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Arquivo de outubro, 2006

31/10/2006 - 09:47

Viva México!

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Ninguém nunca prestou muita atenção ao México no mercado de videogames, mas acho que é hora de darmos uma olhadinha no que acontece lá em cima.

O país que faz fronteira com os EUA é um exemplo interessante de como um país relativamente pobre consegue ter relevância no cenário mundial deste mercado sem fazer lá muito esforço. Para se ter uma idéia, todos os três consoles da geração atual foram lançados lá de forma oficial, a preços bastante semelhantes aos encontrados no território ao lado. Isso significa que Nintendo, Sony e Microsoft possuem escritórios em funcionamento e realizam estratégias de marketing e campanhas regulares na mídia local, tanto na TV quanto em revistas e na internet.

Por falar em mídia especializada, o México orgulha-se de ter uma quantidade grande de veículos de peso – não apenas títulos licenciados, como a EGM e a Club Nintendo, como também o Atomix, que além de ter um excelente programa na TV, faz revista, site e o que mais vier na frente. Jornais fazem cobertura constante dos lançamentos, e os profissionais mexicanos são presença constante nos eventos mundiais. Na E3, por exemplo, a proporção é de 5 jornalistas mexicanos para cada brasileiro, exagerando um pouco (não há estatísticas deste tipo).

E é até interessante ver como a mídia especializada mexicana se leva a sério, agindo até com certa arrogância diante dos “hermanos” da América do Sul. Portam-se como “jornalistas sérios”, falam inglês fluente e possuem entradas com as grandes oportunidades, como entrevistas com produtores importantes e exibições fechadas. Me lembro da E3 2004, quando tive a oportunidade de realizar uma entrevista exclusiva com Shigeru Miyamoto pela revista Nintendo World. Fomos o único veículo brasileiro a conseguir a chance. Naquele mesmo dia, sei de pelo menos 3 revistas mexicanas que conseguiram fazer o mesmo. E houve outras entrevistas que brasileiros nem puderam tomar parte – os mexicanos, claro, estavam em todas.

É óbvio que a Nintendo of America daria mais importância a um mercado que já está em funcionamento, mas foi inevitável não sentir uma pontinha de ciúme: por que eles podem, e nós não.

Para a próxima geração, o México já está mais do que pronto. O Xbox 360 saiu lá ao mesmo tempo que nos EUA. O Wii será lançado no dia 19 de novembro, com direito a grande barulheira na mídia. E o PS3 também estará lá com relativa facilidade, simultaneamente ao mercado norte-americano. Tudo oficial, com garantia e assistência técnica. Com uma bela oferta de jogos. E com um preço não muito proibitivo (mesmo porque, a capacidade de compra do consumidor mexicano não é muito diferente da do consumidor médio de games no Brasil – dadas as devidas proporções). Por conta disso, a pirataria, que antes era escancarada, foi bastante inibida. As pessoas consomem jogos não-originais, mas não tanto quanto no Brasil. Nem precisam, aliás. Eles têm tudo ali, prontinho, logo no shopping da esquina.

Neste último final de semana, rolou a EGS México, evento que já se mostrou sucesso nos últimos 3, 4 anos. O Wii e o PS3 (em vídeo) estavam lá em demonstração, assim como os grandes lançamentos do 360. A importância se estendeu ao nosso país, visto que tudo indica que o evento não vai acontecer por aqui. Logo, 3 jornalistas brasileiros foram até a Cidade do México só para conferir a festa de perto.

É óbvio que o México só é o que é hoje por causa de sua proximidade territorial com os Estados Unidos, o que facilita em muito a resolução de burocracias e entraves. Mas esta não pode ser a única razão para o “sucesso” do mercado de games naquelas bandas. Um certo trabalho foi realizado ao longo dos anos, que facilitou a abertura desta indústria e tornou os videogames uma realidade possível no país. Não é possível sonhar em ser o México, mas o Brasil bem que poderia tomar alguns exemplos do que anda dando certo por lá. Vejamos.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
30/10/2006 - 01:32

Entrevista da Semana: Tommy Tallarico (Video Games Live)

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E claro, para compensar o tempo perdido, publico mais uma entrevista exclusiva. Afinal, já é segunda-feira. Desta vez, conversei com Tommy Tallarico, maestro, compositor e um dos criadores do espetáculo Video Games Live, que chega ao Brasil em menos de duas semanas. O primeiro show rola no Rio de Janeiro em 12 de novembro, enquanto o de São Paulo acontece no dia 19.
Acompanhe a entrevista:

