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Arquivo de janeiro, 2007

30/01/2007 - 23:55

Notícias do Dia

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Quando iniciei o trabalho neste blog, há exatos cinco meses, pensei que dificilmente teria problemas para atualizá-lo todo dia. Assunto nunca vai faltar, imaginava. De certa forma, é isso mesmo. O mercado de jogos é hoje tão amplo e desenvolvido que dificilmente algo de relevante deixa de acontecer, seja aqui, mercado emergente, seja lá fora, mercado desenvolvido. Você deve ter notado que todo santo dia algo surge de novo neste universo… e não é preciso ser muito esperto para saber o que irá rolar.

Uma indústria tão rentável e prolífica como a dos games precisa ter engrenagens muito bem engraxadas para funcionar bem. Nada acontece por acaso. Neste caso, a indústria precisa da imprensa, e vice-versa. Sabendo disso, você nem precisar acompanhar os sites especializados diariamente: o roteiro já está traçado. Algumas das notícias a seguir certamente aconteceram ontem, estão acontecendo agora e poderão acontecer amanhã:

1. Algum novo jogo é divulgado pela produtora x;

2. Algum jogo não tão novo foi cancelado pela produtora y (ou a empresa x mesmo, vai saber);

3. Ou um jogo novo e super aguardado é lançado pela produtora z (a x e a y não ficam atrás e lançam jogos também);

4. Ou um jogo que ninguém jamais ouviu falar na vida é lançado pela desconhecida produtora w;

5. Novas telinhas ou vídeos incríveis de um jogo qualquer são divulgadas pela produtora xyz;

6. Novas telinhas e vídeos incríveis daquele jogo aguardadíssimo da produtora xyx vazam inexplicavelmente na internet;

7. O próprio jogo aguardadíssimo vaza na internet e começa a ser puxado por deus e o mundo nos torrents da vida;

8. Algum boato sem fonte definida surge, dizendo que empresa x vai comprar a outra, ou vai à falência, ou vai lançar um novo game de uma série amada por multidões. Ou comprou uma importante franquia de uma outra empresa. Ou que personagem w vai ser jogável na próxima versão do game de luta Super Battle Fight Fighters Alpha 3. Ou algo bem parecido;

9. O CEO, o vice-presidente, o produtor-senior (até o junior serve) ou mesmo o assessor de imprensa da produtora xxx são substituídos por outro fulano de tal sorridente, que vem muito bem cotado com o objetivo de dinamizar a empresa, aumentar a produção e reinventar a roda;

10. Ou então, um desses caras anteriores faz uma declaração bombástica e inesperada sobre o mercado, seja dando com a língua nos dentes, seja falando mal de alguém ou de alguma coisa;

11. Ou serve também a declaração bombástica (ou positiva, isso menos freqüentemente) de alguém que não trabalhe na área de games, mas que tenha uma grande relevância em qualquer outra área de atuação. Quanto maior a hierarquia, melhor. Serve um político, um artista, líder sindical e até o Papa;

12. Ou quem sabe algum deputado, senador, advogado, juiz ou tribunal decida processar ou soltar uma ordem judicial contra algum game, empresa ou ambos, sempre apresentando os motivos mais diversos (e absurdos)?;

13. Esses juízes, advogados, senadores ou tribunais podem também especular, decidir ou investigar se o game a, b ou c estimulou o fulaninho a roubar um banco, cometer atos violentos ou assassinatos em série, ou ainda se foi o principal causador de sua morte por exaustão;

14. A fabricante s, n ou m divulga relatório anual, semestral, mensal, diário, no qual revela se lucrou ou não no ano anterior com a venda de games, consoles e acessórios;

15. Se não é a própria fabricante, é alguma agência de pesquisas com nome chique que trata de divulgar algum relatório atualizadíssimo, mostrando que a fabricante s, n ou m teve lucro ou prejuízo no final do ano fiscal, etc, etc;

E eu poderia passar o dia dando exemplos.

Sendo um pouco franco e realista: como esse nossa área de interesse é chata e tediosa, hein?

É ironia, é ironia… :)

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
29/01/2007 - 12:14

Entrevista da Semana: Milton Beck (Microsoft)

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Segunda-feira, como não poderia deixar de ser, é dia de Entrevista da Semana. O sabatinado da vez é considerado o mais importante executivo do mercado de games brasileiro (rótulo que ele próprio renega): Milton Beck, 43 anos, diretor da divisão de jogos e entretenimento da Microsoft no Brasil. Desde 2002 trabalhando na área de games da multinacional, Beck foi um dos responsáveis pelo aguardado lançamento do Xbox 360 no país. No papo a seguir, ele faz um balanço dos dois primeiros meses do console em território nacional. Leia, e como sempre, opine no final.

