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Arquivo de setembro, 2008

26/09/2008 - 20:35

Entrevista da Semana: Peer Schneider (IGN) – Parte 2

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Conforme o prometido, leia a seguir a entrevista com Peer Schneider, vice-presidente sênior do portal IGN.com. Nesta segunda parte do papo, ele fala sobre jornalismo de games, produção de conteúdo por parte do público, e até se arrisca a falar sobre o Brasil (infelizmente, desmentindo uma informação que dei neste blog há uns bons dois anos). Leia, pense, reflita a respeito e comente no final.

Gamer.br: Quando vocês olham para todo o conteúdo editorial que produzem, é levado em consideração que muitos de seus leitores não moram nos Estados Unidos ou Canadá e não falam inglês? Em resumo, quem é o público-alvo do IGN e quais são as diretrizes editoriais que vocês seguem nesse sentido?
PS: Apesar de termos muitos visitantes de todas as partes do mundo, nós estamos atualmente focados no mundo falador de inglês. Nós temos equipes e sites nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e na Austrália – mas isso não quer dizer que não queremos estender nossos tentáculos para outros mercados no futuro. Com um site com nosso tamanho e abrangência, não é nada fácil localizar todo o conteúdo.

Atualmente, os usuários não são apenas consumidores, mas se tornaram criadores de conteúdo – eles fazem seus próprios blogs, sites e podcasts, e tem sido dito que eles conseguem até competir com os grandes sites. Qual é a postura do IGN, no que diz respeito ao conteúdo criado pelo usuário?
PS: Nós adoramos o conteúdo criado pelo usuário. O IGN oferece um dos maiores fóruns de discussão do mundo, e adicionamos diversas maneiras para nossos usuários colaborarem. Eles podem comentar as matérias, escrever guias de estratégia e FAQs, fornecer dicas, criar e compartilhar suas próprias coleções de games, mandar frases e escrever seus reviews. Claro que sempre é possível fazer mais, e nós faremos.

Você acha que a agilidade e a espontaneidade desses pequenos blogs-de-um-homem-só chegam a prejudicar ou incomodar os grandes portais corporativos como o IGN?
PS: É claro. Muitas vezes, nós estamos por dentro de um certo jogo, mas temos que esperar que a empresa concorde em divulgar informações que nos permitam fazer a cobertura. Enquanto isso, alguns blogs conseguem o mesmo conteúdo através de outra fonte e os publicam na hora. Mas os blogs também possuem um foco diferente que pode vir a complementar os nossos sites. Um blog é como um jornal diário, enquanto o IGN é também uma enciclopédia com centenas de milhares de vídeos, informações sobre jogos e muito mais. Por exemplo, o GameStats.com ou o Rotten Tomatoes agregam notas de resenhas de todas as publicações. Você digita o nome de um jogo e encontra uma visão média e objetiva. Um blog pode servir como uma dessas vozes, mas não irá oferecer a cobertura mais aprofundada que você pode encontrar [no IGN].

Hoje existem muitos jornalistas de games indo para o outro lado da indústria, para trabalhar na área de relações públicas das produtoras de jogos, mas não vemos muitos criadores de jogos seguindo para o caminho do jornalismo de games ou a crítica. Por que você acha que isso acontece?
PS: bem, se você é um criador de games bem sucedido e tem a capacidade de usar a imaginação para bolar jogos, é sem dúvida difícil voltar e querer escrever sobre produtos que outras pessoas criaram. Sair da cobertura de games para criar um game propriamente dito dá a sensação de um passo adiante, enquanto o inverso não, criativamente falando. Se você é um fanático por cinema, seu sonho é com certeza dirigir ou estrelar o seu próprio filme. Mas eu duvido que existam muitos diretores que pensem “nossa, eu adoraria escrever sobre filmes”. Dito isso, nós temos diversos redatores que antes eram desenvolvedores de jogos.

Como você começou a cobrir e a escrever sobre games?
PS: Eu era bem ligado em games quando criança, mas daí me desinteressei quando a indústria implodiu. Foi só quando comecei a me envolver com textos e design de web que voltei aos videogames – daí criei meu próprio site de fã para aprimorar minhas habilidades. Antes de eu notar, eu tinha um site de sucesso. Eu ia para a faculdade de jornalismo durante o dia, e escrevia sobre games à noite. Era algo relaxante pra mim – cobrir coisas legais ao invés de coisas sérias da vida real. E quando soube que uma editora de revistas estava querendo expandir para o mundo online, eu me candidatei à vaga.

