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Arquivo de agosto, 2007

31/08/2007 - 20:09

A resposta da Microsoft

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Anteontem, após a divulgação da redução do preço do Xbox 360 no Brasil (veja post anterior), entrei em contato com os representantes da Microsoft, através da assessoria de imprensa da empresa, solicitando respostas para as questões que coloquei aqui. Ao invés de responder a uma pergunta por uma, eles preferiram divulgar uma única posição oficial:


A Microsoft Brasil reduziu o preço de venda do Xbox 360 como parte de uma campanha mundial da empresa. Em países como EUA e México, o console também teve redução de preço. O fato da Microsoft ter conservado o preço de lançamento do Xbox 360 por mais tempo que qualquer outro console, enquanto mantinha sua posição de liderança, demonstra que os consumidores brasileiros enxergam o valor do Xbox 360. Com a diminuição do preço do console, a Microsoft pretende atingir novos públicos e expandir sua liderança no segmento de games, principalmente com a proximidade de lançamentos aguardados como Halo 3 e Blue Dragon.

Não disse muita coisa, mas é isso aí. Espero que, em breve, outras questões mais obscuras sejam respondidas.

***

Amanhã, o Gamer.br completa 1 ano de existência. Sim, o tempo passou rápido. E é comemorando que agradeço a sua fidelidade, as suas visitas diárias, seus comentários pertinentes, suas sugestões, críticas e participações. Espero que este seja apenas o primeiro de muitos anos de permanência no ar.

Quando aceitei o desafio de fazer um blog diário, pensei que tiraria de letra, apesar de já antecipar a dificuldade em arrumar assuntos interessantes e pertinente todos os dias. Comprovei, fazendo, que não é mole mesmo. Mas vou continuar tentando, (quase) todos os dias, manter este espaço virtual interessante. Com a sua ajuda de sempre, sei que tudo isso é bem mais fácil.

E vamos que vamos.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
29/08/2007 - 11:42

Xbox 360 mais "barato" no Brasil

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A Microsoft acabou de avisar, por um release mandado por e-mail:

Microsoft reduz preço do Xbox 360 no Brasil

A Microsoft Brasil reduz o preço do Xbox 360 para os consumidores nacionais a partir de 31 de agosto. A empresa diminuiu o valor em R$ 500 e comercializará o console por R$ 2499. O produto estará disponível nos revendedores oficiais: Americanas.com, Blockbuster, Brasoftware, CTIS, Extra (incluindo loja virtual), Fast Shop, FNAC, InfoBox, Livraria Saraiva, MM Santos, Ponto Frio, Shoptime, Submarino, UZ Games, Wal Mart e WWW.

Além disso, a Microsoft prepara para o próximo mês o lançamento de dois aguardados jogos para a plataforma: Halo 3 e Blue Dragon.

***

E agora, José? Faça as continhas: uma redução de R$ 500 equivale a US$ 250 a menos (praticamente um Wii comprado lá fora). Oito meses depois do lançamento oficial, acompanhamos a primeira queda no preço do 360 – ainda que pouco significativa, apesar de estarmos falando de 20%. Tudo é bem relativo neste caso. E eu com isso faço umas perguntas:

Você que não comprou o X360 antes por achar caro ficou um pouco mais animado? Compraria agora?

O quanto a recente desvalorização do dólar frente ao real tem a ver com essa queda de preço? Ou será que ela já estava prevista desde o início?

E será que rola mais uma redução de preços até o período do Natal?

Enquanto você responde o que acha, nós vamos atrás das respostas oficiais.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
28/08/2007 - 18:25

Bons Tempos: Games Convention (2005) – Parte 2

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A visita à Games Convention 2005 continua agora, do ponto em que o post anterior parou.

***

Realmente, é uma sensação indescritível guiar em uma Autobahn, que é como se chamam as rodovias de alta velocidade alemãs. Não há limites de velocidade na maioria dos trechos, o asfalto é livre de imperfeições, a estrada é segura e bem sinalizada e é utilizada por pessoas que, em sua maioria, dirigem bem e com cautela – mesmo em estonteantes velocidades. Definitivamente, não é o local para se brincar de Need for Speed ou Burnout. Talvez dê para emular a sensação de um Gran Turismo, no máximo, mas com toda a cautela do mundo. Quem já dirigiu a 200 km/h na vida real sabe do que estou falando, Mesmo porque, nem dava para se brincar muito com o carro que aluguei – um VW Fox honesto e resistente. Porém, incomparável com o Porsche, o Audi e a Mercedes Benz que meu dinheiro de mochileiro não poderia nem sonhar em pagar.

E não é que o Fox agüentou firme e forte chegar aos 200 km/h? Por curtos períodos de tempo, quando a quantidade de carros na pista e meu medo permitiam. Mas posso dizer feliz que já voei nas Autobahns. E assim, os 281 km que separam Bremen de Erfurt passaram rápido demais até para se curtir a lindíssima paisagem e o nascer de lua mais lindo de minha vida.

Resumindo a história, sofri para encontrar um hotel no meio da madrugada, troquei de hotel no dia seguinte, consegui chegar ao festival (totalmente enlameado e cheio de gente embebedada, porém comportada e educada) e curti os shows que eu queria ver. Valeu a pena (acho que a descrição dos shows não cabe aqui neste blog temático…). Dormi e acordei cedo no domingo, pronto para encarar uma não tão longa viagem até Leipzig e tentar pegar o finalzinho do último dia da tal GC. Umas duas horas de viagem, rumo ao nordeste do país.

A cidade fica localizada na região um dia conhecida como Alemanha Oriental e é uma das mais modernas do país, arquitetonicamente falando. Isso se dá por uma razão trágica: Leipzig foi uma das cidades alemãs mais destruídas durante a Segunda Guerra Mundial, Pouquíssimos prédios terminaram em pé após a derrocada de Hitler, e foi preciso um esforço monstro para reconstruir a cidade praticamente do zero. O que se vê hoje é bastante diferente de outras cidades alemãs mais tradicionais, sem o clima provinciano que habita os mais freqüentes estereótipos sobre o país. E no melhor estilo alemão de ser, Leipzig é certinha, arrumadinha, linda. Pelo menos foi a impressão inicial que tive quando adentrei os limites da cidade, mais ou menos ao meio dia e meia do domingo ensolarado.

Se eu disser que demorei três horas para encontrar o pavilhão da Games Convention dentro da cidade, você pensará que estou exagerando. Mas aconteceu, e posso jurar que não foi por burrice ou inexperiência com leitura de placas: as sinalizações para a Games Convention simplesmente não existiam! Na pressa, esqueci de imprimir o mapa enviado pela organização do evento (junto com a confirmação de minha entrevista com a organizadora, marcada para as 16h daquele dia). Pensei que não seria complicado encontrar o lugar sozinho na cidade, uma vez que um evento daquele porte deveria estar mobilizando toda a população e movendo multidões. Basicamente, seria só questão de seguir o fluxo.

