolir qualquer sapo. Dê um basta no consumo desenfreado: 1. Jogos ruins e feitos às pressas não devem ser levados em consideração. 2. Continuações pouco criativas não precisam necessariamente ser consumidas, mesmo que você seja um fã ardoroso de determinada série. 3. Gênios também falham, então você não precisa comprar um game de gosto duvidoso apenas porque foi supervisionado por seu designer japonês favorito.

Investigue, teste, enlouqueça o cara da loja, mas tenha absoluta certeza antes de gastar um único centavo. Não entregue o seu dinheiro a quem não merece. E se estiver difícil de decidir, pergunte a quem você mais confia. Às vezes, a opinião de seu melhor amigo pode ser muito mais válida do que a de um jornalista…

* Texto originalmente publicado na edição 108 da EGW, dezembro de 2010.

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09/02/2011 - 19:43

O Futuro dos Games… Não Será Tão Movimentado (Assim Espero)

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Olá, como vai.

Fevereiro está agitado, pelo menos para mim. Dei uma sumida esses dias porque está difícil. E como você já se acostumou, é nessa hora que dou o truque e relembro o que andei escrevendo por aí.

O texto a seguir foi publicado no mês passado, na revista EGW edição 109 (se não estou enganado). Talvez você não tenha visto ainda, então presto aqui aquele serviço básico de crossmedia. Confira e comente. E até o final da semana, novidades e as soluções de algumas questões que eu já deveria ter feito e deixei para trás.

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Desvios Obrigatórios*
Controles de movimento, fim do joystick… Será que a indústria acertou em cheio dessa vez? Ou será que não?

Dei o braço a torcer e instalei o Kinect lá em casa.

A embalagem do novo acessório do Xbox 360 ficou dias largada no canto da sala, até finalmente eu ter coragem de me arriscar. Não fossem por uns amigos, acho que ela permaneceria intocada por mais tempo. “Não acredito que você tem o Kinect e não estamos jogando”, disse um deles, direto no ponto. Fui obrigado a concordar. O Pablo Miyazawa de cinco anos atrás certamente não perderia um único minuto dessa oportunidade. E o Pablo da atualidade, que tem 32 anos nas costas e já não se impressiona muito com quase nada?

Esse ficou cansado após uma mísera horinha de partida. Sério.

Não quero ir contra a maré da evolução tecnológica. Realmente respeito as grandes fabricantes e as seguidas tentativas de trazer o “futuro” para nossas salas de estar. Mas, simplesmente, essas inovações não são para mim. Pelo menos não para esta versão envelhecida de mim.

As longas sessões de Guitar Hero e Rock Band já são suficientes para lesionar meus braços, pernas e cordas vocais. As partidas cooperativas de Modern Warfare 2 já deixam os olhos lacrimejando e os tendões doloridos. Os torneios de FIFA e Pro Evolution Soccer já são prejudiciais o bastante para o meu sono. Mas tenho sobrevivido para contar. Agora, foi preciso uma única rodada de Kinect Sports e Dance Central para eu ficar completamente suado. E olha que nem o inofensivo Kinectimals ajudou a aliviar a barra. Fiquei feliz de o sofá estar logo atrás de mim, o que me permitia sentar entre uma partida e outra. Não gostei de a maioria dos games me obrigar a ficar de pé para jogar. Fiquei aliviado de cada partida ser tão rápida que me permitiu ficar mais sentado do que em pé.

Sim, sou um reclamão, e estou fora de forma. E os videogames não estão nem aí para isso. Querem vencer meu sedentarismo à força. Será que é assim que eles vão conseguir?

