Publicidade

Publicidade

Arquivo da Categoria Cobertura E3 2009

11/05/2010 - 17:13

Entrevista da Semana: Shigeru Miyamoto (Nintendo)

Compartilhe: Twitter

“O maior criador de games de todos os tempos”.

A informação é inquestionável, até mesmo pela concorrência: Shigeru Miyamoto, designer japonês de sorriso fácil, tem no currículo uma lista de proezas, da criação de ícones do entretenimento digital – Super Mario, Donkey Kong e Zelda, entre muitos outros – à elaboração dos principais recursos técnicos apresentados nos consoles Wii e Nintendo DS. Aos 57 anos, ele representa a cara da Nintendo, assim como Steve Jobs está para a Apple e Bill Gates para a Microsoft – com a diferença de que Miyamoto não é o dono, mas um dos mais antigos e ilustres funcionários da tradicional fabricante japonesa de videogames.

Em junho próximo, na Electronic Entertainment Expo (ou E3, em Los Angeles), Miyamoto se prepara para apresentar uma revolução tecnológica à altura do que planejam as concorrentes Sony e Microsoft. O peso da responsabilidade, Miyamoto descarta sorrindo: “Não tenho tempo de pensar se cometi erros. Minha energia está sempre direcionada para frente, em como posso criar algo realmente novo”.

A conversa a seguir foi realizada durante a E3 2009, em junho do ano passado. Me foi concedido o direito de entrevistar Miyamoto individualmente durante 20 minutos, com a ajuda de um intérprete norte-americano (aliás, o mesmo que participou da primeira entrevista que fiz com o japonês, em 2005).  Miyamoto entende as perguntas em inglês, mas prefere respondê-las em japonês para evitar desentendimentos (ou por pura frescura, vai saber). Quando entrei na sala toda branca, ele brincava de disparar flechas em Wii Sports Resort e continuou fingindo estar mais interessado no game do que na entrevista que estaria para começar. Perguntei se ele se lembrava de mim, de quatro anos antes, e ele fez o “oooown” característico dos japoneses meio que concordando, meio que não fazendo ideia do que eu estava falando (normal, imaginei). O tradutor sim, esse se lembrou de mim e até chegou a brincar: “Quando vi na lista que receberíamos o Mr. Miyazawa, fiquei pensando se era algum executivo da Nintendo japonesa que eu não conhecia! Aí me dei conta que seria você”. Dei risada. Que honra. Lá no canto, o copiloto Gus Lanzetta filmava tudo.

Antes de se sentar para receber as perguntas, Miyamoto pediu “Só mais uma flecha!”, e disparou na mosca, dando risada. Só então ele largou o joystick e me encarou pronto para a sabatina. Faz parte do show dele, e eu sabia disso. O tempo estava apertado, Miyamoto não fazia muita questão de se apressar, mas ninguém reclamou, nem mesmo a assessora extremamente tensa – são os privilégios que se tem quando se é o maior de todos.

A seguir, a íntegra da entrevista, traduzida direto do inglês. Quisera eu um dia poder traduzir essa entrevista (e a anterior) direto do original em japonês. Se alguém um dia se habilitar, disponibilizo os arquivos. Nas respostas que deu, Miyamoto comentou sobre o futuro da indústria do entretenimento, comentou sobre a relação dos games com a indústria musical e relativizou as comparações com outros rock stars mais famosos. E vale lembrar que uma versão dessa entrevista foi publicada na edição 44 da revista Rolling Stone Brasil, que já está nas bancas. Prestigie!

***

Gamer.br: Por que você acha que as pessoas gostam cada vez mais de videogames? Você acha que esse interesse crescente, o amor pelos jogos, está fadado a acabar um dia?
Shigeru Miyamoto:
Sabe, no Japão houve um momento em que o mercado de mangás começou a recuar. As pessoas não demoraram a dizer que era o fim dessa indústria e que ela nunca iria se recuperar. É claro que não foi o que aconteceu: houve uma mudança no conteúdo das histórias, e hoje esse setor está mais forte do que jamais esteve. Eu acho que algo semelhante está acontecendo com o entretenimento interativo, e em consequência, com os videogames. Acho que os jogos eletrônicos continuarão a existir, só que haverá uma mudança no papel dos videogames e também uma evolução no conteúdo proporcionado por eles. Mas a indústria, em si, irá continuar.

O futuro do entretenimento interativo está inteiramente nas mãos das grandes empresas, como Nintendo, Sony e Microsoft? Ou isso será responsabilidade de alguns poucos indivíduos como você?
SM:
Eu acho que são as duas coisas, na verdade. Quero dizer, eu enxergo as empresas como grupos de indivíduos, e acho que as produtoras de games são talvez diferentes estruturalmente, se comparadas às empresas tradicionais. Mas você sabe por que as produtoras de games são fundadas? É porque são formadas por grupos de indivíduos que não conseguem realizar o que desejam sozinhos, então eles se reúnem para juntos alcançar os objetivos comuns. Falando especialmente sobre a Nintendo: é um grupo de pessoas que realmente quer inventar e desenvolver coisas únicas e criativas. Então, é uma empresa, mas é quase como se agisse como um indivíduo único.

Nossa primeira entrevista foi há quatro anos, e perguntei sobre o fato de você ser um rock star da indústria dos games, que é reconhecido pelas pessoas, dá autógrafos… Isso mudou? Você acha que os produtores de games, assim como os caras de empresas de tecnologia como o Google e o YouTube, são as celebridades da geração do futuro?
SM:
Bem, eu não sei. Se vamos nos tornar os rock stars dessa geração, ou os próximos rock stars, é bom que a gente comece a ficar mais bonito, se vestir melhor, todas essas coisas [risos]. Sei lá. É que artistas são pessoas que brilham quando fazem arte. Criadores de games são pessoas que brilham de uma maneira diferente. A maneira com que interagimos com nosso público é através das mídias em que criamos os produtos, mais ou menos da mesma maneira como os escritores e os livros que escrevem. Mas mais do que ver os criadores e produtores de games se tornando celebridades, eu só prefiro ver eles se tornarem cada vez mais criativos. E eu não tenho nenhum problema com o fato de as pessoas apreciarem o trabalho dos criadores de videogames e se tornarem fãs deles. Absolutamente. Eu acho tudo ótimo. Na verdade, sou muito grato de existir gente que goste tanto de nosso trabalho.

E essa história de que os videogames serão a salvação da indústria musical, com games como Guitar Hero e Rock Band? Os games são mesmo a salvação da indústria?
SM:
Eu não sei, é uma boa pergunta. A indústria está mesmo precisando ser salva? O assunto está muito em voga atualmente. Como um criador de games, a música obviamente faz parte de nosso trabalho. Estamos sempre procurando descobrir qual musica é mais adequada para nossos jogos, ou maneiras de fazer a música se relacionar com os games. Mas não acho que está em questão a maneira como nós podemos “salvar a indústria”. Na verdade, eu não tenho pensado muito nisso.

Seus interesses pela música mudaram com o passar dos anos? Você tem tocado mais guitarra, experimentado mais instrumentos, ou quase não tem tido tempo pra isso?
SM:
Eu tenho continuado a tocar, sempre que consigo.

A Rolling Stone norte-americana recentemente chamou você de “o Bob Dylan dos videogames”. O que acha desse apelido?
Nem sei como considerar isso… [risos]. Mas esse tipo de comparação pode ser um pouco ofensiva para o Bob Dylan. Afinal, Dylan é um deus.

Você também já foi chamado de “o Walt Disney dos games”. O que pensa desse tipo de comparação?
SM:
Eu não fico lá muito confortável com essas comparações.  É uma daquelas coisas que, sei lá, nem sei bem como reagir a isso. Por exemplo, se eu me mostrar muito feliz com esse tipo de comparação, posso ser percebido como arrogante ou coisa parecida. Mas se eu digo que não gosto da comparação, é quase uma frustração, como se não houvesse boa resposta para isso. O fato é que as pessoas adoram fazer essas analogias, não é mesmo?

Você acha que os videogames podem realmente mudar o mundo, ou sempre serão apenas e somente mais uma forma de entretenimento?
SM:
Fundamentalmente, sim. Os videogames são uma forma de entretenimento. Mas, pessoalmente, eu procuro criar jogos que não tornem o mundo um lugar pior. E procuro manter isso sempre na cabeça quando estou criando.

Que tipo de jogos você acha que os meus netos estarão jogando daqui uns 50 anos?
SM:
Eu não sei se as coisas serão assim tão diferentes. Tem tantos jogos clássicos que continuam consagrados e são jogados atualmente. Veja o New Super Mario Bros Wii, por exemplo. As pessoas ainda jogam Tetris! A minha esposa continua a jogar Dr. Mario, todos os dias. Esses games antigos continuam a existir, agradam e ainda possuem apelo. Então, o que teremos daqui 50 anos será totalmente influenciado pela tecnologia usada nas TVs e computadores e vai muito depender de qual mídia for a determinante no momento.

É permitido aos gênios cometer erros? Se um jogo que você ajuda a desenvolver não alcança o sucesso esperado, como você reage pessoalmente? É mais difícil para você lidar com o fracasso?
SM:
Bem, talvez seja o jeito que eu trabalho, mas não tenho tempo de pensar que cometi um erro aqui ou ali, estou sempre pensando adiante sobre o que posso fazer para criar algo realmente novo. Minha energia está sempre direcionada para frente, ao invés de refletir alguma critica que meu trabalho levou. Antes de um game ser lançado, porém, nós realizamos diversas discussões internas sobre o que poderíamos ter feito, ou sobre coisas que gostaríamos de ter realizado – talvez não exatamente admitindo erros, mas citando coisas que teriam sido interessantes de fazer. Temos esse tipo de conversa o tempo todo.


Veja o paradigma da indústria dos games: de um lado, temos empresas que querem tornar as coisas mais difíceis para o jogador, em se tratando da experiência de jogo. Do outro, temos empresas interessadas em facilitar a vida dos jogadores – a Nintendo, por exemplo. Qual seria o equilíbrio perfeito entre esses dois caminhos?

SM:
Realmente, esta é uma grande questão. Atualmente temos games – como New Super Mario Bros. e Wii Sports Resort – que servem a ambos os casos: para pessoas que simplesmente querem pegar o jogo, jogar cinco, dez minutos e pronto; e também são ideais para pessoas que querem realmente tirar um tempo para jogar de verdade, sozinhas, realmente mergulhando na experiência. No caso desses dois jogos que citei, acho que realmente chegamos perto de alcançar esse equilíbrio que você mencionou: ambos possuem esse modo para um jogador bem aprofundado, e um modo multiplayer acessível e dos mais divertidos.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2009, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , ,
09/09/2009 - 17:40

Entrevista da Semana: Alex Rigopulos (Harmonix)

Compartilhe: Twitter

Chegou o 9 de setembro de 2009.

E com isso, chegou The Beatles: Rock Band. Se você está ansioso pelo game, já deve provavelmente estar jogando nesse momento. As vendas devem chegar às alturas e toda a mídia irá mencionar os nomes de John, Paul, George e Ringo de uma forma ou outra. E aqui, não poderia ser diferente.

Hoje, para coroar o dia especial, publico a última entrevista especial relacionada ao game. A Entrevista da Semana do Gamer.br apresenta Alex Rigopulos, o CEO da Harmonix, e o homem responsável pela criação de Guitar Hero e Rock Band. Hoje, ele é o homem que responde pelo sucesso (ou improvável fracasso) de The Beatles: Rock Band. Para quem não sabe, foi a Harmonix que idealizou o primeiro e o segundo Guitar Hero, antes de ser comprada pela MTV. A partir daí, Rigopulos investiu na ideia de um game que ampliasse o alcance de seu primeiro sucesso. Nascia Rock Band. Para chegar ao game dos Beatles, foi questão de pensar grande e conhecer as pessoas certas, conforme você verá na conversa abaixo.

