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Arquivo de julho, 2010

30/07/2010 - 20:10

Entrevista da Semana: Tiago Leifert (Globo)

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O Brasil apanhou feio na Copa do Mundo da África do Sul. Mas houve ao menos um brasileiro que pôde comemorar uma bela atuação ao longo do campeonato: Tiago Leifert. O jornalista paulistano, que ao longo do torneio comandou o programa noticioso Central da Copa (na Globo), ganhou aplausos por sua maneira despojada e sem frescuras de falar sobre futebol na televisão. Para o público de São Paulo, Leifert não é novidade – desde 2009, ele já caprichava em seu estilo todo pessoal no programa diário Globo Esporte. Durante a Copa, o Brasil inteiro ficou sabendo do que o rapaz é capaz.

E talvez muita gente ainda não saiba que Tiago é um grande fanático por videogames – não só pelo ato de jogar, mas também por toda a cultura que envolve os games. E ele não tem problema nenhum em admitir que, não fosse por isso, ele talvez não estivesse na posição que se encontra hoje na Globo. Tudo começou no início da carreira de repórter esportivo na emissora, lá pelos idos de 2007: “Nesse tempo, eu tentei muito produzir matérias sobre videogame, mas era só porta na cara, ninguém deixava eu fazer”, ele relembra sobre a reportagem marcante que emplacou no Esporte Espetacular (assista a ela aqui – obrigado ao Rodrigo Budrush pela dica).

“Um dia, cheguei e falei: ‘Olha, vou fazer uma matéria sobre videogame. Me tira da cobertura dsse Santo André e CRB. Vou fazer isso aqui’. Era o primeiro campeonato grande de Winning Eleven no Ginásio do Ibirapuera. ‘Se não der certo, se não der audiência, eu nunca mais encho o saco de vocês’. E deu certo. No outro domingo, o Esporte Espetacular passou outra matéria sobre videogame. E aí começaram a sacar: ‘Hum, isso é legal’. Só que ninguém tinha o know-how de videogame, ninguém jogava ali, só eu. Atualmente, tem uma molecada legal, produtor, editor, deu uma rejuvenescida geral na redação e os caras agora conhecem o assunto”.

A seguir, você lê mais perguntas (minhas) e respostas (de Tiago) sobre um único tema – videogames. Fiz a entrevista no mês de abril, para produzir uma matéria sobre ele para a Rolling Stone Brasil. A matéria saiu, a Copa do Mundo acabou, e Tiago voltou ao Globo Esporte. Mas acho que ainda faz todo o sentido publicar essa conversa. Confira, aprecie e comente no final.

***

Gamer.br: O seu discurso na televisão é cheio de tiradas, sacadas rápidas, duplo sentido. Você sente às vezes a necessidade de nivelar seu discurso para baixo, para ser melhor compreendido?
Tiago Leifert: Não. Engraçado, não. Isso é um mito da televisão, sabia? As pessoas são mil vezes mais inteligentes do que a gente achava que eram no começo. Elas são muito espertas.

E você descobriu como isso, na prática?
TL:
Porque eu tentei nivelar por cima, e funcionou. Então se eu nivelei por cima e funcionou, é porque elas são inteligentes.

As pessoas andam sacando melhor o que você quer dizer?…
TL:
É… Por exemplo, eu falei das matérias sobre videogame. No canal, as pessoas perguntavam: “Ah, mas quantas pessoas têm videogame?” A pergunta deveria ser: “Quantas pessoas NÃO tem videogame”. Eu falo que tem dois tipos de pessoa: a que tem videogame e a que quer ter. Só. Todo mundo sabe o que é. Cara, eu vou a restaurantes, e sem brincadeira, todos os garçons chegam e dizem: “Pô, temos que jogar um Play! Qual é o seu login no PSN?” E o cara anota o dele no guardanapo e pede “me adiciona aí!”

E estamos falando de videogames que custam R$ 2 mil…
TL:
Estamos falando de videogames que custam R$ 2 mil. Eu fui cobrir a Fórmula 1, e no paddock, dois garçons vieram falar comigo. Hoje eu jogo com eles pela internet. E esse é o tipo de cara que algumas pessoas da emissora acham que não teria grana pra comprar. Velho, ele tem, e ele joga videogame. E graças ao pirata, que tem a narração do Galvão Bueno, os caras jogam mais ainda. É melhor que o original, muito bom [risos]. Eu falo, “vocês precisam monetizar esse troço, ganhar dinheiro com isso aí.” Se o pirata com o Galvão dá grana, liga na Konami lá no Japão e faz uma versão brasileira. Vende, sei lá, por R$ 50!