Gamer.br: Como surgiu a idéia de misturar música clássica e videogames?
Tommy Tallarico: É engraçado, porque eu já fazia esse tipo de coisa quando tinha 10 anos de idade. Eu gravava minhas músicas favoritas de jogos do Intellivision, Atari, Apple e Commoddore 64 em fita cassete e misturava tudo. Daí, eu convidava meus vizinhos e fingia tocar a música com uma “air guitar”, com a TV passando os games ao fundo. Mas foi só há cinco anos que eu e meu parceiro Jack Wall [compositor de Myst, Splinter Cell e Jade Empire] nos reunimos para pensar em como fazer isso virar realidade.
Por ser um compositor há 16 anos, tive a alegria de acompanhar as músicas de games se transformarem de simples “blips e blops” para verdadeiras orquestras. Acompanhando essas músicas maravilhosas sendo criadas, sentimos que a melhor maneira de divulgá-las seria criar performances ao vivo. Não apenas os gamers curtem o show, mas o produzimos de modo que mesmo quem não joga sairá completamente maravilhado pelo negócio. E este era justamente o nosso objetivo desde o inicio: chamar a atenção de todo mundo sobre o quão incrivelmente artística e cultural a indústria dos games se tornou.

O show de São Paulo é organizado por duas empresas, a Futuro e a Circuito, enquanto o show do Rio está nas mãos de outra produtora. O que aconteceu, afinal?
Isso acabou sendo algo ótimo e muito positivo para todo mundo. Fui apresentado aos atuais produtores do show no Rio durante a feira CES, em Las Vegas. Estávamos já negociando com eles para fazer este show, quando a Futuro e a Circuito apareceram com a proposta de um show em São Paulo durante a EGS. Infelizmente, parece que a EGS acabou ficando para 2007, mas o pessoal do Rio se empolgou tanto com o fato de estarmos vindo assim mesmo, que colocaram na conversa várias empresas, como a Petrobrás e o UOL. Até o Ministro da Cultura se envolveu na história! Isso acabou sendo algo ótimo para todos, porque agora podemos dividir os recursos de marketing para divulgar os dois eventos. Nosso principal desafio sempre foi fazer as pessoas entenderem o que é o Video Games Live. Não é só uma orquestra sinfônica tocando musica de videogame, mas uma completa celebração interativa-musical-visual à cultura dos videogames, que todos podem apreciar e curtir.
Além do mais, este é o nosso primeiro show no Brasil e queríamos ter certeza de que ninguém iria carregar o piano sozinho. Nosso objetivo é levar o VGL para todas as regiões do país quando voltarmos, no ano que vem. Estamos constantemente atualizando e adicionando algo novo, de modo que o show que as pessoas viram em 2006 é diferente do que aquele que assistirão em 2007. Há tanta música e conteúdo para se escolher, que seria impossível tocar tudo em um único show.

Falando sobre música agora, quais são seus compositores favoritos em todos os tempos?
Bem, vamos começar pelo começo. Elvis Presley e Jerry Lee Lewis sempre foram meus favoritos quando eu era moleque. Especialmente o Jerry Lee tocando piano. Meus pais são um produto dos anos 50, então aprendi a tocar “Jailhouse Rock” e “Great Balls of Fire” de ouvido, no piano, quando eu tinha só 4 anos!
Outras grandes influências foram Steven Tyler do Aerosmith, Eddie Van Halen, Tom Sholtz do Boston, Pink Floyd, Sting no The Police, The Eagles, Styx, Elton John, Billy Joel, Led Zeppelin e Fleetwood Mac.

E sobre música de games? Você também tem compositores favoritos?
Eu gosto muito da obra de Nobuo Uematsu na série Final Fantasy. As músicas de Final Fantasy VII e VIII são as minhas favoritas. Meu parceiro Jack Wall escreveu temas incríveis para os jogos Myst, e também posso citar o Jason Hayes em Warcraft e o Michael Giacchino nos games Medal of Honor. Também preciso citar Koji Kondo e seu trabalho em Mario e Zelda, que são os grandes clássicos de todos os tempos. Claro que todos esses games e compositores aparecem em nosso show no Video Games Live.

