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Arquivo de maio, 2010

26/05/2010 - 17:01

Surpresas e desapontamentos (e não é o fim de Lost)

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Saudações!

Como vai essa ressaca? Pós-Lost, é claro. Mas nerdices de lado, vamos primeiro ao que interessa.

(Rá!)

***

Enfim, descobrimos o que é GamerTag (o questionamento surgiu aqui, lembra?).

É um programa em vídeo para a web, de uma hora de duração, no formato debate/entrevistas/crítica. E a primeira edição já está no ar, aqui.

Por enquanto é isso, mas deve vir mais coisa, conforme promete o cabeçalho do site. Assista inteiro antes de comentar. E antes de jogar pedras, se pergunte se não era melhor você tentar fazer alguma coisa também. Sabe como é, criticar é fácil, fazer é complicado etc…

***

E como você já deve ter ouvido dizer, rolaram mudanças na final brasileira do torneio de cybersports ESWC. O problema, para a tristeza de quem torce pelo mercado nacional, foi a falta de um patrocinador que pudesse bancar o projeto. O release divulgado pela assessoria (que está no site oficial do evento – curiosamente, eu não recebi esse) dá uma esclarecida na situação. Mas não deixa de ser melancólico e lamentável que um evento de nível internacional não aconteça por falta de investimento privado:

“A organização vem a público apresentar informações e esclarecer dúvidas relativas ao campeonato Electronic Sports World Cup 2010, a saber:

1. Este evento é totalmente dependente de patrocínios. A organização não possui interesse e/ou verba própria para a realização do mesmo.
2. Era credo da organização que o mercado nacional de jogos eletrônicos e empresas, direta e indiretamente interessadas no mercado e público alvo do evento, estariam preparadas para apoiar financeiramente a realização do mesmo. Não o fizeram.
3. A organização do evento desde Dezembro de 2009 negocia com mais de 60 empresas, enviando dezenas de propostas formais, com valores cujo objetivo era somente a subsistência do evento e realização da Final Nacional, sem visar o lucro.
4. O mercado não respondeu e tornou inviável a realização da Final Nacional nos moldes em que a Organização considera digno para um evento desta dimensão.
5. A organização sente muito, pois acredita que a comunidade de e-sports brasileira merece vários eventos profissionais de qualidade, como o que estava disposta a organizar.
6. A organização se solidariza com os atletas e junta-se ao coro de insatisfação, esperando que em um futuro próximo o mercado brasileiro esteja preparado para receber grandes eventos independentes como o ESWC.
7. Esta organização reafirma ainda seu compromisso com a comunidade e com a execução de eventos profissionais e de alto padrão, incluindo a Final Nacional do ESWC Brasil 2010.
8. A organização pede para que todos estejam atentos pois as informações oficiais serão unicamente publicadas no site oficial da organização do ESWC Brasil (http://www.eswc.com.br/). O único canal com informações oficiais sobre a Final Nacional do ESWC Brasil 2010 é o acima.
(…)
Esta organização gostaria ainda de agradecer a compreensão e suporte da comunidade de games, que certamente entenderá que os motivos das modificações acima fogem completamente da vontade da organização, e que o objetivo do evento é e sempre foi o privilegiar o e-sport nacional, seja nos momentos fortuitos, seja nos desafiadores como este.

Atenciosamente,

Organização ESWC Brasil 2010″

Mais informações sobre as finais do ESWC podem ser lidas no site oficial do evento, aqui.

***

E o final de Lost, o que você achou?

(E não, não acho que seja off-topic.)

Elaborei uma pensata sobre o assunto, mas fiquei com preguiça de me aprofundar mais. Aí, me emocionei sozinho, escrevi uns rabiscos e postei nos comentários do melhor site brasileiro a falar sobre o tema, o Trabalho Sujo do amigo Alexandre Matias. E acho que ele me autoriza a republicar por aqui, não é mesmo? E passe por lá para ler as outras teorias. E aqui para ler umas respostas às suas dúvidas mais secretas.

“Confesso que me emocionei uma meia dúzia de vezes. E acho que justamente era esse o intuito da coisa toda. Fazer o público ter contato com seu lado espiritual, ou se confrontar com a pergunta mais sem resposta de todas (mais do que qualquer mistério de Lost): o que acontece depois da morte?
Os criadores de Lost sabem que essa pergunta jamais terá uma solução, então se penduraram nela para criar toda a trama da série. Todo o resto, as referências a ficção-científica, foi tudo perfumaria para nos manter ocupados durante seis anos. Conseguiram, né?

