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Arquivo de maio, 2008

29/05/2008 - 19:41

Ele disse "só"

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Hoje é um dia triste.

Um acidente automobilístico tirou a vida do amigo William Bispo Domingos, mais conhecido (por quem trabalhou com ele) como Will. Quando entrei na Conrad, em 1998, ele já estava lá havia um tempo. Na editora, ele fez de tudo. Foi boy, trabalhou na assistência dos computadores, preparou imagem. Fez de tudo e enxergou, ainda que de longe, a criação de publicações como Nintendo World, Pokémon Club e EGM Brasil.

E jogava Winning Eleven como poucos ali (o Ronny Marinoto que o diga…). E Marathon (o precursor do Halo nos computadores Mac) também. Apesar de não ter nada a ver com o trampo dele, o Will amava games. Se a salinha de jogos estava vazia, ele logo tratava de ocupá-la. Teve uma época que ninguém sabia ao certo o que ele fazia lá, mas tudo bem. De pouquíssimas palavras (algumas de suas expressões são clássicas entre ex-conradianos), o cara era gente finíssima, estava sempre de bom humor e não havia quem não curtisse aquele jeito dele.

Quando fui editor da EGM, entre 2004 e 2006, o Will havia sido promovido: ele trabalhava na pré-impressão, ou seja, era ele quem prepara os arquivos digitais das páginas da revista antes de manda-las para a gráfica. Era o cara que pegava os últimos errinhos, as imagens sem resolução, e avisava, de um jeito só dele: “Essa tela tá tosca. Tem que mudar”, ou: “Deu pau no arquivo, manda de novo”. Várias madrugadas e manhãs passamos na redação, enviando pdfs para a gráfica e vendo o sol nascer quadrado. A revista no bico do corvo, praticamente atrasada, e ele estava lá no fechamento, os olhos vermelhos, quase dormindo sentado, disparando arquivos gigantes, telefonando pra ver se as páginas chegaram. Ponta firme.

Em 2006, ele se machucou feio e ficou de licença médica. Ficou meses sem trabalhar. Nesse meio tempo, mudei de emprego, deixei a editora e nunca mais o vi. Quando ele retornou ao batente, fiquei sabendo que pouco depois ele deixara a editora. E não sei o que foi feito dele desde então. Tinha notícias esporádicas de algumas pessoas que ainda estavam próximas. Sempre desejava o melhor pra ele, onde quer que estivesse. Ontem de noite mesmo, pensei no Will, meio sem querer. E aí, aconteceu.

Essa lembrança é minha forma de homenagear um cara muito legal, que se foi cedo demais. Will, firmeza total, onde estiver.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
28/05/2008 - 15:32

Batendo Recordes

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Cá estamos de volta, após mais um feriado prolongado (trabalhei) e mais um fechamento interminável (o qual, realmente, não terminou ainda). Para compensar minha ausência, venho com uma bela promoção daquelas que só o Gamer.br faz por você. Dessa vez, pegando carona no lançamento do livro Guinness World Records Games 2008, lançado aqui pela Editora Ediouro, pergunto:

Qual é o recorde que você gostaria de superar, e por quê?

A resposta mais criativa e interessante leva, de uma vez só:

*Um exemplar do livro Guinness Games 2008 (Editora Ediouro)

*Um exemplar da edição 20 da revista Rolling Stone Brasil (Editora Spring)

*Um adesivo exclusivo Grand Theft Auto 4 (Rockstar)

*Um adesivo exclusivo Bully (Rockstar)

Escreva sua resposta ali nos comentários, até segunda-feira da semana que vem (2/6). Daqui uma semana, divulgarei o vencedor. Participe!

***

Ontem a Latamel e a Nintendo fizeram uma bela festa para divulgar a chegada do Wii Fit ao Brasil. A presença de Bill Van Zyll (Diretor e Gerente Geral da Nintendo para a América Latina) e Mark Wentley (Gerente de Vendas e Marketing da Nintendo para a América Latina) serviu para valorizar ainda mais o momento, e levemente remeteu aos bons tempos de Playtronic/Gradiente (faz tempo…). Não me lembro da última vez que a NOA enviou uma comitiva para cá – certamente, desde os tempos do Steve Singer, ex-Gerente Geral da Nintendo para a América Latina, que hoje ocupa o cargo de vice-presidente lá na casa do Mario, em Redmond.