Em relação à guerra dos consoles que começa agora: quem ganha? Nintendo, Microsoft or Sony?
Sou um grande fã de Mario e Zelda de modo geral, mas alguns dos meus jogos favoritos nos últimos anos foram Shadow of Colossus, ICO, Beyond Good & Evil e Guitar Hero. A maioria desses jogos combina um ótimo enredo e trilhas sonoras riquíssimas.
Sobre a guerra dos consoles… bem, acho que há coisas ótimas em cada uma dessas máquinas. Acredito que elas estão muito próximas umas das outras, e que pela primeira vez haverá um empate triplo no primeiro lugar. Quem ganha mais com isso tudo? Os jogadores, claro! Cada fabricante irá competir para chegar na frente, e isso só pode resultar em algo muito bom para os consumidores.

E quais são os planos para este período de quase duas semanas no Brasil? Festas, praias, caipirinha, pesquisas musicais, mulheres?
Bem, primeiro, tenho que cuidar dos ensaios com a orquestra e o coral. Daí preciso me preocupar com um monte de detalhes, por causa da complexidade técnica do show. Depois disso… nenhum de nós jamais foi ao Brasil, então decidimos que iremos mergulhar de cabeça na cultura, na paisagem e na música enquanto estivermos aí, e fazer de nossa permanência um belíssimo período de férias. A coisa que mais quero fazer? O que se diz aqui nos EUA é que as mulheres brasileiras são as mais lindas do mundo. Acho que terei que descobrir isso sozinho… quem sabe eu não termino a turnê com uma esposa brasileira?

Para acabar: você tem ou não parentesco com o Steven Tyler [vocalista do Aerosmith]? Afinal, vocês tem o mesmo sobrenome…
Sim, na verdade, ele é meu primo. Estou impressionado de você saber que o nome verdadeiro dele é Steven Tallarico. Por conta disso, você ganha 10 pontos e um ingresso grátis para o VGL! [risos] Te vejo no show!

Autor: - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: ,
30/10/2006 - 00:14

Começando

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Peço desculpas a quem visitou este blog nos últimos 3 dias sem encontrar atualizações. É a vida ficando difícil novamente. Mas logo volta ao normal, principalmente com tanta coisa importante acontecendo: é novembro chegando, o mês mais importante da história da indústria de games em todos os tempos.
Não acho que estou exagerando. Videogame deverá ser assunto obrigatório na mídia mundial durante o mês. Até emissoras de TV aberta devem dar seu espaço aos novos consoles que estão chegando aí. Jornais, revistas… e até mesmo a versão norte-americana da Rolling Stone terá uma matéria especial sobre o PS3 e o Wii – não me lembro de ter visto esse tipo de matéria anteriormente (e é claro que a versão nacional também trará uma matéria semelhante). Ou seja, a coisa é grande, maior do que qualquer outro momento recente.
Mas este post foi só para justificar uma ausência na sexta-feira. E desejar sorte ao novo (velho) governo, e torcer para que, no diz respeito ao tema central deste site, novidades aconteçam muito em breve. Sabe aquele famoso projeto de redução de taxas a que tanto nos referimos e que tanto ajudaria nosso mercado a se desenvolver? Poderia começar a andar, certo? Já é tempo. Ou melhor, demorou demais.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
26/10/2006 - 03:18

