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Arquivo da Categoria Cobertura E3 2010

31/08/2010 - 11:48

Entrevista da Semana: Mark Wentley (Nintendo of America)

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Vamos zerar o assunto e começar de novo? Então vamos.

A Entrevista da Semana do Gamer.br é com Mark Wentley, o gerente de marketing e vendas da Nintendo para a América Latina. A conversa com ele rolou em junho, durante a E3 2010, em Los Angeles, e só está vendo a luz do dia hoje porque o tema discutido não poderia estar mais em voga: a atual situação do mercado brasileiro de games.

Pressionei Wentley sobre as dúvidas que normalmente os leitores endereçam a mim a respeito da Nintendo e da presença da empresa no Brasil. De certa forma, eu já estava me preparando para a matéria que finalizei hoje sobre a indústria nacional, para a edição de setembro da Rolling Stone Brasil (nas bancas em 10/9). Por conta de ter sido feita em junho, não há perguntas a respeito do lançamento do PlayStation 3 no Brasil – mas tenho conhecimento de que a Nintendo raramente cita os concorrentes em suas entrevistas, portanto nem fez tanta diferença assim. Enfim.

A seguir, as palavras de Wentley, o executivo norte-americano que responde pelas ações da Nintendo em nosso país. Leia, comente e passe adiante.

***

Gamer.br: Todo ano eu lhe pergunto o seguinte: o que a Nintendo planeja para o mercado brasileiro nos próximos anos? E o que mudou de 2009 para agora?
Mark Wentley: O que posso lhe dizer: em termos de informações novas,  não tenho nada para dizer nesse momento. Mas o que posso dizer é que para nós, a importância só cresceu. A resposta do mercado só cresceu e nosso interesse pelo Brasil só se torna maior a cada dia. Mas como você bem sabe, e já falamos antes sobre isso, é uma situação das mais complexas dadas o regime político, as complexidades das importações, os impostos, a distribuição é uma situação bem complicada, o que interefere no tempo em que é gasto para se fazer as coisas do jeito correto – e isso demora. Então, nós queremos ter uma presença maior, e há diversas maneiras de fazer negócios no Brasil, mas leva tempo para se fazer as coisas certas. Vamos continuar a estudar e avaliar a situação e queremos estamos estar mais envolvidos com os consumidores e com o mercado no futuro.

Houve reclamações sobre a falta de produtos Nintendo nas lojas brasileiras. Parece que estava difícil encontrar o Wii e o Nintendo DS para vender, assim como os games. O que o consumidor deve fazer para evitar comprar produtos no mercado cinza, ou importar por conta própria? Ou seja, o que o consumidor tradicional precisa fazer para conseguir comprar o produto que deseja?
MW:
Bem, estou um pouco curioso para saber de onde você está tirando essa informação, porque nós estamos vendendo produtos. Enviamos produtos o tempo todo, há Wii disponíveis. Eu estive no Brasil há um tempo, fazendo um acompanhamento do mercado, e havia produtos. Então, não tenho certeza de onde você tirou isso.

Foi uma pesquisa pessoal que fiz – fui a diversas lojas e perguntei a alguns vendedores e consumidores a respeito dos produtos. E o que me disseram é que não está assim tão fácil encontrar Wiis, mas também há diversas lojas online vendendo o console em promoções. Mas por outro lado, você acha que poderia haver mais produtos Nintendo nas lojas? Ou mais material de merchandising, displays, essas coisas?
MW:
Certamente, há espaço para melhorarmos nossa distribuição localmente. Mas, dados o tamanho do país e a complexidade em se colocar os produtos lá dentro, a distribuição se torna é um dos grandes desafios no Brasil. Mas você vai acabar percebendo mais e mais o que estamos fazendo e verá que há sim, produtos disponíveis. É interessante você ter dito isso, porque estou interessado em obter mais informações específicas. Afinal, eu sei que há produtos disponíveis no Brasil.

E o que a Nintendo tem feito especificamente para melhorar sua participação no mercado brasileiro? Por exemplo, vocês checam relatórios mensais com números, essas coisas?
MW:
Como você bem sabe, nós trabalhamos com a Latamel e eles são os responsáveis pela região. Temos uma equipe exclusivamente dedicada ao mercado brasileiro, então certamente nos encontramos com eles e definimos as estratégias. Temos campanhas de marketing, você verá anúncios nas emissoras de TV a cabo, campanhas online, revistas… há bastante suporte nesse sentido. Então nos investimos muito em marketing para lançar os produtos no Brasil, e não faria sentido não ter produtos para vender. Essa parte é extremamente importante e com certeza estamos fazendo, investindo em distribuição, constantemente buscando maneiras de melhorar nesse sentido.

No que diz respeito ao mercado brasileiro, temos uma situação  interessante: os dois principais concorrentes atualmente realizam ações bastante especificas. Temos a Sony lançando o PS2 e talvez o PS3 [a entrevista foi realizada em junho, antes do lançamento do PS3 no Brasil]. Temos a Microsoft lançando games mensalmente e preparando a rede Xbox Live. Aos olhos do consumidor, talvez seja um pouco desapontador que a Nintendo não esteja “pessoalmente” mostrando seu poder em território nacional, uma vez que não há um escritório, como havia antes. O que você tem a dizer para o consumidor brasileiro, que vê a competição se mexendo e presencia a Nintendo “na mesma”?
MW:
Para começar, eu compreendo o que você quer dizer e agradeço por seus comentários. Entendo que os fãs gostariam que a marca estivesse o mais próximo o possível deles. E uma maneira de fazer isso é, conforme você mencionou, ter uma presença direta. Tudo é uma questão de como melhor servir o consumidor brasileiro. Seja ter atendimento especializado, entregar os produtos nas lojas, se comprometer com essas coisas. Então, seja lá qual for a maneira que essa presença ocorrer, com presença direta, ou através de um distribuidor, ou de qualquer outra maneira, o objetivo é sempre o mesmo: nós oferecermos um bom serviço, levarmos os produtos e mostrarmos o “amor”, por assim dizer, ao consumidor brasileiro. É isso que, no fim das contas , eles desejam. Essa é a mensagem que quero passar.  E também digo que estamos procurando por outras alternativas, porque, sabe, é uma situação que está em constante mudança. O Brasil não irá diminuir, não irá se tornar de repente um mercado menor – o país veio para ficar e não para de crescer.