Não estou aqui para julgar a qualidade desses jogos “físicos”. Bons eles devem ser, pelo menos uma parcela deles. Como toda tecnologia nova, há problemas para se resolver. Normal. Não me lembro de algum novo console cujos primeiros games acertaram na mosca. O Game Boy da Nintendo foi lançado com o inigualável Tetris, mas muita porcaria saiu ao mesmo tempo. A mesma coisa rolou no NES, no Super NES, no PlayStation, e por aí vai. E falando mais especificamente sobre acessórios, também tenho dificuldade em lembrar algum que tenha feito muito sucesso a ponto de alavancar as vendas de um console (me perdoe se eu estiver equivocado, a memória já não funciona tão bem). Pistolas, óculos 3D e tapetes de exercícios fizeram nossa cabeça no passado. Mais recentemente, guitarras, baterias, microfones e câmeras nos fizeram gastar mais dinheiro ainda. E a onda persiste nesse “final” de geração de videogames: veja só a Sony e a Microsoft fazendo você gastar mais dinheiro com novos brinquedinhos, só para estender um pouco a longevidade de seus consoles.

Eu, particularmente, não gostaria que a próxima geração de videogames seja baseada em uma evolução desses joysticks com sensores de movimentos (no caso do Wii e do Move), ou mesmo na completa ausência de um controle (no caso do Kinect). Sempre imaginei o futuro dos games com uma pegada mais “realidade virtual”, aos moldes do filme Tron, ou mesmo ao estilo de The Matrix. Nessas obras, porém, não se levava em consideração o fato de o jogador se cansar ao longo de uma partida. Os desenvolvedores da Nintendo, Sony e Microsoft, na certa, também não pensaram muito nisso. Outro detalhe que foi ignorado: os espaços físicos estão cada vez menores, e quem sofre para pagar o aluguel da quitinete sabe o que isso significa. Dá para dizer que apenas os privilegiados possuem espaço suficiente em suas salas para jogar Kinect, Move ou Wii com a desenvoltura necessária (traduzindo, sem quebrar objetos, derrubar móveis ou esbarrar no ventilador de teto).

Digo e repito: não estou aqui para malhar a “nova onda” dos games. Só acho que ela, assim como diversas outras tentativas anteriores da indústria, não irá durar muito tempo. Talvez este seja apenas um caminho alternativo, ou um desvio necessário, antes de presenciarmos avanços ainda mais interessantes. E, assim eu espero, bem menos cansativos.

* Texto publicado na edição 109 da EGW, janeiro de 2011.

Autor: - Categoria(s): Gamer.br na EGW, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , ,
30/11/2010 - 19:34

Gente que só reclama de tudo. Você é assim?

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Aloha!

O mês está acabando, muitas coisas aconteceram, mas a correria atrapalha. Por isso (e você sabe que não engano ninguém), publico aqui minha coluna que foi publicada na revista EGW de outubro. O tema é polêmico: gente chata que só sabe reclamar na internet. Você se enquadra nesse caso? Será que não mesmo? Vejamos…

E amanhã, espero, voltaremos à programação normal.

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O Bode da Internet*
A rede mundial virou terra de ninguém – e os brasileiros só contribuem para isso

Os videogames de última geração estão à venda no Brasil. As redes online estão chegando, com data marcada para estrear. Os jogos, aos poucos, vão ganhando preços mais “justos”. E agora? Quem iremos xingar muito na internet?

É em um dia daqueles cheio de trabalho que eu fico a ponderar sobre esses hábitos tão banais, como navegar na internet, por exemplo. Usar o Twitter diariamente nos informa sobre os acontecimentos (às vezes, até mais rápido do que eles ocorrem), mas há seu lado ruim. Um deles é ter contato constante com reclamações, lamentações e ofensas proferidas pelas pessoas que seguimos. Você estava ali, quietinho, assobiando, e lê aquele post cheio de veneno escrito por um amigo. Mesmo não sendo endereçado a você, não dá para ignorar ou não pensar a respeito.