O papo com Rigopulos rolou por telefone, exatas duas semanas antes do famigerado 9/9/9. O homem estava tenso pelo lançamento eminente, mas falou com tranquilidade sobre o processo de criação, o contato próximo com os Beatles sobreviventes (e suas viúvas), relembrou o passado, desdenhou a concorrência e deu pistas sobre o futuro da música nos games. É provavelmente a maior entrevista já postada neste site (será que eu deveria ter quebrado em duas partes?). Vejamos. E vale lembrar que o resultado de todos esses papos relacionados ao game resultaram em uma matéria especial que recheia a edição 36 da Rolling Stone Brasil, que chegou hoje nas bancas. Qual a capa? Os Beatles, lógico.

Tire uns 15 minutos de folga, leia até o fim e não deixe de comentar no final. E bom dia Beatles para você.

***

Gamer.br: Fale sobre você: quando os games musicais passaram a fazer parte de sua vida? Você é um dos criadores da franquia Guitar Hero. Depois de sair da faculdade, como acabou fundando sua própria empresa?
Alex Rigopulos:
Bem, eu estava me graduando no MIT em composição musical. Estávamos lá, e eu meu sócio e co-fundador, Eran Egozy. Começamos a trabalhar juntos e ficamos bem empolgados com a ideia de inventar novas maneiras para caras que não são músicos sentirem como é fazer música. Não havia jogos musicais naquela época, muito menos esse business de “música interativa”. Então, arrumar um emprego em algum lugar não era nem mesmo uma opção. Abrir uma empresa era a única possibilidade disponível. Nós nos sentíamos tão igualmente apaixonados por essa missão que fundamos a Harmonix logo após o fim da faculdade, há quase 15 anos, em 1995.
Na verdade, nos primeiros anos, nós não criamos games musicais, mas softwares interativos de diversos tipos. Era o final dos anos 90, e os primeiros games musicais estavam surgindo no Japão. Foi aí que percebemos que misturar videogames com o conceito de fazer música era a maneira de realizar o que imaginávamos, mas em um âmbito muito maior. Só então começamos a criar games musicais, no início dos anos 2000.


Como você e o Eran Egozy dividem funções?
AR:
Eran é o Chief Technical Officer, o que significa que ele é o responsável pelos aspectos tecnológicos do desenvolvimento dos games. Todos os programadores da empresa respondem a ele. Eu e ele dividimos a responsabilidade pelo gerenciamento geral da empresa, só que eu estou mais focado no lado business da coisa, e também no design. Nós também temos uma terceira pessoa, o Greg LoPiccolo, que é o Chefe de Desenvolvimento de Produtos, e também é bastante focado no design de nossas ideias.

Era óbvio para você, durante a produção do primeiro Guitar Hero, que vocês deveriam fazer um game de banda inteira, e não de apenas um instrumento? Quando esse fato se tornou claro?
AR:
Bem, a gente sonhou com a experiência completa durante muitos anos. Mas você tem que se lembrar que, antes do sucesso de Guitar Hero, games musicais não eram bem sucedidos nos Estados Unidos. Além disso, jogos com acessórios não faziam sucesso de uma maneira geral por aqui. Então, combinar esses dois tipos de jogos em um só… Parecia insanidade só pensar em games musicais com acessórios. Por conta disso, pensar em um jogo com diversos instrumentos era algo além de insano. O que foi importante para nós foi estabelecer desde o início um gênero, para daí criar coisas mais loucas com essa experiência. Mas eu diria que o sonho de um game completo já vem de muitos e muitos anos antes de Guitar Hero, mas não era algo prático ou viável de ser considerado até após o sucesso do primeiro game.

Os jogos Guitar Hero agora são verdadeiros rivais de Rock Band no que diz respeito a jogabilidade, recursos e conteúdo. Você acredita que cada franquia atinge alvos diferentes? Dá para compará-los?
AR:
Bem, acho que certamente há um mercado comum em que estamos mirando. No que diz respeito à sensibilidade da seleção musical, há algumas diferenças. Ou também talvez dê para dizer que os jogos Guitar Hero têm um foco maior no hard rock e no heavy metal, enquanto o Rock Band é mais mainstream, focado em um rock menos pesado. Do ponto de vista da jogabilidade, nós sentimos que Rock Band receber as melhores avaliações. Então, se compararmos os jogos em si, tudo é favorável a Rock Band. Na questão das músicas oferecidas, nós temos mais de 800 músicas jogáveis nos games da série, e o número irá ultrapassar mil até o fim do ano. Acredito que à medida que lançarmos a Rock Band Network, o número pode explodir para vários milhares rapidamente. Na questão do conteúdo, portanto, Rock Band também supera Guitar Hero. Apenas sob um ponto de vista comparativo, acho que através dos últimos dois anos conseguimos lançar uma nova franquia contra uma franquia já estabelecida e chegamos a uma posição competitiva muito forte. Teremos boas histórias para contar nos próximos anos.

Já sabemos que criar The Beatles: Rock Band foi um esforço tremendo que levou muito tempo e trabalho. Dá para descrever esse esforço? Quando foi o momento em que você pensou: “Ok, talvez não seja uma ideia tão maluca, talvez dê certo?”
AR:
Bem, como você disse, foi um processo longo. Tudo começou há quase três anos. Foi durante as férias de Natal de 2006. Meu chefe, o Van Tofler, presidente do MTV Music Group, estava de férias em algum lugar do Caribe. E acontece de ele ser amigo da família de George Harrison, da Olivia, a viúva, e o filho dele, Dhani, que também estavam em férias no mesmo lugar. Eles estavam jantando em uma noite qualquer, e Dhani disse que não havia dormido bem na noite anterior, porque havia passado horas jogando Guitar Hero 2. A MTV havia comprado a Harmonix alguns meses antes, então Van disse a Dhani: “Ei, nós acabamos de comprar a empresa que criou esse game”. Então Dhani respondeu: “O próximo game que esses caras tem que fazer precisa ter todos os instrumentos e se chamar ‘Rock Band’”. É claro, ele não sabia, mas aquele era exatamente o game no qual estávamos trabalhando em segredo e nem havíamos revelado ao mundo. Daí a reação do Van foi: “Dhani, você precisa conhecer os caras da Harmonix!”

O nome do jogo de vocês já era Rock Band?
AR:
Sim, exatamente. Daí, uns dois meses depois, eu e Dhani finalmente fomos apresentados. Naquele momento, estava tudo muito no início, não havia conversas sobre um game dos Beatles nem nada, estávamos apenas nos conhecendo. Bem no início desses papos, quando estávamos fazendo brainstorms para o Rock Band, a ideia surgiu: seria incrível fazer um jogo inteiramente baseado na música dessa banda. Nós dois imaginamos como seria maravilhoso, mas que jamais iria acontecer. O que não quer dizer que não poderíamos tentar. Então ele e Olivia apresentaram a Harmonix MTV para a Apple Corps, que rapidamente trouxeram para a conversa todos os “shareholders” da empresa, ou seja, Yoko Ono Lennon, e claro, Paul e Ringo. Primeiro, todos discutimos sobre como esse projeto seria. A partir dali, passou pelo menos um ano até resolvermos todos os desafios tecnológicos e refinar a visão criativa do grupo, para só então chegarmos ao ponto de dizer: “Estamos prontos para começar”. Só então o projeto oficialmente levantou voo. Depois daí, levou mais um ano para criar o game em si.

E os desafios logísticos? Tipo, como foi para encontrar Paul, convencer Yoko a participar, e por aí vai?
AR:
Bem, primeiro de tudo, a pior e mais significativa dificuldade técnica foi: a Apple Corps deixou claro que se a gente quisesse criar um jogo, ele deveria cobrir toda a carreira dos Beatles, não apenas o material “mais recente”. O desafio foi que, por causa da interatividade sonora e do fato de o jogador tocar vários instrumentos, nos precisaríamos das trilhas separadas das músicas originais. E o material mais antigo dos Beatles não existia nesse formato – os instrumentos eram todos gravados em um único canal, o que tornava impossível criar essa interatividade. Desde o início nós já tínhamos esse enorme questão: como isolaremos os instrumentos em canais independentes se foi tudo gravado em uma única trilha? Foi quando nos apresentaram Giles Martin, que é filho de George Martin, que na condição de engenheiro de som no estúdio Abbey Road, desenvolveu uma tecnologia que criava o isolamento de cada instrumento. Não havia esse tipo de tecnologia naquele tempo, então mesmo antes de começarmos uma conversa mais definitiva com a Apple Corps, isso tinha de ser resolvido. Conseguimos resolvê-la no fim das contas, o que acabou abrindo as portas para uma conversa criativa posterior.
Além disso, é claro, quando você fala de projeto que é uma colaboração entre Harmonix, MTV, a Apple Corps e os quatro shareholders, é óbvio que há uma carga substancial de esforço. Mas foi um verdadeiro privilegio embarcar em uma colaboração criativa com eles. E o fato de eles terem participado ativamente que fez o game muito melhor do que poderia ser. Foi trabalho duro, muito duro mesmo.

Quer dizer que se Giles Martin já não tivesse já trabalhado nas músicas do musical Love, o trabalho teria sido ainda mais complicado?
AR: Sim, isso mesmo. E o fato de ele já ter feito e criado arquivos digitais de todas as trilhas independentes, de todo o catálogo dos Beatles, e o fato de estar bastante familiarizado com todas as músicas, tudo isso acelerou dramaticamente o processo. O envolvimento de Giles foi imensurável e nos levou ao ponto em que o projeto se tornou possível.

No jogo, os Beatles são “animados”, não exatamente realistas. Eu sei que vocês tomaram um bom tempo para não deixá-los muito realistas ao ponto de ficarem bizarros, não?
AR: Exatamente. De modo geral, quando você está jogando um game, mesmo os mais realistas sempre acabam atravessando esse limite. E nós não queríamos chegar a esse ponto com os Beatles. Foi importante para nós criarmos esse visual mais estilizado que daria individualidade ao jogo e que também se relacionasse ao espírito da banda.

Você se lembra de algum dia durante o processo em que seu lado beatlemaníaco falou mais alto?
AR: Sim, eu diria que a primeira reunião com os shareholders foi assim. Você pode imaginar o que eu sentia quando estava esperando por Paul McCartney entrar na sala [risos]. E os riscos eram altos, porque era tão importante para a equipe da Harmonix que fizéssemos esse projeto acontecer, que dá para imaginar que havia mais do que apenas um nervosismo associado a encontrar o Paul e o Ringo Starr. Havia muita coisa em jogo. Eu diria que um dos grandes momentos para mim, do lado emocional, foi quando assisti a uma das “sequências de sonho” em ação – acho que foi a da música “Here Comes the Sun”. Foi nesse momento em que, jogando o game e assistindo àquela cena, lágrimas começaram a escorrer de meus olhos. Eu percebi que a nossa visão estava se tornando realidade. Foi a primeira vez que pareceu verdade, tipo, que estava realmente acontecendo.

Tive um momento semelhante durante a coletiva da Microsoft na E3. Aliás, como estava a situação ali atrás no backstage, com os Beatles ali?
AR: Na verdade eu não me lembro bem… Nós estávamos todos vindo de lugares diferentes. Era uma produção complicada, então tudo acabou organizado na última hora. Infelizmente não tenho nenhuma história do backstage. Mas foi emocionante para mim também, pode ter certeza.

Dá para dizer que você tem um relacionamento com os caras agora? Você recebeu o que esperava deles?
AR: Eu diria que as participações deles superaram minhas expectativas. Eu não conseguiria imaginar, no início do projeto, que teríamos tanto do tempo e da contribuição criativa deles. Minha expectativa é que talvez eles tivessem um papel mais passivo na produção. Mas foi incrível, uma verdadeira benção para a equipe, que eles dedicassem tanto tempo para o trabalho dar certo.