Eu não poderia estar mais enganado. Encontrei uma Leipzig que praticamente ignorava a tal GC, Rodei por toda a região central, ao redor da estação de trem, procurando por indicações que pudessem dar uma luz sobre qual direção seguir. Nada. Em uma avenida maior, encontrei um cartaz que apontava para frente e indicava uma distancia em quilômetros, seguido de outro cartaz adiante, outro… Até desaparecerem! Percebi que deveria ter virado à direita antes quando percebi que saia de Leipzig em direção a outra cidade. Perdi a conta de quantas vezes refiz o caminho das placas, na esperança de avistar a indicação perdida. Diversas obras nas principais vias do centro tornaram a aventura ainda mais complicada, já que nem sempre eu podia seguir para a direção que eu pensava ser a correta. E isso tudo sem um único mapa de Leipzig para ajudar. Uma hora depois, eu já me sentia o maior otário da Alemanha. E o tempo correndo, e minha entrevista virando poeira,

“Games Convention, was ist das? Ich kenne es nicht!” , escutei de um homem para quem pedi informação em um posto de gasolina. Encontrei outra pessoa que realmente sabia do que estava falando e deu indicações bem claras do que eu precisaria fazer. Segui à risca, mas devo ter perdido um detalhe crucial, porque quando me dei conta, estava dirigindo em uma área estritamente residencial, proibida para veículos. A bronca absurda que recebi da mulher revoltada me fizeram compreender a gravidade de não prestar atenção a uma regra escrita em uma placa. Trazendo um pouco os games para a história, estava me sentindo como quando me perdia dirigindo pelas ruazinhas de Los Santos em GTA: San Andreas. A diferença principal – além de o fato de aquilo ser a vida real – é que eu não tinha um radar para me orientar. E em situações de stress, minha intuição simplesmente pára de funcionar. E é nessas horas que é preciso contar com a sorte e nada mais. E fui guiando, torcendo para em algum momento chegar lá, como mágica.

***

E cheguei. Demorei, mas cheguei. O local, o Leipziger Messe (uma espécie de Palácio de Convenções do Anhembi alemão), era bastante afastado do centro da cidade, de modo que me senti felizardo assim que percebi o quão difícil era encontrar um lugar daqueles sem usar um mapa. Tive sorte de encontrar – só demorei três horas, que tal?

Me identifiquei como jornalista na guarita de entrada e acabei estacionando o carro em um local completamente afastado da entrada principal. Senti que estava no lugar errado, uma vez que não havia um único sinal de que aquele era um evento de games aberto ao público. Sei lá como, entrei na área destinada à imprensa, recebi minha credencial e respirei semi-aliviado. Dez minutos – o atraso não havia sido tão condenável assim. Solicitei ao balcão que me localizasse o objeto de minha entrevista – a organizadora do Games Convention, Angela Schierholz. Fiquei esperando em uma salinha tipo “lounge”, com mesinhas, poltronas e água mineral. Tudo muito fino, limpo e arrumado – me senti mal naquela hora, com meu tênis completamente enlameado da noite anterior, soltando pedaços de barro no carpete branquinho. Procurei pensar que a camiseta amassada, a calça de barras sujas e o cabelo despenteado combinavam com o que se espera de um jornalista internacional especializado. Me sentei na poltrona confortável e esperei, rezando para ninguém me tirar dali.

Nas poltronas ao lado da minha, alguns japoneses conversavam e comiam. Prestei atenção à conversa – era realmente japonês. Prestei atenção às fisionomias. Não reconheci três deles. O quarto, esse eu já havia visto diversas vezes anteriormente. Um tal de Hideo Kojima. Sabe quem é?

Achei engraçado ver o criador de Metal Gear sentado tão próximo, se comportando tão naturalmente. Parecia usar o mesmo terno cinza e camisa branca de todas as outras E3 em que o vi. E ele deve ter percebido que eu reparei quem ele era, porque imediatamente pareceu visivelmente desconfortável. Passou a olhar para os lados enquanto falava. E isso porque nem o encarei tanto assim. Pensei em me apresentar, mas olhei para o rastro de lama que deixei pelo caminho e não me senti seguro o bastante para incomodá-lo. Registrei o momento com minha filmadora, no melhor estilo paparazzo, para o caso de alguém não acreditar. E antes que Kojima se levantasse, Angela chegou e me cumprimentou em alemão.

Era uma senhora loira de 42 anos (no máximo), de cabelos curtos, vestida elegantemente, expressão amigável, porém imponente. Pedi que a conversa rolasse em inglês, obviamente, pois não me sentia seguro em travar um diálogo mais longo em seu idioma natal. E começamos a entrevista sem perder muito tempo. Liguei o gravador, a filmadora e o meu modo “esperteza”. Ela estava de bom humor, mesmo com o stress de quatro dias de feira. Perguntei tudo o que quis – pensei no material que eu precisaria para um artigo para a revista e um para o jornal (ofereci a pauta para a Folha de São Paulo, que topou – abaixo, um trechinho do texto, publicado em 24 de agosto de 2005).

A Europa respirou jogos eletrônicos durante a última semana. Realizada na cidade de Leipzig (região leste da Alemanha), a quarta versão do evento Games Convention recebeu mais de 134 mil visitantes entre 18 e 21 de agosto, um crescimento de quase 30% em relação à edição anterior.
Neste ano, apresentaram-se 280 exibidores de 15 países (25 a mais do que no ano passado), que mostraram 189 produtos inéditos para o mercado europeu, ocupando cerca de 80 mil metros quadrados de área de exposição. Os números sagram a GC a maior feira exclusivamente dedicada ao entretenimento digital do continente.
Aberta ao público -o ingresso custava 7 por dia (por volta de R$ 20)-, a GC teve um clima festivo e familiar. “Metade dos visitantes tinha menos de 20 anos, com destaque para a faixa entre 14 e 17 anos”, disse Angela Schierholz, coordenadora do evento.
Segundo dados divulgados pela GC, o mercado de games europeu movimentou 99,7 milhões em vendas de software durante o ano fiscal de 2004. De olho nesse mercado, as principais empresas do setor mostraram o que têm (ou pretendem vir a ter) de melhor.

Fiquei satisfeito com a conversa de 20 minutos. Peguei as informações que precisava e umas boas aspas (um dia, se eu tiver tempo, coloco o vídeo da entrevista no blog. Talvez demore). Olhei para o relógio – eu tinha menos de uma hora e meia para visitar a feira propriamente dita. Me despedi de Angela com um aperto de mão, prometendo em breve enviar cópias das matérias pelo correio. É claro que jamais cumpri o dito. E tenho certeza que ela se esqueceu da entrevista dez minutos depois de ela acabar.

