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Arquivo de julho, 2008

25/07/2008 - 21:29

Entrevista da Semana: David Duchovny (Arquivo X)

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Aproveitando a estréia de Arquivo X: Eu Quero Acreditar hoje nos cinemas, publico a seguir a entrevista que fiz com o ator David Duchovny, publicada aqui, no site da Rolling Stone. Tomo a liberdade de reproduzir o texto na íntegra neste blog, afinal, é meu mesmo. O assunto não é exatamente videogame, mas tem a ver (não, não deu tempo de perguntar sobre as participações dele dublando games, como no bacana XIII, da Ubisoft). Mas tudo bem, era o cara do Arquivo X que estava na linha. Havia de sair algo interessante.

Era a manhã de 19 de junho, e nenhum jornalista do mundo havia assistido ainda a Arquivo X: Eu Quero Acreditar, segundo longa-metragem baseado em um dos seriados de TV mais cultuados por nerds, gamers, geeks e outras classes estereotipadas de fanáticos. Mas me surpreendeu saber que também o principal protagonista, o ator David Duchovny (o agente do FBI Fox Mulder) não havia visto o longa pronto. “Ainda não assisti na telona, só em um monitor de TV, e achei fantástico”, ele me disse, falando de seu celular, enquanto dirigia seu carro em uma freeway qualquer de Los Angeles.

David dirigia para mais um dia de gravações (a assessoria não me disse no que ele estava envolvido naquela hora). Vida de ator hollywoodiano não é fácil. Era bem cedo (7h de manhã na Califórnia), o papo foi cronometrado pela assessora dele, mas Duchovny estava de ótimo humor. Naquela hora, ele era bem mais o Hank (de Californication) do que o Mulder. Sorte a minha.

***

Gamer.br: Bateu uma nostalgia ao reencontrar o mundo Arquivo X novamente?
David Duchovny: De certa forma, fui perceber o quanto sentia falta de tudo quando reencontrei pessoas com quem passei tanto tempo junto, como o Chris [Carter, criador de Arquivo X], a Gillian [Anderson, a agente Dana Scully] e toda a equipe, lá no set de filmagem, em Vancouver (Canadá). Mas foi fazendo o filme e interpretando Mulder de novo que me dei conta do quanto eu sentia falta desse cara. Eu o respeito, gosto do jeito dele.

Nos últimos meses, você se envolveu profundamente com seu personagem Hank, da série Californication. Agora, você se reencontrou com Mulder, que é um cara bem diferente. É possível comparar os personagens, tecnicamente falando?
É difícil fazer isso sem revelar os segredos de minha profissão, mas confesso que encaro cada papel da mesma maneira. Eu simplesmente viro o personagem do avesso e tento criá-lo da maneira mais realista possível. Seja lá qual for o personagem, Hank ou Mulder, minha técnica para fazê-lo realista e interessante é basicamente igual.

Como foi atuar ao lado de Gillian Anderson após tantos anos?
Como eu disse, foi um prazer reencontrar pessoas com quem trabalhei durante quase uma década. Pra mim, a sensação é a mesma de uma daquelas grandes reuniões de família.

Você acredita que a conexão que vocês dois tinham na TV ainda será perceptível para o público hoje em dia?
Sim, esse é o tipo de química que pode ser comparada a de alguém que você amou ou teve um relacionamento na vida real. Digo, não é a mesma coisa, mas é o mesmo tipo de sorte – ou falta de sorte – o fato de você funcionar com alguém na tela ou não. Com alguns atores, seja homem ou mulher, ou você tem química de atuação, ou não tem. No caso, nós tivemos muita sorte de tudo o que fizemos juntos na tela ter funcionado tão bem.

Como você define o seu envolvimento pessoal com Arquivo X? É algo de que você não consegue se livrar, ou muito pelo contrário?
Bem, quando a série de TV acabou após oito anos no ar, nunca foi minha intenção encerrar esse trabalho. Eu sempre quis dar continuidade ao personagem em um filme para o cinema, porque achava interessante mostrá-lo em um outro estágio de sua vida. Foi essa uma das coisas que fizemos no filme: nós não paralisamos o Mulder no tempo. Seis anos se passaram desde o último episódio, e ele passou por várias coisas durante esse período. Sempre achei que, se tivéssemos a chance de fazer filmes baseados em Arquivo X, não deveríamos conservar os protagonistas jovens, nem mantê-los exatamente como estavam. Teríamos que acompanhá-los nos próximos passos de suas vidas.

