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Arquivo de dezembro, 2006

31/12/2006 - 16:26

Estatísticas – Os Melhores de 2006

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A eleição dos Melhores de 2006 do Gamer.br passou, e o resultado você já viu ali embaixo (aliás, votei também na lista de melhores do ano do site G1. Confira aqui). Em meio a tantas informações, coletei algumas estatísticas interessantes sobre a votação:

* No total, 25 games foram citados pelos 32 eleitores (o Jones Rossi, do G1, deu sua contribuição de última hora, a qual acabou não alterando o resultado final). Destes, o mais lembrado foi The Legend of Zelda: Twilight Princess, com 16 citações. Na seqüência, Gears of War (14 citações), Okami, Guitar Hero II (ambos com 10), Final Fantasy XII (9), Bully e Elder Scrolls IV: Oblivion (5 citações cada).

* Apesar de suas 16 citações (exatamente 50% dos eleitores), Zelda foi considerado o melhor por apenas 4 pessoas, mesma quantidade de Gears of War e Final Fantasy XII.

* Na proporção “citações X colocações”, nenhum game foi tão bem cotado quanto Oblivion: quatro das cinco pessoas que o citaram entre seus 3 jogos favoritos o colocaram no topo de suas listas. Bully teve desempenho parecido – 3 dos 5 eleitores que citaram o game o posicionaram em primeiro.

* Okami e Guitar Hero II garantiram suas classificações com performances bem regulares. Cada um foi citado por dez eleitores, e escolhido como o melhor de todos por 3 eleitores cada. Três pessoas escolheram Okami como o segundo melhor game do ano, enquanto seis pessoas elegeram Guitar Hero II como o terceiro melhor game do ano.

* Zelda: Wilight Princess foi o “campeão do segundo lugar”, com oito citações nesta posição. Gears of War foi o “campeão do terceiro lugar”, com sete citações nesta posição.

* Final Fantasy XII foi citado 4 vezes em segundo lugar, seguido de Wii Sports, Gears of War e Okami (3 vezes cada).

* Outros sete jogos tiveram apenas uma citação em primeiro lugar: Wii Sports, Battlefield 2142, Tekken: Dark Ressurrection, Yakuza, Winning Eleven 10, New Super Mario Bros. e Tony Hawk´s Project 8.

* 28 dos 32 eleitores citaram o lançamento do Xbox 360 no Brasil o um dos melhores momentos do ano. Destes 28, 23 colocaram o fato em primeiríssimo lugar. Vitória esmagadora.

* Coincidência ou não, os 4 eleitores que não citaram o lançamento do Xbox 360 foram os mesmos que colocaram o Wii nas primeiras posições de suas listas.

* O segundo lugar do Vídeo Games Live veio por causa de sua regularidade: 10 eleitores colocaram o evento em segundo lugar na lista de melhores momentos de 2006.

E eu poderia passar o dia inteiro comentando esses números, mas o ano novo está aí e não vai esperar. Então, paro por aqui e recomeço no ano que vem (mais conhecido como amanhã). Obrigado pela força e pelo apoio nesses 4 primeiros meses de funcionamento deste blog. A gente se vê em 2007. Abraço!

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
24/12/2006 - 19:40

Os Melhores de 2006 Gamer.br

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Demorou, mas aqui está. Antes mesmo do ano terminar, apresento aqui a maior eleição do mercado de games brasileiro. Pelo menos imagino que seja: qual outra votação juntou, em um mesmo lugar, mais de 30 profissionais dos principais veículos de informação do país?

Com a colaboração dos amigos e colegas, foi possível reunir e dissecar as opiniões da imprensa especializada nacional. Algumas figuras essenciais ficaram de fora, porque não foram localizadas durante a semana de votação (Jones, Viliegas, Jô, Siqueira, Gabriel, Akira, entre outros), mas acho que não faltou quase ninguém. Abaixo, os 31 eleitores, em ordem alfabética, e o veículo que representam:

Alberto Alerigi (Reuters)
Alexei Barros (Hive)
André Gordirro (Herói/SET)
Cláudio Batistuzzo (Games Brasil)
Cláudio Prandoni (Hive)
Daniel Nieuwenhuizen (EGM/SDP)
Diego Assis (G1)
Diego Guichard (Zero Hora)
Douglas Pereira (EGM)
Douglas Vieira (Nintendo World)
Eduardo Trivella (Dicas e Truques para PlayStation)
Fabio Bracht (Gameworld)
Fabio Santana (EGM Brasil)
Felipe Azevedo (Gamemaster)
Flávia Gasi (Revista do Xbox 360)
Gilsomar Livramento (EGM/SDP)
Gustavo Hitzschky (Arena Turbo)
Gustavo Petró (Gamemaster/Revista do Xbox 360)
Henrique Minatogawa (EGM/SDP/NW)
Marcel R. Goto (Diverbrás)
Nelson Alves Jr. (Gamemaster/Revista do Xbox 360)
Orlando Ortiz (EGM/Gameworld)
Pablo Miyazawa (Rolling Stone/Gamer.Br)
Renata Honorato (Arena Turbo)
Renato Bueno (EGM PC)
Ricardo Farah (EGM/SDP)
Rodrigo Guerra (SuperDicas PlayStation)
Rodrigo Ortiz (Gameworld)
Ronaldo Testa (Nintendo World)
Théo Azevedo (UOL Jogos/Folha de S. Paulo)
Wanderley Scarpignato (Banana Games)

***

Começo pela primeira categoria:

Os Melhores Games de 2006
Funcionou assim: cada jornalista escolheu os jogos que quis e os colocou em ordem de preferência. O primeiro leva 5 pontos, o segundo 3, o terceiro 1. A partir disso, cheguei ao resultado a seguir.

