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Arquivo da Categoria Brasil dos Games

16/09/2011 - 02:55

O que é o Brasil dos Games, Parte 4

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A vida continua, a despedida do Gamer.br também.

Nesta quarta parte da série BRASIL DOS GAMES, tenho a honra de apresentar um artigo de Pedro Giglio, velho conhecido do jornalismo brasileiro de games. Carioca, Giglio participou do time do site Final Boss, fez parte da equipe do Arena Turbo e escreve atualmente no blog Jigu. Inspirado pelo tema proposto, ele escreveu o texto a seguir, com toques de autobiografia, que convido você a apreciar. Leia tudo, prestigie e deixe seu comentário no final.

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O Brasil dos Gamers

Por Pedro Giglio*

Um dos lances frequentemente mencionados por pessoas que estiveram à beira da morte é a da sensação de ver suas vidas inteiras passando em frente aos olhos como um flash, um filme, e por aí vai. Enquanto não faço a menor questão de descobrir se isso é verdade ou não, me pego imaginando como seria isso se eu pudesse meter um filtro de categoria sobre os momentos ligados ao videogame. E sendo eu brasileiro, talvez isso sirva como reflexão de como as coisas desta indústria mudaram por aqui desde que me entendo por gente.

Naquela época em que não era muito trivial comprar cartuchos por aqui (acredite, ter aquele amigo ou amiga da família que trabalhasse na VARIG era um ás na manga), lembro que uma das alternativas a ser deixado pra trás no bonde das novidades era trocar seus jogos na locadora. Enquanto eu e meu amigo achávamos que o dono da loja iria pirar e soltar fogos ao receber o infame Street Fighter 2010 do NES e ofereceria um jogaço em troca, sua apatia – que nos rendeu risadas mais tarde – foi convertido em boas sessões de Shadow of the Ninja.

Com o acesso às revistas importadas (mesmo que a preços pouco amigáveis, até onde minha memória permite lembrar) e a chegada das nacionais, veio a vontade de conhecer mais jogos. Claro, todos conheciam Street Fighter II (fiz um amigo atravessar a porta de vidro da casa dele, furioso com meu Dhalsim apelão) e Final Fantasy II, mas e aquela pilha para comprar jogos nas importadoras locais na era 16-bits? 

(Numa dessas, o carma me deu uma rasteira: o tal amigo da porta de vidro comprou Hook, jogão; eu, animado, comprei o Final Fantasy: Mystic Quest. Um jogo que tem como melhor aspecto – e possivelmente única virtude – a música de batalha dispensa mais comentários…)

Enquanto jogar videogame com um dicionário ao lado ajudou muito na hora de aprender Inglês, sempre era interessante ver um jogo ou outro pintando em no bom e velho “pt-br”. Ainda era uma coisa meio desajeitada, como o infame Prisoner of Ice (onde “Go To” virou “Vai dar em”), um coadjuvante meio esquisito em A Maldição da Ilha dos Macacos (“Ei! Não bata no seu amigo Piro Cão!”) e as vozes hilárias de Starcraft, Max Payne – e até mesmo Mad Dog McCree nos arcades! Nessa época, receber os jogos em português valia mais pelas risadas do que pela conveniência.

(Nota inútil: perdido nas brumas da era das BBSs, fiz uma tradução tosca do primeiro Mortal Kombat para PC. Digamos que era o equivalente ao Sessão Ressaca ou Tela Class de sua época)

Para evitar me alongar demais no assunto, pulemos para os tempos atuais. Tanta coisa mudou, né? Por mais que esteja longe de chegar a um fim, vejo cada vez mais gente achando que é bacana comprar jogos originais – considerando a mentalidade dos que não acham isso, acho uma grande vitória. As produtoras e distribuidoras de jogos têm voltado seus olhos para o público fã de games do Brasil, realizando eventos cada vez maiores, batalhando para trazer produtos a preços mais em conta.

Se eu voltasse no tempo e encontrasse o chibi-Jigu, acho que não o convenceria de que estaria tão envolvido neste ramo quanto estou – afinal de contas, o hobby virou profissão. 

