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Arquivo de agosto, 2010

31/08/2010 - 11:48

Entrevista da Semana: Mark Wentley (Nintendo of America)

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Vamos zerar o assunto e começar de novo? Então vamos.

A Entrevista da Semana do Gamer.br é com Mark Wentley, o gerente de marketing e vendas da Nintendo para a América Latina. A conversa com ele rolou em junho, durante a E3 2010, em Los Angeles, e só está vendo a luz do dia hoje porque o tema discutido não poderia estar mais em voga: a atual situação do mercado brasileiro de games.

Pressionei Wentley sobre as dúvidas que normalmente os leitores endereçam a mim a respeito da Nintendo e da presença da empresa no Brasil. De certa forma, eu já estava me preparando para a matéria que finalizei hoje sobre a indústria nacional, para a edição de setembro da Rolling Stone Brasil (nas bancas em 10/9). Por conta de ter sido feita em junho, não há perguntas a respeito do lançamento do PlayStation 3 no Brasil – mas tenho conhecimento de que a Nintendo raramente cita os concorrentes em suas entrevistas, portanto nem fez tanta diferença assim. Enfim.

A seguir, as palavras de Wentley, o executivo norte-americano que responde pelas ações da Nintendo em nosso país. Leia, comente e passe adiante.

***

Gamer.br: Todo ano eu lhe pergunto o seguinte: o que a Nintendo planeja para o mercado brasileiro nos próximos anos? E o que mudou de 2009 para agora?
Mark Wentley: O que posso lhe dizer: em termos de informações novas,  não tenho nada para dizer nesse momento. Mas o que posso dizer é que para nós, a importância só cresceu. A resposta do mercado só cresceu e nosso interesse pelo Brasil só se torna maior a cada dia. Mas como você bem sabe, e já falamos antes sobre isso, é uma situação das mais complexas dadas o regime político, as complexidades das importações, os impostos, a distribuição é uma situação bem complicada, o que interefere no tempo em que é gasto para se fazer as coisas do jeito correto – e isso demora. Então, nós queremos ter uma presença maior, e há diversas maneiras de fazer negócios no Brasil, mas leva tempo para se fazer as coisas certas. Vamos continuar a estudar e avaliar a situação e queremos estamos estar mais envolvidos com os consumidores e com o mercado no futuro.

Houve reclamações sobre a falta de produtos Nintendo nas lojas brasileiras. Parece que estava difícil encontrar o Wii e o Nintendo DS para vender, assim como os games. O que o consumidor deve fazer para evitar comprar produtos no mercado cinza, ou importar por conta própria? Ou seja, o que o consumidor tradicional precisa fazer para conseguir comprar o produto que deseja?
MW:
Bem, estou um pouco curioso para saber de onde você está tirando essa informação, porque nós estamos vendendo produtos. Enviamos produtos o tempo todo, há Wii disponíveis. Eu estive no Brasil há um tempo, fazendo um acompanhamento do mercado, e havia produtos. Então, não tenho certeza de onde você tirou isso.

Foi uma pesquisa pessoal que fiz – fui a diversas lojas e perguntei a alguns vendedores e consumidores a respeito dos produtos. E o que me disseram é que não está assim tão fácil encontrar Wiis, mas também há diversas lojas online vendendo o console em promoções. Mas por outro lado, você acha que poderia haver mais produtos Nintendo nas lojas? Ou mais material de merchandising, displays, essas coisas?
MW:
Certamente, há espaço para melhorarmos nossa distribuição localmente. Mas, dados o tamanho do país e a complexidade em se colocar os produtos lá dentro, a distribuição se torna é um dos grandes desafios no Brasil. Mas você vai acabar percebendo mais e mais o que estamos fazendo e verá que há sim, produtos disponíveis. É interessante você ter dito isso, porque estou interessado em obter mais informações específicas. Afinal, eu sei que há produtos disponíveis no Brasil.

E o que a Nintendo tem feito especificamente para melhorar sua participação no mercado brasileiro? Por exemplo, vocês checam relatórios mensais com números, essas coisas?
MW:
Como você bem sabe, nós trabalhamos com a Latamel e eles são os responsáveis pela região. Temos uma equipe exclusivamente dedicada ao mercado brasileiro, então certamente nos encontramos com eles e definimos as estratégias. Temos campanhas de marketing, você verá anúncios nas emissoras de TV a cabo, campanhas online, revistas… há bastante suporte nesse sentido. Então nos investimos muito em marketing para lançar os produtos no Brasil, e não faria sentido não ter produtos para vender. Essa parte é extremamente importante e com certeza estamos fazendo, investindo em distribuição, constantemente buscando maneiras de melhorar nesse sentido.

No que diz respeito ao mercado brasileiro, temos uma situação  interessante: os dois principais concorrentes atualmente realizam ações bastante especificas. Temos a Sony lançando o PS2 e talvez o PS3 [a entrevista foi realizada em junho, antes do lançamento do PS3 no Brasil]. Temos a Microsoft lançando games mensalmente e preparando a rede Xbox Live. Aos olhos do consumidor, talvez seja um pouco desapontador que a Nintendo não esteja “pessoalmente” mostrando seu poder em território nacional, uma vez que não há um escritório, como havia antes. O que você tem a dizer para o consumidor brasileiro, que vê a competição se mexendo e presencia a Nintendo “na mesma”?
MW:
Para começar, eu compreendo o que você quer dizer e agradeço por seus comentários. Entendo que os fãs gostariam que a marca estivesse o mais próximo o possível deles. E uma maneira de fazer isso é, conforme você mencionou, ter uma presença direta. Tudo é uma questão de como melhor servir o consumidor brasileiro. Seja ter atendimento especializado, entregar os produtos nas lojas, se comprometer com essas coisas. Então, seja lá qual for a maneira que essa presença ocorrer, com presença direta, ou através de um distribuidor, ou de qualquer outra maneira, o objetivo é sempre o mesmo: nós oferecermos um bom serviço, levarmos os produtos e mostrarmos o “amor”, por assim dizer, ao consumidor brasileiro. É isso que, no fim das contas , eles desejam. Essa é a mensagem que quero passar.  E também digo que estamos procurando por outras alternativas, porque, sabe, é uma situação que está em constante mudança. O Brasil não irá diminuir, não irá se tornar de repente um mercado menor – o país veio para ficar e não para de crescer.

Como a Nintendo enxerga o Brasil nesse momento? Temos eleições presidenciais, o país continua a se destacar como uma força econômica mundial…
MW:
Honestamente, do ponto de vista do business, da economia, eu estou muito impressionado. Porque havia muita incerteza, muita infidelidade no mercado nesse momento, mas no Brasil, as coisas estão correndo incrivelmente bem. Se você olhar do ponto de vista econômico, o país não está apenas gerenciando bem, mas tem ótimas perspectivas para o futuro, no que diz respeito à força de trabalho e os recursos disponíveis. E o potencial que existe nessa força de trabalho, o nível de educação, é realmente impressionante. É por isso que este mercado é muito importante e estamos olhando com muita atenção para o Brasil. É um foco não apenas para a Nintendo, mas para diversas outras indústrias, por conta de seu potencial e seu papel no mundo atualmente.

Há uns anos surgiu a expressão “BRIC”, para designar os países com maior potencial para crescer – Brasil, Rússia, Índia e China. Você acha que essa designação já estaria defasada? Esses países se encontram no mesmo nível atualmente?
MW:
Eu não sou um economista e não estou muito por dentro do R, do I e do C, mas conheço um pouco do B. E o B é um “B” maiúsculo. Vamos definir assim. [risos]

Sei que a Nintendo não fala sobre números, mas você poderia tentar mensurar o tamanho do mercado ocupado pelo Wii e pelo Nintendo DS no Brasil? Quantas pessoas estão jogando seus consoles agora no país?
MW:
É uma ótima pergunta. Honestamente, eu não tenho muita ideia. Um dos desafios que enfrentamos também é a importação paralela. A Nintendo foi uma player dessa indústria e tentou por muito tempo lutar contra a pirataria e a importação paralela e ilegal. Certamente, entender a quantidade de produtos que entra por essas vias é algo impossível. O que eu posso dizer é que o potencial do Brasil é enorme. Neste momento, o México é o nosso maior mercado. Mas, em termos de potencial geral, o Brasil certamente representa o maior potencial que nós temos nesse momento. Mas em termos de quantidade de consoles, nós não temos essa informação.

E em termos de potencial, quão grande é o nosso mercado?
MW:
No meu entendimento, tenho sempre uma conta na cabeça: há hoje por volta de 100 milhões de brasileiros com 18 anos de idade ou menos. Nós sabemos que a juventude é mundialmente focada em tecnologia, especialmente em videogames.  Nós procuramos maneiras de integrar os videogames mais e mais nas vidas dessas pessoas, uma vez que eles já utilizam a tecnologia para se divertir, se informar, se comunicar entre si, ou, simplesmente, fazer isso uma parte integrante da vida. Com 100 milhões de pessoas abaixo de 18 anos, isso nos representa um mercado gigantesco.

Há diferenças entre o consumidor brasileiro e o de outros mercados grandes? O que faz o consumidor brasileiro ser diferente do norte-americano, por exemplo?
MW:
Eu diria a juventude. Eu provavelmente não tenho acesso a todos os dados, mas um que com certeza chama a atenção é a juventude. Mas se você olhar para os demográficos, verá que o fato de o Brasil ser um país jovem é algo muito relevante. Eu não tenho os números aqui de cabeça, mas, por exemplo: se você comparar com outros países da América Latina, verá que a penetração da internet é muito alta. A utilização de computadores domésticos é muito forte e a penetração de computadores com internet também é muito alta. Então, nesse sentido, eu estou bastante empolgado com esse potencial.  Comparado aos outros mercados da América Latina, isso é algo que nos causa grande interesse.