Quero lembrar que a porcentagem apresentada ao lado de cada jogo refere-se a uma continha burra que inventei: quantidade de pontos obtidos dividida pela quantidade de pontos máxima (155, já que foram 31 votantes) Então, não estranhe se a conta não der 100%. Quem falou que esta votação é oficial e cheia de formalidades?

E aqui estão os melhores games de 2006 segundo a imprensa especializada brasileira…

1. The Legend of Zelda: Twilight Princess (Wii) – 31%

2. Gears of War (Xbox 360) – 22%

3. Final Fantasy XII (PlayStation 2) – 19%

4. Okami (PlayStation 2) – 18%

5. Elder Scrolls IV: Oblivion (Xbox 360/PC) – 16%

6. Guitar Hero 2 (PlayStation 2) – 14%

7. Wii Sports (Wii) – 12%

8. Bully (PlayStation 2) – 8%

9. Winning Eleven 10 (PlayStation 2) – 7%

10. Battlefield 2142 (PC) – 5%

Menções honrosas:
New Super Mario Bros. (DS)
Tony Hawk´s Project 8 (multi)
Yakuza (PS2),
Tekken (PSP)
Call of Duty 3 (multi)
Sam & Max (PC)
Scarface (multi)
Company of Heroes (PC)

De surpresa, para mim, só a excelente posição de Oblivion. Quem jogou o game de verdade acabou o colocando em lugar bem alto em seu ranking. De resto, não surpreende a ausência de jogos para PlayStation 3, GameCube, Game Boy, Xbox e DS na lista. O PS2 teve seu último grande ano, emplacando cinco games no Top 10. Wii e 360 emplacaram dois jogos cada. O PC também.

E agora, a segunda categoria…

Melhores Lançamentos de 2006 no Brasil
O critério era assim: o que aconteceu de melhor no mercado de games brasileiro este ano? Cada eleitor escolheu 3 fatos/coisas em ordem de preferência. O primeiro leva 5 pontos, o segundo 3, o terceiro 1. De maneira espontânea, claro – cada um falou o que veio à cabeça. A partir disso, cheguei ao seguinte resultado:

E os grandes lançamentos de 2006 no Brasil foram…

1. Xbox 360 – 78%

2. Video Games Live – 32%

3. Wii – 13,5%

4. Revista Oficial do Xbox – 11%

5. Second Life – 9 %

6. Jogos para Xbox 360 em português – 7%

7. Revista Rolling Stone – 5%

8. Graphic Novel de Metal Gear Solid – 3,5%

9. Jogos para celular da Tec Toy – 2%

10. Arena Gamer Experience – 1%

Menções honrosas:
Flight Simulator X Deluxe antes no Brasil
Gears of War (“Que campanha de marketing maciça, mermão!”)
Boom de blogs de jornalistas de games
Os podcasts do Audiogame
PlayStation 3

Aqui, vitória quase absoluta do Xbox no Brasil (26 dos 31 eleitores colocaram o console em uma de suas 3 escolhas). Os jogos em português para a máquina também ganharam destaque. Seria mesmo difícil bater a campanha de marketing massiva que a Microsoft fez durante novembro inteiro (Mas e em dezembro, alguém aí viu alguma coisa? Eu também não…).

Muita gente também citou o Vídeo Games Live como fato memorável, assim como as estréias de publicações (Xbox 360, Rolling Stone, Metal Gear Solid) e da versão nacional de Second Life. O Wii também ganhou citações tímidas. Mas e o PlayStation 3? Uma única menção, que mais parece por ironia.

E agora, a última categoria…

O Pior de 2006
Aqui, mais liberdade ainda: cada jornalista falou mal do que quis. Valeu de tudo: produto, evento, notícia… qualquer coisa que tenha comprometido o bom funcionamento mercado dos games em 2006. Não foi possível fazer uma porcentagem, porque os votos foram muito variados e distintos, mas abaixo você vê algumas das citações. É claro, os votos permanecem secretos:

1. O preço do PS3 no Brasil – 5 votos

2. O preço do Wii no Brasil – 4 votos

3. O descaso da Sony com o Brasil – 3 votos

4. EGS cancelada em 2006 – 3 votos

5. O evento Arena Gamer Experience – 2 votos

6. O preço do Xbox 360 no Brasil – 2 votos

7. A falta de transparência no concurso JogosBR – 2 votos

Menções honrosas:
O preconceito dos políticos brasileiros contra os games
Xbox Live não habilitada no Brasil
Código da Vinci – o game
O fracasso de Erínia
O sumiço de Taikodom
Carga tributária ainda alta no Brasil
Xbox e Cube abandonados
Jogos da Electronic Arts para Xbox 360 a R$ 200
Cobertura dos jornais aos games
O trabalho da Latamel no Brasil
O evento Top Game Show

Aqui, acho que as respostas falam por elas mesmas…

***

sua opinião agora é a mais importante. Diga o que pensou sobre os resultados. Na semana que vem, após a ressaca do Natal, volto a comentar essa eleição.

2006 ainda não acabou.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
21/12/2006 - 21:02

Está acabando

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Final de ano, tempo de eleger melhores do ano. E também de muito trabalho. Para compensar a ausência de novidades por aqui entre ontem e hoje, garanto uma bela surpresa para amanhã: o resultado de uma votação de melhores do ano, que o Gamer.Br realizou informalmente com dezenas dos melhores jornalistas de games do país. Até amanhã, espero ter os votos de todo mundo. Se não, entra na segunda. Ou você está com pressa?