Como a Nintendo enxerga o Brasil nesse momento? Temos eleições presidenciais, o país continua a se destacar como uma força econômica mundial…
MW:
Honestamente, do ponto de vista do business, da economia, eu estou muito impressionado. Porque havia muita incerteza, muita infidelidade no mercado nesse momento, mas no Brasil, as coisas estão correndo incrivelmente bem. Se você olhar do ponto de vista econômico, o país não está apenas gerenciando bem, mas tem ótimas perspectivas para o futuro, no que diz respeito à força de trabalho e os recursos disponíveis. E o potencial que existe nessa força de trabalho, o nível de educação, é realmente impressionante. É por isso que este mercado é muito importante e estamos olhando com muita atenção para o Brasil. É um foco não apenas para a Nintendo, mas para diversas outras indústrias, por conta de seu potencial e seu papel no mundo atualmente.

Há uns anos surgiu a expressão “BRIC”, para designar os países com maior potencial para crescer – Brasil, Rússia, Índia e China. Você acha que essa designação já estaria defasada? Esses países se encontram no mesmo nível atualmente?
MW:
Eu não sou um economista e não estou muito por dentro do R, do I e do C, mas conheço um pouco do B. E o B é um “B” maiúsculo. Vamos definir assim. [risos]

Sei que a Nintendo não fala sobre números, mas você poderia tentar mensurar o tamanho do mercado ocupado pelo Wii e pelo Nintendo DS no Brasil? Quantas pessoas estão jogando seus consoles agora no país?
MW:
É uma ótima pergunta. Honestamente, eu não tenho muita ideia. Um dos desafios que enfrentamos também é a importação paralela. A Nintendo foi uma player dessa indústria e tentou por muito tempo lutar contra a pirataria e a importação paralela e ilegal. Certamente, entender a quantidade de produtos que entra por essas vias é algo impossível. O que eu posso dizer é que o potencial do Brasil é enorme. Neste momento, o México é o nosso maior mercado. Mas, em termos de potencial geral, o Brasil certamente representa o maior potencial que nós temos nesse momento. Mas em termos de quantidade de consoles, nós não temos essa informação.

E em termos de potencial, quão grande é o nosso mercado?
MW:
No meu entendimento, tenho sempre uma conta na cabeça: há hoje por volta de 100 milhões de brasileiros com 18 anos de idade ou menos. Nós sabemos que a juventude é mundialmente focada em tecnologia, especialmente em videogames.  Nós procuramos maneiras de integrar os videogames mais e mais nas vidas dessas pessoas, uma vez que eles já utilizam a tecnologia para se divertir, se informar, se comunicar entre si, ou, simplesmente, fazer isso uma parte integrante da vida. Com 100 milhões de pessoas abaixo de 18 anos, isso nos representa um mercado gigantesco.

Há diferenças entre o consumidor brasileiro e o de outros mercados grandes? O que faz o consumidor brasileiro ser diferente do norte-americano, por exemplo?
MW:
Eu diria a juventude. Eu provavelmente não tenho acesso a todos os dados, mas um que com certeza chama a atenção é a juventude. Mas se você olhar para os demográficos, verá que o fato de o Brasil ser um país jovem é algo muito relevante. Eu não tenho os números aqui de cabeça, mas, por exemplo: se você comparar com outros países da América Latina, verá que a penetração da internet é muito alta. A utilização de computadores domésticos é muito forte e a penetração de computadores com internet também é muito alta. Então, nesse sentido, eu estou bastante empolgado com esse potencial.  Comparado aos outros mercados da América Latina, isso é algo que nos causa grande interesse.

Falando sobre o lançamento de outros produtos Nintendo, como o Nintendo 3DS, quais são os planos para o Brasil?
MW:
Lançaremos o 3DS nos mesmos meses que nos outros países da região. Estamos nos comprometendo a lançar na América Latina – incluindo no Brasil – no mesmo momento em que pretendemos lançar nos Estados Unidos.  Ou seja, a data que definirmos para o lançamento aqui [Estados Unidos] será a mesma que honraremos na América Latina, então você pode esperar ver o produto no Brasil ao mesmo tempo em que o tivermos aqui nos Estados Unidos. E é interessante dizer, especificamente sobre o console: o investimento e o compromisso das empresas desenvolvedoras de jogos têm sido muito alto. Temos literalmente dúzias de empresas conosco, e os games que iremos lançar – FIFA, Pro Evolution Soccer, Resident Evil, The Sims, DJ Hero, Kingdom Hearts… É simplesmente um conjunto incrível de franquias que subiram à bordo e darão suporte ao novo Nintendo 3DS. Estamos muito empolgados com isso. E antes do lançamento, teremos também um período excelente no fim do ano, com Zelda, Donkey Kong, Mario, Metroid, GoldenEye, Golden Sun, Nintendogs, Paper Mario… Uma variedade incrível de títulos, e estamos muito felizes de poder oferecer isso aos consumidores e fãs.