E como surgem as pautas sobre games no Globo Esporte? De onde você tira as ideias?
TL:
Vez ou outras, nessas pesquisas que faço à tarde pela internet. Um dia, em fevereiro, vi “PS3” nos Trending Topics do Twitter. Cliquei e vi: “bug do PS3”. Pô, essa matéria é nossa. Liguei rápido na redação e falei: “Meu, vamos arrumar três personagens que estão com esse bug do PS3 e vamos fazer uma matéria pra amanhã. Urgente”. Essa matéria é nossa, e é esse tipo de matéria que o jovem que joga game diz “esses caras são legais”. E a gente tem que dar esse serviço pro cara, é nossa obrigação. Aí cheguei no Twitter e escrevi: “Quem tá com o bug do PS3?” Um monte de gente respondeu, selecionei três, mandei pra redação, fizemos a matéria. Eu me salvo muito nessas pesquisas à tarde.

Como foi seu primeiro contato com games? Lembra como tudo começou?
TL:
Eu lembro do dia em que joguei Mario pela primeira vez. Foi na casa de um brother meu que morava perto do colégio. Todo mundo falava “Mario, Mario”. E eu, “que é essa porcaria desse Mario?” E o pai dele trouxe um Nintendo dos Estados Unidos, conseguiu desbloquear para ficar converter de NTSC pra PAL-M. E na primeira vez em que joguei Mario 1, pensei, “isso é muito legal”. Fiquei maluco, cara! Daí, joguei Duck Shot. “Caramba isso é demais.” Eu tinha Atari, tinha jogado muito. Mas foi na primeira vez em que joguei Mario que falei: “É isso!” Eu jogava muito console, tive Atari, Nintendo… aí tive um Phantom System, que era compatível com o Nintendo e funcionava com os games brasileiros. Tive Mega Drive, que eu achava fantástico. Tive o Super Nintendo e o Nintendo 64. Na época do N64 eu tinha um computador forte, aí comecei a jogar muito PC, games de estratégia e tal. Tive também um MSX, lembra do MSX? De cartuchinho, jogava muito nele também. Só que computador dava muito pau. Eu fui comprando computadores melhores, jogava muito adventure, RPG, aqueles point-and-click da LucasArts. Terminei o Day of the Tentacle, Maniac Mansion, Sam & Max, adorava todos aqueles jogos. Monkey Island é animal, relançaram até agora.
Quando fui morar nos Estados Unidos, eu meio que parei. Antes, quando tinha entrado na faculdade, comecei a diminuir. E lá fora, como a faculdade que fiz era muito cara, fiquei sem graça de comprar um PlayStation novo. Mas aí reduziram o preço do Play 2, comprei de novo e voltei a gostar. Foi aí que tive o primeiro contato com Winning Eleven também.
Quando voltei ao Brasil e fui trabalhar na TV Vanguarda, fiquei uns anos lá e praticamente não joguei, fiquei só trabalhando. Houve uma hora em que levei o Playstation pra lá [São José dos Campos, onde ele morava] e voltei a jogar.
A minha namorada gosta muito. E aí, acho que isso foi incentivando. E o game que me jogou de volta, de cabeça, foi o Grand Theft Auto: San Andreas, que era bom demais. Esse negócio de fazer musculação, ficar grande, baixinho, gordo, comendo no fast food… era animal. Eu adorei San Andreas, adorei, adorei. Aí, voltei.

Seu negócio com games é mais jogo “sério”, né? Não chegou a jogar esses games para molecada, tipo Pokémon…
TL:
Não, Pokémon não. Eu até tenho o Nintendo DS com o joguinho do Pokémon e joguei. Mas não é um negócio que me deixa louco.

Tem todos os consoles?
TL:
Eu tenho os três. Cinco na verdade. O DS, o PSP, Xbox, PS3 e Wii. E tenho um [computador para jogos] Alienware. Devo ser um dos únicos por aqui a ter um.

Hoje, você é um dos porta-vozes de uma mensagem qu venho tentando emplacar há anos, que é a de colocar o videogame no mainstream de um modo natural, não forçado. E está acontecendo isso; você tem concedido aos games um certido de autenticidade. Quão longe o mundo, e o Brasil, estão de aceitar o game como algo natural?
TL:
Eu não sei o mundo inteiro. Nos Estados Unidos isso está super consolidado, já é algo tranqüilo. Aqui é mais difícil. Eu não se já te falei isso, mas [enfático]… eu não compro nada pirata, meu. Não compro pirata de birra, porque eu vivo de conteúdo e respeito quem fez o jogo. Não compro. Mas o preço… o preço é o problema. É muito caro. Duzentos paus um jogo? Não é pra qualquer um. Se a indústria inteira entendesse que para implantar o videogame será necessário baixar um pouco do preço… Tudo bem, você não vai ter lucro aqui, mas em compensação vai criar a cultura do videogame. E daí, quem sabe, daqui dez anos você vai poder cobrar o dobro, que a pessoa vai comprar. Mas pra isso, você precisa convencê-la de que vale a pena. Eu acho que a indústria inteira precisa entender que em um país como o nosso, que é pobre, eles precisam entrar aqui “pianinho”, esquecer um pouco a margem de lucro. Para primeiro criar a cultura do videogame, para só depois, lá na frente, pensar em lucrar. Eles não tem esse pensamento em longo prazo.