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
19/12/2006 - 23:59

Biscoito Fino

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Três palavras antes do dia acabar: Metal Gear Solid. A graphic novel lançada no Brasil pela Pixel Media é quadrinho levado a sério e game tratado com respeito, tudo em um mesmo produto. O meu chegou ontem, e já sumiu de minha mesa.

O volume 1 chega às bancas só na sexta, por R$ 33,90, mas vá se adiantando. É um dos melhores lançamentos do ano, sem exagero.

De volta ao trabalho…

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
18/12/2006 - 19:38

Entrevista da Semana: Fabio Santana (EGM Brasil)

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Segunda, você sabe, é o dia de lamentar o final do final de semana. E também de ler uma caprichada Entrevista da Semana. O eleito da vez é o Fabio Santana, editor da revista EGM Brasil e um dos mais conceituados jornalistas de games do país. Fabão fala (e muito!) sobre tudo e mais um pouco, e você confere esta longa e instigante conversa a seguir:

Gamer.Br: Você trabalha há dez anos no mercado editorial de games. Resuma o que aconteceu de lá para cá nesse sentido. Se evoluímos, quanto foi?
Fabio Santana: Muito. Digo isso como leitor e como profissional também. O mercado amadureceu e, em vez de pilotos e revistas de detonados, temos jornalistas e publicações voltadas para um público mais velho. Dá gosto de ler. No lado da criação, melhorou o acesso às informações. Hoje, é muito mais fácil estabelecer uma relação com produtoras internacionais. Em vez de acompanharmos tudo de longe, estamos muito mais integrados com o cenário mundial de games.
Ao mesmo tempo, a indústria de games brasileira se desenvolveu bastante, gerando a necessidade de voltarmos nossas atenções ao “próprio umbigo”. Esse avanço tem melhorado a exposição do Brasil lá fora, o que deve abrir cada vez mais portas para os brasileiros jornalistas de games.

Como o mercado editorial “de papel” pode superar a concorrência quase desleal com a internet? As revistas vão acabar?
Não concorrendo. Seria inútil tentar bater de frente com a internet naquilo que ela é infinitamente melhor: conteúdo quente, ou seja, notícias. Muita gente não sabe, mas depois de finalizar uma revista na redação, ela fica aproximadamente uma semana na gráfica e, depois, mais uma semana na distribuidora para chegar às bancas do país inteiro. Então, do momento em que escrevemos o último parágrafo da edição até o momento em que a revista chega às mãos do leitor, lá se foi metade de um mês. E muita coisa acontece nesse ínterim.
A solução é apostar em coisas nas quais a internet, geralmente, é deficitária. Reportagens especiais, algumas feitas ao longo de meses de pesquisas, entrevistas com gente da indústria, curiosidades… O lance é diversificar o conteúdo frio, aquele que não tem hora pra ser publicado, e também enriquecer o conteúdo morno (porque quente mesmo, só na internet) com um trabalho de pesquisa e aprofundada verificação de informações.
É preciso explorar as características únicas de periódico impresso. Como temos um mês para fazer cada edição, é preciso confeccionar, apurar e lapidar o conteúdo, coisa que é rara na internet, onde as atualizações requerem a máxima urgência.
Outra boa maneira de garantir a relevância da publicação impressa é integrá-la a um web site. Você pode oferecer conteúdo adicional online, ou oferecer extras, como podcasts, videocasts, videoanálises… Dessa maneira, você une o melhor dos dois mundos e faz um bom trabalho de marca que atinge usuários on e offline.

O que dizer aos críticos que acham que as revistas de games estão com os dias contados?
Eu não vejo dessa maneira. É bem verdade que as revistas impressas em geral têm apresentado uma queda constante, em todos os segmentos – a não ser em títulos de oportunidade, mas me nego a fazer uma EGM Brasil com o Rebeldes na capa só pra vender mais [risos]. É verdade, também, que o brasileiro tem fugido da leitura de qualidade para passar mais horas na internet, onde, como disse, nem sempre é possível fazer uma correção ortográfica ou verificar a veracidade das informações.
Porém, eu acho que sempre haverá consumidores para publicações impressas. E dizer isso não equivale a afirmar que ainda existe gente comprando discos de vinil. Não é só uma opção pelo amor à tradição ou pela comodidade de levar sua leitura a qualquer lugar (o que, fatalmente, acontecerá com as publicações digitais; basta ver as tendências de portabilidade). É apenas pela simples constatação de que revistas impressas trazem conteúdo diferenciado, que complementam sua experiência online. É a percepção de que você não precisa visitar cinco ou seis sites para saber tudo sobre um assunto, apenas uma matéria especial bem escrita. Além disso, confio no progresso do nosso país. Sei que não temos o melhor ensino do mundo (ok, na verdade, estamos muito longe disso), mas, quando não apenas as escolas, mas também as famílias incentivarem a leitura, teremos uma revitalização do mercado de publicações impressas (e uma nação com mais opinião).

Você jogou os 3 consoles. Qual é o preferido por enquanto?
Acho que o ano de vantagem em relação aos concorrentes da nova geração tem mostrado bons resultados para o Xbox 360. Tem o serviço online mais estável e cheio de recursos (enquanto o PlayStation 3 e o Wii mal têm jogos online) e tem recebido jogos mais avançados, como Gears of War. Como os desenvolvedores tiveram mais tempo para se acostumar com a máquina, descobrir seus segredos e aperfeiçoar técnicas, é natural que os jogos de 360 sejam mais “polidos” que os de PS3. Infelizmente, não tive condições de adquirir um ainda, mas tenho me divertido bastante com o console da redação.
A máquina da Sony é a que menos me atrai por enquanto. Ainda custa muito caro e oferece pouca coisa. Metal Gear Solid 4, com sorte, só no final de 2007, e Final Fantasy XIII, em 2008. Acho que ele estará muito mais interessante quando estiver no mesmo ponto de seu ciclo em que o Xbox 360 se encontra agora.
O Wii, por sua vez, também sofre da “síndrome de lançamento”: jogos marginalmente mais bonitos que os da geração anterior e que mal aproveitam os recursos únicos da máquina. Claro, julgar o console da Nintendo pelos gráficos seria desvirtuar a discussão, por isso, nem levo isso em consideração. Estou dizendo é que tem poucos jogos que realmente façam diferença. Mas um deles é Zelda. Comprei um Nintendo 64 por causa de Zelda. Comprei um GameCube por causa de Zelda. E agora não foi diferente.