E quem é melhor para você: o velho Mulder ou o atual?
[Risos] Eu não sei, isso é algo muito ligado a… [hesita]. Não sei como responder a essa pergunta. Os dois são muito interessantes pra mim. Eu não conseguiria voltar no tempo e interpretá-lo da mesma maneira que fiz há 15 anos, quando tudo começou. Eu fiquei feliz que não me pediram para fazer isso, e foi esse o motivo que me deixou mais satisfeito, porque o filme realmente mostra a ação do tempo sobre os personagens. Honestamente, eu não tenho muita certeza de como interpretaria hoje o Mulder “versão 1993”.

O enredo do filme foi mantido em sigilo por muito tempo, e a imprensa só pôde ver o filme em cima da hora. Por que tanto segredo?
Bom, o filme funciona muito bem, então garanto que a maioria dos que estão ansiosos por ele não vai se decepcionar. Uma das razões para tanto segredo é que este é um daqueles filmes à moda antiga: é um thriller de ação, e as reviravoltas do roteiro são muito importantes para dar um clima à história. Quando você está assistindo, não consegue mesmo imaginar o que vai acontecer depois. Aquele clima de surpresa realmente existe. A gente meio que focou nisso, e até agora, deu certo. Eu não vou dar pistas sobre a trama, mas posso dizer que o tom lembra um pouco os dois primeiros anos do seriado, quando tínhamos episódios independentes que não eram ligados a invasões alienígenas… Eu o defino como um thriller inteligente, com toques de horror e sustos. É mais ou menos o que fazíamos no começo da série, e agora retornamos às origens.

Sobre o criador da série, Chris Carter: como você avalia o trabalho dele como diretor agora, em comparação com o que ele alcançou na série há alguns anos?
Chris estreou na direção fazendo o Arquivo X para a TV, e foi uma grande benção pra ele ter se dado tão bem em um programa tão tecnicamente desafiador e ao mesmo tempo tão frenético. Agora, esse filme foi uma responsabilidade enorme, muito maior do que qualquer coisa que ele já fez antes. Foi um grande desafio para um diretor de cinema de primeira viagem como o Chris. E ele correspondeu completa e absolutamente. Eu não vi o filme na tela grande ainda, só o assisti em uns monitores de TV, e está fantástico. Me deu a sensação de ver um daqueles thrillers clássicos.

Os fãs querem saber se Mulder e Scully vão um dia ficar juntos…
Sim, eu bem que gostaria de saber isso também.

Há previsão de um terceiro filme?
Bem, todos nós esperamos por isso. É parte do plano. Não fizemos esse filme para ser o fim da história, e sim para ser dar uma continuidade à série. Depende mais da performance financeira do filme. Se os fãs o aceitarem e corresponderem, ficaremos mais do que felizes em fazer outros. Eu faria, e acho que Gillian e Chris gostariam também.

Depois de todos esses anos, você ainda quer acreditar?
Sim, eu quero acreditar em um monte de coisas. Talvez não nas mesmas que Mulder. Mas eu acho que é o desejo de acreditar a coisa positiva que nos mantém vivos.

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: ,
24/07/2008 - 22:57

Pergunte, eles respondem

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Não foi só a E3 que terminou. Eu também me acabei. E agora, o fechamento da Rolling Stone (e a reportagem sobre a E3 que ainda tenho que escrever) me impede de me concentrar mais no pós-show aqui no blog. Acontece, você entende.

Mas semana que vem as coisas voltam ao normal. Espero. E ainda deve dar tempo de falar sobre o evento, não? Eu tenho mais um monte a falar. Foi uma overdose de informações que vai render assunto por pelo menos uns seis meses. É só saber usar bem.

Por exemplo, essa semana, entrevisto dois figuras interessantes: o primeiro é o francês Bertrand Chaverot, apenas o futuro responsável pelo estúdio da Ubisoft em São Paulo; o segundo é o alemão/americano Peer Schneider, simplesmente cara que manda no conteúdo do megaportal IGN.com.

E como sou um cara generoso, e acredito nesse negócio que chamam de web 2.0, convido você a participar dessas conversas comigo. Escreva no espaço para comentários uma pergunta criativa e inteligente para cada um desses sujeitos. Faça isso rápido, até o final de tarde desta sexta-feira. Os autores das perguntas escolhidas ganham, cada um, os dois últimos exemplares da Rolling Stone. Boiada pura. E você ainda ganha a sua pergunta respondida por esses influentes profissionais.

***

E para quem ainda não ouviu: a segunda edição do Pablocast E3, gravado por Skype diretamente da sala de imprensa do L.A. Convention Center. Tem até a participação de outras figuras conhecidas que estavam ali por perto. Eu se fosse você, escutava já. E tem ainda a edição 3, gravada nos últimos 15 minutos da feira, que nem foi pro ar ainda (aviso quando for).

