Publicidade

Publicidade
27/09/2011 - 21:06

O que é o Brasil dos Games, Parte 11

Compartilhe: Twitter

Vamos a mais BRASIL DOS GAMES?

O texto-homenagem hoje é da Rosa Arrais. Quem trabalha com jornalismo de games no Brasil a conhece (e se não a conhece, é porque não trabalha direito). Rosinha, como ela é chamada, comanda uma empresa especializada em assessoria de imprensa, a Rosa Arrais Comunicação, cuja história meio que se mistura com a trajetória dos videogames no País.

Ela mesma relembra: “Escrevi meu primeiro release de games – sobre o Dynavision – em 1990. Nunca mais sai do mundo dos games. Tive a sorte de fazer parte de acontecimentos importantes, como o lançamento do primeiro jogo dublado, o primeiro jogo legendado, os primeiros jogos em português, o primeiro jogo censurado (Carmagedon). Já fiz assessoria de imprensa para feiras de games, eventos, campeonatos. Lancei jogos, acessórios, sites e empresas de games. Já divulguei jogo casual, jogo para criança, jogo educativo, jogo que foi proibido, jogo para PC, para celular, para console… 21 anos deu tempo de fazer muita coisa, ter muitas lembranças e muitos amigos”.

Isso diz tudo sobre o que virá do texto abaixo. Só posso agradecer a Rosinha pela participação na semana de despedidas do Gamer.br. Leia tudo, reflita e não deixe de escrever seu recado lá no final.

***

O Brasil dos games de ontem – e de hoje

Por Rosa Arrais*

Recentemente, num fórum de um grande portal, um leitor disse ter a impressão de que os veículos midiáticos estão mais preocupados com suas passagens para feiras de jogos e com reviews repletos de jabá do que em praticar o jornalismo, investigar e denunciar. Também um dia desses, li que o presidente do Redner Group, agência de relações públicas responsável pela divulgação do Duke Nuker Forever, postou em seu Twitter que embargaria o envio de informações e cópias para teste para todos os veículos que publicassem noticias depreciativas ao jogo. A ação, dizia a matéria, foi condenada pela 2k Games, que cancelou o contrato e disse aceitar todo tipo de crítica.

Quando o assunto é games, parece que não há dúvida de que a imprensa é o quarto poder, principalmente quando se inclui no bolo a massa de blogueiros e de anônimos que atuam como instituições democráticas de comunicação. Apesar de toda essa força, a mídia de games no Brasil não tem o devido reconhecimento. Agora, por exemplo, quase todos remetem o crescimento do mercado brasileiro de games ao fato de as grandes empresas estarem no País ou em vias de se instalarem ou fabricarem aqui, ao recuo da pirataria, à realização de grandes feiras, ao lançamento de jogos legendados etc. O Brasil se tornou a bola da vez também para os games e até o Governo já olha para o segmento com outros olhos, e não mais apenas para classificar os jogos por faixa etárias.

Será que estaríamos nesse estágio se, anos atrás, a mídia já não tivesse apoiado as primeiras iniciativas? Nem falo da mídia especializada, que essa nem existia. Em dezembro de 1990, por exemplo, na coletiva realizada pela BraSoft para anunciar que, além de softwares como o processador de textos WordStar, ela passaria a distribuir jogos para computador, comparecerem quatro ou cinco ornalistas, daqueles que escreviam sobre mainframes e reserva de mercado mas que, rapidamente e sem preconceito, começaram a escrever sobre o Sim City, simulador de cidades da Maxis e um dos 30 títulos para PC que estavam sendo lançados no Brasil. Os jogos eram para DOS, e só quem usou esse sistema operacional sabe o que isso significa. Nem adiantava ceder uma cópia do jogo para o jornalista. Dificilmente ele conseguiria ou poderia mexer em toda a configuração do – muitas vezes – único PC da redação para instalar e resenhar. Para dar a notícia, o jeito era ir até a BraSoft , ver o V. Schultz jogar, ler o manual e botar a imaginação para funcionar. Sem dúvida, cada matéria era um aval para o surgimento do mercado de games. Jornais de todo o país passaram a ter uma seção ou coluna de games. E revistas como Ação Games, Computer Games, SuperGamePower, Revista do CD-ROM e CD-ROM Today, que muitos jogadores de hoje nem chegaram a conhecer, foram alicerces para muito do que se lê hoje.