Falando sobre mercado brasileiro: a pirataria é o problema ou a solução?
Depende da ótica pela qual se vê e o intervalo de tempo pelo qual se considera o assunto. Para publicações que falam sobre jogos, impressas ou digitais, a pirataria pode parecer algo bom. Afinal, o consumidor compra mais e mais jogos, então, ele vai querer se informar sobre todos os títulos que adquirir. O comprador de produtos ilegais, por sua vez, parece estar bem satisfeito com a situação atual do mercado, assim como o trabalhador informal que faz da copiadora o seu ganha pão.
Porém, creio que esses são pontos de vista bem limitados. Se analisarmos os aspectos comerciais, com vistas ao futuro, constataremos que a pirataria causa mais danos que benefícios ao país e, conseqüentemente, ao consumidor. A situação atual do Brasil com relação à pirataria não é segredo para ninguém, muito menos para as grandes empresas estrangeiras de games, como Sony, Nintendo, Microsoft e produtoras third party. Responda às pergunta: “Se você fosse um alto executivo de uma dessas empresas, colocaria seu emprego em risco recomendando a instalação de uma filial no Brasil? As vendas justificariam os investimentos? Ou seria uma aventura arriscada?”. Se nada mudar por aqui, acho que você ficaria numa situação bem delicada.
É preciso que as ações ostensivas sejam mais eficientes. É preciso um trabalho de inteligência mais eficiente. É preciso fazer campanhas de conscientização (e não apenas inibição) mais eficientes.
Se a pirataria acabar, acaba um grande entrave para a formalização de uma indústria de games nacional. Aí, só vai restar o outro grande problema…

Pelo que você acompanha do mercado, estamos indo bem, estamos lentos ou estamos aquém do que poderíamos?
Temos caminhado corajosamente, mas num ritmo incompatível com o potencial desse mercado. A pirataria tem impedido um avanço mais rápido, junto com o outro problema que mencionei: impostos. Eles são numerosos, altos e ineficientes. Inibem a entrada de empresas estrangeiras e incentivam o consumo de produtos ilegais. É uma situação constrangedora: os impostos são altos, mas o governo não arrecada, pois não se vendem produtos originais. Se houvesse uma taxação mais justa, entre outros incentivos à indústria, mais empresas poderiam seguir o exemplo da Microsoft, que está apostando no Brasil com seu Xbox 360. Mais empregos seriam gerados, jogos e consoles seriam mais baratos e, com a formalização do mercado, impostos seriam arrecadados e então repassados ao povo. Todos ganhariam.
Há outros problemas a resolver também, de âmbito governamental, que representam barreiras à entrada de empresas estrangeiras, como a burocracia e o custo da mão de obra. Problemas que outros países em desenvolvimento têm sido mais eficientes na resolução, como Argentina, México, Coréia do Sul, China… São medidas com uma vasta amplitude, mas que acabam refletindo na indústria de games a partir do momento em que o país se torna um território viável para grandes investimentos.
Como disse, estamos ainda aquém daquilo que o potencial do gamer brasileiro permite, mas o cenário tem se modificado de forma a acelerar o avanço.

O que você ainda não viu acontecer no Brasil e gostaria de ver?
Um evento de game de relevância internacional, cheio de atrações, como são E3, Games Convention e Tokyo Game Show. Onde fossem mostrados jogos de várias produtoras, muito antes do lançamento, com a presença de game designers famosos e com shows de game music inesquecíveis. Acho que estamos caminhando para isso.
Também gostaria de ver uma cobertura mais consciente e responsável pela mídia não especializada. Ouvir o termo “joguinhos” e a associação estereotipada de videogames a crianças ainda hoje é lamentável. Mas acho que é mais fácil continuar sonhando com uma E3 brasileira…

A imprensa de games nacional é “chapa-branca”?
Questão complexa. Qualquer veículo e qualquer jornalista que se preze deve ter compromisso com o seu leitor, pois ele é pagador de grande parte, senão da totalidade do seu salário. É preciso ser imparcial, sem favorecer ou desmerecer empresa x ou y. Isenção é a característica vital para se ter credibilidade. Afinal, o leitor é inteligente e, muito provavelmente, joga muito mais tempo do que o analista pôde jogar para escrever uma crítica, portanto, saberá julgar se houve favorecimento ou condescendência na análise. O mesmo funciona com uma reportagem, ou preview, ou qualquer outro artigo. O leitor domina o assunto e não se deixa enganar.
Porém, porque o nosso segmento é relativamente novo, acho que falta percepção mais precisa do nosso papel. Não por parte dos jornalistas de games, que são apaixonados conscientes, ou dos leitores, que recorrem a nós como referência, mas por parte dos executivos e diretores de empresas. Por um lado, há as empresas de mídia. Seus produtos, sejam impressos ou online, têm que dar lucro. É preciso vender mais revistas, conquistar mais assinantes para o site e vender mais anúncios para ambos. O jornalista é um funcionário de uma dessas empresas, e tem a difícil tarefa de conciliar a sua posição neutra com as demandas dos demais departamentos, todos pensando em lucro: agradar o anunciante, fazer média com o parceiro comercial etc.