***

E pra quem ainda não se cansou de malhar a E3, uma piadinha roubada por aí (cortesia do Viliegas):

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
19/07/2008 - 06:08

E3 2008: A Coletiva da Capcom

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Você ouviu ou leu alguma coisa sobre a coletiva da Capcom na E3 2008, na quarta-feira? Se não, saiba que foi uma das maiores enganações de todo o evento. Foi assim: quem foi, teve que aguardar pelo menos 40 minutos em uma fila bagunçada, mais uns 15 minutos até tudo começar. E aí, quando enfim começou… cadê os games? Nada.

Ao invés de mostrar novos games ou mais detalhes sobre o aguardado Resident Evil 5, ou falar um monte sobre o sensacional Mega Man 9 ou mesmo fazer algum demo incrível de Street Fighter 4, a produtora japonesa concentrou sua apresentação em um único assunto: a versão cinematográfica da franquia Lost Planet. Como se alguém ali estivesse realmente interessado nisso.

Pois então. Para comentar a notícia bombástica, subiram ao palco diversos envolvidos na produção. Essa parte, pelo menos, valeu a pena. Foi legal ver ao vivo caras como David Hayter, , mais conhecido por fazer a voz de Solid Snake nos games Metal Gear Solid e pelo clássico “EA Sports, It’s in the game” (ele será o roteirista do filme); Avi Arad, produtor consagrado de filmes de heróis Marvel como Homem-Aranha e Homem de Ferro, acompanhado do filho, o também produtor Ari; e Keiji Inafume, idealizador dos games Mega Man e, no caso, Lost Planet; e o presidente da Capcom, Haruhiro Tsujimoto. E tinha mais umas pessoas desimportantes por ali, que não vem ao caso agora.


E blá, blá, blá. E só

Durante 40 intermináveis minutos, o grupo discorreu sobre a motivação em torno do projeto e deram (escassos) detalhes sobre a produção, prevista para chegar aos cinemas não antes de 2010 (ou até depois). Deu um pouco de bode ver aqueles caras importantes rasgando seda loucamente por um game que, provavelmente, eles não jogaram nem 10 minutos (com exceção do Inafume, claro). O público, entediado, recebeu o falatório com frieza, e os aplausos, poucos, eram tímidos. Não era o que se esperava de uma coletiva, e não foram poucos os que sairam do salão reclamando do tempo desperdiçado.

Ah, sim, o filme: alguém ali comentou que uma das inspirações para o visual será o The Thing do John Carpenter, ou Enigma do Outro Mundo para os íntimos da Sessão de Gala da Globo. Hmm, começou a ficar interessante. E o roteiro do David Hayter é digno de expectativa, já que são dele os scripts de X-Men 1 e 2, bons na minha opinião. Acho legal o Hayter se envolver em mais uma obra relacionada aos games, mas bem que poderíamos estar falando sobre um filme baseado em outra franquia… que tal um longa de Metal Gear estrelado por ele próprio? A voz e o mullet de Snake, ele já tem. Acho que muita gente ficaria mais feliz do que com um filme de Lost Planet

Fica aí minha dica, Mr. Avi Arad.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2008, Tudo ao mesmo tempo Tags:
18/07/2008 - 20:08

E3 2008: A ressaca

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Ressaca pós-E3 é assim: dormir até duas da tarde e ficar doente. O evento acabou ontem, e quase todo mundo já voltou para seus respectivos países. Menos eu, que ainda estou em Los Angeles, e embarco só amanhã cedo. Vou poder curtir um free day in L.A., após a maratona mais exaustiva que já tive, após tantos anos a serviço dessa indústria vital.

A cobertura não vai parar, e nem pode. Na revista Rolling Stone de agosto, você confere minha cobertura “em papel” da feira. E aqui, vou continuar postando coisas que vi e minhas impressões sobre o que o evento apresentou. Assunto é infinito. Ainda bem que blog também é. Só falta você continuar aparecendo por aqui.

E segunda-feira divulgo o resultado da promoção Gamer.br que fiz na semana retrasada. Não deu tempo, você entende, né?

Agora, vamos pra rua, que ainda está sol lá fora.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2008, Tudo ao mesmo tempo Tags:
18/07/2008 - 08:10

E3 2008: A Coletiva da Ubisoft

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A E3 já acabou (enfim!), e todo o aparato relacionado a games no Convention Center já foi desmontado e devidamente guardado nos caixotes. Mas isso não quer dizer que não posso continuar a falar sobre isso. Material e assunto não vão faltar. Aproveitando isso, irei postar as impressões sobre as outras coletivas de imprensa participei. No primeiro dia oficial da E3, quem fez seu barulho particular foi a Ubisoft. E foi um belo barulho.