Quando você olha para suas duas concorrentes, você acha que a Nintendo ainda está seguindo um caminho independente em se tratando de tendências e tecnologia? Em 2006, vocês lançaram o Wii, e agora Microsoft e Sony estão tentando basicamente fazer a mesma coisa, mas com tecnologia mais avançada. A Nintendo sempre esteve em seu próprio caminho, mas o que ocorre agora? Eles estão tentando fazer a mesma coisa que a Nintendo, ou seria algo diferente? Ainda há outro caminho a ser seguido ou vocês estão competindo pelo mesmo mercado e consumidores?
MW:
Nós, definitivamente, queremos estar em nosso próprio caminho, para usar a sua analogia. Acho que uma grande prova disso é o lançamento do Nintendo 3DS. Porque pela primeira vez estamos oferecendo um console em que você não precisa de óculos para experimentar o 3D. Você não precisa de um aparelho de televisão caro, e você ainda pode carregar essa experiência com você para todo lugar. Então, nós fundamentalmente acreditamos que este é um divisor de águas.
E em se tratando do Wii, sentimos que este também é um exemplo de como estamos mudando os rumos da conversa, levando a indústria para um caminho totalmente diferente e nunca visto antes. Você mencionou que há diversos controles com sensores de movimentos, que há diversas empresas agora envolvidas com esse tipo de tecnologia: bem, falando sobre o que viemos falar aqui [aponta para o 3DS]: esta é uma nova era pra nós,  e estamos levando tudo para o próximo nível. E as empresas reconhecem isso e estão do nosso lado. Enquanto estivermos pensando no próximo passo, enquanto não estivermos necessariamente preocupados com quantos pixels o game vai ter, ou especificações técnicas, mas, ao invés disso, como podemos criar uma experiência mais interessante. Ou, em como podemos criar a próxima experiência incrível para o consumidor. Aí sim, estaremos bem. É exatamente isso que estamos tentando fazer com o anúncio de hoje sobre o Nintendo 3DS.

Vocês não mencionaram data de lançamento ou o preço do 3DS…
MW:
Não temos essa informação ainda, nem data ou preços, pelo menos por enquanto. O que posso dizer é que estamos comprometidos a lançá-lo pelo menos em uma região, antes do final do ano fiscal, o que significa até março de 2011. Mas só o que podemos falar é que o lançamento será em 2011.

Você acha que o preço dos produtos Nintendo são compatíveis com a atual situação do brasileiro médio? Quer dizer, continua sendo caro comprar um novo videogame no país. Quando Nintendo possuía uma presença “física” no Brasil, me lembro de que os produtos da empresa sempre foram os mais caros do que os outros, muito porque a empresa estava lá oficialmente, fazendo todos os processos legais. Agora, Microsoft e Sony estão vendendo seus produtos oficialmente por lá, e obviamente eles são bastante caros. E o Wii, sob essa perspectiva, se encontra numa outra situação – o bundle do Wii pode ser encontrado por um preço até razoável nas lojas. Como você vê isso?
MW:
Sabe, o preço e todas suas complexidades são um tema completamente diferente. Certamente, os componentes que interferem em um preço são diversos e, mesmo olhando tudo, é difícil dizer qual o preço que um produto terá – como você sabe, há muita flutuação no preço do Wii no Brasil. Parte disso vem do fato de nós mesmos termos baixado o preço do console. Mas temos que lembrar que existe um fator multiplicador no Brasil, por causa de todos os impostos, taxas de importação e esses gastos todos. Respondendo a sua pergunta inicial – o preço. Nós entendemos a situação e queremos oferecer valor, mas é certo que um objetivo nosso é reduzir o preço, para assim oferecermos mais valor por um preço melhor. E esse é um foco que jamais deixaremos de ter. Como eu disse, há partes da cadeia do preço que conseguimos controlar, e em longo prazo a gente consegue fazer algo a respeito disso. Mas há outros componentes que não dá para fazer nada, é simplesmente impossível. A gente não controla as taxas de importação, as regras da Anatel e como eles gerenciam as coisas, então temos que manter foco naquilo que podemos controlar. E esperar pelo melhor e ter fé de que poderemos fazer o melhor possível. É sim, algo que desejamos – diminuir preços e continuar oferecendo produtos de valor. É algo que estamos focados em dar ao consumidor brasileiro.

Você diria que este é o maior desafio que a Nintendo enfrenta hoje no Brasil, ou há outros “inimigos”?
MW:
Bem, há muitas coisas, sabe? Há a instabilidade do mercado. Há a instabilidade nas taxas de câmbio. Mas no fim das contas, é uma questão de focar no que você pode controlar, e não no que você não tem controle nenhum. E nos enlouquece ficar pensando muito nas coisas em que você não pode controlar. Então, a gente não pode controlar as taxas de câmbio. Isso afetaria de alguma forma o preço final do produto? Com certeza. Mas nós não podemos controlar isso. O ideal, portanto, é colocar seu maior esforço em coisas efetivas. Nós poderíamos mexer em como fazemos negócios, ou na distribuição, ou projetar qual seria o efeito imediato se baixássemos os preços, por exemplo. São nessas coisas em que nos mantemos focados.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2010, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , ,
30/06/2010 - 16:06

Como foi o evento da Level Up! Games

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Ontem foi assim:

A Level Up! Games, maior publisher de games em atividade no Brasil, realizou seu evento especial no Teatro Frei Caneca (em SP), com a presença de imprensa, jogadores e “gente do meio”. Vi quase todo mundo lá, o que foi ótimo. Deu para sentir que a empresa quase não tem inimigos e basicamente é respeitada pela grande maioria do mercado.