E por outro lado?
Por outro, existem as produtoras/importadoras/mantenedoras de jogos. Algumas delas, e isso não é um problema exclusivo do Brasil, reclamam quando você dá uma nota baixa para um jogo, e há casos de ameaças de cancelamento de suporte (ou seja, nada mais de jogos para preview/review ou entrevistas com produtores) ou de remoção de anúncios.
Uma vez, o amigo Dan “Shoe” Hsu, editor da EGM americana, fez um editorial contando um caso do tipo. Uma produtora (que ele não quis identificar) ligou para ele pedindo para mudar a nota de um jogo, ou eles tirariam a programação de um ano de anúncios que haviam fechado. O Shoe, claro, se negou a elevar a nota, e disse que poderiam fazer o que quisessem, pois nada poderia prevalecer sobre a isenção jornalística.
Claro que lá a realidade é outra, e a Ziff Davis Media, editora da revista, tem condições de secundá-lo nessa posição. Aqui, qualquer dinheiro faz falta, então é mais difícil, como disse, fazer perceber o nosso papel. As empresas têm que entender que escrevemos para os leitores, e não para elas. Falta a consciência de que, se sustentarmos a credibilidade, isso será bom para todos. Os leitores serão fidelizados, a revista vai vender mais e o bom produto avaliado vai vender mais. De que adianta o veículo falar bem de algo que não é bom, para então perder sua base de leitores em conseqüência da atitude irresponsável e depois não ter moral nem para falar do produto bom, nem do ruim?

De que lado deve ficar o jornalista?
Essa é uma questão filosófica. Acho que a classe faz um excelente e imparcial trabalho, mas a pulso. Ainda leva um tempo para educar os detentores do poder financeiro sobre nosso papel, mas acredito no progresso, e acho que um dia todos trabalharão para prestar um bom serviço: as produtoras para as editoras, essas para as produtoras, e ambas para o consumidor.

Ufa. Depois dessa. diga quem vai ganhar a guerra da nova geração.
Eu, particularmente, me baseio no exemplo da guerra de portáteis PSP vs. DS. Nesse meio, a Sony apostou em tecnologia e em multifuncionalidades; a Nintendo preferiu privilegiar novas formas de interação, sem tanto foco em qualidade gráfica ou recursos adicionais. O DS está à frente em venda de hardware no mundo todo, e muito, mas muito mais à frente em venda de software.
No segmento de consoles domésticos, está acontecendo a mesma coisa. O Wii chegou aos principais territórios do mundo sob grande expectativa, e vem esgotando todos os novos estoques que chegam ao mercado – elogios ainda à eficiência da Nintendo em abastecer devidamente seus consumidores. Fatores como baixo custo (relativo) de desenvolvimento, ciclos mais breves de criação e facilidade de programação (por ser basicamente um GameCube “overclockado”) estão atraindo third parties.
O PlayStation 3, por sua vez, aposta em tecnologia de ponto, à prova de futuro, a um alto custo. Mas, até agora, a Sony tem enfrentado uma série de problemas, desde dificuldades em atingir suas metas de produção e imperfeições técnicas até campanhas de marketing frustradas. Mesmo assim, a força do nome PlayStation tem sustentado o interesse dos consumidores. E ainda tem franquias de peso pela frente, como Metal Gear Solid 4 e Final Fantasy XIII. Acho que o PS3 se recupera com o tempo, principalmente quando mais pessoas tiverem acesso a aparelhos de alta definição e o console baixar de preço, mas duvido que chegue perto das mais de 100 milhões de unidades vendidas que seus dois predecessores ultrapassaram.
Já a Microsoft não está naquela guerra de portáteis que mencionei, mas é fácil perceber como a empresa amadureceu com o primeiro Xbox. O 360 foi lançado com um ano de antecedência e é o mais eficiente em atingir territórios fora do eixo EUA-Japão-Europa. O console se beneficia agora de títulos mais avançados, mais bonitos até que os de PlayStation 3 (Gears of War que o diga), e tenho certeza de que vai vender mais que a incursão anterior.
Fico feliz em ver uma geração tão equilibrada e tão empolgante, por isso é difícil prever qual empresa realmente vai se sagrar vitoriosa ao final de mais esse ciclo. Nesse momento, nem mesmo as produtoras estão se dedicando inteiramente a uma plataforma específica. Veja o exemplo da Square Enix: o próximo episódio numerado de Dragon Quest, sua franquia co-principal, veja só, será lançada exclusivamente para Nintendo DS!
Por todos os lados, vemos implícita a mensagem “espere para ver”, então, não vou fazer mais que dar esse panorama para o curto/médio prazo.

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , ,
15/12/2006 - 21:58

Fishing

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Confira a belíssima matéria do Théo Azevedo sobre as taxas que encarecem os preços dos videogames no Brasil. Leitura obrigatória.

Hoje tive a chance de ler a mais nova edição da EGM Brasil, com novo logo, projeto gráfico e editorial e seções. Devo confessar que fiquei impressionado com o que vi – é praticamente outra revista, no melhor sentido possível.

Ainda não consegui ler a Revista Oficial do Xbox 360, apenas folheei na banca, mas também fiquei bastante impressionado. Estou esperando meu exemplar para dar meu parecer, mas já deu para sentir que o negócio é finíssimo.

Bombando também está o blog G2, focado na loucura que é Second Life (dois milhões de residentes? Você está entre eles?). Pena que não posso dizer quem são Pedro Ock e Chico Benton, os autores dos posts do site…
ou será que posso?