Às 15h da terça, a “empresa do Rayman” mostrou o que o presidente Laurent Decot descreveu como “a melhor seleção de games já apresentados pela Ubi em uma E3”. Para uma platéia lotada, o executivo comemorou, com um leve sotaque francês, o sucesso de franquias como Rayman, Tom Clancy e Prince of Persia, e ressaltou as altas vendas de jogos voltados para o público feminino, como a série de simulação Imagine, para o Nintendo DS.

Foi a Ubisoft a única empresa além da Nintendo a destacar – e comemorar – o aumento da popularidade dos videogames entre o público feminino. Os games Imagine, que colocam a jogadora no papel de uma “profissão dos sonhos”, foi a mina de ouro da publisher em 2007, o que significa que podemos esperar os mais absurdos temas se tornando pauta para a franquia. Que tal um jogo que simula a vida de uma designer de interiores, de uma produtora de casamentos ou de uma professora primária? Pois é, hoje em dia existe mercado para tudo. E não tire muito sarro, porque se você tiver a sorte de ser contratado pelo estúdio que a Ubi montará em São Paulo, é muito provável que seja escalado para trabalhar em um game desse naipe. Não é brincadeira.

Voltando aos games. Rayman Raving Rabbids: TV Party, para o Wii, arrancou gargalhadas dos presentes com a combinação de bom humor, caretas e histeria que já havia feito sucesso no primeiro game da série, lançado em 2006. Em seguida, foi a vez dos títulos de ação direcionados para o público hardcore, uma das especialidades da produtora: Brothers in Arms: Hell’s Highway, Tom Clancy’s Endwar e FarCry 2. Seqüências fazem bem para o bolso, e poucas empresas aproveitam-se tão bem disso como a Ubisoft. Quem deve estar feliz é o escritor Tom Clancy, que não passa nem seis meses sem produzir um roteiro para um jogo novo. Definitivamente, um homem ocupado.

Shaun Ryder, a estrela norte-americana do snowboard, tem carisma de sobra (seu apelido, “Flying Tomato”, o tomate voador, por causa de sua cabeleira ruiva, é uma das razões da popularidade do cara entre as crianças). Festeiro que ele só, Ryder repetiu a visita que fez à coletiva da Nintendo para mais uma demonstração de Shaun Ryder Snowboarding. Só que dessa vez ele não jogou, se limitando a sorrir, falar umas bobagens e sair aplaudido.

Faltava o Prince of Persia, o qual a Ubi guardou para o final. A primeira aparição da franquia nos consoles de nova geração não poderia ser diferente. Com gráficos em cel-shading e ambientação estonteante, o game por pouco não conseguiu superar o impacto causado por Prince of Persia: Sands of Time na E3 2003. Assim como hype que se formou em torno de Assassins Creed todo mundo vai querer colocar as mãos neste game quando for lançado, provalmente em novembro deste ano. E por falar em Assassins, a produtora-musa Jade Raymond não deu as caras nessa E3. Se ela veio, eu não vi. Talvez ela estivesse ocupada, ou não tivesse muito o que mostrar esse ano. Pena.

E quando todos achavam que havia terminado, as luzes se apagaram, e um trailer surgiu nos telões: paranóia, diálogos misteriosos e, bum, uma explosão atômica. I Am Alive pareceu promissor, apesar de ninguém ter entendido ao certo do que tratava. Fim de trailer, as luzes se acendem, anunciando o fim da coletiva. E a Ubisoft – que há algum tempo correu o risco de ser abocanhada pela Electronic Arts – mostrou um belo serviço, provando que tem muita lenha para queimar (e muito dinheiro para ganhar) nesta geração de consoles. Pelo menos enquanto Tom Clancy estiver vivo…

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2008, Tudo ao mesmo tempo Tags:
17/07/2008 - 18:49

E3 2008: A Festa da Harmonix

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São os últimos suspiros da E3 2008. Aqui na sala de imprensa do LACC, a situação é esquisita. Há diversos computadores livres (o que antigamente era impossível); a conexão WiFi funciona bem; e não há gente gritando, ou pessoas fantasiadas circulando. Parece até um escritório, tamanha a seriedade do ambiente. Definitivamente, esta não é a E3 que eu conhecia. Mas para trabalhar, é uma beleza. Se estiver tudo marcadinho com as produtoras, é possível ver e jogar todos os games apresentados. Tudo o que presta, claro. Porque o que não falta aqui é porcaria. A proporção de games bons e ruins é praticamente a mesma, com uma pequena vantagem para os ruins.