Os limites do mundo

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Esta semana, só se fala nisso. E é claro que tem dedo da Sony no meio.
Na segunda feira, a mundialmente famosa loja de produtos eletrônicos Lik-Sang anunciou o encerramento definitivo de suas atividades. Segundo a loja, o fechamento foi forçado pelos diversos processos legais abertos pela Sony Europe e a Sony Computer Entertainment, que a acusam de infringir direitos autorais, entre outros crimes do gênero. O motivo: vender a consumidores europeus o portátil PSP destinado ao mercado asiático.
Desde que fez o anúncio em seu endereço virtual, a Lik-Sang, cuja sede fica em Hong Kong, deixou de aceitar encomendas e prometeu ressarcir todos os consumidores que pagaram adiantado por algum produto, além de garantir que ninguém “sairá machucado pelo fogo cruzado dos processos”.
Apesar de não assumir responsabilidade pelo ocorrido, um representante da Sony declarou através do site Gameindustry.biz que os processos movidos contra a Lik-Sang seriam uma tentativa de proteger os consumidores europeus de produtos que não seguiriam os padrões de segurança do continente, dando como exemplo as voltagens elétricas diferentes em cada mercado e a incompatibilidade regional entre discos. A Lik-Sang rebateu, jurando que os PSPs que vendia em seu site estavam de acordo às normas de segurança locais, e inclusive acompanhavam transformadores de voltagem bivolt.
Para jogar ainda mais PSPs (opa!) no ventilador, a loja revelou nomes e cargos de diversos executivos da Sony Europe que teriam comprados seus consoles portáteis na própria Lik-Sang, imediatamente após o lançamento japonês e muito antes de qualquer processo existir. A Sony defendeu-se, claro, alegando que a compra dos tais PSPs foi parte de uma investigação interna das atividades da Lik-Sang, e se disse surpresa com o fato da loja ter sido antiética a ponto de divulgar dados privados sobre seus próprios clientes.
Conheço muitas pessoas no mercado brasileiro que já fizeram suas comprinhas na lojinha, sem dúvida, uma das mais completas deste planeta. Nunca ouvi nenhuma reclamação, pelo contrário. A Lik-Sang sempre foi conhecida como uma verdadeira “tem de tudo”. E se não tivesse, eles arrumariam. Por preços honestos e compatíveis. E não cobravam frete para certos envios. Um case comercial realmente impressionante e digno de estudos.
“Culpem a Sony. Essa é mais uma marca negra em sua vergonhosa história como líder da indústria de videogames. O Império finalmente ‘venceu’, algumas lojas dominantes no Reino Unido provavelmente saudarão a notícia, mas todo o restante no mundo de jogos perdeu alguma coisa hoje”, dizia o intenso parágrafo final da declaração oficial da Lik-Sang, assinada pelo ex-gerente de marketing Pascal Clarysse.
O mesmo Clarysse ainda deu uma exagerada em um outro parágrafo, mas veja como tudo faz bastante sentido.
“Hoje é uma vitória da Sony Europe a respeito do PSP, amanhã é a Sony Europe pressionando sobre o PlayStation 3. Com esse precedente, na semana seguinte poderíamos ter reclamações da Sony America pelo mesmo motivo, ou de outras fabricantes de consoles sobre seus sistemas e regiões, ou até mesmo as distribuidoras sobre títulos específicos para algum país que eles achem inapropriado. É o começo do fim… do mundo como o conhecemos”.
Pergunto: nestes tempos caracterizados pela intensa velocidade da informação, pela internet cada vez mais rápida, pelos envios expressos a qualquer parte do mundo e pela queda de tantas barreiras comerciais, quanto tempo irá demorar para que esses inúteis e ultrapassados obstáculos regionais caiam em desuso? Valeria a pena que as grandes corporações pensassem a respeito… mas é muito provável que elas ignorem tudo e continuem a fazer o que fazem.
Fazer o quê?

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
24/10/2006 - 02:01

Três assuntos

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O Brasil fez bonito lá no World Cyber Games, em Monza, mas “só” conseguiu uma medalha de prata, no game de estratégia Warhammer: Dawn of War – Winter Assault. E ai de quem reclamar que “no ano passado a performance foi melhor”. Foi melhor mesmo (em 2005, nossos atletas levaram um ouro e duas pratas). Mas acho que ficará cada vez mais difícil figurar no quadro de medalhas daqui em diante. E não é pela qualidade de nossos jogadores, mas sim pelo aumento da competitividade de modo geral. Pelo menos, tudo indica que no ano que vem teremos representantes também nas categorias que envolvem o Xbox 360. Mais chances para nós.
E parabéns ao Gregório “deathgun” Costa, pela belíssima performance.
***
Estou devendo um texto sobre o PlayStation 3. Já falei sobre Wii, 360, mas jamais me dignei a escrever sobre o caixotão da Sony. Não é falta de consideração: é pura preguiça mesmo. Discorrer sobre o PS3 é exercício trabalhoso, dada a quantidade de polêmica que envolve a máquina, seu lançamento e sua fabricante. E tem outra: a Sony continua a se fingir de morta em relação ao Brasil, inclusive ignorando os pobres jornalistas que só querem ouvir umas poucas palavras sobre seu produto valioso. Não estamos querendo mudar o mundo – somente informar nossos leitores. Mas a Sony leva muito a sério sua política. Certa ela. Mas um tanto de consideração não seria nada mal.
Foi só um desabafo, nada pessoal. Eu, assim como você, estou louco para jogar MGS 4 e outras belezas. Mas um dia, espero mesmo morder a língua sobre esse descaso da Sony em relação ao Brasil. Já ficou chato.
***
Agora, Video Games Live.
Rolou mudança no esquema do show em São Paulo: agora, não tem mais ingresso para “pista”. Todo mundo assistirá ao show sentado – algo bom, em se tratando de um concerto de 3 horas de duração. São diversos setores, mais próximos do palco ou não, e é isso que determina o novo valor do ingresso (alguns são até mais baratos do que o valor original, R$ 80). Se você já comprou o seu, será informado sobre as mudanças, reembolso ou trocas por telefone. O Via Funchal vai ligar, não se preocupe.
Quem ainda não comprou, melhor ir logo: a mudança na estrutura fez a procura aos ingressos aumentar muito, conforme me adiantou hoje o pessoal da Circuito, que está organizando o evento. Já não tem camarote, nem mezanino.
E só lembrando, o show é no dia 19 de novembro, também conhecido como “Dia da Bandeira”. Ou você vai dizer que não conhecia essa data cívica?

