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28/09/2011 - 20:16

O que é o Brasil dos Games, Parte 12

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Hoje é quarta-feira. Ou seja, faltam dois dias para o encerramento das atividades do Gamer.br aqui no iG. Passou rápido esse mês.

Hoje, a homenagem vem do Renato Bueno, um dos jornalistas de games (e de todo o resto, por que não) mais criativos que conheço – e isso é elogio. Bueno, como todo mundo o chama, trabalhou comigo nas revistas EGM, passou pelo G1, escreveu pra meio mundo e agora está metido no projeto Kotaku Brasil. Nas horas vagas, ele produz conteúdo para o quase inexplicável Freeko (não conhece? Deveria). A seguir, você lê o relato do Renato a respeito de sua entrada no mercado de games brasileiro – pela porta da frente – e a evolução das coisas dos últimos seis anos para cá. É uma bela viagem, devo dizer. Confira, comente no final e divulgue por aí.

***

Brasil dos Games tem gráficos razoáveis e fator diversão a definir

Por Renato Bueno*

Enquanto o infalível Eduardo Trivella (longa história) explicava por telefone as conjunturas sociais da época e insistia para que eu considerasse a oferta, minha cabeça de frila level 1 só era capaz de enxergar ali uma missão irrecusável, e não uma peça-chave que mais tarde explicaria pelo menos metade do universo. Encostei a enxada, avaliei os fatores, calculei as possíveis consequências. Três segundos e meio depois, fechávamos o negócio. Eu cruzaria a divisa MG-SP de ônibus num bate-volta de 300 horas para resgatar na redação da Editora Conrad um RPG safado que não vinha sendo dos mais requisitados entres os colaboradores da revista EGM Brasil. Era adrenalina.

O RPG era terrível, mas por algum motivo continuei jogando mesmo depois de ter entregado o texto. Meses depois, vi essa viagem de ônibus até a redação de games mais legal da época se transformar em 10 minutos a pé. Tinha passado a morar num hotel em São Paulo (longa história 2) que, por acaso, ficava perto da Conrad. O prediozinho amarelo era o checkpoint em que o bauruense Théo Azevedo (tem futuro) distribuía trocadilhos e as missões da EGM PC.

Mais alguns meses depois, o destino ridículo fez com que eu me mudasse do hotel para um apartamento ainda desconhecido. Era numa região mais ou menos familiar. Ficava ali… numa rua perto de… ao lado de… uma certa editora… com aquele símbolo de Pac-Man. Ok. Mundo aberto? Escolhas para o protagonista? Eu tinha entendido o recado: era tudo uma grande palhaçada, bem como naquele RPG do inferno. E quando o indispensável Pablo Miyazawa (só tretas) insinuou que eu devia abdicar do cargo de colocador de tirinhas na penúltima página da Ilustrada em nome de uma quest maior, ele não precisou insistir muito mais que o Trivella no primeiro parágrafo.

Depois disso foram cinco anos em que, para agilizar, não aconteceu muita coisa – e nem mudei de casa. Abandonei umas quests, peguei algumas outras, estraguei minha saúde mais do que o recomendado por qualquer Ministério. Escrevi groselhas, desperdicei páginas do mano Nelson (só Xisboca), troquei de facções mas nunca traí minha convicção de só fazer aquilo em que boto fé, como o Freeko e o Kotaku. E ainda boto fé, sem Bíblia, nisso que é considerado o Brasil dos Games (demagogia +5).

Por mais que todas as evidências provem o contrário, por mais que eu tenha passado por vários meios de comunicação e me arrisque a generalizar que, editorialmente, os donos do sistema só vão entender de games daqui a 90 anos, e quem entende de games hoje ainda não tem o preparo (ou a disposição) de fazer barulho no mercado – ou quando tem o preparo, faltam as vírgulas. Por isso ficamos à deriva nesse boia-cross pantanoso, sem oxigênio para uma Edge e um Gamer.BR, mas com garganta de sobra para discutir serrilhado, falar que “deve agradar os fãs da série” ou que o jogador médio de Need for Speed precisa morrer com cinco estacas no peito.