E não dá para evitar. Eu mesmo me pego usando o Twitter para reclamar da vida. Admito que prefiro utilizar a ferramenta para espalhar novidades e boas notícias, mas, vez ou outra, dou a minha reclamadinha, sem ofender ninguém. Faz parte. Mas vejo que cada vez mais gente se utiliza da internet para colocar para fora sua raiva da humanidade. É um hábito mundial, mas dada a tara que o brasileiro tem por redes sociais, parece que esse já é um padrão de comportamento em nosso País.

E não é só no Twitter. Nos fóruns de discussão também. É um tal de disparar a metralhadora giratória para todos os lados que é difícil de agüentar. E o que tem de gente que se aproveita do anonimato proporcionado pela internet para exagerar… É por isso que tento passar longe desses ambientes virtuais. Não quero me estressar de graça – e nesses locais, é a coisa mais fácil. As pessoas acham que, já que não há contato pessoal, é permitido xingar, ofender e falar tudo o que se pensa. E o mesmo deve acontecer dentro dos games online, em que, supostamente, está tudo liberado.

Os espaços de comentários de blogs são outra região complicada de se explorar. No caso do meu próprio blog, o Gamer.br, eu sou obrigado a ler tudo o que é escrito ali. Sendo bem sincero, não tenho muito do que reclamar sobre meus visitantes. Em sua maioria, são pessoas inteligentes, ponderadas e que entendem do que estão falando. Tive pouquíssimos problemas desde que inaugurei o site, há exatos quatro anos. Mas, em certas ocasiões – principalmente quando a notícia é polêmica -, o nível baixa visivelmente. Aliás, dá para perceber na hora quando o cara que está comentando é um visitante ocasional, e não um leitor assíduo. E é quando comprovo aquela tese de que muitos brasileiros são “analfabetos funcionais”, ou seja, pessoas que, mesmo sabendo ler e escrever, compreendem tudo errado. E será que vale a pena brigar com esses caras, mesmo sabendo que eles não vão entender nada de minha explicação?

Tudo isso foi só para lembrar a você que a internet NÃO é uma representação exata da vida real – por mais tempo que você passe conectado, por mais que seus amigos também vivam online, por mais horas que você passe conectado ao servidor de algum MMORPG , à Xbox Live ou à PSN. É obviamente um meio útil, que facilita contatos e a comunicação, abrevia as distâncias, torna possível o impossível. Mas não é porque é uma terra sem leis definidas que o bom senso não deva existir ali dentro. E eu percebo que não são poucos aqueles que se aproveitam do clima de oba-oba para chutar o pau da barraca e abusar da falta de educação e da grosseria. E o que era para ser exceção está, aos poucos, se tornando a regra.

É por essas e outras que estou com bode da internet. Será que vou sarar um dia?

* Texto publicado na edição 106 da EGW, outubro de 2010.

Autor: - Categoria(s): Gamer.br na EGW, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , ,
22/09/2010 - 12:40

O que falta para o Brasil dos games?

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Calma, que o Brasil é nosso.

Desculpe a ausência. Resolvendo coisas da vida. Principalmente relacionadas à saúde. Não estou 100%, mas estou trabalhando nisso. Pensamento positivo de todo mundo ajuda nessa hora. Obrigado.

E por favor, não se  sinta lesado, mas vou apelar: republico agora um texto meu publicado na revista EGW de agosto de 2010 (ed. 104). O tema não poderia ser mais pertinente: o que falta para o mercado de games brasileiro dar certo? Acho que a(s) resposta(s) não é assim tão simples. Mas se pensarmos a respeito, talvez cheguemos a algum lugar. Para você, qual a solução? Se tiver uma (ou várias), divida conosco nos comentários lá embaixo.

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As Engrenagens se Movem*
Empresas se mexem, consumidores também. Só falta o governo

Minha obsessão mais recente é investigar o mercado de games brasileiro, isso você já deve saber. Enquanto a maioria de meus colegas jornalistas cobre os lançamentos de novos jogos, eu fico preocupado em descobrir as pequenas nuances que fazem do Brasil o melhor lugar do mundo para se investir em videogames.