Não estive no evento (assim como muitos outros jornalistas, não fui exatamente convidado, mas tudo bem), mas me contaram que foi bem interessante: nove consoles Wii estavam disponíveis para os jornalistas experimentarem a brincadeira. Houve distribuição de brindes e sorteio de um Wii com Wii Fit. E ficou combinado que o game estaria à venda em algumas lojas do país a partir de 27 de maio (ontem), por nada módicos R$ 549. Segundo minha fiel calculadora, isso dá US$ 320. Segundo minhas contas de cabeça, isso é 3,5 vezes mais caro que o preço do Wii Fit nos Estados Unidos (que é US$ 90).

Difícil ser feliz desse jeito, né? Mas vamos em frente. Só reclamar não ajuda.

***

Nesta sexta-feira acontece a entrega da quarta edição do Troféu Gameworld, organizado pela Tambor (ex-Futuro, editora da EGM Brasil e Nintendo World). Será no prédio do SENAC, Campus Santo Amaro (veja o mapa aqui). Pelo que foi divulgado, é um evento somente para convidados, mas acho que se você quiser aparecer lá na hora não terá problema algum… Mas não diga que fui eu quem sugeriu.

***
A E3 está chegando.

O e-mail que chegou hoje ao meu Outlook tem como remetente um certo Xbox 360 E308 Media Briefing . E a mensagem me avisa para guardar a data “14 de julho de 2008, às 10h30”. Será o dia e horário da conferência para imprensa da Microsoft na E3 2008, em Los Angeles. Hmm.

Só não recebi ainda o convite oficial da organização do evento, mas dizem que é só escrever reclamando que algo acontece. Vejamos. Não ando lá muito esperançoso de que conseguirei ir este ano, mas… a gente nunca sabe o que pode nos acontecer amanhã.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
20/05/2008 - 17:46

Cai não cai

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A Microsoft mandou avisar:

Microsoft faz nova redução de preço do Xbox 360 no Brasil

A Microsoft Brasil anunciou uma nova diminuição no preço de comercialização do Xbox 360 para os consumidores nacionais a partir de hoje. A empresa reduziu o valor para R$ 2.229,00. O produto com novo preço estará disponível nos revendedores oficiais: etc etc etc.

A Microsoft acaba de anunciar, também para hoje, o início da pré-venda do jogo Ninja Gaiden II, um dos games mais aguardados do ano.

Se você se lembra bem, há pouco mais de um mês, a fabricante anunciou a redução de preços dos consoles e acessórios para Xbox 360. Já a última redução do preço do console – de R$ 2999 para 2499, por volta de 17% (relembre aqui) – essa aconteceu em agosto último, ou seja, há quase nove meses. Um bom tempo, diga-se de passagem.

A redução desta vez não passou de 11% (R$ 270, ou US$ 160). Já é bastante coisa em termos numéricos, mas acredito que, para muita gente, não fez diferença nenhuma (ainda mais com o dólar despencando, o preço dos importados recuando de leve e o PS3 chegando mais em conta por aqui). Por isso, repito aqui as perguntas que fiz em agosto de 2007. Quem quiser, as responda:

*Você que não comprou o X360 antes por achar caro ficou um pouco mais animado? Compraria agora?

*O quanto a recente desvalorização do dólar frente ao real tem a ver com essa queda de preço? Ou será que ela já estava prevista desde o início?

*E será que rola mais uma redução de preços até o período do Natal?

E enquanto você responde, vejamos se descobrimos alguma coisa direto com a Microsoft. Mais, depois.

***

Dia de recados. Desta vez, quem manda avisar é a Overplay, softhouse brasileira baseada em Campinas.

A Overplay é uma empresa de Campinas-SP focada no desenvolvimento de jogos para PCs e consoles, atualmente atendendo clientes no Brasil, Canadá, EUA e Alemanha.
Estamos com algumas vagas de estágio em programação.

VAGAS DE ESTÁGIO EM PROGRAMAÇÃO DE GAMES:
Perfil:
– Cursar Engenharia/Ciência da Computação ou afins.
– Ter bons conhecimentos de programação e orientação a objetos.
– Conhecimento em Inglês
– Facilidade de trabalhar em equipe
– Desejável conhecimento da ferramenta Adobe Flash e Actionscript 3
– Conhecimentos de Algebra Linear
– Facilidade para aprender novas tecnologias
– Gostar de games
– Disponiblidade para trabalhar em Campinas

Interessados enviem curriculum/portfolio para equipe@overplay.com.br com assunto “VAGA ESTÁGIO PROGRAMAÇÃO”

Interessa? Tente a sorte. Vai que é a sua vez?