Você divulgou um texto a respeito de suas frases sobre a Yoko Ono em uma matéria, e sobre como elas foram distorcidas. Você diria que a mídia gosta de reforçar a caricatura negativa dela? Ou as pessoas ainda precisam de um vilão no que diz respeito ao fim dos Beatles?
AR: Bem, é difícil para mim dizer. Na certa, existem alguns fatores relacionados a isso. O fato é que a equipe aqui ficou incrivelmente grata pela participação de Yoko no projeto – foi incrivelmente positivo e realmente nos ajudou a levar o game a um patamar melhor. E sobre minhas frases terem sido descaracterizadas por algumas matérias, acho que algumas pessoas gostam de criar manchetes sensacionalistas. Sabe como é, faz parte do modo que o jornalismo funciona. Nós ficamos tristes em ver a maneira com que esses fatos foram descaracterizados. Eu acho que você está certo: às vezes a imprensa gosta de criar vilões em situações desnecessárias.

A Yoko chegou a falar com vocês sobre isso, houve algum desenrolar na história?
AR:
Eu não posso falar sobre isso mais especificamente, mas o que eu digo é que a MTV e a nós da Harmonix criamos uma declaração pública sobre isso, que foi postada no site da Wired.

Você acha que Paul e Ringo enxergam o game como uma maneira única de trazer os Beatles a uma nova geração de fãs? Ou você acha que houve um tempo em que eles só pensaram que era uma nova maneira de fazer grana, e daí isso foi mudando ao longo da produção?
AR: Bem, é claro que não posso falar por eles. Não sei o que pensaram especificamente… Você teria que perguntar…

Bem que eu gostaria.
AR: [Risos] … Mas já te digo que jamais foi só uma maneira de fazer mais dinheiro. Você sabe bem que os Beatles sempre foram muito protetores em relação à música deles e à maneira com que ela é utilizada. Somado isso tem o fato de que as canções nem estão ainda disponíveis para venda no iTunes, por exemplo. Outro aspecto interessante é que nós nem havíamos falado sobre os aspectos financeiros da relação até termos avançado bastante no projeto. Eles estavam muito focados nos aspectos criativos, para ter certeza de que fosse feito algo que representasse apropriadamente o legado da banda. Esse foi o foco de atenção por um bom tempo, muito antes mesmo de a parte financeira ser discutida.

Quais as expectativas de vendas?
AR: Nós não falamos sobre os aspectos financeiros do negócio. Qualquer pergunta desse tipo precisa ser direcionada para a MTV Games, que controla a distribuição e as vendas.

Você acha que a nova geração de fãs de música ainda precisa de Beatles?
AR:
Com certeza. A música criada pelos Beatles foi a mais brilhante já gravada em todos os tempos, e no meu ponto de vista, sempre haverá espaço para isso, em qualquer geração. Eu me sinto muito privilegiado de poder fazer parte desse processo, de apresentar essa música de uma nova maneira e para uma nova geração de jovens. Acho que será incrível, e que você verá uma resposta fantástica desse público. É claro que os jovens já conhecem os Beatles, mas acho que a música da banda estará pessoalmente próxima deles pela primeira vez na vida. Estou muito otimista sobre como o game irá repercutir com essa geração.

Dá para descrever o vazio que se sente após finalizar um projeto como esse? Digo, o que vem depois dos Beatles? Não dá para pensar já em largar tudo e curtir a vida?
AR: Bem, terminamos de fazer o jogo, mas nem ainda o lançamos no mercado. Essa sensação de conclusão ainda está um pouco distante, mesmo porque, ainda temos planos ambiciosos sobre o para conteúdo para download. Além disso, é claro que já estamos trabalhando em nosso próximo projeto. Eu diria que há um verdadeiro oceano de trabalho criativo na categoria de games musicais, há muito terreno inexplorado sobre o qual estamos bastante empolgados. Há muito trabalho a ser feito. E já estamos trabalhando pesado nisso.

Você diz que há um oceano de possibilidades: e os críticos que dizem que esses games musicais só servem para encher a sala de instrumentos de plástico?
AR: Há muitos analistas financeiros comentando sobre isso, mas é interessante… Nós não temos interesse em vender plástico. Para nós, vender esses instrumentos são um meio para alcançar um objetivo. Acho que se conseguirmos vender os jogos para um público que já possui as guitarras-joysticks, estará ótimo para a gente. Não estamos tão interessados nesse aspecto. O que é interessante para gente é diminuir as fronteiras do entretenimento musical interativo, e acho que há muitas músicas sensacionais que ainda não foram trazidas para os jogos. Também tenho certeza que há muitas novas maneiras de se jogar com a música nos games que ainda não foram exploradas. É nisso que a Harmonix estará trabalhando nos próximos anos.

A Rolling Stone norte-americana nomeou você uma das “100 pessoas que estão reinventando a América”. Você acha que está mesmo?
AR: Eu não me lembro especificamente do que se tratava essa matéria. Mas eu diria que a Harmonix está fazendo o que pode para ajudar a reinventar o entretenimento musical de uma maneira significativa. Uma das grandes razões de nossa existência é evoluir o entretenimento musical em larga escala, o que nesse caso significa fazer as pessoas começarem a brincar ativamente com a música, ou seja, entregar isso de uma forma que seja compreendido como “entretenimento musical”. Se conseguirmos fazer essa mudança em larga escala, seremos bem sucedidos.

De maneira prática, como os games musicais estão mudando a indústria e a maneira como nos relacionamos com a música?
AR: A coisa principal é: quando se curte uma música através de um game, você participa ativamente do processo de composição, se conecta à canção em um nível aprofundado. Você “entra” na música e compreende melhor os elementos usados para criá-la. O que estamos fazendo é conectar as pessoas ainda mais com as músicas que elas amam. Já em um nível mais amplo, em relação ao impacto na indústria musical: acho que o ato de ouvir músicas não vai mudar, muito menos o ato de ir a shows. Essas coisas todas continuarão a existir. Nós estamos criando um novo tipo de experiência que está recolocando o consumo da música como prioridade para as pessoas. Só espero que isso esteja fazendo bem à indústria musical.

Muitos músicos declaram que “as pessoas estão gastando dinheiro com música novamente” graças a games como Guitar Hero e Rock Band. Você acha que as pessoas estão mesmo voltando a gastar com música?
AR: Bem, não sei a resposta para essa pergunta, mas posso falar por experiência pessoal. Muitas pessoas conhecem certas músicas pela primeira vez com o Rock Band e acabam se apaixonando por uma banda, daí compram o CD ou a faixa no iTunes. Eu mesmo já comprei muita música como consequência de conhecer certos artistas através do jogo. Também sei que há uma tendência de, quando uma música é disponibilizada no game, acaba rolando uma grande procura logo em seguida.

Quanto de sua vida mudou após os Beatles aprovarem a criação do projeto. Você diria que era mais feliz antes?
AR:
Como você pode imaginar, o ano passado foi bem estressante, porque as apostas eram muito altas e queríamos ter certeza de que criaríamos o melhor game possível, fazendo justiça a essa música incrível. Sob esse ponto de vista, foi um ano muito estressante. Por outro lado, foi um ano incrível por causa da magnitude da oportunidade e o nosso altíssimo nível de empolgação. Certamente, foi um dos projetos mais estimulantes que já tivemos o privilegio de estarmos envolvidos. Nesse instante, estamos a apenas algumas semanas de lançá-lo e todo mundo aqui não vê a hora de revelar a coisa para o mundo.

Então você diria que, pessoalmente, sua vida não mudou em nada?
AR: Não, não [risos]. Minha vida continua a mesma. De maneira geral, o criador de jogos não é uma celebridade, não assinamos autógrafos por aí. Nós só nos focamos em criar os games. O que dá pra dizer é que, se os videogames continuarem a expandir seu alcance e serem bem recebidos pelo mainstream, é claro que isso nos deixará muito felizes.

Quais são seus sonhos ainda na indústria de games? Quero dizer, você já conquistou grandes coisas, provavelmente o maior game de todos os tempos, mas acredito que tenha seus sonhos pessoais também. Trabalhar com alguém, criar algo diferente…
AR: Bem, acho que primeiro de tudo, uma das grandes oportunidades oferecidas pelo jogo dos Beatles é trazer milhões de pessoas para dentro dos jogos musicais, pessoas que jamais haviam jogado games desse gênero, que foram atraídas pelo apelo dos Beatles.
Agora, sobre sonhos pessoais, não tem nada especifico que eu possa dizer para responder a essa pergunta. [Pensa] Mas quero que a Harmonix continue a fazer novos jogos todos os anos, quero continuar a criar os melhores games já feitos. Continuar a superar os próprios limites e expandir a natureza do que é o entretenimento musical interativo, até um grau em que continuemos satisfatoriamente cumprindo essa ambição, ano após ano. Daí sim, acho que estarei realizando o meu sonho.

E se as pessoas continuarem a considerá-lo um “visionário”? Tudo bem para você?
AR: Bem, se as pessoas pessoalmente continuarem a reagir positivamente ao trabalho que a Harmonix está fazendo, é claro que ficarei muito feliz com isso.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2009, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,
03/09/2009 - 19:48

Entrevista da Semana: Josh Randall (Beatles) – Parte 2

Compartilhe: Twitter

Vamos à nossa dose diária de Beatles?

Conforme o combinado, mas com um dia de atraso (não poderia perder a chance de falar de Guitar Hero ontem), continuo agora a Entrevista da Semana com Josh Randall, o designer principal do aguardado e muito falado The Beatles: Rock Band. Aquele game que sai no dia 9 de setembro de 2009 e é considerado o maior lançamento da indústria do entretenimento em 2009. Sabe qual é? Pois é.

Lembre-se que a parte 1 da entrevista pode ser lida aqui. Neste novo trecho da conversa ocorrida em Los Angeles, em junho passado, Randall entra mais em detalhes sobre a participação dos próprios Beatles no projeto, projeta o legado da banda para as novas gerações de fãs e fala sobre o futuro dos games musicais.

O caminho, você já sabe: leia, pense e comente no final.

***

Gamer.br: Quão perto vocês acham que chegaram dos movimentos e do estilo dos Beatles de verdade?
Josh Randall:
Acho que chegamos bem perto. Esses caras são rockstars conhecidos, estavam sempre no limite da moda. Usavam certas roupas e, um disco depois, já estavam vestidos totalmente diferentes, com cabelos compridos, bigodes… É engraçado até a gente se referir a um “John Lennon antigo”, ou a um “Paul McCartney antigo”, sendo que aquelas eram imagens de só um ano antes. Se você pensar que eles ficaram juntos por sete anos, é um período tão curto… Nenhuma banda chegou perto do que eles fizeram e alcançaram em tão pouco tempo. Então, estudamos os movimentos e tentamos entender o que faz as pessoas reconhecerem o Paul como Paul, o que faz de John o John, sabe? E gastamos um bom tempo nisso. Quando a banda está tocando, exprime muita alegria – eles estão sempre sorrindo e parecem estar sempre contando uma piada um para o outro no palco. Daí, pensamos: “Ok, temos que arrumar uma maneira de capturar essa alegria desses ‘marionetes tridimensionais'”. Então trabalhamos muito em onde os olhos dos personagens apontam, adicionamos uns sorrisos aqui e ali, fizemos eles olharem entre si, para a câmera, para o público, e tentamos fazer o jogador criar uma ligação emocional com eles, do tipo: “Uau, eles estao ali mesmo, são realmente os Beatles, e estão olhando pra mim!”.

A maneira com que eles se comportam muda de uma música para outra?
JR:
A gente dispôs as coisas de maneira meio randômica, as câmeras e as animações também, então você pode assisti-las diversas vezes e sempre ver algo diferente.