Também bomba legal o Elemento X, interessante reality game da Microsoft para divulgar o Xbox 360 no Brasil. Já encontrou as pistas por aí?

***

Veja só, amigo leitor e visitante, quantas sardinhas puxei nas linhas acima. Adivinhe só se eu ganhei um único real que seja para divulgar qualquer um desses produtos?

É isso aí.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
14/12/2006 - 20:43

Quick game

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Curtinhas, porque a semana é curta (e já está acabando, ainda bem):

A Electronic Arts enfim divulgou suas ações para o Xbox 360 no Brasil. Seus jogos para o console chegam às lojas brasileiras (FNAC, UZ, algumas megastores ponto com) neste sábado, dia 16.

Need for Speed Carbon, FIFA 07, The Godfather e Fight Night Round 3 são os quatro primeiros games dessa leva. De novidade mesmo, FIFA e Carbon, lançados no mês passado lá fora. Chefão e Fight Night já possuem um certo tempinho.

“Com estes lançamentos, reafirmamos nosso compromisso com o Brasil e iniciamos um forte trabalho de suporte ao desenvolvimento da indústria nacional de videogames”, diz o release. O preço de cada jogo é mais alto do que o dos games lançados pela própria Microsoft: R$ 199 (ao invés dos R$ 159 de Gears of War e Viva Piñata). Outros jogos serão divulgados em breve.

Agora vai. Vai? Vivendi, Atari, e aí?

***

Soube que uma das principais premiações do mercado de games nacional, o Troféu Gameworld prepara-se para uma terceira edição “histórica e cheia de surpresas” – confome me revelou uma fonte muito bem informada. A votação dos Melhores de 2006 deve começar nas próximas semanas.

***

Por falar em votação, o sempre sério site Next-Gen publicou uma lista com as 25 pessoas mais importantes do mercado de games em 2006. Entre montes de desconhecidos, quatro figuras fáceis nas quatro primeiras posições: Reggie Fils-Aime da NOA, Cliff B da Epic, Satoru Iwata da Nintendo e Peter Moore da Microsoft. Eu concordei, e você?

***

Dei uns palpites:

…sobre o PS3 na edição mais recente da revista Dicas e Truques para PlayStation.

…com um texto na sensacional revista Continue, a qual, infelizmente apenas alguns privilegiados poderão ler. Trabalho de conclusão de curso dos jornalistas Gustavo Hitzschky, Claudio Prandoni e Alexei Barros, a publicação é um sopro de ânimo interessantíssimo em nosso tão concorrido mercado editorial. Revisteiros, contratem logo esses caras.

…no caprichado site Wii Brasil, onde fui entrevistado sobre… o Wii, lógico.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
12/12/2006 - 19:33

Você não notou, mas…

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Cada vez mais me surpreendo com a capacidade do mercado publicitário em criar novas maneiras de chamar a atenção de seu público alvo – ou seja, nos mesmos.

Marketing viral é o termo da vez – um lance que pouca gente cita ou sabe explicar o que é, mas que funciona que é uma beleza. É algo assim: você está aí, sentado, e passa para frente algo legal que recebeu e leu. E nem sabem bem porque passou adiante. A mensagem contida naquele “algo legal” já foi absorvida, imediatamente. Já aconteceu com você? Pode ser que você nem tenha notado.

Estou para falar sobre o Cidade dos Dublês faz tempo. Se você fuça na internet com regularidade, já deve ter recebido este link, ou pelo menos viu em algum site. Se for um boêmio freqüentador dos bons bares da vida, deve ter visto um daqueles cartões postais promocionais explicando sobre o assunto.

O Cidade dos Dubles é uma das ferramentas de marketing viral mais caprichadas que já vi. A idéia dela é divulgar um produto, óbvio, mas de maneira tão sutil e interessante, e, principalmente, divertida. E quer melhor maneira de chamar a nossa atenção do que colocando os games no meio?

A ferramenta contida no site do Cidade dos Dubles exige uma conexão no mínimo rápida e uma webcam. Também é bom ter um pouco de espaço na sala onde se localiza o seu computador (vá por mim, isso é importante). A partir daí, é só seguir as “instruções” dadas pelo figura da tela. O esquema funciona tal qual o Wii da Nintendo, exagerando um pouco. Seus movimentos são reconhecidos pelos objetos da telinha, de modo que você passa a ser um personagem real de um minifilme, interagindo e executando ações diversas (saltar, quebrar janelas etc.). No final, suas proezas se tornam um clipe, que entra em uma galeria junto aos vídeos de outros participantes. É um mico, mas pelo menos tem outras pessoas para compartilhar o constrangimento. Depois eu coloco o link do meu aqui (estou caprichando).

Se hoje os games são usados como ferramenta de marketing ainda de maneira discreta, eu aposto que isso será ainda mais escancarado e aceito em um período não muito distante. Fazendo bem feito e nos divertindo, então não temos do que reclamar – só mesmo comemorar a aceitação cada vez maior dos games no tal do “mundo normal”.

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11/12/2006 - 20:18

Entrevista da Semana: Jocelyn Auricchio (O Estado de SP)

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Segunda-feira é dia de mau humor (hoje está bem complicado por aqui…), mas também dia de Entrevista da Semana no Gamer.Br. O escolhido da vez é o jornalista Jocelyn Auricchio, repórter do caderno Link do jornal O Estado de S. Paulo. Ex-editor de algumas das principais revistas de games brasileiras, como a EGM Brasil, EGM PC (ambas da Futuro) e a PSWorld (da Digerati), Jô tem atualmente a dura tarefa de escrever sobre seu assunto favorito em um dos jornais de maior circulação do país. Nosso papo foi longo e produtivo, e você o confere agora.

Gamer.Br.: Você já passou pela chamada “imprensa especializada de games”, e agora trabalha para a grande imprensa. Qual é a diferença em seu trabalho diário?
Jocelyn Auricchio: Nossa, a diferença é brutal. Na mídia especializada, alcançamos 30, 40 mil pessoas. Na mídia de massa, o número é exponencialmente maior, 1 milhão, 1 milhão e meio de pessoas. É uma tremenda responsabilidade, pois para muita gente que lê, este é o único contato com cultura gamer. Temos que explicar direito, direto ao ponto. E tudo tem que ser verificado e re-verificado, pois uma bobagem que se publica pode ter efeito devastador.

Como o mercado e as empresas de games enxergam a imprensa “séria”? Com pé atrás e preconceito? Ou eles facilitam o seu trabalho?
Ah, nunca é fácil. Sempre acham que quem escreve para jornal é meio amador, que não manja do que escreve. Apenas uma ou outra empresa, que tem uma assessoria de imprensa decente, facilita as coisas. Até empresas gigantes acabam pisando na bola, não por vontade própria, mas por culpa da assessoria despreparada para lidar com um jornalista especializado. Mas quando lidamos diretamente com as empresas, sem intermediários, a coisa vai mais “lisa”.

Então a imprensa séria já sabe cobrir os videogames? O que falta?
Ah, falta gente que realmente saiba do que está falando. Tem tanta barbaridade que vejo por aí. O problema com games é que o jogador não é facilmente levado no bico. Não adianta o jornalista “requentar” press-releases, mudar uma palavra ou duas… o jogador vê isso e fica ofendido. O que falta é termos mais “jornalistas jogadores”, gente que sabe o que é a alegria de jogar um Super Mario.

Como você descreve a relação atual entre os jornalistas de games brasileiros?
Ah, essa é pesada… bom, temos duas correntes aí. A primeira, da qual (penso) fazer parte, é de quem vai atrás da notícia, não importa o tamanho, e que, efetivamente, contribui para a evolução do mercado como um todo. Nessa corrente, não existe competição, mas sim uma rivalidade saudável e um espírito de coletividade e generosidade benigno. Se eu tenho um contato legal e você precisa, o que ganho em negar a você o acesso a uma info dessas?
Se formos unidos como jornalistas, prestamos nosso serviço à sociedade, que é prover o público com informações, e no processo nos divertimos e fazemos amigos.
A segunda corrente, a qual repudio fortemente, é a das panelas. Me entristece demais ver que ainda tem gente que não encara as coisas de forma profissional, que se isola em células de influência e exclui outros colegas com preconceito e até atitudes negativas, que podem, dependendo do grau, prejudicar a carreira de alguém mais novato.

Como isso pode melhorar?
O que acho que falta é a plena noção que não somos a notícia, mas temos o papel de transmiti-las. E que nosso trabalho transcende o meio físico. Imagina se eu fosse ficar bravo com o peixeiro toda vez que ele enrola uma tilápia com a matéria que me matei para fazer…
O barato é que nosso trabalho fica marcado na mente de muita gente, e na maioria das vezes é a única forma de leitura que a pessoa absorve. Nosso dever é levar cultura e informação ao público, colocando em nossos textos referências culturais legais, para enriquecer o leitor e despertar a vontade nele de saber mais. Se todos os jornalistas vissem isso, seria tão mais legal fazer o que fazemos… Ah, e também é vital que respeitemos os novatos. Tem muita gente boa querendo uma chance e cabe a nós, quando tivermos condições, abrir as portas e guiar os talentos na direção certa. Não importa se a pessoa faz um outro curso na faculdade. O que importa é saber escrever bem, ler muito e ser apaixonado por games, sem fanatismo.

Você publicou recentemente uma matéria adiantando a data de lançamento do Xbox no Brasil, o que repercutiu bastante dentro da Microsoft. Você acha que o jornalismo de games ainda é muito “chapa-branca”, ou seja, não critica nem confronta as empresas?
Infelizmente é assim. São poucos os que encaram os grandões e vão atrás da notícia. Precisamos, como imprensa, agir em duas frentes de batalha: uma, combativa, “old school”, em que o povo vai atrás da notícia, cava o furo, consegue umas fontes quentes e deixa o fabricante perplexo. A outra é dar uma força. Sem paternalismo ou jabá, precisamos noticiar o que acontece aqui, sempre com senso crítico, mas precisamos comunicar, senão o mercado vai continuar uma panelinha fechada, com números pífios e potencial desperdiçado. No caso dessa matéria da Microsoft, tive muita sorte em conseguir uma fonte quentíssima. E por mais que me pressionassem (muito educadamente, pois apesar do preconceito de alguns, a Microsoft é fina aqui no Brasil) não revelei a fonte de jeito nenhum. Proteger as fontes é um dos sustentáculos do jornalismo sério.

Qual é a solução para o mercado de games no Brasil?
Ah, impostos mais justos. É uma vergonha o Brasil, com a cultura gamer que tem, estar atrás de todo mundo da América Latina. Estive no México e vi, com tristeza, em um país onde a disparidade social é ainda maior que a nossa, games bombando, gerando empregos e movimentando a economia. Falta aos governantes (e a muito jogador também) entender que os games, muito mais que simples distração, também são passaportes para o futuro. A Coréia do Sul, por exemplo, uniu educação de qualidade ao incentivo pesado para que a população jogasse. O resultado foi uma nação tecnologicamente avançada, onde quase todos entendem como o mundo digital funciona. Games fazem bem, para a economia e para as pessoas. Quando o pessoal em Brasília entender isso e baixar os impostos, teremos a chance de reduzir a vergonhosa diferença entre ricos e pobres que acontece aqui.

