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26/09/2011 - 17:52

O que é o Brasil dos Games, Parte 10

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Começou a derradeira semana do Gamer.br.

E as homenagens e despedidas não param. Garanto um texto novo por dia até sexta-feira. E para começar, tenho a presença do amigo Caio Teixeira, um dos editores do portal Arena Turbo, do iG, que hospedou este blog nos últimos cinco anos. Ao invés do formato convencional de artigo, o Caio – que quem conhece sabe que tem opiniões fortes – resolveu escrever uma carta aberta endereçada… a mim. Acho que não há muito o que se explicar antecipadamente, mas interprete-a como um bem escrito desabafo a respeito do chamado “Brasil dos Games” em que vivemos. Leia, reflita e não deixe de comentar no final.

***

Carta aberta ao Pablo

Por Caio Teixeira*

Pablo,

É sempre “curioso” quando encontro contigo nos eventos “dus game”: pode ser uma leitura totalmente errada minha, mas sempre pareceu que você estava dando um “adeus” enquanto falava um “olá”.

Em algum momento, o Renato Bueno (agora editor do Kotaku Brasil, na época era da EGM PC) achou uma boa ideia me chamar para escrever sobre The Sims 2 (acho que era o dois… Não lembro, já bebia muito na época). Desde então acompanhei o “Brasil dos games” mais perto do que simplesmente através das banquinhas do Promocenter. Sabe o que notei? O “Brasil dos games” cresceu e, assim como aquelas tchutchuquinhas bonitinhas, ficou mais chato.

Não entenda-me mal, essa jovem cheia de não-me-toques hoje paga meu salário – e de mais uma galera maluca aê. Ela era muito mais jovial, cheia de ginga, carinha de ordinária, mas pelo menos andava com a galera e tacava o terror nos bailinhos da escola. Hoje é uma coisa politicamente correta que dá nojo, todas as passadelas de mão pelas quais ela praticamente implorava, hoje rejeita e nega como se nunca houvesse bolinado os amiguinhos atrás da sala do diretor.

E isso tudo eu digo apontando o dedo para nós mesmos, Pablo. Onde foi que eu, você e todos os outros jornalistas ficamos tão velhos (como dizem por aí)? Tão chatos? Tão orgulhosos do próprio mercado que nem conseguimos enxergar mais a “banalidade” do que falamos? “Videogame é coisa séria, mano! Expressão cultural tensa!”, é isso daí… Perdemos o gosto de jogar e de falar sobre isso.

Sou paternalista pra cacete, um problema que se reflete em todas as áreas da minha vida, gera conflitos e por aí vai. Mas será que isso é um problema só meu ou, realmente, tudo anda mais cinzento? Os problemas parecem sambar na cara de todo mundo, enquanto as pessoas ficam olhando para o lado oposto, onde uns tantos aí fazem malabares para descontrair o ambiente.

Ou sou só eu, mesmo? Pode ser, pode ser… Ou melhor, espero que seja.

Hoje, para mim, jogar videogame se tornou algo se não chato, pelo menos burocrático. Cheio de gente que manja muito mais do que você, só que das coisas que não são videogame – especialistas em produtoras, em nomes obscuros que fazem jogos apenas para eles mesmos. Tudo o que não é divertido, não é lúdico e não importa de verdade a galera sabe. Agora, vai perguntar para essa galera quando foi a última vez que enfiaram o pé-na-jaca só pela graça (e tristeza) de ser jornalista. Quando foi a última vez que conseguiram relacionar uma experiência totalmente pessoal (um livro, um causo, uma música) ao review de um jogo, que, é sim, o ápice da opinião/vivencia pessoal do maldito repórter/editor.

O mercado está melhor. Hoje a classe média pode esfregar com orgulho na cara da galera que ainda pirateia as centenas de matérias que saem falando sobre os grandes investimentos no País. Não ter dinheiro para comprar joguinho não está mais na moda, agora é a hora de pagar 1/4 de salario mínimo em um game, falar que tá caro, mas condenar o bróder que destravou o Xbox 360. Pirataria é o caminho? Não (mas realmente não sei se sou tão enfático nessa negativa quanto era uns anos atrás), mas eu não sei qual é também. Sei lá, eu, como jornalista, nunca tive o papel de dar caminhos, só mostrar os fatos (acertos e erros). Mas, aparentemente, atualmente não se pode apontar o erro sem dar solução, e não podemos apontar solução se não conseguimos coloca-la em prática. Somos escravos da assertividade e do discurso pró-ativo.