As empresas no Brasil costumam reclamar muito dos impostos…
TL:
A taxa tributária é um absurdo, isso eles têm razão. Eu brigo muito com amigos que são advogados, porque quando você vai para os Estados Unidos, pode gastar US$ 500. Acho isso um absurdo, uma afronta a minha liberdade. Acho que tenho que comprar o que eu quiser. Se eu estiver trazendo 10 PlayStations na mala, eles têm todo direito de me parar e dizer: “Pera lá. Isso é contrabando e você vai vender”. Agora, se eu estiver trazendo um Playstation e cinco jogos pro meu uso pessoal, o que o governo tem a ver com isso? Por que eles querem tributar em cima disso? E por que tem que ter 150, 100 por cento de imposto? Eles tem razão, a taxa é um absurdo, mas eles precisam entender que precisam pegar mais leve no preço também. Às vezes, o preço aqui é cinco vezes maior. Você tem o preço do videogame… e 100% em cima. E esses três outros pedaços aqui, estão indo pra onde? Um é pra loja, mas e esses dois aqui? Tira esses dois um pouquinho.
Outra coisa é o método de distribuição. Para quem joga no computador, por exemplo. Se vou tentar comprar um game online, tem muita restrição de território, né? Esse negócio de barreira de fronteira atrapalha pra cacete.

O pessoal deve achar que você só joga FIFA 10.
TL:
Hoje eu ando jogando muito mais FIFA 10. O meu objetivo é ficar bom no FIFA agora.

E você apanha muito?
TL:
Aí que tá, eu ganho, cara. No FIFA eu ganho muito, muito mais do que perco. O problema é que o cara desliga o videogame antes de te dar os seus pontos, né? Sem brincadeira. Eu jogo com o Sevilla, que não é um Real Madrid, um Inter de Milão. Eu estava ganhando de um cara por 11 a 0 e ele desligou. Eu ia ganhar ponto pra caramba.

Você acha que houve mesmo essa diferença gritante nas versões atuais de FIFA e Pro Evolution Soccer? O jogo da Konami ficou mesmo pra trás?
TL:
Ficou, totalmente pra trás. Eu sou uma pessoa desprendida nesse aspecto. Eu jogo os dois e vejo qual é o melhor. Sempre gostei mais do Winning Eleven e Pro Evolution, sempre. Esse ano, perdão, mas eles ficaram muito pra trás. Eu acho o Winning Eleven 2010 horroroso. Horroroso. Ah, mas as pessoas ainda fazem birra, “Não, Pro Evolution é melhor…”. Cara, não é. A gente até fez uma matéria comparando o FIFA e o Winning Eleven. E a nossa conclusão foi assim: se você gosta de videogame, arcade, você vai jogar Pro Evolution. Porque é fácil de fazer gol, aperta o botão R1 com o Messi, atravessa o campo todo, é golaço. Agora, se você gosta de futebol, vai jogar FIFA.

E a versão World Cup do FIFA, curtiu?
TL:
O Copa do Mundo eu gostei. Achei mais rápido, mais fácil de tocar a bola. Não perdi nenhum jogo. Fui jogar lá na Globo, ganhei todas, de todo mundo.

Qual dos três consoles você diria que curte mais?
TL:
Xbox. Cara, eu gostei mais do Xbox desde o começo. Teve aquele acordo da Microsoft de o console ter os jogos antes, e o primeiro grande jogo que peguei nos consoles novos foi o Elder Scrolls: Oblivion.