Falando sobre o lançamento de outros produtos Nintendo, como o Nintendo 3DS, quais são os planos para o Brasil?
MW:
Lançaremos o 3DS nos mesmos meses que nos outros países da região. Estamos nos comprometendo a lançar na América Latina – incluindo no Brasil – no mesmo momento em que pretendemos lançar nos Estados Unidos.  Ou seja, a data que definirmos para o lançamento aqui [Estados Unidos] será a mesma que honraremos na América Latina, então você pode esperar ver o produto no Brasil ao mesmo tempo em que o tivermos aqui nos Estados Unidos. E é interessante dizer, especificamente sobre o console: o investimento e o compromisso das empresas desenvolvedoras de jogos têm sido muito alto. Temos literalmente dúzias de empresas conosco, e os games que iremos lançar – FIFA, Pro Evolution Soccer, Resident Evil, The Sims, DJ Hero, Kingdom Hearts… É simplesmente um conjunto incrível de franquias que subiram à bordo e darão suporte ao novo Nintendo 3DS. Estamos muito empolgados com isso. E antes do lançamento, teremos também um período excelente no fim do ano, com Zelda, Donkey Kong, Mario, Metroid, GoldenEye, Golden Sun, Nintendogs, Paper Mario… Uma variedade incrível de títulos, e estamos muito felizes de poder oferecer isso aos consumidores e fãs.

Quando você olha para suas duas concorrentes, você acha que a Nintendo ainda está seguindo um caminho independente em se tratando de tendências e tecnologia? Em 2006, vocês lançaram o Wii, e agora Microsoft e Sony estão tentando basicamente fazer a mesma coisa, mas com tecnologia mais avançada. A Nintendo sempre esteve em seu próprio caminho, mas o que ocorre agora? Eles estão tentando fazer a mesma coisa que a Nintendo, ou seria algo diferente? Ainda há outro caminho a ser seguido ou vocês estão competindo pelo mesmo mercado e consumidores?
MW:
Nós, definitivamente, queremos estar em nosso próprio caminho, para usar a sua analogia. Acho que uma grande prova disso é o lançamento do Nintendo 3DS. Porque pela primeira vez estamos oferecendo um console em que você não precisa de óculos para experimentar o 3D. Você não precisa de um aparelho de televisão caro, e você ainda pode carregar essa experiência com você para todo lugar. Então, nós fundamentalmente acreditamos que este é um divisor de águas.
E em se tratando do Wii, sentimos que este também é um exemplo de como estamos mudando os rumos da conversa, levando a indústria para um caminho totalmente diferente e nunca visto antes. Você mencionou que há diversos controles com sensores de movimentos, que há diversas empresas agora envolvidas com esse tipo de tecnologia: bem, falando sobre o que viemos falar aqui [aponta para o 3DS]: esta é uma nova era pra nós,  e estamos levando tudo para o próximo nível. E as empresas reconhecem isso e estão do nosso lado. Enquanto estivermos pensando no próximo passo, enquanto não estivermos necessariamente preocupados com quantos pixels o game vai ter, ou especificações técnicas, mas, ao invés disso, como podemos criar uma experiência mais interessante. Ou, em como podemos criar a próxima experiência incrível para o consumidor. Aí sim, estaremos bem. É exatamente isso que estamos tentando fazer com o anúncio de hoje sobre o Nintendo 3DS.

Vocês não mencionaram data de lançamento ou o preço do 3DS…
MW:
Não temos essa informação ainda, nem data ou preços, pelo menos por enquanto. O que posso dizer é que estamos comprometidos a lançá-lo pelo menos em uma região, antes do final do ano fiscal, o que significa até março de 2011. Mas só o que podemos falar é que o lançamento será em 2011.

Você acha que o preço dos produtos Nintendo são compatíveis com a atual situação do brasileiro médio? Quer dizer, continua sendo caro comprar um novo videogame no país. Quando Nintendo possuía uma presença “física” no Brasil, me lembro de que os produtos da empresa sempre foram os mais caros do que os outros, muito porque a empresa estava lá oficialmente, fazendo todos os processos legais. Agora, Microsoft e Sony estão vendendo seus produtos oficialmente por lá, e obviamente eles são bastante caros. E o Wii, sob essa perspectiva, se encontra numa outra situação – o bundle do Wii pode ser encontrado por um preço até razoável nas lojas. Como você vê isso?
MW:
Sabe, o preço e todas suas complexidades são um tema completamente diferente. Certamente, os componentes que interferem em um preço são diversos e, mesmo olhando tudo, é difícil dizer qual o preço que um produto terá – como você sabe, há muita flutuação no preço do Wii no Brasil. Parte disso vem do fato de nós mesmos termos baixado o preço do console. Mas temos que lembrar que existe um fator multiplicador no Brasil, por causa de todos os impostos, taxas de importação e esses gastos todos. Respondendo a sua pergunta inicial – o preço. Nós entendemos a situação e queremos oferecer valor, mas é certo que um objetivo nosso é reduzir o preço, para assim oferecermos mais valor por um preço melhor. E esse é um foco que jamais deixaremos de ter. Como eu disse, há partes da cadeia do preço que conseguimos controlar, e em longo prazo a gente consegue fazer algo a respeito disso. Mas há outros componentes que não dá para fazer nada, é simplesmente impossível. A gente não controla as taxas de importação, as regras da Anatel e como eles gerenciam as coisas, então temos que manter foco naquilo que podemos controlar. E esperar pelo melhor e ter fé de que poderemos fazer o melhor possível. É sim, algo que desejamos – diminuir preços e continuar oferecendo produtos de valor. É algo que estamos focados em dar ao consumidor brasileiro.

Você diria que este é o maior desafio que a Nintendo enfrenta hoje no Brasil, ou há outros “inimigos”?
MW:
Bem, há muitas coisas, sabe? Há a instabilidade do mercado. Há a instabilidade nas taxas de câmbio. Mas no fim das contas, é uma questão de focar no que você pode controlar, e não no que você não tem controle nenhum. E nos enlouquece ficar pensando muito nas coisas em que você não pode controlar. Então, a gente não pode controlar as taxas de câmbio. Isso afetaria de alguma forma o preço final do produto? Com certeza. Mas nós não podemos controlar isso. O ideal, portanto, é colocar seu maior esforço em coisas efetivas. Nós poderíamos mexer em como fazemos negócios, ou na distribuição, ou projetar qual seria o efeito imediato se baixássemos os preços, por exemplo. São nessas coisas em que nos mantemos focados.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2010, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , ,
27/08/2010 - 16:15

Pesquisa: de onde veio o seu videogame?

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Vou estender aqui a pesquisa que comecei no Twitter. Se você já me respondeu por lá, nem precisa responder por aqui. Se quiser responder de novo, fique à vontade.

Responda ali nos comentários abaixo: Qual o videogame de nova geração você tem? PlayStation 3, Xbox 360, Wii? E como/onde você o adquiriu?

Publicarei o resultado desse questionário aqui e no meu Twitter. Vou utilizar os dados para incrementar uma reportagem que estou finalizando para a Rolling Stone Brasil, sobre a atual situação do mercado de games brasileiro. Após entrevistar representantes principais da Sony, Microsoft e Nintendo, chegou a hora de escutar quem mais interessa – o consumidor. E a ideia é não tentar medir a quantidade desse ou aquele console, mas sim descobrir COMO o jogador brasileiro teve acesso a ele. Estou já apurando os dados e o resultado está me surpreendendo. Vejamos o que você acha.

E vamos que vamos. Na semana que vem, retorno à programação normal.

Autor: - Categoria(s): Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , ,
23/08/2010 - 15:06

Videogame é caro no Brasil… mas porque a indústria assim o quer

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E cá estamos de volta. Como foi sua semana?

Quem diria que esse tipo de assunto inflamaria tanto os ânimos?

Confesso que não esperava tamanha resposta – e tantas negativas. Não pensei que estivesse falando alguma inverdade em meu post anterior. Qual foi o problema, na real? As diferentes leituras que as palavras podem ter.

Fique claro, não sou “a favor” de qualquer empresa fabricante de videogames, muito menos sigo as agendas políticas de tais empresas. Também não sou partidário nem favorável aos preços aplicados no Brasil por essas mesmas empresas. Também os acho errados, injustos e inadequados à nossa realidade. E também tenho a impressão de que essas empresas não nos revelam toda a verdade quando se trata de explicar o porquê desses preços cobrados. Será que um dia já o fizeram?

Qual é a novidade nisso tudo? Provavelmente a total maioria das pessoas que passa por aqui pensa da mesma forma. E em meio a tantas opiniões semelhantes, qualquer desvio de discurso acaba sendo considerado uma facada nas costas, ou ainda, uma traição.

Então, reafirmo – não estou assinando embaixo das decisões da Sony, da Microsoft ou da Nintendo. Eu as questiono tanto quanto você. O fato é que minha aproximação com o assunto é a do jornalista que procura compreender sobre o que está falando. Para isso, é preciso apurar, investigar, questionar, entender. E esse tem sido o meu enfoque para com o assunto, assim como o de outros colegas de profissão. Cada profissional trabalha da maneira que lhe parece adequada, e é isso que venho fazendo.