Vai, Brasil: Renato Bueno, Théo Azevedo, Renato Viliegas, eu e o Gustavo Petró (de costas)

Ontem, a Harmonix e a MTV Games deram uma festa de arromba para divulgar Rock Band 2. O palco do evento foi no Orpheum Theater, e era sabido que uma apresentação especial e secreta iria rolar. Acabou que quem tocou naquele palco foi o The Who. Eu precisava ver o Pete Townshend em ação antes de morrer. E valeu cada instante. Só clássicos (“Baba O’Riley”, “My Generation”, “Pinball Wizard”), com direito a girada de braço e tudo (faltou quebrar a Fender no chão, mas acho que Pete parou com isso faz tempo). Tem um vídeo no site da Rolling Stone, pra quem quiser conferir.


Muito, mas muito melhor que Rock Band

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2008, Tudo ao mesmo tempo Tags:
17/07/2008 - 07:43

E3 2008: A Coletiva da Sony

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Acabou que o tal “evento secreto” da Nintendo era só falatório. Eu já deveria imaginar… seja como for, não fui, e acho que não perdi muita coisa. Hoje (ontem, quarta), o dia foi produtivo, com booth tours na Electronic Arts, Bioware e Microsoft, além de um passeio pelo showcase e uma jogadinha em Wii Music e Rock Band 2 (já falei que adoro games musicais? Pois é). Depois conto mais sobre isso. Antes, vou recuperar o tempo perdido e postar aqui minhas impressões sobre a coletiva da Sony, antes que fique velho demais. E ainda tem a da Ubisoft, a da Capcom, da Konami, além de comentários sobre o que mais joguei/vi (Mirror’s Edge, Fable 2, Lips, Halo Wars, Mercernaries 2, Dead Space, Gears of War 2 , Dragon Age, Spore, You Are in The Movies, e a lista segue…). Você ainda me agüenta ler essa semana? Então, respire e siga em frente.

Sony: De Olho no Brasil, ou papo furado?

A coletiva de imprensa da Sony começou exatamente uma hora após o final da apresentação da Nintendo, também com cinco minutos de atraso. A Sony ofereceu aos jornalistas um sistema de transporte até o local de seu evento, gratuito e rápido. Na chegada ao Shrine Auditorium, todos eram recebidos com uma avalanche de comidas esquisitas e bebidas variadas, do jeito que só a Sony sabe fazer. Um festival de gastronomia e desperdício, que caiu muito bem para quem saiu correndo sem tomar o café (como eu).

O palco do Shrine Auditorium, decorado com dezenas de monitores e telões, era iluminado por tons azulados e violeta, as cores de preferência da Sony na divulgação de seus consoles. Não sei dizer se havia mais ou menos pessoas do que na coletiva da Microsoft, levando em conta que os dois locais eram semelhantes. Apresentando quase integralmente a coletiva, Jack Tretton, CEO da Sony Computer Entertainment America, até que se saiu bem, mas poderia ter ficado menos tempo no palco. Desculpe o trocadilho, mas a coletiva da Sony… deu sono. Mas a culpa não foi só dele, mas também do que foi exibido lá.

Sabendo que precisa mostrar serviço para alcançar os principais concorrentes, a empresa concentrou sua apresentação no anúncio de novos jogos para suas três plataformas. Eles fizeram questão de relembrar o aniversário de 15 anos da criação da marca PlayStation e valorizar o fato de o PlayStation 2, lançado em 1999, permanecer firme no mercado: Tretton anunciou a impressionante marca de 130 novos games para o console lançados até o final do ano, o que faz do PS2 a máquina de maior longevidade da história do entretenimento eletrônico (o Atari não conta, nem vem). Jogos para o portátil PSP também foram revelados aos diversos, assim como jogos para baixar e upgrades no sistema PlayStation Network, a rede de comunicação online do PlayStation 3, e as parcerias da Sony com distribuidoras de filmes e de conteúdo. Aquela conversa mole de sempre e a que não temos acesso por aqui (sim, foi um comentário cheio de inveja).

Entre os games para o console de última geração da Sony (que passará a custar os mesmos US$ 400 pelo modelo com 80 GB), os destaques ficaram para Resistance 2, o absurdo Little Big Planet, DC Universe Online, um RPG online massivo com Super-Homem, Batman e outros heróis da editora de quadrinhos (produzido pelo consagrado desenhista Jim Lee, que subiu ao palco e foi bem simpático, contrariando as más línguas que dizem que o cara é mala) e MAG, jogo de guerra online para até 256 jogadores simultâneos (como se houvesse tanta gente assim com um PlayStation 3… brincadeira). Eu particularmente adorei o vídeo promocional de God of War 3, que apesar de não mostrar nada, é ótimo. Algo para olhar adiante, enfim. Que falta não faz uma revelação de um novo GTA ou Metal Gear…

Mas foi uma notícia divulgada de maneira descompromissada na coletiva que mais deve chamar a atenção do consumidor brasileiro: a Sony deve começar a distribuição oficial de seus games e consoles na América Latina. O que isso quer dizer? Deus sabe, eles fizeram questão de não explicar. Me lembrou a coletiva da Microsoft em 2006, quando o Bill Gates mencionou rapidamente o Brasil na lista de futuros territórios a serem invadidos pelo Xbox 360. Mas naquele caso, nós ainda tinhamos a chance de perguntar pro Milton Beck sobre o assunto. E sobre a Sony, falamos com quem? Quem souber, me avise.