Você conseguiu ir longe? Tem que ter muito tempo livre para avançar nesse game…
TL:
Até que eu fui bem longe. Mas, aí é que tá, eu não sou aquele paranóico que fica tentando terminar o jogo logo. Eu fico fazendo as side missions, comprando as coisas. Eu era um ladrão, e minha diversão era esperar chegar de noite, quando as pessoas iam dormir, e eu roubava tudo. Minha maior diversão era roubar jóia e vender. Eu achava sensacional. Foi o primeiro grande jogo que joguei, então acabei mais no Xbox. E o Mass Effect, eu acho es-pe-tá-cu-lar. Já jogou? É animal, muito legal. Adorei. E esse Mass Effect 2 é bem legal também. E o Fallout 3, eu gostei muito. Minha namorada terminou! Olha que humilhação pra mim. Eu não terminei ainda. Ah, o Bioshock também gosto de jogar. Minha namorada terminou o 1 e já está na metade do 2. Eu não terminei ainda e estou começando o 2. É que comprei o Bioshock junto com o Mass Effect. Aliás, você jogou aquele Demon’s Souls?

Joguei. O que você achou?
TL:
Puta jogo difícil, cara! Mas não consigo passar de nada, dou três passos, morro, perde tudo e tem que começar do zero! Assim, eu gosto de desafio, mas pô, puta jogo difícil. Não consigo fazer nada! Eu chegava no finalzinho da fase… e morria. Perdia tudo, tinha começar tudo de novo.

Você costuma comprar jogos nas redes online?
TL:
Às vezes eu compro. É raro, mas compro, mais na Xbox Live. Já comprei muita música do Rock Band. Todo mês eu entro pra ver se tem novidade e compro muita música. Adoro tocar, eu sou o guitarrista. Minha namorada é a baterista. Ela sempre joga comigo, tem um PlayStation, que eu dei pra ela. A melhor coisa que eu fiz, porque ocupa. “Amanda, vai lá jogar Playstation, que eu tenho que fazer não sei o que lá.” [risos]

E você tem costume de chamar a galera em casa para jogar?
TL:
Ah, eu prefiro ir na casa dos outros. Em casa faz muita bagunça. [risos]

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22/07/2010 - 17:58

A Sony, a Gameloft, a Blizzard, o Kinect, o Jogo Justo…

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Vamos na velocidade da luz, porque o tempo corre.

Você deve imaginar que quando eu sumo é por um bom motivo, não? No caso, é a semana do meu fechamento (da Rolling Stone). E a matéria que tenho em mãos não é lá muito moleza. Estarei mergulhado nela até a semana que vem. Então agüente mais um pouco que logo voltaremos à programação normal.

Enquanto isso, deixo umas pílulas de sabedoria e informação para você refletir a respeito.

* Hoje realizei uma entrevista com o Anderson Gracias, o General Manager da Divisão Playstation da Sony Brasil. O papo foi bom, muito bom, e bastante revelador. Não pense que saí do prédio da Sony com a data de lançamento e o preço brasileiro do Playstation 3. Foi quase isso, mas nem tanto. Você sabe como a Sony é cuidadosa a respeito de suas divulgações. Mas foi bastante esclarecedor de um modo geral, esclareceu mais sobre como a Sony vai trabalhar no Brasil e me deixou otimista sobre os tempos vindouros. Faço questão de dividir a íntegra daconversa em breve aqui no blog.

* Na terça-feira que vem rola o aguardado lançamento de Starcraft II: Wings of Liberty no Brasil. E a Blizzard obviamente não fará pouco barulho para divulgar o fato. À meia-noite de segunda para terça (26 para 27/7), haverá um evento de lançamento do game na Saraiva Megastore do Shopping Morumbi (SP). Está prevista a presença do Fausto de Martini, brasileiro que trabalha na equipe de animação da Blizzard, que distribuirá autógrafos no game e responderá a questões vindas do público.  As vendas rolam a partir da meia-noite, mas o evento já começa às 22h.

Ah, sim! Vá de pijama.

Não vá não. É brincadeira.

* A Gameloft, produtora de games mobile, também me pediu para divulgar uma ação de marketing deles que achei simpática: a ideia é divulgar o perfil de Twitter da empresa e distribuir prêmios à medida que a quantidade de seguidores aumenta. Leia as regras aqui e siga os caras por aqui.

* No final de semana passado rolaram eventos de games em São Paulo – isso mesmo, no plural. O SP Game Show (dentro do Anime Friends) e o Festival do Japão (com o Akiba Space, que teve a final do World Cosplay Summit e a primeira demonstração do Kinect em solo brasileiro). Ambos renderam bastante assunto e você já deve ter se cansado de ler sobre isso, imagino. Como perdi o timing, não vou falar muito mais além do que já foi dito. E além disso, você deve estar mais interessado na ComicCon nesse instante. Então, leia o que os colegas do Arena Turbo disseram sobre o SP Game Show e sobre o Kinect .

Sobre o WCS, eu tento falar logo mais (eu fui jurado).

* Que mais? Deve ter bem mais, mas me esqueci agora. Ah, sim.

