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Arquivo de dezembro, 2007

28/12/2007 - 14:42

Tchau, 2007!

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Opa, na correria. Será que você consegue esperar até o dia 1 para saber quem são os melhores do ano? Se não consegue, terá que esperar. Muitos votos e uma enorme matemática. O resultado sai aqui mesmo, no dia 1 de janeiro, no período noturno (se o trânsito das rodovias permitir!) E durante a semana que vem, retrospectivas, estatísticas, previsões e muito mais. Aproveitem enquanto estou de férias!

Última coisa: você já votou nos Melhores de 2007? Então leia o post anterior e faça sua escolha.

Aproveito para agradecer a todos que passaram por aqui em 2007. Que fizeram do Gamer.br uma de suas visitas diárias/semanais/constantes na internet. E espero poder contar com seu apoio e participação também em 2008.

O novo ano promete, e estaremos aqui para acompanhar de perto. E se você estiver junto, melhor ainda! Forte abraço e até 2008!

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
22/12/2007 - 00:47

Quem são os melhores?

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Ê, ano que não acaba!

Estou aqui em mais um fechamento – o último de 2007, espero. Vale tudo para terminar a primeira Rolling Stone de 2008 (nas bancas, provavelmente, em 10 de janeiro). E por isso, vale tudo, até trabalhar em véspera de feriado santo.

E se eu vou trabalhar, você vai me ajudar. Que tal participar da eleição Melhores de 2007 do Gamer.br?

Não custa nada, e demora só um pouco. Entre nos comentários deste post e escreva suas escolhas. Faço a você as mesmas perguntas que estou fazendo a diversos nomes da imprensa nacional. Daí, terei dois resultados no final das contas: a votação da crítica e a do público.

Então escolha. É a sua vez:

Os 3 melhores games do ano (em ordem de preferência);

Os 3 maiores acontecimentos/fatos/lançamentos do mercado brasileiro de games;

O pior do ano (serve game, fato, notícia, pessoa, qualquer coisa – sempre ligado aos games)

Os resultados saem na semana que vem, antes de 2007 acabar. Vote apenas uma vez, usando seu nickname de sempre. E procure não se influenciar pelos votos dos outros. Vejamos o que sai disso tudo…

Feliz Natal. E até a próxima semana.

Autor: - Categoria(s): Melhores de 2007, Tudo ao mesmo tempo Tags:
18/12/2007 - 16:12

Entrevista da Semana: Ronaldo Testa (Nintendo World)

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Para animar a penúltima semana de 2007, vamos de mais uma Entrevista da Semana. O escolhido desta vez é o Ronaldo Testa, o atual editor da Nintendo World, uma das revistas especializadas mais antigas do mercado brasileiro. Testa, com a franqueza que lhe é peculiar, falou sobre a concorrência que sua revista enfrenta atualmente (com a NGamer), imprensa nacional, pirataria do Wii e outros temas um tanto polêmicos. Leia, e não deixe de comentar no final.

***

Gamer.Br: Você trabalha há muitos anos no mercado editorial de games. Passou pela maioria das editoras de destaque nesse mercado (Abril, Digerati, Conrad/Futuro) e participou de muitas revistas que tem relevância. Resuma o que aconteceu desde que você entrou nessa até hoje. Se o mercado evoluiu, quanto foi?
Ronaldo Testa: O meu começo no mundo editorial de games foi um pouco inusitado. Chegou uma época da minha vida em que eu precisava trabalhar sério, então, eu o Humberto (Martinez, Editora Europa) começamos a ligar para as editoras que faziam revistas de games para entender como funcionava o lance de escrever sobre o assunto. Ele deu mais sorte do que eu, e depois de um tempo começou a colaborar na Ação Games, da Editora Azul. Eu comecei a visita-lo e um dia tomei coragem de pedir para colaborar. O Ivan Cordon e o Ronny Marinoto me ajudaram muito nessa, devo a chance a eles. Isso foi perto do final de 1998, gostei tanto que estou até hoje, e pretendo continuar. Se o mercado evoluiu? Acredito que sim. Hoje as coisas são mais fáceis, se comparadas ao tempo do fotolito e fotos de jogos tiradas direto da televisão. Hoje é mais fácil pegar o telefone e ligar para uma grande produtora/desenvolvedora e tentar uma entrevista exclusiva. O mercado está mais exigente, e… ah… evoluiu sim!

Como o mercado editorial “de papel” pode superar a concorrência quase desleal com a internet? Dá para dizer que as revistas como conhecemos vão acabar logo?
Não acho que as revistas irão acabar logo, mas isso depende, e muito, do modo como são feitas. Na Nintendo World, por exemplo, eu exploro o conteúdo oficial e exclusivo que raramente vai para a internet, como as entrevistas com Miyamoto, Koji Kondo, Eiji Aonuma e com Koji Igarashi agora na edição 108. Além disso, procuro inovar criando seções como a “Comunidade N”, que mostra coisas feitas pelos fãs, musica e mais um monte de coisas que acabam ficando bem diferentes da internet. Algumas pessoas colocam internet e revista no mesmo balde, mas elas são bem diferentes, e a revista, na minha opinião marca mais – vai dizer que você não guarda uma revista aí com uma matéria que você achou fantástica? É diferente de adicionar um site ao favoritos…

Mas há algo a ser dito aos críticos que acham que as revistas de games estão com os dias contados?
Claro que há! Continuem visitando seus sites e sejam felizes. Há mercado para todo mundo, e os sites, que teoricamente destroem as revistas, raramente apresentam uma matéria bem trabalhada visualmente. Sem falar na repetição de notícias e artigos. Continuo apostando nas revistas.

Você trabalha em uma revista exclusiva de uma marca. Quais são as principais diferenças de trabalhar nesse tipo de publicação e em uma revista multiplataforma?
As principais diferenças são também as que mais atrapalham. Acredite você leitor desse blog que há mais desvantagens do que vantagens. Houve uma época em que não podíamos nem citar o nome de um console concorrente nas páginas da revista – não muito na minha época, você deve ter passado por coisas parecidas e conhece bem o rigoroso controle de qualidade da Nintendo. Ainda bem que agora é diferente, dá para falar de “quase tudo”. Na Ação Games, a revista multiplataforma que eu tinha mais liberdade, era mais fácil, dava para falar de qualquer coisa, sem se importar com o que as grandes produtoras e desenvolvedoras iriam falar depois. Mas deve ser por que eu não editava a revista, as buchas sempre sobram para o editor, você sabe, né?