***

Gamer.br: O Xbox foi lançado no Brasil há exatamente dois meses. Qual o saldo deste período?
Milton Beck: Não citando números, eu diria que ficamos muito felizes com o lançamento do Brasil. Principalmente do ponto de vista qualitativo, por diversos motivos. Nossas vendas sempre são consideradas de acordo com uma expectativa inicial. Os jogos estão se mostrando um grande sucesso. A métrica que levamos em consideração – quantidade de jogos vendidos por console – está bastante alta. Acreditamos que isso tenha ocorrido em função da base instalada que já existia antes do lançamento oficial. Alguns dos games que colocamos no mercado foram grandes sucessos, como Viva Piñata e Gears of War. Em termos de divulgação, conseguimos muita mídia espontânea, geralmente positiva, sempre comentando o quanto é importante a entrada dos consoles no Brasil. Acho que o lançamento foi positivo em todos os modos,seja na relação com os parceiros e varejistas, seja também na participação da Microsoft no cenário de games, que funcionou como um primeiro passo para estimular que as outras empresas também venham para o Brasil. Isso é bom para a concorrência e para os consumidores, de um modo geral.

Quais são os próximos passos do Xbox no Brasil? Quando teremos novidades, lançamentos? Com que velocidade eles vão rolar?
É claro que ainda temos muita coisa pra evoluir, mas já estamos preparando dois lançamentos para fevereiro: Crackdown e Fusion Frenzy, isso falando de títulos publicados pela Microsoft. E em março, teremos o Winning Eleven. Este, ainda não está definido quem irá publicar. Sempre teremos novos títulos saindo, jogos Microsoft e third parties, lançados por empresas como Electronic Arts, Ubisoft, entre outras.

O que mudou na questão do governo brasileiro e os impostos sobre os videogames? Alguma novidade nesse sentido nos dois últimos meses?
Eu não sei se [o processo] está parado, mas também não sei de nenhuma evolução. Não estou ciente de qualquer mudança que possa ter ocorrido.

Existe uma previsão de redução de preços do Xbox no Brasil e seus jogos? Dá para imaginar que isso acontecerá dentro de um ano?
Olha, a [matriz da] Microsoft por enquanto não fala sobre queda de preços, então não vejo sinais disso acontecer no mercado internacional. Desde que a gente siga as políticas internacionais de preços, não há sinais claros da redução no Brasil, pelo menos por enquanto.

Quando o console foi anunciado a R$ 2.999, houve reclamações sobre o valor, elevado para os padrões nacionais. Você acha que o preço esteja fazendo alguma diferença no número de vendas apresentado até agora? Quer dizer, as pessoas deixam de comprar porque está caro, ou compram independente do preço?
Eu acho que, como qualquer produto, existe uma curva de elasticidade de preço. O produto é vendido a R$ 2999, e à medida que os preços caem, aumenta o tamanho do que chamamos de “mercado interessado”. É obvio que o tamanho desse mercado interessado no país é menor do que se o Xbox 360 custasse R$ 2.000, ou R$ 1.500. É claro que o fator preço é importante, mas existem limites pelo o que as pessoas podem gastar.

Você acha que o brasileiro reclama demais do preço das coisas?
Eu não diria isso. Não é uma questão do brasileiro só reclamar do preço. Todo mundo sabe a dificuldade que é ganhar dinheiro, e cada um quer ter o melhor pelo o que gasta. Faz parte do direito do consumidor. Uma das grandes reclamações dos consumidores é sobre o preço dos jogos. Os jogos eram chamados de “joguinhos” e vendidos por R$ 5 nos camelôs, então se criou uma dificuldade grande para as pessoas entenderem o que significa o “valor intelectual” de um produto. As pessoas costumam achar que o custo de um game deveria ser menor de um show ou DVD. Na maioria das vezes, não se tem noção de quanto custa produzir um jogo. A enorme disponibilidade de produtos falsificados gera essa distorção de valores. Não existe “bala de prata” que vá resolver isso. O consumidor tem todo o direito de lutar por preços melhores, isso é um pedido justo. Só não é justo querer preços iguais aos da pirataria. Fizemos várias pesquisas qualitativas e alguns entrevistados disseram que não querem pagar mais do que um preço de um pirata. Ou seja, o que determina um preço hoje é quanto ele vale no mercado pirata.

Com o Xbox no Brasil, a Microsoft se vê mais à vontade para participar de eventos, fazer anúncios na TV e colocar mais a cara para bater no mercado brasileiro?
Não sei o que você quis dizer com “colocar a cara para bater”, mas sim, o objetivo é aparecer cada vez mais na mídia, aparecer e fazer campanhas, principalmente nos períodos sazonais, como Dia das Crianças e Natal.

O que pode ser feito então para haver melhorias em nosso mercado? Depende de quem? Governo, empresas, consumidores?
É preciso haver um aumento no número de pessoas interessadas em desenvolvimento de jogos. A popularização das ferramentas de criação, como a plataforma XNA, ajuda nesse sentido. A abrangência de títulos de diversas camadas de preço também é essencial, uma vez que é preciso haver jogos pra todos os gostos e bolsos. De forma geral, estamos relativamente bem servidos. Já na área de consoles ainda não estamos aonde deveríamos estar… a concorrência não entrou de forma massiva e a falsificação ainda é grande.