Você nasceu na Alemanha, daí foi morar no Japão. Agora, você já vive há um bom tempo nos Estados Unidos. Você acha que essas mudanças foram as razões pelo sucesso em sua carreira profissional? O que você poderia recomendar para blogueiros e jornalistas independentes que sonham em trabalhar para a grande mídia?
PS: Saber falar japonês e conhecer como funciona o mercado de lá com certeza foi uma vantagem, mas habilidade com um idioma não é algo tão importante quanto ter paixão por um assunto e saber escrever bem. Meu maior conselho é começar um blog ou um site pequeno e estabelecer uma voz para si mesmo. Tente fazer algo diferente, como apresentar uma nova visão sobre os games, e você será notado. Se alguém se candidatar a uma vaga no IGN e tiver um blog ativo, além de possuir uma persona online popular, eu contrataria facilmente essa pessoa no lugar de alguém formado em jornalismo.

Há alguns meses, eu ouvi um boato relacionado aos possíveis planos do IGN.com e um contrato de licença de conteúdo no Brasil. Há algum plano para uma versão em português, ou mesmo uma parceria por esses lados?
PS: Nós adorariamos expandir para a América Latina – não só traduzindo as matérias, mas cobrindo o mercado local, mas ainda não temos nada definido para divulgar nesse sentido por enquanto.

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: ,
24/09/2008 - 16:48

Entrevista da Semana: Peer Schneider (IGN) – Parte 1

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Esta estava prometida havia muito tempo, mas só agora consegui publicar: a entrevista com o Peer Schneider, vice-presidente senior do grupo IGN Entertainment, responsável pelo maior site de games do planeta. Para você ter uma idéia, ele bateu um papo com o Gamer.br uma semana após o final da E3, no final de julho. A entrevista não ficou datada, pelo contrário. Peer, responsável pelo portal há anos, se mostrou um cara lúcido e completamente ligado no mercado e na nova relação entre mídia e público, e deixou isso claro nas respostas sempre coerentes e cheias de detalhes. Dividi a entrevista em duas partes, para você não se entediar (e voltar aqui amanhã novamente). Nesta primeira, ele fala basicamente sobre a E3 e o futuro da guerra dos consoles. Na parte dois, ele fala sobre jornalismo de games, a nova ordem dos blogs e a história de sua carreira. Confira as duas partes, e como sempre, ponha seu comentário no final.

Gamer.br: De modo geral, quais foram os grandes momentos da E3 deste ano? Melhores games, as maiores decepções, os momentos mais bizarros…
Peer Schneider: A E3 deste ano deu a sensação de estar incompleta – não só por causa da sensação de local vazio, mas porque as maiores empresas presentes no show preferiram não revelar grandes novidades. Em geral, o evento em si foi um pouco decepcionante. A coletiva de imprensa da Nintendo parecia uma apresentação para crianças – não para a imprensa especializada ou para os varejistas – enquanto a Sony e a Microsoft fizeram pouco para se diferenciar uma da outra. A apresentação da Nintendo foi constrangedora, mas o momento mais bizarro foi definitivamente quando a Microsoft apresentou os avatares da rede Xbox Live e as demos de Lips e You’re in the Movies que vieram logo em seguida. Muita gente riu na platéia quando o apresentador anunciou que eles iriam demonstrar como surgiu a idéia dos avatares. Um jornalista atrás de mim gritou: “Você quer dizer, como o Wii inventou isso, né?” Nossa equipe escolheu o Fallout 3 como o melhor jogo do evento. A combinação de estilo clássico da franquia, com elementos de tiro em primeira pessoa e ambientação no estilo Elder Scrolls funcionou muito bem.

Algumas pessoas de dentro da indústria disseram que esta foi a última E3 como a conhecemos. Até mesmo o IGN publicou uma matéria sobre essa possibilidade. Qual sua visão pessoal sobre o evento deste ano? Poderia ser melhor? Poderia ter sido pior?
PS: É claro que sempre poderia ser pior. Enquanto o circo da mídia foi mais representativo nos anos anteriores na cobertura do nosso hobby favorito, os games, isso tornava realmente difícil nos concentrarmos nos jogos e na cobertura da feira. Este ano, tivemos muito mais tempo para jogar os games e nos aprofundarmos mais. Infelizmente, as empresas em sua maioria trouxeram jogos que já tinhamos visto e as surpresas foram bem poucas. Nosso evento dos sonhos seria em um local menor, como o Moscone Center de São Francisco, e sermos levados a sério pelas empresas, que realmente nos surpreenderiam com grandes novidades.