Você dirige uma revista que está há quase 9 anos no mercado e possui seguidores fiéis – no caso, a Nintendo World. Como é lidar com a concorrência da NGamer, que chegou recentemente mostrando qualidade editorial e a participação de diversos profissionais que já passaram pela Nintendo World?
Uma coisa é certa, os caras que fazem a revista são bons! Mega, Trivas e todo o staff que eu conheço, e também os que não tive o prazer de conhecer, estão de parabéns. A grande realidade é que essa é a primeira vez que a Nintendo World tem uma concorrente de peso, mas minha intenção foi sempre jogar limpo e praticar da maneira mais saudável essa concorrência. É bom concorrer com a NGamer, ela me faz querer melhorar cada vez mais a Nintendo World, e tem dado resultado. Quem mais ganha nessa são os jogadores, que podem analisar os dois produtos e comprar o que mais interessar. Eu cuido da minha parte, para que escolham a NW. Já faz uns cinco anos que conheço o Mega (Felipe Azevedo) e uns dois ou mais que conheço o Trivas, e nesse tempo em que eles estão fazendo a NGamer eu dificilmente falo com eles. Mesmo assim já aconteceu de batermos muitas matérias e capas. Isso mostra que queremos o melhor para os leitores – Mega e Trivas, já aviso que não vou facilitar para vocês!

Houve algum tipo de reação natural da Nintendo World diante da concorrência? Existe algo em mente para combater de igual para igual, visto que a NGamer tem mais páginas e uma freqúência maior [é mensal enquanto a NW é bimestral]?
O que eu procuro fazer é aproveitar o máximo possível de material exclusivo da Nintendo Power – mas só aqueles que sei que fazem sentido publicar no Brasil, e também criar matérias diferentes que envolvam a equipe. Outra coisa que faço é ficar bem próximo dos membros do fórum da Nintendo World e da comunidade de Orkut da revista, para ter uma idéia melhor do que os leitores estão esperando.

E por falar na imprensa de games nacional, ela é “chapa-branca” ou pode, em sua maioria, ser celebrada por sua seriedade e integridade?
Tem muita gente na imprensa de games nacional que não vale o que come. Toda vez que esse assunto vem a tona eu fico de cabeça quente, e olha que sou o cara mais calmo do mundo. Quando eu comecei, sempre prestei atençao nos que estão a mais tempo no ramo e tento segui-los sem faltar com o respeito a ninguém. Infelizmente eu conheço pessoas que se acham um Deus, e que aproveitam cada oportunidade que tem para pisar nas pessoas sem se importar com as consequências. Pessoas que falam uma coisa para uns, e distorcem informações para outros só para aparecer na mídia. Para todos vocês (eles sabem quem são): vocês estão se autodestruindo sem perceber, cresçam, sejam mais humildes, e comecem a praticar jornalismo de forma saudável.

E você acha que as empresas de games – seja as locais, seja as só localizadas lá fora – ajudam os jornalistas o suficiente? O suporte que a NOA dá é o bastante?
Não acho, de maneira alguma. A NOA e outras empresas de fora resolvem o básico. Mesmo com o bom relacionamento com o pessoal de lá, é difícil conseguir algo mais eleborado. Não seria bacana levar um leitor para conhecer a Nintendo? Não seria legal se o Myiamoto respondesse meu e-mail em que eu pedia para ele desejar bons games e feliz aniversário aos leitores da NW? A Nintendo é a segunda casa do cara, teoricamente, seria muito fácil de ele ser contactado, mas não acontece. Aqui no Brasil é mais fácil conseguir as coisas, mas mesmo assim, eu cansei de procurar consoles e jogos para testes e receber a resposta: “ainda não temos”. Mas basta umas ligações para descobrir que o produto já está sendo testado em outra editora. As coisas poderiam ser melhores, é verdade, mas é assim, umas vezes conseguimos, outras não.

Pelo que você acompanha do mercado nacional, estamos indo bem, estamos lentos ou estamos aquém do que poderíamos?
Na minha opinião estamos indo bem, e as coisas tem tudo para melhorar. Os jogadores (conheço principalmente os que jogam Nintendo) estão comprando mais jogos originais, e eu acredito que esse foi um dos pontos que fizeram com que caras como Glauco Bueno (Synergex) e Luiz Paredes (Gamers) apostassem no país. É bom saber que teremos uma distribuidora e uma rede de lojas especializadas no que gostamos: games. Acho que o Brasil irá crescer muito nos próximos anos, mas para isso a galera precisa colaborar, e dar preferência para o original.

Diga algo que você ainda não viu acontecer no Brasil e gostaria de ver.
Gostaria de ver consoles e jogos mais baratos, e uma política de importação com taxas adequadas. Não aguento mais ir nas Casas Bahia e ver Nintendo 64 por R$ 500, ou outros consoles de geração anterior por R$ 300 e cacetada. Ah, queria ver todo mundo comprando revista! [Risos]

Já que você tocou no assunto, não dá para deixar de perguntar: a pirataria é o problema ou a solução? Cá entre nós, foi um alívio quando o Wii foi enfim destravado – no ponto de vista de quem faz uma revista da Nintendo?
É um problema que se disfarça de solução. A primeira coisa que se pensa é que o número de pessoas que comprariam o Wii aumentaria bastante, mas esse é um pensamento cego. Só quem sabe o mal que a pirataria faz ao mercado (e não estou falando dos mitos de estragar canhão e essas coisas) é capaz de entender. A conta é simples, muitas empresas grande não olham para o Brasil por conta da pirataria. As coisas seriam mais fáceis para nós sem os pirateiros, que defendem colocando a culpa nos preços absurdos (reflexo da pirataria?) patricados pelas lojas. Não é um problema, é um PROBLEMÃO.

E a guerra da nova geração? O Wii caiu nas graças do mundo. Ele passa o 360 e supera o PS3?
É suspeito eu falar a respeito, mas para mim, sempre esteve na frente. O Wii ofereceu inovação e uma tremenda curiosidade, ao ponto que os seus concorrentes por um bom tempo só apresentaram jogos bonitos cheios de efeitos de luz, som e outras melhorias. Mas eram melhorias.
Agora sim, a guerra está boa. A Nintendo passa por uma fase louvável de grandes lançamentos, o 360 tem jogos magníficos, e o PS3, bem, ainda não senti vontade de comprá-lo. A ordem de compra para mim seria assim: Wii, Xbox 360, e talvez o PS3. Para mim o Wii ganhou, o 360 ganhou em segundo, e o PS3 está perdendo.