E acabei nem prestando atenção se o Kojima foi ou não embora. Tudo bem, ele parecia estar bem de mal humor.

***

A Games Convention 2005 era dividida em diversos pavilhões não muito distantes entre si, mas todos enormes. O esquema era diferente de uma E3 – e o fato de ser aberta ao público contribuía para aumentar as discrepâncias. A faixa-etária era baixíssima, as filas eram enormes e havia mais barulho de vozes e gritos do que de jogos propriamente ditos. Sinceramente, não me lembro se joguei alguma coisa por mais de cinco minutos. A pressa me impedia de parar e prestar atenção nos detalhes técnicos. A maioria do que estava ali, aliás, eu já havia visto na E3 daquele ano (e quem se lembra, sabe que aquela foi a melhor de todos os tempos em diversos sentidos).

No mais, achei bacana o estilo da GC, e lembro de ter pensado que um evento brasileiro teria tudo para ser daquele jeito. Mas logo caí na real que aquilo era Europa, e precisaríamos andar muito em frente para chegarmos àquele nível. Até a revista diária distribuída gratuitamente era um capricho só. E estava bem cheio, mesmo para um domingo, quase 17h. Peguei o clima de fim de feira, com mais gente indo embora que chegando. Hora de ir embora, a estrada me chamava, a distância de 310 km era grande demais para ser ignorada.

Saí do pavilhão da Leipziger Messe direto para o carro. Não cheguei a passar mais de três horas ali dentro, pensei na hora. Peguei a estrada ainda com sol brilhando. Enchi o tanque de benzin bleifrei, a gasolina sem chumbo mais barata e menos poluente. Pedi informação: “Moço, quero ir para o Norte”. “É só seguir por ali”, indicou o cara no posto. Na Alemanha não existe frentistas, mas nesse ponto da viagem eu já havia aprendido a colocar gasolina sozinho.

Liguei o PSP, improvisado como mp3 player e pendurado no espelho retrovisor, coloquei o cinto de segurança e acelerei Autobahn adentro.

No fim das contas, tinha valido a pena.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
27/08/2007 - 03:12

Bons Tempos: Games Convention (2005)

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Um fechamento um tanto sinistro e uma viagem inesperada (Goiânia, grande lugar) me impediram de acompanhar a cobertura da imprensa ao Games Convention 2007. Este ano, os jornalistas brasileiros compareceram de forma contundente (os amigos Théo do UOL Jogos, o Humberto e a Flavinha da Gamemaster/ROX, o Bruno do OuterSpace), o que é algo fantástico, se pensarmos que não faz muito tempo que qualquer evento de games que não fosse a E3 já era considerado outro planeta.

Hoje, os veículos especializados (em sua maioria) fazem questão de seguir um calendário de eventos internacionais e comparecer na maioria deles – compreendeu-se que o gasto é (quase sempre) compensador, e que o leitor brasileiro faz questão de ler informação escrita e apurada por jornalistas compatriotas. Ler as coberturas do Gamespot, IGN e 1UP é muito bacana, mas sabemos que aquilo não é escrito diretamente para a gente. Logo, vale a pena mandar um correspondente a um evento internacional de relevância. E agora, a este rol limitado de convenções obrigatórias (E3, Tokyo Game Show) foi incluida a alemã Games Convention.

E se no ano passado ela havia se tornado o evento mais importante da Europa, agora, pós “novo formato de E3”, a GC ganhou ainda mais pontos entre as produtoras de jogos. Não foram poucas as que guardaram seus principais cartuchos para a feira de Leipzig. Certos eles. Faça a conta: aberta ao público, muita moral, bastante potencial e alto astral. Quem não quer estar lá?

Vendo como está a GC hoje em dia, não dá para esconder uma certa invejinha dos meus amigos que foram para lá este ano. Com toda certeza, eles encontraram um evento completamente diferente do que aquele com que me deparei em 2005. Minha ida foi das mais improváveis, porque não foi exatamente planejada como cobertura jornalística (eu era o editor da EGM Brasil na época). É preciso lembrar que há longínquos dois anos, o evento não tinha a mesma importância para as publishers, muito menos repercutia na imprensa da maneira que acontece hoje. Dificilmente a direção da Conrad (que editava a revista) liberaria verba para a viagem – não faria o menor sentido, uma vez que a relevância era mínima. Tanto que a matéria que escrevi nem teve tanta exposição na revista – rendeu uma página dupla – ou repercussão (não me lembro de nenhum comentário a respeito do ineditismo da coisa, quer dizer, uma revista de games brasileira cobrindo um evento na Alemanha). No fim das contas, acabei nem usando a totalidade da entrevista que fiz com a principal organizadora da GC, uma senhora simpática que me recebeu no lounge vip com um excelente humor, apesar de aquela ser a penúltima hora de um evento gigantesco que se arrastava havia três dias.

Minha saga para conhecer a GC havia começado quase um mês antes. Eu estava com tudo pronto para passar as férias na Alemanha. Mas o cdf que vive dentro de mim não perdeu a oportunidade de agir. Quando planejei as férias naquele país, a intenção era fazer um curso de um mês de duração na cidade de Bremen (norte da Alemanha). Não havia interesse profissional envolvido. Quando verifiquei as datas do então obscuro evento de games alemão, percebi que bateria, se eu me esforçasse, seria possível dar uma passadinha e, quem sabe, fazer uma materiazinha. Não seria tempo jogado fora.

Aliás, este é um pecado que me acostumei a cometer nos últimos anos – trabalhar durante as férias. Sempre que planejo uma viagem, acabo checando os eventos que acontecem em meu destino durante o período que estarei por ali. Nunca se sabe o que pode encontrar, penso. E muitas vezes, dou sorte de me deparar com coisas únicas, E antes de pensar que é maluquice pensar em trabalho durante as férias, lembre-se que é um privilégio poder trabalhar com algo que se gosta genuinamente. Logo, na minha cabeça, tirar um dia para visitar uma feira de videogames não poderia ser considerado trampo, e sim, algo divertido e que valeria a pena.

Então, descobri que três de minhas bandas favoritas na época, Foo Fighters, Queens of the Stone Age e Weezer tocariam em um festival na região central da Alemanha, na beira de um lago em uma vila ao lado da pequena Erfurt. Não me preocupei em saber como iria para lá, e se alguma data importante do curso conflitaria com o dia do show: comprei o ingresso no site. Depois, verifiquei que a Games Convention aconteceria no mesmo final de semana do bendito show. Golpe de azar, ou de sorte, dependendo do referencial. Faria tudo em um único final de semana, que eu mesmo daria um jeito de tornar livre. Também nem me preocupei em verificar se a cidade de Leipzig era ou não distante de Erfurt ou de Bremen. Pensaria nisso mais tarde, quando chegasse a hora.