Independente disso, posso dizer que vivemos em uma época incrível para ser fã de videogame no Brasil. Mal posso esperar para saber quais serão minhas próximas memórias.

*Pedro Giglio (@jiguryo) escreve no blog Jigu.

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13/09/2011 - 13:25

O que é o Brasil dos Games, Parte 3

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E estamos de volta.

Continuando o clima de homenagens e despedidas do Gamer.br, publico agora um artigo da Bruna Torres, jornalista de Brasília e uma das integrantes do coletivo Girls of War, um dos principais blogs femininos de games do Brasil. O tema não poderia ser outro: BRASIL DOS GAMES. Confira, leia, reflita e não deixe de comentar no final.

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Brasil dos Games

Por Bruna Torres*

Lembro-me a primeira vez que escutei o termo Jornalismo de Games. Era 2006 e eu estava na faculdade de Jornalismo, faltando apenas um ano para a minha formação. Não entendia muito bem como era feito esse tal de Jornalismo de Games, pois ainda era um termo novo no Brasil e poucos conheciam. Após conversar com vários jornalistas da área, inclusive o Pablo Miyazawa, entendi bem como ele era feito, e como chegava ao público que o buscava. Foi aí que decidi que queria trabalhar com isso também.

Comecei a escrever em revistas especializadas no assunto de games, como a antiga EGM Brasil e a Nintendo World. Foi nesse período que criei com a Carla Rodrigues o Girls of War, blog que temos há três anos, escrito por cinco mulheres gamers. Desde essa época, sempre foi muito comum escrever matérias sobre o mercado de games no mundo, mostrando números de quanto cresceu nos EUA, entrevistando desenvolvedores de fora e franquias famosas que todos queriam jogar.

Mas e sobre o Brasil, o que falávamos? Os assuntos eram dos mais variados sobre o Brasil dos Games. Pirataria, problemas do mercado brasileiro de games, falta de incentivo, altos impostos, e por aí vai a quantidade de dificuldades que deixavam o País com um pé lá atrás neste meio, que seguia engatinhando.

Com o passar dos anos este cenário foi se modificando. Hoje encontramos grandes jogos desenvolvidos por empresas brasileiras, assim como diversos jogos chegando em nosso Brasil totalmente legendado para a nossa língua e até diversos eventos sendo realizados por aqui, muitos nacionais, não só os que vem de fora. Temos também diversas empresas com filiais em solo brasileiro, o que nos dá uma visibilidade maior para o mercado de jogos eletrônicos. E além de tudo isso, os preços dos consoles e jogos caíram bastante.

Nesses quatro anos que escrevo sobre games, percebo muita mudança em relação aos jogos eletrônicos no Brasil. E os jogadores brasileiros também percebem o que o Brasil dos Games alcançou, apesar de ser um curto período de tempo. Muitos dos leitores do blog em que escrevo com as outras garotas comentam sempre sobre isso, especialmente quando toco neste ponto. Quando houve uma recente polêmica sobre a dublagem em português de um jogo famoso, diversos leitores se mostraram indignados e criticaram a ação, mostrando que só porque somos o Brasil, não precisamos ter uma legenda mal feita. Deixaram claro que se é pra fazer, tem que ser bem elaborada, como assim é feita nas versões originais dos jogos. Isso mostra que o jogador brasileiro se preocupa com o mercado aqui e quer vê-lo crescer como uma criança saudável e virar um adulto de sucesso profissional.

Algumas pessoas até criticam, deixam o patriotismo de lado nesses momentos, mas sei que no fundo todos têm certa esperança com o crescimento desse chamado Brasil dos Games que o Pablitcho tanto gosta de levantar a bola. Eu também gosto, tanto que eventualmente escrevo algo no Girls of War sobre o mercado de games brasileiro. O Brasil dos Games ainda cresce e tem um caminho muito longo a percorrer até chegar a ser considerado um mercado que tem grande potencial para os jogos eletrônicos.

Ao que tudo indica, a viagem do País está em andamento. Não rápido, mas também não devagar. É aquele tipo de viagem que você faz parando nos lugares, visitando parentes, fazendo compras e conhecendo cada cantinho. Apesar de devagar, no final sempre chegamos em nosso destino final. E o Brasil dos Games um dia chegará.