É dito na boca pequena que a Sony já mantém conversas com algumas produtoras de games baseadas no Brasil (a EA, a Synergex, que distribui games de várias produtoras, entre outras). Essa história de PlayStation oficial no Brasil já rola faz um tempo, e parece que agora é pra valer, senão, eles não teriam dito nada. Mas não vá esperando o PS3 nas Casas Bahia tão cedo. Meu pessimismo só me deixa cogitar que a Sony primeiro fará experiências de mercado com o PS2 antes de se arriscar com seu luxuoso tocador de Blu-ray por terras brasilis. Mas a esperança é a última que morre. Fico na torcida por um pouco de ousadia, pra variar um pouco.

E assim como a Nintendo fez horas antes, a Sony economizou no barulho e foi discreta. Não fizeram feio, mas também não foi tão bonito quanto se esperava. Sem nenhuma grande franquia com games prometidos no horizonte, é a hora dos japoneses reforçarem sua marca e tentar subir degraus rumo à sua guerra particular contra a Microsoft e seu Xbox 360. Os resultados de vendas nos próximos meses dirão bastante sobre o futuro dessa eterna – e saborosa – briga.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2008, Tudo ao mesmo tempo Tags:
16/07/2008 - 22:12

E3 2008: A Coletiva da Nintendo

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Acabei nem comentando as conferências da Nintendo e da Sony, por pura falta de tempo (e saúde). Já o fiz exaustivamente no site da Rolling Stone, então vou dar uma resumida breve no que vi nas duas coletivas, sem economizar nas alfinetadas. Em ambos os casos, as empresas não fizeram nada mais do que se esperava delas: valorizaram seus próprios produtos, números e feitos e mostraram pouquíssimas surpresas. Primeiro falo da Nintendo. Depois, da Sony.

O evento da Nintendo, no Kodak Theater (Hollywood), começou às 9h05, um atraso de cinco minutos em relação ao horário previsto. Ainda bem, porque foi exatamente a quantidade de tempo que atrasei (a noite anterior havia sido longa…) Mais uma vez, a empresa japonesa reforçou seu foco no jogador casual e nas possibilidades interativas de seu console Wii e do portátil Nintendo DS – atualmente, os mais vendidos em suas próprias categorias. O primeiro anúncio foi o game Shaun White Snowboard, estrelado pelo ídolo norte-americano mais conhecido como “Flying Tomato” (para se ter uma idéia, ele já foi capa da Rolling Stone americana). O game simula a experiência do surfe nas neves se utilizando da Wii Balance, a plataforma-acessório que acompanha o game Wii Fit. Pareceu interessante, mas em se tratando do Wii, fica difícil saber o que é interatividade e o que é ilusão – principalmente em uma performance em cima de um palco.

Em seguida, Satoru Iwata, o presidente global da Nintendo e velho conhecido dos nintendistas fez uma longa explanação sobre a estratégia da empresa para com seus consoles e o porquê do foco no jogador casual (ele já poderia ter perdido um pouco daquele sotaque, mas acho que ele já se utiliza isso como um charme pessoal). Iwata exaltou a quebra da “barreira psicológica” que separava jogadores dos não-jogadores, e a intenção de desenvolver novos paradigmas de mercado relacionados aos conceitos de interatividade, criatividade e comunidade. Aquela conversa de sempre. Pelo menos, desta vez, a Nintendo tinha números para se auto-declarar “a empresa que vai quebrar paradigmas”.

Para ilustrar esse objetivo, a Nintendo economizou na quantidade de games exibidos, dando prioridade a poucos produtos, porém impactantes. Animal Crossing: City Folk, game para Wii com foco no público infantil, valoriza a comunicação remota entre jogadores de diferentes partes do mundo com o acessório-microfone WiiSpeak (que será vendido por US$ 29,99 nos EUA). Sinceramente, está parecido demais com a versão para GameCube, e os features novos não me soaram como grande novidade. Posso estar errado, mas, como ex-jogador da versão para Cube, achava que pelo menos os gráficos poderiam ter melhorado um pouquinho….