Com uma coisa sim, me lembrei: pedi credenciamento para o evento e comecei a arquitetar uma entrevista com a comissão organizadora da Games Convention. Se eu estava lá, que fosse para fazer as coisas direito. Alguns e-mails em alemão trocados com a assessoria de imprensa deixavam em aberta a situação. Talvez rolasse a entrevista, talvez não. O credenciamento estava confirmado. Só faltava arrumar a mala.

O curso de alemão que fiz em Bremen foi dos mais proveitosos. Tanto que pouco pensei a respeito do fatídico final de semana no qual eu teria que me virar para me deslocar para o outro lado do país para fazer jus aos meus planejamentos. Não que fosse um grande problema se virar na Alemanha: dotados de uma eficiente rede de trens e a mais moderna rede viária do mundo (formada pelas absurdas Autobahns, logo chego neste detalhe), é relativamente rápido – mas não tão barato – chegar a qualquer cidade.

Bem, pelo menos assim eu pensava. Quando fui atrás de passagens de trem Bremen-Erfurt, descobri no balcão que não havia nenhum trem que faria o percurso na data desejada. As alternativas, com baldeações em cidades vizinhas, dificultava mais do que facilitava. Comecei a pensar na trabalheira que daria trocar de trem várias vezes sem conhecer muito os locais, ainda mais que o festival de rock era localizado em uma área afastada uns 30 km da cidade. E depois, para ir a Leipzig e me virar para encontrar o pavilhão da GC andando a pé? Deu preguiça só de pensar.

Foi quando passei a cogitar a hipótese de alugar um carro. E chequei, fazendo contas de espaço percorrido/economia de tempo/gasto de dinheiro, que valeria muito mais a pena:

1. pegar um carro na sexta,
2. dirigir até Erfurt,
3. assistir aos shows no sábado,
4. ir para Leipzig no domingo,
5. pegar o último dia da GC e
6. voltar para Bremen e devolver o carro de noite.

Daria uns 1200 km rodados, não ficaria tão mais caro que viajar de trem, eu teria o conforto e a comodidade de não ter que andar a pé e, mais importante, realizaria o sonho dourado de dirigir em uma Autobahn. Fácil decidir, não?

***

E amanhã eu continuo essa história que já ficou longa demais… e nada tem a ver com games por enquanto. Não deixe de voltar.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
24/08/2007 - 15:28

Sobre a sinergia das coisas

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O mercado brasileiro se movimenta em direção à nova geração de maneira massiva, sem nem ao menos nos perguntar se é realmente isso que queremos (e você quer? Eu acho que sim).

Em um evento recente promovido pela Electronic Arts, que contou até mesmo com a presença de mulatas e drinks coloridos, a publisher anunciou seu projeto para trazer os games dos consoles de nova geração ao país. Os convidados podiam testar games em consoles Wii e Xbox 360 enquanto se embebedavam com caipirinhas servidas por uma barwoman pouco simpática (cansada das cantadas, talvez?).

Foi animado e animador em todos os sentidos. Minha fonte na EA me garantiu enfaticamente: “Vamos trazer Rock Bandcompleto em novembro, e aí você vai ver!”Atualmente, não conheço um que não esteja louco para ter um desses em casa.

Ao mesmo tempo, enquanto eu escrevo e você lê, a Synergex começa seus trabalhos no Brasil. Talvez você jamais tenha ouvido falar este nome antes, e eu nem lhe culpo, porque antes de saber da chegada deles, também ignorava sua existência. A especialidade dessa firma canadense é distribuição de jogos, ou seja, eles compram os produtos direto da matriz (as produtoras), importam, elaboram manuais e embalagens no idioma do país, reembalam tudo e vendem direto para o varejo. Qual a novidade nisso, se é algo que já vem sendo feito há um tempinho (pela NC Games, TechDealer, entre outras)?

A diferença, ao que parece, é o cacife da Synergex. A empresa já é uma das líderes em sua área de atuação na América do Norte – é a distribuidora exclusiva dos produtos Sony no Canadá e representam 17 produtoras de softwares de entretenimento, como a Namco, a Capcom, a Bandai e a Konami, entre várias outras. Para comandar a empresa no Brasil, eles chamaram o Glauco Bueno, velho conhecido do mercado – ele liderou o escritório da Atari no Brasil por uns bons anos. Para fazer a divulgação da presença da Synergex, foi convidada a mesma assessoria de imprensa dos bons tempos da Atari – quem é da velha guarda se lembra. A atuação da companhia no país só será sentida a partir de setembro, no mínimo, que é quando as primeiras remessas de produtos devem começar a chegar. O investimento na empreitada deve chegar a US$ 1 milhão até dezembro deste ano. Um depósito de 1,5 mil metros quadrados irá guardar a mercadoria trazida pela Synergex, em Barueri (SP). Todas essas informações foram publicadas em matéria do jornal Valor Econônco de 14 de agosto, escrita pelo jornalista João Luiz Rosa.

Na condição de crítico “são tomé”, que pensa que já viu tudo, imagino que a presença da empresa pouco deve modificar uma questão crucial para o consumidor hardcore e esperançoso na evolução de nosso mercado: os preços dos jogos. Não que a iniciativa não seja louvável e digna de nota, mas, na prática – e espero estar errado -, o trabalho da Synergex deve se assemelhar a um processo de importação tradicional. Ou seja, os games trazidos para cá sofrerão com a alta carga tributária da mesma forma, a não ser que a empresa canadense tenha algumas cartas na manga as quais eu desconheça. Hoje, e você sabe bem, não é assim tão difícil encontrar no Brasil qualquer título para os três consoles – Wii, 360, PS3 – pouco tempo após o lançamento, e algumas vezes por um preço até interessante. É só saber procurar. O lado ótimo da presença da Synergex é podermos perceber a atuação de uma empresa estrangeira com experiência de mercado e já com um ótimo trânsito entre as publishers que não se encontram no Brasil atualmente. O fato de eles serem os principais distribuidores Sony no Canadá pode significar que os jogos para PlayStation 3 (e o console, inclusive) sejam mais fáceis de se encontrar no varejo brasileiro – tornando mais raros fatos bizarros como o “caso PedraStation 3” (veja post anterior – que parece que é mesmo pra valer – veja comentários do post anterior).