Fale um pouco sobre o envolvimento de Paul McCartney e Ringo Starr com o jogo.
JR:
Bem no inicio do desenvolvimento, criamos um “vídeo-boneco” curtinho e bem emocional, baseado em Rock Band 2: usamos os personagens do jogo e só esculpimos as cabeças dos quatro Beatles. Não tinha animação, eles basicamente só ficavam lá parados, tocando no palco. E daí sincronizamos a música. Mostramos a eles e dissemos: “Imaginem como seria…” Acho que a musica era “Day Tripper”. Basicamente, mostramos a eles o Rock Band 2: esse é o jogo, é assim que funciona etc. É mais ou menos assim que uma versão dos Beatles seria.

Então eles nunca haviam ouvido falar do game antes?
JR:
Acho que alguns deles conheciam sim. O Dhani Harrison, o filho de George, foi um dos caras que curtia muito nossos games anteriores e foi o primeiro a dizer: “Ei, vocês deveriam fazer um game dos Beatles”. Então levamos o game ao caminho máximo que podíamos, daí definimos metas: vamos encontrar cada um dos detentores da obra dos Beatles e pegar opiniões sobre o que eles gostariam de ver no jogo. Essas reuniões foram muito importantes, porque nos ajudaram a ter certeza que o espírito do game estava fiel. Na verdade, esse game deveria vir com uma mensagem escrita: “Feito pelos Beatles”. Porque os caras participaram de verdade.

Você teve a chance de encontrar todos juntos?
JR:
A agenda deles era tão complicada… No caso de Paul, era assim: “Ele estará em Londres durante um dia e vocês terão meia hora com ele”. E se não aproveitassemos esse encontro, ele não estaria disponível por mais um mês. Daí a gente dizia, na hora: “Ok, estamos indo!” [risos] É incrível que eles ainda sejam todos tão ativos fazendo coisas por ai. Por conta disso, nós tínhamos que encontrar cada um separadamente.

Então a primeira vez que todos se encontraram juntos por causa do jogo foi na coletiva da Microsoft na E3?
JR:
Acho que não. Não tenho certeza. Mas sim, estávamos todos ali no backstage do evento da Microsoft. E foi muito legal. Falaram que acharam o game ótimo e tudo o mais. Eu quase chorei. Tive que fingir que havia algo no meu olho. Foi um momento realmente mágico.

Você acha que os Beatles enxergam o game como uma maneira de levar a história da banda a uma nova geração, ou eles o vêem como “apenas mais um negócio”, ou “só mais uma maneira de fazer grana”?
JR:
Na verdade, eu acho que o sentimento deles é o seguinte: anos atrás, eles fizeram o Anthology, que era mais ou menos um “esta é a maneira de se saber tudo sobre os Beatles”. Acho que agora eles enxergam o jogo como se fosse um “novo Anthology”, tipo, uma nova maneira das pessoas aprenderem sobre o que aconteceu com a banda.
O que eu acho é que eles estão realmente empolgados com o que fato de o jogo introduzir a música deles a uma nova geração de fãs, e também uma maneira de juntar as famílias, pais que eram fãs, e seus filhos. Eu como pai compraria esse jogo sem dúvidas, porque agora consigo jogar videogame com meus filhos. Afinal, se eu amo os Beatles, quero dividir isso com minha família. E acho que os Beatles reconhecem isso. Eles sempre estiveram na vanguarda, na crista da onda de tudo, então essa é a mensagem deles: “Este é o Beatles no século XXI.”

Você parou para pensar que este é o jeito que a nova geração, inclusive aquela que ainda não nasceu ainda, irá conhecer os Beatles?
JR:
Sim, com certeza. E outra coisa que pegou para nós foi: “É melhor fazermos direito”. Ou seja, é melhor ser legítimo. Não queremos começar essa nova história de um modo a não ter o mesmo espírito do que realmente rolou.

E o envolvimento do Dhani Harrison?
JR:
Dhani é um fã de games, então eu enviava a ele versões do jogo à medida que íamos progredindo na produção. Daí ele ia até a Harmonix e nos dizia: “Seria legal se fizessem isso, ou aquilo”, ou “seria legal se vocês usassem essas roupas”, ou “coloquem essa música”. Quando o jogo ia ficando mais pronto, eu mandava as novas versões. Daí, ele me enviava fotos dele ao lado da TV, com a pontuação máxima e frases do tipo, “Vai, Harmonix, tomem dessa. Fiz esse placar tocando bateria e cantando ao mesmo tempo!” A piada interna é que colocaríamos truques que nos permitiram conseguir bater as pontuações dele… [risos]

Como era a atitude dele? “Sou filho do cara, me respeitem”, ou “sou jogador de videogame, sei do que estou falando?”
JR:
Ele é um cara criativo, fez faculdade de design e é um músico. O pai dele fez parte da banda, então obviamente ele adora a música dos Beatles. Eu acho que ele sempre estava representando os interesses da banda toda. Não exatamente representando a banda, mas as intenções. Tipo, “esses caras eram incríveis, então eles tem ter um game que mostre o quão legais eles são”.

O que cada um deles falou após terem visto o game pronto? Ficaram emocionados?
JR:
Acho que… [pensa] Eu lembro de ter mostrado para a Olivia [Harrison, viúva de George] a fase do Shea Stadium, e ela ficou pedindo para ver de novo. Me pareceu muito emocionada. Acho que todos foram superpositivos. Eu vi o Ringo Starr no backstage [da coletiva da Microsoft], e ele falou: “Está ótimo!”  Acho que ele inclusive chegou a comentar: “Eu nunca tinha me visto dessa maneira”. Ele quis dizer com isso que nunca havia visto um “Ringo 3D”. Eles estão bem felizes. Eu gostaria muito de ser uma mosquinha só para ver como será quando eles jogarem o game com as famílias deles no Natal. Ou algo parecido, só pra ver as reações. Estou muito orgulhoso de ter a aprovação deles.

Do ponto de vista “business” da coisa: não acha que este é o topo que dá para se chegar com um game musical, e que não há mais nada para se fazer nesse gênero? O que há ainda para a Harmonix ou a Activision tentarem? Digo, é o Rock Band dos Beatles! Não sobrou mais nada!
JR:
Sabe, esse certamente é o maior jogo de todos, mas a música é uma coisa tão ampla que há outras avenidas pelas quais podemos passar, sabe? Ou podemos ter apelo com outro tipo de público que ainda não alcançamos… Sobre fazer um jogo baseado em uma banda, dá para contar nos dedos aquelas que mereçam esse mesmo nível de atenção, ou um game como esse. Então…

E quais seriam?
JR:
Tem algumas. Não muitas. São só algumas que acho que mereciam um jogo, mas eu não vou citar. Mas temos nossos sonhos. Talvez depois que este jogo sair, mais pessoas entrem em contato com a gente para discutir o assunto. Quem sabe?

Que tal The Rolling Stones: Rock Band?
JR:
Por que não? Nunca se sabe [risos].

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2009, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , ,
31/08/2009 - 23:37

Entrevista da Semana: Josh Randall (Beatles: Rock Band)

Compartilhe: Twitter

A Entrevista da Semana continua em clima de The Beatles: Rock Band.

Conforme o prometido, publico agora mais uma entrevista com um membro da equipe de criação do jogo (a proposito, leu a da semana passada com o Dare Matheson, artista principal do game?). Pois sim, o Josh Randall é o lead designer, ou o designer principal do game, o cara que decidiu a cara do jogo e a direção que ele deveria seguir. Foi por ele que passaram todas as decisões relacionadas ao conteúdo, assim como a responsabilidade de ser o papel de porta-voz da Harmonix para negociar com os “shareholders” do legado dos Beatles – em outras palavras, Paul McCartney, Ringo Starr, e as estimadas viúvas Yoko Ono Lennon e Olivia Harrison.

Conversei com Josh também no último dia de E3, em junho, em Los Angeles, algumas horas antes do desfecho da feira. Ele se mostrou solícito e falou sobre todos os temas perguntados: a história da criação do maior game musical de todos os tempos, encontros pessoais com os Beatles, o uso de drogas, o futuro dos jogos musicais e muito mais.

Hoje, publico a primeira parte da conversa, que foi gigantesca. Amanhã, publicarei o restante. Leia tudo e não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: Então, você é o cara de Beatles: Rock Band?
Josh Randall:
Sim, sou um deles [risos].

Quantas pessoas trabalharam na criação do game?
JR:
São umas 300 pessoas na Harmonix. À medida que o projeto ia e voltava, o número variava em cima disso.

E quais foram os principais desafios da produção?
JR:
Acho que foi o próprio fato de tentar criar um game baseado na banda mais famosa do mundo. E especialmente a parte visual, porque todo mundo já conhece essas músicas. Quando se escuta “Here Comes the Sun”, é como se já houvesse uma imagem pré-definida em sua cabeça. Então tínhamos que criar algo que sentíssemos que correspondesse a essas ideias, ou as superasse. E isso em si é algo bem desafiador [risos].

Você quer dizer, criar um game baseado em personagens tão conhecidos, cujas imagens são tão icônicas…
JR:
Isso mesmo. No caso, estamos falando de algumas das pessoas mais famosas do mundo. Então, como criar avatares em 3D desses caras que todo mundo sabe quem são, o que eles fazem quando falam ou cantam, como se movem no palco, como os cabelos deles se movem… São muitos detalhes, e é preciso ter certeza de que são reproduzidos da maneira correta, ou então… não são os Beatles.

O fato de dois deles não estarem mais vivos fez diferença no processo de caracterização? Uma vez que vocês tinham Ringo e Paul à disposição, seria possível capturar os movimentos deles. Ou não?
JR:
Não, na verdade havia tantas imagens em vídeo desses caras que nós podíamos trabalhar a partir daí mesmo. Estudamos horas e horas de filmagens para captar as pequenas nuances de cada um.

Qual foi a fonte primária de informação? O documentário Anthology?
JR:
Assim que começamos a trabalhar no game, pegamos o Anthology e assistíamos diariamente, tipo, um capítulo por dia. A partir disso, vimos os filmes e mais um monte de coisa espalhada pela net. A Apple Corps trabalhou diretamente conosco, nos dando acesso a todo o arquivo deles. Por exemplo, se precisávamos saber os detalhes do tecido de uma roupa que eles usaram em certa ocasião, eles nos ofereceriam as soluções, ou as referências que precisávamos, para recriarmos as coisas da maneira adequada.

Quão fã dos Beatles você é?
JR:
Hoje eu sou um grande fã. Eu cresci com os Beatles. Meus pais curtiam bastante os primeiros discos. Minha mãe era muito fanática quando adolescente. Quando ouvi o Sgt Pepper’s, fui fisgado. Me apaixonei por esse disco e comprei todos os outros. Acho que o Álbum Branco foi o primeiro CD que comprei na vida. Na verdade, eu estava um pouco preocupado quando me engajei com esse projeto, porque tinha medo de ser obrigado a escutar tanto a música dos Beatles que acabaria de saco cheio. Eu não queria perder a minha banda favorita, sabe? Mas isso não aconteceu. Eu ainda consigo ouvir as músicas e adorar.

E esse lance de criar um visual cartunesco, e não exatamente realista? Foi essa a sua ideia inicial?
JR:
Desde o começo, tentamos definir a estética do jogo para ter certeza de que não iríamos ficar tão realistas ao ponto de ficar bizarro. Como no conceito de “uncanny valley”, sabe? Não sei se você já ouviu esse termo antes, mas é basicamente o seguinte: quanto mais perto você chega do realismo, mais distante você fica do ponto de fazer aquilo realmente parecer humano. Então, decidimos estilizar os personagens para atrair os jogadores, fazê-los como caras bacanas e atraentes. Eles eram os caras mais boa-pinta do mundo, então queríamos ter certeza de que o visual seria incrível.