Para o Nintendo DS (aquele que vendeu 70 milhões ao redor do mundo), o esforço foi voltado para franquias consagradas em outras plataformas não portáteis, como Spore Creatures, Guitar Hero World Tour: Decades e .Grand Theft Auto: Chinatown Wars (o único desses que foi realmente aplaudido pela platéia). A Nintendo quis provar que sua máquina de duas telas é muito menos um videogame e mais “uma companhia natural para todos”, dando pistas de que poderá transformar seu portátil em um utilitário em um futuro não muito distante. Eles citaram a possibilidade de usar o DS como um guia de informações em aeroportos, ou como livrinho de receitas, entre outras pirações.

Daí, chegou a hora do Wii, e eu confesso que esperava pelo menos uma surpresinha relacionada às franquias de sempre… que nada. O foco no gamer casual ficou ainda mais evidente. O alarde foi grande para anunciar o Wii Sports Resort, a “versão verão” de Wii Sports. Reggie Fils-Aime, o homem Nintendo no ocidente, aproveitou para mostrar um “acessório” que eles batizaram de “Wii MotionPlus”. A pecinha, que é encaixada abaixo do Wiimote, é um upgrade natural à tecnologia do controle, então nem deveria ser vendida – a Nintendo bem poderia distribuir de graça a peça a todos os possuidores de um Wii.

Quando Miyamoto subiu ao palco, veio Mario, Zelda, Donkey Kong ou Samus. O maior produtor de games de todos os tempos estava usando o Wiimote para tocar um saxofone. A cena você deve ter visto em vídeo, e garanto que ao vivo era ainda mais bizarra. Aquilo era Wii Music, a investida particular da Nintendo no mundo musical. Com movimentos no joystick, o jogador simula o ato de tocar uma bateria, um saxofone, um violino ou uma guitarra, entre mais de 60 instrumentos (na coletiva eles disseram 15, mas o release diz 60. Vai entender). Daí, Miyamoto, convocou uma orquestra composta por funcionários da própria empresa, em um momento que beirou o cômico e o constrangedor. Está virando moda pagar mico em conferência para imprensa…

Acabei de tocar a bateria lá embaixo, e é bem mais difícil do que parece, além de bastante realista. Penei pra conseguir fazer uma seqüência simples de bumbo-caixa-chimbal, e olha que já toco bateria há bastante tempo. No fim, fiquei mais impressionado agora do que fiquei ao final da coletiva. Mas não encontrei uma pessoa ali que tivesse realmente ficado feliz com o material apresentado pela Nintendo. Neste instante, a empresa está fazendo uma apresentação secreta e especial, e é possível que mostre algo diferente lá (foi assim com o Super Smash Bros. Melee há alguns anos). Quem sabe?

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2008, Tudo ao mesmo tempo Tags:
15/07/2008 - 22:04

E3 2008: Bateu o Cansaço

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Estou aqui no LA Convention Center, nessa loucura que é a nova E3. Trocando em miúdos: há filas enormes e demoradas para as coletivas de imprensa (que nem sempre são interessantes – logo explico o porquê), os games estão bem escondidos e, em sua maioria, são restritos, e a conexão de internet deste centro de imprensa é uma bela porcaria. Mas a gente se vira.

O que mais chama atenção no novo formato da E3 é o silêncio. Diferentemente dos anos anteriores, agora é até possível escutar o que as pessoas conversam ao seu lado: a quantidade de pessoas é tão pequena, que é fácil reencontrar as mesmas caras várias vezes ao longo do dia, e em locais bastante distintos. Ou seja, se é difícil agüentar a conversa daquele cara pentelho do site esquisito, é bem mais difícil escapar no meio da multidão. Simplesmente porque não há multidão. Não há bagunça. Quase não há games. Dois dias de E3 e ainda não encostei as mãos em um joystick.

Há maneiras diferentes de cobrir um evento desse gênero. Dá para selecionar o que se fazer e manter a programação tranqüila e com espaços entre cada compromisso; ou dá pra tentar sair correndo pra jogar tudo, entrar em todos os mini-estandes, conseguir alguma entrevista não prevista com os diversos executivos e produtores que circulam por aí. Eu queria ter optado pela primeira opção, mas vi que é impossível. Cobrir a E3 de maneira decente e satisfatória, acompanhado tudo que acontece, só mesmo com uma equipe numerosa e bem disposta. Eu, no caso, sozinho e ainda com jet lag na cabeça, confesso que estou deixando um pouco a desejar.

Mas não faltei a nenhum compromisso (ainda), e quase não atrasei pra nada (cinco minutos na coletiva da Nintendo conta?). Logo mais, publico aqui minha avaliação da coletiva da Nintendo e da Sony. Os eventos da Ubisoft e da Capcom ficam para amanhã, além da coletiva da Konami e das minhas impressões dos games em que consegui colocar as mãos.