Você entrou nesse mercado por seus próprios méritos. Há algum conselho para alguém que quer chegar lá, visto que hoje o mercado esta bem diferente?
Eu sempre procurei entender porque escrever de um jeito, e não de outro, porque agir de um jeito, e não de outro, sempre pensando em não fazer mal a ninguém. Acho que é uma boa idéia tentar aprender com quem já está no ramo a muito tempo e é respeitado por seus trabalhos. Sem falar que um pouco de humildade não faz mal a ninguém. Façam a coisa certa, sem passar por cima de ninguém para atingir seu objetivo. Ah, participe das revistas, jornais ou sites que você gosta. mande sua opinião, crítica e faça de tudo para melhorar. É um jeito mais fácil de se aproximar da equipe e pode render até uma vaga.

E onde você se enxerga no mercado de games nacional daqui uns cinco anos?
Daqui a cinco anos? É difícil dizer, mas se eu não estiver fazendo a Nintendo World #168, vou estar cuidando do meu site, o HardGamer (pode jabá?)… acho que é uma boa. Só quero fazer parte do mercado de games nacional de alguma forma!

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: ,
14/12/2007 - 03:03

Abafa o Caso

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A semana foi pesada, cheia de acusações anônimas, xingamentos, ofensas e pouquissimo acesso à verdade. Sim, são as conseqüências do inacreditável caso Blogeek X EGM/ZiffDavis e as famigeradas telinhas de Street Fighter IV (foi pra Marte? Leia tudo aqui).

De alguma forma, todo mundo tomou partido para um lado ou outro. E de certa maneira, quase todo mundo quebrou a cara. Até mesmo blogs consagrados erram e assumem as cagadas. E até mesmo editores de grandes publicações também exageram na dose (veja a resposta do Douglas Pereira à declaração do Dan Hsu nos comentários do meu post anterior). Quase ninguém sabia do que estava falando. O que já era ruim ficou feio demais.

E por conta dessa incerteza e diz-que-me-diz, admito que abafei o caso aqui no Gamer.br. Não havia o que comentar sem saber a verdade por completo, e o que se sabia estava muito nebuloso para ser discutido. A prova maior foi a baixaria que se instalou nos comentários da carta do Douglas no Blogeek (que aliás, está fora do ar até o ano que vem). Não valia a pena ficar teclando nesse botão, pelo menos por enquanto.

Pelo que sei, um acordo entre as partes já foi realizado, e uma pedra foi colocada sobre o assunto. Entre mortos, feridos e acusados, salvaram-se todos – alguns mais machucados que os outros. Confianças se perderam de todos os lados e partes. Será que voltaremos um dia ao normal?

Talvez um dia seja a hora de retomar esse tema. Mas não agora. Por ora, nos contentemos com a tal da pedra.

***

Lembra do Pablocast do Audiogame? Então, ele ainda existe. Baixe aqui e aqui as edições 7 (6/12) e 8 (13/12), respectivamente.

***

Para encerrar a semana dura, só mais duas palavras:

Rock Band.

E não preciso de mais nada.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
07/12/2007 - 23:29

Yes, nós temos bananas

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Foi a semana mais agitada do ano no mercado editorial brasileiro, e se você circula pela blogosfera nacional e estrangeira, já deve saber o porquê.

Não vou me alongar muito na explicação. Ontem, quinta-feira, o site 1UP.com, portal oficial da editora Ziff Davis, publicou um furo de reportagem: a edição norte-americana da revista Electronic Gaming Monthly irá revelar, em sua próxima edição, informações e imagens exclusivas de Street Fighter IV, aguardada continuação da franquia de games de luta mais importante da história. A matéria do site ofereceu algumas poucas informações e uma reveladora screenshot, prometendo mostrar mais na edição que chegará ao mercado em pouco mais de uma semana.

A surpresa geral não foi exatamente essa – não desmerecendo o furo de reportagem da publicação, combinado diretamente com a publisher japonesa Capcom. O que aconteceu horas depois e surpreendeu todo o mundo, literalmente, foi o que o blog Blogeek apresentou: informações inéditas e mais duas screenshots exclusivas do game. Tudo seria bastante comum no universo jornalístico (acontece lá fora o tempo todo, aliás) se o Blogeek não fosse um site brasileiro e 100% independente. Conforme você deve saber, é o recém-criado blog do Douglas Pereira, colaborador de diversas revistas nacionais como a própria EGM Brasil.

Lógico que a notícia se espalhou feito fogo pela internet. Todos os sites internacionais de notícias deram cobertura para o fato, confirmando o furo do Blogeek (as telinhas publicadas por todos os sites contém a marca d’água do blog brasileiro). Entre ontem à noite e hoje, as visitas ao blog do Douglas passaram das dezenas de milhares. Quase automaticamente, Ziff Davis e a Capcom começaram a correr atrás do prejuízo, tentando descobrir onde a informação havia vazado, visto que apenas as editoras que representam a marca EGM pelo mundo tinham acesso à informação. A conclusão que eles tiveram é que o vazamento só poderia ter ocorrido em território brasileiro, uma vez que o Blogeek é um site feito por um brasileiro. Dois mais dois são quatro, mas também pode ser cinco em certos casos.

Detalhe: todas as informações relacionadas a Street Fighter IV estào embargadas, ou seja, só podem ser reveladas a partir de 10 de janeiro (algum também bastante comum no mercado editorial de games internacional). As editoras sabiam muito bem disso, inclusive a Futuro, que publica a EGM Brasil. Como o Blogeek teve acesso a essas informações tão bem guardadas, ninguém sabe (e o Douglas, preservando suas fontes, não abre de jeito nenhum a origem das telinhas). Para evitar problemas e cedendo à pressão externa, o site saiu do ar hoje, deixando um comunicado em que explicava a situação:

“A intenção não era prejudicar ninguém. Como todos os sites e blogs de notícias, nossa intenção era apenas passar informações o mais rápido possível para os que se interessam por determinado assunto.