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
23/10/2006 - 00:52

Entrevista da Semana: Luis Pazos Paredes (Microsoft)

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Mantendo a tradição iniciada na semana passada, publico uma entrevista com o Luis Pazos Paredes, gerente de marketing da divisão de entretenimento da Microsoft para a América Latina. Realizada em Barcelona após o final do evento X06, a entrevista revela um pouco (mas não muito) sobre a estratégia da empresa para o lançamento do Xbox 360 em nosso país. Vale lembrar que o papo na íntegra pode ser lido na edição deste mês da revista EGM Brasil, que acabou de chegar às bancas.
Gamer.br: Do que depende hoje o lançamento do Xbox 360 no Brasil?
Luis P. Paredes: Lançar oficialmente um console é uma coisa séria. É um compromisso com o gamer brasileiro, então temos que cumprir certas expectativas: garantia, suporte técnico, um portfolio legal de jogos e acessórios, experimentação nas lojas. E há várias coisas que precisam ser acertadas antes, como planejar a produção dos consoles na China, por exemplo. Estamos trabalhando com um modelo de negócio no qual dependem algumas variáveis, mas já temos um caminho bem avançado. Assim que esses detalhes se definirem, poderemos falar sobre datas.
E o que se pode esperar do lançamento oficial?
O gamer já sabe que o 360 está à venda de forma não-oficial no Brasil. Mas o lançamento oficial significa garantia, assistência técnica autorizada, jogos com embalagens e manual em português. Alguns jogos, inclusive, serão totalmente traduzidos para o português. E há também o compromisso de que o consumidor chegará à loja e encontrará os melhores jogos à disposição, que chegarão simultaneamente nos EUA e no Brasil, tudo a um preço atraente.
Ações de marketing, propagandas na TV, coisas do tipo, estão nos planos?
A presença oficial significa que a Microsoft fará um investimento forte no país. O lançamento viria acompanhado de uma série de ações de divulgação para mostrar que o nosso produto está no Brasil. As lojas que venderem o 360 terão um quiosque interativo, onde o consumidor poderá testar os produtos. A experiência de compra ficará muito mais transparente.
E a rede Xbox Live, estará disponível também?
Este também é um detalhe que vamos revelar mais tarde. Nós só vamos falar de Live quando divulgarmos oficialmente o lançamento do 360.
Com Microsoft e Nintendo visando fazer negócios no Brasil, será que a Sony se sentirá encorajada a fazer o mesmo?
Olha, na verdade você deveria perguntar isso para a Sony. Mas eles já tiveram que atrasar o lançamento da Europa e terão problemas de oferta em nível mundial, e imagino que o Brasil não seja prioridade deles agora. Sem contar que o preço [do PS3] é bem alto, então não seria nada fácil haver um lançamento oficial no Brasil.
O 360 importado já é vendido por aqui, e o preço vem caindo. O que podemos esperar do preço do console quando ele chegar oficialmente?
A Microsoft esta trabalhando para apresentar uma boa oferta de valor ao consumidor brasileiro. É claro que temos que olhar para a atual situação. Não dá pra fecharmos os olhos e ignorarmos o mercado paralelo que já existe. Por isso, temos que mostrar que o console oficial é mais vantajoso, que além de um preço legal, ele traz garantias, suporte técnico, boas condições de compra. É este o conjunto de valores que fará a diferença para o consumidor.