Voltando à questão crucial aqui, o seu bolso: acho complicado que os valores dos games trazidos pela Synergex caiam muito além do que já se conhece. Os bons e velhos impostos de siglas bizarras – IPI, ICMS, PIS/Cofins, além das taxas de importação – continuarão a provocar um aumento de quase 100% em relação ao preço do game em seu mercado de origem. Fazendo continhas: se um jogo para Wii, Zelda: Twilight Princess, por exemplo, custa lá fora uns US$ 49,00 + uns 8% de impostos (varia conforme o estado norte-americano), dá para dizer que o jogo sai por R$ 115 para quem comprar lá fora. O mesmo game em uma loja especializada nas principais praças brasileiras não sai por menos de R$ 180, podendo chegar a R$ 250. E isso porque há muitas lojas que nem sofrem com todas aquelas taxas citadas anteriormente, uma vez que trazem seus jogos de modo “não-oficial” (no fundo da mala, sem declarar e pagar impostos). Mesmo assim, acabam praticando um preço relativamente elevado, já que acabam embutindo um lucrinho no valor final para o esforço compensar. Seja 50% ou 100% a mais do valor original, quem acaba pagando o pato é o pobre consumidor que insiste em comprar o produto original. Não é de se admirar que muita gente, por mais convicta que seja com seus princípios de ética e honestidade, acabe apelando para a pirataria… mas isso é outra discussão velha que já tivemos aqui mesmo neste território virtual e democrático.

Sobre a real atuação da Synergex e suas reais implicações na atual situação, só é possível especular por enquanto. Deixando o pessimismo um pouco de lado (mas só um pouco!), me resta torcer para que a entrada de mais uma empresa grande e séria em nosso mercado torne as coisas um pouco mais palpáveis e eficientes no que diz respeito à também antiga questão da redução da carga tributária brasileira, uma novela interminável com a qual todos os grandes players já se envolveram e que, pelo jeito, não terá final feliz para o público tão cedo – talvez não neste mandato presidencial, ou mesmo enquanto a nova geração de consoles continuar a ser considerada “ä nova geração”.

E aí? Vale a pena ficar animado? Eu estou. Finalmente!

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
24/08/2007 - 01:03

Dureza

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O negócio anda grave, e não é por pessimismo: é bom que esta história absurda do “PedraStation 3” seja uma brincadeira de mau gosto… e se não for (o que parece é que é sério mesmo), que seja bastante divulgada por aí.

Essa história, de tão absurda, até lembra um pouco a já clássica saga do garoto que “quebrou o Dreamcast de bobeira” – que já entrou na antologia da internet brasileira, e que pelo menos é engraçada e tem final feliz).

Eu nem deveria falar sobre isso, mas… as coisas andam um tanto agitadas no sempre agitado mercado editorial especializado brasileiro. Por motivos óbvios, não dá para adiantar ainda o que está rolando, mas eu sugiro que os leitores fiéis fiquem de olho nos expedientes das revistas dentro de um ou dois meses. Mudanças de arrepiar.

E não são só as revistas que estão em movimento. Outros veículos de mídia especializada também vivem “crises”, de uma maneira ou de outra. Até mesmo quem parecia estável anda sofrendo baques. A crise da bolsa, o sumiço dos patrocinadores, reduções nas vendas, na audiência e nos cliques… tudo é motivo, mas ninguém sabe identificar suas reais causas. E cabeças rolam. Até o simpaticíssimo John Davison, editor histórico da EGM norte-americana e cabeça do grupo de games da Ziff Davis (com o qual tive a chance de fazer algumas reuniões há uns anos), resolveu abandonar o barco… Coincidência ou sinal dos tempos?

E amanhã tem mais. Se houver um. Pessimista, eu?

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
19/08/2007 - 23:05

Meu dia de Rockstar

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É em Nova York que fica localizado o escritório principal da Rockstar Games. Eu, como muita gente (imagino que você também), possuia uma certa imagem idealizada do local. Aliás, criar uma imagem de proporções exageradas da sede de uma empresa de games consagrada é algo difícil de se evitar.

Pense na sede da Nintendo nos Estados Unidos, localizada em Redmond (Washington), por exemplo. Dá para imaginar algo pequeno, mínimo, discreto? Difícil. E realmente, quem já foi até lá sabe que o quartel-general da NOA é algo de gigantesco. Assim como o da Microsoft, localizada na mesma Redmond. Empresas de games, fabricantes de consoles, principalmente, são companhias de peso e porte – suas estruturas precisam comportar a grande quantidade de funcionários e as suntuosas quantidades de dinheiro envolvidas no processo de criação de um novo videogame.

E das produtoras de jogos, dá para se esperar o mesmo? Nem sempre. Depende do que se espera de um escritório administrativo de uma empresa que cria algo entre seis e oito games por ano e é conhecida por sua estrutura enxuta – no caso, a Rockstar Games. Eu confesso e repito que esperava bem mais da sede principal da empresa, localizada no não tão hypado NoHo (sigla para “North of Houston”), em um discretíssimo prédio de escritórios colado em uma loja da megarede BestBuy. O taxista grego e simpático (algo raro) me deixou na porta do endereço rabiscado a lápis em um papel de bloco, mas pensei ter anotado o número errado – aquele edifício parecia pequeno demais para comportar a sede de uma empresa de tanta importância.

Mas era ali mesmo, segundo me assegurou o recepcionista do prédio quando pedi para falar com Bruce Kulgan, do quarto andar. Enquanto ele interfonava para avisar de minha chegada, três tipos inconfundíveis saiam do elevador, provavelmente rumo ao restaurante mais próximo. O estereótipo típico do “jovem profissional da indústria de games” se formava diante de meus olhos: caras em torno dos 28, 29 anos, cabelos curtos, jeans, camisetas coloridas, tênis,barrigas levemente proeminentes. No caso, o detalhe revelador foi a camiseta de Grand Theft Auto IV que um deles vestia descompromissadamente. Só poderia ser este o lugar.

***

Subi pelo elevador também apertado. O escritório da Rockstar ocupava a totalidade de dois andares – o quarto e o quinto. Desci no quarto, um enorme painel iluminado com a letra R tradicional era a única decoração do hall de entrada. Do lado direito, uma pesada porta de metal separava o visitante do contato interior. O speaker ao lado da campanhia permitia a identificação: “Sou o Pablo, tenho uma reunião com o Bruce”. A voz veio abafada, e demorei a entender que era uma ordem para que eu abrisse a porta. Esperava que alguém fosse me receber, porém a voz insistiu, mais firmemente, que era eu quem deveria empurrá-la.