No Brasil, os MMORPGs para PC fazem bastante sucesso. Você acha que isso indica que o mercado brasileiro é mais parecido com o coreano do que com o norte-americano, por exemplo?
Eu não sou um expert em Coréia, mas o que eu sei que um dos motivos para o mercado de videogames não ter entrado lá foi porque existia uma certa rivalidade comercial com o Japão. O fato de haver uma restrição comercial entre os paises tornou os videogames caros demais para os coreanos. E o PC sempre foi mais barato que o console. Houve também os incentivos do governo, o aumento da conexão banda larga, o surgimento de milhares de lan houses, canais de TV para transmissões de partidas de StarCraft… […] Existe muita diferença entre o brasileiro e o coreano. Eles gostam de jogar somente Estratégia e MMORPG, algo muito diferente das comunidades internacionais. Há narradores em torneios online, as pessoas idolatram os jogadores profissionais… . Eles têm um modelo que agrada aos consumidores deles. Se esse modelo é replicável em outros países ou não, isso é outra historia.
Eu não vejo esse tipo de coisa acontecendo no Brasil. A característica do brasileiro é diferente, o perfil é outro. O coreano usou muito desses Internet Cafés como um local de integração social, é uma característica cultural deles. No Brasil não funciona assim, não há uma parte tão significativa da população que freqüenta esses lugares. As culturas são muito diferentes, são mais áreas de diferenças do que similaridades.

O que você, Milton Beck, gostaria de ver no mercado brasileiro que ainda não viu?
Um quadro ideal seria o que se vê em um país com os Estados Unidos, onde existe uma proliferação grande de propagandas de jogos novos em TV aberta, programas especializados em várias emissoras, grande quantidade de revistas, a possibilidade de se comprar jogos em grandes cadeias de lojas. Mais ou menos algo parecido com o que existe nos EUA, Inglaterra e Japão. Trazendo para uma realidade mais próxima, o cenário mexicano está hoje bem mais avançado do que o nosso. No México, todos os players estão presentes, os preços são mais acessíveis, todos os consoles foram lançados, o preço de venda é mais próximo ao poder de compra da população, as propagandas são mais massificadas. O Brasil não tem isso ainda. Estamos melhores do que estávamos no dia 30 de novembro [dia anterior ao lançamento do Xbox 360 no Brasil], mas ainda há um longo caminho a ser percorrido, temos uma etapa longa para o Brasil se ver inserido nesse contexto. Enquanto a falsificação estiver em níveis tão altos, a produção de produtos nacionais será inibida. Estamos melhores, mas longe do que deveríamos ser.

Você é considerado o principal executivo do mercado de games nacional. Como é lidar com isso?
Eu não sei. Eu acho que sou aquele que mais responde entrevistas, talvez por falta de interlocutores na concorrência. Por um lado é interessante – eu gosto de falar com a imprensa, e é através da mídia que faço nossa mensagem chegar ao consumidor final – mesmo que as respostas que eu tenha não agradem, ou se eu não puder passar todas as informações por motivos “polítcos”. Espero continuar assim no futuro, mas espero que meus concorrentes também tenham uma presença aqui, à medida que o mercado for crescendo. O principal beneficiado com isso é o consumidor: daí ele poderá fazer suas escolhas baseado em critérios “normais”.

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , ,
26/01/2007 - 22:06

O eterno Judas

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Para passar bem o final de semana:

Alemanha propõe leis comuns à União Européia que proíbam videogames que exibam violência contra humanos.

Trechos para quem tiver preguiça de ler:

“Um certo grau de ligação entre a violência na geração mais nova e o aumento da difusão de games violentos existe”, afirma Franco Frattini, comissionário de Justiça da Europa.

A violência em games se tornou uma questão política séria na Alemanha no final do último ano, quando Sebastian Bosse, de 18 anos, feriu 37 pessoas com uma arma de fogo em Emsdetteb, antes de se matar. A polícia disse que Bosse passou muitas das horas anteriores ao crime jogando “Counter Strike”.

O governo alemão propôs uma lei nacional banindo games que exibam violência contra personagens humanos.

***

E, logo ali ao lado, o Papa Bento XVI falou, veja só, sobre os games (é bem provável que tenha sido o primeiro Papa da história a comentar sobre o tema). E é claro que ele não os abençoou.

O líder máximo da Igreja Católica falou sobre o efeito da mídia nas crianças durante um evento intitulado “Crianças e Mídia: Um Desafio para a Educação”. Games e filmes, óbvio, foram o alvo da vez (a transcrição completa, inclusive em português, está aqui).

“Qualquer tendência de se produzir programas e produtos – inclusive desenhos animados e videogames – que, em nome do entretenimento, exalta a violência e apresenta comportamentos anti-sociais ou a banalização da sexualidade humana constitui uma perversão, e é ainda mais repugnante quando tais programas são destinados às crianças e aos adolescentes”, em tradução literal.

E tem mais:

“A aspiração sincera dos pais e professores de educar as crianças pelos caminhos da beleza, da verdade e da bondade somente pode ser sustentada pela indústria dos meios de comunicação social, na medida em que ela promover a dignidade humana fundamental, o valor genuíno do matrimónio e da vida familiar, e as conquistas e as finalidades positivas da humanidade. Deste modo, a necessidade que os meios de massa têm de se comprometerem na formação efetiva e nos padrões éticos é considerada com particular interesse e mesmo urgência, não só pelos pais e professores, mas também por todos aqueles que têm um sentido de responsabilidade cívica.”