Você compareceu às três principais coletivas de imprensa (Microsoft, Nintendo e Sony). Poderia falar sobre cada uma delas? quem ganhou a tradicional “guerra das coletivas” nessa E3?
PS: Essa é fácil. Apesar de a Microsoft não ter mostrado seus games “A”, ela apresentou a coletiva com mais surpresas. O anúncio sobre a [locadora online] Netflix é algo grande – e o lançamento da nova dashboard e o anúncio de Final Fantasy XIII resultaram em uma boa apresentação. A Nintendo ficou lá atrás em terceiro lugar, com uma apresentação sem riscos que tentava convencer o público de que a empresa não está dormindo sobre os seus próprios louros. Animal Crossing pro Wii não se distinguiu nada das versões anteriores para DS, GameCube e N64.

Você pode me dar uma luz sobre o que esperar da guerra dos consoles em 2009? A Nintendo irá continuar num caminho separado, enquanto a Microsoft e a Sony brigarão entre si pelo domínio do mercado? Veremos alguma mudança nesse horizonte?
PS: Sim, ficou óbvio que a Nintendo está num caminho solitário, seguindo uma rota lucrativa voltada para a família que obteve com o lançamento do Wii. Um dos desafios é que esse tipo de público-alvo representa um ciclo de vida muito curto – é só olhar quanto gás o PlayStation 2 ainda tem após todo esse tempo. Então, eu espero que a Nintendo lance algumas pérolas para os gamers hardcore também, incluindo aí Mario, Zelda, Kid Icarus, Pikmin e Metroid. Mas a inovação estará em sua maioria limitada aos seus novos jogos com orientação mais casual. A Microsoft está sofrendo uma certa crise de identidade nessa idéia de fazer tudo para todo mundo. Os jogos voltados para jogadores mais novos e para a família não se deram bem no passado, mas a empresa não desistiu disso ainda. Será interessante ver se eles conseguem crescer nesses dois lados. Já a Sony está totalmente focada no jogador hardcore. O hardware é ótimo, mas ainda há muito a ser feito no que diz respeito ao software. Tenho certeza que veremos mais esforços para assegurar franquias exclusivas para a plataforma, como Metal Gear, para se equiparar a uma lista de exclusividades que já não existe mais, que já chegou a incluir nomes como Tomb Raider, Final Fantasy, Dragon Quest, Devil May Cry e Soulcalibur, só para citar alguns.

Quando os leitores visitam seu site e acompanham a gigantesca cobertura que vocês fazem, eles mal imaginam o que é pensar, planejar e executar tudo isso. Você poderia me dar uma breve idéia de como vocês planejam a cobertura, dividem as funções entre os redatores e conseguem os furos exclusivos com as empresas?
PS: Bem no início de tudo, decidimos que queriamos dividir o conteúdo do IGN por plataforma. Ao invés de ter alguém só responsável pelos reviews, tinhamos uma equipe a cargo de cobrir o Xbox 360. Cada um desses segmentos teve um editor-chefe e um time de redatores que trabalham juntos para garantir reportagens exclusivas e cobrir cada plataforma em questão da melhor maneira possível. O editor-chefe pautava os redatores e trabalha com a ajuda de outras equipes de apoio, como a equipe de vídeo, gerentes de dados que mantém as datas de lançamentos e informações de cada jogo atualizadas, e por aí vai.

Nós checamos a visitação diariamente, e decidimos a cobertura baseado no que os visitantes querem ler. Por exemplo, no mês passado [junho], milhóes de leitores clicaram nos conteúdos sobre o filme O Cavaleiro das Trevas e sobre o game Gears of War 2. Daí nós senamos e planejamos como prosseguir com a cobertura desses títulos e entregar aos leitores realmente tudo o que eles poderiam desejar.

***

Leia a continuação da entrevista com Peer Schneider amanhã, aqui mesmo, no Gamer.br.

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: ,
18/09/2008 - 02:54

O Play 2 é mais Brasil. E aí?