Como bem comparou o amigo Fabio Santana (que teve a chance de visitar o mesmo local no ano passado), o próprio recepcionista, todo descolado, já parecia em si um personagem de um game Rockstar. Sobre o balcão da recepção, adesivos com a logomarca “R” transbordavam de um um jarro enorme, mas relutei a pegá-los. A discrição espantava curiosos, que realmente se surpreenderiam ao saberem o real tamanho do lugar. Paredes de pedra e tijolo à mostra, piso de madeira, enormes janelas um corredor repleto de máquinas de arcade (cresci o olho para uma em especial, a de The Warriors, incrível) davam o acesso às mesas e bancadas onde as pessoas realmente trabalham.
A iluminação era natural, proporcionada pela luz solar que invadia o recinto pelas grandes janelas verticais, uma ao lado da outra. Do lado oposto, salas de reunião e um local misterioso no fundo do corredor, que imaginei ser onde se encontram a copa, os banheiros e talvez uma cozinha. A janela permitia enxergar o outro lado do andar, e somente ali tive a dimensão da enormidade daquele andar inteiramente ocupado – lamentei com antecedência que dificilmente meus anfitriões me levariam para conhecer cada sala e reentrância daquele escritório de sonhos.

O recepcionista me sugeriu que eu “ficasse confortável” para esperar Bruce, que já viria. Em frente ao sofá, uma mesa de centro sustentava revistas de games variadas, algumas delas com games da Rockstar em suas capas. Conveniente. O rádio estava ligado e o som percorria todo o escritório, mas não consegui prestar atenção à música. Bruce não demorou mais de dois minutos para me abordar ali mesmo com um aperto de mão e uma saudação “Oi Pablo, sou o Bruce. Como vai, tudo bem, que bom que conseguiu vir”. Como sempre, a imagem da imaginação é bastante diferente da real. Bruce é baixo, bem mais novo do que eu imaginava (tem 25 anos) e muito mais relaxado e desencanado do que os emails que trocamos revelaram. Estava acompanhado de um outro rapaz bem mais alto, da mesma idade, que acabei não descobrindo o nome até o final de minha visita, e que também me cumprimentou da mesma maneira simpática e semi-sorridente, um tanto distante, porém solícita. Tipicamente americano, se é que dá para dizer isso sem soar preconceituoso.

Liguei o modo espontaneidade no máximo e me adiantei a quebrar o gelo, agradecendo pelo tempo e dizendo que o meu era curtíssimo. Falavam 10 minutos para as 13h, e eu precisaria estar de volta ao hotel às 15h para seguir para o aeroporto. “Você quer jogar uns games ou dá tempo de você almoçar?”, perguntou Bruce. Topei. Seria melhor comer do que ficar uma hora experimentando jogos sem conversar direito.

Seguimos a pé ela Broadway rumo a um local que eu ainda ignorava. “Você come pizza?”, me perguntou o outro. Claro, quem não come? Percorremos uns seis blocos e falávamos ameninades para esquentar. Não é lá muito fácil desenvolver uma conversa com pessoas que se conhece muito pouco, em um outro idioma, em uma ocasião em que você não foi propriamente convidado, mas se convidou. Mas acho que nos saímos muito bem, e os silêncios constrangedores que normalmente ocorrem nestes momentos foram raros. O percurso até o restaurante, permeado de cruzamentos cheios de carros, contribuiu para a não-obrigatoriedade de muita conversa.

***

Chegamos ao que eles definiram como “a pizzaria mais antiga de Nova York”, e procurei acreditar prontamente. Nada no ambiente entregava que aquele era um restaurante histórico da cidade. De fato, era um lugarzinho bem fuleiro, porém honesto, com toalhas de mesa vermelhas e brancas, sofás de couro, decoração cafona no teto. Vale a nota de que as pizzarias norte-americanas em nada se parecem com as brasileiras, a começar pela qualidade das pizzas servidas. Mas não vou entrar nesses detalhes, porque gastronomia definitivamente não é o meu forte…

Durante o almoço, procurei variar os assuntos. Para que falar apenas sobre videogames, não é mesmo? E aquele não era mesmo o momento de conseguir algum furo de reportagem. Não seria nem polido começar uma entrevista ali mesmo – aliás, isso seria algo impossível, devido a esta certa particularidade especial da Rockstar: diferente da maioria das produtoras de games do mundo, a empresa comandada pelos irmãos Sam e Dan Houser estimula o coletivo em detrimento do individualismo. Trocando em miúdos, nenhum funcionário está autorizado a falar em nome da Rockstar, muito menos os seus donos, que evitam ao máximo aparecerem na mídia de maneira individualizada. Bruce comentou que certa revista norte-americana convidou Sam Houser para ser o personagem de um perfil sobre “os 40 homens mais bem sucedidos antes dos 40 anos”. Houser declinou a oferta, dizendo que ele não poderia aparecer como o personagem mais importante da firma, uma vez que os produtos de sua empresa são criações coletivas, e não individuais. Questiono um pouco se essa modéstia exagerada não tenha efeito exatamente contrário (chama ainda mais a atenção), mas o cara está mais do que no direito de manter sua privacidade intacta.

Bruce fez questão de reiterar o quanto Sam e Dan Houser são caras comuns, bacanas e desencanados. Trabalham logo no andar de cima ao dele e são simpáticos e sempre acessíveis – exceto para a imprensa. Parece difícil de acreditar, mas o espírito “vida normal” parece estar naturalmente estabelecido na cultura da companhia.

Eles me perguntaram quais games eu mais gostaria de jogar este ano – além de Rock Band (o qual ambos concordaram), citei, obviamente, GTA IV. Sobre o adiamento do game, ouvi uma desculpa (“não dá para ele ser lançado cheio de problemas só para cumprir uma data estabelecida”) e uma previsão (para “no mínimo, março do ano que vem”). Comentei sobre o provável cancelamento de Manhunt 2, e não deixei de apoiar a tão alardeada ousadia da Rockstar em sempre levar os limites aos extremos, sem se preocupar com conseqüências e represálias. Certamente pega bem pra moral da Rockstar ter sempre seu nome ligado a polêmicas, mas o prejuízo que ela amarga cada vez que é obrigada a cancelar um game ou recolher produtos das lojas não deve ser desprezado. É o (alto) preço que se paga por tentar ser ousado e diferente, suponho.

Escutei também a dupla de jovens funcionários da Rockstar reclamar do formato da nova E3, e explicar porque a feira não daria certo se rolasse em Las Vegas (“a cidade tem distrações demais, ninguém conseguiria trabalhar direito”, brincou Bruce). Ele aproveitou para se confessar exausto. Em alguns dias, ele e Hosi Simon, o chefe de Public Relations da Rockstar (o qual conheci pessoalmente na E3 2005, mas que não estava em NY naquele momento), estariam desembarcando em Leipzig para a Games Convention, onde mostrariam a versão Wii de Table Tennis. Enfim compreendi que nenhum game é realmente desenvolvido no escritório de NY – é ali que são decididas as ações de marketing e de relações públicas, onde são criadas as embalagens e manuais de instruções, onde são realizados testes e onde a empresa em si é controlada.