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
19/05/2008 - 20:25

Rock é rock mesmo

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Já ouviu o Pablocast 14? Não? Então baixe e escute já. Foi gravado inteiramente em casa, então a qualidade de som está bem melhor. Garantido. Confira e comente.

***

Isso já é demais: a Konami anunciou na semana passada, em sua festa particular, sua “nova” empreitada no mundo dos games musicais: Rock Revolution. É verdade que se há alguma publisher que tinha direito lançar mais um simulador de banda com instrumentos, essa publisher é a Konami. Com tradição em jogos do gênero (GuitarFreaks, DrumMania, Karaokê Revolution, e a lista segue), a empresa japonesa tem toda propriedade para mergulhar de vez nesse segmento tão pop que é o dos jogos musicais. Resta saber se eles não irão se deixar levar pela influência da concorrência e exagerar nas referências a Guitar Hero e Rock Band. Novidade é bom e a gente gosta, não?

***

E a Level Up Games? Anunciou um game novo hoje: o Perfect World, mais um daqueles MMORPGs amados e jogados por milhões. Além disso, a empresa mandou avisar que este ano deverá lançar “um dos 3 jogos mais populares (mais jogados) do mundo, localizado e com servidores no Brasil”. Qual é o jogo da vez? Faça suas apostas.

***

Hoje vi Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, que estréia nesta quinta nos cinemas brasileiros. Se vale a pena? Claro que vale. É Spielberg, ora bolas. Cheira a mofo, mas é ótimo. E depois falo mais sobre isso.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
14/05/2008 - 16:59

Guitar Hero 4 – com bateria

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Será que foi coincidência, ou o povo da Neversoft lê o Gamer.br? Seja como for, aqui está: a próxima capa da revista norte-americana Game Informer traz uma história sobre Guitar Hero 4. Não li a matéria completa, porque a revista nem lançada foi (e espero mesmo que isso tudo não seja uma pegadinha de mal gosto). A página a que tive acesso (cortesia do Gus do Audiogame) adianta o que já se esperava: a próxima versão do game da Activision será um “jogo de banda”, no qual será possível experimentar todos os instrumentos tradicionais de uma banda de rock: guitarra, baixo e, agora, bateria e vocais. Até que enfim.

Em especial e o que mais chama a atenção na matéria são as novidades sobre o joystick-bateria criado pela produtora especialmente para o novo game (veja imagem escaneada da revista aqui e chore comigo).

É claro que aperfeiçoar uma idéia é bem mais fácil que criar uma do zero, mas não se pode tirar os méritos da Activision por tentar melhorar o que a Harmonix desenvolveu. Entre tantas melhorias em relação à bateria de Rock Band, estas são as mais significativas, sempre segundo a matéria:

– o drum kit de GH 4 trará duas teclas mais elevadas e de formato diferente, que simularão os pratos da bateria de maneira mais realista que o instrumento do game concorrente.

– com esses dois “pratos”, a bateria terá seis teclas no total (três tambores, dois pratos e um pedal de bumbo), contra cinco da batera de Rock Band.

– os tambores funcionarão de maneira mais silenciosa, e – promete a Neversoft – farão menos ruídos quando acertados pelas baquetas (uma excelente idéia, diga-se de passagem, visto que quem toca a bateria sempre acaba se empolgando mais que os outros jogadores).

– a bateria será sem fio, acabando com aquela bagunça proporcionada por diversos cabos de instrumentos diferentes enrolados na frente da televisão.

– os tambores responderão de maneira mais natural e intuitiva, assim como acontece em baterias eletrônicas tradicionais.

– o cuidado com a fabricação do instrumento será maior que o do concorrente: “O pessoal de nossa equipe tem fabricado hardware por anos. Esse negócio não vai quebrar”, diz um dos produtores entrevistados pela matéria.

Guitar Hero 4 vem aí. E, de repente, o fim de ano ganha uma razão de ser.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
13/05/2008 - 16:42

Isso sim é recorde

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Vai buscar, Halo 3!

Grand Theft Auto IV bateu o recorde histórico de lançamento do mercado de entretenimento mais rentável de todos os tempos.