* Ao que parece, o Jogo Justo está bombando. Novos parceiros da empreitada de Moacyr Alves para a redução de preços de games não param de surgir. Acompanhe o progresso da iniciativa no site oficial.  E amanhã é dia de campanha no Twitter.

***

E agora vou ali matar mais uns leões. Volto logo com mais.

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13/07/2010 - 18:26

Entrevista da Semana: Moacyr Alves (Jogo Justo)

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Fazia tempo que eu não publicava uma Entrevista da Semana aqui no Gamer.br. Material não falta (falta é tempo para tirar as entrevistas do gravador, confesso). Mas aos pouquinhos vou colocando tudo por aqui. Pode me cobrar depois.  Ou melhor, não cobre não. Vou cumprir.

Hoje, o papo foi com o Moacyr Alves. Talvez você não o conheça, mas irá ouvir falar bastante sobre a iniciativa que ele criou, a Jogo Justo. Colecionador de games conhecido de todo mundo, cara naturalmente engajado e gente boa, Moacyr meteu na cabeça que os preços de games e consoles precisam ser mais baixos no Brasil. Daí, em 2009, ele juntou uns amigos, organizou uma lista de discussão, fez lobby, deu a cara para bater… e conseguiu. Ou melhor, ainda não conseguiu – mas deu belos passos adiante.

Atualmente, o Jogo Justo tem o apoio de um deputado federal do Rio Grande do Sul. Aliás, ele em pessoa fará sua primeira divulgação oficial a favor do projeto amanhã, em uma entrevista coletiva na unidade Lapa da Saga (escola de desenvolvimento de games), a partir de 12h30.

Por conta disso (e para dar uma força ao projeto também, claro), bati um papo com o Moacyr para esclarecer melhor qual é a desse Jogo Justo, quais são as reais propostas, e o que nós, consumidores, podemos esperar de resultados. Confira abaixo a conversa e não deixe de comentar no final:

***

Gamer.br: Do que se trata a iniciativa Jogo Justo afinal?
Moacyr Alves:
O jogo justo é uma iniciativa minha em conjunto com várias pessoas do ramo dos games, como jornalistas, distribuidores, lojas e acadêmicos, para um definitiva redução nos impostos dos games, para tornar nosso pais mais atrativo para as empresas do ramo e também para marcar nosso pais como grande consumidor e investidor na área. Há tempos percebi que o Brasil é um grande consumidor “informal” de games. Imagine se pudéssemos colocar todos na formalidade, com certeza o Brasil estaria no topo dos grandes consumidores.
Basta fazer uma pequena comparação: se o jogo aqui custa R$ 250,00 e muitos compram, quantos não comprariam se eles fossem [vendidos] de R$ 80,00 a R$ 100,00. É isso que eu viso com o jogo justo, ou seja, uma redução significativa nos impostos nos games, para alavancar o mercado nacional.

Sabemos que você já está movimentando o Jogo Justo há vários meses. Quais foram as iniciativas tomadas, e o que mudou de lá para cá?
MA:
Na verdade, o Jogo Justo já nasceu há um ano e meio. Nesse meio período, eu vim amadurecendo a ideia e formando aliados para a causa. A primeira iniciativa tomada foi a criação de uma lista com os grandes nomes da indústria, do meio acadêmico e do jornalismo de games, para ter debate e ver quais seriam os melhores rumos para uma tributação justa nos videogames. Depois dela formada, parti em busca de apoio político, porque seria vital para o projeto. Após alguns fatos que tive que suportar, finalmente encontramos um candidato para apoiar a causa. E finalmente estou em fase final para mostrar o Jogo Justo às autoridades responsáveis.

Como está sendo a reação das pessoas ligadas à área política em relação ao Jogo Justo? Alguma surpresa ou reação inesperada até agora?
MA:
Várias nesse sentido. Posso dizer claramente que tanto o Deputado Luiz Carlos Busato (PTB-RS) como todo o seu gabinete estão dando toda a atenção a esse projeto que conta com apoio já de toda a indústria e da comunidade de jogadores, mas a minha maior surpresa foi justamente um dos chefes de gabinete de um dos deputados – que tinha batido a porta na minha cara – voltar e dizer que também queria apoiar o projeto… Claro que nesse caso, eu fui bem mais educado do que ele e disse apenas “já temos nosso candidato”.

Qual é a história desse deputado que o apoia? E você poderia dizer quem é o deputado que mudou de ideia?
MA:
Ele é do PTB e também é vice-líder desse partido na Câmara dos Deputados. O Luiz é um dos cem deputados em ascensão na Câmara e acredite, ele faz por merecer. Agora, quanto ao deputado que mudou de ideia, esse não vou mencionar, mas se algum dia ele ler essa matéria, acho que irá ficar bem arrependido de não ter comprado essa briga antes.