Estava lotado e muito bem organizado esse primeiro Território Level Up!. Havia comidas e bebidas (nada alcoólico, crianças circulavam livremente por lá); câmeras de TV registravam o evento; garotas bonitas e sorridentes embelezavam os cantos e organizavam a fila para entrar; seguranças simpáticos organizavam a bagunça; equipamentos de tradução simultânea foram distribuidos à vontade; e quem não tem vuvuzelas, caça com bexigas em formato roliço decoradas com o logotipo da LUG, que eram surradas incessantemente (o barulho era tão chato quanto aquele causado pelas cornetas da Copa sul-africana).

Nenhuma outra empresa de games que atua no Brasil teria cacife para fazer evento semelhante. E não estou falando de grana para gastar, mas sim de currículo e moral. A história da Level Up! no Brasil se confunde com a da ascensão dos games online por essas bandas. Hoje esse tema já virou carne de vaca, mas em 2004, ninguém compreendia que espécie de bicho era esse. A empresa de origem filipina veio para cá de repente, montou parcerias (com a Tectoy), formou equipe (conduzida pelo Julio Vieitez) e saiu por aí, distribuindo CDs daquele jogo de nome esquisito que ninguém entendia muito bem como funcionava.

Eu trabalhava na EGM Brasil na época, e lembro de como a palavra “Ragnarök” se tornava cada vez mais constante no dia a dia da redação – muito por conta da dedicação (para não falar outra coisa) com que o Eric Araki, na época editor da Nintendo World, se aprofundava no assunto. E quem não entendia como aquilo poderia ser interessante teve que engolir seco depois: eram só os primeiros lampejos de sucesso dos games online por aqui – e vieram muitos outros depois. Como diz o poetinha, o resto é história e você mesmo acompanhou de perto. Seja você viciado ou não de Massive Multiplayer Online Games, não dá para negar que o negócio é um fenômeno absurdo.

O evento de ontem celebrou toda essa história, serviu para agradar fãs dedicados e para a imprensa puxar mais a sardinha para o lado da Level Up!. E olha que nem precisava: há anos que a empresa é um exemplo de eficiência e organização no mercado brasileiro de games. Nenhuma outra publisher/produtora presta serviço a tantos consumidores (o número passa do milhão, mais umas centenas de milhares), nenhuma tem tantos funcionários contratados (alguém me corrija se eu estiver errado), nenhuma possui gráficos de crescimento e estabilidade semelhantes ou parecidos. Os porta-vozes da festa, Ben Colayco (fundador da Level Up! internacional) e Julio Vieitez (diretor geral da empresa no Brasil) falaram tudo isso, e passaram bem o recado, mesmo se valendo dos tradicionais discursos de marketing e frases de efeito. Dadas as devidas proporções, deixaram os velhos discursos de coletivas da E3 no chinelo. Afinal de contas, estamos no Brasil e não é todo dia que vemos um exemplo de negócio bem sucedido se desenrolando diante de nossos narizes.

***

E essa, você sabia?

Circulava livremente pela festa da Level Up!, entre jornalistas, assessores de imprensa e “gente da área”, o homem que será um dos responsáveis pelas ações da Blizzard no Brasil.

Se você não sabe ainda quem é, as dicas: é alguém com anos de experiência na indústria de games; é brasileiro; trabalhou como gerente no escritório de uma das maiores publishers do planeta aqui no País; e é muitíssimo competente para o cargo. Parabéns para ele.

E amanhã falo quem é. Se é que você ainda não sabe.

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29/06/2010 - 17:35

Dias de Festa…

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…E não, não é por causa da classificação do Brasil para as quartas-de-final.

(Desculpe, não sei você se importa ou não com Copa do Mundo.)

Hoje, terça, a Level Up! Games realiza um evento particular em São Paulo. É o Território Level Up! – de acordo com o convite que recebi (que imita uma passagem de avião), será “um mundo divertido e repleto de aventuras inesquecíveis”. Parece até chamada da Sessão da Tarde, mas será mais do que isso: é uma festa para celebrar a existência da Level Up!, atualmente a mais bem sucedida publisher de games online no País.

“O Level Up! Live é um marco na história da Level Up! no Brasil. Nas Filipinas, onde o conceito já está consolidado, ele é o grande evento do ano e o mercado espera ansiosamente por sua realização”, disse o Julio Vieitez, Diretor Geral da Level Up! Brasil, através do release divulgado na semana passada.

O auge da noite será um debate ao estilo mesa-redonda, com a presença de figuras-chave desse mercado (inclusive o Ben Colayco, o fundador da Level Up!), mas também vai rolar música, stand-up comedy e a revelação de um novo lançamento no mercado nacional.

Segundo a organização, esta é a maneira de visitar o evento (se é que você não tem o convite ainda):

Basta dirigirem-se a uma das cinco lan houses indicadas no site oficial do evento (www.leveluplive.com.br), adquirir R$ 19,90 em créditos para seu jogo preferido da Level Up! e com apenas mais R$ 2,10 garantir um dos ingressos, que são limitados. Para aqueles que não puderem comparecer, a Level Up! disponibilizará a transmissão ao vivo do evento pela internet.

A bagunça acontece no Shopping Frei Caneca (no Teatro, no sétimo andar, mesmo local onde foi o Troféu Gameworld desse ano), hoje, a partir das 19h. Eu devo estar lá mais tarde do que isso (para variar), mas estarei. Pode procurar!

***

E amanhã, tem outra.

Sabe a Blizzard? Enfim eles vão anunciar suas misteriosas intenções no mercado brasileiro.

Será amanhã, no bairro de Moema, em São Paulo, a partir das 20h. Não sei se estou autorizado a divulgar mais detalhes, porque imagino que o evento seja apenas para convidados. Mas, pelo que sei, todo mundo do mercado de games brasileiro estará lá.