*Bruna Torres (@BrunaTorres) é co-fundadora e editora do Girls of War.

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09/09/2011 - 16:59

O que é o Brasil dos Games, Parte 2

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Saudações. Já é sexta-feira.

Continuando a série “BRASIL DOS GAMES”, que celebra os cinco anos e o fim das atividades do Gamer.br, convidei o jornalista especializado Fabio Bracht para discorrer sobre o tema. Gaúcho, pensador e multitarefas, ele é o fundador do finado blog Continue.com.br, além de escrever para o site de tecnologia Gizmodo. Confira o texto dele, concorde ou discorde e comente no final.

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O Brasil dos Games está só esperando um headshot

Por Fabio Bracht*

O Pablo é meio obsessivo com esse assunto, diz aí. Em toda entrevista dele, essa é a pergunta que nunca falta. E não é sem razão. Não sei como ele enxerga a coisa, mas para mim a imagem mental é bem clara.

O Brasil dos games é aquele inimigo escroto no qual você já meteu um monte de bala e sabe que está na rapa do tacho, mas que resolveu buscar cobertura. Ele está lá, você sabe exatamente onde. Você move a retícula para o ponto exato onde sabe que a cabeça dele vai estar quando ele resolver levantar. Quando ele fizer isso, boom, headshot. Mas ele ainda não fez.

Desde que eu comecei o blog Continue, em 2008 (e na verdade desde bem antes), o Brasil é essa potência em potencial, só esperando para deslanchar. Olhamos para o México, enchemos a nossa barrinha de otimismo e, a cada mínima notícia boa, a frase “agora vai” é repetida. Agora vai, agora vai, agora vai. Mas nunca irá, meu amigo.

Nunca irá porque já foi. O mercado de games no Brasil não se teleportou de um estado ruim para o estado ideal — único contexto em que a afirmação “agora foi” poderia ser usada –, mas todas as peças estão no seu lugar, em movimento. O Brasil dos games é o gordinho que ainda pesa bem mais do que deveria, mas está indo na academia todos os dias, com acompanhamento e reeducação alimentar. Ele não está lá ainda, mas, segundo a filosofia da inevitabilidade, já pode se considerar magro. É questão de tempo.

A Microsoft está aqui, a Sony está aqui, a Nintendo está aqui meia boca mas uma hora vai ter que cair dentro, as traduções de jogos estão por aqui, as legendas, o World of Warcraft por quinze reais por mês, os lançamentos de Xbox 360 por menos de cem, o Nathan Drake falando português sem chamar a Elena de rapariga. Já temos estúdios, já temos talentos, e com certeza já existe um grande jogo independente em planejamento ou produção em algum canto do país, sobre o qual nenhum de nós sabe nada a respeito. Se o Jason Rohrer consegue no interior dos Estados Unidos com muito pouca grana, e se o Notch consegue lá no frio da Suécia, certamente há alguém no Brasil que consegue, e esse alguém aparecerá logo.

Perceba que nada disso está ideal. Nem a presença das empresas, nem as localizações, nem os preços, nem a presença dos estúdios, nem a comunidade independente. Mas tudo isso existe, e tudo isso existe ao mesmo tempo, uma coisa validando a outra. Já me chamaram de Polyanna pelo meu otimismo às vezes infundado, e eu não tiro a razão. O otimismo às vezes faz com que o trabalho cesse, e isso não é bom para ninguém. Mas o fato é que, levando tudo isso em consideração, eu não vejo outra direção que não seja para frente.

Boom, headshot. E você nem terá percebido.

*Fabio Bracht (fabiobracht@gmail.com) é editor do Continue e escreve no Gizmodo.

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08/09/2011 - 15:26

O que é o Brasil dos Games, Parte 1

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Eu prometi surpresas nesse mês final de Gamer.br. Vou cumprir.

Convidei amigos e personalidades da indústria nacional para utilizar o espaço a seguir para discussões relevantes. Pedi a todos eles contribuições baseadas no tema “BRASIL DOS GAMES”. E recebi ótimos materiais, que postarei aqui, dia sim, dia não. Tem de tudo – ensaios analíticos, pensatas elaboradas, gente que fugiu do assunto totalmente (mas manteve o sentido)… quem viver, lerá. Prestigie a riqueza de opiniões e opine sempre que tiver algo interessante a acrescentar. Todos ganham com esse debate.