Aguarde, não durma. E aproveite para escutar o Pablocast direto da E3, gravado ontem.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2008, Tudo ao mesmo tempo Tags:
15/07/2008 - 08:27

E3 2008: A Coletiva da Electronic Arts

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Logo após a coletiva da Microsoft, peguei um táxi para o Orpheum Theater, onde se daria a demonstração para a imprensa da Electronic Arts. O taxista chegou a reclamar da corrida, porque a distância era relativamente curta. Mesmo assim, era impossível chegar em tempo andando nos enormes quarteirões de Los Angeles. Já ouviu aquela música que diz “nobody walks in L.A.” (a pé, diga-se)? Pois é.

O evento tinha muito mais pompa do que o da Microsoft, isso não havia dúvidas. A sensação era proporcionada em muito pelo local: o teatro Orpheum é estiloso, chique e cheio de história (abrigou a coletiva da própria Microsoft há alguns anos). Aliás, foi a primeira vez que a EA fez um evento desse gênero em uma E3. E a gigante das gigantes não decepcionou, e fez uma apresentação digna de seu tamanho e poderio. O presidente da empresa, John Riccitcello, foi o mestre de cerimônias, e apesar de pouco acostumado à função, comandou o que pareceu o mais forte line-up da história de sua empresa em uma E3. Pelo menos nas palavras dele, mas ao final da coletiva, não havia muita gente por ali que discordasse.

Além do clima oferecido pelo teatro, a EA escolheu bem os seus apresentadores naquela tarde. Um a um, os principais executivos ligados à produtora subiram ao palco para darem explicações sobre os novos games. O primeiro foi Rod Humble, do The Sims Studio, que fez uma rápida demonstração de SimAnimals – como o nome entrega, um The Sims de animais. Era só o que faltava. Em seguida, foi a vez de Will Wright, o maior criador de games do mundo ocidental, que só poderia falar sobre Spore. Wright, aliás, tem mostrado sua nova obra-prima desde a E3 2005, e pareceu mais desenvolto do que nunca: valorizou o sucesso da ferramenta de criação de monstros (mais de 1,7 milhão de criaturas elaboradas pelo público) e fez boas piadas. Faltou Wright mencionar que grande parte dos monstros criados pelos fãs carregavam forte apelo sexual (órgãos genitais ambulantes, por exemplo). Mas o cara tem crédito pra isso, e saiu ovacionado.

Peter Moore fez falta na coletiva da Microsoft. Agora no comando da linha EA Sports, o executivo levou todo seu carisma ao palco do Orpheum Theater, com a demonstração de NBA Live 09. Não apenas um jogo de basquete, o game traz como destaque o feature dynamic DNA, que oferecerá atualizações diárias de dados verdadeiros dos jogadores da liga americana de basquete, para que os jogadores do game se comportem tais quais os desempenhos de suas personas reais. A presença do jogador aposentado Bill Walton, do Boston Celtics, colaborou para os momentos de maior espontaneidade da apresentação, e fez o público fanatico por basquete delirar com seus comentários bizarros.

Ainda havia tempo para outras visitas ilustres. John Carnack, criador de Doom, apresentou o trailer do shooter Rage (tinha cheiro de Doom 3 no ar). Gabe Newell, dono da Valve, entrou exibindo sua forma rotunda e uma camisa visivelmente rasgada para apresentar Left 4 Dead, que ele mesmo definiu como “uma mistura de Counter-Strike com horror de sobrevivencia”. E claro, muito sangue. Outros destaques da coletiva ficaram por conta de Dead Space (tiros, muito sangue jorrando); Mirror’s Edge, ação acrobática em primeira pessoa (com uma heroina que só pode ter sido inspirada na Danielle Suzuki, do canal Multishow); e Dragon Age: Origins, piração medieval da tão celebrada BioWare (cometi uma gafe aqui, mas já corrigi).

A coletiva terminou mais cedo que o esperado, e sem nenhuma menção mais aprofundada aos novos Need for Speed e Harry Potter. Ainda bem. Mas nem precisou. É verdade que a EA tem a obrigação de mostrar só jogos bons, afinal de contas, é hoje a proprietária de diversas das principais produtoras da atualidade. Grandes, eles já provaram que são. Resta saber se ainda há espaço para crescer mais. É bom não duvidar: vai que eles inventam de lançar um console daqui uns anos? Cacife pra isso, eles tem de sobra.

Autor: - Categoria(s): Cobertura E3 2008, Tudo ao mesmo tempo Tags:
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