O evento está sendo chamado de “Excursão de Imprensa” (é o que consta no convite) e deve girar em torno do lançamento nacional de Starcraft II: Wings of Liberty. Mas a gente também sabe que não é só isso: eles devem aproveitar para revelar detalhes da empreitada da Blizzard no Brasil. Vai ter escritório por aqui? Quem será o Country Manager? Vão contratar mais gente? Saberemos essas respostas amanhã.

***

E falando de festas futuras… reserve o final de semana de 16 a 18 de julho. Não haverá um, mas pelo menos dois eventos importantes relacionados a games. E um não tem nada a ver com o outro. E pelo que ouvi dizer por baixo dos panos, um deles promete uma novidade bombástica, inédita e muito antecipada. Mas vamos ficar quietinhos, vai que não dá certo? Depois volto a falar sobre isso…

Mas terei que participar de ambos. Como a gente faz para se dividir em dois?

***

E eu vou tentando me organizar pós-E3. Muitas entrevistas para tirar do gravador, muitos textos esboçados e não finalizados, muito material para transformar em posts… Todo ano é a mesma coisa. Fiquei enrolado por causa do fechamento da Rolling Stone de julho – a qual, aliás, trará uma grande matéria sobre a E3 2010 (não sobre os jogos). Se passar por uma banca a partir de 12 de julho, aproveite a comemoração da vitória na Copa do Mundo e leve a RS também.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2010, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , ,
22/06/2010 - 13:15

E o Kinect vai custar…

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US$ 149,99 – cento e quarenta e nove dólares e noventa e nove centavos.

É o que confirma esta página do site da Microsoft. E tenho a impressão de que isso nem deveria ter sido divulgado ainda. Mas agora, já foi.

Achei caro. É muito mais do que eu especulava. Se você quiser fazer contas, fica pior: o Kinect (novo nome do Project Natal, para quem não sabe) vai custar exatamente a metade do preço do Xbox 360, modelo novo. Isso lá fora. E aqui, quanto ficaria?

A Sony divulgou que irá cobrar bem menos pelos acessórios que compoem o seu PlayStation Move: US$ 49,99 pelo controle, mais US$ 29,99 pelo navigation joystick (o “nunchuk” do PS3). E o bundle controle + câmera PS Eye + um game Sports Academy sairá por US$ 99 (o PS Eye separadamente já é vendido por US$ 50). Adendo: Para ter a experiência do Move completa, então, o consumidor deverá gastar no mínimo US$ 129.

Lembrando que o PS3 custa, em média, US$ 299. E o Move será lançado antes – em setembro. O Kinect só sai em novembro.

Alguém deve estar rindo nesse momento.

***

UPDATE: Não quis inflamar os ânimos da guerra dos consoles (e dos fanboys) com o post acima. O único objetivo é divulgar um fato – um preço, no caso – e não afirmar qual empresa é a melhor ou a pior, quem irá ganhar e quem irá perder. Já a decisão sobre para onde irá o seu dinheiro, essa é sua, só sua, e de mais ninguém.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2010, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , ,
21/06/2010 - 15:28

E3 2010: Uma Retrospectiva

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Voltei para o Brasil.

Foi uma E3 cansativa. O sono está atrasado e a gripe que já tinha ido embora insistiu em permanecer por aqui. Essa semana, vou tentar retomar os assuntos do ponto em que parei. Aguarde atualizações lentas, mas bastante caprichadas.

Enquanto isso, para quem não leu, aqui estão os links das matérias especiais que fiz para o site da Rolling Stone ao longo da semana passada. Lembrando que a edição de julho também terá uma matéria grande sobre o evento e as novidades tecnológicas lá apresentadas. Confira.

A seguir, os links:

Jogando com as mãos vazias – Sobre o evento da Microsoft que revelou ao mundo o nome verdadeiro do Project Natal e suas funcionalidades “revolucionárias”.

Games continuam pop – Sobre a revelação do game baseado na carreira de Michael Jackson, mais os detalhes sobre a festa da Activision com show do Eminem.

Em movimento, e em três dimensões – Sobre as novas tecnologias que irão ditar as regras na indústria dos games nos próximos anos: sensores de movimentos, eliminação do joystick, três dimensões.

Quase de verdade – Sobre Rock Band 3 e test drive dos novos controles realistas: um teclado com saída MIDI e uma guitarra híbrida, que serve no jogo e também para ser tocada na vida real.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2010, Tudo ao mesmo tempo Tags: ,
17/06/2010 - 14:27

E3, último dia: Los Angeles está pegando fogo

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Isso aqui está uma loucura hoje.

Nem estou falando da E3, mas de Los Angeles mesmo.

Hoje não apenas é o último dia da E3 2010, como também é o dia da final da NBA, a liga de basquete norte-americana. O Los Angeles Lakers joga contra os eternos rivais, Boston Celtics, às 18h. Ou seja, apenas uma hora após o encerramento das atividades da E3.

Detalhe: o Staples Center, ginásio onde irá rolar o jogo, fica encostado ao Convention Center. Encostado não, grudado. Na mesma calçada. Dá para imaginar como já está a situacão nos arredores? Pois é.

A rivalidade entre Lakers e Celtics é a maior da NBA. Nos anos 80 e começo dos 90, eles praticaram diversas finais seguidas. A presença dos dois times no topo acabou gerando um dos melhores games esportivos de todos os tempos, o Lakers Vs. Celtics da Electronic Arts. Foi aí que o a hegemonia esportiva da EA teve início, e foi aí que a indústria de games se deu conta de que games de esportes com bola poderiam ser um bom negócio.

Eu particularmente joguei muito esse game. Mas sou velho, não se esqueça.