Apenas para esclarecer, não tinhamos contrato de NDA nenhum, e muito menos invadimos qualquer coisa que seja da Ziff Davis para conseguir as imagens. Uma fonte veio e nos passou algumas informações e duas fotos, e nós publicamos.

Embora ainda achamos que não devemos fazer isso, pedimos desculpas a quem quer que tenha sido prejudicado por essa história.
A Ziff Davis continua nos ameaçando, e estamos com medo, é claro.”

As conseqüências do caso, só a semana que vem trará. A Futuro faz a parte dela e continua na busca da brecha que permitiu um possível vazamento das informações embargadas. Capcom e Ziff Davis estudam, não publicamente, como irão reagir diante do vazamento (na minha opinião, é improvável que cheguem ao ponto de levar a história à justiça). E a mídia independente levanta bandeiras pela liberdade de expressão (este post no Kotaku, e seus comentários, dizem bastante coisa). Já o Blogeek retorna às atividades normais neste sábado, sem os posts que causaram tantas reações no mundo dos games.

Conversei com diversas figuras do nosso mercado durante toda a sexta-feira (inclusive com o próprio Douglas), tentando compreender quais lições podem ser tiradas dessa história toda. É óbvio que o Blogeek está sendo alvo de um linchamento moral sem precedentes, o que é até bastante natural, dadas as circunstâncias obscuras do caso. Tudo isso talvez nos comprove o que sempre se soube: é preciso agir com mais responsabilidade diante de nossas ações e medir as conseqüências de dar a cara para bater neste mundo capitalista regido pelos grandes nomes. Mostrar coragem, manter ética e flidelidade, não revelar fontes, tudo isso é bonito, louvável até. Mas nem sempre fazer isso será o bastante para manter você de pé diante de uma disputa mais séria.

E não estou alardeando aquele velho discursinho do “nós contra o sistema” aqui. É uma comprovação pura e simples: se você não tem munição o bastante para segurar a onda, é melhor não pisar no pé de quem é maior do que você. No fim das contas, é um desfecho melancólico para quem acredita na beleza da utopia, mas é a mais pura realidade e serve a todos como aprendizado. Assim como no caso Jeff Gerstmann X Gamespot, saimos um pouco machucados, mas também mais experientes dessa história toda.

***

Tanto barulho até tirou a atenção do grande fato do mercado nacional nesta semana: a inauguração da primeira loja Gamers no Brasil. A abertura acontece neste sábado, 8 de dezembro, a partir das 10h, no Shopping Morumbi, em São Paulo. Quem puder, apareça por lá e conte por aqui o que achou.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
06/12/2007 - 20:50

1 ano de Xbox 360 no Brasil: a Microsoft fala

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No último sábado, 1º de dezembro, o Xbox 360 fez um ano de Brasil. Para “comemorar” a data, o Gamer.br conversou com o Milton Beck, o homem Xbox no país, diretor da divisão de games e entretenimento da Microsoft.
Por telefone, Beck falou direto de Amsterdã e fez um balanço dos 12 primeiros meses do console em nosso mercado, além dos planos para o futuro próximo, entre outros temas: Xbox Live no Brasil, redução de preços, contrabando e pirataria. Leia, confira e comente no final.

Gamer.br: Qual é o balanço que a Microsoft faz de um ano de Xbox 360 no Brasil? Todos os produtos planejados foram lançados? As vendas de games e consoles ficaram no patamar esperado? Poderia ter sido melhor ou foi melhor que poderia?
Milton Beck: Estamos completando um ano e já sabíamos quem este não era um mercado simples e requeria bastante investimento. Acho que a Microsoft termina esse ano muito melhor do que começou nessa área. Nós não éramos um player relativamente considerado, já que o mercado era dominado principalmente pelo PlayStation 2, que era o console de preferência do público brasileiro. Mas com a gente entrando oficialmente, o panorama do mercado mudou um pouco. E isso não só pra o lado especifico do consumidor, que agora consegue comprar produtos em lojas que não conseguia anteriormente, por preços – principalmente pra jogos e periféricos – mais acessíveis. Isso apesar de existir o problema da alta taxa de impostos no que diz respeito aos consoles.
Mas acho que uma coisa que deixou o consumidor realmente feliz foi a quantidade de jogos localizados que apareceram. Halo 3 foi totalmente localizado, com mais de 40 horas de diálogos em português. Viva Piñata também foi localizado, e acabamos de lançar o Viva Piñata Party também em português. Esse ano foi uma experiência boa para o consumidor brasileiro, mas tem muita coisa que a gente ainda precisa melhorar. Não estamos ótimos em todas as coisas, mas é um primeiro passo em um mercado que estava há seis anos sem nenhum console lançado oficialmente. Outras empresas que navegam neste universo, principalmente do setor de jogos, já se animaram a entrar mais fortes, então acho que foi muito saudável para o mercado.

Quais são os planos e mudanças para o próximo ano de Xbox 360 no Brasil? Podemos esperar outra redução de preços, conforme aconteceu em agosto?
Para o ano que vem, o que se pode esperar da Microsoft é uma aproximação ainda maior com a indústria de consumo em geral, que é uma tendência lá fora que a gente deve repetir no Brasil. Com relação à outra pergunta, você sabe que a Microsoft não divulga reduções de preço, porque esse tipo de anúncio pode prejudicar o mercado quando não é feito da maneira correta. A Microsoft já promoveu uma mudança este ano, quando o valor do console caiu em R$ 500, de R$ 3 mil para 2,5 mil. Historicamente, existe uma tendência de queda no preço do console na medida em que os anos passam, mas não é nada que tenha uma data ou um valor a ser anunciado.

Estão fortes os boatos sobre a rede Xbox Live no Brasil ainda no primeiro semestre de 2008. A Microsoft já está pronta para comentar isso?
Ainda não. Não temos nada para falar sobre a Live no Brasil, pelo menos por enquanto.