Autor: - Categoria(s): Cobertura X06, Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , ,
20/10/2006 - 21:40

Mais um ponto

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Um dia longo que não acaba nunca. Por isso a atualização tardia.
Hoje, a primeira edição da Rolling Stone Brasil chegou às bancas. É, portanto, um dia importante para a área de atuação deste blog. Para quem não sabe, a edição norte-americana (assim como as lançadas em outros países) não faz menção nenhuma aos videogames e ao entretenimento eletrônico. Diferentemente, a edição nacional terá espaço exclusivo e mensal aos jogos, seja em matérias especiais, seja na seção de reviews.
Isso pode ser considerada uma vitória do jornalismo de games, visto que não é sempre que uma revista de massa abre espaço para este tema. Está certo que este tipo de abordagem já rolava nas revistas SET, na MTV, na VIP, na Playboy, entre outras, e semanalmente em jornais, mas a Rolling Stone é conhecida por sua proximidade com a música e a política. O espaço aberto aos games é só mais uma prova de que o tema merece mesmo atenção de todos – não apenas de um nicho formado por meia dúzia de gatos pingados. Nós, que levamos o game a sério, estamos aqui, ali, em qualquer lugar.
Agora, nem dá para questionar aquela frase que diz que “Games são o novo rock’n’roll”. Quem foi que disse isso mesmo? John Lennon? :) Seja como for, é hora de comemorar.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
18/10/2006 - 23:57

Para quem se escreve?

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Hoje, o seríssimo site norte-americano Next-Gen.biz publicou uma lista dos 50 jornalistas de games mais influentes dos EUA. A lista é interessante, mas não muito significativa para nós, gamers latino-americanos, sem dinheiro no bolso e sem parentes importantes. Duvido que qualquer leitor deste blog consiga reconhecer mais de 20 nomes entre aquelas cinco dezenas de caras feias.
Alguns caras ali são óbvios: Dan “Shoe” Hsu, da EGM; Matt Casamassina e Peer Schneider do IGN.com; Andy McNamara da Game Informer. Quem mais? Tom Byron (não é o porn star) da OPM; John Davidson, chefão gente boa da Ziff Davis; os artistas do Penny Arcade (são jornalistas, por que não?); o Sam Kennedy do 1up.com, o Chris Morris da CNN (o cara que inventou o incrível site “Side-Talkin”, homenagem tosca ao N-Gage), o Clive Thompson da Wired. E só. Já encontrei ou conversei com a maioria desses, por isso que me lembro. Juro que minha nerdice e incompetência não me permitem reconhecer outros. Acho que faltou gente ali. Mas listas são assim mesmo, não agradam a unanimidade.
Comento sobre isso porque pensei uma bobagem. E se alguém resolvesse fazer uma lista dessas no Brasil? Teria que ser um Top 20, no máximo. Simplesmente porque não há jornalistas especializados e influentes por aqui. Quero dizer, há, claro que há. Mas dizer que somos influentes? Complicado, para não dizer impossível. Nossa profissão ainda não é vista com respeito. A imprensa séria não inclui a cobertura de games. E quando isso acontece, algo bem raro, fala-se mal dos games. Ou de maneira pejorativa. Sei que já bati nesta tecla antes, mas é sempre bom repetir: games não são tratados com respeito no Brasil, jornalisticamente dizendo.
Claro, há sites e revistas especializados, recheados de gente boa, competente e um tanto influente entre seus leitores. E seus fãs. Porque o leitor de games no Brasil, antes de ser leitor, é um fã. E é preciso ser fã para se dedicar aos games nesta terra, seja escrevendo ou se informando sobre o assunto. Os fãs, claro, são a razão de ser do trabalho do jornalista de games brasileiro. Sem eles, não existe estímulo, não há massa crítica. Nos EUA, a opinião desses 50 jornalistas conta muito para a indústria. Decisões de produtoras são tomadas a partir dos textos desses indivíduos. Eles escrevem para os leitores, mas também para os executivos lerem. Aqui não, é diferente. Eu mesmo não tenho certeza se alguns dos figurões de nossa indústria lêem o que publicamos. Se lêem, eu não sei. Deveriam. Mas enquanto isso não acontece, fico mais do que feliz com as opiniões dos leitores. Esses sim, são a razão de nosso trabalho.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
18/10/2006 - 01:40

Wii o Brasil?