O que pode ter sido mal-interpretado foi a maneira com que eu quis reforçar a única verdade absoluta nessa história toda: o PlayStation 3 custa R$ 1999,00 e nem toda reclamação do mundo fará isso ser diferente nesse momento. Quem for lá na loja da Sony Style em qualquer shopping irá encontrar esse preço. E conforme já mencionei, o valor não vai cair agora, e muito menos tão cedo. E não sou eu quem está falando, mas a própria Sony Brasil. Na entrevista coletiva em que a empresa divulgou o preço, questionei o seguinte a Anderson Gracias, gerente geral da Divisão PlayStation:

Pergunta: “Esse aí é o preço que vocês estão cobrando agora. Mas existe alguma chance do preço do PlayStation 3 cair em breve?”
Resposta: “Então, a intenção obviamente existe. Mas, em um curto prazo, a gente não vê uma possível queda de preço no console. Assim como, por exemplo, no software: a gente lançou [games] e logo conseguimos reduzir os preços. E tem mais por vir. No console – até porque, como falei inicialmente, o preço seria muito maior do que esse -, a gente não vê possibilidade de redução agora. Médio prazo, sim. A gente pode ganhar em logística, em operação, de alguma outra forma, estamos buscando todas as alternativas. Hoje, de R$ 1999 para 1949 já é uma vitória. Para R$ 1899 então, nem se fala. E assim gradativamente a gente vai buscando relações e melhorias nessa relação.”

***

Então, o objetivo de meu texto jamais foi induzir o leitor à conformidade diante da situação. Foi apenas a tentativa de reportar um fato verídico e consumado. Em outras palavras, mais jornalísticas, se me permite, é isso: “Sony Brasil afirma que não irá reduzir preço do PlayStation 3 no curto prazo”. Diante de uma declaração dessas, qualquer protesto me parece inútil – pelo menos, parafraseando a empresa, em curto prazo. Se o preço irá cair, seja esse ano ainda, no início do ano que vem, ou mesmo em novembro, isso só depende da vontade da Sony – seja lá quais razões os motivem para tanto.

***

Agora o outro ponto polêmico da discussão: Videogame não é produto de massa.

Acho que também me faltou tato e detalhamento à colocação. Onde você leu “videogame”, leia “videogames de última geração”. Vejamos.

Por que no Brasil videogame não é produto para as massas? Porque a indústria assim posiciona esse produto no mercado . Não é uma opinião minha simplesmente – me baseio no fato de que nenhum videogame “de ponta” jamais foi lançado no Brasil por um preço acessível. Foi assim com o Atari da Polyvox, com o Master System e o Mega Drive da Tectoy, o Phantom System e os derivados do Nintendinho de diversas empresas; com o Super NES e o N64 da Playtronic (assim como o Game Boy e seus primos); e com o GameCube da Gradiente Entertainment. Nenhum desses consoles, na época de seus lançamentos, apresentou um custo que pudesse ser adquirido sem crises ou reclamações pela classe média (levando em conta as flutuações de câmbio, a situação econômica em cada época, como é definido o conceito de “classe média” etc – você entendeu o ponto). E nem é preciso citar o Xbox 360, lançado em dezembro de 2006 a meros R$ 2999,00.

Quer dizer, é a própria indústria nacional de games – ou as empresas que a formam – que decide que tipo de consumidor terá acesso ao videogame de ponta. E influenciada pelos fatores que todo mundo conhece – a dizer, carga tributária, pirataria, o diabo a quatro etc -, a indústria cobra o que cobra: preços exageradamente altos, fora dos padrões, insanos e impossíveis para a maioria. Porque assim é o jeito que funciona por aqui.

Muita gente veio me confrontar – “você é maluco dizendo que videogame não é produto de massa”. No Brasil, não é mesmo! Mas ey estava me referindo aos novíssimos videogames, e não ao Dynavision, ao Mega Drive ou a PlayStation 2 chipado da Santa Ifigênia. Porque o brasileiro, de modo geral, dá um jeito de ter acesso aos videogames, mesmo que toda uma indústria diga (por linhas tortas) que aquele produto não é indicado para ele. Se o console de nova geração é impossível de ser comprado, não é por isso que ele vai ficar sem jogar. E hoje, você sabe como é fácil conseguir um PS2 contrabandeado e modificado por um preço razoável em qualquer lojinha de esquina.

Realmente, “há um PlayStation 2 em cada canto do Brasil”, confome me disseram mais de uma vez nos comentários do post anterior. Segundo a Sony Brasil, há mais de 4 milhões de PlayStation 2 no País nesse momento (há quem diga que é muito mais do que isso). Imagino que esse número poderia ser muito maior se a “indústria” assim o permitisse. A culpa não é do consumidor brasileiro, que faz o que pode (e o que não deve) para não ficar sem a diversão que lhe é de direito. Querer é poder. Mas isso não quer dizer que os videogames sejam destinados para a massa no Brasil. Não são, mas as pessoas correm atrás. E é por essas e outras que somos um dos países com maior potencial “para dar certo” – nas palavras das próprias empresas que formam a indústria de games.

Será que ficou claro? Se não, a gente pode ir mais fundo. Mas acho que a graça desse tema é não ter solução definitiva. Não há nem um lado muito certo, nem muito errado. É uma discussão sempre válida, pontual, apaixonada e – felizmente (para quem curte uma discussão) -, infindável. E depois ainda há quem discuta a relevância dos videogames…

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , ,
16/08/2010 - 18:16

Videogame no Brasil é caro mesmo. E aí?

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A semana passada foi a mais complexa do ano para os games no Brasil.

E olhe só a contradição. Foi justamente a semana em que a Sony Brasil anunciou o lançamento do PlayStation 3 em nosso território. Quase quatro anos depois do lançamento oficial no mercado internacional, o console ganha uma versão quase brasileira, com embalagem e manual em português, garantia e em conformidade com as normas técnicas do País.

A questão que pouca gente comemorou foi apenas uma: o precinho desse lançamento. R$ 1999,00.

R$ 1999,00, vamos admitir, é um eufemismo: é R$ 2000 mesmo. Afinal, R$ 1 hoje em dia não paga nem um cafezinho no boteco. E este é o console de videogame que, lá fora, pode ser comprado hoje em dia por US$ 330 dólares (somando impostos). Se convertido no dólar de hoje, daria para dizer que o PlayStation 3 brasileiro está saindo por… US$ 1110,00. Ops.

Convenhamos, é uma conta injusta de se fazer. Mesmo com a cotação do dólar em nível relativamente razoável (por volta de R$ 1,80 – US$ 1), é um exercício de sofrimento fazer essa conversão e constatar que somos cobrados quase três vezes mais do que os norte-americanos pelo mesmíssimo produto. Enfim, a vida é difícil, games são caros, a gente não ganha o que merece…

Ninguém passou batido pela notícia divulgada pela Sony. Este blog há muito tempo não recebia tantas visitas e comentários. E eu diria que 90% dos visitantes não gostaram nada dessa história. Alguns foram mais cuidadosos com as críticas. Outros se valeram da relativa blindagem que a internet proporciona para chutar o pau da barraca e xingar com afinco e força. Seja qual for o tipo de comentário, todos foram lidos. E certamente não só por mim, mas também pelas partes interessadas – a dizer, a própria Sony Brasil.

Temos – eu e meus colegas de profissão – discutido muito esse tema polêmico, seja nas mesas de bar, nos fóruns de internet, pelo MSN e Twitter: será que a imprensa deve se posicionar em se tratando desse tipo de situação? Vejamos.

Não há dúvidas, o PlayStation 3 brasileiro é caro mesmo. Mas o que nós da imprensa devemos fazer nesse caso? Apenas transmitir a informação e deixar o consumidor opinar por conta própria? Ou escancarar nossas opiniões, mesmo que não sejam baseadas em números e fatos, mas em gostos pessoais, achismos e prévias experiências? O que você, leitor, gostaria de ler? Um ataque raivoso, uma defesa fervorosa, ou simplesmente fatos, ou as verdades que os envolvem?

Minha posição aqui no Gamer.br sempre foi equilibrada. Alguns podem chamar de “moderada”, ou “em cima do muro”. Há quem diga que eu prefiro não me comprometer. Pode haver um pouco de verdade nisso. Mas é a maneira que prefiro trabalhar – perguntando o que todo mundo quer saber, escutando todas as as partes envolvidas e apresentando as informações captadas de bandeja para o leitor, da maneira mais descomplicada o possível. As informações estão aí, boas ou ruins, concordando eu ou não. Cabe a você decidir se o preço cobrado pela Sony é ou não abusivo. Cabe a você analisar as palavras apresentadas e concluir se são encheção de linguica, enrolação ou mentira pura, ou se são realmente baseadas na verdade absoluta. É isso o que vou continuar a fazer por aqui. Acho mais justo e mais interessante.

Mas duas coisas eu penso e não escondo:

1. Realmente, gostaria que o PlayStation 3 brasileiro custasse menos, assim como gostaria que o Xbox 360 brasileiro estivesse mais em conta. Não apenas isso, adoraria que o brasileiro, de um modo geral, tivesse condições melhores de adquirir os produtos de consumo que tanto deseja.

2. Tenho certeza que tem gente que gosta de reclamar simplesmente por reclamar. E que mesmo que o PS3 fosse anunciado a R$ 800, muitos iriam chiar sem constrangimento. É interessante o fato de muita gente se tornar doutor em economia nessas horas, mostrando que sabe fazer matemática muito melhor do que os executivos da Sony, Microsoft e Nintendo.

É claro que a gente deseja que mais e mais pessoas tenham acesso aos consoles de ponta. Certamente, é esse também o desejo das fabricantes de videogames. Ao mesmo tempo, essas empresas não estão nessa por filantropia. O negócio desses caras é ganhar dinheiro, única e simplesmente. Se não fosse isso, não compensaria em nada o esforço de desenvolver uma nova máquina de videogame a cada sete anos. Logo, esses fabricantes podem colocar seus produtos à venda pelos preços que lhes der na telha. Ninguém, em lugar nenhum do mundo, é obrigado a comprar qualquer coisa. Eles vendem o que e como quiserem; nós compramos se assim for o nosso desejo. É assim com qualquer relação comercial normal, e é assim que sempre o será.