A oficialização do Xbox por aqui está ajudando a combater os problemas do contrabando e pirataria no Brasil, ou ainda é cedo para afirmar?
Eu acho que não há “bala de prata”: não existe um único tiro que vá resolver problemas que vêm de muitos anos. É claro que à medida que conseguimos aproximar o preço oficial dos consoles dos valores das máquinas que são contrabandeadas, isso desestimula o mercado paralelo. Isso é difícil ainda, já que existe uma carga tributária muito grande nesse tipo de produto, mas acho que é um caminho. Um caminho que não vai ser resolvido de uma hora para outra, mas um caminho que está sendo seguido. Se você pegar hoje as vendas de consoles em cadeias oficiais, verá que elas são muito maiores do que há um ano. Em termos de jogos, aí que o número aumenta mais ainda. Então, existe um grande desejo do consumidor em ter a versão oficial do produto, e não a falsificada. Ele quer ter a embalagem original, o manual de instruções e tudo o mais. Nós lançamos o Halo 3 em três diferentes edições, e a quantidade de pessoas que queriam a versão [Legendary] com o capacete e os extras era muito grande. Isso é só uma mostra de que o consumidor sabe bem o que quer. É claro que existe uma parcela da população que é mais difícil de ser convencida, mas o nosso trabalho continua.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
04/12/2007 - 23:53

Entrevista da Semana: Marcel R. Goto (DigiArts)

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Acabou o mistério.

Após muitas semanas atiçando a curiosidade de todo mundo, o Gamer.br revela, com exclusividade, o que há por trás da enigmática frase “uma certa plataforma de jogos, até agora abandonada, irá tremer”.
O responsável pela declaração sabe bem do que está falando. Foi o Marcel R. Goto, figura bastante conhecida – porém discreta – do mercado de games nacional. Ex- editor e colaborador de publicações especializadas, ele saltou “para o outro lado” e trabalhou durante um ano e meio como produtor na Diverbrás, empresa nacional especializada em máquinas de fliperama. Após deixar o cargo, Marcel montou seu próprio estúdio, o DigiArts, com um grande projeto em mente: criar um game musical aos moldes dos sucessos Guitar Hero e Rock Band, com um muito bem-vindo toque nacional e destinado exclusivamente para os tão esquecidos fliperamas. Saiba mais detalhes sobre essa empreitada ambiciosa e sem precedentes na indústria nacional lendo a entrevista a seguir. E não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: Vamos começar pela iniciativa. Você trabalhou na Diverbrás como produtor. Agora, está como produtor independente em um game. Em linhas gerais, como você descreveria seu projeto para alguém que ficou fora de órbita nos últimos dois anos?
Marcel R. Goto: Bom, tem várias maneiras de encarar a situação. Imagino que neste primeiro momento o destaque seja para o jogo musical, mas eu prefiro pensar em termos mais gerais. Estou criando uma produtora que também vai atuar como publisher, distribuidora, pelo menos no segmento de fliperamas. Pretendo lançar pelo menos dois jogos em 2008, um musical, de ritmo, estrelando bandas nacionais, e outro de luta, que na verdade é um projeto favorito que está na minha cabeça desde 2004.

Mas falando sério: mercado de fliperamas tem futuro?
Eu dei uma entrevista para a [revista] Gamemaster na semana passada, e não tenho frase melhor do que a que usei ali: o mercado de fliperamas no Brasil foi abandonado há mais de cinco anos por qualquer vestígio de inteligência e racionalidade. A grande “novidade” são gabinetes com consoles dentro, PS2 e Xbox, ou PCs rodando MAME, ou jogos de dez anos de idade relançados com gabinetes diferentes. Não é preciso ser um gênio pra notar que essa atitude de reciclagem e falta de investimento só deprecia um ramo que já vinha sofrendo com vários baques. Dito isso, a base instalada de estabelecimentos ainda é mais do que suficiente pra acomodar iniciativas de qualidade que as valorizem e tragam o jogador de volta. Meu intuito é atuar nesse nicho. Pelo menos num primeiro momento.

O que causou a decadência do fliperama para o ponto de vista do consumidor? Não escuto mais falar de alguém que seja viciado em um fliperamas e freqüente com regularidade uma loja…
Alguns fatores são óbvios: os consoles alcançaram e ultrapassaram o glamour gráfico dos fliperamas. Depois tivemos a emergência da internet, jogos online, LAN Houses, e, especificamente no Brasil, a flutuação do dólar, que complicam a importação. Nos EUA a situação é parecida, até pior. Mas estive no Japão este ano, para conhecer o mercado lá, e o que vi foi algo bem diferente. Ainda existe o hábito de jogar fliperama, e jogos como Virtua Fighter 5, que nem chegaram perto do Brasil, são um grande sucesso. Os tempos de bonança e lucro fácil se foram há tempos, é um mercado que, hoje, tem que ser cultivado com inteligência e criatividade.

Esboço de personagem do game da DigiArts
Sobre esse novo game musical. Obviamente, a idéia dele surgiu por causa do sucesso de Guitar Hero. Ou a inspiração são os games de dança? Ou os karaokês?
Eu sou fascinado por jogos de ritmo, desde Pump It Up e Guitar Freaks, que veio ainda nos anos 90. Sobre a inspiração… certos jogos acertam de primeira um formato ideal, e os competidores nunca conseguem se desvencilhar totalmente da sombra desse formato. Vide Tetris e Doom, Super Mario Bros..
Meu intuito é me diferenciar pelo conteúdo inédito, músicas de bandas brasileiras, consagradas ou indies, por reinventar certos aspectos da jogabilidade, e por outros detalhes que só posso revelar no começo do ano que vem. Esta entrevista aqui e a da Gamemaster são só pra dar um primeiro recado aos jogadores hardcore, que acompanham de perto a “imprensa especializada”.

Fale mais sobre as músicas. Como está o contato com as bandas para participar do jogo
Muito bons. As bandas estão sendo bastante receptivas, e isso, sim, acho que devo ao sucesso do Guitar Hero. Já as gravadoras, como era de se esperar, são outra história. Tenho anedotas ótimas sobre as negociações que, bem, não posso contar. Mas ainda assim, nada impossível de resolver.

Esboço de personagem do game da DigiArts
O foco de seu jogo está mais nas músicas das paradas, ou nos nomes ainda desconhecidos? Aliás, qual você acha que é a receita ideal, em termos de repertório, para um game deste naipe vingar?
O meu foco está em músicas legais de tocar com os amigos. Acontece que, na maioria das vezes, só conhecemos as músicas legais que estão nas paradas. Mas ando frequentando os barzinhos de São Paulo pra conhecer novas bandas, porque tenho esse lado indie, independente, muito forte. Criei muitas coisas do zero, convenções de anime e mangá, publicações, o próprio estúdio na Diverbrás, então me identifico com essa atitude. E também porque tenho uma veia subversiva meio incontrolável.
A receita ideal… acho que não existe, ou que varia de região pra região, país pra país, e mídia pra mídia. Mas certamente oferecer variedade faz parte dela.