E um bom final de semana para todos nós.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
24/01/2007 - 12:04

Game 2.0

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Só se falou sobre isso esses dias… Guitar Hero 2 pirata?

Mas não pirata do jeito “tradicional” (R$10 no Stand Center, coisa e tal). Estou falando de um Guitar Hero 2 “hackeado”, ou seja, modificado por alguns caras bastante habilidosos, que usaram uma combinação de softwares para criar uma maneira de jogar o game com qualquer música, de Elvis a Led Zeppelin, de Michael Jackson a Mamonas Assassinas. Virtualmente qualquer música. O processo já anda rolando desde o final do ano passado, e agora parece que popularizou, ou seja, o povo realmente aprendeu a fazer o negócio funcionar.

Trocando em miúdos o processo técnico (que é complicado e envolve um monte de programas e passos detalhadíssimos): é possível colocar as músicas que você bem entender dentro do jogo, e posicionar a dificuldade das notas da maneira que quiser. É jogar o MP3 escolhido, posicionar as notas coloridas da maneira que der na telha e pronto. O que o processo faz, grosso modo, é gerar um arquivo que funciona dentro do Guitar Hero 2 verdadeiro, substituindo uma música pré-existente no jogo por uma outra escolhida pelo usuário.

As músicas já incluídas são de dar água na boca em qualquer fã. Estas são algumas que mais chamam a atenção dos metaleiros de plantão:

“You Shook me All Night Long” (AC/DC)
“Born to Be Wild” (Steppenwolf)
“Aces High” (Iron Maiden)
“Seek and Destroy” (Metallica)
“Welcome to the Jungle” (Guns ‘n’ Roses)
“Chop Suey” (System of a Down)
“Stairway to Heaven” (Led Zeppelin)
“Under the Bridge” (Red Hot Chili Peppers)
“Walk” (Pantera)
“Smells Like Teen Spirit” (Nirvana)

Uma lista mais completa e cada vez maior pode ser lida aqui. Veja que até uma versão do nosso bom amigo Megadriver está disponível, além de muitas músicas de games clássicos.

Para entender como é o resultado final, este vídeo de um sujeito tocando a eterna Master of Puppets, do Metallica. Fino, não? Claro que nem toda música fica perfeita ou sincronizadinha (a guitarra também não fica “cortada” se você errar a nota), mas a graça do negócio nem é essa.

Como bem expressou meu amigo Farah da EGM Brasil, esse tipo de customização do game (que já não é nenhuma novidade, vide os velhos mods dos jogos para PC) lembra um pouco o que os hackers andaram fazendo com o Winning Eleven no PS2 (jogadores novos, narração em português etc). Como se não bastasse a tão alardeada “Web 2.0”, a internet feita a participação do usuário… agora a mídia espertinha precisará encontrar um termo cool também para os videogames.

Não se pode esquecer que isso é pirataria, é ilegal, que fere os direitos da produtora, dos músicos, dos criadores… mas vamos ser realistas: não há nada mais interessante do que perceber a tecnologia viva e acontecendo diante de nossos olhos.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
22/01/2007 - 16:49

Entrevista da Semana: Julio Vieitez (Level Up! Games)

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Hoje é segunda, dia de Entrevista da Semana no Gamer.br. A conversa foi com um dos executivos mais produtivos e ocupados do mercado de games brasileiro – Julio Vieitez, Gerente de Marketing Executivo da Level Up! Games. Desde 2000 lidando com games, quando começou na Tec Toy, ele foi um dos principais responsáveis pelo lançamento do sucesso Ragnarök Online no Brasil. Confira a conversa e, como sempre, comente no final.

Gamer.br: Antes de trabalhar na Level Up! com games online, você era da Tec Toy, onde cuidou do lançamento de consoles. Qual é a diferença de cada mercado? Qual você gosta mais?
Julio Vieitez: A diferença é gigantesca. Quando se vende um console (hardware ou software), a grande parte do trabalho acaba quando o usuário compra o produto. Ou seja, há a escolha do título, localização, produção, distribuição e a promoção. O pós-venda é muito simples. O jogo online é um serviço, portanto é um ciclo que praticamente não termina. Na verdade, a maior parte do trabalho começa após os usuários adquirirem o serviço.

O mercado de MMORPGs é hoje gigantesco no Brasil. Você acha que ainda há potencial de crescimento? Quanto mais?
O mercado de jogos online no Brasil ainda é embrionário. Há muito espaço para crescer, inclusive dentro do próprio mercado de games. A maior parte dos jogadores no país continua jogando em consoles. Neste ano trouxemos um jogo de luta, Grand Chase e um de tiro, The Duel. Com a chegada de games diferentes, com a expansão da banda larga e o amadurecimento natural do mercado, a cada ano teremos mais e mais gamers de jogos online.