E não sou eu quem esta dizendo isso. Sao as próprias empresas, as gigantes que fabricam os consoles, quem dizem que o Brasil é o pais do futuro em se tratando de entretenimento eletrônico. Pais do futuro é um eufemismo: somos muito mais o presente em se tratando de mercado promissor e garantia de sucesso.

Nos últimos meses, tenho ido atrás das empresas para ouvir o que elas realmente pensam sobre o atual potencial do Brasil. E foi entrevistando esses executivos – brasileiros e estrangeiros – que escutei frases como “nenhum país é tão bem cotado hoje como o Brasil”, ou “nem começamos a enxergar do que esse país é capaz”. E essas são só as afirmações que recordo de cabeça. E já lhe adianto que minha memória não anda assim tão boa como costumava ser.

Hoje mesmo, no dia em que escrevo esta coluna, fiz uma visita ao prédio da Sony Brasil. Em uma entrevista de mais de uma hora de duração, escutei tantas palavras positivas que não pude evitar sair de lá mais confiante de que de costume. É claro que muito do discurso do Anderson Gracias (o gerente geral da operação PlayStation por aqui) é baseado em boas intenções, mas assim mesmo, ele me soou muito mais otimista do que eu poderia esperar.

Os problemas que os executivos das publishers costumam relatar são basicamente os mesmos: o que atrasa o crescimento do mercado no Brasil são os impostos, tanto aqueles que afetam os consoles como os que encarecem os jogos. Videogames no país são taxados como jogos de azar, e isso resulta em impostos muito maiores do que o que seria adequado. Algo semelhante ocorre com os jogos, mas neste caso, isso poderia ser amenizado se os discos fossem prensados em solo brasileiro. A redução não seria sentida imediatamente, mas, em médio prazo, os preços dos games cairiam drasticamente. Imagine uns 30% a menos do que é cobrado atualmente e dá para se ter uma boa ideia do que viria por aí.

Os outros entraves também são burocráticos: por que demora tanto para o Brasil ter redes online de consoles funcionais e operantes, como a Xbox Live e a PSN? Porque questões operacionais dificultam o processo: como pagar pelo conteúdo baixado, como pagar devidamente os fornecedores de conteúdo, e por ai vai. É tudo difícil, muito porque o país não esta acostumado a esse tipo de operação. Ou seja, os problemas existem de verdade. As empresas não estão apenas nos enrolando, nem estão de má vontade. Pelo menos é o que elas nos dizem. Só nos resta acreditar nessas boas intenções e pensar que, não apenas os jogadores querem que as coisas funcionem, mas as fabricantes também. Afinal, elas querem ganhar dinheiro. Não teriam porque fazer corpo mole com tantas oportunidades à disposição.

Meu papel é o de advogado do diabo, mas também de transmissor positivo de informações. Garanto a você que as produtoras de games possuem as melhores intenções para com nosso Brasil dos games. Eles me disseram com todas as letras, e eu estou dando meu voto de confiança, ainda que com um pouquinho de pé atrás. É nosso papel investigar se as coisas estão se desenrolando, ainda que lentamente. Às vezes, é preciso uma forcinha a mais, ou uma iniciativa independente, como é o caso do Jogo Justo, criado e fomentado por gamers que simplesmente se cansaram de esperar sentados pela resolução dos problemas citados.

As empresas, aparentemente, estão fazendo o que podem. Os consumidores se movimentam com as ferramentas que possuem. Qual peça está faltando funcionar? O governo, é claro. Mas não é um único “salvador da pátria” que irá mudar tudo de uma vez só. Estou falando de mudanças de posturas de todos aqueles que cuidam das leis que regem a nação. É preciso que a nossa mensagem seja transmitida a eles, e que seja compreendida e bem interpretada. E que não pensem que somos um bando de moleques crescidos querendo perder tempo com joguinhos. E sim que almejamos o estabelecimento de uma indústria sólida e lucrativa que só tem a trazer benefícios a todos os envolvidos e a todas as camadas subsequentes.