Se os Lakers ganharem, a festa vai tomar conta das ruas de L.A.. Se eles perderem, o pau vai comer solto. Ou isso, ou algo bem parecido. De qualquer forma, a área central de Los Angeles não passará incólume pela final da NBA.

E enquanto a torcida vai chegando ao Staples, toda indústria estará dando adeus a mais uma E3 a uma das mais estranhas de todos os tempos, ou pelo menos desse período que eu venho cobrindo a feira, desde 2000.

Por que estranha? Explico mais tarde. Vou precisar de tempo e conforto para discorrer sobre o tema. E daqui meia hora tenho uma session de Kinect marcada ali no estande da Microsoft. Não vou querer perder essa, porque já perdi um compromisso hoje (sem comentários), tudo por causa da loucura que já está o tráfico da cidade por causa do jogo de basquete. Ruas fechadas, carros de polícia, equipes de TV, gente procurando ingressos… E tem quem reclame de dias de jogo no Pacaembu.

Estou devendo aqui minhas palavras sobre as conferências da Nintendo e da Sony; o review da experiência com o Nintendo 3DS; a transcrição da entrevista com Mark Wentley, o homem da Nintendo of America para o Brasil; minhas opiniões sobre o Kinect e o PlayStation Move; meu review do funcionamento do modo Pro de Rock Band 3, com a guitarra de verdade; e, posteriormente, o melhor e o pior da feira como um todo.

Vou tentar postar ao longo dos dias, se o tempo deixar, se o Lakers não me fizer perder mais compromissos…

Ah, e mencionei que hoje na hora do almoço tem jogo do México contra a França? E você sabe o tamanho da comunidade mexicana na Califórnia, certo? Então imagine comigo como estará o clima geral hoje de Los Angeles. Que os anjos continuem olhando para a cidade…

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2010, Tudo ao mesmo tempo Tags:
16/06/2010 - 18:01

E o PlayStation 3 no Brasil, por que não sai?

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Sobre o PlayStation 3 e a rede PSN no Brasil, você quer saber?

Então, a Sony não mencionou nada sobre o assunto durante a E3 simplesmente porque não há nada a ser comentado. E não há nada a ser dito porque a situação já não está mais nas mãos da Sony.

Explico: toda vez que um novo produto de tecnologia é lançado no Brasil, ele precisa passar por testes antes de ser lançado no mercado. Quem cuida da certificação é a Anatel, Agência Nacional de Telecomunicações (cometi um ato falho aqui, obrigado a quem me corrigiu). Explicando rápido, eles fazem testes nos novos produtos, para certificar que não irão pegar fogo, explodir, emitir ondas nocivas, quebrar repentinamente, entre tantos outros “acidentes”. Se o produto em questão estiver de acordo com as normas brasileiras, ele é enfim liberado para venda. Pode demorar, dependendo do produto. Um novo modelo de celular, por exemplo, leva 30 dias para ser testado e aprovado. Produtos mais complexos podem levar muito mais tempo. Como os videogames, por exemplo.

No caso, é o que está acontecendo com o PlayStation 3 no Brasil. Ele está em processo de aprovação pela Anatel. E sabe-se lá quando será liberado para venda.

Quando acontecer, ninguém estará mais interessado em divulgar a notícia do que a Sony Brasil. E se estiver tudo nos conformes, é claro que poderemos aguardar para breve a legalização da rede PSN no Brasil. Uma coisa levaria à outra, certo?

Uma boa notícia divulgada pela Sony aqui na E3 é que os próximos lançamentos “triple A” devem ser lançados no Brasil simultaneamente aos EUA. Isso inclui jogis como Gran Turismo 5 e LittleBig Planet 2. Está aí uma boa nova.

Mais sobre o tema, em breve, aqui.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2010, Tudo ao mesmo tempo Tags: , ,
16/06/2010 - 01:04

Xbox Live no Brasil – a saga: o que sabemos (até agora)

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A Microsoft acabou de reunir a imprensa dos nove países agraciados com a notícia da chegada da rede Xbox Live para falar sobre o tema.

fomos chamados de “emerging markets”. Mercados emergentes. É um belo nome.

É o fim o primeiro dia oficial de E3 2010. Estamos todos cansados, exaustos, mas fomos lá para o Marriott Hotel, em uma sala bem escondida, escutar o que os caras tinham a dizer. Não foi falado muita coisa além do que já sabíamos. Primeiro, falaram os representantes da Microsoft norte-americana. Só apresentaram o funcionamento da rede – como se já não soubéssemos. Mas aí, depois, cercamos o Guilherme Camargo, gerente de marketing a MS Brasil, e o torturamos até ele soltar tudo o que sabe.

É mentira. Fizemos isso sem violência alguma. Mas ele falou.

– A versào brasileira da Live irá estrear no fim do ano. “Holiday”, conforme especificaram os gringos. Ou conforme me passou uma outra fonte, alguns vários dias após o lançamento do Kinect nos EUA (que será em 4 de novembro). Mas será ainda em 2010. Ou seja, você terá chance de jogar online no Natal. Não confunda com Project Natal. Esse, a gente não sabe ainda quando vai sair por aqui. Mas vai.

– O preço da anuidade do Xbox LIve Gold não foi definido, mas deve ser compatível com o que é cobrado nos EUA. Aqui (lá, dependendo de onde você estiver) é cobrado US$ 50. Então aqui deve ser algo semelhante, de acordo com a nossa realidade. Meu chute otimista? R$ 99. Pessimista? R$ 149. Deve ficar entre esses dois valores. Mais é abuso. Menos é surpreendente.