Foi assim – a bomba explodiu e acabou pro Jack (e pra vários outros). O que vemos na sexta temporada é o rito de passagem do herói para “o outro lado”. Na realidade paralela, vemos o que “poderia ter sido” se todos fossem bons, bacanas e honestos. Na ilha, acompanhamos a luta de Jack pela redenção espiritual. Quando ele enfim cumpre sua “missão”, está pronto para partir. Como não existe temporalidade no “outro lado”, todas as pessoas importantes para Jack aparecem juntas na igreja. Mas não quer dizer exatamente que todas morreram juntas quando a bomba explodiu ou coisa parecida. Elas foram morrendo ao longo dos anos, e se juntaram todas ali na “igreja” para juntas pularem para o outro lado.

Os criadores de Lost sabiam que se equilibrassem ciência com fé, seria a combinação perfeita para nos manter ligados. O desfecho inteiramente baseado na fé não pode ser considerado uma enganação, ou simplesmente uma “solução fácil”. Não foi nada fácil nos manter acompanhando esse tempo todo. Eles se arriscaram, e no fim, tiveram sucesso. O público queria que houvesse uma explicação científica ou lógica para as grandes questões da existência humana, mas o fato é que ninguém tem essas respostas – nem os roteiristas de Lost. Todas essas questões não respondidas servem como metáfora para os grandes mistérios que o homem jamais conseguirá resolver na vida terrena.

Mas claro, isso sou só eu falando.”

Autor: - Categoria(s): Clique Comigo, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , ,
21/05/2010 - 19:44

Alguns Pensamentos sobre a História dos Videogames no Brasil

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Saudações!

Antes de entrar no fim de semana, publico minha coluna Gamer.br, que foi publicada na edição mais recente da revista EGW – o texto tem um quê de comemorativo porque apareceu na edição 100 da revista (é um marco histórico para qualquer publicação hoje em dia).

O tema da coluna é dos mais atuais – pelo menos para mim: a absoluta falta de registro sobre a história dos videogames no Brasil e como a imprensa de hoje está trabalhando para mudar essa situação. Você já parou para pensar nisso? Então pense comigo. O texto rendeu uma repercussão legal entre os leitores da revista, então acredito que por aqui será a mesma coisa. Se tiver algo a acrescentar, é só comentar ali no final.

***

Velhos Tempos que Não Voltam Mais

Desde que virei jornalista “de verdade”, tenho constantemente recebido solicitações de estudantes de jornalismo. Explico: de uns anos para cá, virou praxe nas faculdades fazer trabalhos de conclusão de curso (os chamados “TCC”) sobre o assunto videogame. Tem gente que direciona bem o trabalho: alguns ex-estudantes, hoje bem sucedidos colegas de profissão, tiveram a ideia de criar uma revista independente sobre games. O projeto, eles me contaram, os ajudou a ganhar experiência que seria utilizada ao longo da carreira e estreitou os laços com profissionais que já se encontravam consolidados no mercado. Nesse caso, foi uma ideia que deu muito certo.

Mas há tantos outros estudantes – bem mais ambiciosos – que não se contentam em fazer um trabalho “simples”. Não são poucos os que me abordam pedindo uma força em tarefas árduas, como, por exemplo… em trabalhos de pesquisa sobre a história completa dos videogames no Brasil.

Esses dias, desencorajei um estudante dos mais dedicados. A proposta dele para o trabalho final do curso de jornalismo era uma reportagem investigativa, na forma de livro, sobre a trajetória da indústria de games brasileira dos os anos 70 até hoje. Em nossa primeira conversa, joguei a real: “Você simplesmente não terá de onde tirar informações sobre isso”. Emendei dizendo que a maioria das pessoas que participou desses acontecimentos ou não está mais viva, ou não se lembra de detalhes porque mudou de área. E não ajuda em nada o fato de não haver bibliografia decente publicada sobre o assunto. As revistas de games surgiram no Brasil no início dos anos 90, mas não passavam de páginas coloridas cheias de dicas e telinhas. Só se tornaram realmente informativas e interessantes em meados do século XXI.