Efetivamente, o que se espera que esses políticos façam com o seu projeto?
MA:
Bom, já demonstrei para o Sr. Luiz como a indústria pode crescer se tivermos uma verdadeira redução nos preços dos jogos e consoles no Brasil, então com isso espero efetivamente duas coisas: 1. Ou que se reduza a carga tributaria dos games a no máximo 8%, fazendo com isso um aquecimento interno geral, onde todos possam ganhar, inclusive o próprio governo, com o desestímulo da pirataria nacional; 2. Que se coloque os games como cultura, o que para mim na verdade eles são, reduzindo assim também a carga tributária para no máximo 3% e tendo as mesmas reações mencionadas na primeira alternativa.

Esse projeto visa especialmente reduzir o preço final dos consoles de ponta, ou há também a intenção de reduzir os preços dos games? Porque é sabido que a carga tributária afeta principalmente os preços dos consoles…
MA:
O projeto visa a redução dos videogames, consoles e jogos em geral. Na verdade, os maiores vilões sem dúvida alguma são os impostos. Os games estão englobados como jogos de azar, por isso que tem impostos tão altos. Com uma redução efetiva, vamos deixar de ser um mercado praticamente inexistente para ser um mercado em ascensão, como aconteceu com o México há alguns poucos anos. E na minha opinião, temos muito mais capacidade do que o México em termos de jogos, e não duvido nada que temos mais capacitação até na área de criação de games. Estive visitando algumas escolas de games e fiquei impressionado com que os alunos brasileiros estavam fazendo. Com o Jogo Justo, viso também que o País cresça em matéria de produção de games.

Qual é o prazo para o Jogo Justo começar a repercutir e fazer efeito? Teremos que esperar o desfecho das eleições?
MA:
Não, o Jogo Justo andará independente de eleições. O prazo pode ser de duas maneiras:
1. Imediato, se conseguirmos convencer o secretário da Receita Federal;
2. Se não, por projeto de lei. Porém, nessa alternativa, devido à demora para a votação e apreciação, teria que haver um movimento popular para votação acontecer o mais rápido o possível do projeto, porém, teria que haver pressão da população para a Câmara votar mais rápido.

E o que o público consumidor pode fazer para ajudar essa campanha?
MA:
O público pode entrar em contato comigo pela pagina do Jogo Justo e também divulgar onde for possível – blogs etc. Quanto mais puderem fazer em matéria de divulgação, melhor.

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08/07/2010 - 18:33

Preços do Xbox 360 caem (novamente) no Brasil

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E lá vamos nós para mais uma redução de preço do Xbox 360 no Brasil (a última foi em 2 de fevereiro, há mais de cinco meses).

Essa já era aguardada, afinal, a Microsoft anunciou na E3 um novo modelo do console (o qual, aliás, já pode ser comprado lá fora – e já tem importadoras aceitando encomendas por aqui). E lembrando que esta é a terceira queda só em 2010.  No caso, as versões Arcade e Elite ficam 20% mais baratas a partir de hoje.

Para não enrolar muito, lhes dou o release, que já se auto-explica:

“SP, 08/07/2010 – A Microsoft reduziu mais uma vez o preço dos Kits Oficiais Xbox 360. Os consumidores poderão adquirir a versão Arcade* por R$ 999 e a Elite** por R$ 1.599, vendidos anteriormente por R$ 1.249 e R$ 1.999, respectivamente. Além disso, a empresa lançará no dia 27 de julho, a sequência de um dos títulos mais premiados de ação do console: o Crackdown 2, pelo valor de R$ 159.

“Queremos que nossos consoles sejam ainda mais acessíveis aos consumidores. Esta é a terceira queda no valor do Xbox 360 em menos de um ano”, afirma Guilherme Camargo, gerente de Xbox 360 na Microsoft Brasil. “Hoje o consumidor pode adquirir uma versão mais básica, com todas as funcionalidades do Xbox 360, e outra mais completa para os aficionados por entretenimento em geral”, conclui o executivo.

* Arcade – Console + controle sem fio + 256MB de armazenamento interno + cabo de áudio e vídeo + cabo HDMI + 2 jogos (Fable 2 e Banjo). Cor branca. R$ 999,00.

** Elite – Console + controle sem fio + HD de 120GB + cabo de áudio e vídeo + cabo ethernet + controle remoto universal + cabo HDMI + 2 jogos (Fable 2 e Banjo). Cor preta. R$ 1.599,00.”

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06/07/2010 - 19:25

Como foi a festa da Blizzard

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É mesmo! Faltou falar sobre o evento da Blizzard no Brasil.