Como funcionou a pesquisa nos arquivos da Apple Corps?
JR:
Tinha um pouco de tudo. Nós temos uma parceria com a Apple Corps, então criamos um conceito, mostramos a eles e recebemos opiniões e novas ideias sobre aquilo. Houve muita proximidade. Nos encontramos com Olivia [viúva de George Harrison], por exemplo, que nos convidou a irmos à casa onde George morou. Ela disse: “Ei, vamos ver o arquivo dele”, e trouxe pilhas e mais pilhas de objetos para olharmos. Se víssemos algo que achássemos que poderia nos ajudar a fazer um jogo melhor, pediamos para fazer uma copia. Levamos um monte de coisas. Ela também nos ofereceu: “Querem ver as guitarras dele?” E nós: “… Sim!” [risos] Pudemos entrar naquela sala cheia de guitarras, o que foi algo inacreditável. Aquele foi o primeiro momento em que pensei: “Uau, eles são caras de verdade!” Gente de verdade, que faziam música maravilhosa. Eles sempre fizeram parte de meu mundo desde que nasci, então vê-los como humanos foi algo que abriu meus olhos.

Esse tipo de abertura também rolou com Yoko, Paul e Ringo?
JR:
Bem, Yoko foi ao estúdio e trabalhou conosco em aspectos ligados ao John [Lennon]: como ele se mexia, se comportava, essas coisas. Foi incrível e nos encorajou muito a captar o verdadeiro espírito dele.

Havia algo que vocês evitavam fazer porque pensavam: “Ah, o homem está morto, portanto temos que mostrar respeito à figura dele”?
JR:
Eu acho que já existe um respeito natural por esses quatro caras. Só queríamos garantir que tudo o que fizéssemos fosse classudo, legítimo e autêntico. Sendo a gente um bando de americanos que não cresceram em Londres nos anos 60, acho que havia uma preocupação de que o game pudesse ter um ar do tipo “groove, baby!”. Aquela coisa meio Austin Powers, sabe? Seria uma interpretação bem pobre da época da “Swinging London”. E a Apple compreendeu o que significava capturar o espírito daquele tempo, mas também o mantendo moderno, de modo a não parecer kitsch ou muito esquisito. Acho que conseguimos, sabe? Para isso, trabalhamos muito próximos a Giles Martin, o produtor musical do game. Ele nos sugeriu que não viéssemos com aquela ideia manjada do “psicodelia dos anos 60”, e sim que criássemos um visual totalmente novo, algo como uma versão modernizada da psicodelia. Foi uma ótima direção a ser tomada, porque havia o risco de cairmos nos estereótipos de sempre. Nós até brincamos um pouco com essas coisas, mas tentamos criar algo, e não refazer o que já foi feito.

Vocês tiveram acesso total aos arquivos musicais dos Beatles?
JR:
Giles Martin teve acesso a todas as músicas para remixá-las para o jogo. E enquanto ele fazia isso, encontrou incríveis trechos sonoros que as pessoas nunca ouviram: o som de alguém afinando a guitarra, ou aquecendo a voz antes de cantar, falando bobagens ao microfone… No game, temos diversos desses momentos que ninguém jamais ouviu. Se você falhar em uma música, escutará uma frase do tipo “Ei, alguém tocou uma nota errada!”, ou algo parecido. Ou na hora de recomeçar, ouvirá um “tomada 3!”. Isso faz você sentir que está mesmo dentro da sala com os caras, no momento em que a música está sendo gravada. A ideia foi fazer com que o jogador sentisse que tudo está acontecendo neste exato momento. Não queríamos dar uma aula de história, entende?

E as sequências de sonho (dreamscapes)? De onde surgiram?
JR:
Essas foram basicamente começamos com nós em uma sala ouvindo as músicas e rabiscando ideias, meio do tipo, o que as canções nos faziam sentir. A gente não queria ficar muito preso às letras de uma forma muito literal. Como em “Octopus’s Garden”, por exemplo. Não queríamos simplesmente colocar um polvo gigante dançando ali. Queríamos, sim, passar a vibração daquele ambiente, mas sem exagerar no óbvio. Há tantos elementos visuais em “I Am The Walrus”, por exemplo, que seria fácil bolar algo óbvio que fizesse as pessoas dizerem: “Ok, entendi”. Mas tentamos encontrar o espírito de cada musica e tentar criar algo que tocasse emocionalmente as pessoas. A primeira dreamscape que fizemos foi para “Here Comes the Sun”. Eu me lembro de ver todas as pessoas da sala sorrindo ao assisti-la. Na hora, pensei: “Uau, acho que conseguimos.” Quando eu jogo videogames, não costumo ter esse tipo de envolvimento. Nunca me senti fisgado emocionalmente por ver uma cena de um game. Então, chegamos a uma conclusão: “Ok, este é o lance do game, fazer as pessoas terem conexão emocional com esses personagens e com o espírito da banda”.

Mas estas cenas são tão psicodélicas… você não acha que muita gente vai querer chapar antes de jogar, só para curtir de maneira, digamos, diferente?
JR:
[Risos] Vejamos. Eu sei de pessoas… [hesita] Eu joguei com pessoas que estavam “em clima de festa”, por assim dizer, e é bem divertido. Mas acho que tem coisas no jogo que você não precisa de outras substâncias para curtir.

Mas vocês usaram “algo” para criar essas cenas?
JR:
Não. As pessoas sempre perguntam: “Ei, vocês usaram alguma coisa?” Não, não… a gente não usou nada! Era um dia de trabalho normal! Talvez tivéssemos um monte de cafeína na cabeça, no máximo.

***

A entrevista com Josh Randall continua amanhã, aqui no Gamer.br. Até lá.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2009, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , , , ,
28/08/2009 - 22:24

Clique Comigo

Compartilhe: Twitter

Sexta-feira daquelas. Estou em fechamento, mas dá tempo de sugerir umas clicadas para você dormir tranquilo – ou passar o fim de semana feliz. Ou, dependendo da notícia, triste.

***

Viu o mais novo comercial do Rock Band dos Beatles? Neste sim, eles se superaram.

Ao mesmo tempo, achei assustador e um tanto bizarro. É pra ficar perturbado.

E não deixe de reparar na narração no final. Dizem que é a voz do Dhani Harrison, o filho do George Harrison. Se você não sabe quem é, então tem ainda mais obrigação de jogar o novo Rock Band. Ou talvez seja melhor deixar pra lá e jogar Halo 3: ODST. A escolha é sua.

UPDATE: Aliás, olhei bem e vi que o Dhani Harrison não apenas empresta a voz, como também se finge de pai… perceba o trecho aos 11 segundos… é o próprio Dhani, maquiado como se fosse George, pegando a guitarrinha de plástico. Sabendo disso, ficou mais creepy ainda.

Só falta aquele Lennon sorridente do final ser o Julian Lennon. Acho que não.

***

E por falar em assustador…

Viu o Kurt Cobain no Guitar Hero 5? Pois então.

A Rolling Stone americana fez uma matéria interessante sobre o caminho até Kurt – ou essa versão bizarra dele – chegar ao game, além da influência da viúva Courtney Love no processo.

Eu não sei o que você achou, mas eu… simplesmente fiquei incomodado. Fora a camiseta, não é o Kurt. Ele bem que poderia ter ficado sem essa. E a Red Octane, após tantos Guitar Heroes nas costas, já poderia ter se aprimorado na arte de recriar ícones digitalmente. Mas vai saber o quanto a Courtney contribuiu nisso. Ela é meio doida, você sabe.

***

E por falar em Guitar Hero…

O DJ AM morreu. O corpo foi encontrado hoje em Nova York. Overdose, provavelmente.

Se você não sabe quem é, ele é um dos DJs famosos que estrela o aguardado game DJ Hero, previsto para o mês que vem. Comprove.

DJ AM estava realmente engajado na ideia de DJ Hero. Falou em nome do game, fez consultoria, contribuiu com remixes. E para coroar a participação, fez uma apresentação ao vivo na festa da Activision durante a E3 2009, ao lado do baterista Travis Barker, do Blink-182. A apresentação, aliás, foi incrível – AM (Adam Goldstein na certidão de nascimento) soltava batidas variadas baseadas em clássicos do pop, enquanto Travis acompanhava com a bateria. Chato na descrição, mas sensacional de ser visto ao vivo. Eu estava lá e curti – mais até do que o show de Jay Z e Eminem que rolou na sequência.

Juntos, Travis e DJ AM também escaparam da morte certa em setembro de 2008, quando sobreviveram a um acidente de avião no qual quatro pessoas morreram. Ao que consta, ambos ficaram deveras traumatizados com o ocorrido. Quem não ficaria?

Corra já atrás da música que ele andava fazendo. Serve como homenagem e vale a pena.

***

Não é interessante que as três notícias acima tenham a ver com música e games? Pois é.

E bom fim de semana.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2009, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , ,
24/08/2009 - 20:29

Entrevista da Semana: Dare Matheson (Beatles: Rock Band)

Compartilhe: Twitter

Olá, como foi de fim de semana?

A Entrevista da Semana de hoje é especial: ela dá início à cobertura de The Beatles: Rock Band no Gamer.br. Para começar, publico a íntegra de uma das conversas que tive com a equipe de criação do jogo. Dare Matheson é o lead artist, ou “artista-chefe” da Harmonix e um dos principais profissionais envolvidos no visual do game, que tem data de lançamento prevista para 9 de setembro de 2009.

Fiquei frente a frente com Matheson no último dia da E3 2009, que rolou em junho, em Los Angeles. Solícito, o artista norte-americano de 37 anos falou tranquilamente sobre detalhes secretos da produção, sobre encontros pessoais com os Beatles, as famosas “sequências de sonho” que permeiam certas músicas e o equilibrio entre ser beatlemaníaco e ser profissional. A conversa fluiu fácil e rendeu ótimas respostas. Como sempre, confira até o fim e não deixe de comentar no final.

E na semana que vem, neste mesmo blog, tem mais entrevista exclusiva com a equipe de criação de The Beatles: Rock Band. Até lá.

***

Gamer.br: Então você é o “artista principal” de The Beatles: Rock Band.
Dare Matheson: Sou eu mesmo.

Diga lá então, do ponto de vista de um artista: quais são os períodos mais interessantes da carreira dos Beatles para se desenvolver em um game?
DM:
Bem, acho que… [pensa]. Parte do que faz os Beatles tão interessantes é olhar a discografia completa deles, a presença artística completa que eles apresentaram ao longo dos anos. Foi mais ou menos o que tentamos fazer no jogo: eles eram uma banda tão incrivelmente inventiva, não apenas de disco para disco, mas de música para música em um mesmo disco – as canções tinham estruturas, letras e conteúdos radicalmente diferentes de uma para outra. O nível de habilidade e criatividade deles era impressionante.
Falando mais especificamente: para nós, quando eles decidiram parar de fazer aqueles shows enormes em estádios e começaram a produzir coisas super psicodélicas, como “Strawberry Fields [Forever]”, “Sgt. Pepper’s [Lonely Hearts Club Band]”, eles levaram a música popular para outro nível de criatividade. E isso inclui também as técnicas de produção musical que eles utilizaram. Então, foi algo natural para nós: quando tentamos interpretar o legado artístico dos Beatles, utilizamos essa época especifica para expandir o máximo possível os limites visuais de um videogame, mas sempre tendo a música que eles criaram como principal referência.

E o que dizer daquelas “cenas de sonho”? Eu sei que elas tiveram um papel importante durante o desenvolvimento do jogo…
DM:
Sim. Sobre desenvolver essas sequências de sonho…

Ops, desculpe. Eu quis dizer “sequências de sonho”.
DM:
Não tem problema. Sequências, fases, cenas… É o que é, não importa como as chamemos [risos]. Elas foram, simultaneamente, as mais divertidas, e provavelmente as mais tecnicamente e criativamente desafiadoras na produção do game. Simplesmente porque nunca havíamos feito algo parecido. E acho que ninguém o fez antes.