(A publicação que você tem em mãos, aliás, faz parte deste processo de profissionalização da cobertura jornalística nacional dos games. A EGM Brasil surgiu em 2002 com uma proposta diferenciada, visando entregar informações competentes e reflexões aprofundadas a um consumidor cada vez mais interessado e de alto nível. Hoje a revista se chama EGW, mas dá uma grande satisfação vê-la alcançando a centésima edição firme e forte, após vencer tantos percalços e contrariar expectativas.)

Fechando o parêntese, voltemos ao tema. Existe um problema grave para qualquer um que se arrisque a investigar a saga do mercado de games no Brasil: simplesmente não existe registro confiável sobre o início e o desenvolvimento dessa história toda. Muito porque a imprensa “séria” sempre ignorou os games. Não havia especialistas assumidos sobre o tema. E muito menos se discutia o potencial positivo dos jogos em debates intelectualizados. Toda essa movimentação que você vê hoje é muito recente.

E talvez seja justamente este fato que me faça adiar a ideia de escrever um livro aprofundado sobre o assunto. Vou entrevistar quem? Pesquisar aonde? Onde andam os executivos responsáveis pelo lançamento do Telejogo nos anos 70? E o pessoal que trabalhou na Polyvox, que lançou o Atari, o que anda fazendo? Percebe o tamanho do problema?

Tocando especificamente na questão da imprensa, me parece óbvio o porquê de os veículos sérios não estarem interessados em videogames antigamente. O assunto realmente parecia banal e assustador para leigos. E isso demorou a mudar. Há até uns dez anos, os jogos só apareciam nos grandes veículos em matérias depreciativas ou não tanto lisonjeiras. Felizmente, a percepção geral mudou, e para melhor. Hoje, os games não são mais considerados os causadores de surtos psicóticos ou responsáveis pela má atuação dos jovens na escola. Mas isso você está cansado de saber, não é mesmo?

Apesar dos pesares, temos mais é que comemorar essa enorme aceitação dos videogames na sociedade. Se o passado permanece uma incógnita, pelo menos podemos ter certeza de que o período atual está sendo muito bem documentado. E que assim continue.

* Texto publicado na edição 100 da EGW, maio de 2010.

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20/05/2010 - 17:13

Xbox Live no Brasil – será?

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Opa, mas que semana agitada.

Não sei para você, mas para mim está uma loucura. E as notícias não param de chegar. O que tem de gente especulando coisas às escondidas… esse é o lado bom de não ter o rabo (muito) preso: a gente fala o que pensa, e aguenta as consequências depois.

Por exemplo, há quem jure que a Microsoft irá anunciar na E3 2010 algum avanço na questão da rede Xbox Live no Brasil. Antes mesmo de essa especulação surgir e se alastrar pelas redes sociais, eu já estava cogitando a mesma coisa. E a ideia apenas se consolidou quando descobri que haverá mais um evento da Microsoft na E3 além da coletiva tradicional e do circo do Project Natal.

Será no dia 15 de junho, na parte da noite, e há quem garanta que haverá notícias especiais para os brasileiros. Eu particularmente duvido que seja uma festa para anunciar uma nova aventura de Halo em nosso território.  Logo, concluo que é bastante provável que surja alguma novidade realmente interessante para nós durante essa E3. Pensamento positivo é isso.

***

Por outro lado, alguém tem dúvidas de que a Sony também irá revelar algo sobre o Brasil durante a E3? Talvez não aconteça lá em Los Angeles, mas é quase certo que o braço brasileiro da empresa finalmente quebrará o silêncio para revelar o que queremos ouvir – ou seja, PlayStation 3 oficialmente no Brasil, com direito a rede PlayStation Network funcionando. Seria incrível, não?

E a coletiva da Sony na E3 já foi confirmada. Será no dia 15 de junho, no belíssimo Shrine Auditorium, a partir das 11h30 (horário de Los Angeles), ou 15h30 (horário de Brasília).

Sim, é isso mesmo o que você pensou (ou será que só eu me importo com isso?): a coletiva começa no exato momento do início da primeira partida do Brasil na Copa do Mundo.