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Enquanto a Nintendo reclama da política tributária brasileira (a matéria saiu esta semana na Isto É Dinheiro, mas já havia sido dada pela imprensa especializada que visitou o evento da empresa no Panamá, há algumas semanas), a Sony Brasil emplacou seu projeto de produzir consoles PlayStation 2 e jogos na Zona Franca de Manaus (saiu no Diário Oficial de duas semanas atrás, que se referia ao caso assim: N.º 108/08 – SONY BRASIL LTDA.: (Diversificação). Produção de telejogo, tipo “PLAY STATION 2”.

O que não quer dizer necessariamente que vá mesmo acontecer, uma vez que a assessoria da Sony limitou-se a declarar que está apenas garantindo espaço caso resolva comercializar o console oficialmente por aqui. Mas a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) já divulgou que o negócio está avançado, e até revelou os valores do investimento da Sony (na casa dos R$ 9 milhões) e a quantidade de peças possivelmente produzidas (por volta de 450 mil consoles no primeiro ano de produção). Por enquanto, é preciso esperar para acontecer. Mas já está dito e publicado, então, é praticamente lei.

Uau. Seria uma notícia incrível, se fosse divulgada há dois, três, quatro anos, certo? Hoje, com a nova geração praticamente consolidada, todo mundo só pensa em PlayStations 3, Wiis, Xbox 360s… Não é besteira gastar esforços com um projeto atrasado? Ou será que ainda há uma janela de oportunidade em nosso mercado para a chamada “velha geração”?

É óbvio que há. E a Tectoy sabe disso, e continua colocando no mercado versões “turbinadas” (ou recicladas) de seu Master System e do Mega Drive (o mais recente, o Mega Drive 3, traz versões de games da Electronic Arts na memória). E ganha dinheiro com isso, ou não continuaria fazendo. A verdade é que ainda há um Brasil inteiro sedento por videogames e suas possibilidades. A parcela da população com acesso – financeiro e social – aos consoles de ponta ainda é ínfima, se observarmos a bizarra realidade da distribuição de renda nacional. Acredite, o PS2 ainda é um objeto de desejo para muita gente. E continua vendendo muito pelo país todo, principalmente pelas vias ilegais. A Sony Brasil quer tirar sua parte nisso, uma vez que o lucro com a venda de consoles contrabandeados não vai para seu cofrinho.

O fato de ser fabricado no Brasil e estar disponível com manual em português nas Casas Bahia não fará obrigatoriamente o PS2 nacional explodir de vendas, mas é um indicativo positivo em um mercado tão maltratado como o nosso. Mas não vamos nos enganar: não é porque o consumidor comprará um console nacional que não irá instalar um modchip nele para jogar games piratas. Porque é assim que funciona o nosso país de Gersons: pra que pagar mais se é possível pagar (bem) menos?

Em um dia bem humorado, eu diria que essa notícia é relevante, mesmo para aqueles que consideram o PS2 um artigo relacionado a um passado distante. E citaria aquele velho ditado, que prega que “com um passo por vez, logo se chega a algum lugar”. Mas como estou de mau humor essa semana, me pergunto: chegaremos onde? Será que não é “só” isso que podemos almejar? As produtoras continuam a se declarar otimistas de que, apesar dos percalços, o Brasil irá em breve dominar o mercado latino-americano.

E você, está tão otimista assim?

***

Um amigo recém-chegado de uma longa viagem perguntou hoje, via MSN:

– Onde posso comprar games para PS3 que não custem aqueles preços absurdos?

Respondi, sem nem pensar:

– Nos Estados Unidos, ué.

Adoraria poder indicar uma solução menos irônica e mais palpável.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
14/09/2008 - 12:56

O empate é a nova vitória

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Nada como um fim de semana na casa da mãe…

Agradeço as mensagens de parabéns pelo aniversário do Gamer.br. Foram de emocionar. Prometo novidades para os próximos dias, inclusive uma investigação mais apurada sobre a alardeada fabricação de consoles PlayStattion 2 em nossas terras. Vai rolar mesmo, não era mentira. Quem diria? E uma segunda análise do arrasa-quarteirão Spore, que já traz polêmica com nem uma semana de mercado. Não encontrei um único sujeito que não tivesse uma opinião contundente sobre o jogo. Preciso rever minhas palavras…

***

Ontem, participei do Campeonato de Blogueiros promovido pela Samsung durante o World Cyber Games, em São Paulo. A disputa foi no Pro Evolution Soccer 2008, entre 32 blogs e seus representantes. O vencedor – que será conhecido daqui a pouco – leva como prêmio a possibilidade de cobrir a final do WCG lá em Köln (Alemanha). Por conta disso, o povo jogou com afinco, mas sem deixar o fair play de lado.