A informação foi confirmada pelo quase infalível Guinness Book of Records. Segundo a nota, as vendas de 3,6 milhões de cópias de GTA IV no dia de seu lançamento (29 de abril) renderam US$ 310 milhões de dólares ao redor do mundo. Para efeito de comparação. Halo 3, que detinha o recorde anterior de game mais vendido em 24 horas, rendeu apenas US$ 170 milhões em seu primeiro dia no mercado.

É claro, vale citar, que as vendas do game da Rockstar foram ajudadas pelo fato de serem distribuidas por dois consoles – PS3 e Xbox 360 -, enquanto Halo 3 saiu só para o 360. Outra coisa é que GTA tem muito mais apelo pop. E é, inegavelmente, muito mais divertido e interessante. Não acho que alguém vá duvidar disso…

E por falar em Guinness, a editora Ediouro acabou de anunciar que lançará o Guinness World Records Games 2008 no mercado brasileiro. Com 256 páginas, capa dura e mais de 600 fotos, o livro é um belo achado para loucos por números e estatísticas. Deve custar por volta de R$ 65 por aqui. E é claro que logo volto a falar sobre isso…

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
12/05/2008 - 11:44

Entre fogos e defeitos

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Estava em férias e acabei nem comentando sobre a interessante inclusão de Guitar Hero III na sempre manjada lista de games do World Cyber Games. Vale para dar uma variada dos Warcrafts, C&Cs, Need for Speeds, CSs e FIFAs da vida. Farei questão de assistir à final deste ano.

A novidade da versão 2008 da competição – inspirada pelas Olimpíadas de Pequim – é uma tocha, que viajará por diversos países antes de chegar a Köln (Alemanha), o palco da grande final. O site oficial do evento prevê que o fogo olímpico passará por São Paulo de 14 a 27 de julho (quem carregará a tocha será o playArt_SpeedNG, codinome do Rodrigo Nunes, campeão de Need for Speed no ano passado). A Samsung, patrocinadora oficial, ainda não fez nenhuma declaração oficial a respeito das seletivas do torneio no Brasil, mas imagino que já esteja em vias de anunciar alguma coisa.

O Brasil, vale lembrar, defende o segundo lugar na classificação geral, já que ganhou duas medalhas de ouro e uma de bronze na edição 2007. E este ano?

***

E por falar em Guitar Hero… acho que jamais vim a público expor minha frustração com Rock Band. Não com o game em si, que é sensacional e viciante, mas com a paupérrima qualidade física de seus acessórios. Antes mesmo de ligar o game pela primeira vez em meu Xbox 360, percebi que o hub USB que acompanha a embalagem simplesmente não funcionava (cadê o controle de qualidade?). Não demorou muito para a guitarrinha apresentar o já clássico defeito da tecla strum com defeito (o qual pode ser consertado em casa mesmo – ainda não tentei, alguém já?). Ontem, foi a vez do microfone não funcionar (conectei ao console via porta USB, e nada).
Estou só esperando a bateria se auto-destruir a qualquer momento. Pode ser que ocorra amanhã. Ou hoje.

Foram anos de pesquisa, milhões de dólares gastos em marketing e royalties para os artistas, e o merecido título de game mais aguardado do final de 2007… a Harmonix bem que poderia ter caprichado um pouco mais na qualidade de seus produtos. Uma vergonha. Frustrado ao máximo, admito: dependente que é de seus acessórios, Rock Band acaba se revelando uma belíssima porcaria.

***

Os órfãos de Daniel Galera e seu Jogatina podem matar as saudades do colunista na revista Monet. Todos os meses, o escritor gaúcho escreve uma página dupla sobre games na publicação da TV por assinatura NET. Enquanto isso, ele negocia para ressuscitar seu blog, que acabou extinto quando o portal No Mínimo fechou as portas.

Na mesma revista, algumas páginas depois, o amigo Alexandre Matias (ex-editor da saudosa Play, atual editor do Link do Estadão e eterno blogueiro do Trabalho Sujo também abastece uma coluna mensal, Digitalismo, que entre outros assuntos, também trata de games.

E vira e mexe, publicações digamos “não-especializadas” como Super Interessante, Galileu e, claro, a Rolling Stone, apresentam matérias sobre videogames. Atuais, noticiosas, jornalísticas e positivas. Quem diria…

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
09/05/2008 - 17:55

Entrevista da Semana: Gustavo Petró (Revista GameMaster)

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Eu disse que voltaria, e aqui está: chegou a hora de mais uma Entrevista da Semana no Gamer.br. O escolhido da vez é o Gustavo Petró, o atual editor da GameMaster, publicada pela Editora Europa. Petró, um dos mais conhecidos prodígios do jornalismo especializado nacional, falou sobre o início de sua carreira, os desafios da profissão, a concorrência com a EGM Brasil e tantos outros assuntos (o cara fala muito!). Leia e, como sempre, não deixe de comentar ali no final.