E você aí, já escolheu os candidatos em que irá votar em outubro? Suas escolhas podem fazer uma bela diferença.

* Texto publicado na edição 104 da EGW, agosto de 2010.

Autor: - Categoria(s): Gamer.br na EGW, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , ,
03/08/2010 - 18:55

Alguns Pensamentos Otimistas Sobre os Games no Brasil

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Dia corrido esse. E frio.

Hoje tem evento especial da Warner Games. Eles finalmente vão anunciar coisas importantes para o mercado brasileiro, entre elas a parceria (que já é uma realidade) com a Electronic Arts. E tem outras coisas bacanas que eles deverão revelar (espero!), relacionadas diretamente com preços cobrados pelos games no país. Estou indo para lá neste momento. Amanhã eu conto como foi.

Enquanto isso, você fica com o texto que publiquei na revista EGW, edição 101 (maio de 2010). Acho que tem tudo a ver com o momento que o mercado nacional está passando. Ou talvez eu esteja exageradamente otimista… vejamos. Leia e comente.

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Otimismo Nunca é Demais*

A Blizzard está chegando ao Brasil. A Sony chegou, de uma vez por todas, com PlayStation 3 e tudo. Os eventos especializados voltaram a ganhar força. Os games – a maioria com embalagem e manual em português – estão recebendo lançamentos pomposos, com festas, bebida e strippers (o pior é que é verdade). Há tempos não víamos tantas publicações, blogs, programas de TV e jornalistas especializados atuando de verdade. O mercado brasileiro de games parece estar se movendo adiante. Mas será que está mesmo? Tem muita gente que não acredita.

É um comportamento padrão ser cético no país da piada pronta. Ninguém acredita em nada, mesmo que a coisa apareça bem na nossa frente, brilhando de novo, exalando autenticidade e boas intenções. Dizem que somos otimistas, mas a real é que temos o pé eternamente atrás. Às vezes, os dois pés ao mesmo tempo, se é que isso é possível.

Digo isso porque admito que sou o maior dos otimistas, mas também um grande e assumido cético. O São Tomé, aquele que só acredita vendo, se adequa perfeitamente à minha visão dos fatos. Como jornalista, fui ensinado que a verdade é dura, mas necessária. Na real, nem aprendi isso na faculdade, muito menos em uma redação de revista. Aprendi observando. A gente gosta de ser iludido, mas a informação verdadeira é sempre necessária e bem-vinda, por pior que ela seja.

No caso do mercado de games, todas as informações que mencionei no primeiro parágrafo ajudam a acreditarmos que existe um verdadeiro grau de evolução se desenrolando. Pode ser que sejam fatos unidos que, juntos, representam algo positivo. É uma maneira de ver a situação. Ou pode ser o contrário: os fatos aparentam um avanço coletivo, mas são apenas fatos puramente isolados. Assim, cada empresa estaria garantindo o seu lado de maneira individual, se preocupando apenas com seus lucros e tentando garantir sua fatia do bolo.

No meu papel de observador (em meu blog) e porta-voz (nesta coluna), tenho a obrigação de separar os ingredientes e dizer a você se a mistura vai ou não resultar em um prato nutritivo. Nem sempre a gente acerta, mas acredito que a minha função primordial seja apresentar o melhor quadro possível. Sem me importar se pareço ufanista demais, mas também dosando no otimismo e distribuindo patadas a quem merece. Nem sempre é fácil.

O leitor/consumidor normalmente se deixa enganar, porque quer/precisa receber notícias boas sempre. Faz parte de nosso espírito brasileiro, esse lado positivo e incansável de sempre querer ver o lado bom das coisas. Nesse sentido, me sinto mais parte do time dos torcedores do que do grupo dos críticos. Se um gringo me perguntasse hoje “e esse mercado brasileiro de games, como anda?”, eu responderia, na hora: “Nunca esteve tão bem”. Você até pode ser pessimista, mas não poderá dizer que estou mentindo, e sim que estou interpretando os fatos. Você pode acreditar e levar meu discurso em consideração, ou me xingar e dizer que sou um iludido. Não me importo. Todo mundo tem o direito a ter uma opinião. Não é porque este texto está impresso e papel colorido e com minha foto ao lado que o que eu digo tem mais validade do que o você acha, certo? Ou será que tem?