Estávamos bons faladores: falamos sobre TV, reality shows, música, mercado e sobre a singularidade de Nova York. A tempestade na madrugada de dois dias antes assustou os moradores da cidade (“Os trovões eram tão fortes que acordei achando que estávamos sob ataque”, comentou o amigo de Bruce). E fiquei sabendo, para minha surpresa, que o game mais jogado do escritório não é Madden ou Table Tennis, mas… Winning Eleven. Futebol na terra do futebol americano? Como pode? “Temos muitos ingleses na equipe”, explicou Bruce. Ah, tá.

Mas ambos também afirmaram não jogar tanto quanto se imagina de profissionais de uma empresa de games. “Não dá tempo de pegar um jogo como GTA e mergulhar, fazer todas as missões. Dá muito trabalho. No máximo jogo umas partidas online de vez em quando”, comentou Bruce, ao que seu amigo completou: “Só jogo quando minha namorada não está junto. Hoje, os games nem são prioridade na minha vida. Tenho a namorada, o trabalho, o game vem depois”. Naquele momento, me senti um pouco menos sozinho no mundo.

***

O tempo voou, e a pizza desceu razoavelmente bem. Ninguém quis levar os três pedaços que sobraram. Na hora da conta, Bruce se adiantou a falar “deixa comigo”. Não reclamei – nem seria educado recusar. Voltamos por um caminho alternativo até o prédio. Falamos sobre filmes. Bruce me recomendou Superbad, que estrearia somente duas semanas mais tarde. “É muito engraçado.” Também falou bem de The Bourne Ultimatum. Disse não ter visto Simpsons ainda, e me perguntou se Rocky Balboa era mesmo tão bom quanto lhe disseram. Comentei sobre o já famoso trailer sem cortes do próximo Rambo. “Você viu aquilo? É um absurdo! Se o filme for daquele jeito, será incrível”. Tive que concordar.
O caminho escolhido para o retorno era mais feio do que o da ida. O sol castigava e a pizza começava a pesar, apesar de ter comido apenas três pedaços magros. Me preocupei quando olhei para o relógio do celular.

Tinha 30 minutos, tempo suficiente para um tour pelo andar e, quem sabe, uma olhada em algum game novo. A primeira opção me parecia muito mais interessante do que a segunda, mas Bruce não fez menção de me levar para um office tour. Ao invés disso, me conduziu a uma sala ampla equipada com sofá, TV LCD e diversos consoles conectados. Basicamente, Wiis e 360s, a maioria protótipos coloridos usados para rodar versões beta dos jogos. Notei a falta de protótipos do PS3 em meio à bagunça de fios. “A Sony nos deu pouquíssimos consoles, então estão sendo usados agora pelo pessoal dos testes”, explicou Bruce. “O que os caras da Sony têm na cabeça, afinal? Parece que eles só dificultam a vida de todo mundo”, aproveitei para alfinetar. Os dois pareceram concordar.

Pendurada na porta, uma folha de papel indicava a programação da sala e apontava que ela se encontrava reservada das 10h às 15h daquela quinta-feira, justamente para o próprio Bruce. “A reserva era para você”, me avisou o amigo de Bruce, sofrendo para fazer o Wii funcionar (o modelo estava pintado como se fosse um velho Famicom, reparei). As tentativas duraram 15 minutos, mas a imagem custava a aparecer. Meu tempo livre ia para o ralo, até que, enfim, a tela inicial de Table Tennis surgiu como mágica no monitor de 42 polegadas. Para não ficar chato, topei uma partida. Me acostumei com a versão do Xbox 360, então a do Wii dificilmente seria diferente. A novidade são os movimentos do Wiimote simulando as raquetadas, tal qual no Wii Sports. Não achei tão simples e intuitivo, porém, e eles fizeram questão de me assegurar que aquela versão ainda não estava finalizada. “Prefiro Wii Sports”, pensei em silêncio. Em voz alta, me limitei a alguns “very good” sorridentes.

No fim do set, 11 a 6 para o Brasil. Venci na cagada, já que não sabia bem se o que eu fazia eram cortadas ou bolas de efeito. Não aceitei o convite para mais uma partida – meu prazo estourara e eu precisaria estar em 30 minutos no hotel. Cumprimentos e agradecimentos apressados na porta de saída. Prometi que voltaria com mais tempo, não muito em breve, mas voltaria. Saí de lá com uma sacola, contendo duas camisetas e um boné – em ambos, a logomarca “GTA IV”. Não tirei fotos: na pressa, esqueci de recolocar a bateria dentro da câmera. Para não passar em branco, tirei uma foto do painel de entrada com a câmera do celular. Para recordação. Melhor do que nada.

Desci o elevador e tomei a rua, sentido Norte de Manhattan. Foi uma visita corrida, afobada, de menos de duas horas de duração, mas havia valido a pena. Apertei o passo, já que o tempo não iria parar por minha causa.

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12/08/2007 - 23:23

Diário de Viagem

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De volta ao batente, e viva o Brasil.

A rápida passagem por Nova York foi ainda mais proveitosa do que eu imaginava, no que diz respeito a este blog especializado (especializado no que mesmo?).

Após a epopéia da compra do Wii, os dias passaram lentos e eu arrumava o que fazer entre uma missão e outra. Após a visita à redação da revista Rolling Stone norte-americana, localizada na 6a Avenida, me deram a dica de que a famosa loja Nintendo World Store se localizava ali do lado, no complexo de edifícios Rockfeller Center. Não dava para não conferir.

Perguntei para o guardinha que estava de bobeira na frente do enorme arranha-céu, que me indicou a esquina da 48th Street como o local a ser explorado. Confesso que esperava outra coisa de uma loja oficial da Nintendo nos Estados Unidos. O visual lembrava um show room de loja de móveis moderninhos: toda branca com detalhes azulados, bastante espaço entre as prateleiras, uma decoração um tanto minimalista – o estilo gráfico das campanhas do DS e do Wii serviu de óbvia inspiração. Fiz uma visita à loja da Apple um dia depois e foi impossível não comparar uma com a outra, estilisticamente falando. Não que seja algo ruim ter qualquer semelhança com algo relacionado à marca Apple – quase sempre, um sinônimo de bom gosto. É que a Nintendo sempre foi conhecida por sua comunicação visual única, marcante e criativa. Bem, talvez eu esteja exagerando… maldito preciosismo esse meu.

Não tirei fotos, mas dá para ter uma boa idéia no site oficial da loja.