Fazendo jus à minha fama, tive uma performance pífia. Me salvei da humilhação empatando o primeiro jogo com o blog MMO Blog, do Paraná, em uma partida decidida nos últimos minutos. Aí, apanhei de 3 a 0 do Rocco, representante do BananaGames, em um jogo marcado por expulsões (do meu lado, uma delas injusta, seu juiz!). E por fim, só pra cumprir tabela, perdi de 1 a 0 do EuPodo. Pelo, menos, marquei um golzinho. E encontrei gente bacana que só conhecia virtualmente. Foi uma confraternização interessante, que espero que tenha continuidade em eventos futuros. Uma classe unida, essa dos blogueiros de games. Fiquei animado de ver.

A final do WCG continua hoje lá no campus da Unicsul, na Zona Leste. Os vencedores representam o Brasil na Alemanha em novembro. Estou particularmente curioso para ver o que vai dar na disputa de Guitar Hero III. É humilhante presenciar aquele povo jogar. Humilhante para jogadores de fim de semana como eu, que não se arriscam fora do modo hard. E o termo “viciado” ganha um significado atualizado para os dias atuais. Medo.

***

E não passou batido, só atrasei: faço uma tardia lembrança ao jornalista Leandro Calçada, ex-editor de revistas da Editora Europa, que há dois anos e alguns dias nos deixou. Meu sincero abraço, onde estiver.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
10/09/2008 - 18:10

O Gamer.br faz dois anos…

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E este blog fez mais um aniversário e você nem percebeu!

O Gamer.br estreou neste endereço em uma data próxima a esta, no ano de 2006. Foi no dia 4/9/2006, com o post Pressionando Start, e o clichê-monstro “O maior problema de começar um novo blog é o que se escreve na primeira linha”.

Assim comecei, e assim tenho escrito desde então neste local: mesclando bons e velhos clichês literário-jornalísticos com um monte de informações obtidas de maneira nem sempre legal, boatos e opiniões nem sempre coerentes. É disso que é feito um bom blog. Fazendo o advogado do diabo, eu bem poderia postar com mais freqüência, mas acho que isso já deixou de ser um problema faz tempo. Além do que, se desculpar muito é chato. E, por último, nem sempre acontece algo digno de nota nesse nosso esforçado e surpreendente mercado de games brasileiro.

E aqui, aproveito para agradecer a você, visitante. Que caiu aqui por acidente, ou que me visita sempre. Que está lendo desde o início, ou que descobriu este site por acaso, googlando sem rumo. Ou que viu o endereço na EGM, na Rolling Stone ou em alguma matéria sobre blogueiros. Dois anos é tempo demais para qualquer coisa hoje em dia – que dirá para um blog opinativo sobre videogames. Mas a gente vai levando, tentando sempre fazer melhor. E se você continuar sempre por aqui, vai melhorar com certeza.

Então, é isso. Aceito os parabéns por aqui. E logo tem promoção bem legal pra comemorar.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
05/09/2008 - 18:22

Spore, a nova Gamers, WCG, 360… e a Madonna

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Semana de notícias, fim de semana de acontecimentos. Aliás, como passou rápido esse mês de agosto. E setembro então, que já está no fim? Pra mim, fechando uma revista que vai para as bancas no dia 10 de outubro, é quase como se fosse.

Vivemos na era da antecipação. Você também passou a madrugada de anteontem tentando comprar ingressos para o show da Madonna? Se não, sorte a sua. E por que tanto barulho por um evento que acontece em… mais de 100 dias? E eu lá sei o que vou fazer amanhã? Pois é.

E por falar em pré-venda, há quem já está jogando seu Spore em casa, bonitinho, desde ontem. São as maravilhas da compra antecipada. Hoje é o dia do grande lançamento, dois dias antes da data norte-americana, um dia depois da data da maior parte da Europa.

Escrevi um review sobre o jogo para a Rolling Stone que sai no dia 12 nas bancas, a partir de uma versão finalizada que tive a oportunidade de pôr as mãos lá na sede da Electronic Arts, na Vila Olímpia. E mais outro texto, já com as idéias mais definidas na cabeça, para a próxima EGM (que fecha hoje, não sei quando chega às bancas). Ainda estou com a esperança de ter tempo livre para instalar o disco no computador de casa e jogar pra valer. Porque este não é game para dar uma jogadinha. Simplesmente não é possível. Aquilo é jogo para o resto da vida, no mínimo.