Isso tudo é óbvio, mas serve para você se lembrar de não gastar tanta energia reclamando que o videogame é absurdo de caro ou que a empresa X ou o executivo Y são mentirosos e inescrupulosos. Nada irá mudar o fato de que o produto custa mais do que a maioria dos brasileiros pode pagar. Mas você tem alternativas, se assim o desejar. Na lei da oferta e da procura, deveria vencer o consumidor. Então, se achou caro o PS3 da Sony Brasil e ainda assim precisa ter um videogame em casa, corra atrás de outro preço. Certamente, irá encontrar algo que se adapte melhor ao seu bolso. A internet é um mundo vasto e amigável.

E por favor, não me compreenda mal. Não falei que você não deva reclamar do que acha errado. Só acho que menos energia negativa poderia ser dispensada com esse tema, porque neste caso específico, estamos falando de uma causa perdida. O que está feito, está feito, pelo menos neste momento. Eventualmente (e assim como rolou com o Xbox 360 e o Wii), o preço do PS3 deverá cair – mas provavelmente, será uma redução insuficiente para fazer o nosso PlayStation 3 ser considerado barato. O preço pode cair cinco vezes em um mesmo ano e nunca será considerado acessível.

Porque, afinal (e muita gente se esquece disso),  game NÃO é entretenimento de massa. Reitero, ainda em negrito – videogame jamais será considerado um produto barato – seja aqui, seja nos Estados Unidos, seja no Japão. Felizardo é aquele que hoje tem pleno acesso a eles. Talvez um dia seja algo acessível à maioria. Eu, de minha parte, torço para que aconteça logo. Enquanto isso seguimos por aqui, questionando, analisando e reportando os fatos.

E amanhã voltaremos à programação normal.

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12/08/2010 - 13:09

Entrevista da Semana: Anderson Gracias (Sony Brasil) – Parte 2

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Rápido e rasteiro, cá está a segunda parte da Entrevista da Semana com Anderson Gracias, gerente geral da Divisão PlayStation da Sony Brasil. Lembrando que ontem, a fabricante divulgou preço e data de lançamento do PS3 no território nacional (a partir de ontem, por R$ 1999, veja o post anterior). Mas falamos sobre outros temas também relevantes na conversa que reproduzo abaixo, na íntegra, sem interrupções. A parte 1 está aqui, para quem não viu.

Aproveite, que é longa, sincera e cheia de detalhes. Não se esqueça de comentar lá embaixo. E divulgue para quem mais quiser ler.

***

Gamer.br: Falando sobre os games: tenho conversando com todas as empresas atuantes no Brasil e  mencionam sempre que a redução nos preços dos jogos passaria por outro caminho. Os jogos são caros basicamente porque são fabricados lá fora. Se fossem prensados no Brasil, tudo poderia mudar. E daí, fala-se na movimentação das empresas para realizar essa prensagem coletiva aqui, como já acontece com os filmes de DVD e blu-ray. Obviamente, a Sony possui os recursos para fazer esse tipo de coisa e ajudar o processo de suas parceiras, no caso, as publishers que lançam jogos para PlayStation 3. Como está essa situação?
Anderson Gracias:
Jogos para PlayStation 2 já são feitos no Brasil, porque são DVDs e é um processo mais simples. Para o PlayStation 3, estamos trabalhando para começar a fazer no Brasil muito em breve, realmente muito em breve. Terá redução de preço? Aí temos uma questão. Hoje a gente já faz certo subsídio para termos o preço que temos. Quando lançamos o God of War 3 a R$ 199,00, todos estavam vendendo lançamentos a R$ 249. E nós colocamos a R$ 199. Hoje, temos lançamentos a R$199, o catálogo e [a linha] Greatest Hits. O lançamento, que é sempre a referência do mercado, é sempre o preço mais alto, e já está sendo subsidiado para ter esse valor, porque hoje os importamos. Mas quando produzir localmente, em um primeiro momento… gradativamente, começaremos a viabilizar melhores preços.

Isso terá a ver com volume também, quantidade de peças produzidas?
AG:
A gente tem um compromisso e o objetivo de viabilizar os melhores preços e a melhor experiência para o gamer brasileiro. Isso é fato. E isso passa por preço, pelas lojas, por disponibilidade de produtos, quais tipos de jogos a gente vai trazer, por tradução de jogos para o português do Brasil, seja com voz, seja com legenda… Enfim, tudo isso faz parte do nosso dia a dia, da nossa rotina – viabilizar os melhores preços possíveis para o gamer brasileiro. E isso não é segredo. A gente realmente vai trabalhar para reduzir preços. Agora, se fizermos jogos no Brasil teremos um impacto imediatamente? Talvez não imediatamente. Mas, certamente, em um segundo momento.

Você sabe dizer qual seria o valor ideal cobrado por um game? Se R$ 199 é o preço mínimo que você consegue fazer por um produto que importa, qual seria o valor mais baixo se você produzisse o game aqui?
AG:
Como eu já coloco dinheiro nesse R$ 199, ele não seria em princípio esse preço – seria uns R$ 249. Então, é muito difícil estimar isso agora. Não dá para dizer. Quando essa operação se iniciar, teremos estudos de custo para saber o que será possível. Não dá para estimar um percentual de redução de preço.

O pessoal da Warner Games me chutou um valor que achei interessante: se um game lá fora custa US$ 59, mais os impostos, então um preço legal para se cobrar no Brasil seria R$ 130. Eu perguntei: “Mas dá pra fazer isso?” E eles responderam: “Se a gente fizer os jogos aqui, dá sim”.
AG:
Seria excelente, um valor fantástico. Se eu tivesse um lançamento a R$ 130 seria demais. Mas não sei, é difícil dizer isso agora. É difícil precisar.

A Microsoft, quando lançou Halo 3 no Brasil, conseguiu fazer um preço de lançamento bastante em conta. Você acha que eles subsidiaram bastante esse valor?
AG:
Investiram, com certeza.

Porque atualmente já não se lança mais jogos a R$ 129 por aqui…
AG:
Certamente eles investiram bastante. Não tem mágica. Tem que colocar dinheiro [em cima] para poder viabilizar esse preço.

Talvez quando eu publicar essa entrevista o PlayStation 3 já tenha sido lançado no Brasil [a entrevista ocorreu em 22 de julho]. Do momento do lançamento até o final do ano, onde você espera que essa operação Playstation esteja? Porque este ano temos uma iniciativa online da sua principal concorrente, e aqui vocês estarão lançando o console com relativo atraso. Em que posição a Sony Brasil vai estar?
AG:
Nós teremos um segundo semestre fantástico pela frente. Começa com o Move. Não sei se você teve a oportunidade de jogar lá na E3. O Move, diferentemente talvez da concorrência, não é um controle só para o casual gamer, mas é para toda a família e também para o hardcore gamer. Estamos falando aí de Heavy Rain com o Move, jogos de tiro em primeira pessoa, esporte, enfim. Vamos movimentar fortemente o mercado com o lançamento do Playstation Move. Daqui para o final do ano teremos vários jogos compatíveis com ele, além de jogos em 3D, que é uma questão que cresce a cada dia que passa. Em 2 de novembro teremos o lançamento de Gran Turismo 5 em 3D, que certamente será o maior lançamento do ano. Vamos investir bastante, fazer muito barulho. Temos várias ações sendo desenhadas para isso.

E o que a gente espera em dezembro, qual é o sonho nosso? O mercado estar mais oficial em relação ao PlayStation 3. A gente tem certeza de que não estará 100%, longe disso. Mas certamente o varejo brasileiro estará vendendo o PlayStation oficial, os acessórios do Playstation Move,e toda a gama de jogos que a gente vai oferecer. Com relação ao volumes de vendas, hoje estamos num patamar legal na América Latina. No México, lógico que o mercado é maior, bem mais maduro do que o nosso. Eles já lançaram o Playstation 3 há mais tempo, mas estamos muito próximos disso, e o nosso potencial é de ser ainda maior. Dentro da América Latina, certamente seremos segundo colocados até o final do ano, mas já encostando. E em volume de vendas, estaremos super bem.

Vocês pretendem lançar o Move simultaneamente ao mercado norte-americano?
AG:
No mesmo dia, independente do dia que seja. É uma coisa global. Quando a gente entrou nesse negócio, foi para jogar o jogo. O Brasil não é para ser um seguidor, a gente entrou para fazer parte do negócio seriamente. God of War 3, por exemplo: lançamos três dias depois do lançamento mundial, e não era o que a gente queria. Queríamos lançar no mesmo dia, mas aconteceu um pequeno atraso.

Você trabalha na Sony Brasil há muitos anos e deve concordar que o processo de criação dessa Divisão PlayStation foi mais lento do que se gostaria. Por que você acha que ocorreu essa relativa demora para a Sony mundiall enxergar o Brasil como um mercado com potencial?
AG:
O negócio da PlayStation no Brasil vem sendo estudado há muitos anos, e certamente a carga tributária foi um dos pontos que sempre pesou mais na balança. Pensamos: vamos lançar o produto, mas ele é dominado hoje pelo mercado cinza e vendido a X. Por que iríamos colocá-lo para venda custando Y? Esse é um dos fatores. E como desenhar isso ao longo do tempo? E são tantas prioridades! A Sony Brasil, como você sabe, tem também uma divisão profissional de broadcasting, a divisão consumer, com câmera digital, notebooks, filmadoras, áudios portáteis, walkman, enfim, toda uma infinidade de produtos. E agora, a gente tem a divisão Playstation. Não é que o PlayStation fosse menos importante do que as outras categorias, mas talvez o PlayStation tivesse questões mais difíceis de acertar do que outras. Temos uma fábrica em Manaus que produz tudo, mas o PlayStation não é produzido fora de sua fábrica original. Acho que esse é um ponto que pesou bastante na ordem das coisas. E a questão tributária, que certamente pesou um pouco mais. Mas a gente vem tentando viabilizar isso há muitos anos.
Sobre o potencial do mercado brasileiro: a Sony Corporation não demorou a enxergar o Brasil como um mercado potencial para games, de forma alguma. A gente tem números, sabemos qual é o potencial do mercado. É uma questão de acertar a melhor forma de entrar. Nós demoramos ou nós nos antecipamos? Não dá para dizer que a gente demorou e nem que a gente veio antes, mas digo que ainda tem muita coisa a ser feita. Seria muito ruim esperarmos mais um ano para fazermos, mas certamente mais um ano de trabalho ajudaria a acertar o mercado. Talvez esse trabalho junto ao governo fosse melhor ter sido feito antes de lançarmos qualquer coisa. Ou talvez o lançamento ajude a antecipar a redução e a reclassificação dos impostos. Então, foi o momento certo? Talvez tenha sido o melhor momento. Foi o que deu. Tanto é que começamos com o PlayStation 2, e o PlayStation 3 está vindo agora.