Então, criamos um sistema que nos permitiu distribuir esses ambientes que criamos especificamente para cada música. Há diversos desses no jogo, não são só um ou dois, o que significa que eles são realmente únicos para cada canção. Então, foi um enorme desafio. Rock Band 2 mostra alguns clipes em certas músicas, o que foi mais ou menos um ponto de partida para a gente. Mas no novo game era completamente diferente e tínhamos que ir bem além do que fizemos. Esses tipos de cenas já eram bem difíceis de fazer na época [em que criamos Rock Band 2]. Mas aqui estamos lidando com os Beatles, entende? Basicamente, juntamos algumas pessoas da equipe e fizemos um brainstorm para soltarmos todo esse nosso lado artístico. Todo mundo foi pirando em cima, e foi bem divertido. E o resultado é isso aí que você viu.

Eu perguntei a Josh [Randall, designer principal de The Beatles: Rock Band] sobre a aparência dos Beatles no jogo – eles são estilizados, não estão exatamente realistas. Foi essa a ideia que vocês tinham desde o inicio, de criar um game cartunesco, e não realista?
DM:
Nós experimentamos uma gama de estilos diferentes nos primeiros estágios de desenvolvimento. Desde o início, tínhamos certeza que nosso objetivo era fazer você olhar para o jogo e não achar que aquilo se parece exageradamente com um desenho animado. E precisava ser convidativo, familiar e, ao mesmo tempo, tinha que parecer realista, de uma maneira impressionista, por assim dizer. Você precisava sentir que reconhece cada uma daquelas pessoas, cada um daqueles Beatles como uma pessoa de verdade. Tentamos evitar cair naquele buraco negro de alcançar o limite do realismo… poros na pele, cabelos esvoaçantes, sabe? Fizemos um monte de desenhos dos caras, estudamos seus movimentos e personalidades, como funcionam as expressões faciais de cada um, e tentamos usar o mínimo possível desses aspectos na criação de cada personagem. E foi assim que chegamos ao estilo do jogo.
Outra coisa que é única nesse jogo é que, nos games Rock Band, tentamos dar ao jogador uma espécie de folha em branco: um personagem que não tem nenhuma característica, para cada um criá-lo da maneira que bem entender e talvez até se enxergar um pouco nele. Em The Beatles: Rock Band, os quatro protagonistas precisam ser realmente únicos no que diz respeito às suas expressões faciais e personalidades, porque eles são ícones reconhecidos no mundo tudo. Foi um desafio recriar esse tipo de experiência, porque quando você vê os Beatles tocando de verdade, percebe que eles estão no melhor momento de suas vidas, se divertindo muito. Dá para ver isso claramente nas caras deles. E é muito difícil romper essa barreira com personagens digitais de videogames: a ideia de “alegria”. Não é nada fácil demostrar isso com um ser virtual.

Por falar em alegria, quais foram os momentos mais divertidos durante a criação do jogo? E claro, os quais foram os maiores desafios?
DM: Eu diria que houve muitos desafios, técnicos e criativos… Mas o maior, para mim, foi receber essa oportunidade e ter a responsabilidade de interpretar artisticamente e reimaginar os Beatles em uma mídia inédita para eles. E a gente não pegou leve. Muitos de nós somos grandes fãs dos Beatles, alguns desde crianças – eu incluído. Lembro de passar um tempão com meus pais na sala, no meio dos anos 70, ouvindo o Sgt. Peppers, olhando a capa, lendo as letras sem parar. E aquilo teve uma impressão muito forte em mim. Nós aceitamos com alegria esse desafio, essa oportunidade, e não passa um único dia em que a gente relaxa. Temos muita sorte. Foi incrível como a Apple Corp. e os próprios Beatles nos encorajaram a mostrar as asas e alcançar o nosso pico criativo. Eles não quiseram nos impedir ou nos segurar em momento algum. Os Beatles foram a maior força criativa do tempo deles, então nos deixaram livres para ir fundo e capturar esse espírito.

E você teve a chance de encontrar os Beatles em pessoa?
DM:
Sim, nós nos encontramos com todos eles, e vários de nós tiveram contato com eles em partes diferentes do processo. Eu e outros caras da equipe fomos para Friar Park, que é a propriedade da família Harrison na Inglaterra, e encontramos Olivia [Harrison, viúva de George] logo no início do projeto. E foi uma viagem maravilhosa, foi incrível conhecer o local onde ele viveu, onde Olivia e Dhani viveram. Uma experiência inesquecível. Alem disso, a Yoko Ono foi nos encontrar em nosso escritório para trabalhar diretamente conosco, e isso foi indispensável para compreendermos quais eram as expectativas deles para com os personagens e o game. Ao invés de receber o feedback dela através de um monte de filtros, eu tive a chance de sentar lá e ouvir tudo o que a Yoko pensava. Ela também é uma artista, então queria as coisas de uma maneira bastante especifica. Acho que foi crucial que tivéssemos esse contato direto com cada um dos grupos envolvidos. Acredito que isso teve um impacto positivo no produto final.

Você se refere ao seu ponto de vista profissional. Mas e seu lado beatlemaníaco? Como ele reagiu ao encontrar essas pessoas ao vivo, trocar ideias com eles?
DM:
Ah, foi absolutamente fantástico. Todo o desenvolvimento e produção desse game foi uma coisa tão focada, um mergulho tão grande, que toda vez que uma coisa desse nível acontecia, do tipo – “Ok, estou aqui no estúdio Abbey Road”, ou “Estou no telhado do prédio da Apple em Savile Row”, todas essas experiências… Eu quase não fui capaz de pegar nenhuma delas, olhar de fora e pensar: “Uau, olha onde eu estou!”. Imagina só, nós recebemos a Yoko Ono quando ela foi dar o parecer dela sobre o game. Sabe, eu sou um grande fã não só dos Beatles, mas também da Yoko como artista plástica. A coisa toda foi simplesmente fantástica. Eu jamais poderia sonhar que eu teria essa oportunidade. E tanto os Beatles quanto a Apple nos parecem muito satisfeitos com o resultado. O que eles viram do jogo até agora colocou muitos sorrisos nas caras deles, então tem sido incrível.

Quando começou a produção do game exatamente?
DM:
Eu diria que… [pensa]. Fizemos umas demos iniciais com esboços de personagens, só para o conceito ser aprovado, mas tudo estático. Mostramos essas demos pros Beatles e para a Apple bem no começo de tudo, e isso foi provavelmente em, digamos… Abril de 2008? Março, talvez?

Foi um segredo muito bem guardado, pelo jeito.
DM:
Sim, essa é uma boa questão. Discrição era algo crucial para esse projeto. Veja bem, na Harmonix temos mais de 300 funcionários e não houve praticamente um único “piu” de ninguém. Eu falei com diversas pessoas da empresa quando o jogo estava prestes a ser revelado, e todo mundo só dizia: “Finalmente, vou poder falar com minha esposa sobre esse jogo!”. Era esse o nível. Ninguém disse uma palavra, era como um segredo de Estado ou coisa parecida [risos]. As pessoas levaram esse projeto tão a sério que era esse o nível de dedicação que tínhamos.

Então, você se encontrou pessoalmente com o Paul McCartney um dia e nem pôde contar à sua esposa de noite: “Então, querida, hoje conversei com o Paul”.
DM:
Foi isso mesmo que aconteceu. Eu acho que deve ter sido diferente para cada um de nós, mas muita gente dizia: “Ah, isso é tão bacana e eu nem posso contar lá em casa…”

Você acha que os Beatles enxergam o game como uma maneira de levar a história da banda a uma nova geração, ou eles o vêem como “apenas mais um negócio”, ou “só mais uma maneira de fazer grana”?
DM:
Bem, eu não sei como era para eles no inicio, mas o que percebemos é que, à medida que a produção começava a evoluir, eles se envolveram cada vez mais. À medida que eles viam a coisa rolando e compreendiam nossas ideias, e o quão seriamente estávamos levando aquilo, acho que ficaram mais e mais interessados. O que deu para perceber é que foi a singularidade da coisa que pegou firme para eles. O fato é que há muitos projetos diferentes envolvendo os Beatles, e cada um tem seu valor, mas este, eu acho que o tempo deixará claro que é uma coisa única. E é mesmo algo único para eles, já que eles ainda nem lançaram a música deles digitalmente! Este é um ponto de partida para os Beatles. E agora que eles vão entrar nessa, será também em uma nova dimensão.

Você acha que essa a geração de consumidores ainda precisa de uma banda como os Beatles? Afinal, dá para dizer que o game apresenta os Beatles em uma embalagem propicia para as novas gerações…
DM:
Você iria se surpreender em saber que há uma infinidade de crianças por aí que são fãs dos Beatles. Eu não sei como, talvez por influência dos pais, mas em qualquer lugar que se vá, tem músicas dos Beatles tocando. Mas é claro que haverá um monte de crianças que não são tão familiarizadas com os Beatles. Acho que será bem divertido ver como isso irá se desenrolar. A gente acha que este game vai se tornar um veículo para os beatlemaníacos que não jogam entrarem nesse mundo dos jogos musicais e comprovarem o quão divertidos eles são. E também uma maneira de os jogadores de games – que não conhecem tanto os Beatles – de descobrirem a banda. Estamos prontos para ver uma grande sinergia rolando.

Ao longo do projeto, depois de tanto tempo mergulhado nesse universo, você acha que se tornou ainda mais fã? Ou se cansou um pouco dos Beatles?
DM:
Bem, ao longo do projeto, chegamos a ouvir algumas dessas músicas milhares de vezes. Acho que todo mundo tem suas músicas favoritas e tal, mas é claro que depois de ouvir qualquer canção muitas vezes, por mais que você goste dela, vai chegar uma hora que irá dizer: “Ok, agora quero ouvir outra coisa”. Mas tenho que dizer, mesmo tendo trabalhado nessas 45 músicas contidas no jogo… Aqui na E3 nós só mostramos dez músicas e já estamos aqui há três dias jogando essas músicas sem parar. Mesmo quando vejo as pessoas se divertindo, sorrindo e dançando enquanto jogam ou assistem, eu não me sinto nem um pouco cansado disso tudo.

Quais eram seus discos e músicas favoritos dos Beatles antes de trabalhar no jogo? E agora, que o jogo está pronto? Isso mudou?
DM:
São muitas. Mas como eu disse, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band sempre foi importante pra mim. O Álbum Branco, Revolver… Gosto também do Rubber Soul, do Magical Mystery Tour. Eu sempre gostei as músicas mais pegajosas do começo da carreira, mas aí comecei a curtir muito o que eles fizeram na época do Revolver, tipo “Strawberry Fields”… Aí eles lançaram Sgt. Pepper’s e piraram de uma vez. Pra mim, foi onde eles romperam as principais barreiras.

É difícil pensar onde se pode chegar profissionalmente depois de trabalhar em um jogo como The Beatles: Rock Band, não? O que podemos esperar dos jogos musicais, uma vez que se já chegou ao topo?
DM:
Grande pergunta. Foi um processo de desenvolvimento tão profundo que, no final, quando estávamos terminando tudo, senti um enorme alívio, ao mesmo tempo em que quase vi uma lagriminha escorrendo. Foi tipo: “Certo, chegamos à linha de chegada, mas… acho que não queria cruzá-la”. Eu queria continuar trabalhando nesse jogo para sempre. Mas vamos ver o que vem por aí. Você simplesmente começa a fazer alguma coisa nova, e é sempre legal trabalhar em coisas novas. É bom também para os consumidores experimentarem coisas novas. Só queremos continuar a ser o mais criativo possível. É por isso que nós amamos os Beatles: porque foi exatamente isso que eles fizeram ao longo de toda a carreira.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2009, Cobertura X06, Entrevista da Semana, Melhores de 2008, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , ,
11/08/2009 - 20:37

Entrevista da Semana: Gus Lanzetta

Compartilhe: Twitter

A Entrevista da Semana da vez é com Gus Lanzetta, um dos fundadores do site de podcasts Audiogame. Hoje um dos nomes mais atuantes da nova safra da imprensa de games, ele passou dois anos utilizando uma boa dose de talento e cara-de-pau para popularizar o podcast em nosso mercado. Funcionou. Hoje, o site está aposentado, mas Lanzetta, 19 anos, continua insistindo no formato no site da MTV, além de assinar textos em publicações impressas e digitais – sempre exagerando na sinceridade e colecionando desafetos.