***

Gamer.br: Como você classificaria seu início no mercado de games? Você era um leitor de revistas, bateu na porta de uma editora com a cara e a coragem, pediu oportunidade, e hoje, três anos depois, é editor. Fale um pouco sobre essa trajetória.
Gustavo Petró: É uma longa história. Bom, como todos que estão nessa área, eu gosto muito de videogame. Sempre gostei e acho que sempre vou gostar muito. Gastava todo meu dinheiro em jogos e consoles, levava portáteis para as competições de natação, comprava e lia muitas revistas (esse hábito cultivo até hoje).
Como respirava videogame, virei uma espécie de consultor para os meus amigos lá em Porto Alegre, que me perguntavam que console ou jogo comprar. Cheguei até a ganhar uma graninha por fora fazendo parceria com umas lojinhas. Eu “vendia” para eles e ganhava uma pequena comissão. Então, trabalhar com videogame é um sonho antigo.
Comecei a estudar jornalismo na PUC-RS, mas sem intenção de trabalhar em uma revista ou site especializados. Por isso, metade do meu curso foi voltado ao jornalismo esportivo, tanto que trabalhei na assessoria de imprensa do time do Grêmio. A mudança de foco aconteceu quando eu precisei encontrar um tema para o meu trabalho de conclusão.
Desesperado, comecei a pedir sugestões para todo o mundo. Foi daí que uma guria que trabalhava comigo disse: “Bah, Gustavo. Tu gosta tanto de videogame. Faz um TC sobre isso!”. Foi então que a ficha caiu e fiz um trabalho cujo tema foi “O Papel do Jornalista na Produção de Jogos de Videogame”, tentando “criar” mais um local de trabalho para o jornalista. Após me formar, decidi que eu trabalharia escrevendo sobre videogames, que faria isso da minha vida. Como em Porto Alegre não existe um mercado editorial forte (ou você trabalha para a RBS que é a Globo de lá ou você trabalha em assessoria de imprensa), tive que vir enfrentar São Paulo.

Chegando em São Paulo, o que você fez?
Cheguei aqui em maio de 2005 e logo fui correndo atrás de trabalho. Afinal, eu tinha dinheiro para sobreviver um mês aqui. Em exatos um mês consegui visitar a Conrad que na época publicava a EGM Brasil. Na época, fui lá apenas para visitar e mostrar currículo, essas coisas, mas você me deu um review para fazer para a revista. Não me lembro se ficou bom ou ruim (imagino que não tenha sido dos melhores), mas foi ali que agarrei essa oportunidade e não larguei mais.
Lembro que na Conrad tinha um computador que ninguém usava. E como eu não tinha nada no apê que eu estava. Eu ia para lá todos os dias trabalhar nesse PC. Tentaram me expulsar, mas não conseguiram. Aos poucos, fui ganhando mais textos para fazer para a EGM e nas outras revistas da casa.
O Juneca (Odair Braz Junior) cuidava do Gameworld na época e me passou bastante coisa para fazer. Quando vi, eu já era da casa e estava trabalhando com os caras que eu lia tempos atrás, o que era a conquista de um sonho.
Em março de 2006, eu estava como freela na já Futuro. Mas recebi um convite para trabalhar no caderno de informática da Folha de S. Paulo. Lá, eu escrevi pouco sobre games – mas mesmo meio contra o Rodolfo Lucena, o editor do caderno, eu sempre conseguia escrever alguma notinha -, mas continuei “freelando” para a EGM Brasil, SDP, NW e EGM PC. Foi então que a Editora Europa me fez um convite e eu aceitei. Estou aqui desde novembro de 2006. Comecei como repórter da GameMaster ao lado do Felipe Azevedo e depois com o Humberto Martinez
Aí, surgiu o desafio de ser editor da revista. Como tudo aconteceu rápido demais a meu ver, sei que ainda tenho que comer muito feijão para chegar ao nível dos editores das revistas da casa e da concorrência que está há anos no mercado. Mas estou lutando e estudando para chegar lá.