A Sony é uma grande player de aparelhos de TV 3D, e o Playstation 3 é um grande chamariz pra puxar para isso. Como é que funciona isso internamente na Sony Brasil? Como é trabalhada a importância da divisão Playstation para a empresa?
AG:
É totalmente integrado. O PlayStation 3 é uma das grandes vantagens competitivas que a gente tem. Ele é o player 3D mais instalado no país. A gente trabalha com uma base instalada próxima a meio milhão de consoles. Toda essa base vai tocar 3D. E agora a gente vai lançá-lo oficialmente. Quer dizer, estará totalmente integrado ao mundo 3D Sony. Se você visitar uma loja que tenha um corner da Sony 3D, estarão lá o PlayStation 3 junto a todos os equipamentos, conectados a um home theater e a um LCD 3D da Sony. Tudo totalmente integrado.

E agora, a questão do online. Uma vez lançado o produto, haverá a necessidade de se oferecer todos os serviços possíveis. No caso do PlayStation 3, assim como o Xbox, o videogame precisa estar ligado à Internet para ser possível a melhor experiência. E observando mais uma vez a concorrência, a Microsoft levou quatro anos entre conseguir lançar o console por aqui e lançar sua rede online. Eu só espero que a Sony não demore tanto.
AG:
Não, não vai demorar tanto. É claro que a gente não vai conseguir lançar simultaneamente. A Playstation Network Brasil, eu divido em três fases. A fase 1 é a Playstation Network Brasil traduzida, que vai ser o primeiro momento e estamos trabalhando para que seja dentro deste ano-calendário, bem no finalzinho do ano. Será muito difícil conseguir viabilizar isso, mas é um objetivo. A fase 2 será a Playstation Network Brasil com pedaços de costumização, com uma parte de conteúdo provido por nós mesmo, conteúdo para interagir com a nossa comunidade, com nossa mídia, enfim. E a fase 3 é a Playstation Network completa, full, que é a mais demorada e mais complicada, com a Playstation Store, com venda e downloads. Nem a fase 1, nem a 2 e nem a 3 têm datas. A 1 é a mais próxima de acontecer e o nosso objetivo é o final do ano. E as fases 2 e 3 são as mais complexas mesmo. Principalmente a 3, que envolve operações com cartões.

Porque é tão difícil isso no Brasil? A Microsoft sempre colocou o sistema de billing como a grande dificuldade em concretizar essas operações…
AG:
Sinceramente, eu não sei explicar em detalhes. Temos um time trabalhando nisso que envolve o departamento jurídico, a controladoria, as finanças. Tem um pouco de tudo, um pouco de questões legais, contratuais. Tanto nós, como certamente a Microsoft, temos que lidar com questões como “quem é a subsidiária”, “onde é que o dinheiro fica”, “pra quem vai”, “quanto fica para quem”. Tem um pouco de tudo isso, e tem os impostos. Eu dividiria assim: questões legais, questões internas e impostos. Tem um pouco de tudo, e isso acaba complicando um pouco mais.

Você está há nove anos na empresa. Como você entende que a Sony enxerga o mercado brasileiro. A gente escuta a história do BRIC [conjunto de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China] há muito tempo. Atualmente, o Brasil está em um momento de relativa estabilidade. Você enxerga que somos vistos de uma maneira diferente?
AG:
Somos extremamente o foco. Há muito pouco tempo, em eventos mundiais da Sony, de vez em quando se escutava falar da América Latina. Eu, nesses nove anos, já fui a muitos desses eventos. Às vezes se escutava falar em America Latina e aparecia o mapinha. De quatro anos para cá, começamos a escutar muito sobre a América Latina, e de dois para cá, a gente ouve muito Brasil. A gente escuta o nosso presidente mundial falando, e o Brasil está no discurso sempre. E agora tem a questão da Copa do Mundo de 2014. Lembrando: a Sony é a patrocinadora oficial da FIFA, inclusive para a Copa que será no Brasil. Todos os olhos estão voltados para cá, e isso gera benefícios, investimento. A Sony Brasil está muito bem e faz parte da estratégia mundial da empresa.

Não era assim antes? O fato de o Brasil ter passado quase incólume pela crise mundial de 2008 contou também pontos a favor para que o Brasil se tornasse um país interessante para a Sony?
AG:
É uma opinião pessoal: eu acredito que sim. Eu não diria que o Brasil estivesse lá embaixo na lista de prioridades da Sony. Eu acho que fomos crescendo, ganhando corpo. Todo país tem que se provar viável, toda a operação no país precisa mostrar resultado, e a Sony Brasil mostrou e vem mostrando resultados a cada ano. E aí, junte a isso à capacidade técnica da operação brasileira, junta com o potencial do mercado: é a combinação perfeita. E não tem outra forma a não ser apostar.

O que se dizia é que o Brasil tinha uma imagem muito ruim lá fora por conta dessa propagação do mercado cinza e pelo fato de nada conseguir ser feito de modo adequado por aqui. Quando eu trabalhava na Nintendo World, em reuniões com o pessoal da NOA, ouvia muito dizer que não dava para se trabalhar sério no Brasil. A imagem do Brasil era muito ruim lá fora, pelo menos nesse caso. A gente já limpou a nossa barra?
AG:
Eu te digo: em nove anos de Sony, eu nunca ouvi algo parecido. Tanto dos altos executivos dos Estados Unidos, com os quais interagi muito, quanto dos japoneses, eu nunca ouvi isso. Aliás, dentro da Sony, existe mundialmente uma paixão pela Sony Brasil e isso é muito positivo. Todo mundo sabe o que acontece no país, os meios de comunicação e a Internet acabaram ajudando a divulgar o que acontece. Ao longo dos últimos anos, é impressionante a capacitação técnica da liderança local da Sony Brasil. Se olharmos quem são os líderes, pessoas que estão aqui há anos. É uma base que vem crescendo. São jovens e isso conta lá fora. Então nunca existiu esse tipo de comentário e sentimento, muito pelo contrário. Existe um carinho todo especial pela Sony Brasil dentro da Sony.

Você passou por todos os departamentos da empresa e agora está lidando com videogames. Não sei se você almejou isso na sua carreira. Está se divertindo?
AG:
Está sendo divertido, talvez mais para os meus filhos [risos].

Quantos filhos você tem?
AG:
Tenho dois, um vai fazer oito e o outro vai fazer 16.

É exatamente o seu público alvo.
AG:
Público alvo total. São hardcore gamers, posso garantir. Está sendo divertido, mas está sendo mais difícil do que eu imaginava. Eu me cobro muito, sou muito focado em resultados. Eu entrei aqui para lançar a câmera Cybershot. Foi um trabalho muito legal, mas difícil, porque parece muito com o que a gente está enfrentando agora, porque o mercado paralelo para câmeras era impressionante. Ele ainda é grande, mas a gente conseguiu reverter isso ao longo dos anos esse jogo. Eu também fui responsável por filmadoras, depois eu fui para a área de áudio, até o momento em que eu fui para vendas. Fui gerente regional de vendas quase para o Brasil inteiro, já morei no Sul, gerenciei o Sudeste morando no Rio de Janeiro, o interior de São Paulo, Triângulo Mineiro, contas nacionais. Todo o grande varejo, Casas Bahia, Ponto Frio, Magazine Luiza, enfim, todos eles. As experiências de vendas e marketing juntas me facilitam um pouco do trabalho agora, mas está mais difícil que eu imaginava, por conta de resultados. Eu gosto de mostrar resultados e esse atraso que a gente falou, essa dificuldade toda, me incomoda um pouco. Mas está sendo divertido.

Você se cobra muito nesse sentido?
AG:
Eu me cobro mais do que o meu chefe me cobra.

Imagino que você leia tudo que na imprensa sobre as ações da Sony Brasil e que deve encontrar várias críticas a que adoraria responder pessoalmente…
AG:
É, responder. Eu pensei isso várias vezes, principalmente no começo, Até conseguimos ao longo dos meses reverter um pouco disso, mas, no começo, era só crítica. E eu leio tudo. Tudo o que se fala de Playstation e Sony Brasil, eu leio. Eu vou a blogs, sites e vejo tudo. Leio e penso como gostaria de poder responder, interargir. Mas muitas coisas a gente não pode, não é a forma correta e nem o momento correto de abordar. Uma das coisas que prezo muito é: quando você abre um canal de comunicação com o consumidor final, esse canal precisa permanecer. Então, entrar em comunicação direta com o consumidor dentro de um blog é algo muito arriscado. Se você entra, dá uma resposta e sai de cena, aquele canal tem que ser mantido aberto. E a gente não consegue fazer isso agora, mas vai chegar o momento que faremos a questão da interação com as comunidades, com as redes sociais. Ainda não existe um canal oficial no Twitter ou no Facebook.