– A sua conta de Xbox Live Gold obtida por baixo dos panos não deixará de existir: a migração de seus pontos e reputação deve acontecer – pelo menos é isso que a Microsoft deseja. Provavelmente teremos que criar uma conta nova, com endereço brasileiro, tudo nos conformes. Mas eles devem arrumar um jeito de transferir tudo o que você já obteve na conta “antiga” para esta novinha em folha. Esta é a intenção do fabricante, para não deixar ninguém desanimado por ter que começar tudo do zero.

– O conteúdo relacionado a games disponível hoje na Live estará disponível para os brasileiros. Ou seja, poderemos baixar demos, atualizações, novas fases, músicas de Guitar Hero e tudo o mais. Filmes no Netflix, não – afinal, esse serviço não existe no Brasil. Sobre conteúdo nacional – ou seja, capítulos de séries, programas, esportes, novelas (vai saber) -, isso ainda está em estudo pela Microsoft Brasil. “Em um primeiro momento, não”, disse Camargo. Mas eles já estão conversando com possíveis parceiros de conteúdo. O que estará disponível no Brasil írá depender dos acordos conseguidos pela Microsoft Brasil com os fornecedores.

– O novo modelo do Xbox 360, fininho, pronto para o Kinetic, com Wi-Fi e 250 GB de HD, vai sair no Brasil também (ainda não há data, mas deve ser no fim do ano). Como é considerado um novo produto, ele primeiro deverá passar pelo crivo da Anatel, que controla o lançamento de produtos com capacidades online no Brasil. Por conta disso, os modelos disponíveis atualmente deverão ganhar uma redução muito em breve. Nos EUA, os modelos normais já ganharam uma redução de US$ 50. No Brasil, o preço irá cair também. Não foi dito ainda quanto, mas vai cair.

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Faltou alguma coisa? Me pergunte, talvez eu saiba e esqueci de mencionar. Agora tenho que correr. Tem a festa da Nintendo para a América Latina. E dada a escassez de eventos da Sony e Microsoft, é bom a gente aproveitar.

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15/06/2010 - 07:35

A Ubisoft quer fazer você sentir

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Já a Ubisoft deixou claro que quer revolucionar sempre.

Se há espaço para exploração de algum novo segmento, pode ter certeza que será a publisher francesa a primeira a mostrar uma novidade. Na coletiva de imprensa que rolou nessa seguna, logo após a da EA, a Ubi gastou seu tempo para mostrar serviço – seja explorando franquias, seja fugindo do formato tradicional que se espera de uma empresa de jogos de videogame.

Começaram bem, com o produtor popstar Tetsuya Mizuguchi apresentando sua mais nova maluquice – Child of Eden, um jogo de tiro cheio de frufrus que utiliza o Kinect do Xbox 360. Mizuguchi, um japonês com gosto exótico para roupas e chegado a sons e cores impactantes (Rez, Meteos e Lumines, suas criações mais famosas, que o digam), sempre consegue admiradores por onde passa. Fazendo ele mesmo a demonstração de seu game – imagine Geometry Wars jogado com as mãos vazias, ainda mais psicodélico, ligado em 220 V e embriagado de energético -, o cara ganhou aplausos merecidos. E ainda reforçou a fama de gente fina ao final do evento, quando saiu cumprimentando todo mundo que chegava perto.

“Vocês são do Brasil? Nunca fui para lá. Eu gostaria”, ele me disse. Pode vir, Mizuguchi. Se for durante o Carnaval, garanto que não lhe faltará oportunidade para ganhar mais inspiração.

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Daí os fanboys berraram felizes com Assassin’s Creed: Brotherhood, que está lindo, vistoso, tem multiplayer e promete muito. E teve Ghost Recon: Future Soldier, que é só para quem gosta (mas mesmo assim, é interessante). E mais um game estrelado pelo Shaun White, o “flying tomato”, campeão de snowboarding que também se mete a esmerilhar no skate. O rapaz é carismático e promoveu a demonstração de Shaun White Skateboarding, game que pega o que a série Tony Hawk cansou de fazer na geração anterior de consoles e adiciona um toque de fantasia. E não poderia faltar a coelhada demente de Raving Rabids no bizarro Travel in Time para o Wii. Foi a hora em que eu dei risada de verdade.

Houve tempo para ressuscitar jogos que ninguém mais se lembrava que existiam: Driver voltou, agora em San Francisco e com o mesmo herói de antes (o galã Tanner), mas com uma jogabilidade irreal que fiquei na dúvida se vai colar. O desmembrado Rayman voltou à vida em Rayman Origins, que deve ganhar prêmios como o jogo com direção de arte mais caprichada da E3 2010.

A Ubisoft também se preparou para o Kinect: é dela o game mais impressionante dessa nova safra, o Your Shape: Fitness Evolved, uma espécie de Wii Fit hiper-realista para quem quer ficar em forma sem abrir mão de jogar seus joguinhos. Já a série esportiva Motionsports não parece lá essas coisas – insisto que parece muito esquisito essa história de jogar bola chutando o ar.

Mas foi fugindo dos videogames que a Ubi mais nos deixou com as orelhas em pé: a bizarrice ficou por conta do Battletag, um game… que não é game. Está mais para brinquedo, mas tudo bem. Sabe aqueles jogos de tiro de shopping center, os Lasertags? É isso mesmo – arminhas de brinquedo com sensores para brincar de atirar no companheiro. O videogame em si serve como o “gamemaster” da experiência: o jogo determina objetivos, dá as regras e conta os pontos, enquanto os jogadores saem pela sala distribuindo tiros invisíveis – tudo bem longe da tela da TV. 