Não que isso seja necessariamente bom. Nem mesmo ruim. Vai de cada um. Se você começou a jogar, escreva seus comentários lá embaixo. Fico curioso em entender como os jogadores hardcore vão reagir a “algo” como Spore.

***

Enquanto isso, a Samsung mandou avisar:

São Paulo recebe no próximo fim de semana a última preliminar do Samsung WCG Brasil 2008 – circuito nacional do maior campeonato de jogos eletrônicos do mundo – o World Cyber Games (WCG). De 6 a 7 de setembro, os cyberatletas da capital paulista disputarão 25 vagas na Final Nacional da competição, que acontece em setembro, em São Paulo.

Na fase classificatória de São Paulo, que será realizada na loja Carrefour da Marginal Pinheiros ( Av. das Nações Unidas, 15.187, Chácara Santo Antônio, a partir das 9h30), os jogadores competirão em três categorias: Guitar Hero 3: Legends of Rock, FIFA 08 e Need for Speed: Pro Street. Já na modalidade Half-Life: Counter Strike 1.6, as disputas serão na Lan House Orion O2 Electronic Sports (Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1804 – Bela Vista, a partir das 17h).

Ao final da etapa, 25 players (quatro de Guitar Hero 3, três de FIFA, três de Need for Speed e três times de Counter-Strike, formado por cinco integrantes) garantem passagem para a Final Nacional do campeonato, na qual disputarão uma vaga na seleção brasileira do World Cyber Games, juntamente com os vencedores das demais regiões do país. No total, 176 gamers se classificam para a Final Nacional em São Paulo. Os ganhadores da Final Nacional vão disputar a grande Final Mundial do Samsung World Cyber Games 2008, em Colônia, na Alemanha, de 5 a 9 de novembro.

Os interessados em participar da classificatória devem se cadastrar pelo site oficial do campeonato, www.samsung.com.br/wcg, e pagar uma taxa de R$ 15,00 na Lan House O2 Electronic Sports.

***

Ouvi falar também que a agência responsável pela divulgação do WCG no Brasil está organizando, para a semana que vem, um torneio de Pro Evolution Soccer 2008 entre jornalistas especializados e blogueiros. O local ainda está sendo mantido em segredo, mas a premiação, não: a chance de cobrir, in loco, a final mundial do WCG, em Köln (Colônia), na Alemanha.

Não seria nada mau, mesmo.

***

E a Microsoft, veja só, também mandou avisar que reduziu ainda mais o preço do Xbox 360. Pelo menos, em partes: as palavras da vez são “mais acessível”:

A Microsoft Brasil anuncia, a partir de hoje [anteontem, 3 de setembro], uma nova redução de preço do kit nacional do Xbox 360. (…) O produto passa a custar R$ 1.899,00, valor 37% menor do que o preço praticado no lançamento do console em dezembro de 2006 e 17,4% inferior ao valor de R$ 2.299,00 que estava sendo comercializado recentemente. (…)

A companhia também reformulou o kit oficial do Xbox 360. O console agora trará disco rígido de 60GB de espaço para armazenar e transportar dados, cabo HDMI que gera imagens de alta definição e dois novos jogos: Too Human e Project Gotham Racing 4.

Já o jogo Too Human chega às lojas brasileiras no dia 17 de setembro por R$ 159,00.

Deixa eu fazer meu velho papel de chato: em valores atuais, esses R$ 1899,00 representam uns US$ 1100,00. Vale lembrar que esta versão do console, lá fora, sai hoje por uns US$ 300, mais impostos, mas sem os games. Com os jogos, daria uns US$ 450, por aí. Continua bem salgadinho. Ainda esperamos por uma redução maior até o Natal, mas não conte com isso se a cotação do dólar continuar confusa e instável desse jeito.

***

E pra acabar: a rede mexicana Gamers abriu mais uma de suas lojas especializadas em São Paulo. Desta vez, no Shopping Ibirapuera (há mais uma no Shopping Morumbi e outra mais recente em Campinas). A inauguração rolou anteontem, e contou com a presença dos executivos mexicanos que representam a rede no Brasil (o Luiz Paredes, ex-Microsoft, era um deles), além de grande parte da nata da imprensa brasileira e os já tradicionais arroz-de-festa deste mercado. Tinha bebida, comes e umas garotas bem altas demonstrando games e barrando os bicões na porta. E tinha prateleiras divididas por consoles, jogos espalhados pelas prateleiras, com etiquetas de preço bem visíveis e nada amigáveis.