Os games online formam um mercado completamente distinto do mercado de consoles. Você acha que haverá espaço para ambos ao mesmo tempo daqui uns 10 anos, mais ou menos?
Com certeza. Há uma tendência natural dos jogos de console possuírem mais recursos online, mas existe espaço para ambos, ainda assim, é importante ressaltar que os jogos online terão mais participação, pois estão se tornando muito sofisticados.

Diferente do mercado de consoles, no mercado de jogos online vocês lidam diretamente e ininterruptamente com o publico consumidor. Como é lidar com esta pressão constante?
Mais do que uma pressão é uma troca constante. Sempre que lançamos algo, seja um jogo, ou uma promoção, conseguimos ver a reação dos usuários rapidamente. Isso facilita muitas coisas, mas exige uma enorme vontade de sempre fazer cada coisa da melhor forma possível. A Level Up! é bastante ativa em eventos, campeonatos e procura ter um contato grande com os jogadores.

Recentemente, vocês lançaram games online com caixinha e embalagem (City of Heroes, Vilains). Vocês acham que o consumidor de games brasileiro ainda é muito ligado a esses bens “físicos”? Ou ele lida bem com o fato de pagar por algo não palpável, ou seja, uma mensalidade de jogo?
Boa pergunta. Há todos os tipos de jogadores. A Level Up! procura disponibilizar os games para os mais variados jogadores. Aliás, temos não só as caixas dos jogos, como outros produtos (Revista Level Up!, cadernos, mochilas, camisetas, álbum de figurinhas, etc). Nesta semana, estamos lançando a caixa de RF Online, uma edição de colecionador com um item especial, DVD de instalação, mouse pad, manual de 96 páginas
e cartão de acesso ao jogo. É uma forma do jogador possuir algo especial (e tangível) do seu game favorito.

Como as empresas que lançam games online lidam com a questão da pirataria? Por acaso este é um problema que não atinge vocês diretamente?
Atinge de uma forma diferente, pois nossa estrutura para suportar os jogos é grande, propiciando um acesso de qualidade. A pirataria é o maior inibidor do mercado nacional e um grande problema cultural que temos. Nós buscamos, junto com a ABES, inibir a pirataria da melhor forma possível.

Grosso modo, o mercado de games nacional tem jeito? Qual seria o quadro ideal para empresas e para os jogadores?
Como disse acima, nosso maior mal é a pirataria que reduz o mercado, prejudicando consumidores, empresas e o governo. Ela é principalmente um problema cultural. Contudo, o mercado tem crescido e os usuários podem desfrutar de novas opções. A Level Up! já lançou 10 jogos para o Brasil e continua buscando novos games para trazer ao país.

Fechando, a sua opinião de jogador: você já jogou os três consoles de nova geração? Qual gostou mais?
Infelizmente ainda não consegui jogar todos, por isso não poderei compará-los. Mas acho que vale um comentário… para mim a Nintendo continua sendo a empresa mais preocupada com a diversão do gamer. O interessante não é o que o Wii proporciona, mas sim imaginar o que teremos na próxima geração. Toda inovação é bem vinda. Eu lembro quando joguei Ragnarök pela primeira vez. Foi fantástico interagir com tantas pessoas em um RPG. Antes, nós, jogadores, éramos obrigados a viver solitariamente nos imensos mundos criados pelos desenvolvedores, agora é o contrário. É possível pedir ajuda, conversar etc. Eu acredito que a existência de três grandes fabricantes
de console é importantíssima, caso contrário veríamos sempre pequenas variações do que já existia.

E quem ganha a guerra da nova geração de consoles?
Já existem algumas projeções internacionais realizadas por empresas especializadas, prefiro deixar este assunto para eles e guardar minha opinião. O mais importante é o crescimento do mercado como um todo e a concorrência que está ocorrendo. É ela que proporciona títulos cada vez melhores.

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , ,
19/01/2007 - 15:24

Vícios e escolhas

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Sou um leitor constante de cadernos esportivos, em especial o da Folha. Prefiro os colunistas, como o Tostão e o José Roberto Torero. Este último foi o autor de um belíssimo ensaio sobre o vício de jogar videogame, mais especificamente, o vício de jogar Winning Eleven sem parar.

Torero, um especialista em futebol que não é gamer, é delicado e habilidoso o bastante para confundir o leitor até o último parágrafo, quando enfim revela que o vício que o deixa “até as 3h40 da manhã acordado, de olhos vidrados, usando a coisa” é, na verdade, um jogo eletrônico.

Imagino que é o tipo de artigo que deixou muito leitor da Folha sem entender nada… Nós, jogadores, conseguimos avaliar um vício em Winning Eleven como algo inofensivo e engraçado de se admitir. Será que os “não-gamers” conseguem?

***

Entre no ArenaTurbo e clique no play da telinha do lado direito da tela. Tem uma entrevista comigo ali no finalzinho. Mandou bem, Hitzschky. E não deixe de reparar na minha camiseta, coisa fina.

***

O Video Games Live fez barulho e sucesso por aqui. E o show do Minibosses, será que alguém por aqui se interessaria em ver ao vivo? E o NESkimos? E os três juntos, em um lugar só? Sonho distante? Talvez nem tanto quanto se pensa. Pena que um evento desses não dependa só de mim…

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Alguém viu como será o Surfista Prateado totalmente em CG de Quarteto Fantástico 2?


Convenceu? Eu, particularmente, já vi visuais melhores no Xbox 360… mas ainda boto fé. Que venha Galactus!

***

A Microsoft mandou avisar:

Primeiro Campeonato Oficial de Xbox 360 no Brasil

Acontece amanhã, 20 de janeiro, o primeiro Campeonato Oficial de Xbox 360 no país. A competição começa às 16h na livraria FNAC do Suopping Morumbi (Av. Roque Petroni, 1089, SP) e reúne gamers de todo o país, que poderão competir jogando Dead or Alive 4.

O três primeiros colocados receberão os seguintes prêmios:

1.º lugar: um jogo Gears of War, um MP3 Player e seis meses de assinatura da Revista Xbox 360;
2.º lugar: um jogo Ninety-Nine Nights e seis meses de assinatura da Revista Xbox 360;
3.º lugar: um kit Play & Charge e três meses de assinatura da Revista Xbox 360.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
17/01/2007 - 20:53

For Sale

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O assunto da semana que ninguém comentou direito é o fato da gigante de mídia Ziff Davis ter colocado seus segmentos de games à venda, o que inclui as revistas Electronic Gaming Monthly e Computer Gaming World e o site 1UP. (O Marcel R. Goto, do Lenda Urbana, escreveu um belíssimo e indispensável ensaio sobre o tema).

Sinais de que as coisas não iam bem por aquelas bandas surgem há tempos – o mais recente foi o fim da sensacional Official PlayStation Magazine, da qual eu era leitor bissexto e admirador. Ao que parece, o grande problema da Ziff é o segmento impresso, que continua a dar mais prejuízo que qualquer coisa. Outra gigante de mídia, a Future, andou divulgando recentemente que tomou prejuízos fenomenais com suas revistas (excelentes por sinal).

É no mínimo triste. Mas nada disso é novidade para nós, brasileiros, uma vez que já observamos a decadência comercial do meio impresso há alguns bons anos. Vendas em banca, que já chegaram a a ultrapassar os 100 mil exemplares mensais (Pokémon, que saudade…), hoje dificilmente chegam a um quinto deste valor. Síndrome de vira-lata à parte, o mercado de revistas norte-americano sempre foi visto por nós como um “paraíso inalcançável”, com vendas e números de assinantes absurdamente altos e dezenas de anunciantes não apenas do segmento game. Esses tempos já foram: o futuro das revistas de games nos EUA não apenas não é favorável, como é dos mais problemáticos. Nós, leitores apaixonados que somos, deveríamos nos preocupar mais do que já estávamos preocupados? Para pensar antes de dormir.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
15/01/2007 - 23:49

Entrevista da Semana: Renato Viliegas (Play TV)

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Segunda-feira é dia de mau humor e de Entrevista da Semana no Gamer.br. O entrevistado da vez é o Renato Viliegas, gerente de jornalismo da Play TV. Com passagens pelas revistas Ação Games, Herói e EGM Brasil, e assinando matérias em dezenas de publicações e sites especializados (ou não) desde 1996, ele é considerado um dos mais respeitados jornalistas de games do país. Na entrevista a seguir, Viliegas solta o verbo sobre mercado brasileiro, pirataria, ética no jornalismo, guerra dos consoles e tantos outros temas. Acompanhe e, como sempre, diga o que der na telha ao final.

Gamer.br: Você trabalha há mais de dez anos no mercado editorial de games e passou por todas as áreas possíveis. Resuma o que aconteceu de lá para cá nesse sentido. Se o Brasil evoluiu, quanto foi?
Renato Viliegas: Nesse tempo todo, o mercado mudou muito, houve vários altos e baixos. E isso vale também para o mercado editorial, revistas que vendiam muito acabaram na miséria, por exemplo. Não sei se o mercado como um todo “evoluiu”, porque a meu ver, ele ainda não amadureceu como deveria, e ainda está longe de atingir seu potencial máximo. O mesmo vale para o consumidor, e até mesmo para a imprensa especializada.

Como o mercado editorial “de papel” pode superar a concorrência quase desleal com a internet? E onde a TV entra nessa disputa pelo tempo do consumidor?
Não pode. E nem deve. Os tempos são outros. Antes, as revistas eram a única fonte de informação. Hoje isso não funciona mais assim, e se for pra concorrer em velocidade, ninguém vence a internet. Uma revista hoje tem que ser diferente da internet, e não tentar concorrer com ela. Quanto à TV, é algo bem diferente: ela sim tem a capacidade de mostrar algo diferente, exclusivo. Sem contar no alcance e penetração, que é incomparável. A TV atinge um publico muitíssimo maior que qualquer revista, e muito mais diversificado que a internet.

Pelo o que você acompanha do mercado nacional (tanto produção e cobertura da mídia quanto lançamentos), estamos indo bem, estamos lentos ou estamos aquém do que poderíamos?
Se você pensar no potencial do mercado nacional, estamos lentos, muito lentos. Mas ao mesmo tempo, estamos avançando de acordo com as possibilidades. Não é fácil ser desenvolvedor de jogos no Brasil. E não é fácil fazer parte de uma mídia especializada, em um país com apenas um console oficialmente lançado e com um mercado de PCs bem aquém do que poderia.

O que pode ser feito então para haver melhorias? Depende de quem?
É preciso um esforço conjunto. A mídia especializada precisa ser mais qualificada – jogar muito videogame não qualifica alguém para escrever em uma revista, por exemplo. O governo precisa ajudar, seja revendo as taxas tributárias, seja incentivando o crescimento da indústria nacional. Desenvolvedores precisam ser mais ousados. O consumidor precisa ser mais consciente, e deixar de apoiar a pirataria, por exemplo. É muita coisa, mas só um grande esforço conjunto pode mudar o cenário atual, onde tem muita gente olhando para o próprio umbigo e esquecendo do mercado como um todo.

Aproveitando que você tocou no assunto: a pirataria no Brasil é o problema ou a solução?
Solução pra quê? Pirataria nunca foi solução pra nada, é como um câncer pra qualquer mercado.

Há argumentos que dizem que, se não fosse pela pirataria, não haveria um mercado no Brasil, visto que muita gente não teria acesso a jogo nenhum…
Enorme bobagem, no mínimo. Pra começo de conversa, pirataria não é “mercado”. É algo ilegal, fora da lei, como pode ser considerado mercado? Não tem estatísticas de venda, não dá dinheiro pra estúdios, para os profissionais que trabalharam no jogo, para o governo, para o lojista… Que tipo de “mercado” é esse? Todo o comercio pirata que existe hoje não pode ser considerado um mercado.

O que você ainda não viu acontecer no mercado brasileiro e gostaria de ver?
Nossa, muita coisa. Eu estive no México recentemente, e honestamente, deu até raiva. Aquilo sim é um mercado de verdade. Os três consoles estão lá, há consumidores, filas nas lojas, vendas oficiais. E se o MÉXICO consegue (veja bem, o MÉXICO, um país bem mais pobre que o nosso), o Brasil tem mais do que a obrigação de conseguir também. Era isso o que eu sonho ver aqui: o que vi no México.

Qual é o espaço de crescimento dos games na TV brasileira? Você acha que mais canais e programas especializados devem surgir, na rabeira da Play TV?
Na verdade, isso já está acontecendo. Outras emissoras começaram a falar de videogames depois que a gente entrou no ar. E isso é bom, porque mostra um crescimento no mercado. Videogames ainda sofrem muitas barreiras e preconceitos, e estar na TV ajuda a quebrar isso.

Seja em revistas, jornais, internet ou TV: a imprensa de games nacional pode ser considerada “chapa-branca”?
Eu não sei responder ao certo. Acredito que a maioria tenta manter a transparência. Mas já soube de casos em que um redator tomou bronca por ter dado uma nota baixa a um jogo, que rendeu uma reclamação no distribuidor nacional. Acho que a imprensa nacional conquistou um respeito que não tinha há uns 8, 10 anos. Mas infelizmente, a coisa ainda não está no nível ideal.

É utopia pensar em jornalismo de games imparcial em um mercado tão pequeno como o brasileiro?
De forma alguma. O tamanho do mercado não está relacionado à imparcialidade ou ao profissionalismo. Por que um mercado pequeno “forçaria” a imprensa a ser imparcial? E por que isso deveria interferir em sua imparcialidade? Se você está fazendo jornalismo, tem a obrigação de ser imparcial a qualquer momento.

Concordo. Mas talvez um mercado tão pequeno não crie aquela “distância” necessária entre empresa e jornalista, o que pode fazer com que eles se aproveitem disso para seduzir o repórter…
Quem tem que criar “distância” é o profissional. Sair pra beber junto é uma coisa, deixar uma amizade ou proximidade interferirem em seu julgamento profissional é outra. Tenho MUITOS amigos na indústria. E amigos mesmo, de passear junto, ir a festas e jogar papo fora. Mas isso não impede de falar algo que julgue necessário, apenas porque poderia “magoar” um amigo. Isso não é jornalismo.

Você jogou os 3 consoles. Qual é o preferido por enquanto?
Pessoalmente, gostei mais do Wii. Tenho jogado com a família, e até com minha filha de 3 anos. É algo tão diferente que impressiona mesmo, e é um barato ver pessoas que nunca jogaram videogame se divertindo com ele. Acho que foi uma excelente aposta da Nintendo. Analisando mais friamente o mercado, os produtos, e o gamer em si, acho que o Xbox 360 é a melhor maquina hoje. A meu ver, a Microsoft vai estar em breve no topo da lista.

Então quem você acha que vai “ganhar” a guerra da nova geração?
Vai ser uma briga boa entre o Wii e o Xbox 360. Eu achava que seria uma corrida de três cavalos, mas o PS3 me parece cada vez mais fora da disputa. Não ter vendido nem um milhão de consoles até agora é praticamente humilhante…

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , ,
12/01/2007 - 10:34

O futuro não está longe

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Para o fim de semana, uma pequena reflexão minha publicada recentemente na inédita revista Continue, projeto de conclusão de curso dos amigos Gustavo Hitzschky, Claudio Prandoni e Alexei Barros. A proposta inicial do texto era uma só: viajar forte. Viaje nessa também.

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O futuro está longe?

Vamos ser sinceros?

Não há muito que ser dito sobre a indústria de videogames que já não tenha sido dito por milhares de revistas, sites e publicações diversas, especializadas ou não.

O assunto cansou? Não é bem assim. Mas convenhamos, nada mais chato do que especular sobre o futuro. Não há bola de cristal, máquina do tempo ou portal dimensional que nos faça enxergar o que está lá adiante. Um exercício de clarividência é possível, mas será frustrado. Já gastei muito fosfato tentando apontar tendências para as próximas gerações. É um exercício inútil. Frustrante, até.

Para quem acompanha há alguns anos este mercado, é ingrato tentar vislumbrar algo realmente novo nos anos que vem a seguir. Sopros de criatividade surgem aqui e ali, novidades pintam em ilhas asiáticas remotas, lampejos de genialidade saem das cabeças de nomes que já há muito fazem parte deste negócio. Mas o que muda, na prática? Nada. Ainda continuamos babando para ter os novos consoles da Nintendo, Sony (as principais players há mais de dez anos) e Microsoft (“novata” no ramo, mas nem tanto). Notícias sobre “novos” Final Fantasy, Metal Gear e Super Mario ainda nos deixam ouriçados. E assim é desde que os joysticks tinham apenas dois botões vermelhos. Cansou já, não?

Ok, então é para deixar o mau humor de lado e especular sobre o futuro. Então é preciso viajar grande e longe. Talvez não tão distante. Mas é preciso eliminar certos padrões estabelecidos.
Videogame, pelo conceito que conhecemos, significa diversão (ou passatempo) em frente a uma tela, seja de televisão, fliperama ou computador. A interface varia pouco: nas mãos, um joystick com ou sem fio, um teclado, um mouse; na frente, uma tela de televisão ou um monitor; entre nós, muitos fios. E tem os acessórios, os quais nos últimos tempos tornaram-se constantes: tapetes, instrumentos musicais, bizarros (maracas, tambores) ou não (guitarras, tapetes). O que não muda é a obrigação de se apertar botões. Tentativas de controle através de estímulos cerebrais já são tentadas por cientistas, e não devem demorar a funcionar. Mas por enquanto, continuamos a apertar nossos botõezinhos.
Claro, não dá para ignorar os esforços da Nintendo em dar uma chacoalhada nesse sentido. O Wii é uma prova cabal de que a fabricante japonesa quer dar vários passos à frente. Mas serão esses passos longos o bastante?

Vou parecer pessimista se disser que esses avanços não me surpreendem? Talvez. Mas é porque espero mais. Espero mais do que controles com sensores de movimentos, rebolados e suadeiras em frente à tela. Espero mais do que tremedeiras nas pontas do dedos, bem mais do que fingir que estou segurando uma raquete, uma espada ou uma batuta. Espero mais do que uma simulação da realidade. Porque na minha visão de futuro, estaremos jogando na realidade. Sim, porque esse lance de “simular” é coisa do presente e do passado. Em breve, não estaremos fingindo ser um herói. Seremos os heróis dos nossos jogos reais, em nossas próprias vidas. O meu videogame do futuro não terá mais vídeo, mas jamais deixará de ser um game. O real se misturará ao imaginário, criando um conflito de interesses inevitável: o que é verdadeiro, o que é simulacro? Será impossível definir. O que vale dentro da Matrix valerá também do lado de fora, e vice-versa. Imagine algo como um Second Life 2.0, ou um “First Life”, para melhor definir. Mas entretenimento eletrônico uma ova: estou falando de entretenimento real. No game do futuro, seremos os heróis de nossas próprias aventuras.

Como isso se dará? Não me pergunte. Se eu soubesse como, já teria dado um jeito de inventar esse jogo. Mas tenho certeza que não irá demorar até algum gênio criar um. A vida, que já é divertida, se tornaria ainda mais. E enquanto nada disso acontece, vamos adiante, curtindo, viajando, apertando esses montes de botões…

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
10/01/2007 - 20:47

Quatro cliques

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Ao que tudo indica, o projeto Zelda: Ocarina of Time 2D continua em andamento… clique e chore.

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Já assistiu ao Gamer.br? Não é uma versão vídeo deste blog, mas sim o documentário que inspirou o título. Você pode baixar aqui e, em seguida, votar dizendo que gostou.

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Videogames deixam as crianças mais inteligentes: vai dizer que você já não sabia disso?

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O Wii é sexy, pornográfico até. E se você achava que só você tinha pensado em bobagens com um wiimote nas mãos, assista a este vídeo.

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Hoje todo mundo resolveu me enviar links legais. Pelas dicas acima, agradeço ao Ed, ao Pedro, à Flávia e ao Daniel.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
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