Existe esse plano de limpar a barra da empresa, melhorar a imagem?
AG:
Existe, existe. Mas sabe como? Mostrando. Pode ver: a gente ainda nunca respondeu a essas críticas, e eu já li críticas muito pesadas. No começo, não sabiam quem era o responsável pelo PlayStation no Brasil. Hoje, sabem que é o Anderson Gracias. Eu acho que se soubessem no começo, com certeza o meu nome ia estar lá: “Aquele imbecil do Anderson Gracias…”. Mas é difícil a gente explicar para cada um o que acontece. E mais difícil ainda é fazer aquela pessoa entender e acreditar que a nossa vontade é a mesma que a dela, de viabilizar aquele negócio. Eu acho que a gente tem essa missão de limpar, mas mostrando, com visão de longo prazo. Eu sempre digo isso: a gente não veio se aventurar aqui. A gente veio fazer um negócio e que ele perpetue ao longo de muitos anos. O PlayStation vai ter muitas gerações e esse negócio está começando agora. Ele vai realmente perpetuar, eu tenho certeza.
Mas, a gente só consegue fazer isso mostrando, lançando jogos bons, fazendo campanhas de lançamentos, viabilizando um preço bom para o consumidor. Eu comecei a ler já comentários do tipo: “que legal”, quando fizemos a redução de preços. “A equipe da Sony Brasil está realmente trabalhando”, ou “Não é o ideal, mas já melhorou muito”. Porque já fizemos alguns reajustes de preços e vamos fazer muito mais, vamos viabilizar muito mais. É com essa filosofia que vamos trabalhar. Às vezes, é muito doloroso ler e ver o que está sendo falado sobre a sua estratégia, que ela está sendo mal compreendida. Mas não podemos entrar lá e dizer que entenderam errado. Não é isso: você precisa mostrar. E a gente está, devagar, mostrando.

Lá fora, existe a grande rivalidade entre as fabricantes. No Brasil, eu enxergo que o grande adversário da Sony é a própria Sony. O Xbox 360 já está no mercado. Existe essa dúvida ainda sobre qual console o consumidor deve comprar, mas quando o PlayStation 3 entrar de verdade no Brasil, a questão vai mudar. Encontrar um lugar nesse mercado só dependerá da própria Sony.
AG:
É, eu penso assim também. Hoje a gente não trabalha com market share, quanto tem a Microsoft, quanto tem a Nintendo etc. Porque o nosso momento é diferente. O nosso momento é de juntar forças, de todos esses grandes fabricantes conseguirem fazer com que o segmento de games cresça oficialmente e que o governo e as autoridades entendam o trabalho que tem que ser feito e nos apóie. E que a gente apóie eles, e que tudo seja recíproco. Esse é o momento que a gente vive, com os três grandes fomentando cada vez mais esse negócio. Mas que seja pelo lado oficial, não pelo paralelo.

Você conversa com as outras empresas? Existe esse canal aberto?
AG:
Não, ele não existe. A gente conversa, troca informações, mas ainda é muito informal. Talvez nós e a Microsoft, enfim, deveríamos liderar esse comitê. Estamos superdispostos a isso. É uma forma que a gente enxerga como interessante e boa para se trabalhar, principalmente no mercado brasileiro neste momento. Com o Guilherme [Camargo, gerente de marketing da Microsoft] eu já me encontrei. Até por conta da E3, nos falamos por telefone.

Você acha que a criação desse “comitê” não-oficial, a união dos principais players, pode mesmo ser efetiva? Ou é uma ação de apelo mais “marqueteiro”?
AG:
Eu acho que é efetiva sim. Porque é claro que existe a parte da estratégia confidencial, mas há uma parte da conversa que pode ser compartilhada. Porque o seu competidor pode estar adotando a mesma estratégia, e juntos é possível decidir mudar o cenário. Eu sou um gestor de negócios, não sou um hardcore gamer, e dentro do segmento, que estou aprendendo a cada dia que passa, existe muita gente correta e muita gente incorreta. Essa é minha opinião. Há os incorretos que querem se passar por corretos; e tem os corretos que, às vezes, dão uma escorregada. Se a gente criar um comitê, essa seleção será natural. Porque eu como Sony Brasil não farei parte de um mesmo fórum de um “incorreto”. Mas isso acontecerá a partir do momento em que eu descobrir e constatar quem realmente é incorreto. E daí, talvez esse grupo fique realmente forte e interessante de se trabalhar. Fica aí uma sugestão. Somos abertos a isso. Claro, alguém vai ter que dar o primeiro passo. Talvez a gente dê. Talvez o dia a dia de cada um que impossibilite. Talvez a Microsoft esteja sofrendo muito para fazer seus lançamentos aqui, já que eles têm um projeto superagressivo para o final do ano. São as prioridades. Mas eu sou favorável a isso, com certeza.

***

Leia a primeira parte da entrevista com Anderson Gracias aqui.

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11/08/2010 - 16:02

PlayStation 3 no Brasil: a Sony fala oficialmente

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Complementando o post anterior, aqui está um resumo do release oficial divulgado agora há pouco pela Sony Brasil, a respeito do lançamento do PlayStation 3 no país. Mais tarde, ainda hoje, comentarei alguns dos pontos principais abordados no evento:

***

São Paulo, 11 de agosto de 2010 – A linha de games mais vendida do mundo traz um reforço ao Brasil. Este mês, os consumidores já podem comprar o console PlayStation 3 oficialmente pela Sony Brasil. A empresa vai proporcionar ao brasileiro diversas vantagens ao adquirir os produtos PlayStation. São benefícios antes inacessíveis por meio de outros tipos de comercialização realizados até o momento no País.

Um dos destaques fica por conta da garantia de um ano para o console. O suporte será realizado pela Central de Relacionamento da Sony em todo o território nacional, aos produtos adquiridos por meio dos canais oficiais da empresa no Brasil. Uma equipe de suporte ao consumidor foi treinada para atender o pós-venda. Assim, é possível garantir qualidade e rapidez no atendimento, desta que é uma categoria extremamente estratégica para a marca. (…)

A Sony também focou seus esforços na capilaridade da distribuição da linha, que agora chegará a pontos de venda onde anteriormente não era possível encontrá-la. Em cada um desses pontos de vendas, a empresa investirá para proporcionar aos varejistas uma experiência nova e positiva com venda de jogos. Os consumidores, por meio de displays especiais, terão a possibilidade de jogar e testar diferentes títulos antes de comprá-los, além de experimentar todo o entretenimento que os consoles podem proporcionar.

O PS3 será importado, porém foi submetido a um processo de nacionalização, para que as embalagens e manuais contenham todas as informações em português. Além disso, a empresa produziu e importou componentes de acordo com a regulamentação vigente no País, como os cabos devidamente certificados pelo Inmetro. O Brasil é uma região com questões peculiares no que se refere ao sistema elétrico, portanto é importante que os produtos sejam adaptados às condições locais, para que suportem picos de energia e não tenham suas funções prejudicadas. Esta adaptação só é possível por meio de produtos testados e certificados pelo Inmetro e pela Anatel e trazidos de forma oficial ao Brasil, como será feito neste momento com o PlayStation 3.

A empresa também irá vender alguns acessórios que hoje já são oferecidos no mercado internacional. Os jogos deste console, por sua vez, já são vendidos oficialmente no Brasil desde o final de 2009.

“A estratégia da companhia é proporcionar ao consumidor a melhor experiência em games, através de disponibilidade e distribuição de toda a linha de produtos da família PlayStation.  Isso inclui o console, jogos e acessórios, bem como a experiência online, com a Playstation Network que faz parte dos nossos planos para o futuro.  O varejo também é parte fundamental deste nosso projeto, além de estabelecermos um relacionamento comercial com as lojas especializadas em games, estamos trabalhando com os varejistas que não conheciam a categoria”, afirma Anderson Gracias, gerente geral da Divisão PlayStation.

O produto chega ao mercado nacional pelo preço sugerido de R$ 1.999,00 e pode ser comprado pelo www.sonystyle.com.br, nas lojas Sony Style ou nas revendas autorizadas.

Jogos no Brasil

A Sony Brasil já conta com 23 títulos oficiais para PS3 no Brasil. Os destaques ficam por conta de Uncharted 2: Among Thieve, God of War III, Heavy Rain, MAG e ModNation Racers. Ainda este ano, a empresa trará lançamentos simultâneos ao mercado internacional, como o esperado Gran Turismo 5, que contará com a versão 3D.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , ,
11/08/2010 - 13:02

E o PlayStation 3 brasileiro chegou

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A Sony Brasil finalmente acabou com o mistério.

Em evento ocorrido hoje em um restaurante paulistano, Anderson Gracias, o gerente geral da Divisão PlayStation, enfim revelou informações há muito aguardadas a respeito do lançamento do PlayStation 3 no Brasil.

Os poucos jornalistas presentes no local escutaram de Gracias uma informação bastante cogitada nos bastidores do mercado nacional: o PlayStation 3 brasileiro chega ainda hoje nas lojas Sony Style. O preço a ser cobrado também não fugiu muito do que era esperado: R$ 1999,00 pelo modelo Slim com HD de 120 GB.

Mais informações em alguns poucos instantes, aqui neste mesmo Gamer.br. Fique bem ligado.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , ,
10/08/2010 - 19:48

Entrevista da Semana: Anderson Gracias (Sony Brasil)

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Opa, tudo bem?

Vamos direto ao assunto: a Entrevista da Semana de hoje é com Anderson Gracias, o general geral da Divisão PlayStation da Sony Brasil. Conforme você pode imaginar, Anderson é o homem de frente e comanda a grande missão da empresa no Brasil, que é superar a pirataria e o contrabando e instituir as operações oficiais da fabricante do PlayStation em nosso território.