Já estou combinando com os colegas brasileiros sobre esqueminha de TV portátil, radinho de pilha ou alguma nova tecnologia. Se bem que a Sony poderia disponibilizar umas novíssimas TVs 3D e espalhar pelo Shrine Auditorium… Fica aí a dica.

***

E a Nintendo?

Essa também confirmou sua festinha na E3: será também em 15 de junho, lá no Nokia Theater, no centro de Los Angeles. E será às 9h da manhã, como sempre. E dessa vez, eu juro que não faço a mínima ideia do que eles irão mostrar.

Alguém tem sugestões?

***

Muita gente me escreve aqui pedindo para eu esclarecer a quantas anda o projeto “Imposto Justo para Videogames”. Bem, não dá para falar muita coisa, porque esta tudo naquela inevitável fase de confidencialidade. Só dá para dizer que há pessoas graúdas e importantes de Brasília interessadas nessa pauta. E mais gente do que você pensa se preocupando e trabalhando muito para que o projeto siga adiante.

E juro que quando eu puder, abro mais o bico.

***

Eu também não posso falar muito, mas ouvi dizer que em breve a Blizzard fará alguma espécie de evento voltado para a imprensa por aqui. Deve ser em junho, e deve ser com o objetivo de inaugurar os trabalhos da produtora em solo brasileiro.

Mais sobre isso – se rolar mesmo, porque não é certo -, falo em breve.

***

E tem novidade lá na PlayTV.

O onipresente Luciano Amaral, que hoje é o apresentador do programa MOK, está ocupando um novo cargo: agora ele também é o diretor artístico do canal, e assume a função com o objetivo “de fortalecer a identidade do canal por meio da unificação das linguagens utilizadas em cada programa”, segundo o release divulgado ontem.

“Queremos nos tornar uma marca ainda mais reconhecida no mercado da cultura pop e focada no público jovem. Para isso, o primeiro passo será a reformulação de vinhetas, artes e infografias da programação. Acreditamos que ter unidade na produção fará com que o público crie mais facilmente uma identificação com a PlayTV”, afirma Luciano.

O Gamer.br deseja boa sorte ao Luciano – que segundo consta, também irá cobrir a E3 direto de Los Angeles. Aliás, uma excursão às lanchonetes mais engorduradas da cidade já está em planejanento.

E boa semana para todo mundo.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2010, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , , , , ,
13/05/2010 - 20:12

O Circo do Project Natal na E3

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A grande notícia do dia é: o show do Cirque du Soleil no evento da Microsoft antes da E3 2010.

Será justamente na apresentação do Project Natal, no domingo, 13 de junho. A confirmação via e-mail chegou hoje de manhã aqui.

Você sabe, Cirque du Soleil é aquela trupe circense conhecida mundialmente, cheia de estilo, pompa, cores e imaginação. Ao que parece, o glamour voltou com tudo ao mundo encantado da E3. A vida noturna de Los Angeles agradece.

***

Mas a Sony Brasil não deixa por menos, está pensando o quê?

A assessoria de imprensa da fabricante divulgou hoje uma queda de preços considerável nos games de PlayStation 3:

“A partir deste mês, a Divisão PlayStation da Sony Brasil reduz os preços de cinco games para PlayStation 3. Os jogos God of War Collection, Infamous, Killzone 2, Resistance 2 e Little Big Planet – Game of the Year Edition passam a custar R$ 119, o que representa uma  queda de mais de 30%.

“Esta redução de preços faz parte da estratégia da Sony Brasil de trazer ao gamer brasileiro a melhor experiência em jogos de PlayStation”, afirma Anderson Gracias, Gerente Geral da Divisão PlayStation na Sony Brasil.”

Lembrando que R$ 119 equivale a US$ 66 (com a cotação a US$ 1 = R$ 1,80) – exatamente o valor de um game lançamento para PlayStation 3 nos EUA (US$ 59 + impostos). Não dá para dizer que é barato (videogame jamais será barato, já disse o profeta), mas é um pouco mais justo.

***

E os jornalistas contratados para a equipe Arena Turbo são…

Caio Corraini, Gus Lanzetta e Henrique Sampaio.

Parabéns e boa sorte a todos os envolvidos.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2010, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , ,
11/05/2010 - 17:13

Entrevista da Semana: Shigeru Miyamoto (Nintendo)

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“O maior criador de games de todos os tempos”.