De qualquer maneira, a Nintendo World Store é bacana, apesar de pouco se parecer com uma loja de videogames. No primeiro andar, um balcão oferece alguns Nintendo DS para degustação, e uma mini-arena cheia de pufes possibilita batalhas de DS entre os visitantes. No canto, umas mesas para quem quiser jogar Pokémon analogicamente falando – com trading card games, aquelas cartas no estilo Magic. E mais pufes e sofás, para quem se cansar de olhar prateleiras. Na trilha sonora, uma versão do tema de Super Mario Bros. se repetia à exaustão e se confundia aos ruídos dos consoles ligados e das vozes das crianças que corriam por ali.

No segundo andar, mais pufes, caixas de games de Wii, DS, GBA e GameCube nas prateleiras, uma vitrine com antigos modelos de Game&Watch, Game Boys e até um DS autografado pelo Miyamoto. Por toda parte, Wiis ligados a telas grudadas na parede, sempre com pessoas testando e sacudindo Wiimotes sem muito critério. Não havia nenhum monitor dando explicação, e os outros funcionários que haviam ali não pareciam muito animados ou sorridentes, vestidos em suas camisetas azuis sem-graça (que saudades daquele vermelho e branco tradicional…). O único monitor que vi longe do balcão alertava um grupo de três crianças que eles “não poderiam ficar sentados ali no chão”. Cadê o tão alardeado espírito do entretenimento?

Não tive vontade de comprar nada. Os chaveirinhos e bonequinhos eram caros demais, e as camisetas não traziam as mensagens mais criativas do mundo (aqueles brindes e camisetas temáticas vendidas na Hot Topic fizeram falta por ali). Dez minutos depois, dei por concluída minha visita. Minha experiência como cliente/consumidor não foi das mais interessantes – achei que a Nintendo World Store deixou um tanto a desejar, baseado no que eu esperava de uma loja temática e exclusiva da fabricante mais criativa do mercado mundial. Não havia nada ali que me atraísse muito a ponto de gastar em dólar – claro, havia o Wii (que ainda não tenho), os vários games, o DS. Mas esses todos, eu poderia comprar em qualquer outro lugar não muito longe daí.

Acabou a magia? Nada disso. É só esse lance de “consumo sofisticado” que me soa chato além da conta.

***

Daí, mudando de assunto…

No outro dia, eu estava almoçando na churrascaria Porcão, lá mesmo em NY, junto com os organizadores do festival de cinema brasileiro que fui cobrir lá, além de uns jornalistas, diretores, atrizes e atores convidados pelo evento. E havia esse cara na mesa, sentado bem na minha frente (e que não me era estranho), falando sobre as peças e musicais que havia estrelado recentemente. Depois de uma hora batendo papo, comentando as diferenças da vida em São Paulo e no Rio de Janeiro e outras amenidades, acabei comentando que, antes de trabalhar na Rolling Stone, passei anos escrevendo sobre games em revistas especializadas.

Ele: Pô, cara. Você me diz que trabalhou anos com videogames e não está me reconhecendo?

Eu: Ué, como assim?

Ele: Eu apresentei durante cinco anos aquele programa Stargame, do canal Multishow. Foi o primeiro programa sobre games da televisão brasileira.

Eu: Putz, é mesmo. Eu sabia que tinha te reconhecido de algum lugar…

Bem, na verdade, eu não sabia mesmo quem era o cara, mas sabia de qual programa ele estava falando, apesar de jamais ter assistido a um único episódio. O sujeito em questão era o carioca Cristiano Gualda. Hoje, ele é um bem sucedido ator de musicais e filmes (ele está no belo Noel, sobre a vida de Noel Rosa), mas de 1995 a 2000 era bastante conhecido como o âncora do Stargame, programa a que pouca gente assistiu, mas que deixou muitos fãs saudosos. Meus amigos do blog Hadouken até publicaram uma entrevista bacana com ele feita há uns poucos anos.

Se fosse você no meu lugar, provavelmente teria reconhecido o Gualda na hora. Mas tudo bem, prometi a ele que essa gafe eu não cometo mais.

***

E depois, ainda essa semana, eu conto sobre a visita aos escritórios da Rockstar Games, no último dia de NY. Sobre o que joguei lá. E sobre a pizza que eles gentilmente fizeram questão de me pagar…

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
06/08/2007 - 12:05

NYC

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Live from New York.

Viagem de trabalho para a Grande Maçã. Muitas luzes, sono perdido e correria. Mas vale a pena. A cidade respira cultura e consumo. Aliás, como é difícil não querer gastar todo dinheiro do mundo por aqui. Só ali na Times Square já tem lojas para passar o dia todo e deixar tudo por lá. Ali, definitivamente não daria certo fazer valer a lei da cidade limpa que rola atualmente em São Paulo…

Como sou moderado, fui direto ao foco principal de meu consumo: o já famigerado Nintendo Wii. Quem acompanhou minhas andanças passadas por este país lembra de minha dificuldade em conseguir o videogame. Desta vez, passei pela mesma coisa. Pelo menos no começo.

Na primeira loja, a Best Buy da Quinta Avenida, o vendedor me disse que não tinha o Wii em estoque fazia tempo: “Acabou tudo, não tem previsão de chegar mais”. Beleza, então. A procura pelo PSP também parecia grande. “Está em falta também.” Ok, vamos à próxima. Fui ao Radio Shack e ao Office Depot, especializadas em produtos eletrônicos: não achei. Tentei a Virgin Megastore, e nada. Minha última esperança era a Toys R Us de Times Square, provavelmente a maior loja de brinquedos em que já entrei na vida. No painel de entrada, do lado de fora, um gigantesco cartaz promove a nova versão de Madden para Xbox 360 e PS3.

E ali, no andar subsolo, na área reservada aos games, pilhas e mais pilhas de caixas de Wii empilhadas. Para minha supresa, não estavam vazias. Possivelmente, todos os Wii disponíveis nos EUA se encontravam ali naquela loja. E toda a fila nos caixas era formada de gente pagando seus Wiis, com acessórios, games e todo o resto. Sem exagero. Dava até dó das áreas destinadas ao Xbox 360 e ao PS3 – pareciam abandonadas. Deu uma sensação de deja vu esquisita – de um momento que não vivi, mas ouvi falar: quando a Nintendo lançou o NES 8 bits nos EUA e as pessoas disputavam a tapa nas lojas pela chance de levar um pra casa. A cena que vi era digna de nota – as pessoas entravam na loja, e, decididas, pegavam um videogame na montanha de caixas e se dirigiam ao caixa. Tipo supermercado. E eu fiz mais ou menos a mesma coisa. Não poderia desperdiçar a chance.

Mas desta vez, não estou levando pra mim. É um presente de casamento para um amigo sortudo. E é claro que a noiva dele está dando a maior força – e pensando na alegria do casal, comprei um Wiimote extra…

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Mais notícias do front, mais tarde, aqui mesmo, se NY permitir.

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