O outro “não jogo” é o Inner World: consiste em um sensor que é “plugado” ao dedo da mão do jogador sedentário. Após a medição do status físico do usuário, o game propõe exercícios respiratórios relaxantes que visam repor energias gastas e melhorar a qualidade de vida. Não entendi se é um game, um acessório ou um brinquedo sério, mas a frase do produtor deixou a pista: “não é um game para se divertir, mas para fazer você se sentir bem”. A iniciativa faz parte da nova filosofia da empresa, baseada no mantra “games you can feel” (jogos para sentir), que procura explorar outras partes do corpo (e da mente) na busca pela interação virtual. A Ubisoft é mesmo cheia de ideias mirabolantes. Esses franceses…

O melhor, é claro, ficou para o final. Dançarinos adentraram o recinto e a batida inconfundível não deixou dúvidas: Michael Jackson voltou aos games. Nada foi revelado ali sobre do que se trata o jogo, mas não importa. O Rei do Pop, que deixou este planeta há quase um ano, deve estar fazendo moonwalks de satisfação com a ideia de voltar a ser um herói virtual. É mais um jogo de dança, e o mais óbvio de todos, mas deixou uma sensação boa no ar. É como se um game desses já existisse há tempos nos corações dos fãs. E a Ubi reforçou sua habilidade de capturar ícones mundiais e eternizar no universo virtual – tal qual fez com o Pelé em Academy of Champions.

Pode escrever o que estou falando (e vice-versa): a Ubisoft ainda vai durar muito. Onde houver espaço para revolução, eles estarão lá, fazendo primeiro. Talvez nem sempre acertando, mas constantemente tentando.

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15/06/2010 - 07:29

A Activision quer ser a melhor do mundo (gastando muito dinheiro para isso)

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A Activision há tempos se diferencia das outras produtoras de grande porte.

É moderna, ousada, explora relativamente bem suas franquias mais fortes. E gasta dinheiro como nenhuma outra empresa atualmente tem coragem de fazer.

Não que eles não possam fazer isso. A produtora americana cansou de ganhar dinheiro com seus Guitar Heros ao longo dos anos. E gosta de gastar seus lucros de maneira esperta – com marketing inteligente, e se associando a grandes figuras pop para ganhar crédito na praça. Ah sim, e fazendo uns games legais de vez em quando.

Uma mostra dessa diferença foi a maneira com que a empresa divulgou suas novidades nesse último dia antes do início da E3. As concorrentes fizeram coletivas de imprensa caretas em teatros embolorados do centro de Los Angeles. A Activision exagerou e foi na contramão: alugou o ginásio Staples Center (a casa do Los Angeles Lakers), montou um palco suntuoso, caprichou na iluminação e nos fogos de artifício, liberou a cerveja e convidou todo mundo que podia. Havia milhares de pessoas ali, entre vips, celebridades locais, jornalistas e amigos dos amigos. E para entreter esse povo todo, contratou mais artistas do que se pode contar nos dedos das duas mãos.

Claro, a intenção era fazer barulho sobre os novos games. E o povo até aplaudia as aparições dos novos produtos, e batia palmas e gritava quando os artistas afirmavam “a Activision faz os melhores games do mundo, não é, pessoal?!”. Mas estava todo mundo ali para beber de graça e conferir alguns shows exclusivíssimos que só a loucura surreal da E3 é capaz de proporcionar.

Nenhuma outra produtora teria culhões de investir tanto em uma única festança. A Activision, ao que parece, não está preocupada em parecer exagerada. Cada novo game exibido era brindado com um show de um artista diferente. Para celebrar DJ Hero 2, colocou logo DJs de alto nível para fazer barulho – deadmau5, Z-Trip e David Guetta fizeram a moçadinha jogar as mãos para cima. Na hora do trailer de Guitar Hero: Warriors of Rock, rolou uma versão orquestrada de “Black Hole Sun” do Soundgarden com o próprio Chris Cornell gastando o gogó, mais um show corretíssimo do Jane’s Addiction e uma performance emocionante de “Bohemian Rhapsody” (do Queen) cantada pelo Maynard James Keenan, vocalista do Tool, e com Billy Jowerdel do A Perfect Circle na guitarra. Coisa fina.

E não foi só isso: teve show bonito do Usher (“A Activision sabe fazer as coisas grandes, não é?”, ele provocou). Teve barulheira do N.E.R.D. para embalar o vídeo bacana de True Crime: Hong Kong. Teve até o Tony Hawk e amigos fazendo performances para divulgar o interessante Tony Hawk Shred (em cel-shading, que legal). Hawk se desculpou, dizendo que estava prevista uma session de skate para o evento, que acabou adiada por problemas na rampa que seria montada ali. Nem precisava. Aí sim, seria too much.

E o gran finale foi com o grande game da Activision na E3: Call of Duty: Black Ops. E o convidado da noite é um velho conhecido dos eventos da empresa (ele também se apresentou na festa do ano passado, ao lado de Jay-Z): Eminem, o MC branco mais celebrado deste lado do hemisfério. Com Travis Barker (do Blink-182) espacando a bateria de maneira apaixonada, o rapper fez um show absurdo, no bom sentido. Teve até participação especialíssima da bela Rihanna (umbrella-ella-ê-ê), de pernas de fora e cheia de sorrisos. Na música que encerrou o show, a vencedora de Oscar “Lose Yourself”. E quando ninguém esperava (eu já quase cochilava na poltrona), fogos de artifício foram disparados por todo o Staples Center. Não qualquer rojãozinho: eram simulações sonoras de bombas, mísseis e metralhadoras, que deixaram um cheiro de pólvora no ar e a sensação de que esse louco mundo dos videogames se torna a cada ano mais e mais poderoso e necessário.

E claro, muito disso é por causa da Activision. Esses caras sabem seriamente brincar.

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Tenho vídeos, mas postarei ao longo da semana. Agora, só preciso dormir algumas horas. Daqui a pouco tem Nintendo, Sony… e Brasil na Copa do Mundo. Façam suas apostas.

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