Tudo isso foi só para confirmar que, sim, contrariando os céticos, pessimistas e mal-humorados, o mercado brasileiro de games vai bem sim, obrigado. Claro que sempre poderia ser melhor, mas há bastante gente boa trabalhando de verdade para isso. E da próxima vez que perguntarem a você sobre isso, diga a real, mas seja otimista. No fim das contas, os bons fluídos sempre ajudam – e para melhor.

* Texto publicado na edição 101 da EGW, maio de 2010.

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21/12/2009 - 21:35

Alguns Pensamentos sobre o Mercado Nacional

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Como está o seu final de ano?

O meu está aquela correria louca de sempre. Também, quem manda querer fechar uma revista uma semana antes do normal, só para poder folgar entre o Natal e o Ano Novo? Pois então, cá estamos, varando a madrugada. Mas você deve ter percebido e nem reclamou nada. Agradeço.

Como acontece quando estou ferrado, dou uma enrolada com minhas matérias publicadas em papel. A seguir, apresento minha coluna Gamer.br publicada na edição de novembro da revista EGW. É mais um daqueles posts/pensatas que ainda não perdem a validade facilmente. Lembre-se que foi escrito no final de outubro, mas quase nada de importante rolou no mercado brasileiro de lá para cá. Logo, tudo ainda pode ser considerado.

Cá está. Aproveite e comente, se possível.

***

Cada Um Faz a Sua Parte

O mercado de games no Brasil tem jeito?

Que boa pergunta – principalmente porque não tem uma resposta simples. Por isso me parece o tema perfeito para um mês sem muitas agitações além dos games propriamente ditos.

Porque se você joga pra valer – e se está lendo esta revista, deve ser o seu caso -, não deve estar perdendo o sono com essa questão complicada. Nem poderia. Eu, se você você, estaria curtindo os diversos títulos legais que foram lançados nas últimas semanas. Uncharted 2, Brütal Legend, Scribblenauts, Batman: Arkham Asylum, Halo 3: ODST, FIFA 10… Dá para ficar bem ocupado. Eu, aqui, em minha função de observador chato da nossa “indústria”, sou um eterno preocupado com o outro lado da questão: como fazer mais pessoas terem acesso real a tantos jogos bons?

Deixemos as coisas em pratos limpos: todos esses games que citei estão por aí, sendo vendidos no Brasil a preços muito mais elevados do que o aceitável. Mas este fato não impede que os verdadeiros interessados tenham acesso a eles. Caro ou não, o povo dá um jeito de comprar. Paga o preço alto mesmo, faz prestação, importa, pede pro amigo trazer… e, no último dos casos (ou primeiro, dependendo da índole do sujeito), pirateia. E é a partir desses esforços que temos o que podemos chamar de “indústria de games” no Brasil. Não seria bem mais interessante se mais gente pudesse entrar em contato com os lançamentos sem ter que ter tanto trabalho, gastar exageradamente ou praticar atividades ilícitas? A resposta é óbvia. Acho que o sonho de muita gente é ir a um supermercado e encontrar esses jogos sendo vendidos a preço de banana. Não vai acontecer, é claro. Mesmo porque, até a metáfora está errada: hoje em dia, nem banana é algo barato. É difícil ir a um supermercado comprar “umas coisinhas que faltam para a casa” e não gastar menos de R$ 100. Quem mora sozinho sabe bem como é.