Certamente você já leu aqui, ou viu aqui. Mas tudo bem. Vou falar.

A festa rolou na quarta-feira passada, em um buffet estiloso no bairro de Moema, zona sul de São Paulo. E estava realmente todo mundo lá – até mesmo gente que andava afastada desse tipo de evento mais específico. Foi muito bem organizado e democrático. Havia gente de grandes portais e blogueiros, sem preconceito. Trabalhar direto na comunidade é isso aí.

Enfim, aparentemente deu tudo certo no primeiro grande evento da Blizzard em território brasileiro. Começou com Steve Huot, diretor de operações da empresa para a América Latina, dando as caras no melhor estilo “executivo americano bom de discurso”. Ele falou bem e bonito, mostrou números e encheu a sardinha do mercado brasileiro. Daí, revelou o plano mirabolante da Blizzard para conquistar o nosso País: primeiro, “vender ao núcleo”, ou seja, atingir o público fiel com uma campanha que envolve colocar o preço do game lá embaixo e fomentar uma comunidade ativa e interessada; em seguida, “vender para todo mundo que possui banda larga”, o que significa utilizar modelos de assinatura por período (30 a 60 dias) e investir em recursos para o fortalecimento da marca em nosso território.

Pareceu bem convincente. Exceto pelo fato de que temos que ver se esse esquema de “game barato + assinatura posteriormente” vai funcionar por aqui. Mas falemos sobre isso daqui a pouco.

O jogo em questão, Starcraft II: Wings of Liberty, é o  sucessor de um dos games mais resistentes da história, StarCraft, lançado em 1998 e jogado até hoje nas internets. A grande novidade é o lançamento por aqui simultaneamente ao mercado norte-americano, em 27 de julho, em versão inteiramente localizada para nosso idioma, o português (mais o espanhol – sem opção de inglês) e… por apenas R$ 49,90.

Mas, aí eles explicaram tudo: R$ 49,90 dá direito a levar o game para casa e a jogar por seis meses, seja no modo individual, seja no modo online. Expirado esse período, o usuário precisa optar por pacotes de 30 ou 60 dias para continuar jogando. Será possível pagar via cartão de crédito ou boleto bancário, e os preços das mensalidades ainda não foram revelados pela Blizzard. Pelos comentários que ouvi ao final do evento, as opiniões dos colegas de imprensa foram dúbias: muitos comemoravam o fato de o game ser vendido tão barato; outros, reclamaram que esse esquema de jogar por seis meses e pagar depois não é tão interessante, e que no fim das contas, o consumidor irá gastar mais. O fato é que tem muito jogador brasileiro acostumado a pagar mensalidade (vide o sucesso por aqui de World of WarCraft, também da Blizzard). E não há como negar que, em se tratando de marketing, foi mesmo boa essa ideia de lançar um game de ponta a um preço tão baixo: o público desavisado, dito “casual”, certamente irá prestar atenção a um game “famoso” sendo vendido por apenas cinquentinha na prateleira do supermercado.

Para quem não quiser se dar ao trabalho de pagar assinatura, a Blizzard irá lançar uma edição especial do game, somente digital, sem limitações e mais cara, além de uma outra versão, “para colecionador”, cheia de extras e bela embalagem. Mais detalhes sobre isso serão divulgados mais perto da data de chegada do game às lojas (aliás, dizem que irá rolar uma grande festa de lançamento para promover StarCraft II no Brasil).

No evento, vimos demonstrações do game no telão, nos quais se deu mais atenção à dublagem do que à jogabilidade em si. Ouvi gente reclamando das coisas de sempre, dizendo que não havia tanta naturalidade nos diálogos, mas eu já presenciei coisas bem piores. Não percebi muitos problemas, para falar a verdade. São detalhes que somente os mais hardcore vão perceber, principalmente aqueles já antenados com o universo StarCraft. Já que a intenção da Blizzard é ampliar seu público e popularizar a marca, então me parece que o serviço de localização foi feito da maneira adequada. Aliás, outra notícia interessante: a Blizzard pretende oferecer servidores dedicados à América Latina, o que significa que você não precisará se preocupar em tomar surras online de algum coreano campeão. Porém, para quem já se considera jogador de nível avançado, não parece ser uma opção interessante batalhar apenas contra latino-americanos (para jogar em servidores internacionais, será preciso adquirir versões do jogo lançadas em outros países. Isso ainda está confuso e deve ser esclarecido mais adiante). O que deu a entender é que a Blizzard pretende estimular o crescimento de uma comunidade continental de fãs e aficionados. Muito justo.