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Na semana passada, prometi que contaria novidades sobre o Wii. O fato é que achei que teria grandes cartas nas mangas, aquelas informações que todos gostariam de saber: a data de lançamento do Wii no Brasil, os planos de lançamento da Nintendo em nosso país, e por aí vai.
Consegui? Mais ou menos.
Conversei há uns poucos dias com Steve Singer, gerente geral da Nintendo of America para a América Latina. Só ele poderia acabar com a maioria desses mistérios, afinal, é o homem no comando da marca Nintendo no Brasil desde o final do século passado. É claro que, experiente como é, ele dificilmente me revelaria algo com tanta antecedência (para a Nintendo, uma semana já é considerada uma enorme antecedência). Ora, estamos a um mês do lançamento mundial do Wii. E quem conhece o mercado de games sabe que nenhuma empresa gosta tanto de fazer mistério quanto a Nintendo. E o pior é que os caras conseguem mesmo guardar seus segredos. Mas quer saber? Tudo o que se especula hoje em dia está mais próximo da verdade do que se imagina.
Quer um exemplo? Qual a data de lançamento que a NOA anunciou para o Wii nos Estados Unidos? 19 de novembro. E sabe qual seria a misteriosa data oficial de lançamento no Brasil? Pasme, é a mesma! Pelo menos é este o plano oficial da Nintendo: fazer com que o Wii esteja no mesmo dia à disposição dos consumidores de todo o continente americano (o Brasil está nessa), e antes mesmo dos jogadores japoneses. Como isso irá acontecer? Aí é que está a questão: sobre isso, a NOA não entrou em detalhes. “Desenvolver e distribuir um produto como o Wii pelo mundo é um processo muito complexo. Cada país e região possuem desafios únicos que devem ser solucionados para conseguirmos realizar os objetivos”, me explicou Singer. Trocando em miúdos: para este lançamento ocorrer, a Nintendo estaria trabalhando bem próxima ao governo nas questões mais pertinentes – ou seja, impostos -, para assim tornar o panorama o mais favorável possível. “Isso funcionou no México, esperamos que funcione no Brasil”, comentou.
Ao que parece, o possível lançamento do Xbox 360 no Brasil (o qual, a cada dia, parece mais próximo) não mudaria os planos da Nintendo por aqui. Saindo antes ou depois do console da Microsoft, o Wii chegaria ao Brasil da mesma maneira que já vem acontecendo nos últimos quatro anos: via importação direta, através de uma empresa panamenha chamada Latamel. Muita gente ainda sonha com a “época de ouro” que durou até 2001, quando a Nintendo era representada pela Playtronic (mais tarde pela Gradiente) e possuía um escritório no Brasil e oferecia serviço de atendimento ao consumidor, assistência técnica autorizada, jogos com manual de instruções em português e propagandas na TV. No que depender da Nintendo, a situação atual dificilmente irá se alterar. “É importante deixar claro que a Nintendo jamais deixou o Brasil. Nossos parceiros atuais possuem escritório e funcionários no país, da mesma forma que os nossos parceiros anteriores. Na essência, nada mudou para a Nintendo”, explicou Singer.
Cá entre nós, há enormes diferenças entre aquela época e a atual. E sim, faria uma belíssima diferença se a Nintendo estivesse aqui representada por uma empresa com presença nacional, como era nos tempos da Gradiente. Assim mesmo, a Nintendo parece engajada e dedicada a fazer seu plano dar certo por aqui. Apesar de não haver confirmação sobre preço, manuais em português ou assistência técnica autorizada, alguns dos recursos já foram revelados. Um deles é o Virtual Console, serviço que permitirá aos consumidores baixarem jogos antigos através da internet, e estará logo de cara disponível para os brasileiros. Singer é otimista quando fala sobre qual seria a melhor situação possível do mercado nacional: “O melhor cenário é aquele em que o consumidor brasileiro compra o Wii logo em seu lançamento, em novembro, leva o console para casa, o instala na TV e tem uma experiência de entretenimento sensacional com toda a família”.
O executivo encerrou o papo dizendo que os principais responsáveis pela crescente popularização dos produtos Nintendo no Brasil serão… seus próprios fãs: “Cada vez que um consumidor se diverte com um produto Nintendo e divide sua experiência com um amigo, ele está nos ajudando a divulgar nossos planos no Brasil. Com o Wii, acreditamos que a experiência global de jogo continuará a crescer e se desenvolver. O Brasil é o país líder de utilização de internet na América Latina e sempre esteve na crista da onda da tecnologia. Acredito que o Wii irá oferecer este próximo nível de entretenimento que eles desejam”.
Ainda é pouco, e deve ter gente que ficou com ainda mais dúvidas após ler tudo isso. Nem dava para ser diferente. Apesar de tanta informação, ainda está difícil de entender como se dará esse lançamento. Mas o panorama está melhorando a cada dia. É aguardar para ver.
***
O assunto não acabou. O restante desta entrevista, mais a matéria completa sobre o lançamento do Wii e do Xbox 360 no Brasil (além do PlayStation 3 no resto do mundo) será publicada na edição 2 da Revista Rolling Stone, nas bancas no dia 20 de novembro.