Jornalistas, entusiastas, fãs e, recentemente, blogueiros. O que esse povo já fez pela paixão pelos games e por acreditar nesse mercado vale entrar para a história. Lembro-me do Reinaldo Normand, um dos fundadores do Outerspace, lutar contra a censura nos jogos e ser ameaçado de processo por um deputado mineiro. Lembro-me do Theo Azevedo, ainda menino, batalhar para conseguir entrar no mailing das empresas de jogos e botar o TheoGames no ar. O mesmo esforço do Gabriel Morato, do Batz (ai, que saudade!!!)…

Enfim, o Brasil dos Games de hoje deve muito à imprensa que fez o Brasil dos Games de ontem. Alguns continuam no jogo, outros deixaram o jornalismo mas continuam na área, como é o caso do André Ruas e do Ivan Cordon, e outros continuam na mídia mas deixaram o joystick, como a Silvia Bassi, Monica Pina e Mario Fittipaldi, entre tantos outros. Mas todos merecem ser reverenciados pelo importante papel que tiveram para o mercado ser o que é hoje.

Como o mercado brasileiro, a imprensa de games se profissionalizou, amadureceu e, principalmente, cresceu. De um mailing feito à unha, com cerca de 80 nomes de profissionais de todo o Brasil e de todas as mídias (jornais, revistas e sites), passamos para uma base de quase 400 nomes de jornalistas e blogueiros interessados no assunto. Isso sem contar os que não cobrem sistematicamente o setor, mas que, dependendo da pauta, estão na roda. No começo desse ano, o Gamer.br foi testemunha desse número crescente. A votação para eleger os melhores jogos de 2010 contou com 88 profissionais, 49 a mais do que em 2007. Além do maior número de jornalistas e blogueiros de games, cresceu também o interesse de outras editorias. Em 1996/97, fui elogiada por ter conseguido a capa da Ilustrada para a Lara Croft. Era um feito inédito. Hoje, ainda é difícil expandir as fronteiras e conquistar uma notícia fora da mídia especializada, mas a receptividade é maior, principalmente por parte da mídia de negócios que não mais ignora a participação do entretenimento eletrônico na economia mundial.

Como o mercado brasileiro, a mídia especializada também tem um longo caminho pela frente. Tento ser a ponte entre as empresas de games e a imprensa, enxergar os dois lados, pensar como jornalista e agir como assessora, mas sei que ainda é preciso batalhar muito para mostrar a relevância da imprensa brasileira para a indústria estrangeira. Não sei de nenhum caso como o do responsável pela divulgação do Duke Nuker Forever, mas mesmo no Brasil dos Games de hoje ainda há quem tenha uma visão equivocada do papel do jornalista. Assim como há, por outro lado, jornalistas tão ácidos e negativos que a impressão que se tem é que não querem o Brasil dos Games.

Mas isso é outra história. Hoje, a ideia é bater continência para a mídia de games e reconhecer todo seu esforço para ajudar a construir, retratar e promover o Brasil dos Games. Ao Pablo, um dos generais mais respeitados, um agradecimento especial pelo que fez e por tudo o que, esperamos, fará em uma próxima versão.

*Rosa Arrais (@RosaArrais) é fundadora da Rosa Arrais Comunicação.

Autor: - Categoria(s): Brasil dos Games, Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , ,

Ver todas as notas

4 comentários para “O que é o Brasil dos Games, Parte 11”

  1. Mateus Rodrigues disse:

    Estou há poucos meses na área do jornalismo de games e já pude conhecer a competência da Rosa Arrais. Excelente texto, e muito bom o espaço dado a esse exemplo de profissional.

  2. Théo Azevedo disse:

    Tenho até hoje numa pasta a carta timbrada da Rosa Arrais Assessoria de Comunicação, que recebi da Rosinha em 1996. Basicamente, a carta dizia que a partir dali eu passaria a receber os jogos da Brasoft. Todos eles. Imagine só: eu, com 14 anos e comprando do próprio bolso os jogos que resenhava pro jornal de Bauru, recebendo games de graça.
    Nunca esquecerei quando a perua do Sedex parou pela primeira vez na porta de casa com uma embalagem cheia de games para PC.
    Foi uma honra viver essa fase, como é uma honra maior ainda ter a Rosinha como minha madrinha.
    Nunca vou conseguir agradecer o suficiente, tampouco retribuir.
    Beijos, madrinha!

  3. Thiago Mantoani disse:

    Pergunta: O Gamer.br irá sair do ar também ou apenas parar de publicar matérias? Porque eu preciso destas matérias para estudo e não gostaria de mante-las em um documento pessoal.

    Eu sou uma pessoa que deve agradecer muito esta sessão de matérias do Gamer.br até porque esta me ajudando bastante em uma apresentação que terei que fazer em um workshop do Mercado de Games.
    E também tenho que agradecer muito a nomes como Pablo Miyazawa, Théo Azevedo e tantos outros, porque desde meus 8 anos até uns 18 eu acompanhei varias revistas e vejo o nome destas figuras carimbadas em muitas matérias e em importantes cargos do jornalismo de jogos.

    • Pablo Miyazawa disse:

      Thiago, recomendo que vc salve tudo o que encontrar, porque não sei ainda o que vai ser do conteudo do blog. Não sei se ficará online por um tempo ou se o iG vai tirar do ar. Eu já estou fazendo isso!
      abraço e obrigado pela força!
      Pablo

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo