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Arquivo de abril, 2007

26/04/2007 - 04:33

Cansei de procurar

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Este blog entrou em recesso porque tive que viajar. Neste instante, clico de San Francisco, um dia antes de pegar a rota 101 a caminho de Palm Springs, sul da Califórnia. Ali perto, na pequena Indio, será realizado o festival Coachella, que rola de sexta a domingo e traz mais de 130 atrações, entre elas o Red Hot Chili Peppers, Arcade Fire, Arctic Monkeys, Björk e as voltas de Jesus and Mary Chain, Happy Mondays e o Rage Against the Machine.

Trabalheira danada, chegar até a região do festival, a uns 700km daqui, e dar conta de ver a maior parte dos shows, entrevistar algumas bandas e escrever impressões, fotografar tudo e preparar a matéria que deve sair logo mais (não aqui, mas em outro veículo mais propício). Por conta disto, a atualização deste blog deve passar por dificuldades nos próximos dias. Nada que você não agüente esperar…

É claro que, um dia antes de cair na estrada, eu não poderia perder a chance de incrementar meu gosto pessoal por games (ou pensa que sou gamer só no âmbito profissional?). Procurar um Wii por aqui continua tarefa ingrata – as prateleiras de grandes lojas parecem ainda mais abandonadas do que há quatro semanas. Meu novo foco passou a ser a fabulosa guitarrinha-joystick de Guitar Hero 2 para Xbox 360, que foi lançada por aqui no começo de abril.

Quem disse que encontrei? Tudo esgotado, assim como o Wii. Ainda se encontra Xbox 360, e até PlayStation 3, sem muito esforço. Mas o novo hit do 360, imagine que não acabou rapidinho. Me faz pensar que a fabricante gere essa falta de propósito, só para aumentar o hype e a procura nas lojas. Quanto mais objeto de desejo, mais o produto é falado entre os consumidores – deve ser essa a lógica usada para se suprir as lojas com tamanha deficiência. Ou eu sou azarado demais e só tento comprar games na cidade mais consumista da costa oeste…

Resumindo, desisti de comprar ou procurar games enquanto estiver por aqui. Da próxima vez, encomendo antes e mando entregar. Ou peço emprestado para os bons amigos, que dá menos trabalho…

***

Nem sei se podia divulgar ou se já foi divulgado, mas lá vai. Ao que parece, o Troféu Gameworld terá sua entrega de prêmios na próxima semana, mais conhecido como primeira quinzena de maio (dia 9, provavelmente). Será em um novo clube/balada da zona oeste de São Paulo, com entrada gratuita para quem quiser aparecer. Mais detalhes serão divulgados em breve. Eu estarei lá, porque já até fui avisado. Alguém mais?

***

Amanhã, on the road. Se rolar alguma novidade no meio do caminho, prometo que aviso por aqui.

Me aguarde.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
23/04/2007 - 20:58

Entrevista da Semana: Jorge Filho (Kaizen)

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Todo mundo só sabe falar de Second Life: a grande imprensa o descobriu e o elegeu “a nova mania da internet”; As grandes empresas resolveram investir pesado, comprando ilhas e vendendo seus peixes dentro do mundo virtual; E até os jogadores hardcore, que dificilmente se deixam levar pelas febres populares, estão dando o braço a torcer e aderindo à brincadeira. E hoje, oficialmente, a versão nacional do “jogo” começa a rolar por aqui. Para tentar compreender um pouco mais deste fenômeno, o Gamer.br conversou com Jorge Filho, country manager da Kaizen Games, empresa responsável pelo lançamento de Second Life no Brasil. Jorge, que tem sete anos de mercado e passagens por outras empresas de games como Devworks e Legacy Interactive, respondeu às perguntas rapidamente, por e-mail, e falou bem menos do que eu esperava. Mas as respostas são objetivas e dão o recado. Confira, e não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: Você já trabalhou em uma empresa de jogos para celular. Agora, está em uma empresa cuja especialidade são os MMOGs. Qual é o segmento mais interessante para se trabalhar?
Jorge Filho: Os MMOGs. Eles são fascinantes, com milhares de jogadores simultâneos, e são muito mais complexos e motivadores.

De uma hora para outra, Second Life se tornou um queridinho não apenas da mídia, como também das empresas de fora do ambiente gamer. Por que esse sucesso repentino? Seria uma tentativa desesperada dessas empresas e da mídia em tomar parte de uma nova ferramenta da chamada “revolução digital”?
Não, é decorrência da amplitude do Second Life, o que na maioria dos casos gera uma diversidade próxima da vida real, com um toque de “Mundo Ideal”.

Empresas criam suas ilhas dentro de Second Life. Bandas fazem shows e promovem discos. O que mais poderá ser feito no futuro com uma ferramenta como essa?  A Linden Lab fica pensando nesse tipo de coisa o tempo todo, ou está por enquanto deixando a coisa “funcionar sozinha”?
A Linden concebeu o Second Life para que ele seja resultado das ações e criações de seus residentes, portanto, ele caminha por si só.

Mas Second Life pode ser considerado um jogo? Se não, então por que é tratado como tal?
O Second Life é um Metaverse (ou seja, um mundo virtual, uma realidade paralela), e como tal não tem quests e limitações de ambiente que são as principais características de um jogo.

Você acha que Second Life foi pensado e visa atrair a atenção de jogadores convencionais de videogame, ou é direcionado a outro público?
É direcionado para todos os públicos, inclusive o de gamers convencionais.

O quanto um produto como Second Life prejudica (ou ajuda) o crescimento do mercado de videogames convencionais, seja consoles, seja PC?
Acho que mostra aos não gamers um pouco do “ambiente in game”, portanto pode torná-los gamers também, por que não?

Second Life e outros MMOGs como World of Warcraft exigem uma dedicação mais profunda do jogador. Muito se discute que jogos com estas características não prejudicam o mercado, porque fazem o consumidor passar tempo demais em um único jogo, sem comprar e consumir outros títulos. Você concorda?
Acredito que em relação ao Second Life isso não se aplica justamente por ele essencialmente não possuir um publico gamer.

No Brasil, os MMORPGs para PC fazem bastante sucesso. Você acha que isso indica que o mercado brasileiro é mais parecido com o coreano do que com o norte-americano, por exemplo?
É complicado afirmar isso, acho que o mercado brasileiro nem é como o coreano e muito menos como o americano, alias, acho que ele ainda não tem uma cara definida. E quando tiver, será uma cara própria, um “mix” dos dois, aparentemente com os “olhos mais puxados”.

Os games online formam um mercado completamente distinto do mercado de consoles. Você acha que haverá espaço para ambos ao mesmo tempo daqui uns 10 anos, mais ou menos?
Os consoles também caminham para o online. Em dez anos, consoles, PCs… tudo será online.

Como as empresas que lançam games online lidam com a questão da pirataria? Por acaso este é um problema que não atinge vocês diretamente?
No nosso caso, os problemas são mínimos e quase não afetam nossa receita.

Pelo que você acompanha do mercado brasileiro de games, estamos indo bem, estamos lentos ou estamos aquém do que poderíamos?
Nos MMOGs e no mercado de Mobile, vai muito bem. Aliás, mais rápido do que o esperado. Nos outros segmentos, como antes, está devagar.

O que você ainda não viu acontecer no mercado brasileiro e gostaria muito de ver?
Um mercado de consoles e PC sem pirataria.

Você testou os três novos consoles de última geração (Wii, Xbox 360, PS3)? Se sim, qual você acha que ganhará a guerra?
Testei o Wii e o PS3, mas o Wii já venceu.

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , ,
20/04/2007 - 21:57

Tédio

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É. Conforme alguns disseram, Cho Seung Hui, o assassino de Virgínia deu lá seus tirinhos em Counter-Strike em algum momento de sua vidinha.
Por outro lado, a busca em seu quarto não revelou nenhuma mínima referência a jogos, videogames ou qualquer material do gênero. Nem a games, nem a cinema, literatura de ficção, música, drogas, sexo ou derivados.

Cho Seung Hui andava bastante entediado, isso é fato.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
18/04/2007 - 22:42

Entrevista da Semana: Orkut Buyukkokten (Google.com)

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Esta semana, uma mini-entrevista. Há poucos dias, tive a chance de me encontrar em pessoa com Orkut Buyukkokten, o homem que criou e deu o nome ao Orkut, o site de relacionamento online mais popular do país. Em visita ao Brasil para conceder palestras motivacionais, ele aproveitou para conhecer a cultura brasileira, dançar em baladas e conversar com alguns veículos de imprensa. Durante os vinte minutos de papo, no escritório do Google, em São Paulo, descobri que o Orkut (o cara, não o site) é turco, tem 28 anos, fala inglês com sotaque alemão, tem um péssimo gosto para camisas estampadas e não curte muito falar sobre si mesmo. E acredite, em meio à vida de popstar geek que deve levar, ele arruma tempo para jogar videogame.
Separei a seguir o trecho em que falamos exclusivamente sobre este assunto. Se tudo der certo (não prometo), a íntegra da entrevista sai na edição de maio da Rolling Stone. E não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: Você não joga videogames, joga?
Orkut Bukkoyeten: Eu tento jogar videogames quando tenho tempo. Recentemente eu comprei um PS3 e gosto de games de tiro em primeira pessoa e os de estratégia. Atualmente, estou jogando bastante aquele Resistence: Fall of Men.

Você acha que certos games, ou melhor, produtos que muitos acham que não podem ser considerados games, como Second Life, são formas de upgrade da proposta inicial do Orkut?
Eu acho que se trata de diferentes conceitos. Existem muitos outros jogos que cumprem esse papel que você falou melhor que Second Life. Final Fantasy Online, Everquest, World of Warcraft… Em todos esses MMORPGs, você controla um personagem de verdade que é autêntico, mas que não é necessariamente alguém que você queira ser. Esse personagem é obrigado a seguir uma história, tal qual um roteiro de filme. E quando você joga, você tem o que chamamos de “uma experiência de jogo”. Se você observar o conceito das redes de relacionamento online, verá que o negócio ali é diferente: as pessoas têm nomes de verdade, fotos de verdade, conexões de verdade. As redes de relacionamento servem para conectar as pessoas não apenas através da internet, mas também no mundo offline. As pessoas se conhecem e se comunicam no Orkut, para depois se reencontrarem no mundo real.

Mas não é sempre que isso acontece. Pelo menos no Brasil, muita gente usa pseudônimos e avatares falsos para fingirem que são outras pessoas. Isso não seria também uma forma de jogo?
Eu concordo com você, isso acontece bastante. É por isso que temos ferramentas para que os usuários possam denunciar aqueles que estiverem usando profiles falsos.

E se você pudesse denunciar uma pessoa e expulsá-la do mundo, tal qual acontece no Orkut, quem seria?
Na verdade, eu tenho uma historia engraçada sobre isso. Um dia, alguém denunciou um certo “Bill Gates” que fazia parte da comunidade da Microsoft no Orkut. Nós achamos que aquele profile era falso e o expulsamos. Depois, fomos descobrir que aquele era realmente “o” Bill Gates. Enviamos um pedido de desculpas para ele logo em seguida. Agora, quando há casos especiais como esse, nós sempre entramos em contato com a pessoa para saber se determinado perfil é falso ou não.

***

Semana que vem, começo uma promoção aqui no Gamer.br. Sim, prêmios de graça para os leitores que mostrarem engajamento e participação. Eu sabia que meu dia de Silvio Santos um dia iria chegar…

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags:
16/04/2007 - 20:11

Tiros em Virgínia

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Talvez não seja uma boa hora para se pensar nisso, mas é bom nos prepararmos para a velha ladainha:

Quanto tempo deve demorar até “descobrirem” que o fulano que matou 32 (até a publicação deste post) e se suicidou em uma universidade norte-americana era um fã ardoroso de games, principalmente aqueles de tiro em primeira pessoa bem violentos?

É provável que o advogado anti-game Jack Thompson e outros políticos reacionários estejam pulando de alegria. Devem achar que o crime foi alguma reação ao novo trailer de Grand Theft Auto 4 que estreou na semana retrasada… Nada foi divulgado até agora, mas não deve demorar a surgir alguma coisa.

Irônico seria se descobrirem que o assassino era colecionador de selos, fã de xadrez, jardinagem, Britney Spears, desenhos da Pixar, Friends e O.C..

É claro que isso não serviria para redimir os videogames, o heavy metal, o rap, os seriados policiais, os filmes de terror… mas nos forneceria mais argumentos contra a velha e chata patrulha ideológica de sempre.

Ou não.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
13/04/2007 - 20:25

Empty Fuel

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Sabe uma semana daquelas? Então, foi esta. Aconteceu tanta coisa que nem cabe em algumas linhas deste blog. Só sei que fui para lá e para cá. Recebi uns games que mal tive tempo de jogar. E estou tentando me planejar para uma viagem bem próxima. Rolaram entrevistas legais também, só que só vou publicar na semana que vem (afinal, todos meus amigos resolveram se casar neste final de semana…)

Vocês entendem.

Mas para dizer que eu não me importo… um vídeo sensacional que só o mundo dos games pode proporcionar: Gene Simmons do Kiss tocando Guitar Hero 2. Ou não.

E bom final de semana.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
11/04/2007 - 21:11

Corrigindo

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Corrigindo (porque tomei bronca da assessoria): a versão brasileira Second Life só estréia na semana do dia 23 de abril. Ou seja, falta um tempinho ainda.

Hoje eu vou embora correndo. Mas amanhã, boas novidades.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
09/04/2007 - 19:52

Segunda vidinha

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E aí, você já começou sua “segunda vida”? A loucura oficialmente está rolando no Brasil.

Sendo sincero, eu prefiro não mergulhar nessa (não tenho tempo nem mesmo para a primeira vida). Mas conheço muita gente que já entrou de cabeça. Eu não apostaria em um sucesso online como Ragnarök, ou mesmo World of Warcraft. Second Life poderia, mas não vai virar um novo Orkut por aqui. Afinal, não é game, nem comunidade online. É uma mistura de ambos. Ou não.

Mas eu posso estar errado.

E você, o que acha?

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
04/04/2007 - 19:15

Entrevista da Semana: Nelson Alves Jr. (Revista Xbox 360)

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A coluna semanal menos semanal da internet está de volta. A Entrevista da Semana da vez é com o Nelson Alves Jr., editor da Xbox 360 – Revista Oficial do Xbox no Brasil (Editora Europa) e jornalista com experiência em diversos veículos especializados (Ação Games foi onde tudo começou) e não-especializados (Playboy, VIP, Superinteressante, entre outros). Conhecido pelas opiniões sempre contundentes e pela freqüente atuação como fotógrafo (é dele a maioria das fotos da seção “Gata do Game” da Dicas e Truques para PlayStation, o Nelson tirou o dia para bater um papo com o Gamer.br, sem esconder nada ou economizar palavras. Confira a entrevista, e não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: Você trabalha há muitos anos no mercado editorial de games. Resuma o que aconteceu de lá para cá nesse sentido. Se evoluímos, quanto foi?
Nelson Alves Jr.: Em primeiro lugar, não são tantos anos assim, pô. Mas enfim. O mercado evoluiu muito. Antes as revistas não tinham jornalistas, mas “pilotos” (seja lá o que isso queira dizer). Hoje a imprensa brasileira de games se equipara a de grandes potências. Isso me orgulha. Temos um canal de TV especializado no assunto, temos grandes marcas licenciadas na mídia impressa, sites de notícias que não devem em nada aos grandes portais gringos. Participamos ativamente de eventos internacionais, temos contatos diretos com as produtoras. Quer dizer, há 15 anos nada disso existia. O amadorismo predominava e as coisas eram feitas meio que artesanalmente. Hoje em dia o esquema é totalmente outro. É tudo muito profissional e as empresas começaram a perceber isso, o que melhora demais a qualidade do nosso trabalho.

Sua entrada no mercado jornalístico é um exemplo pra muita gente: você era leitor, foi atrás e conseguiu seu espaço. Como foi isso? Você recomendaria isso a leitores que gostariam de trabalhar em revistas?
Era leitor, mas fui estudar jornalismo justamente porque queria seguir a carreira. Sou adepto do “quem quer, consegue”, sabe? Desde moleque eu comprava revista de games. Colecionei a Videogames, que foi a primeira do gênero no Brasil e coloquei na cabeça que queria fazer o mesmo. Fiz trabalho na faculdade sobre a história da Ação Games, de quando ela começou como adendo da São Paulo em Ação.
Logo, é claro que eu recomendo aos leitores que querem trabalhar na mídia que tentem. Só que aconselho, sempre, a não pensar que se trata de um passatempo feito por desocupados. Precisa estudar, precisa se manter informado e ter senso crítico. Obviamente que os que tiverem isso e derem a cara a tapa conseguirão entrar no ramo.