Você acha que esse “mergulho” corajoso daria certo para todo mundo que tentasse? Onde você acha que acertou?
Acho que o que me ajudou nessa minha caminhada foi a sorte. Sorte de ter chegado na hora e no momento certo. Sempre que alguém vem falar comigo e diz que quer tentar seguir o mesmo caminho que eu, digo que é bom pensar muito bem, pois pode não dar certo. É bom pensar muito bem antes de jogar tudo para o alto, largar família e amigos para tentar a vida em outra cidade. Comigo, tinha tudo para não dar certo. Por isso, acredito que foi a sorte que me colocou onde estou hoje. Mas para conseguir um espaço nesse mercado, não basta só ter a sorte do seu lado. E é aí que acho que acertei. Quando as oportunidades aparecem na sua porta, agarre com todas as forças e sempre faça o melhor trabalho possível.
Além disso, sempre busquei aprender com os mais experientes como você, o Fabão, o Trivas, o Testa, o Mega, o Nelsão, o Humberto, o Sombra, o Bueno, o Guerra, o Théo e muitos outros com quem trabalhei e/ou trabalho hoje.
Outro acerto meu é saber aprender com os erros. Quem está começando nessa área, e até mesmo quem já está calejado nela, está sujeito a errar. Quando isso acontece, é uma oportunidade de aprender e de se tornar um profissional melhor. Por isso, sempre que se recebe um puxão de orelha de um editor, não é para você ficar chateado ou ficar com o ego ferido: use a crítica como aprendizado para continuar para continuar tentando melhorar sempre. Isso é uma regra na minha vida.

Você começou como freela em revista, mais tarde se tornou repórter de jornal, agora está fixo como editor de outra revista. Qual o melhor dos mundos pra trabalhar com games na imprensa nacional?
Bom, daí depende da situação. Para um jornalista recém-formado, é bom ser freela: a grana pode não ser das melhores e a quantidade de trabalho depende do editor, mas é sua vitrine para o mercado. Se você conseguir fazer um bom trabalho, possivelmente se tornará um repórter da revista em si. É bom também porque você aprende faz de tudo da publicação como detonados, notícias, notinhas, tabelas, reviews e previews – e tem que ser assim, todos devem passar por isso.

Mas e a experiência de trabalhar em jornal, você recomenda?
A diferença de ser repórter de revista e de jornal está nos prazos e no estilo da escrita. No caso do caderno de informática da Folha, que é semanal, você tem uma semana para fazer as matérias que devem ser mais diretas. Na revista, as matérias são mais complexas, mas existe mais tempo para se fazer. O editor também escreve bastante, mas ele pega aquela parte mais burocrática de cuidar dos detalhes da revista, de assinar papéis, de pagar colaboradores, de cuidar da capa, dos textos dos outros e etc. Acho que cada tipo de função tem suas vantagens e desvantagens, assim como cada lugar (jornal ou revista). Mas para trabalhar com games, o melhor ainda são as revistas especializadas. No jornal, você tem que escrever para um público que não domina games. Daí, se você fizer um texto do jogo do Mario, por mais conhecido que ele seja, você tem que explicar que ele é o mascote da Nintendo, que já estrelou em X jogos e que foi criado pelo Miyamoto. Na revista você pula essa parte e pode entrar em detalhes mais bacanas que para um público de jornal não seria entendido. Eu gostei de trabalhar nas duas áreas e gosto de fazer reportagens. Gosto de ir atrás, fuçar, pesquisar. Foi assim que fiz matérias que considero bacanas e que acabaram sendo exclusivas como a “Crime nos Games”, que entrevistei o jogador de GunBound que foi seqüestrado na vida real, descobri quem foi o responsável por ter banido Counter-Strike e EverQuest do Brasil entre muitas outras. Eu não gosto do que escrevo, mas acho que essa matéria ficou bem bacana e a busca por documentos e provas foi digna de um César Tralli (o repórter da Globo). Com essa minha gana de sempre tentar descobrir algo novo e exclusivo foi que consegui jogar Street Fighter IV na GDC 08.

Quando você estudava jornalismo, queria se especializar em games. Hoje, você conseguiu. O mercado é o que esperava?
É até mais do que eu esperava. Trabalhar com games e ao lado dos seus ídolos é o sonho de todo o piá. Pelo menos era para mim. Tenho acesso aos jogos antes de serem lançados e respiro videogame o dia todo. É ótimo trabalhar com uma das coisas que mais gosto na vida, até mesmo quando a quantidade de trabalho é insana. Mesmo assim, dá gosto vir todos os dias para a editora ou ficar noites sem dormir fechando revista e tentando fazer o melhor para agradar ao leitor. Eu acho bacana.