E começamos com o glorioso André Faure, atual senior producer da Aeria Games, com quem trabalhei na Conrad/Futuro (e que já passou por Microsoft e Tectoy).

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O Brasil dos Games

Por André Faure*

O ano era 1998. Eu acabava de ser contratado pela Microsoft como assistente de uma área pequenina, que mal justificava seus próprios gastos, mas era considerada um dos maiores potenciais da empresa, especialmente no Brasil. O departamento? Games.

Meu primeiro lançamento foi Mechwarrior 4, para PC. Caixona de papelão, manual em inglês, com um folheto de instalação rápida em português. O jogo em inglês, claro. Quem, em sã consciência, localizaria um jogo para um mercado com 99,5% de pirataria? O Brasil dos Games, naquela época, era o Trono do Inferno do mercado de games mundial.


O Inferno de Dante, ou o Mercado Brasileiro de Games na década de 1990. Você escolhe (
Clique para ampliar – Fonte: Revista Mundo Estranho)

Mas, é importante deixar claro que para as pessoas que trabalhavam naquela época, existiria um momento de florescimento onde todo o potencial daquele país jovem que adorava tecnologia recompensaria aqueles que ali investiam.

Treze anos mais tarde, muita coisa aconteceu. Muita coisa mesmo. Graças a uma série de iniciativas ao longo dos anos, uma certa ajuda do cenário internacional, a solidificação do Brasil como uma economia estável e muito trabalho, hoje o Brasil dos Games é outro mundo, bem diferente daquele inferno lá de cima.

Conta aí comigo: as três grandes (Microsoft, Sony e Nintendo) possuem operações oficiais no Brasil; a pirataria recuou (ainda é um problema, mas 99,5%? Nunca mais, bate na madeira); a distribuição digital, com a penetração da banda larga, é uma realidade, assim como o florescimento de Social Games e MMOG (gratuitos ou não); vários publishers já abriram ou estão abrindo escritórios por aqui; jogos em português são uma banalidade; a imprensa de games cresceu e amadureceu, assim como o varejo e a distribuição; este ano vamos ter TRÊS feiras de games; e por aí vai.

Já percorremos um longo (e doloroso) caminho, e citar todos que colaboraram é praticamente impossível, mas vocês sabem quem são. Ainda estamos longe do momento ideal, e fico feliz de dizer que cada vez, mais e mais gente tem colaborado, nas mais diferentes esferas, para que nosso país torne-se um dos grandes mercados mundiais de games, e não somente um alfinete verde no mapa-múndi na entrada das grandes corporações do setor.

Recentemente a Microsoft anunciou games a partir de R$ 129. Vocês ouviram bem? Mais um pouco não vai valer a pena comprar games nos EUA. Parece um sonho, mas não é. Sony e Big N devem vir logo atrás, assim como Valve/Steam, Blizzard e demais pilares de mercado.

Fica aqui a minha conclusão: para se trabalhar no Brasil dos Games de 1998 era necessário excesso de otimismo. Conseguimos, em 2011, que este otimismo se transformasse em ações concretas e maduras. Dá para comemorar? Claro. O trabalho terminou? Estamos longe. Desistir? Jamais.

Para encerrar, fica aqui o meu agradecimento pelo lisonjeiro convite feito para contribuir nessa série de despedida do Gamer.br. Este sempre foi um canal aberto, democrático, feito com amor exatamente para quem ama games. O Pablo é dos amigos que fiz neste mercado, e que acompanhei crescer e acontecer. Se há alguém que tem muito a ensinar a quem está começando agora, é Pablo Miyazawa. Se ao mesmo tempo que fico triste pela partida deste blog essencial ao mercado, tenho certeza que muitos outros virão, porque finalmente chegamos naquele momento onde ignorar o mercado brasileiro de games é mais do que omissão, é simplesmente burrice.

*André Faure (afaure@aeriagames.com) é senior producer da Aeria Games.

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