Paredes: apresentando a nova loja e o portal Gamers na internet

É claro que o Brasil precisa desse tipo de iniciativa. Estabelecimentos que se oferecem a melhorar a qualidade de atendimento e a entrega ao consumidor devem ser louvados e valorizados. Mas penso que ainda não alcançamos um equilíbrio entre serviço de primeiro mundo e preço compatível com nossa realidade. As lojas da Gamers são ótimas, atraentes e oferecem uma grande variedade de produtos em um ambiente seguro e confortável. Seus preços, porém, ainda estão dançando naqueles patamares que tanto costumamos criticar (um game next gen por mais de R$ 200? Acho pesado). Provavelmente isso não vá mudar tão cedo, mas não acho que alguém esperaria um quadro diferente, principalmente em se tratando de uma loja dentro de um shopping center em uma das regiões mais ricas de São Paulo.

A Gamers também terá sua versão online, que foi demonstrada durante a festa de inauguração. O site pareceu intuitivo e uma boa ferramenta para ajudar consumidores em dúvida, mas ainda não entrou no ar em definitivo (eu, pelo menos, ainda não encontrei o link). Ao final, Luiz Paredes me garantiu que tem projetos de inaugurar novas lojas nos próximos meses, mas não quis revelar o próximo local.

” Eu sei que vocês gostam de uma surpresa”, ele brincou.

Ah, eu admito. Gosto mesmo. E a surpresa da próxima vez poderia ser uma loja Gamers com uma prateleira cheia de games para PS3, Wii e Xbox 360 a menos de R$ 100…

Tá, é brincadeira.

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E pra uma semana como essa, está mais do que bom. Segunda feira tem bem mais.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
01/09/2008 - 10:02

Entrevista da Semana: Bertrand Chaverot (Ubisoft) – Parte 2

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Na semana passada, você conferiu a primeira parte da entrevista exclusiva com Bertrand Chaverot, o responsável pelo estúdio de criação da Ubisoft em São Paulo. Agora, você confere a segunda parte da recheada entrevista (prometi para sexta, mas não foi possível postar – culpe o sistema). Bertrand falou muita coisa interessante sobre o mercado nacional, politicagens e mencionou aquilo que só o brasileiro tem – sempre no bom sentido. Confira o papo e não deixe de comentar no final.

Gamer:br: Como você acha que o profissional brasileiro pode contribuir na criação e elaboração dos jogos? Ou você acha que a cabeça dos criadores de jogos funciona da mesma forma, seja lá qual for o país de origem?
Bertrand Chaverot: Nosso objetivo é criar times mais polivalentes, mais femininos e mais loucos, capazes de criar universos e personagens originais, com profundidade para criar marcas internacionais que pudessem virar quadrinhos, filmes etc.

Você acha que a iniciativa da Ubisoft pode estimular outras empresas estrangeiras a fazer o mesmo, ou seja, instalar escritórios ou estúdios no Brasil?
BC: Absolutamente. Esperamos que outras empresas venham. Significaria que o ecossistema brasileiro virou mais acolhedor para a criação de produtos multimídia. Vou lhe dar um exemplo de um problema atual grave: importação de kits de desenvolvimento. Para fazer um jogo Nintendo, Sony ou Microsoft cada programador e cada dois artistas devem ter um kit desses.Esses kits são vendidos pela Nintendo/Sony/Microsoft e o valor é significativo. Não tem como fugir disso. Para importar essas maquinas para o Brasil, você paga 100% de impostos em cima do valor, do transporte e do seguro. É um absurdo total, uma lei contra-produtiva e anti-Brasil. Não tem como produzir essas pequenas máquinas no Brasil. Isso mata definitivamente a competitividade do país. O Brasil tem leis feitas para manter o país no antigo mundo das fronteiras fechadas. Não funciona mais. Tem que ser mais ágil e mais esperto que os outros, acreditando nas suas próprias forças. Vamos tentar liberar a importação desses kits com os órgãos políticos responsáveis. E se conseguimos isso, vai ajudar as empresas brasileiras – e as estrangeiras que virão depois – a desenvolver jogos com custos mais competitivos e se concentrar em inovação e criação em vez de problemas de alfândega.