A informação é inquestionável, até mesmo pela concorrência: Shigeru Miyamoto, designer japonês de sorriso fácil, tem no currículo uma lista de proezas, da criação de ícones do entretenimento digital – Super Mario, Donkey Kong e Zelda, entre muitos outros – à elaboração dos principais recursos técnicos apresentados nos consoles Wii e Nintendo DS. Aos 57 anos, ele representa a cara da Nintendo, assim como Steve Jobs está para a Apple e Bill Gates para a Microsoft – com a diferença de que Miyamoto não é o dono, mas um dos mais antigos e ilustres funcionários da tradicional fabricante japonesa de videogames.

Em junho próximo, na Electronic Entertainment Expo (ou E3, em Los Angeles), Miyamoto se prepara para apresentar uma revolução tecnológica à altura do que planejam as concorrentes Sony e Microsoft. O peso da responsabilidade, Miyamoto descarta sorrindo: “Não tenho tempo de pensar se cometi erros. Minha energia está sempre direcionada para frente, em como posso criar algo realmente novo”.

A conversa a seguir foi realizada durante a E3 2009, em junho do ano passado. Me foi concedido o direito de entrevistar Miyamoto individualmente durante 20 minutos, com a ajuda de um intérprete norte-americano (aliás, o mesmo que participou da primeira entrevista que fiz com o japonês, em 2005).  Miyamoto entende as perguntas em inglês, mas prefere respondê-las em japonês para evitar desentendimentos (ou por pura frescura, vai saber). Quando entrei na sala toda branca, ele brincava de disparar flechas em Wii Sports Resort e continuou fingindo estar mais interessado no game do que na entrevista que estaria para começar. Perguntei se ele se lembrava de mim, de quatro anos antes, e ele fez o “oooown” característico dos japoneses meio que concordando, meio que não fazendo ideia do que eu estava falando (normal, imaginei). O tradutor sim, esse se lembrou de mim e até chegou a brincar: “Quando vi na lista que receberíamos o Mr. Miyazawa, fiquei pensando se era algum executivo da Nintendo japonesa que eu não conhecia! Aí me dei conta que seria você”. Dei risada. Que honra. Lá no canto, o copiloto Gus Lanzetta filmava tudo.

Antes de se sentar para receber as perguntas, Miyamoto pediu “Só mais uma flecha!”, e disparou na mosca, dando risada. Só então ele largou o joystick e me encarou pronto para a sabatina. Faz parte do show dele, e eu sabia disso. O tempo estava apertado, Miyamoto não fazia muita questão de se apressar, mas ninguém reclamou, nem mesmo a assessora extremamente tensa – são os privilégios que se tem quando se é o maior de todos.

A seguir, a íntegra da entrevista, traduzida direto do inglês. Quisera eu um dia poder traduzir essa entrevista (e a anterior) direto do original em japonês. Se alguém um dia se habilitar, disponibilizo os arquivos. Nas respostas que deu, Miyamoto comentou sobre o futuro da indústria do entretenimento, comentou sobre a relação dos games com a indústria musical e relativizou as comparações com outros rock stars mais famosos. E vale lembrar que uma versão dessa entrevista foi publicada na edição 44 da revista Rolling Stone Brasil, que já está nas bancas. Prestigie!

***

Gamer.br: Por que você acha que as pessoas gostam cada vez mais de videogames? Você acha que esse interesse crescente, o amor pelos jogos, está fadado a acabar um dia?
Shigeru Miyamoto:
Sabe, no Japão houve um momento em que o mercado de mangás começou a recuar. As pessoas não demoraram a dizer que era o fim dessa indústria e que ela nunca iria se recuperar. É claro que não foi o que aconteceu: houve uma mudança no conteúdo das histórias, e hoje esse setor está mais forte do que jamais esteve. Eu acho que algo semelhante está acontecendo com o entretenimento interativo, e em consequência, com os videogames. Acho que os jogos eletrônicos continuarão a existir, só que haverá uma mudança no papel dos videogames e também uma evolução no conteúdo proporcionado por eles. Mas a indústria, em si, irá continuar.

O futuro do entretenimento interativo está inteiramente nas mãos das grandes empresas, como Nintendo, Sony e Microsoft? Ou isso será responsabilidade de alguns poucos indivíduos como você?
SM:
Eu acho que são as duas coisas, na verdade. Quero dizer, eu enxergo as empresas como grupos de indivíduos, e acho que as produtoras de games são talvez diferentes estruturalmente, se comparadas às empresas tradicionais. Mas você sabe por que as produtoras de games são fundadas? É porque são formadas por grupos de indivíduos que não conseguem realizar o que desejam sozinhos, então eles se reúnem para juntos alcançar os objetivos comuns. Falando especialmente sobre a Nintendo: é um grupo de pessoas que realmente quer inventar e desenvolver coisas únicas e criativas. Então, é uma empresa, mas é quase como se agisse como um indivíduo único.

Nossa primeira entrevista foi há quatro anos, e perguntei sobre o fato de você ser um rock star da indústria dos games, que é reconhecido pelas pessoas, dá autógrafos… Isso mudou? Você acha que os produtores de games, assim como os caras de empresas de tecnologia como o Google e o YouTube, são as celebridades da geração do futuro?
SM:
Bem, eu não sei. Se vamos nos tornar os rock stars dessa geração, ou os próximos rock stars, é bom que a gente comece a ficar mais bonito, se vestir melhor, todas essas coisas [risos]. Sei lá. É que artistas são pessoas que brilham quando fazem arte. Criadores de games são pessoas que brilham de uma maneira diferente. A maneira com que interagimos com nosso público é através das mídias em que criamos os produtos, mais ou menos da mesma maneira como os escritores e os livros que escrevem. Mas mais do que ver os criadores e produtores de games se tornando celebridades, eu só prefiro ver eles se tornarem cada vez mais criativos. E eu não tenho nenhum problema com o fato de as pessoas apreciarem o trabalho dos criadores de videogames e se tornarem fãs deles. Absolutamente. Eu acho tudo ótimo. Na verdade, sou muito grato de existir gente que goste tanto de nosso trabalho.

E essa história de que os videogames serão a salvação da indústria musical, com games como Guitar Hero e Rock Band? Os games são mesmo a salvação da indústria?
SM:
Eu não sei, é uma boa pergunta. A indústria está mesmo precisando ser salva? O assunto está muito em voga atualmente. Como um criador de games, a música obviamente faz parte de nosso trabalho. Estamos sempre procurando descobrir qual musica é mais adequada para nossos jogos, ou maneiras de fazer a música se relacionar com os games. Mas não acho que está em questão a maneira como nós podemos “salvar a indústria”. Na verdade, eu não tenho pensado muito nisso.

Seus interesses pela música mudaram com o passar dos anos? Você tem tocado mais guitarra, experimentado mais instrumentos, ou quase não tem tido tempo pra isso?
SM:
Eu tenho continuado a tocar, sempre que consigo.

A Rolling Stone norte-americana recentemente chamou você de “o Bob Dylan dos videogames”. O que acha desse apelido?
Nem sei como considerar isso… [risos]. Mas esse tipo de comparação pode ser um pouco ofensiva para o Bob Dylan. Afinal, Dylan é um deus.

Você também já foi chamado de “o Walt Disney dos games”. O que pensa desse tipo de comparação?
SM:
Eu não fico lá muito confortável com essas comparações.  É uma daquelas coisas que, sei lá, nem sei bem como reagir a isso. Por exemplo, se eu me mostrar muito feliz com esse tipo de comparação, posso ser percebido como arrogante ou coisa parecida. Mas se eu digo que não gosto da comparação, é quase uma frustração, como se não houvesse boa resposta para isso. O fato é que as pessoas adoram fazer essas analogias, não é mesmo?

Você acha que os videogames podem realmente mudar o mundo, ou sempre serão apenas e somente mais uma forma de entretenimento?
SM:
Fundamentalmente, sim. Os videogames são uma forma de entretenimento. Mas, pessoalmente, eu procuro criar jogos que não tornem o mundo um lugar pior. E procuro manter isso sempre na cabeça quando estou criando.

Que tipo de jogos você acha que os meus netos estarão jogando daqui uns 50 anos?
SM:
Eu não sei se as coisas serão assim tão diferentes. Tem tantos jogos clássicos que continuam consagrados e são jogados atualmente. Veja o New Super Mario Bros Wii, por exemplo. As pessoas ainda jogam Tetris! A minha esposa continua a jogar Dr. Mario, todos os dias. Esses games antigos continuam a existir, agradam e ainda possuem apelo. Então, o que teremos daqui 50 anos será totalmente influenciado pela tecnologia usada nas TVs e computadores e vai muito depender de qual mídia for a determinante no momento.

É permitido aos gênios cometer erros? Se um jogo que você ajuda a desenvolver não alcança o sucesso esperado, como você reage pessoalmente? É mais difícil para você lidar com o fracasso?
SM:
Bem, talvez seja o jeito que eu trabalho, mas não tenho tempo de pensar que cometi um erro aqui ou ali, estou sempre pensando adiante sobre o que posso fazer para criar algo realmente novo. Minha energia está sempre direcionada para frente, ao invés de refletir alguma critica que meu trabalho levou. Antes de um game ser lançado, porém, nós realizamos diversas discussões internas sobre o que poderíamos ter feito, ou sobre coisas que gostaríamos de ter realizado – talvez não exatamente admitindo erros, mas citando coisas que teriam sido interessantes de fazer. Temos esse tipo de conversa o tempo todo.


Veja o paradigma da indústria dos games: de um lado, temos empresas que querem tornar as coisas mais difíceis para o jogador, em se tratando da experiência de jogo. Do outro, temos empresas interessadas em facilitar a vida dos jogadores – a Nintendo, por exemplo. Qual seria o equilíbrio perfeito entre esses dois caminhos?

SM:
Realmente, esta é uma grande questão. Atualmente temos games – como New Super Mario Bros. e Wii Sports Resort – que servem a ambos os casos: para pessoas que simplesmente querem pegar o jogo, jogar cinco, dez minutos e pronto; e também são ideais para pessoas que querem realmente tirar um tempo para jogar de verdade, sozinhas, realmente mergulhando na experiência. No caso desses dois jogos que citei, acho que realmente chegamos perto de alcançar esse equilíbrio que você mencionou: ambos possuem esse modo para um jogador bem aprofundado, e um modo multiplayer acessível e dos mais divertidos.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2009, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , ,
07/05/2010 - 13:44

Vai-e-vem – quem entra, quem sai, quem vai

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As notícias chegaram essa semana:

* O Gerson Souza, que ocupava o cargo de Country Manager da Sony Computer Entertainment America no Brasil, deixou o cargo há alguns dias. Não foram divulgados os motivos da saída.

* O Glauco Bueno, que estava como diretor de marketing da distribuidora Synergex na América Latina, também deixou o cargo recentemente. A assessoria de imprensa da empresa deve divulgar em breve mais informações.

* O jornalista Jocelyn Auricchio, que era o responsável pelas matérias sobre games no caderno Link do jornal O Estado de S. Paulo, deixou o cargo. Ele agora assina textos no blog de tecnologia Zumo, do Henrique Martin.

* O portal Arena Turbo, que gentilmente hospeda este blog que vos fala, está contratando novos integrantes para sua equipe. Os nomes dos contemplados com as vagas devem ser divulgados nas próximas semanas.

* O game Taikodom, da produtora catarinense Hoplon, deverá ser exibido em nova versão, turbinada e reformulada, durante a E3 2010, que acontece a partir de 15 de junho, em Los Angeles.

* A Proximo Games, rede de lojas que recentemente chegou ao Brasil (com um ponto de vendas em Curitiba), também estará na E3. Segundo Kevin Baqai, CEo da empresa, a Proximo irá oferecer no evento oportunidades de franquia a varejistas já atuantes na América Latina. Alguns funcionários brasileiros que trabalham na Proximo também farão parte da comitiva que vai para Los Angeles.

Mais detalhes devem surgir à medida que informações forem divulgadas.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , , ,
03/05/2010 - 18:56

A vida pré-E3, a Blizzard a caminho e o maior evento de games do Brasil

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E cá estamos de volta!

Abril foi um dos meses mais complicados da vida. Mas é claro que sempre pode ficar mais complicado, não é mesmo?

Cheguei ontem de Los Angeles, a terra da oportunidade. Fui fazer um trabalho, mas também senti o clima para a E3 que começa em uns 50 dias. Não vi nada de diferente. Nas lojas Gamestop que visitei, o PlayStation 3 continua difícil de ser encontrado. O Xbox 360 mais vendido é o bundle da versão Elite com dois games (Forza 3 e Halo ODST). O game da Copa do Mundo está bombando de vender, mas não esgotou. A grande expectativa é para o lançamento de Red Dead Redemption, da Rockstar Games, que rola em 9 de maio. Fora isso, achei tudo muito desanimado e desinteressante. Essa safra pré-E3 é triste.

Nem tem como disfarçar: o assunto que interessa é só E3 mesmo. Por aqui, a imprensa se prepara para a cobertura in loco com ansiedade: a cada dia, aumenta a lista de jornalistas brasileiros credenciados para o evento. Para organizar essa turma toda – e para habilitar um novo canal de comunicação durante o evento, o pessoal da produtora SKY7 criou o site E3 Expo.

Sim, um site com esse nome já existe – é o portal oficial do evento. Mas o que o Ricardo Farah e o Orlando Ortiz fizeram foi criar um site de cobertura jornalística da E3, em português e sem “ligação ou rabo preso com grandes portais”. Segundo a dupla de jornalistas, o E3 Expo Br será alimentado pela própria equipe do SKY7 e por qualquer jornalista que quiser participar: “Queremos fazer deste site o principal canal para jogadores de todo o Brasil conhecerem mais sobre o evento, as pessoas envolvidas e os jornalistas que cobrem”, disse Farah, que esse ano comemora o fato de cobrir a E3 ao vivo pela primeira vez.

Quem curtiu a iniciativa, é só entrar em contato com os caras pelo site. E por falar nisso, o Farah ainda disse que “Estamos abrindo uma vaga para um redator que ficará dedicado exclusivamente a este site”. Mande seu currículo.

***

E como você deve saber, não são só eles que estão contratando… será que posso divulgar por aqui ou não? Vou tratar de saber e logo aviso.

***

E você viu a história da Blizzard, né? StarCraft II em português, um provável escritório da empresa em São Paulo e, por enquanto, nada de World of Warcraft oficialmente por aqui. Nada que a gente não imaginasse, mas sabe como é – a esperança é a última que morre, sempre.

A história mais legal que surgiu dessa viagem da imprensa brasileira para os escritórios da Blizzard foi a cobertura do Bruno Vasone, do Arena Turbo – ele preparou um verdadeiro passeio virtual pelos corredores da empresa, em Irvine (Califórnia), com a precisão e o nível de detalhamento que só um especialista no assunto conseguiria. Confira lá.

***

E você, já sabe o que fará nos dias 20 e 21 de novembro?

Você pode não saber, mas se quiser já tem compromisso: são os dias do Brasil Game Show, auto-intitulado “maior evento de games do Brasil” – e olha que deve ser mesmo.

O release sobre o BGS (que nada mais é que o antigo Rio Game Show) chegou aqui esses dias e alerta como grande notícia o show da banda Mega Driver no evento. Mas é claro que outras novidades devem surgir. Veja o texto enviado pela assessoria:

“A Mega Driver é atração confirmada da Brasil Game Show, a maior feira de games do país. A banda se apresentará nos dois dias de evento num moderno palco com 50 metros quadrados de área e uma infra-estrutura com efeitos especiais de luz e som, além de lindas modelos caracterizadas.

O palco ainda será o local de outras atrações como o duelo de bandas no game Rock Band, premiação e entrega de troféus dos diversos campeonatos da feira, sorteios e apresentações do concurso Cosplay – quando alguns participantes se vestem como personagens de games.

A 3ª edição da feira, que será realizada nos dias 20 e 21 de novembro, será mais uma vez no Centro de Convenções SulAmérica – RJ. Desta vez o espaço ocupado totaliza cerca de 8 mil metros quadrados, o triplo da área utilizada na edição anterior. Exposição com túnel do tempo dos videogames, palestras com profissionais da área e campeonatos, são apenas algumas das muitas atrações do evento.”

É isso aí. Para os residentes em São Paulo, será que vai valer a viagem para o Rio? Seja como for, é mais um grande evento ganhando data garantida no calendário nacional.

***

E por falar em E3 2010

Project Natal” for Xbox 360 Experience
Pablo Miyazawa,
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Após todos esses anos, ainda curto esse tipo de coisa. O que posso fazer?

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2010, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , , , , , , ,
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