Autor: - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
16/10/2006 - 20:16

Entrevista da Semana: John Tam (Guitar Hero II)

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Toda segunda feira, prometo uma entrevista nova e exclusiva aqui no Gamer.Br. Para começar, publico um papo que rolou recentemente com o John Tam, da RedOctane, produtor executivo do aguardadíssimo Guitar Hero II para PlayStation 2 e Xbox 360. Confira e comente.
Gamer.Br: Eu soube que vocês tiveram problemas para conversar com as bandas e conseguir autorizações na época do primeiro Guitar Hero… pelo jeito, esses problemas acabaram, certo? Como as bandas responderam às propostas dessa vez? Elas já conheciam o jogo?
John Tam: Bem, as histórias são tão variadas quanto a quantidade de bandas que procuramos. Algumas aceitaram participar simplesmente porque adoraram o primeiro Guitar Hero. Tem vários grupos que não costumam mesmo licenciar sua música para os games. Esses não mudaram de idéia, então não estão mesmo no game. Alguns não gostaram das condições que oferecemos. Usamos um valor único para todas as músicas, de modo que todas nos custaram a mesma coisa em direitos autorais. Produção de game é uma coisa difícil: temos que dividir royalties com muitos parceiros, o que torna difícil equiparar os valores usados em outras indústrias…
Que tipo de feedback vocês ainda recebem quase um ano após o lançamento do primeiro Guitar Hero?
Recebemos muitas cartas de fãs. Novos consumidores ainda estão descobrindo o game. As pessoas transformaram o Guitar Hero em um jogo de festa, e é desse jeito que o jogo vai contaminando mais gente. O tempo todo chegam coisas aqui: desenhos, fotos das pessoas jogando, ligações telefônicas de fãs, e-mails…
Vocês acham que casos isolados, como a história do cara que quebrou o joelho jogando Guitar Hero (veja em Guitar Hero Broke My Knee) são publicidade positiva ou negativa pra vocês?
É claro que a gente não leva a sério o fato do game ter quebrado o joelho dele, e duvidamos que outras pessoas levem isso a serio também. É só algo bem engraçado, e nós curtimos o apoio e a dedicação desse cara.
É bem difícil agradar a todo mundo, mas há algumas bandas que estão ausentes do jogo e muita gente irá reclamar. Por exemplo, cadê o U2, Metallica, Pink Floyd e outros dinossauros? O que quero dizer é: qual o critério para escolher as bandas e as músicas em Guitar Hero II?
Os critérios de escolha de música são variados: quer dizer, a música que todo mundo ama pode não ser a mais divertida de tocar. A música DETONA? É legal de ser tocada? Os riffs são reconhecíveis? A música tem significado para seus fãs? O fato de tal música entrar no jogo significa que o game irá agradar mais, sim ou não? É bem por aí.
Vocês tem planos de criar versões com outros instrumentos de corda, como baixos, violinos, etc?
Em Guitar Hero II, um baixo ou uma guitarra rítmica estão inclusas em cada música no Modo Cooperativo. Isso faz os dois jogadores se sentirem cada vez mais parte de uma banda. Eles tocam partes separadas de cada música e precisam trabalhar juntos para completar o som. Qualquer outra coisa além disso ou não foi anunciada, ou ainda é super secreta (exceto pela minha versão “Gaita Hero”, a qual eu mesmo quero criar!)
Todo mundo esperava um novo modelo de guitarra no PlayStation 2 (os boatos falavam de uma Gibson Flying V), mas vocês permaneceram com o modelo SG. Houve razão especial pra isso?
A guitarra SG de Guitar Hero II muda algumas coisas em relação ao modelo anterior e é o resultado de um grande refinamento de jogabilidade e durabilidade. O formato de uma guitarra é algo especial e precisa significar algo para o consumidor. Se um dia lançarmos novos modelos, queremos deixar bem claro qual o motivo disso. Um novo modelo também custaria bastante dinheiro para ser produzido. Isso significaria que teríamos menos cópias de Guitar Hero II no dia do lançamento, e elas acabariam custando mais caro.

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