De qualquer forma, acho que nem eu daria muita atenção a tudo isso que eu falei, sou um cético-hiperbólico-sarcástico por natureza. Posso só estar sendo chato.

Ou não.

Queria lembrar de quando jogar videogame era um bagulho cru feito com os amigos, tipo isso:

Pablo, você é o cara mais diplomático que conheço. Por um tempo achei que isso era um defeito seu, hoje enxergo mais como uma excentricidade digna de uma boa pessoa. Foi uma honra poder falar, durante todos estes anos, que o Gamer.br fazia parte do guarda-chuvas de games no iG. Acho que poderíamos ter trabalhado ainda mais perto. Mas também acho que nossa distância sempre foi produtiva para a sua liberdade aqui. Sua partida nunca será esquecida, mas a sua estadia será ainda mais lembrada.

Boa sorte, japa. Tu merece.

Abraços,

Caio Teixeira

Caio Teixeira (@caio_o_teixeira) é um dos editores do Arena Turbo.

Autor: - Categoria(s): Brasil dos Games, Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , ,

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8 comentários para “O que é o Brasil dos Games, Parte 10”

  1. Matheus S. disse:

    Entendo quando o Caio diz que o “Brasil dos games” cresceu e ficou chato. Que os jornalistas envelhereceram e ficaram chatos. Ainda digo mais, foram só eles? E os consumidores? E a indústria? Digo que Também cresceram e também ficaram chatos.

    Sinceramente Caio, compartilho dessa tua visão. Assim como vc, dificilmente consigo encontrar o sabor e o prazer que sentia nas coisas, as mesmas coisas que anos atrás, eram tão boas.

    Mas acho (e espero) sinceramente, que quem envelheceu não foi a indústria, não são as pessoas que estão chatas, talvez os velhos e chatos sejamos nós mesmos.

    Penso que, no fundo, somos muito velhos para disfrutar e ainda muito jovens para ter a experiência e visão necessária para entender que na verdade, somos apenas chatos.

    Afinal de contas o “Brasil dos games” melhorou e ainda vai melhorar muito mais. As notícias sobre essa indústria por aqui, são em sua maioria positivas e nos enchem de esparança a não ser quando nos lembramos do encerramento deste blog.

    Pablo, obrigado e boa sorte!

  2. bueno disse:

    Rapaiz.
    Altas verdades aí, sem frescura. Mas fica frio, Caiow, que essa tchutchuquinha vai se arrepender um dia, como todas.

    (E não só era The Sims 2, como era The Sims 2 – Histórias da Vida http://i.imgur.com/RpNim.jpg)

    ALSO: Red Fang

    • Caio Teixeira disse:

      Hahahaha! Mandou um print nível “minha-mãe-que-guarda-meu-portfólio”. Valeu mano…

      ALSO: até que enfim alguém comentou de Red Fang, muito mais interessante do que eu escrevi.

  3. Foobar disse:

    Relaxa malandro, vai ter um AVC…
    O Mercado cresceu no mundo inteiro e sempre tem gente que quer explorar as “novas oportunidades”. E aí entram os executivos burocratas e as corporações, o governo cria uma secretaria especial para isso e as coisas complicam. Mas assim é o mercado de jogos e assim é a vida. Ninguém pode ficar brincando no quintal para sempre, tem que crescer e ter responsabilidades e blablabla. O importante é não esquecer de brincar no quintal de vez enquando…

  4. Jaspion disse:

    Sou ruim em interpretaçao de texto ou o Caio deu tanta volta q parou no msm lugar?

    Estou esperando o texto do Gus,q vai ser estilo Erik Gustavo.

    • Pablo Miyazawa disse:

      Jaspion, o texto do Gus será surpreendente – porque não será um texto do Gus. Aguarde. Sexta. Abraços!

  5. Jaspion disse:

    Apenas no aguardo,Pablo.

Os comentários do texto estão encerrados.

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