Confira a entrevista – polêmica, é claro – e não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: Você faz parte de um grupo de profissionais cada vez mais típico: o leitor que se tornou produtor de conteúdo. Como aconteceu essa transição?

Gustavo Lanzetta: Bom, eu fazia lá o Audiogame e decidi que só um podcast não preenchia bem o site. Assim comecei a escrever umas noticiazinhas aqui e ali, um reviewzinho, coisas assim.

Sendo mais específico: quando passou pela sua cabeça, lendo revistas, vendo sites, que você poderia fazer o seu você mesmo?
GL: Nunca passou pela minha cabeça desse jeito. Eu gostava muito do podcast da Gamespot na época. Aí eu e o Batalha decidimos fazer nosso prórprio podcast. Isso sem nem me tocar que eu estava fazendo o trabalho que eu acompanhava desde pequeno. Só fui me tocar que eu era um jornalista de games quando já estava escrevendo para as revistas da Futuro [Comunicação].

O que você pensou exatamente quando convidaram você para escrever lá? Algo como “foi mais fácil do que eu pensava”?
GL:
Um pouco isso, mas o grande sentimento era de “Meu deus! Eu to escrevendo pras revistas que eu lia! Caramba!”.

O que significa isso hoje, na prática, agora que você já tem uma certa rodagem?
GL:
Ah, é incrível. Não me vejo fazendo outra coisa, mas ao mesmo tempo é algo que nunca tinha me passado pela cabeça como possibilidade de emprego, quanto menos de carreira. Passei a vida inteira (como filho de jornalistas) falando pra todo mundo que perguntava que eu nunca seria um. E mesmo quando saquei que queria trabalhar com games eu achava que queria fazê-los, mas depois de um tempo escrevendo sobre a indústria eu percebi que era isso que eu queria.

Voltemos ao seu primeiro projeto, o Audiogame. Como surgiu a ideia de fazer? Por que você acha que quase ninguém fazia algo parecido no Brasil? Desinformação?
GL:
A idéia surgiu, coincidentemente, no mesmo dia pra mim e para o Batalha. Eu estava pensando em fazer um podcast no estilo do Hotspot, do qual ele também era fã. E nesse dia conversamos sobre a ideia e umas duas semanas depois, em 1 de agosto de 2006, nós gravamos o primeiro Audiogame, com dois headsets baratinhos e um adaptador de 1 real para ligar os dois ao mesmo tempo no meu computador. Quanto à falta de podcasts na época, acho que não era por falta de informação, mas falta de iniciativa. Os podcasts estavam começando a fazer sucesso lá fora, principalmente os de games, mas aqui pouca gente ouvia e muita gente não entendia a proposta. Vi muita gente reclamando que o Audiogame era inútil pois eles já haviam lido as notícias durante a semana, mas a idéia não era só informar, era discutir as notícias, fazer uma conversa legal rolar em cima dum tema que interessava o público. Hoje em dia o pessoal já entendeu/aceitou melhor e tem podcasts de games brasileiros com muitos ouvintes.

Antes, era um projeto de vocês. Depois, surgiu a ideia de chamar jornalistas para participar. Como foi?
GL:
Bom, começamos a escrever para as publicações da Futuro por causa do Audiogame. E depois de um tempo “lá dentro” veio a idéia de aproveitar o contato com esses profissionais da área para adicionar conteúdo e novidade aos podcasts. No começo eram participações mais esporádicas, mas com o tempo o negócio foi ficando mais fixo, depois de um tempo estávamos fazendo o podcast da Nintendo World, do Herói e outros, além do Audiogame “Classic”. Nessa época é que rolou contato com o pessoal da editora Europa, já que o Fabão [Santana] tinha ido trabalhar lá e aí o [Gustavo] Petró chamou a gente pra ir gravar um podcast com eles. Assim surgiu o Audiogameblog. Com a ida do [Rodrigo] Guerra para a editora Digerati, rolou o contato para fazer os podcasts de games deles, que fizemos até o fim do Audiogame.

Como você define a maneira como os profissionais te receberam? Você acha que foi algo normal? Ao que você atribui isso, essa “acolhida”?
GL:
Acho que fui recebido muito bem por todos quando comecei a escrever sobre games em revistas. E até mesmo antes disso, afinal eu fui convidado a escrever lá. Isso tudo acho que é resultado de eu ter mostrado o que já sabia fazer através do site do Audiogame e o fato do Audiogame existir já mostrava que tínhamos iniciativa. Em momento algum fomos garotos chatos que ficavam pedindo pra escrever algo na revista. A gente fez algo nosso e isso chamou a atenção do pessoal. Não que eu negue que eu seja chato, que muita gente não me receba nem no boteco da esquina e que, depois de começar a escrever sobre games, eu não tenha implorado por frilas.

A vida de frila no Brasil é impossível? quero dizer, você se sente obrigado a ter um emprego fixo ou uma marca própria funcionando para ter crédito no mercado?
GL:
Acho que a vida de frila é complicada. Ela até é possível, mas trabalhando muito e escrevendo muita porcaria, sabe? Pra se virar como frila, você tem que escrever qualquer coisa, detonadinho, detonadão, reviews ruins, matérias patrocinadinhas do estilo “coisas legais que são caras, mas eu vou te falar porque elas são legais”. Coisas que ninguém GOSTA de fazer e que acabam dando uma cara mais feia ao jornalismo de games. Também acho que é difícil conseguir espaço suficiente hoje em dia para receber tantos frilas quanto se precisa para tirar uma grana legal. As publicações têm seus fixos e não precisam de material o suficiente pra sustentar uns três ou quatro caras.
Acho que marca própria é mais roubada ainda. Não sei se dá pra ganhar dinheiro com um site de games com o Brasil, pelo menos por enquanto. O Continue e o Gamerview tão aí e um deles eu espero que dê certo (dica: eu tenho uma coluna no que eu quero que dê certo), mas não vi indícios ainda de que teremos bons sites “se pagando” aqui no Brasil. Espero que isso mude.
Quanto a um emprego fixo: eu quero, todo mundo quer. Eu repito: EU QUERO (alguém aí tá me ouvindo? Alô!). Acho que trabalhar numa redação é muito mais legal do que ficar de cueca em casa postando num blog. Acho que a hierarquia duma publicação serve para centrar a pessoa, guiar, etc. Mas isso vai de cada um, tem gente que não suporta e quer mesmo é trabalhar do lado da cama, parando pra bater uma punheta de vez em quando.

Do ponto de vista de alguém que consumia, e hoje produz: como é o jornalismo especializado no Brasil hoje? O fato de o diploma agora não ser mais obrigatório mudará alguma coisa? E para você?
GL:
Acho que, como você mesmo fala, o jornalismo de games no Brasil é muito chapa branca. Todo mundo tem medo de “ofender”, de irritar uma empresa. Não acho que antagonizar deve ser a norma, acho que avaliar os fatos deve ser a norma. Fez merda? Ué, eu vou falar disso. Mas aí rola um círculo vicioso, o jornalista paparica a empresa, a empresa se acostuma a um mundo infantilizado onde uma nota ruim é algo pelo qual se pede desculpas, ou é coisa que, pra alguns editores aí “não se faz pra não comprar briga”. Acho isso deplorável, acho que o jornalismo de games precisa crescer, amadurecer, aprender a ser honesto e, quem sabe um dia, ser combativo. Eu tô fazendo minha parte, mas enquanto essa for só a MINHA parte, eu vou ser o gordo louco que só reclama. Por mim tudo bem, eu sou mesmo.
Quanto ao diploma, pra mim não muda nada, nem pro leitor, nem pros jornalistas. Como em todo o jornalismo, o jornalismo de games está cheio de profissionais não-diplomados ou diplomados em outra coisa. Alguns são bons e outros não, mas normalmente é mais fácil um incompetente se esconder atrás de um diploma de jornalismo do que de um comprovante de conclusão do supletivo.
Para mim, muda menos ainda: nunca quis diploma, continuo não querendo. Quer dizer, se me derem um, eu não vendo no Mercado Livre.

Você tem alguma saída para o jornalismo no Brasil ser menos chapa-branca, mais combativo? Como fazer, se as empresas que podem ser criticadas também são as mesmas que anunciam?
GL:
Aí entram dois fatores: 1. As revistas precisam dos anúncios, mas as empresas também precisam anunciar, ainda mais em veículos especializados; 2. É preciso esforçar-se muito mais em ir atrás de anunciantes de fora do mundo dos games; 3. Eu não trabalho com venda de anúncio, marketing e essas merdas, então eu não sei de nada. MEU NEGÓCIO É JOGUINHO!

Você acha mais confortável estar nessa posição de não depender exatamente do apoio do anunciante para trabalhar? ou preferiria estar em outra posição?
GL:
Bom, todos dependemos da grana de anunciantes, mas eu nunca quero estar na posição de correr atrás deles. Quero que haja muitos anunciantes sempre, assim haverá grana para me pagar. Mas se eu preferiria estar em outra posição? Sim, prefiro estar empregado, porque aí não preciso correr atrás de frilas o tempo inteiro.

Como seria hoje o emprego perfeito? Ou o veículo?
GL:
Não sei se o veículo perfeito existe. Mas acho que um emprego “perfeito” seria ser pago para escrever sobre essas besteiras das quais eu entendo, seja games, filmes, música, a gloriosa cidade de Imbé, no Rio Grande do Sul… Pô, acharia do caralho ser pago pra escrever umas críticas de filmes, games etc. E ao mesmo tempo poder bolar conteúdo original, notícias, matérias, entrevistas. Pautas interessantes escritas de maneira diferente, porque o jornalismo de games das revistas hoje em dia é muito formuláico e sem sal. Mas tem muita gente que gosta de fazer conteúdo assim, sem ter que pensar muito.

Como rolou de ir para a E3 sozinho? O que te compeliu a fazer? Você recomendaria pra qualquer um?
GL:
Bom, o sonho de ir para a E3 é velho, desde pequeno eu lia sobre a feira nas revistas de games e parecia o evento mais legal do mundo (spoiler: e é!). Então quando a E3 sofreu aquele downsizing em 2007 e 2008 eu fiquei muito triste, pois achei que nunca iria visitar a E3 dos meus sonhos. Mas quando soube que ela ia voltar a ser uma extravagância, eu sabia que eu precisava ir.
Então desde o fim de 2008 eu estava me preparando para ir, me registrei logo que o processo de inscrição foi aberto, comecei a organizar horários e tal. A parte mais difícil foi arranjar frilas para cobrir os custos da viagem, mas felizmente consegui (aí você me levou na Virgin Megastore só para eu me endividar todo). Adorei ir, adorei os textos que pude produzir por ter ido e pude aprender muito sobre como o evento funciona, ou seja: estou preparado pra fazer muito mais no ano que vem.
Eu recomendo sim, especialmente pra quem já trabalha nesse meio. E já dou a dica: não fique muito apegado ao respeito que as empresas empregam no tratamento dos jornalistas lá, só dura pelos quatro dias da E3. Depois você volta para o Brasil e aqui não tem disso. Mas é uma puta experiência para se divertir. E trabalhar muito, mas pra mim os dois se misturaram pra caramba. É que eu sou muito nerd mesmo.

Qual você prefere, para consumir e para trabalhar: revista, site, TV ou tudo isso junto? Ou nenhum deles?
GL:
Consumo muito conteúdo pela internet, principalmente em texto, mas um bom site é parte revista e parte TV. E acho que hoje em dia, uma boa revista precisa de um bom site. A presença do veículo não pode se limitar àquelas 100 páginas mensais, que são estáticas. Um site é um puta pilar na estrutura de uma publicação, mesmo uma que seja primariamente impressa. Eu ainda tenho fetiche por revistas, mas leio poucas, porque no final das contas papel é papel, o diferencial é o conteúdo.
Para trabalhar eu estaria satisfeito em qualquer um dos três, talvez não tanto somente em TV, porque acho que a escrita é muito importante pra mim e é uma forma de comunicação onde se pode controlar todo o produto. Quando eu escrevo uma crítica, os limites impostos a ela são impostos por mim, já outras linguagens dependem de mais gente, mais trabalho. Já escrever é saber falar.

Onde você se enxerga, profissionalmente, daqui alguns anos?
GL:
É difícil dizer, o mercado ainda está muito pirado, surgem coisas do nada, projetos dão errado etc. Sem contar que eu não sou um cara muito bom de futuro e essas coisas, eu fico mais de olho no almoço de amanhã. Mas certamente gostaria de estar numa posição mais estável, como redator ou editor em alguma publicação (online ou não).

Vendo como funciona a rotina de um jornalista hoje, você consideraria fazer uma faculdade, mesmo que seja “apenas” para ajudar na sua formação?
GL:
Não considero hoje pela mesma razão que nunca considerei: Pra mim, o sistema de aulas/provas/trabalho nunca deu muito certo. Terminar o colégio já foi um sacrifício e acho que me estressaria demais ao entrar de novo numa rotina dessas. Acho que a faculdade continua sendo uma maneira válida de se aprender muita coisa, mas eu decidi tentar aprender na marra. Acho que tem dado certo.

Se você que quisesse que tivessem lhe dado um conselho antes de entrar nesse mercado, qual seria?
GL:
“They Don’t Really Care About Us” [risos]. É difícil pensar em um conselho, mas um aviso sobre o quanto a imprensa de games é ABANDONADA pelas empresas de games.

E qual conselho você daria pros jovens empreendedores como você?
GL:
Corram! Passem longe do jornalismo de games. Mas se você realmente não consegue pensar em fazer outra coisa, aprenda a escrever. E tenha sempre em mente que se é pra fazer, faça direito, não seja aquele cara que vai em coletivas pra ganhar brindes e cafezinho de graça. Não seja “ista”, não seja puxa saco de ninguém (muito menos de empresas) e lembre-se de desconfiar de todo mundo (especialmente de empresas). E antes de se aglomerar com um bando de amiguinhos virtuais pra criar um blog, pense se isso vai te servir de algo, se isso vale a pena ou se é melhor criar um blog pessoal pra servir de portfólio.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2009, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , ,
15/06/2009 - 21:43

A Volta… dos que Não Foram

Compartilhe: Twitter

Feriado longo… a gente até perde a noção das coisas.

Eu deveria estar descansado, mas os braços doem por causa de uma sessão não planejada de Rayman Raving Rabbids 2. O Wii exige um alongamento que eu não tenho o costume de fazer. Ou será que foram as partidas empolgadas no expert de Guitar Hero: World Tour? Ou tudo isso junto? A frase consuma com moderação deveria estar escrita em letras maiores na embalagem dos videogames…

Sejá como for, a semana começou pesada. Não tem mais feriado bom nas proximidades… E estou mergulhado de cabeça na matéria sobre a E3 para a Rolling Stone. Realmente, só começa quando termina. Estou no processo de selecionar assuntos – já listei 48 jogos que entrarão no texto, mas vou cortar pelo menos uns dez. A matéria deve ter umas quatro páginas. E não será ainda que a entrevista com o Miyamoto irá entrar. Essa irá merecer uma matéria separada.  Lá pra agosto. E tem Beatles em setembro… Bem, escrever para a revista será especialmente mais divertido nos próximos meses.

***

Nos últimos suspiros da E3, me encontrei com o Jorge Lizárraga. Lembra quem é? É o diretor da Oelli, empresa organizadora do EGS, ou Electronic Game Show para os curtos de memória – aquele que foi o melhor evento de games já estabelecido no Brasil, e que, infelizmente, durou pouco. Jorge me disse que está de passagem marcada para o Brasil em breve. No que deu a entender, é para tentar emplacar o evento novamente por aqui. Vale lembrar que a EGS continua a rolar no México. Por que não acontece no Brasil? É uma boa pergunta. Atualmente, mesmo com a crise, acho que voltaria a fazer sentido ter um evento de porte por aqui. Resta saber com quem essas conversas do Jorge vão rolar. Torço para dar certo.

***

E na E3 também encontrei o Kevin Baqai e a equipe da Proximo Games. E eles revelaram que a primeira loja da franquia no Brasil está quase em vias de fato. Ou seja, será inaugurada em breve (questão de semanas/meses, e não meses/ano). E não, não será em São Paulo. Nem no Rio. Sim, você já deve imaginar onde é.

***

E você deve se lembrar que falei sobre uma nova revista e um novo site gringo desembarcando no Brasil em breve. Bem, a revista você já sabe – é a Edge, cuja edição 2 já está no forno. Bem, mas e o site?

Eu jamais falei a respeito, porque após algumas investigadas, o assunto esfriou. Tanto que até cheguei a pensar que havia virado fumaça e eu seria obrigado a publicar uma errata por aqui. Mas não.

Durante a E3 mesmo, por puro acaso, a confirmação caiu novamente no meu colo. E dessa vez, é para valer mesmo, segundo me confirmou uma fonte bastante envolvida com o projeto. Por enquanto é o que dá para dizer – assim que me for autorizado, falarei mais. Mas pode se preparar: no segundo semestre, teremos mais uma marca estrangeira atuando com foco no internauta brasileiro.

Claro, se tudo correr como o planejado. Vai que as coisas mudam…

***

E o Zeebo? Mais alguém comprou/testou/viu para vender?

E para meus colegas da imprensa – alguém conseguiu falar sobre o tema com a Tectoy? Ou sou só eu que estou no vácuo?

Continuaremos aqui tentando. Um dia a gente chega lá…

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2009, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , ,
09/06/2009 - 22:02

O Melhor (e o Pior) da E3 2009

Compartilhe: Twitter

Olá, como vai?

Eu preferiria ter ficado em Los Angeles a voltar para a vida real…

A semana de E32009 é uma escapadela da realidade. Tudo parece girar em torno dos joguinhos e o futuro da diversão digital. Todo o resto parece que é menos importante – menos desastres de avião, que aí também é demais. Eu prevejo aqui que, no ano que vem, o mundo irá olhar para a E3 com outros olhos. Talvez de um modo diferente do que enxergam um evento como a Comicon, por exemplo. A Comicon, que rola todo julho em San Diego, deixou de ser uma festa para nerds de quadrinhos e se tornou a referência para o mercado do cinema. Já com a E3 será diferente – deixará de ser a festa para nerds de games para se tornar a referência em… Música? Cinema? Esportes? Tecnologia de ponta?

Ou seria tudo isso junto? Porque estou falando de um evento que consegue atrair, de uma só vez, formadores de opinião do naipe de Steven Spielberg, James Cameron, Tom Hanks, Verne Troyer, Pete Sampras, Tony Hawk, Pelé, Mike Tyson (que só não apareceu lá por causa de um acidente familiar), Jack Black, Paul McCartney, Ringo Starr, Eminem, Jay Z e etc.

Então, pode esperar os olhos do resto do mundo muito mais apontados para a E3 no ano que vem. Se essa foi quente, a do ano que vem será o inferno – no bom sentido (existe lá mau sentido no inferno?). Mas espero também que isso não represente uma descaracterização da indústria de games como a conhecemos. Me refiro ao fenômeno que normalmente ocorre quando algo obscuro de que gostamos se torna famoso de uma hora para outra – automaticamente, deixamos de curtir aquilo da mesma maneira. Mas veja a lista de convidados especiais da E3: os games já são praticamente mainstream – dá para eles se tornarem ainda mais populares?

Dá, sempre dá. E para nós que estamos envolvidos com o negócio até o pescoço, vai ser ainda mais interessante ver isso acontecer.

***

Ah, sim. O melhor e o pior da E3.

Não pensei muito a respeito, vou confessar. Mas vou criar umas categorias para citar as coisas mais memoráveis deste ano. O importante, não esqueça, é fugir do óbvio.

E aqui estão minhas categorias:

Melhor game jogável de Xbox 360: Splinter Cell: Conviction. Enfim, ficou bom.

Melhor game jogável de PlayStation 3: God of War 3. É como um jogo de ação cheio de fatalities.

Melhor game jogável de Wii: Wii Sports Resort. É, aquele Motion Sensor funciona mesmo.

Melhor game para download: Shadow Complex, da Epic Games, o mais perto que se pode chegar de um Super Metroid para o Xbox 360, empatado com ModNation Racers, o Mario Kart fundido com LittleBig Planet do PS3.

Melhor vídeo de game que vai levar uma vida para sair: The Last Guardian, na coletiva da Sony.

Melhor vídeo de game que tem data de lançamento: a abertura de The Beatles: Rock Band. De chorar, pode admitir.

Melhor joystick de game musical para decorar a casa: pick-up de DJ Hero, empatada com a Gretsch de Beatles: Rock Band.

Melhor celebridade deslocada de seu contexto original: Pelé na coletiva da Ubisoft, sem tradutor, sem media training, sem papas na língua. Entende?

Melhor celebridade à vontade em eventos desse tipo, mas na hora mais ingrata: Tony Hawk, na coletiva da Microsoft, logo após a saída de Paul e Ringo do palco.

Melhor game estrelado por celebridade brasileira: Academy of Champions (Wii), aquele com o Zico. Ops. Não, com o outro cara lá que vestia a camisa 10.

Melhor celebridade dos games que preferiu se resguardar: Shigeru Miyamoto, que cansado de pagar mico em coletivas, preferiu ficar escondido. Fez bem esse ano.

Melhor utilização de rock’n’roll em game: adivinha?… Brütal Legend, é óbvio.

“Melhor” trabalho de marketing: Sony/Square Enix anunciarem Final Fantasy XIV antes mesmo de sair o XIII.

Melhor behind doors de empresa: Activision e suas apresentações longas, porém exclusivas e interessantes, além do almoço liberado para todo mundo.

Melhor apresentação de game behind doors: Modern Warfare 2, no estande da Activision. Mas poderia ter sido a fase no Rio de Janeiro.

Pior behind doors de empresa: Alan Wake, no estande da Microsoft. Quase dormi (e não é trocadilho). Mas o jogo parece legal, em sua mistura de Max Payne e Resident Evil 4.

Melhor festa: a da Activision, para Guitar Hero e DJ Hero. Uma das maiores da história – talvez só menor que a da Sony em 2005.

Pior festa: da Bethesda, marcada para o mesmo horário da festa da Nintendo. Aí não dava.

Melhor novidade tecnológica que ninguém pôde ver (a não ser os VIPs): Project Natal

Melhor novidade tecnológica com nome de cidade brasileira: pera, que essa tá difícil…

E eu poderia continuar por dias, mas tenho que ir para casa… Continuo amanhã.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2009 Tags:
05/06/2009 - 16:45

E3 2009: Últimos Suspiros

Compartilhe: Twitter

É, acabou. E depois da E3 2009, merecemos um descanso. Nem que seja só um.

Mas pensa que Los Angeles e o Convention Center vão parar? De jeito nenhum.


Alguém encara? Talvez seja mais quente que a E3…

Amanhã pego o avião de volta. E passarei os próximos dias, semanas, só falando de E3 e seus detalhes. Alguém ainda aguenta o tema?

Um abraço e obrigado pela audiência.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2009 Tags: ,
Voltar ao topo