Voltando, você deseja ir a um ponto de comércio tradicional e encontrar os novos jogos à venda por um valor minimamente decente. Barato nunca será, mas você quer um preço justo. Mas o que é justo hoje em dia, em que (quase) tudo pode ser baixado de graça? Se você é um cara consciente, deve ter uma ideia de que preço é esse. Ele não é assim tão barato, mas também não é aquele absurdo a que estamos acostumados. Não dá para pensar em comprar um game por R$ 250 enquanto a cesta básica está na casa dos R$ 230 (em São Paulo). É algo até imoral, se você pensar um pouco a respeito.

“Videogame é entretenimento, então deveria ser acessível”
Eu penso na frase acima o tempo todo, mas a verdade da vida é mais dolorida. Videogame é uma forma de entretenimento bem cara, e mesmo que a gente reclame, isso não vai mudar nunca. Barato é jogar bola na rua, bater papo com os amigos no boteco. A produção de um game envolve centenas de pessoas, milhões de dólares e infinitas etapas que nem chegamos a imaginar que existem. O resultado desse trabalho jamais será dado de graça. É um mundo capitalista e selvagem lá fora, e corporações só existem para lucrar. Nenhuma produtora irá criar um jogo para distribuir de graça e fazer as pessoas felizes. Só mesmo naquele mundo ideal que, infelizmente, não existe.

De volta ao Brasil em que eu e você vivemos, vamos relembrar os pontos mais problemáticos da questão inicial. 1. Os jogos existem no mercado, mas custam caro para a atual realidade do país. A grande maioria da população não tem grana para comprar comida, imagine games. 2. Não ajuda muito o fato de o imposto sobre produtos industrializados ser um absurdo. 3. Também não facilita em nada a presença pouco efetiva – ou inexistente – de várias das empresas gringas mais importantes – muito por causa dos já citados impostos. 4. E para que cada um desses três fatores se resolva, é preciso que todos sejam solucionados ao mesmo tempo.

Nossa, que vida dura a nossa, não? Dá para ter esperança de mudança? Claro que sim. Senão, qual seria a graça de se dedicar ao mercado de games nacional? E essa esperança, afirmo no limite da pieguice, está em nós mesmos. O brasileiro é, antes de tudo, um bravo: mesmo com tudo conspirando contra, lá está ele, jogando, consumindo e contribuindo para que o nosso País seja considerado o mercado mais promissor e interessante da atualidade. Estamos fazendo muito bem a nossa parte. Que todos os outros envolvidos façam as deles.

* Texto publicado na edição 95 da EGW, novembro de 2009.

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21/10/2009 - 02:08

Alguns Pensamentos Sobre a Sony e o Brasil

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Bom dia, tarde, noite.

A semana está complicada. Quem acompanha meu Twitter sabe – pelo menos, consigo atualizar ali muito de leve. Aqui, está mais difícil. É aquele período complexo do mês em que eu comemoro se consigo almoçar. Fechamento, essas coisas rotineiras.

Mas como você não tem nada com isso, não vou deixá-lo na mão. Mesmo porque, já tem gente reclamando de minhas ausências. Eu também reclamaria, então nisso nós concordamos.

Aproveito o momento para publicar minha coluna Gamer.br que saiu no número de setembro da revista EGW. A edição já saiu da banca, então me permito fazer essa leve “reciclagem”. Quem já leu no papel, pode comentar agora. Quem não viu, aproveite – é como um post/pensata mais longo, que ainda não perdeu a validade.

Vale lembrar que o texto foi escrito antes da revelação do nome do “homem da Sony no Brasil” e no calor de um período de muitos boatos e sem informações oficiais a respeito da atuação da fabricante do PlayStation 3 no País. Não que a situação tenha mudado muito de lá para cá, mas é válido explicar o contexto. Você irá notar que até cheguei a mencionar o Dia das Crianças como uma provável data de alguma revelação importante, mas como é possível conferir em qualquer calendário, nada se concretizou. Infelizmente, nem sempre nossas fontes de informação são infalíveis. E não, não ganhei nenhum presente de Dia das Crianças (aceito doações).