(Aliás, entrevistei o Steve Huot e prometo em breve publicar a íntegra do papo aqui. Ele até falou sobre World of WarCraft e o Brasil.).

Finalizado o blá-blá sobre StarCraft II, falou-se sobre a equipe brasileira da Blizzard. Um dos integrantes do time é um velho conhecido do mercado nacional – o Ivan Kako, que foi gerente de produto na Electronic Arts Brasil durante alguns anos. Ele será o gerente regional de desenvolvimento, o que significa que ele estará bastante ligado a todas as decisões importantes relacionadas aos games Blizzard no Brasil. Cara de confiança, competente e totalmente bem-intencionado, Kako tem tudo para fazer um ótimo trabalho. Experiência de sobra ele tem.

O outro brasileiro na Blizzard é o goiano Washington Andrade, que exercerá o cargo de gerente de comunidades. Ele, que mora há alguns anos em San Francisco e chegou a jogar WarCraft 3 profissionalmente, conseguiu sua vaga através daquele processo de seleção aberto que divulguei há uns meses, vencendo algumas centenas de concorrentes. Por enquanto, ele está morando em Irvine (também na Califórnia), e trabalha na sede da Blizzard. É bem provável que ele prossiga suas atividades lá dos Estados Unidos mesmo (afinal, o fato de ele já morar nos EUA deve ter sido crucial em sua escolha para o cargo). Ainda um desconhecido do mercado nacional, Washington se esforçava para lidar com o assédio pesado dos convidados no final da festa.

Já a parte de comunicação com imprensa está a cargo do Andre de Abreu, que também foi o mestre de cerimônias do evento e já se mostrou bem integrado com a imprensa especializada. A propósito, a Blizzard não revelou ainda onde será seu escritório em São Paulo, e nem deixou claro se pretende abrir mais vagas para profissionais brasileiros num futuro próximo. Já eu, aposto que sim: pelo tamanho das intenções demonstradas, é bem provável que a empreitada Blizzard no Brasil cresça a olhos vistos.  A gente torce, pelo menos.

E você ai, ficou animado?

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E saiu a matéria sobre a Blizzard assinada pelo Luciano Amaral, do PlayTV. Se ligue nas participações especiais:

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05/07/2010 - 12:33

Quem quer jogar Kinect?

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O novo acessório para Xbox 360 tem lançamento previsto para novembro nos Estados Unidos, e, possivelmente, dezembro no Brasil. Mas quem estiver curioso poderá matar a vontade de experimentar o “brinquedo” antes. Bem antes, aliás. Que tal daqui uns dez dias, mais ou menos?

É isso aí. O Kinect poderá ser testado no evento Festival do Japão, que vai acontecer em São Paulo, no final de semana de 16 a 18 de julho.

A produtora japonesa Hudson Entertainment divulgou na sexta-feira que irá mostrar alguns jogos da série Deca Sports durante o evento, entre eles o Deca Sports Freedom, exclusivo para uso com o Kinect. É realmente a primeira vez que os brasileiros poderão testar o ex-Project Natal com as próprias mãos – e com o corpo inteiro. Veja o que diz o release:

“…we will be bringing our very own Microsoft Kinect title, DECA SPORTS FREEDOM to Brazil.  For our understanding, it will be the first time Brazilians will have the opportunity to play with no controllers at all!  If you have the time, please visit us at the AkibaSpace booth.”

A dizer, “AkibaSpace” é a área do Festival do Japão destinada à cultura pop japonesa. É ali que irá se desenrolar a final nacional do World Cosplay Summit, o tradicional torneio de cosplay, do qual eu serei jurado mais uma vez (relembre como foi em 2009, em 2008 e em 2007).

O mais bacana desse anúncio da Hudson é que ele furou todas as divulgações oficiais do festival (ainda não há menção sobre isso no site oficial). Espero que a vinda do Kinect se confirme mesmo, porque já é um dos bons motivos para se visitar o evento.

E devem rolar outras coisas legais por ali ao longo do fim de semana. Anote:

13º Festival do Japão
16, 17 e 18 de julho de 2010
Sexta, 16/07 – 12 às 21 horas
Sábado, 17/07 – 10 às 21 horas
Domingo, 18/07 – 10 às 18 horas

Local: Centro de Exposições Imigrantes – Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, São Paulo (Ônibus gratuito no metrô Jabaquara)

Ingressos: R$ 7,00 (entrada gratuita para menores de 8 anos e maiores de 65 anos)

Informações: (11) 3277-8569 e http://www.festivaldojapao.com

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Mas você já deve estar sabendo que este não é o único evento de games a ser realizado em São Paulo no mesmo final de semana, não é? Mas daqui a pouco eu falo sobre isso.

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