Ah, você está sendo vago demais. Vamos às informações que todos querem saber. Nome do game, data de lançamento estimada, features legais e bandas que devem estar lá!
[Risos] Mas eu só tô dando entrevistas por insistência sua e do [Gustavo] Petró na Gamemaster, não pretendia divulgar nada a esta altura. A propósito, quero que saibam que você tem ajudado um bocado, dando dicas e discutindo idéias no MSN comigo.
A data estimada de lançamento é o primeiro trimestre de 2008, não posso revelar muito mais agora. Mas prometo que, a partir de janeiro, não calo mais a boca.

Nem venha colocar a culpa em mim… só dei uns palpites. Bem, voltando ao assunto: você acha que as pessoas terão chance de jogar o game, uma vez que os espaços destinados aos Arcades andam bem decadentes no Brasil?
Os shoppings ainda são espaços privilegiados nesse sentido, e é claro que as cidades grandes possuem mais estabelecimentos do que as menores. De resto, não há muito o que ser feito neste momento, infelizmente. Vou testar algumas idéias que tive nos últimos meses para a distribuição, espero que dêem resultado.

Que tipo de idéia?
Não quero dar idéias para a concorrência. Mas tem a ver com o que eu falei no começo, investigar o mercado e agir com inteligência.

Você acha que esta sua “saída do armário”, no bom sentido, é um estímulo para outros produtores independentes?
Espero que sim. O aquecimento do mercado favorece toda a comunidade GLS… gamers, lojistas e softhouses, bem-entendido.

Mas e os players já estabelecidos no mercado, como a sua ex-empresa, a Diverbrás: como eles vão reagir a uma iniciativa ousada como a sua?
O mercado anda letárgico, e muito mal aproveitado. Quando foi a última vez que viu algo sobre fliperamas numa revista de games? Espero mostrar caminhos, não bater na tecla da concorrência. Até porque a logística envolvida em criar uma estrutura que concorra com a de outras empresas de grande porte está além do meu alcance e do meu interesse, que é criar jogos.
No caso dos fliperamas, estou cuidando de todo o processo de fabricação, mas não me recusaria a terceirizar isso para alguém que cumprisse as minhas especificações e mantivesse a qualidade.

Esboço de personagem do game da DigiArts
Vamos falar de infraestrutura. Você saiu de uma empresa já estabelecida e resolveu abrir sua empresa, do zero. A maioria dos empreendedores independentes dessa área ou 1. tenta criar um game para PC ou celular; ou 2. tenta entrar de volta no mercado, seja em uma produtora de games para celular, seja em uma distribuidora de MMOGs. ou 3. se torna jornalista especializado. Por que seguir nessa contramão tão difícil? Qual o caminho das pedras? E claro, a pergunta de um milhão: de onde vem o dinheiro?
Eu me considero um sujeito terrivelmente sortudo por ter adquirido naturalmente conhecimentos técnicos e de mercado que me possibilitaram dar esse passo agora. Quando criança, criava meus próprios joguinhos em BASIC, então apesar de não programar mais, posso discutir detalhes técnicos com programadores.
Trabalhei como produtor de eventos e editor, então sei lidar com estrutura, planejar investimentos e gerenciar uma equipe para produzir conteúdo e arte. Acompanho o mercado de games, seja como jogador, colaborador da EGM ou do Estadão, desde a primeira edição da Ação Games, em… 1989?
Finalmente, tive essa experiência profissional de montar um estúdio para criação de jogos, e atuar como produtor e diretor de um projeto. Acho que o salto para criar um estúdio independente é apenas natural. Não acho elegante falar de dinheiro aqui.

Elegante não é. Mas ninguém trabalha só pelo prazer de trabalhar, certo? Ou a máxima não se aplica ao apaixonado mercado de games?
É claro que uma empresa existe para gerar lucro, senão eu faria jogos freeware em DarkBasic. Ok, tirando a parte do DarkBasic, não me oponho a fazer jogos freeware, e, de fato, um dos meus objetivos é eventualmente abrir o código de todos os jogos que produzir. Principalmente os que usarem engines criados aqui mesmo, como é o caso do jogo de luta. Mas o lance é que com um estúdio próprio, e independente, você ganha mais desenvoltura e abre mais possibilidades.
E, de resto, empreendedorismo é o que falta ao país.

Em quanto tempo você espera ver retorno – de qualquer tipo – após finalizar o game?
Uma outra vantagem de ser independente é que o termo tem a ver também com agilidade na tomada de decisões, operação eficiente e enxuta.Espero um retorno relativamente rápido para o investimento.

Opa, chegamos onde eu queria… qual é o investimento para um jogo deste porte? Grana, pessoal, tempo, material de escritório, computadores, cérebros?
O maior capital numa indústria em que os produtos dependem da qualidade da propriedade intelectual é o cérebro. Conhecimento e inteligência. Sem dar valor a isso, e a quem possui isso, o dinheiro e os relógios de ponto são irrelevantes.

Quantos cérebros o acompanham no projeto, além do seu?
Sete. Programador, programador assistente, artista, modelador e animador 3D, produtor musical, produtor executivo, e engenheiro. Esta é a parte da produção interna. A fabricação e distribuição vão envolver outros profissionais, é claro. Ah, e é claro, como em toda start-up, as funções são maleáveis e eu às vezes também sirvo o cafezinho.

Certo, tudo muito bom. Quando você terá algo real para mostrar além dessas imagens conceituais? Telinhas? Os instrumentos? Ou será apenas guitarras e voz? Ou uma enorme máquina com diversos instrumentos interligados?
Janeiro, no site oficial e em beta-testes fechados para a imprensa ou abertos para o público jogar e palpitar. Instrumentos: guitarra, baixo e bateria. Máquina maior que uma bola de basquete, mas menor do que três bois empilhados.

Estamos falando de bois jovens, novilhos? Ou aqueles que ficam à frente dos carros (de boi)?
Aquele boi prototípico que aparece quando você junta de volta todos os cortes, picanha, alcatra, maminha…

Vamos terminar… O que você recomenda a quem quer trabalhar nessa área e não tem conhecimento técnico, como é o seu caso?
Eu tenho conhecimento técnico!