A única saída é largar tudo e sair vendendo Yakult, como já previam os planos do astuto Ronaldo Testa (manja nada) nas turbulências de “antigamente”. Ou botar tudo na conta do Pablo e passar o testamento em nome de Pedro Santana, filho e verdadeiro ghostwriter do magnata Fabio Santana (só Final Fantasy) – atual culpado pela miséria no mundo e por não ter escrito seu texto aqui ainda.

Assim como naquele RPG tísico de 2005, o Brasil dos games é bizarro, produto de um game designer insolente que nem sonha com patchs de correção. Às vezes preso por conta própria num cercadinho de bebê, às vezes fazendo um hang-loose com pranchinha de isopor em Teahupoo. É bugado, desconexo, desesperador. Mas você continua jogando. Porque assim como o Trivas via alguma coisa no RPG cancerígeno que aparentemente ninguém queria, eu desconfio que exista uma dungeon do caralho em algum lugar, e penso em chegar nela nem que seja cultivando úlceras e batendo a cabeça em todos os cantos do cenário.

*Renato Bueno (@rbueno) é editor do site Kotaku Brasil.

Autor: - Categoria(s): Brasil dos Games, Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , ,

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8 comentários para “O que é o Brasil dos Games, Parte 12”

  1. Foobar disse:

    Eu deveria ter recebido xp por ler este texto mas o cap do meu trial já foi atingido…

  2. Gus disse:

    Falou e disse, mas cadê as fotos de cachorro? As menções a Paola?

  3. Caio Teixeira disse:

    “Ow, tu joga o que?”, perguntou um Bueno cansado, num final de tarde na falecida Futuro.

    “Cara, ultimamente só PC mesmo, mas o meu nem é muito foda”, respondi tentando não parecer tão novato quanto era.
    “Então me manda umas linhas de The Sims 2?”.

    O Bueno nunca teve a menor noção, ainda mais quando chegou um dia de Video Games Live e ele soltou: “porra, Dropkick Murphys é bem foda”. O fãs da música de joguinho todos de olhos arregalados.

    E o cara ainda teve as moral de cultivar uma úlcera maneira – a qual eu e Bagaço presenteamos com o Livro do Whisky.

    Moleque tenso que ainda teve as moral de abandonar games por um tempo e colar num lamaçal tão grande quanto em Tecnologia. Muito loco na quebrada da Alameda Santos.

    Então chegou no Kotaku, com o devido cargo e holofote merecidos. Mano vai longe com o Totilo, que ainda esquece que rola esses esquemas de Brasil. Normal.

    Irmão, arruma essa merda de estômago que preciso te pagar uma canjibrina num show do Flogging Molly.

  4. MEU CD disse:

    OI BUNEO TUDO BOM VC AINDA TA COM AQUELE MEU CD DE ISTALAÇAO DO AOL+PANDA ANTIVIRUS AI? ABS E OU GOSTEI, DO TEXTO PARECE AQUELS CARA Q ESCREVE NOTICIA

  5. bueno disse:

    Faltou dizer que nessa “dungeon do caralho” do último parágrafo vai estar o Pablo, por mais que ele tente fugir.

    Caio: É noiz, manow. Estômago pronto (e redação Kotaku mudando pra Rua Amauri em breve).

    Gustavo: Vamos ficar devendo por hoje.

    Foobar: Mas se comentou ganha mais 15 dias.

    O último ali: Estou contratando postadores de notícias e/ou analistas, interessa?

  6. Erik Gustavo disse:

    Nota de gráficos: 10, mas poderia durar mais pra um jogo de 200 reais.

  7. Pirajuí disse:

    coisa mais linda.
    esse blogue aqui tá acabando, é isso?
    não acompanhei direito

Os comentários do texto estão encerrados.

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