Será que a missão já está ganha? Quais são as cartas escondidas nas mangas? O que o futuro reserva para o Brasil dos games no que depender da Sony? E, mais do que tudo isso, o que realmente importa: e o PlayStation 3 brasileiro, vem ou não vem?

A conversa com Anderson rendeu muito, tanto que nem consegui transcrever tudo para publicar aqui no Gamer.br. Então, fica assim: hoje eu publico metade do papo. Amanhã, por volta da hora do almoço, prometo que você terá uma grande surpresa que irá complementar as lacunas dessa entrevista (por essa você não esperava, hein?). E até o final da semana, publico o restante do papo, que é dos mais interessantes para quem realmente se importa com o futuro do mercado de games no Brasil.

Você já sabe como é. Leia tudo e comente ali no final.

***

Gamer.br: Quais têm sido as dificuldades enfrentadas pela Sony Brasil no que diz respeito aos videogames?
Anderson Gracias:
Há pouco tempo, a Sony Brasil iniciou oficialmente a divisão PlayStation oficialmente – foi em outubro do ano passado. Para nós, PlayStation é importante, tanto que abrimos uma divisão exclusiva. Não é só uma categoria dentro de todo um grande guarda-chuva. O potencial aqui é enorme. Obviamente, estamos passando por uma série de dificuldades que envolvem a tributação e como combater ou inibir esse mercado tão cinza e violento que existe aí fora. No caso do PlayStation 2 estamos falando de pirataria. E no Playstation 3, estamos falando de contrabando e importação “paralela”. É importante dividir as duas coisas: a importação paralela é feita pelo importador independente, que não necessariamente está fazendo algo ilegal. E o contrabando é a chamada “reclassificação fiscal”, subfaturamento. E isso tudo afeta diretamente não só a gente, mas os grandes players do mercado. Tenho certeza de que a Microsoft está passando por isso também.

A Microsoft, aliás, há mais tempo que vocês.
AG:
Há mais tempo que a gente. O Guilherme [Camargo, gerente de marketing da Microsoft Brasil] sofre há muito tempo com isso. Então, a gente está olhando mesmo para o Brasil. Primeiro: a base instalada atualmente é enorme. Se contarmos hardware, software e acessórios, há um potencial diferente em cada plataforma. No PlayStation 2, existe um potencial para legitimar um pouco desse mercado. A base instalada é absurda. São dados estimados, mas estimados por tanta gente que devem ser bem próximos da realidade. Mas falamos de quase 5 milhões de PS2 no Brasil. E se você legitimar uma parte dessa base instalada, já é um grande negócio. Então, o ponto é: o quanto você consegue legitimar? 2, 5, 10, 20%? Aí está o tamanho do seu negócio.

E como você legitima quem já possui o videogame em casa?
AG:
Este é um ponto. Acho que há formas de se conseguir isso. Tem uma questão educacional, e ela é muito difícil, demorada e custosa. Convencer o consumidor de que ele precisa parar de comprar um jogo a R$ 5 e comprar o mesmo jogo a R$ 50… Até você mostrar a ele os benefícios, e educá-lo de que aquilo faz bem para o país dele e para as gerações futuras, ou seja, para os filhos dele – isso é muito complicado. Então a gente tem que identificar a pequena porção de clientes que está disposta a ouvir essa história e que tem um nível de consciência compatível com o que a gente pretende fazer. Mas é muito difícil.

Você diria que no máximo 20% da base instalada estaria disposta a mudar de hábitos?
AG:
Já seria um grande negócio. A gente pode desenhar planos com percentuais que aumentam gradativamente. Em contrapartida, vem a questão do ciclo de vida do PlayStation 2. Muitos falam que o console teria mais dois ou três anos de vida. Pode ser que isso seja verdade fora do Brasil. Mas se a gente olhar para a classe social C, tão crescente no Brasil, será que o PS2 não pode ser uma grande plataforma de entretenimento para a família? É um produto que você pode jogar online, é o seu DVD player e o seu videogame, com uma infinidade de jogos disponíveis. Esse trabalho teria foco direto no consumidor.
Além disso, há questões com o governo, com o comércio informal… É impressionante o tamanho desse mercado que envolve pirataria e contrabando – não só um nem só o outro, mas os dois. E em jogos, acho que isso está muito pesado. Se a gente conseguisse, junto às autoridades, provar que existe uma possibilidade de arrecadação grande de impostos, muito maior do que é feita hoje, apenas reclassificando o produto, e não reduzindo impostos… A questão da “redução” talvez não seja o approach mais correto, mas sim uma “reclassificação”. O videogame, você sabe, vem para o Brasil como se fosse jogo de azar. Enfim, não faz sentido. Não dá para um console de videogame voltado para o entretenimento familiar ser considerado semelhante a uma máquina de vídeo pôquer, com esses 50% de IPI [Impostos sobre Produtos Industrializados]. Não tem essa necessidade. E isso fomenta o mercado paralelo, a importação paralela, o contrabando e a pirataria. A gente tem agora um trabalho educacional, no consumidor, e também com o governo.
Voltando às ações que podemos tomar: por exemplo, me deixe bloquear seu console novamente, e com isso eu lhe proporciono descontos gradativos em jogos. Ou eu volto a te dar uma garantia do console que você trouxe de fora… Ainda estamos pensando em tudo o que for possível. Talvez legitimar seja o mais difícil a ser feito, então temos que pensar em todas as alternativas para isso.

E com os outros consoles da Sony, qual é a atual situação?
AG:
O PSP vai acontecer. A Sony está trabalhando nas certificações agora, tem Anatel [Agência Nacional de Telecomunicações] rolando. Passando por essa fase de certificação, ele estará pronto para ser viabilizado no país. A gente não vai fazer absolutamente que não esteja em conformidade com a legislação brasileira. A Anatel e o Inmetro [Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial] para nós, são grandes parceiros. E a gente também espera a contrapartida: que a Anatel e o Inmetro nos ajudem, olhando para o restante do mercado e o que está sendo colocado na casa do consumidor e que talvez não esteja em conformidade com a legislação. É uma obrigação da indústria colocar no mercado um console que resista a um pico de energia coerente com a nossa infraestrutura.

De maneira prática, falando da Anatel e do Inmetro, quanto tempo leva para um aparelho aprovado por esses órgãos ser, enfim, comercializado?
AG:
Não é demorado. Na verdade, o Inmetro cuida da regulamentação do cabo. Já a Anatel também não é um processo longo. Quando você dá entrada no produto, também é preciso verificar se está tudo pronto para ele ser lançado… Uma coisa é a homologação da Anatel, outra coisa é a empresa estar pronta para vendê-lo. Em 60 dias, você coloca e tira um produto testado e aprovado ou não pela Anatel. Eles testam não só o wi-fi, mas tem também um teste de kV, que é o de pico de energia. A gente não teve dificuldades. O que tivemos sim, em primeiro momento, foi acertar o produto para ele resistir à regulamentação brasileira. Mas por parte desses órgãos, não. Foi tudo feito de maneira transparente e rápida.

Houve algum tipo de modificação no PlayStation 3 para ele estar apto a passar pelo crivo da Anatel?
AG:
Sim. Tecnicamente não posso detalhar, mas houve adaptações, principalmente na questão da energia. Porque o teste feito no Brasil é muito mais exigente. A Anatel é exigente nessa questão – se não me engano, ela aplica 2 kVs de pico de energia e o produto tem que resistir – ele não pode colocar em risco a sua infraestrutura domiciliar. Então, tivemos que fazer mudanças.

E tanto o PSP quanto o PS3 já passaram por todas essas aprovações?
AG:
O PSP está nesse processo. O Playstation 3 já foi.

Falou-se muito que essa aprovação da Anatel estaria atrasando o lançamento do PS3 no Brasil. Agora o que vocês estão fazendo? Aparando as arestas?
AG:
É importante deixar claro a verdade: não é a Anatel. Foi um processo necessário, mas não foi isso que talvez tenha atrasado o lançamento. Se é que a gente pode chamar de atraso, porque são varias etapas para cumprir até que consigamos lançar o produto. E uma das principais etapas é o varejo, fazer com que o varejo esteja preparado para receber e vender o produto oficial da Sony Brasil.
Este é um assunto bem delicado. Existe hoje uma base instalada nos depósitos do varejo, de produtos que foram importados. A gente está atuando em parceria com os varejistas, para que eles possam vender o estoque que têm e começar logo a trabalhar com o produto oficial da Sony Brasil. Muitos dos varejistas não sabem que aquele produto que está no estoque não está em conformidade com a regulamentação local. Acho até que há varejistas que sabem, mas muitos não sabem: ele comprou o produto e possui a documentação daquele produto que a Sony Brasil não oferecia antes a ele. O ponto é: quem vendeu a ele que talvez não tenha feito o trabalho adequado. Porque quem vendeu deveria ser o responsável pelo produto.
Estamos passando agora por essa etapa, de preparar o varejo. E isso inclui preparar a loja. Como é que está o PlayStation no mercado brasileiro? Você vai a uma loja grande e encontrará o videogame dentro de um balcão, trancado e com um vidro na frente. Absolutamente nada de “hands-on”, nenhum trabalho adequado para o consumidor gamer… E o que seria isso? A possibilidade de testar o jogo dentro da loja. Estamos fazendo investimento em displays, espaços PlayStation com o produto ligado a um LCD, ou home theater, com uma variedade de jogos e acessórios. O consumidor entra e pode experimentar, se conectar e tudo o mais. É justo mostrar tudo isso dentro da loja. O consumidor brasileiro merece esse respeito.