Você me entendeu.
A menos que por isso você entenda só a programação.

Você nao é engenheiro de computação. Você tem conhecimento de jogos, produção e design.
A primeira coisa que me veio à cabeça foi um livro do Will Eisner, Quadrinhos e Arte Sequencial. Foi escrito, se não me engano, nos anos 80, e ele começa dizendo algo como “não existe uma teoria dos quadrinhos ainda”. Fiquei surpreso, porque, a essa altura, já era uma arte e uma indústria quase centenária.
Bom, o mesmo se aplica aos games, neste momento. O importante é fazer, seja como freeware, seja como jogo de web, celular. Depois disso, porque se os jogos são uma forma de arte, o mais importante neles é expressar algo, só depois disso é que vem procurar um modelo econômico que funcione, se a idéia é atuar como profissional, não “apenas” como hobbista.
Respondi a mesma pergunta para a Época, exatamente um ano atrás, e digo de novo: entrar no mercado de games no Brasil significa ser empreendedor, não se fazer de engrenagem para entrar numa máquina já em funcionamento.
Aliás, é claro: falta de conhecimentos técnicos não impede ninguém de fazer jogos. Hoje em dia existem ferramentas tão poderosas que cria-se praticamente qualquer coisa com a mesma dificuldade de se programar um site em HTML.

Daqui um ano, como você acha que estará sua empresa, o mercado, e o seu game?
Espero que o mercado de arcades volte a chamar a atenção e atraia de volta jogadores e investimentos. O game, se tudo der certo, vai ser atualizado com novas músicas e modos de jogo, uma maneira de mantê-lo importante. E com a DigiArts, espero diversificar, tanto dentro do mercado de fliperamas, com novos jogos, quanto atuando em outras plataformas.

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: ,
04/12/2007 - 03:10

Segundinha brava

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Vamos lá, que o final de semana foi quente – para alguns muito mais do que para outros (e juro que o título deste post, atrasado, nada tem a ver com esse assunto…).

Hoje, estou cheio de boatos e historinhas. Porque afinal de contas, é pra isso que você visita este site todos os dias, certo?
Já que a polêmica deu o tom dos últimos dias (vide as repercussões do caso Jeff Gerstmann X Gamespot), vamos comentar sobre assuntos mais amenos e tranqüilos do nosso bom e velho mercado brasileiro de games.

Afinal de contas, aqui no Brasil tudo funciona e dá certo, não é mesmo?

Olha a ironia falando mais alto de novo…

Falemos do que nos cabe, pois.

***

E a abertura da primeira loja Gamers em São Paulo? Bem, boatos davam como certa a inauguração amanhã, assim, de repente, sem nenhuma divulgação. Achei esquisito e resolvi investigar. O Luis Passos Paredes, o homem Gamers no Brasil, gentil como sempre, logo se prontificou a me responder:

“Eu posso te falar que a Loja é mesmo no [Shopping] Morumbi, e provavelmente esta semana teremos a abertura da loja… o “evento formal” de inauguração virá depois.”

E aí, quem ficará de plantão no Shopping para conferir? Aguardo notícias dos meus espiões. E fico esperando pelo convite deste “evento formal” que o Paredes prometeu…

***

E para quem gosta de festa, evento e badalações, veja o que me contou um amigo que circula muito bem por esse mercado:

“O senhor sabia que em fevereiro, provavelmente, teremos um grande evento aqui no Brasil, dos bons, que vai unir lan party, competição de jogos, entretenimento, música e muitas palestras? A espectativa é de 3 mil inscritos, e mais a área de acompanhamento, que deve chegar a uns 30 mil por dia…”

E isso foi (quase) tudo o que ele disse que eu posso escrever aqui. Mas não se preocupe que logo algum outro detalhe surge. Mas para os (muitos) órfãos da EGS e do Arena Gamer Experience, já parece bastante promissor.

***

Estréia de peso na internet: a editora Europa inaugurou hoje (ontem) seu primeiro e verdadeiro portal de games: o Eurogames. Já que começou hoje, não deu tempo de explorá-lo com a propriedade que merece. Faremos isso durante a semana. Gaste seu tempo por lá.

E a “família Europa” cresceu mais essa semana: o amigo Luis Siqueira, diretor editorial das revistas da editora, acabou de se tornar pai de uma menina. Parabéns para ele e toda a família.

***

Sabe a parceria Fabio Bracht e Douglas Pereira que resultou no belo blog Continue (conforme alardeado há alguns dias neste blog)? Então, acabou não durando muito mais do que uma semana após o site entrar no ar. O fim dos trabalhos da dupla em conjunto foi divulgado no próprio Continue, mas o Gamer.br resolveu ir atrás das duas partes envolvidas para entender os reais motivos da “separação”. Veja o que eles falaram:

Gamer.br: Por que a parceria durou tão pouco?
Douglas Pereira: Bom, não durou tão pouco assim, eu acho. A gente vinha fazendo uns planos há alguns meses, e aí acabou na primeira semana do “vamos ver”. Mas basicamente, acabou por diferentes pontos de vista e algumas “pendengas”. Ele não agia do jeito que eu esperava, e vice-versa.
Fábio Bracht: Na verdade durou bastante… faz pouco tempo que o Continue ganhou forma, mas as discussões já aconteciam há muito tempo. Bom… “muito tempo” é alguns meses.

Você acha que existe alguma receita para parcerias independentes como essa darem certo?
DP: Você tem que achar pessoas que tenham uma visão bem semelhante a sua. Esse negócio de “somos tão diferentes que acaba dando certo” não funciona. Todos tem que querer o mesmo objetivo, e pensar como um time, e principalmente, não se empolgar demais a ponto de querer virar “o chefe”.
FB: Acho que tem que rolar química. É que nem namoro: tu vai ter que conviver com aquela pessoa, então vocês têm que se dar bem, serem amigos. Mas não foi esse o problema que aconteceu. Foi mais um lance de falta de diálogo. Viu como é parecido com namoro?