Você agora edita uma revista nova no mercado, contrariando as expectativas de quem diz que o mercado de revistas está morrendo. Como o mercado editorial “de papel” pode superar a concorrência quase desleal com a internet? As revistas vão acabar, afinal?
Revista nenhum concorre com a internet, isso é baboseira. São mídias distintas que se completam. Eu escuto esse papo de que as revistas iriam terminar por causa da internet. Assim como o cinema morreria por causa do videocassete. Pura baboseira. A internet é um meio admirável de jornalismo, rápido e sempre atualizado, mas que raramente consegue trazer a profundidade de uma reportagem impressa. As revistas, de games ou de qualquer outro assunto, têm muito a oferecer ainda. O mercado, diferentemente do que dizem, não está moribundo. Pelo contrário, tem espaço para crescer muito ainda. O serviço oferecido pela mídia impressa é melhor trabalhado do que na internet, tem mais profundidade, a pessoa pode ler como e quando quiser.

Você já trabalhou em revistas multiplataforma, colaborou com oficiais, agora edita uma oficial. Onde se identificou mais? Por que?
Sinceridade, curti todas. Cada função tem uma sutileza. Ser repórter te permite conhecer muita gente, ter contato com assuntos em primeira mão, ganhar confiança e credibilidade para ter acesso a pautas que outros repórteres não têm. Quando você lida com uma revista multiplataforma, por exemplo, tem que ficar de antena em pé para sacar tudo sobre todas as empresas possíveis. Numa especializada, como a Oficial do Xbox, meu foco fica mais voltado para o Xbox, obviamente. E trabalhar como editor é completamente diferente de ser repórter. A visão da revista precisa ser mais ampla, o contato com os leitores é mais direto e constante, preciso sacar rápido o que eles querem e não querem. E outra, ainda tô pegando o jeito da função, não tenho problema em admitir isso. Se não bastasse, ainda tem a fotografia, que não largo de jeito nenhum. Fica complicado dizer com qual me identifico mais. Gosto de todas as funções. Num dia mais de uma, noutro dia mais de outra. Mas não conseguiria escolher uma só.

Como é lidar com a matriz (a revista oficial gringa) e a fabricante (Microsoft) nas negociações? Quanta dose de psicologia e paciência precisam ser incluídas nas suas atitudes profissionais no dia a dia?
Cara, tanto a Future quanto a Microsoft são excelentes no trato profissional. Há um respeito impressionante de ambas as partes com relação a mim e a Flavinha (Gasi, que edita a revista comigo) quanto a editora. Obviamente que há os “poréns”, como certas datas que precisam ser respeitadas antes de falarmos de um assunto, como no caso de Halo 3. De forma geral, porém, as duas empresas têm feito o possível para que tenhamos acesso a materiais inéditos, nunca nos colocaram restrição a nenhum assunto e ainda fazem o meio de campo com outras produtores. Exemplo disso nas análises de Winning Eleven 2007 e Guitar Hero 2, que conseguimos com um mês antes do lançamento.
Sem falar que têm feito o possível para incluir a equipe brasileira nos eventos mais importantes. Há um, inclusive, muito em breve, que a revista inglesa terá a companhia da brasileira. E segundo a própria Future, trata-se de algo inédito em relação a todos os 10 países que têm a OXM.

Você acha que existe hoje no Brasil uma chamada “classe jornalística de games”? Ou o que há são profissionais isolados e ainda um certo amadorismo no trato da notícia?
Não tem classe jornalística nenhuma aqui. Falta muito, mas muito mesmo, para que os profissionais da área parem de se tratar como se fossem inimigos. É uma babaquice sem fim, um ego imenso, um peito estufado e um nariz empinado que são raras as exceções que não entram nessa classificação. Eu nunca entendi a razão disso, mas enfim. O exemplo-mor disso foi aquela pataquada feita por dois boçais com as revistas da Editora Europa durante uma feira de games. Aliás, dois boçais que você já entrevistou. O que anima é saber que aquele tipo de gente está sumindo do mercado. Então, quero crer que em alguns anos o respeito passe a fazer parte da concorrência sadia. De minha parte, já faz.
E quanto ao trato “amador da notícia”, depende do profissional. Eu não tenho nenhum problema, por exemplo, em dizer se um jogo é ruim só porque eu cuido da Revista Oficial. Se for ruim, eu digo e assino. O interesse maior é com meu leitor, sempre.