E cá está. Enjoy.

***

O “Sono da Sony”
*

Na feira alemã Gamescom, a empresa japonesa Sony anunciou a redução do preço do PlayStation 3 nos Estados Unidos, Europa e Ásia.

Sim, uma notícia tão globalizada como essas repercutiu no Brasil também. Mesmo que, aparentemente, a gente não tenha nada a ver com isso. É óbvio que a informação da queda do preço do console mais desejado do momento é relevante. Afinal, intimamente, torcemos para que essa redução respingue no mercado brasileiro. Ficamos tradicionalmente animados com esse tipo de coisa, mesmo que, no fim das contas, não faça diferença nenhuma.

Bem, é com esse humor amargo que defino o clima em relação à chegada oficial da Sony Computer Entertainment em nosso território. Essa conversa já está rolando há um bom tempo e, como você sabe, parece não evoluir nunca. Às vezes, parece até mentira. Não que eu não tenha esperança ainda de ver o nosso mercado evoluindo e funcionando de maneira “oficial”. É que eu pensava que as coisas poderiam andar um pouco mais rápido, só para variar.

Acho que até você mesmo, o mais esperançoso dos consumidores brasileiros, já não aguenta mais ler tanta notícia. É sempre a mesma coisa: as grandes multinacionais soltam promessas e mais promessas a respeito do país, falam sobre nosso potencial de desenvolvimento e sobre como fazemos parte dos planos de dominação deles. E aí, despejam um monte de datas, prognósticos e estimativas… E nada mais acontece durante meses. Nem uma palavrinha que seja. Ficamos todos no vácuo, esperando a grande e poderosa empresa fazer alguma coisa na prática.

É o que está acontecendo no caso da Sony.

A última vez que ouvimos algo sólido – ainda que de maneira vaga, é verdade – foi durante a última E3, no início de junho. Se é que ainda sei fazer contas, se passaram três meses desde a última notícia. Hoje, ninguém sabe ao certo o que a Sony irá realizar de verdade em território brasileiro: se irá apenas lançar o PlayStation 2, se irá se arriscar com o PSP e o PS3 logo de cara, se trará a versão Slim para cá junto com o resto do mundo… E é melhor nem mencionarmos Manaus, porque provavelmente nem os habitantes da cidade, nem os trabalhadores da Zona Franca, sabem bem o que vai acontecer por ali.

Eu custo a acreditar que seja tão difícil para uma empresa do porte da Sony organizar seu funcionamento em um país como o nosso. Certamente não pode ser apens uma questão de dificuldades burocráticas ou estratégia mercadológica. Chame de estratégia, se quiser. Também não consigo acreditar que seja mais lucrativo fazer negócio no Equador ou na Venezuela – países em que a Sony já atua com sua área de games – do que no Brasil. Nada contra os hermanos equatorianos e venezuelanos, que fique claro. E aquela história de fazermos parte do BRIC, o grupo de países economicamente mais promissores do planeta? Não deveríamos estar no topo da lista de prioridades? Ou era conversa fiada?

Agora, é hora de soltar uma boa notícia. Exatamente no dia em que foi anunciada a redução de preço do PlayStation 3, uma de minhas fontes internacionais revelou ter participado de um evento organizado pela Sony, voltado aos varejistas latino-americanos. No local, foram divulgadas datas de uma possível estreia da multinacional no Brasil. A estimativa mais otimista fala sobre uma chegada maciça às lojas, ou pelo menos algum anúncio oficial, antes do Dia das Crianças. Na pior das hipóteses, até o Natal teremos consoles Sony oficialmente em nossas lojas. Ah, sim: as datas são em 2009. Pelo menos, é o que dizem. E você aí, ainda acredita?

Eu quero acreditar. Mas, por enquanto, está difícil. Espero que a Sony queime a minha língua.

* Texto publicado na edição 93 da EGW, setembro de 2009.

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