E agora, como ficam os blogs de vocês? Quem cuida do que?
DP: O Continue segue firme e forte, só com o Bracht e possíveis colaboradores que ele vá arrumar. E vem coisa boa dele por aí, eu sei muito bem. Já eu continuo só com o Blogeek por enquanto, e sozinho, por enquanto. Mas estarei escrevendo algumas coisas em outro lugar da internet em breve também.
FB: O Continue segue normalmente, firme e forte. Não tive tanto trabalho para nada! E pelo que eu sei, o Blogeek também segue, tão firme e tão forte quanto o Continue. Opções demais nunca fizeram mal a ninguém, afinal.

E vale ressaltar que ambos fizeram questão de dizer que continuam amigos e que não há ressentimentos. Menos mal.

***

E como não poderia deixar de ser, o assunto do dia..

…não aconteceu exatamente no Brasil, mas nos afeta de algum modo (vou investigar esses dias para descobrir o quanto): e essa fusão megalomaníaca da Activision com a Blizzard, que irá gerar a maior e mais lucrativa publisher da atualidade (nas palavras deles mesmos, leia o pdf no link)?

Eu não sei. Eu tenho medo. E você?

***

E amanhã, antes do dia terminar, confira aqui aquela tão esperada revelação sobre “uma certa plataforma de jogos, até agora abandonada, que irá tremer”.

Nos vemos daqui a pouco. Aqui mesmo.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
01/12/2007 - 04:28

Sobre a ética e o sistema

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E essa história da demissão do Jeff Gerstmann?

Foi mais ou menos assim: Jeff é o diretor editorial do Gamespot, um dos portais especializados mais importantes – se não o mais importante – do mundo. Ou melhor, ele tinha este cargo. Diz a lenda no (sub)mundo da imprensa de games que o moço acabou de ser demitido por justa causa. Até aí, nada de mais, demissões acontecem em todo lugar e a todo tempo. Mas o fato que está causando tanta polêmica e gerando uma repercussão sem precedentes é o suposto motivo da tal demissão. Segundo fontes internas, ou seja, gente que trabalhava com Jeff no Gamespot, ele foi mandado embora porque malhou um game ruim. Em outras palavras, ele deu um review não muito amigável para um jogo, Kane & Lynch: Dead Men, da Eidos. Detalhe: este mesmo jogo era anunciado maciçamente, na forma de banners e rich medias, nas páginas do próprio Gamespot.

Pelo que andam dizendo, foi simples e de repente: Jeff escreveu o review e fez o video-review alfinetando o game, deu uma mediana nota 6,0 e desagradou a Eidos, a anunciante do site. Já que ele possui histórico no assunto – Gerstmann é conhecido por sua sinceridade extrema e língua afiada -, acabou tomando um pé na bunda. Seus companheiros de trabalho, indignados com a demissão, decidiram se amotinar. Sairam batendo panela, dizendo que se Jeff fosse para a rua, todos se demitiriam também (por enquanto, dizem, ninguém mais saiu). E não demorou para a história sair de dentro dos escritórios da CNET Networks e vazar pela blogosfera. Logo, o mundo já sabia que Jeff Gerstmann havia sido demitido por ter dado um review negativo para um game. A merda estava espalhada, sem nem precisar de um ventilador.

As conseqüências começaram a surgir, mesmo com Jeff se negando a comentar o assunto. Os leitores do Gamespot, indignados, se movimentaram: além da tradicional petição online em repúdio aos supostos motivos da demissão, que propõe um boicote ao Gamespot e aos games Eidos, surgiu um movimento de malhação geral de Kane & Lynch na página reservada ao jogo no Gamespot.com. É algo até engraçado de se ver (se não fosse trágico): um usuário após o outro premiando o game com a nota mínima e jurando cancelar a assinatura do portal e jamais comprar um título produzido pela Eidos. Tudo isso porque Jeff teria sido “injustamente demitido por ser sincero” – nas palavras de um desses diversos usuários.

A Eidos se negou a confirmar qualquer envolvimento na história. A CNET demorou, mas acabou dando uma declaração oficial por meio de um representante: “Nós não demitimos empregados baseado em pressão externa de anunciantes”. É óbvio que eles não irão admitir algo desse naipe, senão a credibilidade do portal, que ficou bastante machucada, iria para o ralo de vez.

Quer dizer, não acho que a massiva maioria dos visitantes do Gamespot deixará de consultar o site por conta desse fato, e por conseqüência, dificilmente o site irá para o buraco por causa disso tudo. Mas a história está só começando a se desenrolar, então é possível que a merda se espalhe ainda mais nos próximos dias. Ou não. Lembre-se que Jeff ainda não veio a público para falar a respeito de sua demissão. Talvez tudo seja um mal-entendido, ou talvez ele tenha feito algo que realmente mereceu a justa causa. Vai saber? Nós não sabemos, e por enquanto só especulamos. Antes de julgar, vale a pena esperar.

***

Engana-se quem acha que esse tipo de coisa não acontece no Brasil. Em quase dez anos de jornalismo de games, vi fatos parecidos rolarem diversas vezes. Não acho que caiba aqui citar as ocasiões em que aconteceram, já que as conseqüências nem foram assim tão graves e nem resultaram em demissão de funcionários ou falências de empresas. Mas já presenciei a pressão de produtoras pela modificação dos conteúdo de análises de jogos e, principalmente, das notas finais dos reviews; também vi uma empresa chiando que seu game, anunciado naquela publicação, havia ganho um péssimo review na página seguinte. Em todos os casos, lutamos até o fim pelo direito de nos mantermos éticos e fiéis à nossa opinião, e pelo nosso compromisso com o leitor. Se vencemos? Na maioria das vezes, sim. Mas tentamos, e jogue uma pedra quem não sofreu algo semelhante – meus companheiros de imprensa irão concordar comigo.

Este é um tema que já rendeu muita conversa pós expediente na padaria da esquina: será que a redação precisa ser notificada previamente pelo departamento comercial a respeito dos anúncios que irão entrar naquela edição? Uma coisa deveria influenciar a outra? Sejamos realistas: não deveria influenciar, mas é claro que influencia, nem que seja um pouco. E por mais que você fique chocado, indignado, não pense que achamos normal a influência do dinheiro e dos interesses das grandes corporações sobre a notícia e a opinião. Sempre ficamos revoltados, muito mais do que gostaríamos. Já briguei bastante contra o tal do sistema, vi muita coisa feia acontecer. Estou mais calejado, só isso. Esse caso do Gamespot talvez sirva de lição e exemplo para muita gente. Que ajude a mudar as coisas, só para variar um pouco.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
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