Você tocou em um ponto interessante sobre o varejista ter que queimar seu estoque. Existe uma possibilidade de a Sony Brasil ajudá-lo nesse processo, seja substituindo esses consoles “não-oficiais” pelos chamados “oficiais”?
AG:
Esse são produtos “não conforme”, né? Eu não consigo colocar aquele produto em conformidade. Não existe uma obrigatoriedade por parte do varejista em se comprometer somente com os nossos produtos. A Sony Brasil não tem esse poder. Mas é aí que vamos ver quem são e quem não são os parceiros. O que está claro para cada um dos varejistas é que aquele produto não está conforme. A partir do momento que você só tem produtos “não conformes”, há uma certa realidade. Quando começa a existir o produto “conforme” e o “não conforme”, o consumidor vai saber que existe um que está adequado e outro que não está. E os órgãos públicos, que deveriam trabalhar esse tipo de problema, também saberão. Porque até hoje, todos os PlayStation que estão por aí são iguais. A partir do momento em que eu colocar à venda o primeiro PS3 em conformidade com a regulamentação brasileira, você passa a ter dois tipos de produtos. E é uma opção do varejo, trabalhar com o produto correto ou com o produto errado. Os riscos são dele. Existe o risco de fiscalização? Eu acredito que sim. Ela nunca vai ser da Sony – a empresa não tem esse papel de fiscalizar e apreender. Mas existem outros órgãos que possuem essa responsabilidade. E o varejo sabe disso, e quem não sabe ficará sabendo. Será uma opção dele trabalhar corretamente ou como se faz hoje em dia.

Vocês sabem que o consumidor também terá uma opção de escolher entre esses dois produtos, já que é bem possível que exista uma discrepância nos preços. O varejista consegue vender esse console que trouxe por debaixo dos panos por um preço mais em conta, porque ele pulou diversas taxações. E como se combate esse tipo de coisa, já que o Playstation 3 oficial da Sony Brasil certamente será bem mais caro?
AG:
Esse é um dos grandes desafios. Vamos fazer de maneira extremamente transparente. A gente vai mostrar porque o nosso produto custa mais caro. Claro que eu não tenho o preço final ainda para lhe dizer, mas estamos brigando para que ele seja o mais baixo possível. E é aquela questão do fair play: como é que você enfrenta um produto que foi subfaturato e reclassificado, ou até mesmo um console “refurbished” [literalmente, “recauchutado”]?

Vocês, como Sony, não podem fazer muito nesse sentido?
AG:
Não. É uma questão legal, governamental, com as alfândegas. É o tipo de trabalho que eu até entendo que existam ações sendo feitas em diferentes frentes, para que o contrabando e a importação paralela sejam evitados ou diminuídos. Mas isso não parte só da gente, mas de todo um ecossistema. Nós entendemos que o varejo possui responsabilidade social, um dever para com a sua comunidade, e esperamos que eles entendam que o correto é fazer assim. E aí é que eles serão grandes parceiros nossos. Muitos varejistas já estão no jogo com a gente desde o primeiro momento. Eu e você sabemos como funciona imposto, e o porquê de eles existirem. Se eles são altos ou não, essa é outra discussão. Mas o porquê da existência desse imposto e para onde o dinheiro vai, todo mundo sabe. Não pagar imposto, todos sabem que é ilegal. Então se você quer participar desse esquema, é uma opção sua. A gente não vai participar. E não vamos permitir que quem participe esteja do nosso lado. Vai ser uma seleção natural.

Falemos finalmente sobre o Playstation 3. Imagino que exista muita coisa que você não pode falar agora, mas queria que você detalhasse tudo o que for possível.
AG:
Com relação à data, eu posso lhe dizer o seguinte: eu mesmo havia dito “primeiro semestre”, e a gente não conseguiu – o primeiro semestre já acabou. Mas ele está chegando. Em questão de semanas. Vai ser [um lançamento] maciço? Não, não vai. E por que não vai ser? Nós vamos gradativamente ganhando corpo. E porque existe toda essa gordura pra ser queimada, de produtos paralelos.
Resumindo, o produto brasileiro não terá montagem por aqui: ele vem lacrado, já preparado com essa homologação, ou seja, sai de sua origem já com o selo da Anatel. O cabo a gente fabrica por aqui. E ele vem com a embalagem e manual em português e o cartão de garantia da Sony Brasil. A única mudança que fazemos na localização é a troca do cabo original pelo cabo homologado pelo Inmetro. E o produto brasileiro também tem um selo holográfico, para realmente diferenciar o produto daqui do não-oficial.

A embalagem e o manual serão impressos aqui?
AG:
Depende do lote. Em alguns casos, imprimimos o manual aqui. Em outros, isso é feito fora. Até nisso temos alguns cuidados: a Sony Brasil só trabalha com “green packers”, então qualquer coisa que eu imprimir tem que ser livre de cádmio etc. Tudo isso significa que estamos olhando para o nosso país e pensando no que é melhor para o consumidor. Mas isso nem todos fazem. Já vi produtos cujo manual de instrução é uma xerox. Isso é desrespeito ao consumidor. E o consumidor pode dizer: “Eu prefiro isso tudo para pagar mais barato”. É uma opção do consumidor? É. Tudo o que é feito para deixar o produto em conforme tem custos. E por isso a gente vai gradativamente tentar diminuir esse “gap” entre o preço que existe hoje no mercado e o preço com que a gente vai lançar.

As fabricantes que já estão no Brasil costumam culpar os impostos como os culpados pelos preços altos dos consoles no Brasil. Quando vocês divulgarem o preço do Playstation 3, certamente o público irá reclamar. O vilão é esse mesmo?
AG:
O grande vilão é a carga tributária.

E sobre essas iniciativas que tentam reduzir a carga tributária – a Jogo Justo por exemplo: se derem resultados, o consumidor iria perceber a diferença na hora?
AG:
Imediatamente. Se o imposto for revisto, ou se o videogame for reclassificado para outra categoria, certamente sim. Porque falar sobre “redução” em ano de eleição é pedir para encerrar qualquer reunião [risos]. Falar em reclassificação é o approach mais adequado. Meu produto não é um jogo de azar, é um produto de entretenimento familiar. Essa é a diferença. Repetindo: o consumidor perceberia imediatamente. Obviamente que todas as outras coisas que mencionei acarretam em custos, mas a gente consegue absorver muito disso. Agora, o grande vilão é o imposto, sem dúvida alguma.

***

Leia a segunda parte da entrevista com Anderson Gracias aqui
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E aproveitando, não perca o Debate MTV hoje, 22H30. Estarei lá. O tema? Games, é claro.

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , ,
06/08/2010 - 18:46

Debate MTV vai discutir lado nocivo dos videogames

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Confome falei ontem – na terça-feira tem debate sobre games na TV.

Será no Debate MTV, apresentado pelo Lobão.

E eu estarei lá também, do lado esquerdo dele, representando o lado “positivo” do tema:

“Afinal, game não é mais brinquedo de criança?”

(E segue o release:)

O video game pode ser tão viciante quanto a cocaína. Quem afirma é o terapeuta inglês Steve Pope em um artigo recente que tem causado polêmica. Para ele, assim como o narcótico, os jogos provocariam mudanças no comportamento, distúrbios mentais e físicos.

Outros estudos revelam que pela primeira vez os jovens americanos passam mais tempo na intenet atrás de games, do que ocupados com seus e-mails e que obesidade e depressão estariam associados a jogadores compulsivos.
A má reputação não atinge o mundo dos negócios e hoje a indústria de games já supera as indústrias de cinema e música em faturamento. O mercado deve movimentar 68 bilhões de dólares em 2012.

O MTV Debate, que vai ao ar na próxima terça-feira, dia 10/08 vai discutir: Afinal, game não é mais brinquedo de criança?

10/08, terça-feira, às 22h30 – ao vivo
Reprises: quarta-feira às 01h30 e quinta-feira às 14h

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Participe, mande mensagem, veja, xingue muito no Twitter. Sério.

A propósito, ainda não sei quem serão meus companheiros de mesa (além do Lobão, que irá comandar a parada toda). Mas assista você mesmo.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , ,
05/08/2010 - 20:34

Algumas Meias Verdades Aleatórias

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Veja só quanta coisa que ouvi por aí esses dias.

* O site da produtora Blizzard voltado para o nosso mercado já tem editor escolhido. E o cara é um jornalista… brasileiro, claro.

* O site Game TV (do canal PlayTV) também terá editor novo. O nome será anunciado em breve.

* O UOL Jogos também tem uns três caras novos em sua equipe.

* E pelo menos três profissionais brasileiros atuantes no mercado nacional se preparam para morar e trabalhar nos Estados Unidos (um deles, aliás, é justamente o novo editor do site da Blizzard).

* Nas próximas semanas, um programa de debates de uma conhecida emissora de TV deverá discutir os videogames e como esse segmento é visto hoje pela sociedade brasileira. Será ao vivo. E eu devo estar lá para falar umas verdades.

* Em outubro, a revista Nintendo World comemora 12 anos nas bancas. É bastante tempo. Acho que não há publicação especializada com tamanha longevidade no mercado nacional. Como fui membro integrante da revista durante bons anos, colaborei com um depoimento cheio de nostalgia. E claro, ofereci umas fotos do meu arquivo pessoal. Quem acompanhou a revista naquele tempo vai se lembrar da equipe abaixo (a imagem é inédita):


Na redação da Nintendo World, na Conrad: eu (Pablo), Odair Braz Junior, Eduardo Trivella e Rogerio Motoda, primeiro semestre de 1999.

Éramos jovens e cheios de saúde. Bons tempos aqueles.

* E o PlayStation 3 no Brasil? Acredite ou não, está saindo mesmo. E será logo mais. Em questão de semanas, dias. Aguarde e confie.

A não ser que…

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