E quais são as principais virtudes que um jornalista de games precisa ter no Brasil?
Acho que um jornalista de games tem que saber que ele é igual a qualquer outro jornalista do mercado como da Folha, Estadão ou Globo. Então, como tal, ele deve ir atrás das informações, pesquisar, checar fontes etc. Muitas vezes, ao tentar conseguir uma entrevista eu me sentia inferior à esses caras. Mas não, somos todos iguais. Se você está com uma bomba em mãos, fala o melhor possível para publicá-la com credibilidade, mas nunca deixe de ser humilde. O trabalho do jornalista de games ainda é taxado como brincadeira pelas pessoas. Pode fazer o teste e diga para alguém que você escreve sobre games. A resposta será: “Ah, então tu joga joguinho o tempo todo”. E não é bem assim. Trabalhamos muito e fazemos coisas sérias. Ou alguém viu a imprensa de massa ir atrás de quem entrou com processo no Ministério Público para banir o Counter? Não, pois esse é o nosso trabalho, o trabalho dos jornalistas de games!

Qual é o papel de uma revista de games em um mercado como o brasileiro? A revista ainda é tão relevante quanto no tempo em que você era apenas um leitor?
A revista ainda é importante, como antigamente (e ainda sou leitor). A diferença é que estamos na fase do “tudo de graça” pela internet. Ninguém compra mais nada: jogo, CD, DVD, livro, revista, jornal. Tudo você pega na rede. A diferença que poucos se deram conta é que na internet ficam as notícias, aqueles esquemas que saem num dia e no outro morrem. Esse é o papel dos sites e blogs. Matérias completas, reportagens exclusivas, tudo com um texto bacana e bem trabalhado, são o papel da revista. Ainda, é nas revistas que são anunciados os grandes games, com previews cheios de detalhes. Nisso, a internet só acompanha.
Com isso, acredito que a revista ainda é importante para o mercado brasileiro pois é nela que os jogadores poderão conhecer melhor seus jogos favoritos e se aprofundar nos assuntos que achar relevante. Só não vale escanear as revistas e distribuir de graça, como acontece. Lembro de um editorial da Playboy na qual o editor disse exatamente isso. Você sabe, as fotos das mulheres tão na internet antes da revista chegar às bancas.
Não é assim que o mercado funciona. E para quem diz que as revistas estão no fim, traço um paralelo com a revista Veja: todo o mundo lê notícias na internet a semana toda, mas ninguém deixa de comprar a Veja no sábado. Tanto que ela é uma das revistas mais vendidas do Brasil há anos.

Você edita a GameMaster, uma revista multiplataforma, que concorre com uma revista de marca internacional, que é a EGM (para a qual você já trabalhou). Como funciona para você a concorrência entre as publicações? Como você se prepara?
Eu, o Rômulo Máthei (que trabalha comigo na revista) e toda a redação de games da Editora Europa lutamos todos os meses para tentar fazer sempre o melhor a cada edição. Se você me perguntar qual a melhor edição da GameMaster até hoje, eu respondo que é a próxima. Sempre é e será a próxima edição que você vai fazer.
A concorrência, como todos dizem, é saudável. Claro que eu quero colocar uma jogo exclusivo na capa ou fazer matérias que atraiam os leitores da GameMaster e que pegue os da EGM, mas é um trabalho difícil. Mas estamos no caminho certo. Sou muito amigo do Shaaman [o editor Ricardo Farah] e gosto do trabalho dele na EGM, mas, assim como ele, queremos sempre sair na frente. Vale lembrar que a concorrência é com as revistas e não com os editores.
A preparação vem do que conseguimos com nossos contatos gringos e no Brasil para colocar um jogo na capa, do que lemos nos jornais e nas revistas estrangeiras (ou você acha que eu não leio a EGM americana para tentar descobrir o que sairá na EGM daqui?) e muitas outras coisas.
Para conseguir ter algo bacana em cada edição, é preciso estar antenado em tudo o que acontece no mercado mundial dos videogames. Além do que, não temos o auxilio do conteúdo de uma revista gringa. Aqui fazemos a revista do zero. E o bacana é que já conseguimos muitas coisas legais para colocar na capa, coisas que a GameMaster foi a primeira a publicar.