Bom que você tocou no assunto “ser ou não ser parcial”. A imprensa de games nacional é “chapa-branca”? Como é ao mesmo conviver com integridade jornalística e interesses comerciais de uma editora e um anunciante, por exemplo?
Posso dizer por mim: chapa-branca jamais. Prefiro rasgar meu diploma e passar a vender pipoca no cinema a deixar de dizer algo porque um anunciante pode cortar a revista da lista. Pode soar como romantismo barato, mas é o que eu acredito e é assim que eu trabalho. Não posso responder pela mídia inteira, obviamente.

Pergunto isso pra todo mundo, mas lá vai: no Brasil, a pirataria é o problema ou a solução?
Pirataria não é solução de nada. O problema do Brasil é o Brasil, só. Enquanto isso aqui for a “República Federativa do Estelionato Fiscal”, a pirataria vai continua a existir em todos os níveis possíveis e imagináveis. Até remédio falso existe no País. As pessoas pagam impostos e recebem uma grande banana em troca. Quando isso terminar, quando os investimentos forem aplicados de maneira correta, por certo a pirataria vai diminuir, porque deixar de existir é pensar de forma utópica.

Você enxerga alguma solução óbvia para a questão “preços altos demais, empresas fora do país, pirataria e contrabando em excesso” que assola o país?
Enxergo: que a carga tributária diminua a níveis aceitáveis. A Folha publicou há pouco tempo uma pesquisa que mostra quão patético é o Brasil. A gente trabalha em média 5 meses para bancar todos os impostos que nos são cobrados. Sinceramente, você consegue me dizer quais os impostos que você paga? Eu não. Não culpo ninguém que importe um produto para escapar disso. Não defendo a sonegação, mas não culpo as pessoas por sentirem revolta tampouco. As empresas não têm alternativa viável para virem para cá. O que a Microsoft fez foi um ato heróico, na boa. O governo prefere não arrecadar um centavo, já que as empresas como Sony e Nintendo preferem se manter longe, do que manter as taxas menores e conseguir arrecadar algo, por menor que seja. Me parece uma matemática estúpida.

O que você ainda não viu acontecer no mercado brasileiro de games e gostaria de ver?
Eu acredito que seria bacana se alguém criasse uma rádio gamer. Sério. Ainda não vi (no caso ouvi) isso. Imagina, sintonizar na FM?

E na imprensa de games, o que falta para melhorar mais?
Posso estar enganado, mas falta que os jornalista de games sejam vistos como isso, jornalista de games. Não desocupados ou gente que “joga o dia todo”. A grande imprensa ainda nos olha de cima, sabe? As barreiras estão caindo aos poucos. Você na Rolling Stone, apesar de não lidar unicamente com jogos, é da área e hoje fala com um público diferente. Vez ou outra a Época publica algo do assunto. Enfim, quando perceberem que o que se pratica é jornalismo sério, teremos mais facilidade de atuar.

Você jogou os três consoles de nova geração. Até agora, qual merece o investimento do jogador? Você jogou os três consoles de nova geração. Até agora, qual merece o investimento do jogador?
Vou dar um desconto por ser o editor da Revista Oficial do Xbox, mas o X360 hoje é o melhor investimento. Tem a maior biblioteca de jogos, muitos deles AAA, o custo benefício é ótimo, tem a melhor rede online e o suporte das produtoras tende a crescer.

Qual irá vencer a tal da guerra dos consoles?
Do que se vê hoje, deve ficar entre X360 e Wii, na opinião de quem não prevê o futuro.

E se pudesse prever o futuro, o que você gostaria de enxergar em relação aos videogames?
Que fossem tratados como cultura, da mesma forma que o cinema, a música, a literatura, a fotografia…

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , ,
03/04/2007 - 20:16

Mais uma?

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Não venho com nenhuma novidade em relação ao tema que citei aqui ontem. Mas nessas andanças e papos diários, descobri algo bem interessante…

… tem nova revista de games chegando nas bancas brasileiras!

Não tão cedo, mas está chegando. Tem gente que vai ficar feliz. Há quem fique preocupado. E deve ter muitos que ficaram curiosos a partir de agora. Garanto, fonte tão quente que sai vapor.

Convido você a especular comigo: revista sobre o que, feita por quem, quando sai, e quem será o editor?

Quem acertar leva o primeiro exemplar autografado (não esqueça de me cobrar quando rolar, porque com certeza eu vou esquecer).

E quem foi que disse que o mercado editorial brasileiro está em baixa, mesmo?

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
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