E a pirataria, é o problema ou a solução?
Depende do referencial. É problema quando o jogador consome jogos piratas comprados de camelôs. Indiretamente, esse jogo está financiando o tráfico de armas e drogas. Pessoas são mortas por causa dessas porcarias, então, quem compra jogo pirata está contribuindo para que vidas sejam destruídas.
Veja bem, direitos autorais são importantes, mas é o menor dos problemas, na minha opinião. Não vejo mal nenhum em baixar e gravar um jogo de PS2. Para começar, se a Sony tivesse alguma consideração conosco, lançaria o console aqui. Comprar o “oficial” baratinho, na maioria das vezes, implica em compactuar com contrabando, que uma hora ou outra está ligado ao tráfico de drogas e armas.
Então, acho muito melhor baixar o jogo se ele não se encontra à venda oficialmente no País.
Mas, quando temos o jogo oficialmente aqui, a coisa muda de figura. É a maior burrice comprar por R$ 25-45 um jogo pirata de Xbox 360 quando ele está disponível nas lojas a um preço legal. Em vez de dar fôlego ao mercado, você o faz secar e uma hora sumir.
Fora que jogo pirata é jogo mal-usado. Quanta gente se entope de pirataria e depois tem o console frito? E tem a “síndrome de jogabilidade precoce”, onde o jogador fica consumindo piratas desesperadamente, gasta uma grana e não chega a passar da fase 2 dos jogos, pois não persevera nem pensa. Prazer vazio, imediato, bobo. Tô fora!
Vá à loja, compre o oficial, dê uma força ao mercado. E só prestigie jogos que mereçam seu tempo. Se não encontra por um preço decente (R$ 200, no máximo), baixe, pois é pornográfico pagar mais que isso num país como o nosso. E se gostar mesmo do jogo, seja justo, compre original.

Você jogou os três consoles novos. Qual impressionou mais?
Até agora, é o Xbox 360. Tem mais títulos, cumpriu o que se prometia. O Wii vem colado atrás. Torço muito para que mais jogos legais saiam para ele e que a indústria dê apoio ao seu esquema genial de controle. O PS3, como posso dizer… do jeito que está, será um novo “Betamax”. Boa tecnologia, músculos de sobra, mas sem apelo ao consumidor. Se rolarem grandes jogos para o console, pode ser que ele se salve, mas se depender do que foi mostrado, sinto que a Sony termina de ir para o buraco. O que é uma pena, pois considero Ken Kutaragi um dos maiores gênios do entretenimento eletrônico.

Então, quem ganha a guerra da nova geração?
Quem ouvir os jogadores. O segredo são jogos e diversão. Tecnologia é muito legal, desde que tenha função. Até agora, acho que o Xbox 360 e o Wii estão surfando essa onda vitoriosa. Tomara que a Sony se emende e faça seu console trabalhar direito, ou então, vai ser game over…

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08/12/2006 - 20:43

Entre um vôo e outro

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O final de semana promete ser longo e tortuoso. Viagem internacional, daquelas rápidas, porém com previsão de atraso no aeroporto. Nessas horas, não há nada como um console portátil para fazer o tempo passar mais rápido, certo?

Errado, pelo menos no meu caso. Meu matador de tempo favorito se chama iPod. E o game preferido é o Paciência que vem nele embutido. O qual praticamente não precisa de botões para funcionar. Enquanto ouço minhas musiquinhas, passo o tempo.

Por que não usar um videogame portátil numa hora dessas?

Não me pergunte o porquê (ou melhor, pergunte, fique à vontade), mas o PSP não me pegou de jeito. Mesmo quando o jogo é ótimo, ainda assim, sua ergonomia não me atrai a jogar por muito tempo. O NIntendo DS é quase a mesma coisa, apesar dos jogos serem melhores e mais interessantes. Cansa jogar, dá trabalho. E sinceramente, nenhum jogo até agora me fez ter vontade de comprá-lo para jogar todos os dias (nessas horas, trabalhar em um veículo especializado quebra um galho…). Não estou sendo injusto a ponto de dizer que nada presta. Claro que tem muita coisa boa. Mas nada é incrível. Nenhum entraria em minha lista de 50 melhores de todos os tempos. Talvez um ou outro.

Esses portáteis, em 2004, eram itens obrigatórios para qualquer fã de games que se preze. Hoje, dois anos depois, não vejo muita gente fissurada para ter um PSP. O povo ainda quer um DS, mas não sabe bem o que irá jogar nele. Enquanto isso, as pessoas continuam gastando grana em celulares cada vez mais caros e cheios de recursos. E os mp3 players (não só o iPod) estão aos poucos se tornando maquininhas multimídia bem interessantes, que vão além de sua função primária.

Já falei antes, reitero: não são os aparelhos eletrônicos que precisam se render aos games. São os videogames portáteis que precisam se render à multimídia. Que os próximos miniconsoles de Sony e Nintendo (quem sabe da Microsoft) tragam recursos realmente importantes para nossa vida “normal” – telefone, capacidade descomplicada para rodar música e vídeos, armazenamento de dados, agenda eletrônica de compromissos e informações, editor de texto, browser e ferramenta de e-mail… convergência digital já, diria o poeta.

Hora de fazer a mala. Onde será que guardei meu Game Boy tijolão e aquele bom e velho cartuchinho de Tetris?

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Sorte e bons fluidos aos nossos representantes no FIFA Interactive World Cup, que rola neste final de semana na Holanda. Traz o bi, Brasil.

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