A pergunta de sempre: quem vai ganhar a guerra da atual geração?
[Risos] Por que todo o mundo quer saber disso, hein? Acho que ao invés de ficar se preocupando com essa guerra, por que a gente não aproveita um monte de jogos bons que apareceram nesses últimos tempos e os que vão sair para se divertir? Vejo nos fóruns um monte de brigas sobre isso e acho que é uma perda de tempo. Vamos jogar games, gente!
O X360 é o favorito dos desenvolvedores. Todos preferem começar a desenvolver seus jogos no console da Microsoft e depois o portam para o PS3 ou Wii. Acho que é aí que o bicho vai pegar. Com o 360 como o queridinho das produtoras, ele tem tudo para ser o campeão ao lado do Wii, que segue por outro caminho. A Sony parece que ainda não sabe o que fazer com o PS3, tanto que na GDC, os desenvolvedores aproveitaram para dar uma zoada no console em cada palestra. Mas eu acho que a Sony não é burra e vai tentar dar uma volta por cima. Mas eles precisam de mais jogos bons, só MGS 4 e GT5 não vão segurar a bronca. Também torço pelo PS3.

Para terminar, diga algo bonito e inspirador aos leitores do Gamer.br.
Acho que se você tem um sonho, não importa no que seja, lute até o final por ele e acredite no seu potencial. É só lutar e ir atrás, pois nada é fácil nessa vida. Quando eu estava começando a treinar natação, um técnico me perguntou qual era o meu maior sonho no esporte. Eu respondi que era ir para as Olimpíadas. Ele me disse que eu jamais iria conseguir isso. Acho que esse evento me desmotivou no esporte, pois não consegui participar de uma competição de alto nível, mas cheguei a ter resultados expressivos a nível nacional. O fato é que para eu conseguir chegar onde eu cheguei, eu ouvi a mesma coisa muitas vezes e de muita gente. A diferença é que eu acreditei, mantive o foco no objetivo e fui à luta. É assim que se deve fazer para conseguir tudo na vida. Lute e acredite!

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: ,
07/05/2008 - 16:55

Começar de Novo

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De volta ao batente. Agora, prometo, com mais freqüência. Férias mesmo, só no ano que vem (que pena). Mas quem sabe não surge uma E3 no meu horizonte? Os convites já começaram a sair lá de Los Angeles, e já sei de gente aqui no Brasil que os recebeu.

Mas e essa notícia de que a Activision (logo ela) não vai mais participar do evento deste ano? Será que outras produtoras irão na cola dela?

Julho está aí, e logo saberemos.

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E o Grand Theft Auto IV, já comprou o seu? Seis milhões de pessoas no mundo inteiro – dados divulgados pela própria Rockstar – fizeram isso nos últimos oito dias. As minhas cópias devem estar em um avião neste instante, prestes a desembarcar em solo brasileiro. E o risco da proibição da venda do game no Brasil ainda existe, mas a NC Games – distribuidora do título no país – não parece muito preocupada. Tanto que anunciou que irá distribuir a versão especial por aqui (aquela com mochila, caixinha, CD e o caramba).

Alguém aí já terminou o jogo? Está envolvido até o pescoço na saga de Niko em Liberty City? Use os comentários deste blog e conte sua experiência até agora.

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Assisti a Speed Racer ontem, e confesso que gostei bastante. É um verdadeiro espetáculo visual, que me fez imaginar que os Wachowski Bros. andaram jogando bastante videogame nos últimos anos. Se aquelas cenas da última corrida não foram inspiradas em F-Zero, Wipeout, Mario Kart e tantos outros clássicos da velocidade, não sei de mais nada. É lindo, mas como tudo que é bom, enjoa um pouco. É tanta informação, cores e velocidade que sentir tontura é parte inevitável da experiência. Há quem ache tudo exagerado demais, mas duvido que você não saia impressionado. Eu fiquei.

E cada vez mais, os filmes de ação se assemelham aos games. Ou será o contrário? Quem não queria ter um joystick nas mãos durante as melhores cenas de destruição em Homem de Ferro? Melhor filme de herói até agora em 2008, alguém discorda? (E para quem não assistiu ainda, não perca a cena muito reveladora após os créditos finais… os Vingadores e Samuel L. Jackson que o digam).

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Dica da Bruna Torres: o jogo mais difícil do mundo. Não é, mas o nome instiga. E realmente vicia.

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Estou de volta mesmo, pode acreditar.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
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