E no que diz respeito ao mercado de consoles? A presença “física” da Ubisoft aqui faz diferença na redução de preços dos consoles da Nintendo (Wii e DS), Sony (PS3, PS2, PSP) e Microsoft (Xbox 360)? Ou a influência não é sentida?
BC: Nossa prioridade é favorecer a criação local de videogames.
Quanto ao consumo local, vamos trabalhar como outros atores da indústria dentro da ABES (Asociação Brasileira de Editores de Softwares), para obter redução dos custos de importação. Mas demora, porque é um assunto mais complexo que não inclui só os videogames. E [isso] não é prioridade, porque videogames ainda são vistos de maneira negativa. Nossa chance é que a nova geração de políticos que está chegando ao poder é nascida na década dos 60 – foi a primeira geração a jogar e curtir os videogames. Eles sabem que games de qualidade podem ser bons para desenvolver os pequenos, relaxar os adultos e, ultimamente, com os jogos sociais do tipo Rayman Raving Rabbids para Wii, fazer crianças e adultos passar momentos extraordinários rindo e fazendo exercícios físicos, em vez de assistir passivamente televisão no sofá como uma família de “couch potatoes”.

Por que o escritório da Ubisoft, que você comandava até o começo da década, fechou? O que levou a isso?
BC: Não fechou. Tirou um cochilo. O faturamento era bom, mais não era significativo [em relação] ao nível mundial. Em 2003, sabíamos que o mercado local de venda de videogames oficiais não ia crescer a curto prazo no Brasil, porque o mercado de PC estava reduzindo. Era o fim do PS2, e o PS3 ia ser lançado daqui a pouco no mundo, mas não no Brasil. Então, era melhor investir em outros países mais promissores e voltar mais tarde para produzir.

Você morou em São Paulo por um bom tempo, e agora está de volta. Com seu olhar de estrangeiro, defina: o que o brasileiro tem de melhor, profissionalmente falando? E no que ainda pode melhorar nesse sentido?
BC: Acho que as duas maiores qualidades dos profissionais brasileiros são: a resiliência, essa capacidade inalterável de sempre se recuperar e achar soluções criativas, apesar de todos os arcaísmos administrativos, fiscais e trabalhistas do país. E em segundo lugar, o “team-spirit” [espírito de equipe], que leva o grupo para cima usando bom humor e generosidade. Comportamentos egoístas são sempre a pior estratégia a longo prazo. Profissionais brasileiros sabem isso naturalmente, faz parte do DNA brasileiro: a longo prazo, trabalho, generosidade e bom humor não podem perder.

No que diz respeito ao mercado de games, o Brasil tem jeito? Veremos os consoles oficialmente no país a preços acessíveis, e os games sendo lançados simultaneamente?
BC: Vamos tentar fazer nossa parte com ações concretas para isso acontecer o mais breve possível. Vamos continuar a encontrar políticos brasileiros para explicar seriamente com muitos dados detalhados o que esta acontecendo nessa indústria, o que poderia acontecer no Brasil e convencê-los que não é mais uma indústria de nicho para moleques estúpidos, mas uma área estratégica da indústria do conhecimento, que relaciona muitas áreas e ciências – artes digitais 2D e 3D, animação de objetos virtuais, efeitos especiais, roteiros interativos, sociologia, psicologia, inteligência artificial, ciências da computação, linguagens de programação, linguagens de script, redes, gestão de bases de dados, arquitetura, design, internet, criação e animação de universos e comunidades virtuais, sons, músicas etc…
Nos Estados Unidos, o faturamento da indústria de videogames em 2007 superou o faturamento das indústrias de cinema e de música juntas. E em 2008, até o fim de julho, o faturamento da indústria de software já cresceu 41% se comparado com o mesmo período de 2007. Nunca houve um crescimento tão rápido de uma indústria de entretenimento. Nossa indústria só tem 30 anos. Com 30 anos de idade, nos anos 20, a indústria do cinema ainda fazia filmes em preto e branco ou levemente coloridos, e o Douglas Fairbanks fazia declarações de amor mudas para Mary Pickford. Temos muitas inovações pela frente em nosso mercado: em 2009, vai ser lançado Avatar, o primeiro jogo next gen em 3D da Ubisoft. Espero que seja lançado simultaneamente no Brasil.

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